Tópico: Mundo

Elogio do cerco à Constituinte

António Louçã — 7 Janeiro 2021

12 Novembro 1975, cerco à Constituinte pelos operários da construção civil: a sede de justiça do proletariado

Quarenta e cinco anos depois daquele memorável 12 de novembro de 1975, já correram rios de tinta para vilipendiar os operários da construção civil que, fartos de serem despachados com promessas vãs, cercaram a Assembleia Constituinte reivindicando um aumento de salários razoável.

Hoje, graças à invasão do Capitólio, podemos apreciar o contraste entre um proletariado consciente e a populaça desembestada das milícias fascistas.


Como Macron abre o caminho a Le Pen

António Louçã — 5 Dezembro 2020

Encobrimento e impunidade para as violências policiais

A lei concebida pelos apaniguados do presidente francês, para garantir a impunidade dos polícias mais enraivecidos, não vai arrancar uma bandeira das mãos da extrema-direita, como é suposto fazer. Vai, pelo contrário, colocar Marine Le Pen na posição de dirigente que tem ideias boas e originais, e Macron na posição do imitador que vem depois pôr em prática essas ideias.


Terror de Estado: uma ferramenta ‘normal’

Manuel Raposo — 28 Novembro 2020

Mandantes e beneficiários de mais um crime.

Em Janeiro passado, o general iraniano Qassim Suleimani foi assassinado às ordens de Trump, com o aplauso e a cooperação de Israel. Ontem, um cientista iraniano, Mohsen Fakhrizadeh, especialista em energia nuclear, foi morto numa emboscada na região de Teerão. A longa experiência da CIA e da secreta israelita em assassinatos selectivos, a estreita cooperação entre Trump e Netanyahu, a cumplicidade entre os EUA, Israel e a Arábia Saudita, as ameaças e provocações constantes de todos eles ao Irão, a natureza da actividade de Fakhrizadeh — não deixam dúvidas sobre quem são os mandantes e os beneficiários do crime.


Entender o declínio do imperialismo EUA

Editor / Richard D. Wolff — 19 Novembro 2020

À medida que o centro político implode, os capitalistas dos EUA favorecem a direita

A vitória de Joe Biden nas presidenciais norte-americanas, desejada e festejada por quase toda a União Europeia, corre o risco de esconder um facto nada desprezável: Donald Trump conquistou em 2020 mais 10,5 milhões de votos do que 2016. Dos cerca de 24 milhões de votantes a mais que foram às urnas em 2020 (na que foi considerada a maior votação de sempre das presidenciais norte-americanas), pouco menos de metade optou por Trump. Isto mostra que a ascensão de Trump (e sobretudo do trumpismo) não foi fruto do acaso, e comprova — para lá da personagem e do seu desconcerto — que a política por ele preconizada e praticada nos últimos quatro anos tem uma larguíssima base de apoio entre a população norte-americana.


EUA: Apoiar, consolidar a luta de classes

Editor / John Catalinotto, Workers World — 31 Outubro 2020

Construir a unidade dos trabalhadores para os tempos que aí vêm

As próximas eleições nos EUA colocam as classes trabalhadoras diante de um dilema: ou alhear-se do voto e deixar que Trump ganhe um segundo mandato, ou empenhar-se na derrota de Trump e entregar o poder a um outro representante das mesmas classes dominantes. Mas se este é o resultado inevitável em termos gerais, o caminho que leva a um ou outro dos desenlaces possíveis não é indiferente para a massa trabalhadora, nos EUA e no mundo.


Não será a campanha de Biden a derrotar Trump

António Louçã — 22 Outubro 2020

Tudo depende da mobilização popular

Perante Hillary Clinton, Trump ganhou o poder com três milhões de votos a menos. Perante Joe Biden, poderá conservar o poder com uma diferença ainda maior, se lhe deixarem as mãos livres para organizar o seu golpe de Estado. O desfecho da contenda não depende de mais um ou outro voto que entre nas urnas, depende sim da mobilização que haja nas ruas.


Opressão das mulheres na agenda neofascista

Urbano de Campos — 8 Outubro 2020

Bandeira democrática do capitalismo tem sido uma mentira

O despertar dos novos fascismos vem acompanhado, em todos os continentes, de um recrudescimento de campanhas ideológicas, de propostas políticas, ou mesmo de medidas efectivas de opressão das mulheres. E quando as forças políticas que a tal se propõem são aceites placidamente como fazendo parte do corpo dos regimes democráticos, quando não parceiros de governos, então são as próprias democracias que expõem a sua precariedade, a sua decadência e a sua incapacidade para fazerem barreira ao reaccionarismo mais extremo.


Um silêncio criminoso cerca Julian Assange

Urbano de Campos / John Pilger — 22 Setembro 2020

Assange, antes de ser raptado da embaixada do Equador em Londres

Decorre em Londres uma monstruosa farsa judicial. Julian Assange, o jornalista criador do WikiLeaks em 2006, está à beira de ser extraditado para os EUA, acusado de traição por ter revelado verdades inconvenientes: os crimes de guerra, as conspirações, as falsidades produzidas pelo imperialismo norte-americano e as cumplicidades dos seus aliados. A comunidade jornalística pelo mundo fora, portuguesa incluída, mantém sobre o assunto um silêncio cobarde e criminoso.


A dialéctica do fascismo libertário

António Louçã — 14 Setembro 2020

Itália, manifestação no final da Segunda Guerra

A campanha de supostos objectores de consciência contra a obrigatoriedade das aulas de cidadania é reveladora de um fenómeno mais vasto: o fascismo começa sempre por reclamar para si próprio as liberdades que, no fim do dia, quer suprimir para toda a gente. Enquanto acumula forças, queixa-se de ser amordaçado; mas, quando chega ao poder, é o que se sabe.


Trump, Biden: como travar o declínio do poder imperial

Manuel Raposo — 1 Setembro 2020

Marcha sobre Washington 2020: O sistema tem de mudar

O confronto entre Trump e Biden, com vista às próximas eleições presidenciais norte-americanas, tem sido apresentado nos media nacionais e na Europa como uma disputa decisiva entre a tirania e a democracia, entre a barbárie e a civilização, entre as ameaças de guerra e a paz, entre o caos e a ordem no mundo. Todas estas e outras tantas dicotomias avulsas resultam mais de interesses propagandísticos do que de verdadeiras análises políticas sobre o que está em jogo. Iludem por isso a realidade, nomeadamente ao induzirem a ideia de que existe uma diferença crucial entre as facções dirigentes dos EUA que alinham por republicanos ou por democratas.


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