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Tópico: Mundo
Afeganistão, NATO, UE, Portugal
Urbano de Campos — 31 Agosto 2021

Uma cena caricata decorreu há dias (27 de agosto) no aeroporto de Figo Maduro, à chegada dos militares portugueses que estiveram em Cabul para ajudar a retirar refugiados afegãos colaboradores das forças da NATO. O “destacamento”, integrado no contingente espanhol, era composto por quatro militares que foram enviados ao Afeganistão por 72 horas e que trouxeram consigo 24 afegãos, famílias incluídas. A recebê-los, o ministro da Defesa e o presidente da República com os discursos vazios que se ouvem sempre nestas ocasiões.
Tribuna
A propósito de Cuba: mais vale o regresso ao capitalismo?
Manuel Raposo — 27 Agosto 2021

Respondo ao desafio lançado por dois leitores — Fernando Martins e António Alvão — a respeito de Cuba, em comentários que ambos fizeram ao artigo Homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho. A posição do MV acerca de Cuba pode, em parte, ser vista no artigo que publicámos na altura da morte de Fidel Castro. Mas o assunto mantém toda a actualidade e é de importância para um debate por parte da esquerda revolucionária acerca de uma linha política internacionalista, que hoje obviamente falta para coordenar os movimentos de protesto e de libertação que surgem pelo mundo nas mais diversas formas.
Ponto de mira
Para lá da cortina de fumo
Editor — 19 Agosto 2021
Uma barragem de propaganda, nos limites do ridículo, acompanha as notícias sobre o Afeganistão. Os motes são fáceis de identificar: a sorte das mulheres (“e raparigas”, como disse o cuidadoso Guterres), a violência sobre os colaboradores do regime deposto, o perigo de um novo santuário de terrorismo internacional, o risco de mais uma maré de refugiados sobre a Europa. Em vago, tudo é possível — mas, em concreto, nenhum sinal aponta nesse sentido. Pelo contrário, os testemunhos vindos de quem avalia a situação no próprio terreno, sem ter propósitos de servir a agenda ideológica do Ocidente, mostram mesmo surpresa por tamanha mudança se passar em tão boa ordem.
O irresistível avanço taliban, ou a intrigante popularidade do terror
António Louçã — 14 Agosto 2021

Os taliban são uma corrente político-religiosa obscurantista, reaccionária e misógina. Após décadas a fio de guerras, ocupações e ditaduras, o povo afegão irá entrar agora em mais um capítulo sombrio da sua história. Com a experiência acumulada, a grande maioria sabe certamente o que a espera. Como podem então os taliban gozar de um apoio popular tão forte que lhes permitiu vencer as maiores potências do mundo?
Incêndios e inundações: vamos ver mais disto
António Louçã — 18 Julho 2021

Nos Estados Unidos e no Canadá, temperaturas a rondar os 50 graus centígrados, causaram uma vaga sem precedentes de incêndios florestais e urbanos, tendo consumido até agora uma área equivalente a 350.000 campos de futebol.
O ano passado tinha registado os fogos florestais mais devastadores da história da Califórnia, mas este ano, em julho, já conseguiu ser pior.
A explosão social na América Latina
Manuel Raposo — 29 Junho 2021

A agitação social e política na América Latina nos anos 2019 e 2020, especialmente antes do desencadear da pandemia, trouxe para as ruas milhões de pessoas reclamando mudanças políticas e melhores condições de vida. No final de 2019, todo o Continente esteve em ebulição praticamente simultânea. Foi a maior turbulência das últimas décadas, marcada não só por manifestações pacíficas mas também por forte repressão militar e policial a que os manifestantes responderam com violentos confrontos com as forças do poder. Centenas de mortos e milhares de feridos não chegaram para calar os protestos.
Nacionalização da dívida dos EUA — o caminho para a guerra mundial?
António Louçã — 7 Junho 2021

Donald Trump perdeu as eleições e falhou o golpe de Estado de 6 de janeiro, mas ainda anda por aí. Em discurso numa convenção do Partido Republicano, prometeu exigir à China 10 biliões de dólares de indemnização por alegadas responsabilidades na origem da pandemia de covid-19. Não se ria, leitor ou leitora, que o caso é sério. Com a ajuda de Biden, Trump tem muito do que precisa para ganhar as eleições em 2024. O programa que anunciou é o de uma guerra mundial.
Os pioneiros da moderna pirataria aérea
Urbano de Campos — 30 Maio 2021

O desvio do avião da Ryanair pelas autoridades da Bielorrússia e a prisão de um opositor do regime que ia a bordo foi, acima de tudo, um gesto de estupidez política cujas consequências talvez não tenham sido inteiramente calculadas pelo regime de Lukashenko. Mas o alarido que os meios políticos e jornalísticos ocidentais têm feito sobre o assunto não passa a ser, lá por isso, uma defesa de regras e de direitos consagrados internacionalmente, como pretendem os governos dos EUA e da Europa. Pelo contrário, os seus protestos indignados têm todos os ingredientes da mais rotunda hipocrisia.
Saara Ocidental, última colónia africana
Editor / Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental — 21 Maio 2021

As notícias, aparentemente inesperadas, de milhares de marroquinos a passarem a salto para Ceuta com a evidente colaboração das autoridades de Marrocos, trouxe para primeiro plano uma questão demasiado esquecida: a colonização do Saara Ocidental pelo reino de Marrocos. O pretexto para a invasão de Ceuta foi o facto de as autoridades espanholas terem recebido, para tratamento médico, um líder da Frente Polisário, a qual luta há 46 anos pela independência do território sem que Marrocos respeite as determinações das Nações Unidas sobre o caso — à imagem do que Israel faz, impunemente, com os direitos da Palestina.
Os ricos vão mesmo pagar a crise?
Manuel Raposo — 17 Maio 2021
O desastre económico e social espoletado pela pandemia obrigou os EUA e a União Europeia a porem em andamento planos de despesa e de investimento envolvendo maciças intervenções dos Estados e biliões de dólares e de euros, como não se via desde os anos 30 e desde a Segunda Grande Guerra. Saudados como um novo New Deal ou como um novo Plano Marshall — e até baptizados como “de esquerda” por parecerem contrariar a política dita neoliberal dos últimos 40 anos — essas intervenções são na verdade planos de salvação de um capitalismo a braços com uma decadência inexorável.