Cruzada moralizadora

Editor — 21 Janeiro 2023

Como o PS faz a política de que o patronato precisa de momento, a direita não tem política que se veja. A política do Governo é esta: calar a boca aos pobres e assalariados com umas migalhas, enquanto o Estado paga a colossal dívida dos privados com dinheiro público, ao mesmo tempo que os abastece de capital fresco, gratuitamente e a rodos, com as verbas do PRR. 

Sem política própria, resta à direita a intriga e o trabalho de sapa. O surto de denúncias de corrupção, de incompatibilidades, de “falta de ética”, etc. — de parte a parte, entre as forças do poder e adjacências — apenas revela de forma concentrada e em catadupa a corrupção e o compadrio de que se alimentam as classes dominantes. 


Subitamente, o nazismo ucraniano deixou de existir…

Urbano de Campos — 6 Janeiro 2023

Nato, Azov, Suástica. Membros do batalhão Azov exibem as suas bandeiras

A desvalorização que o mundo ocidental, empenhado até às orelhas no apoio à Ucrânia, faz do nazismo ucraniano é, simultaneamente, um sinal da debilidade das suas convicções democráticas e uma demonstração de falta de princípios na guerra que conduz contra a Rússia. Quando recentemente o ministro russo Lavrov lembrou de novo que um dos objectivos da ofensiva russa iniciada em 24 de fevereiro era a desnazificação da Ucrânia, choveram os costumeiros argumentos da troika EUA-UE-Nato de que tudo não passava de um pretexto da Rússia para desencadear a operação militar.


Desta vez, ninguém disse “Je suis kurde”

Manuel Raposo — 31 Dezembro 2022

Manifestação em Paris. A nossa vingança será a revolução das mulheres. Dez anos depois do 9 de janeiro, o estado turco massacrou mais três dos nossos amigos

O atentado a tiro que, na semana passada, em Paris, matou três curdos e feriu outros tantos suscitou a indignação da comunidade curda imigrada em França e desencadeou enormes manifestações de protesto. A reacção das autoridades francesas seguiu o padrão regimental nestas coisas: dar o acto como resultado do desvario de um indivíduo desequilibrado e, deste modo, inocentar a sociedade francesa e descartar hipóteses de conspiração que levem às raízes políticas do problema. 


Lições da instabilidade política na América Latina

Editor / John Catalinotto — 14 Dezembro 2022

Opositores ao golpe contra o presidente Pedro Castillo bloqueiam o trânsito, exigem a sua libertação e novas eleições, 11 de dezembro

A guerra na Ucrânia concita todas as atenções políticas do momento. Especialmente para as populações europeias, as razões são fáceis de entender: um conflito militar ao pé da porta, escassez de bens, carestia, aumento da pobreza, ataque ao Estado Social. Mas as atenções do imperialismo, concretamente dos EUA, não se ficam pela Ucrânia ou a Europa. Recentes ataques aos regimes políticos do Peru, da Argentina e do México mostram que os EUA não desistem facilmente da ideia prepotente de que o Continente é um seu quintal.


Notas sobre a pequena política

Editor — 1 Dezembro 2022

Nunca a agitação partidária do país pareceu tão intensa como quando, em final de março, se formou um governo com a possibilidade, pelo menos formal, de durar quatro anos. A “estabilidade” que as classes dominantes reclamavam a cada passo — contra a “instabilidade” atribuída aos governos ditos da Geringonça — deu lugar, afinal, logo após as eleições de janeiro, a uma espécie de pânico mal contido. Que parece durar até hoje. 


A guerra num ponto de viragem?

Manuel Raposo — 21 Novembro 2022

Lloyd Austin, Mark Milley: a Ucrânia não pode pretender uma vitória militar

As informações divulgadas nos últimos dias sobre a guerra na Ucrânia, apesar de fragmentárias e mesmo contraditórias, parecem apontar num sentido: os EUA estarão a pressionar os dirigentes ucranianos para aceitarem negociações com a Rússia. A confirmar-se, será uma viragem significativa da posição dos EUA e do Ocidente em relação ao curso do conflito — aparentemente dando razão às posições de países como a Turquia ou a China, que sempre advogaram uma solução negociada, mas também a Hungria ou a Sérvia que resistiram à política europeia e norte-americana de sanções contra a Rússia e de lançar achas na fogueira.


Przewodów. Ridículos, se não fossem criminosos

Urbano de Campos — 17 Novembro 2022

Vista geral do alvo polaco do “terror russo”, segundo Zelensky

O incidente com o míssil que, anteontem, 15 de novembro, atingiu a Polónia é um espelho. Espelho da paranóia dos dirigentes ucranianos e dos seus mais fiéis comparsas, espelho dos níveis de perversão atingidos pela comunicação social. Mas talvez, em final de contas, alguns dos estilhaços do míssil de Przewodów caiam na cabeça de Zelensky, dos seus colegas de governo e dos seus adeptos, dentro e fora da Ucrânia.


Bilionários altamente poluentes

Editor / Jessica Corbet — 10 Novembro 2022

Cheias no Paquistão 2022: 1200 mortos, 6000 feridos, 300.000 casas destruídas

É sentimento comum que as discussões e as resoluções que visam travar as alterações climáticas resultantes da acção humana não produzem efeitos práticos. As diversas cimeiras do clima assim o mostram de ano para ano, por mais apelos que sejam feitos aos poderes públicos, por mais metas que sejam estabelecidas, por mais dramáticos que sejam os discursos, como o que o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a fazer, desta vez no Egipto. Não é de esperar que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que decorre em Sharm El-Sheikh, dê resultados diferentes. 


Afonso Gonçalves

Editor — 2 Novembro 2022

Na passada sexta-feira, 28 de outubro, morreu Afonso Gonçalves, companheiro de há largo tempo. Tinha 77 anos. Foi professor de profissão. Militou na esquerda antifascista antes de 1974. Mais tarde, acompanhou de perto as actividades do colectivo que publicou, durante mais de vinte anos, a revista Política Operária, dirigida por Francisco Martins Rodrigues. Era leitor assíduo do Mudar de Vida, para cujas páginas frequentemente enviava os seus comentários críticos. O último é de 15 de setembro deste ano, a respeito das exéquias de Isabel II. Aí fustigou “a vassalagem deprimente” dos repórteres portugueses, os “comentadores serventuários” e “o folclore medíocre” que o Reino Unido então apresentou ao mundo.


Pôr fim à guerra: uma voz solitária no Parlamento Europeu

Editor / Clare Daly — 30 Outubro 2022

“A Nato nunca trouxe paz em nenhuma parte do mundo”

Apesar de a UE não ter um quadro legal que lhe permita acusar um país terceiro de patrocinar o terrorismo de Estado, o Parlamento Europeu levou a cabo em 18 de outubro um debate acerca do assunto sob pressão das autoridades ucranianas. Dias antes, o Conselho da Europa fizera o mesmo, com direito a discurso de Zelensky, pois claro. Em ambas as sessões, o alvo, evidentemente, foi a Federação Russa, e o propósito declarado foi o de forjar, pelo menos no plano moral e da propaganda, uma condenação das autoridades russas para lá do quadro específico da guerra. 


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