Tópico: Liberdades

Saara Ocidental, última colónia africana

Editor / Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental — 21 Maio 2021

Uma questão esquecida: a colonização do Saara Ocidental pelo reino de Marrocos

As notícias, aparentemente inesperadas, de milhares de marroquinos a passarem a salto para Ceuta com a evidente colaboração das autoridades de Marrocos, trouxe para primeiro plano uma questão demasiado esquecida: a colonização do Saara Ocidental pelo reino de Marrocos. O pretexto para a invasão de Ceuta foi o facto de as autoridades espanholas terem recebido, para tratamento médico, um líder da Frente Polisário, a qual luta há 46 anos pela independência do território sem que Marrocos respeite as determinações das Nações Unidas sobre o caso — à imagem do que Israel faz, impunemente, com os direitos da Palestina.


Os criminosos e os cúmplices

Editor — 16 Maio 2021

Os crimes de Israel estão à vista e são conhecidos: ataques sem conta aos civis palestinos, assassinatos selectivos de dirigentes, roubo de território, redução da população da Palestina à fome, política de conflito permanente no Médio Oriente, acções militares contra povos vizinhos. Tudo isto somado às piores práticas aprendidas do colonialismo e do nazismo — de que a propaganda sionista tanto se faz vítima como cobertura para os seus actos.


Odemira, ou a modernidade da escravatura

António Louçã — 5 Maio 2021

Às primeiras palavras sobre uma requisição civil de alojamentos devolutos para instalar migrantes, houve alarme geral: aqui d’el rei que os comunistas comedores de criancinhas querem pôr-nos a dormir ao relento, aqui d’el rei que violam os direitos humanos dos proprietários. Afinal, a gritaria era uma folha de parra para encobrir as cumplicidades locais com o tráfico de pessoas e com a nova escravatura. E essas cumplicidades locais são alimentadas por conivências políticas, com sede no Governo.


25 de Abril, uma querela distorcida

Urbano de Campos — 27 Abril 2021

 

1974-75: o que ainda hoje dói à direita é o movimento popular que irrompeu para lá dos propósitos dos Capitães

A polémica em torno da manifestação do 25 de Abril em Lisboa tem o seu quê de instrutivo. Obviamente, a Iniciativa Liberal quis fazer escândalo e dar nas vistas ao reclamar o direito “democrático” de, oportunisticamente, se encastoar num desfile que sabia ser promovido por forças de cor política diversa da sua. O que a IL pretendia não era festejar o 25 de Abril. Era sim meter uma cunha do 25 de Novembro no desfile do 25 de Abril.


O círculo de giz

Editor — 13 Abril 2021

O problema da Operação Marquês não está em ser o megaprocesso que tanto se critica. Está sim no facto de, no desenvolvimento da investigação, ter sido apanhado na rede quem não se pretendia que lá estivesse: o BES e Ricardo Salgado. Enquanto a investigação se limitou a encontrar os tentáculos de um esquema de corrupção, a coisa andou bem: seria mais um caso de abuso de poder e de luta partidária que se prefigurava. O pior foi quando, a partir dos tentáculos, se chegou à cabeça do polvo e se viu que era todo um modo de vida do sistema político-económico-partidário que poderia ficar a nu.


Líbia, Iraque: 10 e 18 anos depois, o caos

Editor / Manlio Dinucci, il manifesto — 21 Março 2021

Hillary Clinton na Líbia: uma “vitória” sobre pilhas de cadáveres

Março é mês propício para os empreendimentos guerreiros do imperialismo. Fez agora 10 anos, a 19 de Março, a Líbia foi atacada e destruída por uma coligação militar norte-americana/europeia. Na mesma data (19 para 20 de Março), completaram-se 18 anos sobre a invasão do Iraque, com os mesmo efeitos destruidores. Num como noutro destes países impera hoje o caos, a luta entre gangues financiados por interesses externos. O Estado e todas as instituições sociais deixaram de existir. Muitas centenas de milhares de pessoas foram mortas (mais de um milhão só no Iraque), milhões foram deslocadas. As condições de vida caíram a pique. Os recursos naturais de ambos os países são saqueados metodicamente pelas empresas das potências que os atacaram.


O baptismo de fogo de Joe Biden

Urbano de Campos — 15 Março 2021

Sem máscara

A promessa de campanha do novo presidente dos EUA de regressar ao acordo estabelecido em 2015 com o Irão continua por cumprir. Permanece portanto válida e actuante a decisão de Donald Trump, em 2018, de romper o acordo e de impor sanções ilegais ao Irão. Certamente para mostrar músculo, Joe Biden promoveu, em 25 de Fevereiro, uma demonstração de força militar ao atacar alvos na Síria, junto da fronteira com o Iraque, justificando a acção como visando forças pró-iranianas. Foi o seu simbólico baptismo de fogo. Que mudança houve afinal, se houve alguma, com a eleição de Biden?


A igualdade não está a passar por aqui

Editor — 11 Março 2021

Não será seguramente por falta de declarações que as mulheres não alcançarão a igualdade. No passado 8 de Março choveram comoventes apoios à causa, do secretário-geral da ONU, António Guterres, da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, até inumeráveis reportagens e testemunhos na comunicação social. Não faltou mesmo a argúcia do grande comércio, amigo da mulher-consumidora, que lançou campanhas promocionais de electrodomésticos ou produtos de beleza.


Ainda a polémica sobre Marcelino da Mata

António Louçã — 22 Fevereiro 2021

A campanha contra Mamadou Ba é uma das marcas de racismo deste país “não racista”

Já quase tudo foi dito sobre a repugnante campanha pela deportação de Mamadou Ba. Mas há dois ou três aspectos da polémica em curso que não obtiveram tanta atenção como possivelmente mereciam. Para eles tentarei chamar a atenção nas linhas que se seguem.

1. “Portugal não é um país racista”. Mas há algum “país racista”? A frase, em si mesma, é de uma estupidez desconcertante. Em todos os países há racismo e há quem combata o racismo. Há momentos em que as tendências racistas estão na mó de cima, outros em que são remetidas à defensiva.


A falhada destituição de Trump

Editor / Workers World — 20 Fevereiro 2021

A análise, que publicamos, feita pelo semanário Workers World ao processo de destituição de Trump, na sequência do assalto ao Capitólio, denuncia o sentido oportunista da manobra do Partido Democrata. Ao centrarem as atenções no ataque dos arruaceiros aos deputados, aos senadores e à polícia, os Democratas deixaram de fora as grandes vítimas da movimentação fascista que ganha raízes nos EUA — e que persistirá, com Trump ou sem Trump. Essas vítimas são a população de cor, os imigrantes, as mulheres. E isso aponta a necessidade de uma resistência popular a partir da base, livre da tutela e da agenda do Partido Democrata.