Tópico: Sociedade

A omissão da direita na crise ambiental

Urbano de Campos — 22 Setembro 2021

Crise ambiental aponta para os limites do capitalismo como modo de produção e como sistema de organização social

A direita só por arrasto vem à discussão sobre as alterações climáticas e a destruição ambiental. Os mais fiéis representantes do capitalismo pressentem que o assunto toca fundo no mecanismo de produção da riqueza e, consequentemente, no domínio burguês sobre o mundo. Toca na própria economia capitalista — no primado da concorrência e da iniciativa individual sobre o planeamento social, no desperdício e na depredação de recursos que tal implica — e por isso aponta para os limites do capitalismo como modo de produção e como sistema de organização social.


Autárquicas. A utilidade de votar

António Louçã — 12 Setembro 2021

Caos. Política do país oscila entre o lobby do automóvel e o lobby do turismo – e a população que se dane.

Não há nestas eleições nenhum partido, coligação ou lista de cidadãos que, recebendo o voto dos e das cidadãs, possa garantir que os assuntos municipais ficam em boas mãos. As boas mãos são as nossas e só com elas poderemos impedir a corrupção do poder local e o pendor autocrático do poder central. Mas quem queira lutar não deve alhear-se das eleições, que são um momento entre outros dessa luta.


Tanta casa e tanta falta de casa

Urbano de Campos (com D.R.) — 7 Agosto 2021

Trabalhadores imigrantes: explorados da forma mais crua e tratados como indesejáveis

Estudo recente de uma seguradora britânica coloca Lisboa como a segunda mais barata cidade da Europa ocidental para comprar casa. Melhor que Lisboa só Bruxelas. Em termos médios, o custo de um apartamento em Lisboa fica por 227.750 euros, cerca de 4.500 euros por metro quadrado. Estes valores só por si dizem pouco, mas já dizem mais quando se entra em conta com dois outros factores: o custo médio de vida e o salário líquido por mês. O estudo permite ver que, entrando com estes dados, Lisboa se torna, para os portugueses, a mais cara do ranking das 15 cidades analisadas.


Homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho

Manuel Raposo — 28 Julho 2021

A burguesia portuguesa odeia o 25 de Abril operário e popular, e quem o simbolize.

A bitola para avaliar politicamente os militares do 25 de Abril (como qualquer outra pessoa) não é a posição que eles tomaram acerca do derrube da ditadura naquela madrugada de 1974. Sobre isso houve um largo “consenso nacional” que ainda hoje perdura no essencial: a ditadura estava podre e acabada e a guerra colonial perdida. A boa bitola é a posição perante o movimento popular que irrompeu logo a seguir ao golpe militar, que surpreendeu os próprios militares e subverteu o país de norte a sul. Foi esse o revelador que fez ver que nem todos os gatos eram pardos.


Incêndios e inundações: vamos ver mais disto

António Louçã — 18 Julho 2021

Os negacionistas das alterações climáticas continuarão a esconder a cabeça na areia

Nos Estados Unidos e no Canadá, temperaturas a rondar os 50 graus centígrados, causaram uma vaga sem precedentes de incêndios florestais e urbanos, tendo consumido até agora uma área equivalente a 350.000 campos de futebol.

O ano passado tinha registado os fogos florestais mais devastadores da história da Califórnia, mas este ano, em julho, já conseguiu ser pior. 


Contra a corrente

Editor — 9 Junho 2021

A comunicação social nacional é hoje detida, como se sabe, por três ou quatro grandes grupos empresariais com raízes em várias áreas de negócios. A pressão exercida por tais monopólios sobre os conteúdos informativos é esmagadora — para os profissionais, mas sobretudo para o público.

Quem está do lado de cá dos jornais, das televisões ou das rádios não conhece os bastidores onde tudo se decide. Mas apercebe-se da parcialidade das notícias, da preferência dada a comentadores situacionistas, da colocação em lugares de destaque dos “colaboradores” mais fiéis, da omissão programada do que verdadeiramente diz respeito à vida colectiva, do país ou do mundo, e que poderia contribuir para mudar-lhe o rumo.


Odemira, ou a modernidade da escravatura

António Louçã — 5 Maio 2021

Às primeiras palavras sobre uma requisição civil de alojamentos devolutos para instalar migrantes, houve alarme geral: aqui d’el rei que os comunistas comedores de criancinhas querem pôr-nos a dormir ao relento, aqui d’el rei que violam os direitos humanos dos proprietários. Afinal, a gritaria era uma folha de parra para encobrir as cumplicidades locais com o tráfico de pessoas e com a nova escravatura. E essas cumplicidades locais são alimentadas por conivências políticas, com sede no Governo.


O círculo de giz

Editor — 13 Abril 2021

O problema da Operação Marquês não está em ser o megaprocesso que tanto se critica. Está sim no facto de, no desenvolvimento da investigação, ter sido apanhado na rede quem não se pretendia que lá estivesse: o BES e Ricardo Salgado. Enquanto a investigação se limitou a encontrar os tentáculos de um esquema de corrupção, a coisa andou bem: seria mais um caso de abuso de poder e de luta partidária que se prefigurava. O pior foi quando, a partir dos tentáculos, se chegou à cabeça do polvo e se viu que era todo um modo de vida do sistema político-económico-partidário que poderia ficar a nu.


Caridade sim, justiça social é que não

Manuel Raposo — 31 Março 2021

Tudo menos tocar nas grandes fortunas, nos altos rendimentos, nos lucros do capital, na propriedade privada capitalista

Em final de fevereiro deste ano, os desempregados inscritos nos centros de emprego (IEFP) tinham subido acima de 430 mil, mais 37% do que no início do ano passado, o valor mais alto desde maio de 2017. Ao longo de 2020 o ritmo dos despedimentos colectivos tornou-se galopante. Como se nada disto contasse, as organizações patronais continuam a repetir o dogma de sempre: “são as empresas que criam emprego” — quando as evidências mostram que são as empresas, isto é, o capital, que destroem postos de trabalho e liquidam meios de produção. 


Crise ambiental, militares à parte

Manuel Raposo — 6 Março 2021

As actividades militares gozam de um regime de excepção, também nas questões ambientais

Um estudo promovido pelo Grupo da Esquerda do Parlamento Europeu contém revelações que ajudam a mostrar as raízes do problema das alterações climáticas e a apontar responsáveis que se mantêm na sombra. Com o título “Sob o Radar – A pegada de carbono dos sectores militares da Europa”, o documento revela a larga contribuição que os sectores militares (indústrias de armamento, forças armadas, exercícios e operações militares) têm para as alterações climáticas, sem que sejam obrigados a prestar contas.


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