A guerra na Ucrânia vista nas suas origens

Editor / Jacques Baud — 7 Maio 2022

Chefes de estado e de governo da Nato, Bruxelas, março 2022. Sem entender como a guerra acontece, não se pode encontrar solução

O noticiário esmagador sobre as desgraças humanas da guerra na Ucrânia — umas reais, outras inventadas ou amplificadas pelas necessidades da propaganda — cumprem um propósito: focar a atenção do público nos efeitos da guerra, desviando-a das causas que originaram o conflito. Ora, como todas as guerras sem excepção são fonte de sofrimento humano, o que as distingue só pode ser encontrado nas suas origens. Só aí se podem avaliar as razões políticas que as explicam e encarar os meios igualmente políticos de lhes pôr fim. É o papel que cumpre a entrevista dada pelo coronel suíço Jacques Baud à revista Zeitgeschehen im Fokus (Actualidades em foco), pondo em destaque o papel ofensivo e de provocação à Rússia que tiveram os EUA, através da Nato e com a cooperação da União Europeia, nos anos que antecederam a invasão russa de fevereiro deste ano.


O verdadeiro propósito dos EUA

Editor / Global Times — 29 Abril 2022

Joe Biden e Lloyd Austin. Continuar a guerra para enfraquecer a Rússia

Numa reunião realizada na Alemanha em 26 de abril, na base militar norte-americana de Ramstein, o secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, afirmou sem pudor o que já era fácil de ver: o propósito dos EUA na guerra é enfraquecer a Rússia. Ganha assim todo o sentido, agora pela voz dos próprios, a aposta norte-americana de prolongar as hostilidades o mais possível, tentando convencer o mundo de que a Ucrânia vai vencer. Prolongar as hostilidades significa não apenas fornecer armas e conselheiros a Zelensky, mas também alimentar a ilusão de que os russos podem ser vencidos, e ainda bloquear todas as tentativas de negociação ou de mediação conduzidas por países terceiros, caso dos europeus ou da Turquia.


Nem mais um tostão para a Nato!

Urbano de Campos — 27 Abril 2022

Abril 74: o povo saiu à rua. Cada euro de despesa militar a mais será um euro a menos no lado dos trabalhadores

A guerra na Ucrânia está a servir de pretexto aos governantes e poderes públicos nacionais para criarem na população uma atitude resignada de aceitação do aumento dos gastos com as Forças Armadas. Primeiro o ministro da Defesa do anterior governo, antecipando-se mesmo ao Orçamento do Estado, depois a ministra da Defesa do novo governo e o próprio primeiro-ministro, agora o presidente da República — vieram dar como inevitável o aumento do orçamento militar e apresentar como inquestionável o empenhamento do país na guerra.


Um parlamento agachado

Editor — 14 Abril 2022

Teria sido simples, como já foi dito, evitar a guerra na Ucrânia. Bastaria cumprir os acordos de Minsk de 2014-15 e garantir que o país não entraria na NATO, como a Rússia reclamou até 24 de fevereiro. Teria sido ainda mais simples se, em 2014, os EUA e a UE não tivessem promovido um golpe de estado em Kiev e instalado um governo ao seu jeito com a missão de afrontar a Rússia. 

Ainda mais simples teria sido se, na conferência da NATO de 2008, em Bucareste, os EUA não tivessem imposto na declaração final (mesmo contra a vontade de franceses e alemães) o “convite” para a entrada da Ucrânia e da Geórgia na Aliança.


Poder económico do imperialismo é arma para punir o resto do mundo

Editor / Sara Flounders — 5 Abril 2022

Sanções: os países menos desenvolvidos e dependentes são ameaçados pela fome pura e simples

Como toda a gente está a sentir no seu dia a dia, as sanções contra a Rússia decididas pelos EUA e pela UE não atingem apenas a Rússia mas todo o mundo. Uma das vítimas imediatas é a própria UE, que se viu cair, de um dia para o outro, num abismo económico que a coloca numa maior dependência face aos EUA, sem conseguir de modo nenhum colmatar as quebras do comércio que ainda ontem tinha com a Rússia. Outra das vítimas é o resto do mundo, onde se incluem os países menos desenvolvidos e dependentes, ameaçados pela fome pura e simples.


O Ocidente diante das suas fragilidades

Manuel Raposo — 28 Março 2022

G 7 unido. O resto do mundo é que não querer ir a reboque.

Elemento chave da guerra de propaganda do Ocidente contra a Rússia é o argumento de que está em causa um confronto entre Democracia e Autocracia. O argumento, estendendo-se para lá do conflito da Ucrânia, envolve igualmente a China e pretende fazer crer que existe uma conspiração de ditaduras e autocracias por esse mundo fora cujo objectivo é minar e derrubar os regimes democráticos ocidentais. 


O que vale a “unidade” do Ocidente imperialista?

Editor / James Smith — 22 Março 2022

A verde, países que aplicam sanções à Rússia desde 2014. O panorama pouco mudou em 2022.

O Ocidente europeu e norte-americano, mais os seus amigos australianos e japoneses, invocam a cada passo a “unidade” conseguida entre eles em resposta à guerra na Ucrânia para demonstrarem o “isolamento” da Rússia e até da China. A realidade é um pouco diferente se olharmos para o conjunto do mundo. Por exemplo, mais de cem países recusam seguir as imposições dos EUA e da Europa acerca das sanções à Rússia. Entre eles contam-se não só a China e o Irão, mas também a Índia, a África do Sul, o Brasil ou o Egipto, e muitos outros da América Latina, da Ásia e da África. Que efeito terá, a prazo, esta dissidência em relação aos ditames norte-americanos e europeus, sabendo que aqueles países representam a larga maioria da população mundial?


Armas biológicas? Os EUA devem uma explicação

Urbano de Campos / Global Times — 16 Março 2022

Televisão russa divulgou documentação e localização dos laboratórios biológicos EUA-Ucrânia

As forças russas na Ucrânia reuniram provas documentais sobre laboratórios de investigação em agentes biológicos financiados e geridos conjuntamente pelo Departamento da Defesa dos EUA e as autoridades ucranianas. São cerca de 30 as instalações existentes na Ucrânia, algumas geridas em exclusivo pelos EUA. Mais umas centenas delas estão espalhadas por várias partes do mundo. A denúncia feita pelos russos colocou os EUA em má posição: primeiro negaram o assunto, depois tentaram virar o bico ao prego acusando os russos de estarem a arranjar pretextos para o uso de armas químicas no conflito ucraniano. Os argumentos norte-americanos não convencem ninguém minimamente informado — quem tem de dar explicações ao mundo sobre o caso são eles e não a Rússia. 


Contra informação 

Editor — 12 Março 2022

1 A direcção da Meta (empresa proprietária do Facebook e Instagram) decidiu contribuir para o esforço de guerra do Ocidente com aquilo que melhor sabe fazer: dar largas a que sejam produzidos insultos e ameaças de morte contra cidadãos e militares russos, incluindo os presidentes russo, Putin, e bielorrusso, Lukashenko. Quatro mil e quinhentos milhões de pessoas, tantas como as que seguem as duas plataformas, passaram assim a ser destinatárias da mais miserável propaganda de guerra: a que pode ser feita por qualquer energúmeno, a coberto de nome falso, sem receio de represálias.


Ucrânia empurrada para a frente de batalha

Manuel Raposo — 4 Março 2022

EUA-NATO: serviço combinado atira a Ucrânia para a frente de batalha

No ataque da Rússia à Ucrânia, os EUA e a UE têm ocasião de ver, em espelho, as suas próprias acções das últimas décadas. O mesmo vale para as autoridades portuguesas e para cada um dos governos europeus, que nunca levantaram qualquer objecção às intervenções militares, às sanções e às ameaças de todo o tipo, com origem nos EUA ou na própria UE, contra países como a Jugoslávia, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, a Síria, a Venezuela, o Irão, ou Cuba — todos eles tão soberanos como a Ucrânia.


Página 1 de 234 Mais antigos >