A crise no Magrebe. Mão estrangeira e males próprios

Manuel Raposo — 10 Setembro 2021

Manifestação em Argel. Fevereiro de 2011

O corte de relações diplomáticas, em final de agosto, entre a Argélia e Marrocos inquietou a Europa — particularmente, Espanha e Portugal — não tanto pelo conflito em si, mas por poder causar problemas ao fornecimento de gás natural vindo da Argélia, uma vez que um dos principais gasodutos atravessa território marroquino. Sossegados os espíritos com a garantia da Argélia de que o abastecimento não terá quebras, é natural que o assunto seja ignorado pelos meios de comunicação e as suas razões políticas reduzidas a mais uma briga entre árabes “que não se entendem”.


Afeganistão, NATO, UE, Portugal

Urbano de Campos — 31 Agosto 2021

Vinte anos de ocupação militar. Metade das crianças afegãs sofrem de subnutrição severa (UNICEF)

Uma cena caricata decorreu há dias (27 de agosto) no aeroporto de Figo Maduro, à chegada dos militares portugueses que estiveram em Cabul para ajudar a retirar refugiados afegãos colaboradores das forças da NATO. O “destacamento”, integrado no contingente espanhol, era composto por quatro militares que foram enviados ao Afeganistão por 72 horas e que trouxeram consigo 24 afegãos, famílias incluídas. A recebê-los, o ministro da Defesa e o presidente da República com os discursos vazios que se ouvem sempre nestas ocasiões.


A propósito de Cuba: mais vale o regresso ao capitalismo?

Manuel Raposo — 27 Agosto 2021

As forças para reerguer um movimento anticapitalista e anti-imperilalista existem

Respondo ao desafio lançado por dois leitores — Fernando Martins e António Alvão — a respeito de Cuba, em comentários que ambos fizeram ao artigo Homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho. A posição do MV acerca de Cuba pode, em parte, ser vista no artigo que publicámos na altura da morte de Fidel Castro. Mas o assunto mantém toda a actualidade e é de importância para um debate por parte da esquerda revolucionária acerca de uma linha política internacionalista, que hoje obviamente falta para coordenar os movimentos de protesto e de libertação que surgem pelo mundo nas mais diversas formas.


Para lá da cortina de fumo

Editor — 19 Agosto 2021

Uma barragem de propaganda, nos limites do ridículo, acompanha as notícias sobre o Afeganistão. Os motes são fáceis de identificar: a sorte das mulheres (“e raparigas”, como disse o cuidadoso Guterres), a violência sobre os colaboradores do regime deposto, o perigo de um novo santuário de terrorismo internacional, o risco de mais uma maré de refugiados sobre a Europa. Em vago, tudo é possível — mas, em concreto, nenhum sinal aponta nesse sentido. Pelo contrário, os testemunhos vindos de quem avalia a situação no próprio terreno, sem ter propósitos de servir a agenda ideológica do Ocidente, mostram mesmo surpresa por tamanha mudança se passar em tão boa ordem.


O irresistível avanço taliban, ou a intrigante popularidade do terror

António Louçã — 14 Agosto 2021

Após 20 anos de ocupação imperialista, a ditadura dos taliban faz figura de mal menor

Os taliban são uma corrente político-religiosa obscurantista, reaccionária e misógina. Após décadas a fio de guerras, ocupações e ditaduras, o povo afegão irá entrar agora em mais um capítulo sombrio da sua história. Com a experiência acumulada, a grande maioria sabe certamente o que a espera. Como podem então os taliban gozar de um apoio popular tão forte que lhes permitiu vencer as maiores potências do mundo?


Tanta casa e tanta falta de casa

Urbano de Campos (com D.R.) — 7 Agosto 2021

Trabalhadores imigrantes: explorados da forma mais crua e tratados como indesejáveis

Estudo recente de uma seguradora britânica coloca Lisboa como a segunda mais barata cidade da Europa ocidental para comprar casa. Melhor que Lisboa só Bruxelas. Em termos médios, o custo de um apartamento em Lisboa fica por 227.750 euros, cerca de 4.500 euros por metro quadrado. Estes valores só por si dizem pouco, mas já dizem mais quando se entra em conta com dois outros factores: o custo médio de vida e o salário líquido por mês. O estudo permite ver que, entrando com estes dados, Lisboa se torna, para os portugueses, a mais cara do ranking das 15 cidades analisadas.


Homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho

Manuel Raposo — 28 Julho 2021

A burguesia portuguesa odeia o 25 de Abril operário e popular, e quem o simbolize.

A bitola para avaliar politicamente os militares do 25 de Abril (como qualquer outra pessoa) não é a posição que eles tomaram acerca do derrube da ditadura naquela madrugada de 1974. Sobre isso houve um largo “consenso nacional” que ainda hoje perdura no essencial: a ditadura estava podre e acabada e a guerra colonial perdida. A boa bitola é a posição perante o movimento popular que irrompeu logo a seguir ao golpe militar, que surpreendeu os próprios militares e subverteu o país de norte a sul. Foi esse o revelador que fez ver que nem todos os gatos eram pardos.


O que está a acontecer nos EUA?

Editor / Vicente Navarro, Monthly Review — 21 Julho 2021

Como se não existissem classes sociais… mas de facto existem

Não é inútil sublinhar que os acontecimentos políticos e sociais nos EUA são da maior importância para a evolução do mundo de hoje. Não só por serem os EUA a maior e a mais desenvolvida potência capitalista, como ainda por ser o imperialismo norte-americano o coroamento do sistema imperialista mundial. Entender o confronto das classes sociais na sociedade norte-americana é um factor chave para perceber o rumo desses acontecimentos. 


Incêndios e inundações: vamos ver mais disto

António Louçã — 18 Julho 2021

Os negacionistas das alterações climáticas continuarão a esconder a cabeça na areia

Nos Estados Unidos e no Canadá, temperaturas a rondar os 50 graus centígrados, causaram uma vaga sem precedentes de incêndios florestais e urbanos, tendo consumido até agora uma área equivalente a 350.000 campos de futebol.

O ano passado tinha registado os fogos florestais mais devastadores da história da Califórnia, mas este ano, em julho, já conseguiu ser pior. 


Falta de vocações

Editor — 11 Julho 2021

A igreja católica queixa-se desde há décadas de “falta de vocações”: os seminários estão vazios, não há padres para as paróquias, as igrejas ficam às moscas. Não é difícil ver nisto um sinal dos tempos: a crença religiosa, remetida para o domínio íntimo de cada pessoa, não é vista como tendo qualquer papel na gestão da vida colectiva — papel este que todos os cidadãos atribuem aos poderes públicos. Mas eis que são agora os partidos políticos que se queixam de “falta de vocações” para o exercício desses poderes públicos.


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