Tópico: País

A falência do centro

Manuel Raposo — 28 Setembro 2026

Primeira página do Diário de Lisboa na véspera do golpe spinolista de 28 de setembro de 1974 abortado pela mobilização popular

As duas vitórias inequívocas da AfD nas recentes eleições regionais na Alemanha, dão sinal de uma mudança na paisagem partidária, não só na Alemanha, mas também na Europa. A possibilidade de Marine Le Pen ganhar as presidenciais em França no ano que vem e de Nigel Farrage suplantar os Trabalhistas e os Conservadores no Reino Unido reforçam esta tendência. Se assim for, a novidade estará apenas no facto de se tratar das três maiores potências europeias, uma vez que os sinais da ascensão da extrema-direita já ficaram patentes na Itália, na Áustria, na Holanda, na Suécia, ou na Finlândia – sem esquecer o nosso caso nacional.


O “caso Luís Neves” tem pano de fundo

Manuel Raposo — 5 Setembro 2026

Uma disputa pela liderança política de toda a direita

Para se poder entender o sentido pleno da polémica travada em torno do ministro da Administração Interna, terá de se recuar à origem da disputa que o Chega e André Ventura encabeçaram, e avaliar, a jusante, a consequência possível da jogada política que envolve o caso. Com argumentos de “defesa da democracia” e de salvaguarda da “ética” no Governo e nas instituições, o Chega tem conseguido levar de arrasto, de uma maneira ou de outra, as forças partidárias, e monopolizar o debate na comunicação social a ponto de parecer que o destino do país depende do futuro de Luís Neves.


Guerra permanente, disse a cimeira da NATO

Manuel Raposo — 9 Agosto 2026

Fora a NATO, fora a CIA. Manifestação 7 fevereiro 1975, Lisboa. VER VÍDEO

A cimeira da NATO realizada no mês passado na Turquia provou que os receios sobre um próximo fim da Aliança, tomando à letra as bravatas de Donald Trump, eram francamente exagerados. Em vez disso, o que realmente se passou foi uma redistribuição dos encargos entre os parceiros, com maior ónus para os europeus; e a reafirmação de uma política de guerra permanente contra a Rússia, a pretexto da defesa da Ucrânia e duma suposta ameaça russa que só os líderes europeus veem. Mas nem por isso as divisões internas e os pontos fracos que a NATO evidenciou em quase cinco anos de guerra foram eliminados.


Legislação laboral: vem aí o segundo assalto

Urbano de Campos (com L.G. e J.B.) — 21 Julho 2026

Por uma Vida Justa. Sem justiça não  há paz. Manifestação contra o assassinato de Odair Moniz, 26 outubro 2024, Lisboa

A derrota do pacote laboral congeminado pelo Governo e pelas associações patronais em uníssono merece ser saudada sem reservas. O factor decisivo foi sem dúvida o êxito das duas greves gerais de dezembro e junho, facto em grande parte inédito se tivermos em conta a última década e meia. Mas para que a resistência dos trabalhadores consiga fazer frente à segunda vaga de ataque que o Governo prepara será preciso ter uma noção exacta das forças e das fraquezas do movimento iniciado há um ano.


O estado da nação

Editor / Redes sociais — 17 Julho 2026

A derrota do pacote laboral não pode deixar ninguém descansado. As organizações patronais encarregaram o Governo de preparar novo documento para retomar a ofensiva. Que formas de acção devem os trabalhadores pôr em marcha e que lições devem tirar da luta já decorrida para não serem derrotados na etapa que vai seguir-se? Da banda do FMI e da UE vêm ordens precisas dirigidas ao Governo: cortar nas pensões e nos apoios sociais. O fim é libertar verbas para aumentar as despesas militares em nome das guerras que Washington e Bruxelas teimam em manter indefinidamente sobre as cabeças de todos nós. Como responder a estes desafios? Das redes sociais colhemos os testemunhos que a seguir divulgamos.


A esquerda e os desafios da situação política

Colectivo Mudar de Vida — 18 Junho 2026

Com o texto que a seguir se publica, “Por uma Plataforma Anticapitalista”, o Colectivo Mudar de Vida lança um convite ao debate sobre a realidade actual da esquerda e sobre as respostas a dar à situação nacional. Em que estado se encontram as lutas laborais e populares? Como reanimar o confronto social anticapitalista? O que está ao alcance da esquerda combativa? É possível conjugar esforços? Qual a base política para uma plataforma comum de intervenção?


Na raiz da guerra imperialista

Manuel Chico, Manuel Raposo — 11 Junho 2026

Gaza 72.000 mortos (fora os soterrados nos escombros). Líbano 3.600 mortos. Irão 3.400 mortos

As guerras que se travam no Médio Oriente e na Ucrânia não são simplesmente guerras entre os EUA e o Irão ou os EUA e a Rússia. Não são sequer apenas guerras regionais. São guerras de natureza geopolítica com efeitos sobre a futura estrutura da ordem mundial. O que está a ser decidido é maior do que o destino dos governos, maior do que a questão das rotas marítimas e maior do que o equilíbrio de poder imediato no Oriente Médio e na Europa.


Alimentar a guerra, dar asas à corrupção

Editor / Alcídio Torres — 5 Junho 2026

Guerra e corrupção de mãos dadas. E os povos europeus a pagar

Inicialmente, terá sido Volodimir Zelensky, pau-mandado dos belicistas europeus e norte-americanos, comprovado líder de uma tentacular rede de corrupção alimentada pela guerra, que alvitrou mais uma contribuição para eternizar as hostilidades na Ucrânia. Mas foi a NATO, pela voz do indescritível Mark Rutte, que avançou a proposta de cada membro da Aliança contribuir, anualmente, com mais uns milhões. Nada menos que 0,25% do PIB de cada país, a somar aos 90 mil milhões recentemente extorquidos aos contribuintes europeus. Portugal calou e consentiu.


Pacote laboral: um desenlace anunciado

Urbano de Campos — 21 Maio 2026

Vida justa, estamos fartos de pagar crises. Os ricos que paguem.

A decisão do Governo de levar à Assembleia da República a revisão da lei laboral na sua versão primitiva, desconsiderando meses de “negociações”, confirma o propósito que sempre esteve presente na cabeça dos governantes: impor, de preferência sem concessões, uma lei draconiana acertada com o patronato. Tal como em dezembro, a resposta adequada da parte do trabalho é a recusa em bloco das alterações preconizadas e a convocação de nova greve geral para 3 de junho – a única medida que clarifica a natureza do confronto: trabalhadores contra o bloco Governo-patrões.


Evocação da Constituição e de um assassinato impune

Urbano de Campos — 2 Abril 2026

Primeira página de A Capital de 2 de abril de 1976. Que liberdade, que progresso?

No mesmo dia 2 de abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República e foram assassinados, num atentado à bomba, o padre Maximino de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia. Maximino era militante e candidato a deputado pela UDP, a principal força da esquerda revolucionária de então, e Maria de Lurdes era activista da juventude católica. A Constituição foi aprovada com o voto contra do CDS, partido que representava a extrema-direita e em que se acoitavam os saudosistas da ditadura e do colonialismo, desbancados dois anos antes.


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