Tópico: Sociedade

Particularidades do “milagre económico” português

Urbano de Campos — 24 Fevereiro 2026

Injustiças gritantes marcam a condição da larga maioria dos trabalhadores

Governo e patrões, acolitados por toda a corte de comentadores, não se cansam de propagandear aquilo a que chamam os êxitos da economia nacional. Para os ajudar na festa, a revista The Economist elegeu Portugal, entre 36 países, como a “Economia do Ano” em 2025, e o Financial Times atribuiu-lhe uma menção honrosa pelo desempenho no contexto europeu. Considerando o crescimento anémico do PIB português (1,9%), só se entende o elogio pela bitola de uma terra de cegos, uma vez que os nossos parceiros próximos ficaram ainda mais abaixo (1,5% para a Zona Euro e 1,6% para a UE).


Nos 50 anos da fundação do PCP(R)

Manuel Raposo —

Comício de encerramento do 2.º congresso, Lisboa, Campo Pequeno, abril 1977

No final do ano passado, completaram-se cinquenta anos sobre a fundação do Partido Comunista Português (Reconstruído). No congresso, iniciado em Lisboa a 27 de dezembro de 1975 e terminado nos primeiros dias de janeiro, fundiram-se várias das principais organizações da corrente marxista-leninista, pondo fim a mais de dez anos de proliferação de grupos, de divisão organizativa e de conflitos políticos.


O pacote laboral e a ilusão da modernização. Porque devem os trabalhadores dizer “Basta!”

Filipe Dias — 28 Janeiro 2026

Este pacote laboral não a combate a precariedade – legitima-a.

As eleições presidenciais provocaram uma paragem no debate público sobre a proposta de alteração das leis laborais lançada pelo Governo. Paragem no debate – e na luta que os trabalhadores iniciaram com a greve geral de 11 de dezembro. Mas a questão não morreu nem perdeu actualidade. Pelo contrário, as manobras levadas a cabo pelo ministério do Trabalho mostram que tanto o Governo como o patronato querem levar a sua avante por quaisquer meios.


Para entender a corrida à Presidência

Manuel Raposo — 14 Janeiro 2026

Greve geral, um sobressalto reivindicativo e político com clara marca de classe

O nível da campanha eleitoral para a Presidência da República tem sido tal que o senhor D. Duarte Pio de Bragança, herdeiro do trono, viu oportunidade para convidar os portugueses a ponderarem o retorno à monarquia. Além da prestação dos candidatos, o próprio cargo se presta à degradação dos debates. De facto, as funções constitucionais do Presidente da República, em condições correntes, roçam o zero – proporcionando, ou o vazio da conversa por falta de assunto, ou a insistência em temas que estão fora da sua esfera de actuação por serem da competência do Governo. Mais do que noutras eleições, está-se no puro terreno das promessas sem viabilidade.


Uma oportunidade perdida na greve geral. É preciso estar à altura do desafio

Filipe Dias — 26 Dezembro 2025

Manifestação 11 dezembro. O pacote laboral não é um detalhe técnico, é um retrocesso com impacto directo na vida de milhões de pessoas

A manifestação da greve geral mal tinha começado a ganhar corpo frente à Assembleia da República e já os discursos das direcções sindicais tinham terminado. Antes de metade dos manifestantes chegar ao local, o ritual discursivo estava concluído. Cumpriram os mínimos, como quem risca uma tarefa da lista. Mas será isso suficiente num momento político tão carregado de implicações para quem trabalha?


Luta de classes, senhores, é luta de classes!

Manuel Raposo — 18 Novembro 2025

Contra o governo da troika, contra a austeridade. Março 2013

Para o patronato nacional e para as forças políticas que o representam, o padrão de governação ideal é o da troika. Essa referência da nossa história recente não pode ser esquecida porque está aí a evidência prática dos propósitos do Governo e das confederações patronais ao meterem mãos à revogação das leis laborais. Submeter o trabalho à exclusiva vontade de gestores e patrões (e mesmo aos humores de uns e outros), retirar ao trabalho os meios de resistir às medidas ditatoriais que o capital entenda levar a cabo, reduzir os trabalhadores a um somatório de indivíduos facilmente manipuláveis, colocá-los em concorrência fratricida uns com os outros (nacionais ou imigrantes) – é essa a finalidade, mal disfarçada com a propaganda reles de “fazer crescer o país”.


Greve geral. Reerguer a luta dos trabalhadores

Editor / António Barata —

Manifestação contra o pacote laboral. Lisboa 8 novembro 2025

As medidas propostas pelo Governo de alteração ao código do trabalho, fruto de uma concertação absoluta com as confederações patronais, não deixam margem para dúvidas sobre o que pretendem: cortar nas condições de vida dos assalariados e reduzi-los a uma massa de gente sem capacidade de resistência que cada patrão possa manipular como e quando quiser. Depois da grande e combativa manifestação do passado dia 8 contra o pacote laboral, a questão que se coloca é a de fazer da greve geral marcada para 11 de dezembro um ponto de viragem na resistência dos trabalhadores ao patronato e à direita.


Nova Iorque, terreno para uma luta séria

Editor / John Catalinotto — 11 Novembro 2025

CONGELA AS RENDAS, exige um apoiante de Zohran Mamdani

A ascensão de Zohran Mamdani a presidente da câmara de Nova Iorque abalou não apenas o meio partidário norte-americano, mas também muitas das convicções que parecem dominar (e na verdade dominam grandemente) a realidade política dos EUA. Por exemplo, o racismo, o peso das oligarquias, o colete de forças que prende o eleitorado no bipartidarismo Republicanos/Democratas, aparentemente sem alternativa. A questão agora é esta: O que vai ser o mandato de Mamdani? Como vai ele cumprir promessas como casas baratas, transportes gratuitos, saúde para os trabalhadores, proteção dos imigrantes?


Aviso sobre as eleições de dia 12: O poder local não existe

Manuel Raposo — 9 Outubro 2025

Operações SAAL, julho 1974 – novembro 1975, a resposta popular à questão da habitação

Mais de 9 milhões de eleitores estão a ser chamados a escolher uns quantos milhares de autarcas que vão governar concelhos e freguesias em nome, assim se diz, dos interesses locais das populações. Afirma-se que não há outras eleições em que a relação dos eleitores com os eleitos seja tão próxima, e determinada por assuntos tão concretos. Mas sempre que se abre uma nova campanha eleitoral repetem-se as mesmas queixas da parte das populações que não vêem, décadas a fio, progresso digno desse nome nas suas condições de vida.


O novo despertar da esquerda árabe

Editor / Hamzah Rifaat — 8 Agosto 2025

O despertar da esquerda árabe na era do genocídio, a nível regional e mundial. Manifestação no Iémen de apoio ao Ansar Alá

As brutais campanhas militares dos EUA e de Israel no Médio Oriente nos últimos dois anos conseguiram enfraquecer a resistência na Palestina, no Líbano e na Síria. Mas até que ponto podem imperialistas e sionistas falar de vitória? Uma avaliação completa da situação actual tem de levar em conta a reacção política de fundo que tais campanhas estão a gerar no mundo em geral, no mundo árabe e muçulmano em particular e na própria sociedade israelita – e que efeitos próximos isso vai ter em toda a região.


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