A esquerda e os desafios da situação política
Colectivo Mudar de Vida — 18 Junho 2026
Com o texto que a seguir se publica, “Por uma Plataforma Anticapitalista”, o Colectivo Mudar de Vida lança um convite ao debate sobre a realidade actual da esquerda e sobre as respostas a dar à situação nacional. Em que estado se encontram as lutas laborais e populares? Como reanimar o confronto social anticapitalista? O que está ao alcance da esquerda combativa? É possível conjugar esforços? Qual a base política para uma plataforma comum de intervenção?
POR UMA PLATAFORMA ANTICAPITALISTA
Expedições militares e sanções patrocinadas pelo imperialismo norte-americano semeiam morte, lançam sociedades estáveis no caos, ameaçam arrasar civilizações, desarticulam a economia global, abeiram o mundo de uma guerra planetária. A bestialidade manifesta-se sem véus. Nada de construtivo ou de progressista resulta da acção do capitalismo imperialista – apenas destruição e retrocesso. Só o sacrifício extremo dos povos agredidos lhe faz frente. Como reunir as forças que ponham termo à barbárie?
Os poderes dominantes na Europa acompanham esta via reaccionária, trituradora de recursos, degradando as condições de vida dos povos do continente. As massas trabalhadoras e pobres, desprovidas de rumo e de organização próprios, mostram-se incapazes de empreender uma resposta política independente. Muitas delas são vulneráveis à demagogia nacionalista, xenófoba e racista da direita fascista. Como libertar os povos das guerras da NATO, das ordens de Washington ou de Bruxelas? Como travar a decomposição social e o rebaixamento das condições de vida? Como enfrentar o novo fascismo?
Em Portugal, a esquerda que se move nas baias do regime esgotou as armas da luta parlamentar. Nenhuma alteração na política nacional favorável aos trabalhadores se mostra possível no quadro de forças existente. As empresas e a rua permanecem como o terreno historicamente mais favorável para a luta das classes trabalhadoras. Como reerguer o combate anticapitalista?
Estes são desafios a que a esquerda combativa tem de dar resposta.
- Quais os traços marcantes da situação política nacional?
A situação actual do país é fruto do declínio da luta das classes trabalhadoras. Na última década e meia, desde o pico das grandes acções contra o governo da troika até hoje, o movimento popular e laboral perdeu força e desarticulou-se.
A esquerda sofre os efeitos do abandono a que votou a luta de classes enquanto pedra de toque da intervenção política. Em nome de supostos interesses gerais (nacionais, democráticos ou outros), a esquerda desvalorizou o combate pelos interesses políticos próprios das classes trabalhadoras, demarcados dos das restantes classes. Instalou-se a ideia de que denunciar o capitalismo como sistema social e apostar na luta de classes contribuiria para estreitar o campo das acções populares, e, com isso, a base eleitoral da esquerda parlamentar. Os frutos estão à vista.
A direita cavalga o declínio e o abandono da luta de classes. Foi no espaço deixado vago pela quebra do movimento popular e laboral e da esquerda que cresceram a direita, a extrema-direita e a arrogância do patronato. É neste quadro que as alianças com a extrema-direita, a tolerância com a propaganda fascista, a degradação do Estado Social, a revisão das leis laborais, a ameaça de alteração constitucional, devem ser entendidas.
Os resultados eleitorais recentes são espelho do balanço de forças entre o capital e o trabalho. Decorrentes de um confronto viciado e desigual, mostram que, com a presente relação de forças sociais, não é possível impor uma governação favorável aos trabalhadores pela simples via parlamentar.
- Que resposta tem de ser dada?
Responder à situação exige reanimar o combate social anticapitalista. Só o confronto classe-contra-classe pode conferir identidade às lutas das massas trabalhadoras e reunir à sua volta forças capazes de travar o crescimento da direita e vergar a ditadura patronal.
Reerguer a luta contra o capital não é uma utopia, nem reduz o campo da luta de massas. Pelo contrário, é a condição de fazer despertar o sentido de classe dos trabalhadores, de os colocar na dianteira da acção política e de alargar a outras camadas sociais o campo da resistência popular. Disso depende pôr em marcha uma política dos trabalhadores, para os trabalhadores, pelos trabalhadores.
- O que pode fazer a esquerda combativa?
Não existem, no estado atual da esquerda anticapitalista, dividida e minoritária, condições para definir um programa político unificador com o propósito de inverter o rumo seguido pelo país. Mas é possível estabelecer princípios pelos quais uma intervenção anticapitalista se deva guiar, a fim de ajudar a reerguer a luta dos trabalhadores na base dos seus interesses de classe – num movimento de acumulação de forças.
Neste sentido, estamos abertos a colaborar em iniciativas diversas (debates, sessões públicas, manifestações, protestos, divulgação de propaganda) com vista a incentivar nas classes trabalhadoras a criação de uma corrente de pensamento e de intervenção política anticapitalista.
Nesse mesmo sentido, convidamos movimentos de base popular, organizações, grupos, indivíduos, com linhas de pensamento ou de acção comuns ou convergentes, a cooperar no mesmo propósito.
E avançamos a nossa contribuição para uma plataforma de intervenção.
- Termos de uma plataforma anticapitalista
– O conflito entre as diferentes classes sociais na luta pela existência determina toda a vida da sociedade, no dia a dia, nos grandes como nos pequenos acontecimentos.
– Os interesses próprios das classes trabalhadoras têm de ser demarcados, a cada momento, dos interesses das restantes classes. Será dessa demarcação que resultará a afirmação de uma política própria dos trabalhadores.
– Os trabalhadores imigrados pertencem às classes trabalhadoras do país. São o seu sector mais explorado e discriminado. Integrá-los nas movimentações dos trabalhadores nacionais (desde a sindicalização à participação em lutas) não só é uma medida obrigatória de solidariedade de classe, como é condição para o êxito da luta contra a exploração.
– A actividade sindical deve ser incentivada como uma forma de democracia do trabalho visando unir a massa trabalhadora na defesa dos seus interesses próprios contra o patronato, mas também como um meio de levá-la a encarar o fim do salariato e da exploração.
– A defesa dos interesses dos trabalhadores (materiais, culturais, espirituais) tem de ser conduzida como um combate contra o capitalismo, o qual, pela sua própria natureza, nega por sistema esses mesmos interesses.
– Todas as lutas particulares nascidas das contradições sociais da nossa época (habitação, saúde, ambiente, igualdade de género, minorias…) devem ser encaradas e conduzidas como partes do combate geral ao capitalismo.
– O Estado e as suas instituições (governo, presidência da República, autarquias, parlamento, polícias, forças armadas, tribunais, eleições…) são órgãos de imposição do poder das classes dominantes sobre as classes trabalhadoras.
– O regime democrático realmente existente tem de ser considerado segundo a sua natureza de classe: burguesa e antipopular. A realidade mostra que a democracia, dita “representativa”, em nada representa os interesses populares, configurando de facto um monopólio das classes dominantes de que as classes trabalhadoras estão arredadas.
– A NATO e a UE têm de ser tratadas como organizações do capital imperialista, promotoras de guerras, consumidoras de recursos sociais gigantescos, contrárias em absoluto aos interesses dos povos e das classes trabalhadoras – e, por isso, insusceptíveis de qualquer reforma ou democratização.
– O bloco imperialista liderado pelos EUA – integrando a União Europeia, o Japão e demais associados – é o principal obstáculo à independência e à liberdade dos povos e à emancipação das classes trabalhadoras de todo o mundo, e como tal deve ser combatido.
– A tarefa actual que se coloca à esquerda é contribuir para abater este imperialismo realmente existente: o que, nos últimos 80 anos, ganhou corpo no capitalismo monopolista dos EUA e aliados. A guerra na Ucrânia, o genocídio na Palestina, a destruição da Síria, o ataque à Venezuela, as ameaças a Cuba, a agressão ao Irão e ao Líbano – acções todas elas preparadas, municiadas ou executadas pelos EUA, com a conivência dos aliados – são provas gritantes de que o banditismo imperialista não obedece a limites morais, legais ou humanitários. Apenas a força dos trabalhadores e dos povos o pode deter.
– O capitalismo só pode ser encarado como uma organização social retrógrada, senil, geradora de desigualdades, historicamente ultrapassada que tem de ser superada por uma organização social em que prevaleçam o governo próprio e os interesses dos trabalhadores – um regime de socialismo proletário.
Colectivo Mudar de Vida
fevereiro-junho 2026
Comentários dos leitores
•MANUEL BAPTISTA 18/6/2026, 19:50
São princípios, posições muito gerais, cuja formulação pode ser mais adequada, ou que eventualmente, possam necessitar de alguma discussão para melhorar a sua inteligibilidade.
No contexto que é o português, na correlação de forças existente no país, que estratégias adoptar? ...
Deve-se fazer a análise do que refiro acima: contexto português e correlação de forças.
A estratégia a decidir deve ser posterior ao alcançar dum consenso mínimo entre as forças presentes em tais debates. Mas, elas terão de se colocar - a si próprias - dentro do terreno da realidade. Não devem dar a entender, por exemplo, que possuem um vasto conjunto de aderentes, influentes em vários locais de trabalho e de habitação, quando só estejam limitadas a uma pequeno núcleo, na realidade.
A questão importante, é saber se e quando e com que meios as forças, com as quais estais em contacto, estarão capazes e dispostas a concretizar as medidas que elas apoiam, quais os meios que sejam capazes de fornecer.
Estou farto de ver pessoas a gritar grandes princípios e depois a trair a luta que elas próprias preconizavam!
•Carlos da Mata 21/6/2026, 16:34
Olá não tenho paciência para analisar toda a proposição de MV.
Estou um bocado de acordo com o comentario do Manuel Batista, salvo no fim, não sei de quem fala.
Penso que vocês estão numa fase de reflexão inteletual, porque não vejo nada de muito concreto
Ouve alguém que escreveu "O imperialismo, estádio supremo do capitalismo". Já faz uns anos. A teoria aplica-se muitas vezes à sua época também
Agora vê-se que há um neocolonialismo imperialista, e a acentuação de guerras locais, devido entre outras à partilha de colonias depois da "2a. Guerra Mundial", como se diz.
A NATO e a UE são armas colonialistas nesse contexto, e não só na Europa.
Também há de mais em mais, ataques dos estados capitalistas contra grupos de verdadeira oposição, que são às vezes muito pequenos, sejam estes ideologicos.
E os grupos nazis mostrão o nariz, e as baratas saiem dos esgotos.
Nos partidos/grupos ditos de esquerda, não vejo analises de situations complexas como por exemplo a Palestina versus Ucrania. Há mesmo gente que diz que o que se aplica de um lado deve-se aplicar em todos. Assim faz-se uma economia de reflexão.
Não estou de acordo com a posição de MV sobre os sindicatos, e mesmo se há nuances nos aparelhos, nunca pratiquei isso aqui, mas fiz-lo noutros paises, e não vejo muita diferença.
Bom já fiz um bocado do caminho, mas para mim a verdade está na pratica revolucionaria. Tem que se escolher a flecha e o alvo, e atacar.
Boa continuação e desculpem pelo "português" que ainda não está muito bom.
•leonel l. clérigo 22/6/2026, 13:22
UM DEBATE NECESSÁRIO
Este convite feito acima pelo MV para um "debate sobre a realidade actual da esquerda e sobre as respostas a dar à situação nacional", é uma boa iniciativa do seu COLECTIVO.
Mas há que ter certa cautela e atender a que o "SALTO NÃO SEJA MAIOR QUE A PERNA": num PAÍS onde há muito o "mundo das ideias" está armazenado no congelador e "alimentado" pela "energia a carvão" da Europa Connnosco", não se pode exigir que se tire da manga e de chofre, uma solução para "este mundo e o outro".
É para mim claro que a decadente SOCIEDADE PORTUGUESA necessita MUDAR de VIDA se não quiser SUBSISTIR na ESTAGNAÇÃO do SUBDESENVOLVIMENTO que ameaça hoje tornar-se PERPÉTUO. E, por isso, deixo algumas sugestões ao desafio do MV na convicção e como se diz: "Devagar...que tenho pressa".
1 - A "EUROPA CONNOSCO"
Não consigo entender ser possível lançar um convite ao debate sobre "a realidade actual da esquerda e sobre as respostas a dar à situação nacional", sem primeiro se procurar conhecer a "REALIDADE CONCRETA da SITUAÇÃO CONCRETA" do nosso PAÍS. E esta anda - já lá vão 40 anos - intimamente associada à EUROPA CONNNOSCO a que pertencemos desde 1 de Janeiro de 1986 ou seja, desde a nossa data entrada na CEE.
Para o BEM e para o MAL, a "COMUNIDADE EUROPEIA" vem moldando o nosso DESTINO. E há que tirar a limpo e de "frente" o RESULTADO dessa decisão.
Em minha modesta opinião e como se costuma dizer: "ESTAMOS na MESMA COMO A LESMA" ou seja: continuamos a carregar às costas o SUBDESENVOLVIMENTO da nossa SOCIEDADE. Ou seja ainda: se com POMBAL tentámos o nosso DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - que a IGREJA e os Jesuítas da beata D. MARIA graças à sua "mentalidade RURAL/RENTISTA" tudo fizeram para a anular - a partir daí a DECADÊNCIA acelerou sua acção sobre nós.
Há então que incidir o DEBATE num 1ª PONTO: que nos trouxe a "EUROPA" de SOLUÇÃO para o nosso DESENVOLVIMENTO intimamente ligado à ausência de INDUSTRIALIZAÇÃO do PAÍS?
2 - Já há quem diga hoje claramente que são as CONDIÇÕES impostas pelas "REGRAS" da UNIÃO EUROPEIA que nos conduz à permanência do SUBDESENVOLVIMENTO, sem com isso se procurar "branquear" as responsabilidades próprias da SOCIEDADE "TUGA".
E aqui a POLÍTICA ECONÓMICA tem uma RESPOSTA a DAR. Contudo, é hoje isso uma tarefa difícil sobretudo porque os nossos economistas - salvo raríssimas excepções - foram "HEGEMONIZADOS" pelo CAPITAL FINANCEIRO/BANCÁRIO: estão hoje ao seu "SERVIÇO" e são raríssimas as vozes discordantes. O MUNDO do "SALVE-SE QUEM PODER" é coisa bem terrível e seu PODER é grande.
Mas falando de REGRAS, a própria Moeda EURO - uma Moeda Sobrevalorizada internacionalmente, como o DOLAR - parece não ser adequada à nossa Economia SUB, acabando por actuar como um forte BLOQUEIO à INDUSTRIALIZAÇÃO do PAÍS
E que dizer da Sra. LAGARDE que nos vem persistentemente falar da "DANÇA das TAXAS de JURO" - do "Preço do Dinheiro" - sem que alguém nos elucide sobre a lengalenga da TEORIA QUANTITATIVA da MOEDA que sustem que a "EMISSÃO de moeda" - pelo "Malandreco" do ESTADO - conduz "INEVITAVELMENTE" ao parente mais próximo do DIABO: a INFLAÇÃO.
Tudo "tangas", mas bem "coladas" na superfície da nossa SOCIEDADE meio ignorante a que vem agora juntar-se PASSOS COELHO com sua rejuvenescida "TERAPIA de CHOQUE" para ofertar de novo ao TUGA Zé Pacóvio.
A ECONOMIA POLÍTICA tem que ter o dedo em riste e bem apontado neste DEBATE. Sem a sua participação...não há DEBATE SÉRIO. O MV tem que assegurar isso.
3 - Para terminar e para já, estas notas curtas, julgo que o debate tem que dar destaque especial à "pastelada" da nossa GOVERNAÇÃO, com seus GOVERNANTES e PARTIDOS.
Começo por perguntar: como é possível um PAÍS com suas largas "dificuldades de desenvolvimento" escolher GOVERNANTES de cabeça oca e CONCEPÇÃO IMOBILISTA como a do "APERTAR do CINTO".
A propósito, veio-me agora à memória o ano de 2024, em que durante um jantar com jornalistas estrangeiros o Chefe de Estado MARCELO REBELO de SOUSA descreveu o PM MONTENEGRO como uma pessoa oriunda do "país profundo", com um estilo "urbano-rural" e comportamentos rurais que o tornam "difícil de entender" e de categorizar nos padrões habituais.
Não admira portanto que o PM venha agora com este pensamento profundo: "Baixar a idade da Reforma hoje significa cortar nas pensões amanha".
Tudo aqui parece indicar que, para ele, a PRODUÇÃO NACIONAL é um "DADO FIXO" que não pode sofrer "ALTERAÇÕES": "só é possível tirar de um lado e pôr-se noutro". Por isso, no seu "RURALISMO PROFUNDO", "não interessa" a INDUSTRIALIZAÇÃO do PAÍS" e o aumento da RIQUEZA que provoca para se poder juntar a "baixa da idade da REFORMA e, com o aumento da "produtividade", aumentar as reformas. Por isso a sua "POLÍTICA LABORAL de TIRAR do BOLSO dos TRABALHADORES e pôr na "BOLSA-RENTISTA" dos manhosos CAPITALISTAS TUGAS e BANQUEIROS, é o que habita no seu cérebro.
Há que dizer ao TUGA: vejam bem quem escolhem a seguir...
SAUDAÇÕES
•leonel l. clérigo 27/6/2026, 11:45
UMA IMPRENSA CAPITALISTA cheia de TRUQUES MANHOSOS
Foi bem "oportuno" agora o MUNDO do FUTEBOL MUNDIAL e a TRAGÉDIA da VENEZUELA.
Dos PROBLEMAS da SOCIEDADE TUGA ...nem pó! O Paraíso continua.
Sabem muito...mas andam a pé.
•leonel l. clérigo 1/7/2026, 10:55
UMA VERDADE INSOFISMÁVEL...mesmo para DANI RODRIK
"As pessoas não comem PIB"
MARIA da CONCEIÇÃO TAVARES
•leonel l. clérigo 2/7/2026, 11:15
SÓ COM UM "MILAGRE"?
O Economista Argentino MARTIN RAPETTI "propôs uma reflexão - na UNIVERSIDADE -sobre as perspectivas de desenvolvimento da economia do seu PAÍS". E assim, "partiu de um diagnóstico" que descrevia uma trajetória de "volatilidade e estagnação" do célebre "PIB per capita argentino" que, segundo ele, precisava ser revertida.
Um "milagre destes" tornou-se hoje impossível em PORTUGAL depois de FÁTIMA do padre Formigão: as nossas UNIVERSIDADES estão cada vez mais "SUBDESENVOLVIDAS." E das FACULDADES de ECONOMIA - como o ISEG ou da NOVA... - nem vale a pena falar: o VAZIO "OCO" é TOTAL. Tudo se resume a "atender ao balcão".
•leonel l. clérigo 4/7/2026, 11:51
QUE É ISSO do "ATENDER ao BALCÃO"?
A propósito do meu último comentário - Só com um "Milagre"? - perguntaram-me o que era isso do "atender ao balcão". De facto julguei que não seria difícil descortinar que o "BALCÃO" é o das agências Bancárias. Um "emprego" que dinamiza os cérebros dos economistas como nenhum outro.
•leonel l. clérigo 6/7/2026, 11:33
Os GOVERNANTES deste nosso DESGRAÇADO PAÍS...
Já tinha decidido não fazer aqui mais nenhum comentário antes do colectivo do MV se pronunciar.
Mas não resisti a uma notícia que me chegou às mãos e que, de alguma forma, julgo relacionar-se com o tema proposto pelo MV: José Luís CARNEIRO - Secretário geral do Partido Socialista - "pede paciência" para construir "alternativa credível".
Que julgo querer isto dizer: que um possível e bem provável governante de um PAÍS, candidata-se - e é "escolhido"... - sem ter ALTERNATIVA CREDÍVEL para resolver os graves problemas da DECADÊNCIA desse PAÍS? Está tudo "maluco" neste PAÍS?
Não posso acreditar...
•Adilia Mesquita Maia 8/7/2026, 18:41
Começo por pedir desculpa por ser desmancha prazeres.
Em minha opinião, tanto o texto motivador da reflexão, como os comentários dele decorrentes, revelam um conjunto de pessoas a olharem para o próprio umbigo, no caso para o seu país, sem parecerem perceber que a perspetiva de análise tem de mudar e tem de levar em conta o que se passa a nível mundial.
Estas pessoas parecem ser uma amostra do que é a esquerda em Portugal e, se calhar, do que é a esquerda no mundo contemporâneo – um agregado de vontades, bem-intencionadas, que não consegue sequer perceber em que questões se deve focar.
Antes de mais, também em minha modesta opinião, a esquerda tem de contar obrigatoriamente com um instrumento agregador e este, não imagino outro, tem de ser um partido político, um partido de esquerda que, por definição, tem de ser anticapitalista.
É verdade que em Portugal existe o P.C., - não encontro outro – o P.S. há muito que guardou o socialismo na gaveta, e na melhor das hipóteses é apenas ligeiramente mais progressista e menos reacionário do que os outos.
Dizia eu que existe o PCP, mas não basta existir, tem de encontrar estratégias para conseguir fazer a diferença e tem de mobilizar pessoas, deixando de recorrer a chavões como ‘luta de classes’, ‘poder do proletariado’ e outros. Não é que não existam classes e não continue a existir antagonismo de classes, mas talvez fosse melhor estratégia tentar encontrar formas simples, ‘pregnantes’ de o explicitar.
Essa explicitação pode e deve passar por uma tarefa de desconstrução, mostrando, por exemplo, os pés de barro da democracia liberal que, mantendo os formalismos processuais – partidos, votos, eleições - através de uma comunicação social dominada pelo poder do capital, de universidades em que só se estuda o que convém ao sistema (capitalista), de igrejas que manipulam os crentes no mesmo sentido, perdeu completamente o rumo. Desmistificar a democracia e as práticas ditas democráticas já não seria tarefa menor; malgrado o porrete que cairia sobre quem a tal se atrevesse, talvez valesse a pena.
Aqui não resisto a falar num tópico que uma esquerda inteligente devia ter sempre presente: a necessidade de recorrer à retórica. Eu sei que a retorica ganhou má fama, mas está na hora de a reabilitar. Recentemente vi um grande ‘placard’, (do PCP) que me criou alguma esperança; reproduzia a seguinte frase: simples, dotada de boa forma: “QUANDO TUDO É PRIVADO FICAMOS PRIVADOS DE TUDO!
Assim como uma imagem, por vezes, vale mais do que mil palavras, também aqui se consegue condensar conhecimento que as pessoas facilmente assimilam. E este é apenas um exemplo, mas, com inteligência e ‘know how’, pode sintetizar-se todo um programa político. Fica o desafio para a Esquerda…
Um outro desafio que, em minha opinião, a Esquerda deveria aceitar seria o de promover cursos de literacia digital, bem estruturados, abertos a quem os quisesse frequentar. Hoje quem não tem literacia digital é o analfabeto do século XXI; a sua desvantagem é enorme. E já agora, correndo o risco de me soltarem os cães, atrevo-me a dizer que está na hora da Esquerda, mesmo ao nível da sua elite intelectual, se alfabetizar.
Por hoje é tudo, termino como comecei: desculpem qualquer coisinha!
•leonel l. clérigo 10/7/2026, 10:00
Adilia Mesquita Maia
Como sou um bom bocado ignorante e com certa estupidez à mistura, não entendi quais os "PRAZERES" que você "DESMANCHOU..."
•António Veríssimo 11/7/2026, 16:29
Sou, desde sempre, defensor da unidade da esquerda e, pessoalmente e em grupo, tenho feito por isso.
No meu blog, no partido onde milito, estou sempre a lutar por essa unidade.
•leonel l. clérigo 12/7/2026, 9:38
António Veríssimo
A UNIDADE é uma coisa muito bonita. Mas sem PRINCÍPIOS...o melhor é estar sossegado.
E já agora e a propósito: bom seria esclarecer-se que perspectivas existem - é isso que julgo estar na proposta do MV - e o que se "quer fazer" deste PAÍS SUBDESENVOLVIDO já que com esta "nossa" CLASSE CAPITALISTA NÃO SE VAI LONGE.
Fala-se geralmente de REVOLUÇÃO como "Remédio de todos os males" mas, para mim o importante é "O QUE SE FAZ NO DIA SEGUINTE?". E aí, há muitos "ceguinhos": o nosso vazio é TOTAL e a DERROTA é CERTA...como aconteceu com os "CRAVOS". Leiam as peripécias da REVOLUÇÃO RUSSA e como chegou ela, duramente, aos seus "Planos Quinquenais" a que não é alheio o DESENVOLVIMENTO da CHINA de HOJE.
Talvez com isso é que venham os tais "desmancha prazeres".
•Adilia Mesquita Maia 14/7/2026, 17:43
Prezado Leonel Clerigo
" desmancha prazeres ' é, como bem sabe, uma expressao em sentido figurado, portanto tomá-la à letra, é tentar tregiversar.
Quando temo ser 'desmancha prazeres' quero dizer que temo estragar a festa e esta é a 'ruminaçao' que os comentadores estao a fazer sobre coisas que podem ter algum interesse mas nao sao aquilo que deveria ocupar a ESQUERDA.
A ESQUERDA devia primordialmente repensar o capitalismo na era digital e identificar algumas estrategias prioritarias para o derrotar; estas tambem em minha opiniao nao passam por medidas paliativas que atenuam os sintomas, mas nao vao as causas.
•Adilia Mesquita Maia 14/7/2026, 18:33
Continuando numa de "desmancha prazeres" vou apresentar algumas sugestões sobre assuntos que deveriam ocupar a ESQUERDA:
Por exemplo, devia perceber e sobretudo divulgar - o que faz falta é avisar a malta - que “o capitalismo não sobrevive pela sua eficiência intrínseca, mas pela sua capacidade de capturar o Estado para moldar as regras do jogo a seu favor" – é o Estado que lhe fornece o oxigénio indispensável a sua sobrevivência.
Precisa perguntar como é que o capitalismo consegue capturar o Estado? A que estratégias, variadas, recorre.
Precisa explicar que o “parteiro do capitalismo” foi o estado burgues – lembrem-se as leis dos cercamentos na Inglaterra dos fins da época moderna.
Precisa perceber e divulgar que as democracias liberais foram e continuam a ser democracias burguesas que da democracia só retiveram os processos formais, descurando completamente o produto - aproveitar os versos do Sérgio Godinho sobre “só há liberdade a sério … )
Precisa estudar a democracia e o potencial do capitalismo na era digital; procurando entender o conceito de soberania digital, e repensar as reivindicações que serão as oportunas e decisivas para o momento que estamos a atravessar.
Precisa identificar as contradições entre o capitalismo e as novas tecnologias.
Precisa estimular/desenhar/mobilizar as pessoas para experiências de plataformas cooperativas no sentido de lutar contra a hegemonia vergonhosa do capitalismo de plataforma.
Eu não sei a resposta para muitas destas questões, mas pelo menos sei as perguntas (algumas) que é imperativo colocar, coisa que não vejo a Esquerda fazer.
Portanto aqui fica o desafio de uma 'desmancha prazeres'
•leonel l. clérigo 15/7/2026, 13:17
Adília Mesquita Maia (AMM)
Há momentos e situações na vida em que o "sentido figurado" diz pouco ou nada. E este que atravessamos julgo ser um deles. Por isso vamos ao SENTIDO LITERAL.
Mas não quero e antes disso, deixar de saudar a sua disposição em "vir à liça" debater os GRAVES PROBLEMAS com que a nossa nossa SOCIEDADE, quase milenar, se depara.
Qual O PRINCIPAL PROBLEMA que afeta hoje a nossa SOCIEDADE?
1 - De facto, parecem MUITOS. Mas todos eles - desde a SAÚDE, à EDUCAÇÃO-ENSINO, à ASSISTÊNCIA SOCIAL...(as "árvores") desembocar num (a "floresta"): o SUBDESENVOLVIMENTO deste PAÍS, um "fruto" da ineficiência da sua MÁQUINA PRODUTIVA INCAPAZ de CRIAR a RIQUEZA necessária para fazer "FLORESCER aquelas "ÁRVORES". E este SUBDESENVOLVIMENTO tem ORIGEM num BLOQUEIO HISTÓRICO quase sistemático da NOSSA REVOLUÇÃO INDÚSTRIAL que as forças reaccionárias - da ALIANÇA BRAGANÇAS/IGREJA que ainda fornecem uma IDEOLOGIA de PESO - fizeram ao "pontapé de saída" que o Marquês de POMBAL tentou dar depois de a ter apreciado no sua ESTADIA DIPLOMÁTICA em INGLATERRA.
Mas como aquela ALIANÇA era na Altura Poderosa - e HOJE?... -, tudo se ficou pela "RESTAURAÇÃO COLONIAL-RENTISTA" como convinha à ALIANÇA do "BRASIL em ÁFRICA" do CADC de SALAZAR e dos denominados "LENTES de COIMBRA" que sempre constituíram os parentes "pobres" das "eminências" de SALAMANCA.
2 - Logo depois do estrebuchar da "DERROTA dos CRAVOS", há que registar a chegada da EUROPA CONNOSCO. E quem estivesse atento teria visto no "Discurso" de VICTOR CONSTÂNCIO uma nova "sentença de morte" meio "equivocada": PORTUGAL NÃO FEZ A SUA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL e JÁ PERDEU A OPORTUNIDADE de a FAZER", coisa que nos impunha agora e com a ajuda da "MACROECONOMIA CIENTÍFICA", a paz eterna do SUBDESENVOLVIMENTO e da DEPENDÊNCIA ou seja, do eterno "APERTO do CINTO" com seus diferentes furos ao sabor do "CICLO ECONÓMICO".
3 - AMM: como é possível - sem "revolvermos" a nossa POLÍTICA ECONÓMICA ou seja, o PODER que a SUSTEM - deixar de andar no "sufoco" da TERAPIA de CHOQUE do CAPITALISMO que já DEMONSTROU à SACIEDADE ser INCAPAZ de fazer sair o PAÍS daquele "SUFOCO" e que faz parte das SOCIEDADES ditas SUBDESENVOLVIDAS com ORIGEM numa DIVISÃO INTERNACIONAL do TRABALHO PRÓPRIA do CAPITALISMO e da sua EXPLORAÇÃO SISTEMÁTICA dos POVOS para sustentar os LUCROS FINANCEIRO OBSCENOS de meia-dúzia RENTISTAS de "papo para o ar" na COMPORTA?
Brincamos...ou quê?
4 - Os TUGAS que se preparem: como se costuma dizer, o "CAPITALISMO deu o BAFO". E não é o "DIGITAL" que lhe vai fornecer mais OXIGÉNIO, à semelhança do CONSUMISMO do "pós-GUERRA" de 39-45 que viveu à SOMBRA da RECONSTRUÇÃO pós DESTRUIÇÃO dos "DESASTRES de GUERRA" europeus.
Mas ATENÇÃO: esta gente é perigosa: não se ensaiam nada em FAZER EXPLODIR O MUNDO seguindo a velha regra dos DECADENTES: "Se não é para mim, não é para mais ninguém...". CUIDEM-SE...
•leonel l. clérigo 16/7/2026, 9:16
Ao COLECTIVO MUDAR de VIDA
Já me pronunciei, logo no início, sobre a "BOA INICIATIVA" que, com este texto acima, o COLECTIVO do MV LANÇOU.
Mas venho sugerir que os textos enviados não levem "tanto tempo" a serem publicados, apesar do TEMPO ser de FÉRIAS. Julgo que isso não "anima" o DEBATE e até o podem ajudar a transformá-lo em algo "rançoso". As ideias já não são muitas o que só confirma o profundo SUBDESENVOLVIMENTO ACÉFALO em que se encontra este PAÍS.
•leonel l. clérigo 18/7/2026, 14:20
UMA QUESTÃO
Aproveitando a "deixa" de Adilia Mesquita Maia, vou colocar aqui e numa de "DESMANCHA PRAZERES", uma questão a este "sensaborão" debate e contrariando até o entendimento do José Mario BRANCO de que "...somos um Povo de respeitinho muito lindo".
Há quem diga - gente entendida... - que a "orgânica" da UE com um "EURO SOBREVALORIZADO" - desadequado à nossa economia "pindérica"- esta "situação" é contrária às necessidades do nosso DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL, sem o qual não "saímos da cepa torta"?
E que fazer?...Continuar no Turismo, no Lítio...nas "COMMODITIES que perpétuam a DOENÇA HOLANDESA? Valha-nos a Senhora dos Aflitos...
NOTA: Coloquei esta questão ao nosso grande ECONOMISTA Pedro Brinca, mas julgo que, dados os seus afazeres - que são muitos...- não irá responder.
•leonel l. clérigo 20/7/2026, 12:31
Os IDEÓLOGOS..."científicos"
Venho aqui confessar que, por momentos, julguei que tinha sido transportado para o PLANETA MARTE.
Abri o curioso PODCAST "Os COMENTADORES" e deparei-me com uma PROFUNDA análise da Senhora Ana Fontoura Gouveia - que foi S.E. do Ambiente do governo de António COSTA - ao debate do ESTADO da NAÇÃO.
Para esta senhora o PROBLEMA CENTRAL da ORIGEM do SUBDESENVOLVIMENTO da SOCIEDADE PORTUGUESA não é um, são dois:
1 - O ENVELHECIMENTO da POPULAÇÃO
2 - As ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS.
Não deixa de ser curioso como "nascem" e se "desenvolvem" estas verborreias "analíticas" dos ideólogos do Capitalismo, empenhados em transformá-lo num "anjinho com asas celestiais".
Mas se "vasculharmos" com certo cuidado, não há já nada que possa esconder, por detrás do "DISCURSO" cândido, o desejo de "DESCULPAR" o "nosso" CAPITALISMO SUBDESENVOLVIDO - que tem uma ORIGEM... - e o seu REGIME PSEUDO DEMOCRÁTICO mais sua herança PATRIMONIALISTA que os "novos tempos" estendem agora à ARRÁBIDA e às COMPORTAS.
Sra. Dª Ana Fontoura Gouveia, explique-nos, preto no branco, aos ignorantes como eu e para já não ir muito longe:
a que se deve o ENVELHECIMENTO da POPULAÇÃO e as ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS? Caíram do céu aos trambolhões?...
É este "estilo", um bom retrato do "adocicado" burguês do PS.