O baptismo de fogo de Joe Biden

Urbano de Campos — 15 Março 2021

Sem máscara

A promessa de campanha do novo presidente dos EUA de regressar ao acordo estabelecido em 2015 com o Irão continua por cumprir. Permanece portanto válida e actuante a decisão de Donald Trump, em 2018, de romper o acordo e de impor sanções ilegais ao Irão. Certamente para mostrar músculo, Joe Biden promoveu, em 25 de Fevereiro, uma demonstração de força militar ao atacar alvos na Síria, junto da fronteira com o Iraque, justificando a acção como visando forças pró-iranianas. Foi o seu simbólico baptismo de fogo. Que mudança houve afinal, se houve alguma, com a eleição de Biden?


A igualdade não está a passar por aqui

Editor — 11 Março 2021

Não será seguramente por falta de declarações que as mulheres não alcançarão a igualdade. No passado 8 de Março choveram comoventes apoios à causa, do secretário-geral da ONU, António Guterres, da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, até inumeráveis reportagens e testemunhos na comunicação social. Não faltou mesmo a argúcia do grande comércio, amigo da mulher-consumidora, que lançou campanhas promocionais de electrodomésticos ou produtos de beleza.


Crise ambiental, militares à parte

Manuel Raposo — 6 Março 2021

As actividades militares gozam de um regime de excepção, também nas questões ambientais

Um estudo promovido pelo Grupo da Esquerda do Parlamento Europeu contém revelações que ajudam a mostrar as raízes do problema das alterações climáticas e a apontar responsáveis que se mantêm na sombra. Com o título “Sob o Radar – A pegada de carbono dos sectores militares da Europa”, o documento revela a larga contribuição que os sectores militares (indústrias de armamento, forças armadas, exercícios e operações militares) têm para as alterações climáticas, sem que sejam obrigados a prestar contas.


Imperialismo suicidário

António Louçã — 5 Março 2021

O imperialismo sacrifica milhões de seres humanos para que uma minoria possa prosperar

Os acordos internacionais para distribuição das vacinas passaram inicialmente por ser um parêntesis de racionalidade no meio do salve-se quem puder globalizado. Em breve, porém, as compras de vacinas por fora dos acordos vieram desenganar os mais crédulos. O imperialismo continua a ser um sistema que, no limite, aceitará sacrificar biliões de seres humanos para que uma minoria possa prosperar — com a particularidade de que, neste caso, a mentalidade genocida pode revelar-se autodestrutiva também para a minoria privilegiada.


Ainda a polémica sobre Marcelino da Mata

António Louçã — 22 Fevereiro 2021

A campanha contra Mamadou Ba é uma das marcas de racismo deste país “não racista”

Já quase tudo foi dito sobre a repugnante campanha pela deportação de Mamadou Ba. Mas há dois ou três aspectos da polémica em curso que não obtiveram tanta atenção como possivelmente mereciam. Para eles tentarei chamar a atenção nas linhas que se seguem.

1. “Portugal não é um país racista”. Mas há algum “país racista”? A frase, em si mesma, é de uma estupidez desconcertante. Em todos os países há racismo e há quem combata o racismo. Há momentos em que as tendências racistas estão na mó de cima, outros em que são remetidas à defensiva.


A falhada destituição de Trump

Editor / Workers World — 20 Fevereiro 2021

A análise, que publicamos, feita pelo semanário Workers World ao processo de destituição de Trump, na sequência do assalto ao Capitólio, denuncia o sentido oportunista da manobra do Partido Democrata. Ao centrarem as atenções no ataque dos arruaceiros aos deputados, aos senadores e à polícia, os Democratas deixaram de fora as grandes vítimas da movimentação fascista que ganha raízes nos EUA — e que persistirá, com Trump ou sem Trump. Essas vítimas são a população de cor, os imigrantes, as mulheres. E isso aponta a necessidade de uma resistência popular a partir da base, livre da tutela e da agenda do Partido Democrata.


Um tributo pago ao passado colonial

Editor — 17 Fevereiro 2021

Se não fosse o grito de alma de Mamadou Ba, o funeral do tenente-coronel Marcelino da Mata, falecido há dias com 80 anos, seria mais uma cerimónia de homenagem a um “herói nacional”, apagando os crimes de guerra do personagem e da guerra colonial. A sonora denúncia de Mamadou Ba — “Marcelino da Mata é um criminoso de guerra que não merece respeito nem tributo nenhum” — teve o mérito de não deixar passar em claro as honras prestadas a um agente especialmente cruel do colonialismo, mostrando a face do regime político e da instituição militar, e obrigando as forças de direita a virem a terreiro revelar o que lhes vai na alma.


Vacinas covid: alto negócio e arma política

Manuel Raposo — 14 Fevereiro 2021

Países ricos primeiro, depois os pobres. Prazos de vacinação: verde escuro-final de 2021, verde claro-meados de 2022, laranja-final de 2022, vermelho-de 2023 em diante. Fonte The Economist

Já foi dito que as crises ditas “naturais”, mesmos os cataclismos imprevisíveis, põem a nu as fragilidades  das sociedades que atingem. A crise sanitária, social, económica desencadeada pelo coronavírus é disso exemplo, com a agravante de a erupção viral ser de há muito previsível, se não na sua forma precisa, pelo menos na probabilidade de ocorrer. Mas há outra face das sociedades actuais que fica a descoberto: a miserável competição entre as principais potências capitalistas mundiais na corrida às vacinas, quer pelos lucros colossais proporcionados às farmacêuticas, quer pela busca de vantagens políticas.


Onde já vimos isto?

António Louçã — 4 Fevereiro 2021

O Chega é o futuro do PSD. Os Açores foram o balão de ensaio

A campanha eleitoral e o acto eleitoral foram, desta vez, um recordatório de tudo o que se pode fazer para minar uma democracia burguesa e para abrir as portas, de par em par, a um regime autoritário ou fascista. À cabeça desse rol de infrações da lógica mais chã encontra-se, naturalmente, o dominó de capitulações de cada um ao vizinho da direita, e deste ao vizinho que está mais à direita.


O estado da nação

Editor — 29 Janeiro 2021

De acordo com um estudo da consultora Mercer divulgado pela imprensa, os directores executivos das empresas portuguesas ganham em média 10 vezes mais do que os respectivos trabalhadores, incluídos aqui todos os trabalhadores, sem diferenciação de escalões ou funções. Mas a coisa piora substancialmente quando se entra no detalhe.


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