Tópico: Liberdades

Ainda a polémica sobre Marcelino da Mata

António Louçã — 22 Fevereiro 2021

A campanha contra Mamadou Ba é uma das marcas de racismo deste país “não racista”

Já quase tudo foi dito sobre a repugnante campanha pela deportação de Mamadou Ba. Mas há dois ou três aspectos da polémica em curso que não obtiveram tanta atenção como possivelmente mereciam. Para eles tentarei chamar a atenção nas linhas que se seguem.

1. “Portugal não é um país racista”. Mas há algum “país racista”? A frase, em si mesma, é de uma estupidez desconcertante. Em todos os países há racismo e há quem combata o racismo. Há momentos em que as tendências racistas estão na mó de cima, outros em que são remetidas à defensiva.


A falhada destituição de Trump

Editor / Workers World — 20 Fevereiro 2021

Manifestação em Nova Iorque. Trump/Pence Rua já! Temos de ser impiedosos.

A análise, que publicamos, feita pelo semanário Workers World ao processo de destituição de Trump, na sequência do assalto ao Capitólio, denuncia o sentido oportunista da manobra do Partido Democrata. Ao centrarem as atenções no ataque dos arruaceiros aos deputados, aos senadores e à polícia, os Democratas deixaram de fora as grandes vítimas da movimentação fascista que ganha raízes nos EUA — e que persistirá, com Trump ou sem Trump. Essas vítimas são a população de cor, os imigrantes, as mulheres. E isso aponta a necessidade de uma resistência popular a partir da base, livre da tutela e da agenda do Partido Democrata.


Um tributo pago ao passado colonial

Editor — 17 Fevereiro 2021

Se não fosse o grito de alma de Mamadou Ba, o funeral do tenente-coronel Marcelino da Mata, falecido há dias com 80 anos, seria mais uma cerimónia de homenagem a um “herói nacional”, apagando os crimes de guerra do personagem e da guerra colonial. A sonora denúncia de Mamadou Ba — “Marcelino da Mata é um criminoso de guerra que não merece respeito nem tributo nenhum” — teve o mérito de não deixar passar em claro as honras prestadas a um agente especialmente cruel do colonialismo, mostrando a face do regime político e da instituição militar, e obrigando as forças de direita a virem a terreiro revelar o que lhes vai na alma.


Onde já vimos isto?

António Louçã — 4 Fevereiro 2021

O Chega é o futuro do PSD. Os Açores foram o balão de ensaio

A campanha eleitoral e o acto eleitoral foram, desta vez, um recordatório de tudo o que se pode fazer para minar uma democracia burguesa e para abrir as portas, de par em par, a um regime autoritário ou fascista. À cabeça desse rol de infrações da lógica mais chã encontra-se, naturalmente, o dominó de capitulações de cada um ao vizinho da direita, e deste ao vizinho que está mais à direita.


Um auto-retrato da direita

Manuel Raposo — 20 Janeiro 2021

Portas tenta lavar a cara – a sua e a da direita

Quatro dias depois da invasão do parlamento norte-americano por uma multidão de desordeiros fascistas açulados pelo ainda presidente Trump, Paulo Portas, comentando na TVI os acontecimentos, comparou os manifestantes a “okupas” sem respeito pela “propriedade alheia”; e, esticando os paralelismos, exclamou: “Eu só pensei na Revolução Francesa, quando vi aquilo”.


Elogio do cerco à Constituinte

António Louçã — 7 Janeiro 2021

12 Novembro 1975, cerco à Constituinte pelos operários da construção civil: a sede de justiça do proletariado

Quarenta e cinco anos depois daquele memorável 12 de novembro de 1975, já correram rios de tinta para vilipendiar os operários da construção civil que, fartos de serem despachados com promessas vãs, cercaram a Assembleia Constituinte reivindicando um aumento de salários razoável.

Hoje, graças à invasão do Capitólio, podemos apreciar o contraste entre um proletariado consciente e a populaça desembestada das milícias fascistas.


Os crimes do SEF. A excepção e a regra

Urbano de Campos — 21 Dezembro 2020

O assassinato de Igor Homeniuk foi um episódio isolado?

Todo o arco do poder e adjacências, do Chega ao PCP, adoptou o mesmo critério de julgamento a respeito do assassinato cometido no aeroporto de Lisboa por agentes do SEF: há que salvar a honra das instituições. O SEF é, assim, apresentado como um cabaz de excelente fruta, apenas manchado por umas quantas maçãs podres, de acordo com a imagem consagrada para estas ocasiões.


Como Macron abre o caminho a Le Pen

António Louçã — 5 Dezembro 2020

Encobrimento e impunidade para as violências policiais

A lei concebida pelos apaniguados do presidente francês, para garantir a impunidade dos polícias mais enraivecidos, não vai arrancar uma bandeira das mãos da extrema-direita, como é suposto fazer. Vai, pelo contrário, colocar Marine Le Pen na posição de dirigente que tem ideias boas e originais, e Macron na posição do imitador que vem depois pôr em prática essas ideias.


Terror de Estado: uma ferramenta ‘normal’

Manuel Raposo — 28 Novembro 2020

Mandantes e beneficiários de mais um crime.

Em Janeiro passado, o general iraniano Qassim Suleimani foi assassinado às ordens de Trump, com o aplauso e a cooperação de Israel. Ontem, um cientista iraniano, Mohsen Fakhrizadeh, especialista em energia nuclear, foi morto numa emboscada na região de Teerão. A longa experiência da CIA e da secreta israelita em assassinatos selectivos, a estreita cooperação entre Trump e Netanyahu, a cumplicidade entre os EUA, Israel e a Arábia Saudita, as ameaças e provocações constantes de todos eles ao Irão, a natureza da actividade de Fakhrizadeh — não deixam dúvidas sobre quem são os mandantes e os beneficiários do crime.


Entender o declínio do imperialismo EUA

Editor / Richard D. Wolff — 19 Novembro 2020

À medida que o centro político implode, os capitalistas dos EUA favorecem a direita

A vitória de Joe Biden nas presidenciais norte-americanas, desejada e festejada por quase toda a União Europeia, corre o risco de esconder um facto nada desprezável: Donald Trump conquistou em 2020 mais 10,5 milhões de votos do que 2016. Dos cerca de 24 milhões de votantes a mais que foram às urnas em 2020 (na que foi considerada a maior votação de sempre das presidenciais norte-americanas), pouco menos de metade optou por Trump. Isto mostra que a ascensão de Trump (e sobretudo do trumpismo) não foi fruto do acaso, e comprova — para lá da personagem e do seu desconcerto — que a política por ele preconizada e praticada nos últimos quatro anos tem uma larguíssima base de apoio entre a população norte-americana.


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