Tópico: Sociedade

Povos árabes perante a mesma escolha: genocídio ou dignidade

Editor / Tlaxcala — 8 Julho 2026

“Apoiamos todas as formas de luta que se opõem à guerra imperialista”. Manifestação de mulheres palestinas

O manifesto de intelectuais árabes que divulgamos merece atenção e destaque em vários aspectos. Primeiro, pela denúncia do papel de Israel no Médio Oriente: os planos de um “Grande Israel” não são uma mera ambição de Netanyahu e da sua pandilha de torcionários; são um núcleo da estratégia do imperialismo norte-americano para assegurar o domínio na região. Não é sem razão que Trump afirma “Quem manda aqui sou eu”.


O lado oculto do caso Epstein

Editor / Mustafa Fetouri — 18 Junho 2026

Líbia. Cidadae de Sirte bombardeada pela NATO, 2011

O caso Jeffrey Epstein tem sido exuberantemente tratado como um escândalo de costumes. A falta de escrúpulos, a perversão moral, o completo desprezo pelos direitos das pessoas comuns fica bem demonstrado pelo comportamento da elite podre-de-rica, dos políticos venais, da aristocracia caduca que se congregava em torno de Epstein. Mas qualquer coisa falta para que esta história tenha pleno sentido.


Na raiz da guerra imperialista

Manuel Chico, Manuel Raposo — 11 Junho 2026

Gaza 72.000 mortos (fora os soterrados nos escombros). Líbano 3.600 mortos. Irão 3.400 mortos

As guerras que se travam no Médio Oriente e na Ucrânia não são simplesmente guerras entre os EUA e o Irão ou os EUA e a Rússia. Não são sequer apenas guerras regionais. São guerras de natureza geopolítica com efeitos sobre a futura estrutura da ordem mundial. O que está a ser decidido é maior do que o destino dos governos, maior do que a questão das rotas marítimas e maior do que o equilíbrio de poder imediato no Oriente Médio e na Europa.


IA: o problema não é a tecnologia

Editor / Bappa Sinha — 5 Junho 2026

Avião-radar dos EUA abatido pelo Irão. A IA não lhe valeu

Voltamos ao tema da inteligência artificial, de novo pela pena de um autor indiano, agora focando atenção no modo como a alta finança, os grandes laboratórios e o poder político dos EUA (mas também da Europa) se combinam para fazer de um conhecimento que aponta para o progresso humano um instrumento de retrocesso social em nome da acumulação cega de capital.


Inteligência artificial e revolução social

Editor / Sanjay Roy — 2 Junho 2026

As tecnologias não transformam as sociedades, mas criam a necessidade dessa transformação

Os debates sobre o desenvolvimento e a aplicação prática da inteligência artificial vagueiam entre a desconfiança perante uma tecnologia que as pessoas comuns não dominam, as ameaças de desemprego que pairam no ar com selo de “progresso económico”, e o receio de ver tal arma nas mãos de uma elite todo-poderosa e sem escrúpulos.


Pacote laboral: um desenlace anunciado

Urbano de Campos — 21 Maio 2026

Vida justa, estamos fartos de pagar crises. Os ricos que paguem.

A decisão do Governo de levar à Assembleia da República a revisão da lei laboral na sua versão primitiva, desconsiderando meses de “negociações”, confirma o propósito que sempre esteve presente na cabeça dos governantes: impor, de preferência sem concessões, uma lei draconiana acertada com o patronato. Tal como em dezembro, a resposta adequada da parte do trabalho é a recusa em bloco das alterações preconizadas e a convocação de nova greve geral para 3 de junho – a única medida que clarifica a natureza do confronto: trabalhadores contra o bloco Governo-patrões.


Duas semanas na China. Impressões de viagem

Manuel Raposo — 7 Maio 2026

Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen

Para os europeus comuns do século XVI, a China – “o soberbo império que se afama” (Camões) – pouco mais podia ser do que um mundo estranho e inacessível. Conheciam-na os navegadores-comerciantes que faziam a viagem de ida e volta em 2-3 anos, sob incontáveis tormentos, fatais para boa parte das equipagens, na maioria arregimentadas ou levadas pela miragem da aventura e da fortuna. Apenas as elites podiam gozar da porcelana fina (o “ouro branco”) e da requintada seda que enchiam os porões das naus. Para lá disso, o país dos Chins era um território de fábula.


A última esperança da humanidade

Editor / O Comuneiro — 10 Abril 2026

Revoluções sob ameaça. Hasta la victoria, siempre!

Temos o privilégio de viver numa época de profunda mudança histórica a partir da qual nada será como dantes, assinalam os editores de O Comuneiro na introdução ao número de março da revista. A humanidade está perante a ameaça da extinção da espécie se prevalecer o rumo imposto pelos poderes do sacro império ocidental. Para o travar e abrir futuro à humanidade, é preciso enfrentar e desarticular esses poderes, que são o produto da degenerescência da sociedade capitalista ocidental, alheia a tudo o que esteja para lá de um cálculo de custo-benefício.


Evocação da Constituição e de um assassinato impune

Urbano de Campos — 2 Abril 2026

Primeira página de A Capital de 2 de abril de 1976. Que liberdade, que progresso?

No mesmo dia 2 de abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República e foram assassinados, num atentado à bomba, o padre Maximino de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia. Maximino era militante e candidato a deputado pela UDP, a principal força da esquerda revolucionária de então, e Maria de Lurdes era activista da juventude católica. A Constituição foi aprovada com o voto contra do CDS, partido que representava a extrema-direita e em que se acoitavam os saudosistas da ditadura e do colonialismo, desbancados dois anos antes.


“O Irão que eu conheci”

Fernanda M. Pinto / Entrevista — 20 Março 2026

Estreito de Ormuz

A maioria da população portuguesa e Ocidental ignora o que é a sociedade iraniana de hoje. A propaganda mais primária e mistificadora tem feito carreira nos meios de comunicação, criando na opinião pública uma visão inteiramente distorcida acerca da vida dos iranianos comuns, da sua relação com o poder, das suas ambições e da forma como encaram o futuro do país. Foi neste caldo que a agressão ao Irão foi cozinhada, como se pode avaliar pela conivência inicial de toda a UE e pela cumplicidade do governo português com os agressores.


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