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5 Setembro 2026
Tópico: País
O “caso Luís Neves” tem pano de fundo
Manuel Raposo — 5 Setembro 2026

Para se poder entender o sentido pleno da polémica travada em torno do ministro da Administração Interna, terá de se recuar à origem da disputa que o Chega e André Ventura encabeçaram, e avaliar, a jusante, a consequência possível da jogada política que envolve o caso. Com argumentos de “defesa da democracia” e de salvaguarda da “ética” no Governo e nas instituições, o Chega tem conseguido levar de arrasto, de uma maneira ou de outra, as forças partidárias, e monopolizar o debate na comunicação social a ponto de parecer que o destino do país depende do futuro de Luís Neves.
Guerra permanente, disse a cimeira da NATO
Manuel Raposo — 9 Agosto 2026

A cimeira da NATO realizada no mês passado na Turquia provou que os receios sobre um próximo fim da Aliança, tomando à letra as bravatas de Donald Trump, eram francamente exagerados. Em vez disso, o que realmente se passou foi uma redistribuição dos encargos entre os parceiros, com maior ónus para os europeus; e a reafirmação de uma política de guerra permanente contra a Rússia, a pretexto da defesa da Ucrânia e duma suposta ameaça russa que só os líderes europeus veem. Mas nem por isso as divisões internas e os pontos fracos que a NATO evidenciou em quase cinco anos de guerra foram eliminados.
Legislação laboral: vem aí o segundo assalto
Urbano de Campos (com L.G. e J.B.) — 21 Julho 2026

A derrota do pacote laboral congeminado pelo Governo e pelas associações patronais em uníssono merece ser saudada sem reservas. O factor decisivo foi sem dúvida o êxito das duas greves gerais de dezembro e junho, facto em grande parte inédito se tivermos em conta a última década e meia. Mas para que a resistência dos trabalhadores consiga fazer frente à segunda vaga de ataque que o Governo prepara será preciso ter uma noção exacta das forças e das fraquezas do movimento iniciado há um ano.
O estado da nação
Editor / Redes sociais — 17 Julho 2026
A derrota do pacote laboral não pode deixar ninguém descansado. As organizações patronais encarregaram o Governo de preparar novo documento para retomar a ofensiva. Que formas de acção devem os trabalhadores pôr em marcha e que lições devem tirar da luta já decorrida para não serem derrotados na etapa que vai seguir-se? Da banda do FMI e da UE vêm ordens precisas dirigidas ao Governo: cortar nas pensões e nos apoios sociais. O fim é libertar verbas para aumentar as despesas militares em nome das guerras que Washington e Bruxelas teimam em manter indefinidamente sobre as cabeças de todos nós. Como responder a estes desafios? Das redes sociais colhemos os testemunhos que a seguir divulgamos.
A esquerda e os desafios da situação política
Colectivo Mudar de Vida — 18 Junho 2026
Com o texto que a seguir se publica, “Por uma Plataforma Anticapitalista”, o Colectivo Mudar de Vida lança um convite ao debate sobre a realidade actual da esquerda e sobre as respostas a dar à situação nacional. Em que estado se encontram as lutas laborais e populares? Como reanimar o confronto social anticapitalista? O que está ao alcance da esquerda combativa? É possível conjugar esforços? Qual a base política para uma plataforma comum de intervenção?
Na raiz da guerra imperialista
Manuel Chico, Manuel Raposo — 11 Junho 2026

As guerras que se travam no Médio Oriente e na Ucrânia não são simplesmente guerras entre os EUA e o Irão ou os EUA e a Rússia. Não são sequer apenas guerras regionais. São guerras de natureza geopolítica com efeitos sobre a futura estrutura da ordem mundial. O que está a ser decidido é maior do que o destino dos governos, maior do que a questão das rotas marítimas e maior do que o equilíbrio de poder imediato no Oriente Médio e na Europa.
Alimentar a guerra, dar asas à corrupção
Editor / Alcídio Torres — 5 Junho 2026

Inicialmente, terá sido Volodimir Zelensky, pau-mandado dos belicistas europeus e norte-americanos, comprovado líder de uma tentacular rede de corrupção alimentada pela guerra, que alvitrou mais uma contribuição para eternizar as hostilidades na Ucrânia. Mas foi a NATO, pela voz do indescritível Mark Rutte, que avançou a proposta de cada membro da Aliança contribuir, anualmente, com mais uns milhões. Nada menos que 0,25% do PIB de cada país, a somar aos 90 mil milhões recentemente extorquidos aos contribuintes europeus. Portugal calou e consentiu.
Pacote laboral: um desenlace anunciado
Urbano de Campos — 21 Maio 2026

A decisão do Governo de levar à Assembleia da República a revisão da lei laboral na sua versão primitiva, desconsiderando meses de “negociações”, confirma o propósito que sempre esteve presente na cabeça dos governantes: impor, de preferência sem concessões, uma lei draconiana acertada com o patronato. Tal como em dezembro, a resposta adequada da parte do trabalho é a recusa em bloco das alterações preconizadas e a convocação de nova greve geral para 3 de junho – a única medida que clarifica a natureza do confronto: trabalhadores contra o bloco Governo-patrões.
Evocação da Constituição e de um assassinato impune
Urbano de Campos — 2 Abril 2026

No mesmo dia 2 de abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República e foram assassinados, num atentado à bomba, o padre Maximino de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia. Maximino era militante e candidato a deputado pela UDP, a principal força da esquerda revolucionária de então, e Maria de Lurdes era activista da juventude católica. A Constituição foi aprovada com o voto contra do CDS, partido que representava a extrema-direita e em que se acoitavam os saudosistas da ditadura e do colonialismo, desbancados dois anos antes.
Banditismo sem pudor! Notas a quente sobre o ataque ao Irão
Manuel Raposo — 4 Março 2026

Tirando os EUA e Israel, parece haver consenso sobre o facto de a agressão ao Irão constituir uma violação do direito internacional tal como está definido na Carta das Nações Unidas. Um acto ilegal, portanto. Bastaria isto para considerar a resposta do Irão como uma reacção de legítima defesa e, consequentemente, legal. Bastaria isto, igualmente, para identificar sem margem para dúvida o criminoso e a vítima; e para, sem reticências, o mundo dito civilizado acorrer em defesa da vítima e condenar o criminoso.
Mas eis que, numa completa inversão de valores, a legítima defesa do Irão passa a ser o alvo da condenação do Ocidente por inteiro. O crime é avaliado pelo critério do criminoso.