Alimentar a guerra, dar asas à corrupção

Editor / Alcídio Torres — 5 Junho 2026

Guerra e corrupção de mãos dadas. E os povos europeus a pagar

Inicialmente, terá sido Volodimir Zelensky, pau-mandado dos belicistas europeus e norte-americanos, comprovado líder de uma tentacular rede de corrupção alimentada pela guerra, que alvitrou mais uma contribuição para eternizar as hostilidades na Ucrânia. Mas foi a NATO, pela voz do indescritível Mark Rutte, que avançou a proposta de cada membro da Aliança contribuir, anualmente, com mais uns milhões. Nada menos que 0,25% do PIB de cada país, a somar aos 90 mil milhões recentemente extorquidos aos contribuintes europeus. Portugal calou e consentiu.

A proposta poderá ter os dias contados porque os grandes da Europa não mostraram agrado. França, Reino Unido, Espanha e Itália, a que se juntou o Canadá, torceram o nariz à ideia. Talvez por isso fiquemos livres de mais esta punção no nosso orçamento – mas só por isso, porque por vontade de Montenegro seríamos espoliados de mais uma fatia dos nossos recursos. Veremos a decisão final, a tomar na cimeira da NATO em Ancara, em julho.

A denúncia que divulgamos, porém, não perde atualidade nem pertinência. Mostra o lugar que os portugueses ocupam, sobretudo os que mais precisam, nas prioridades do Governo quando se trata de fazer as vontades da UE ou da NATO.

 

UM ESCÂNDALO

Alcídio Torres, Facebook, 22 maio

A NATO quer que Portugal envie para a Ucrânia €768 milhões por ano. É o dobro do que o país gasta com o Complemento Solidário para Idosos, a última rede antes da miséria absoluta para os velhos sem pensão. Não é um número inventado. É uma proposta formal do secretário-geral da NATO, Mark Rutte, discutida esta semana em jantar informal na Suécia, sem debate público, sem aprovação parlamentar, sem perguntar a ninguém.

0,25% do PIB (Produto Interno Bruto) português, anualmente para a Ucrânia é muito dinheiro. No caso de Portugal, façamos as contas a partir do que conhecemos, para termos uma dimensão deste valor:

O Complemento Solidário para Idosos existe para uma coisa só: garantir um rendimento mínimo aos idosos mais pobres do país. Custou €399 milhões em 2024. A pensão social de velhice, para quem trabalhou uma vida sem descontos suficientes, vale €255 por mês. Não é um valor. É uma sentença.

Agora compare. O que Rutte propõe que Lisboa transfira anualmente para Kiev é quase o dobro de tudo o que Portugal gasta para que esses idosos não desapareçam na pobreza absoluta.

E para onde vai esse dinheiro, exactamente? Para um país cujo ex-chefe de gabinete de Zelensky está a ser julgado por corrupção. Para um conflito onde auditores da União Europeia e do FMI perderam o rasto a dezenas de milhares de milhões em ajuda. Para um governo que a Transparência Internacional classifica consistentemente entre os mais corruptos da Europa.

Em Portugal, os €768 milhões, que querem enviar para alimentar a guerra na Ucrânia, representam:

– 13% de todo o crescimento económico real que o país gerou em 2025, isto é, sete semanas de riqueza nacional, entregues de uma vez, todos os anos.

– €226 por ano na factura de cada contribuinte que paga IRS.

– O dobro do que custa manter vivos e com alguma dignidade os idosos portugueses sem carreira contributiva.

Ouvimos falar todos os dias em combate à corrupção. Em justiça social. Em responsabilidade orçamental. Mas propõe-se, em jantar de ministros numa cidade sueca, que Portugal transfira anualmente para a corrupção e a guerra na Ucrânia o dobro do que paga com o Complemento Solidário para Idosos ou o equivalente a 13% do crescimento económico do país.

Um escândalo!

 

Fontes: Proposta Rutte/NATO, Lusa e Politico, Maio 2026; https://observador.pt/…/lider-da-nato-avisa-que-apoio…/;

INE, Contas Nacionais 2025 · AT, Estatísticas IRS 2024 · CFP, Relatório Segurança Social 2024 · Seg-Social.pt, valores CSI e pensão social 2025.

 


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