Na raiz da guerra imperialista

Manuel Chico, Manuel Raposo — 11 Junho 2026

Gaza 72.000 mortos (fora os soterrados nos escombros). Líbano 3.600 mortos. Irão 3.400 mortos

As guerras que se travam no Médio Oriente e na Ucrânia não são simplesmente guerras entre os EUA e o Irão ou os EUA e a Rússia. Não são sequer apenas guerras regionais. São guerras de natureza geopolítica com efeitos sobre a futura estrutura da ordem mundial. O que está a ser decidido é maior do que o destino dos governos, maior do que a questão das rotas marítimas e maior do que o equilíbrio de poder imediato no Oriente Médio e na Europa.


IA: o problema não é a tecnologia

Editor / Bappa Sinha — 5 Junho 2026

Avião-radar dos EUA abatido pelo Irão. A IA não lhe valeu

Voltamos ao tema da inteligência artificial, de novo pela pena de um autor indiano, agora focando atenção no modo como a alta finança, os grandes laboratórios e o poder político dos EUA (mas também da Europa) se combinam para fazer de um conhecimento que aponta para o progresso humano um instrumento de retrocesso social em nome da acumulação cega de capital.


Alimentar a guerra, dar asas à corrupção

Editor / Alcídio Torres — 5 Junho 2026

Guerra e corrupção de mãos dadas. E os povos europeus a pagar

Inicialmente, terá sido Volodimir Zelensky, pau-mandado dos belicistas europeus e norte-americanos, comprovado líder de uma tentacular rede de corrupção alimentada pela guerra, que alvitrou mais uma contribuição para eternizar as hostilidades na Ucrânia. Mas foi a NATO, pela voz do indescritível Mark Rutte, que avançou a proposta de cada membro da Aliança contribuir, anualmente, com mais uns milhões. Nada menos que 0,25% do PIB de cada país, a somar aos 90 mil milhões recentemente extorquidos aos contribuintes europeus. Portugal calou e consentiu.


Inteligência artificial e revolução social

Editor / Sanjay Roy — 2 Junho 2026

As tecnologias não transformam as sociedades, mas criam a necessidade dessa transformação

Os debates sobre o desenvolvimento e a aplicação prática da inteligência artificial vagueiam entre a desconfiança perante uma tecnologia que as pessoas comuns não dominam, as ameaças de desemprego que pairam no ar com selo de “progresso económico”, e o receio de ver tal arma nas mãos de uma elite todo-poderosa e sem escrúpulos.


Pacote laboral: um desenlace anunciado

Urbano de Campos — 21 Maio 2026

Vida justa, estamos fartos de pagar crises. Os ricos que paguem.

A decisão do Governo de levar à Assembleia da República a revisão da lei laboral na sua versão primitiva, desconsiderando meses de “negociações”, confirma o propósito que sempre esteve presente na cabeça dos governantes: impor, de preferência sem concessões, uma lei draconiana acertada com o patronato. Tal como em dezembro, a resposta adequada da parte do trabalho é a recusa em bloco das alterações preconizadas e a convocação de nova greve geral para 3 de junho – a única medida que clarifica a natureza do confronto: trabalhadores contra o bloco Governo-patrões.


Duas semanas na China. Impressões de viagem

Manuel Raposo — 7 Maio 2026

Museu de Ciência e Tecnologia de Shenzhen

Para os europeus comuns do século XVI, a China – “o soberbo império que se afama” (Camões) – pouco mais podia ser do que um mundo estranho e inacessível. Conheciam-na os navegadores-comerciantes que faziam a viagem de ida e volta em 2-3 anos, sob incontáveis tormentos, fatais para boa parte das equipagens, na maioria arregimentadas ou levadas pela miragem da aventura e da fortuna. Apenas as elites podiam gozar da porcelana fina (o “ouro branco”) e da requintada seda que enchiam os porões das naus. Para lá disso, o país dos Chins era um território de fábula.


Lições de uma guerra que o Irão não perdeu

Editor / Dmitry Trenin, RT — 16 Abril 2026

Manifestantes exigem resposta “esmagadora” aos ataques dos EUA e Israel. Março 2026

Tirando os comentadores que afinam pelas ordens-de-serviço das embaixadas dos EUA ou de Israel, é opinião comum que o Irão está a conseguir sair por cima na guerra que lhe foi imposta, e que, por isso mesmo, os agressores a estão a perder. As consequências deste facto para os equilíbrios mundiais, para a resistência do Sul Global ao imperialismo e para a própria reconfiguração do poder no Irão, são destacadas por Dmitry Trenin, numa análise sumária, mas directa – em que o prisma russo e chinês não deixa de estar presente.


A última esperança da humanidade

Editor / O Comuneiro — 10 Abril 2026

Revoluções sob ameaça. Hasta la victoria, siempre!

Temos o privilégio de viver numa época de profunda mudança histórica a partir da qual nada será como dantes, assinalam os editores de O Comuneiro na introdução ao número de março da revista. A humanidade está perante a ameaça da extinção da espécie se prevalecer o rumo imposto pelos poderes do sacro império ocidental. Para o travar e abrir futuro à humanidade, é preciso enfrentar e desarticular esses poderes, que são o produto da degenerescência da sociedade capitalista ocidental, alheia a tudo o que esteja para lá de um cálculo de custo-benefício.


Evocação da Constituição e de um assassinato impune

Urbano de Campos — 2 Abril 2026

Primeira página de A Capital de 2 de abril de 1976. Que liberdade, que progresso?

No mesmo dia 2 de abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República e foram assassinados, num atentado à bomba, o padre Maximino de Sousa e a estudante Maria de Lurdes Correia. Maximino era militante e candidato a deputado pela UDP, a principal força da esquerda revolucionária de então, e Maria de Lurdes era activista da juventude católica. A Constituição foi aprovada com o voto contra do CDS, partido que representava a extrema-direita e em que se acoitavam os saudosistas da ditadura e do colonialismo, desbancados dois anos antes.


“O Irão que eu conheci”

Fernanda M. Pinto / Entrevista — 20 Março 2026

Estreito de Ormuz

A maioria da população portuguesa e Ocidental ignora o que é a sociedade iraniana de hoje. A propaganda mais primária e mistificadora tem feito carreira nos meios de comunicação, criando na opinião pública uma visão inteiramente distorcida acerca da vida dos iranianos comuns, da sua relação com o poder, das suas ambições e da forma como encaram o futuro do país. Foi neste caldo que a agressão ao Irão foi cozinhada, como se pode avaliar pela conivência inicial de toda a UE e pela cumplicidade do governo português com os agressores.


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