Mais uma guerra?

Editor / Sara Flounders — 6 Agosto 2022

Pelosi em Taiwan: acrescentar uma dimensão militar à guerra económica iniciada pelos EUA contra a China

O artigo que divulgamos, centrado na visita de Pelosi a Taiwan, põe o foco no facto de o poder norte-americano estar a criar condições para um confronto militar com a China na região do Pacífico. Ao mesmo tempo, mostra as razões de competição económica que levam os EUA a provocar a China e a colocar o mundo um passo mais à frente no caminho da guerra. Não se pode desligar estes acontecimentos nem do conflito na Ucrânia, em que o Ocidente empenha esforços para debilitar a Rússia, nem das decisões tomadas na recente cimeira da Nato, em Madrid, na qual os EUA manifestaram abertamente o propósito de estender o seu braço armado até ao Extremo-Oriente.


O estado da nação: omissões de um debate

Urbano de Campos — 28 Julho 2022

Pobreza atinge 20% da população portuguesa. Um terço tem emprego estável. Só 13% não têm emprego

António Costa e o Governo saíram por cima no debate parlamentar sobre o estado da nação. Não foi difícil. Apesar de todas as críticas, as diversas oposições não beliscaram o nervo da situação presente: a calamidade que atinge as classes trabalhadoras em resultado da crise económica e da guerra. Com efeito, não é “o país” em geral — como se tornou cómodo dizer na linguagem de consenso das lides parlamentares — que é fustigado, mas sim as classes mais pobres, mais penalizadas e mais desprezadas da sociedade. 


Cimeira da Nato: marco histórico, diz o governo

Manuel Raposo — 10 Julho 2022

António Costa, João Cravinho. O governo português insiste em manter-se do lado errado da história

A cimeira da Nato, realizada em Madrid em final de Junho, não podia ser mais explícita sobre o papel da Aliança na defesa dos interesses dos EUA. A unanimidade que dela saiu não esconde o facto de as decisões aprovadas serem em tudo ditadas pelos propósitos norte-americanos de combater a influência crescente da China e da Rússia, arrastando para mais essa aventura os aliados que se deixarem levar.


Os valores do Ocidente

Editor — 3 Julho 2022

Os dirigentes europeus e norte-americanos esforçam-se por apresentar a guerra na Ucrânia como uma frente de batalha pelos valores democráticos e de liberdade, e até morais, do Ocidente. Zelenski e as tropas ucranianas estariam a “defender-nos” de uma vaga de obscurantismo e de autoritarismo vinda do Leste, protagonizada pelo regime russo de Putin e, de forma mais dissimulada, pelo regime chinês de Xi Jinping. Depois de terem tornado a guerra praticamente inevitável, é sob esta capa que justificam o esforço para prolongar o conflito, avisando as populações de que terão de suportar todos os sacrifícios durante o tempo que for necessário.


Um olhar sobre o próximo pós-guerra

Manuel Raposo — 20 Junho 2022

Que caminhos se abrem aos países dependentes a partir do grau de dependência em que se encontram?

Ao mesmo tempo que anunciam repetidamente supostos fracassos militares da Rússia, e até a possibilidade de uma vitória da Ucrânia, os porta-vozes da propaganda Ocidental proclamam aquilo que consideram ser um ganho “estratégico” decisivo e de carácter permanente: a unidade do bloco de forças constituído em torno dos EUA. E exemplificam com o alargamento da Nato aos escandinavos, a (quase) unanimidade das sanções contra a Rússia e a (quase) consonância de esforços no apoio militar aos ucranianos. Olhada mais de perto, contudo, esta unidade não é exactamente como a mostram.


EUA, Reino Unido: mate-se o mensageiro

Editor / Consortium News — 13 Junho 2022

Extraditar Assange nada tem a ver com justiça: é pura decisão política

O calvário de Julian Assange prossegue nas prisões do Reino Unido, sob ameaça de extradição para os EUA. A decisão de o colocar ou não nas mãos da polícia norte-americana está agora dependente da ministra britânica do Interior Priti Patel depois de os tribunais terem primeiro negado e depois autorizado a extradição. A questão está assim plenamente no campo político, nada de bom se augurando tendo em vista a ligação, unha com carne, do governo britânico com o poder norte-americano. 


Voltemos a falar de fome

Editor — 1 Junho 2022

De Bruxelas, António Costa manifestou-se “preocupado” com o nível “elevadíssimo” da inflação em Portugal, relacionando a situação com o “preço elevado que toda a Europa está a pagar” pela guerra. Sublinhou que o factor principal do aumento dos preços é o custo da energia. Costa tinha acabado de sair duma reunião com os seus pares europeus em que foi aprovado o corte das importações de petróleo russo, decisão esta que de imediato causou nova subida dos preços da energia a nível mundial.


A acção dos EUA nas guerras da Síria e da Ucrânia

Editor/ Richard Black, entrevista — 30 Maio 2022

Secretário de Estado dos EUA,  ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia. Mandante e mandarete.

A dimensão das falsidades e distorções sobre a guerra na Ucrânia que nos são fornecidas diariamente só se saberá, porventura, quando as hostilidades terminarem. Até lá, corre-se o risco de esta propaganda cumprir a sua missão, que é forjar uma opinião pública moldada pelos interesses que o Ocidente persegue na guerra e retirar capacidade de resposta às populações atingidas, dentro e fora da Ucrânia. Foi o que sucedeu com o Iraque: de pouco serviu a confirmação de que as armas de destruição massiva afinal não existiam; o mal estava feito e a mentira tinha desempenhado a sua função. Testemunhos como o que agora divulgamos podem ajudar a perceber a diferença entre o que nos é dito por uma comunicação social domesticada e o que efectivamente esteve na origem da guerra e como ela se desenrola.


A ambição globalista da Nato

Manuel Raposo — 18 Maio 2022

Finlândia, Suécia. Mais dois peões para a política de sempre: o domínio dos EUA na Europa e no mundo

O previsto alargamento da Nato à Finlândia e à Suécia está a ser aclamado como uma prova do reforço e da coesão do bloco Ocidental e como uma demonstração da derrota dos planos “de Putin”, isto é, da Federação Russa. Soma-se isto aos clamores diários que anunciam uma vitória militar dos ucranianos e que pressagiam um descalabro económico da Rússia e até o possível derrube do regime russo. Esta visão ocidental da situação peca, não só por um optimismo postiço, próprio da propaganda de guerra (como é evidente acerca do desenrolar das operações militares), mas também pela miopia que atinge norte-americanos e europeus quando se trata de ver os acontecimentos para lá da espuma dos dias ou dos ganhos imediatos. 


A guerra na Ucrânia vista nas suas origens

Editor / Jacques Baud — 7 Maio 2022

Chefes de estado e de governo da Nato, Bruxelas, março 2022. Sem entender como a guerra acontece, não se pode encontrar solução

O noticiário esmagador sobre as desgraças humanas da guerra na Ucrânia — umas reais, outras inventadas ou amplificadas pelas necessidades da propaganda — cumprem um propósito: focar a atenção do público nos efeitos da guerra, desviando-a das causas que originaram o conflito. Ora, como todas as guerras sem excepção são fonte de sofrimento humano, o que as distingue só pode ser encontrado nas suas origens. Só aí se podem avaliar as razões políticas que as explicam e encarar os meios igualmente políticos de lhes pôr fim. É o papel que cumpre a entrevista dada pelo coronel suíço Jacques Baud à revista Zeitgeschehen im Fokus (Actualidades em foco), pondo em destaque o papel ofensivo e de provocação à Rússia que tiveram os EUA, através da Nato e com a cooperação da União Europeia, nos anos que antecederam a invasão russa de fevereiro deste ano.


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