Tópico: Política

Tempestade na Armada, agitação em terra

Urbano de Campos — 8 Outubro 2021

Fazendo voz grossa, Marcelo submeteu-se ao pronunciamento dos almirantes

A barafunda à volta da substituição do Chefe de Estado Maior da Armada teve a curiosidade de ter posto à vista de todos os bastidores do poder e os jogos de força que aí se travam, normalmente na sombra dos gabinetes. Como a polémica estalou (pela mão dos principais intervenientes, sublinhe-se) e não pôde ser escondida, pudemos assistir tanto ao incómodo como ao manobrismo das distintas forças políticas, e até aos mimos com que se tratam quando está em causa uma parcela, pequena que seja, do poder. O caso foi ainda pretexto para um ensaio de doutrina criadora sobre o respeito devido às Forças Armadas, como adiante se verá.


Afeganistão. Duas ou três coisas sobre a hipocrisia humanitária

António Louçã — 5 Outubro 2021

Refugiados sírios na Turquia

Com a tomada do poder pelos talibans, milhares de pessoas fogem por bons motivos: mulheres que não querem submeter-se à lei da burka com tudo o que ela implica, jovens que não querem ser formatados com a instrução das madrassas, intelectuais que aspiram a dizer em público aquilo que pensam. Mas os governos ocidentais não têm a menor intenção de acolher essas multidões fugitivas e, quando pensam em ajudar alguém, é apenas a minoria que com eles colaborou durante a ocupação.


A ilusão do poder local

Editor — 24 Setembro 2021

As autarquias e as eleições autárquicas vivem de uma ilusão: a de que existe um poder local capaz de responder às necessidades das populações e de fazer frente ao poder central. A amostra da presente campanha eleitoral desmente tudo isso. O que está em jogo é a actual hegemonia do PS, a incapacidade do PSD para se lhe opor, a sobrevivência do CDS, a força do BE e do PCP para imporem condições ao Governo, o crescimento da extrema-direita. Tudo questões de âmbito nacional que colocam as autarquias e os eleitos na dependência do peso que cada partido obtiver no conjunto do país.


A omissão da direita na crise ambiental

Urbano de Campos — 22 Setembro 2021

Crise ambiental aponta para os limites do capitalismo como modo de produção e como sistema de organização social

A direita só por arrasto vem à discussão sobre as alterações climáticas e a destruição ambiental. Os mais fiéis representantes do capitalismo pressentem que o assunto toca fundo no mecanismo de produção da riqueza e, consequentemente, no domínio burguês sobre o mundo. Toca na própria economia capitalista — no primado da concorrência e da iniciativa individual sobre o planeamento social, no desperdício e na depredação de recursos que tal implica — e por isso aponta para os limites do capitalismo como modo de produção e como sistema de organização social.


Autárquicas. A utilidade de votar

António Louçã — 12 Setembro 2021

Caos. Política do país oscila entre o lobby do automóvel e o lobby do turismo – e a população que se dane.

Não há nestas eleições nenhum partido, coligação ou lista de cidadãos que, recebendo o voto dos e das cidadãs, possa garantir que os assuntos municipais ficam em boas mãos. As boas mãos são as nossas e só com elas poderemos impedir a corrupção do poder local e o pendor autocrático do poder central. Mas quem queira lutar não deve alhear-se das eleições, que são um momento entre outros dessa luta.


A crise no Magrebe. Mão estrangeira e males próprios

Manuel Raposo — 10 Setembro 2021

Manifestação em Argel. Fevereiro de 2011

O corte de relações diplomáticas, em final de agosto, entre a Argélia e Marrocos inquietou a Europa — particularmente, Espanha e Portugal — não tanto pelo conflito em si, mas por poder causar problemas ao fornecimento de gás natural vindo da Argélia, uma vez que um dos principais gasodutos atravessa território marroquino. Sossegados os espíritos com a garantia da Argélia de que o abastecimento não terá quebras, é natural que o assunto seja ignorado pelos meios de comunicação e as suas razões políticas reduzidas a mais uma briga entre árabes “que não se entendem”.


Afeganistão, NATO, UE, Portugal

Urbano de Campos — 31 Agosto 2021

Vinte anos de ocupação militar. Metade das crianças afegãs sofrem de subnutrição severa (UNICEF)

Uma cena caricata decorreu há dias (27 de agosto) no aeroporto de Figo Maduro, à chegada dos militares portugueses que estiveram em Cabul para ajudar a retirar refugiados afegãos colaboradores das forças da NATO. O “destacamento”, integrado no contingente espanhol, era composto por quatro militares que foram enviados ao Afeganistão por 72 horas e que trouxeram consigo 24 afegãos, famílias incluídas. A recebê-los, o ministro da Defesa e o presidente da República com os discursos vazios que se ouvem sempre nestas ocasiões.


A propósito de Cuba: mais vale o regresso ao capitalismo?

Manuel Raposo — 27 Agosto 2021

As forças para reerguer um movimento anticapitalista e anti-imperilalista existem

Respondo ao desafio lançado por dois leitores — Fernando Martins e António Alvão — a respeito de Cuba, em comentários que ambos fizeram ao artigo Homenagem a Otelo Saraiva de Carvalho. A posição do MV acerca de Cuba pode, em parte, ser vista no artigo que publicámos na altura da morte de Fidel Castro. Mas o assunto mantém toda a actualidade e é de importância para um debate por parte da esquerda revolucionária acerca de uma linha política internacionalista, que hoje obviamente falta para coordenar os movimentos de protesto e de libertação que surgem pelo mundo nas mais diversas formas.


Para lá da cortina de fumo

Editor — 19 Agosto 2021

Uma barragem de propaganda, nos limites do ridículo, acompanha as notícias sobre o Afeganistão. Os motes são fáceis de identificar: a sorte das mulheres (“e raparigas”, como disse o cuidadoso Guterres), a violência sobre os colaboradores do regime deposto, o perigo de um novo santuário de terrorismo internacional, o risco de mais uma maré de refugiados sobre a Europa. Em vago, tudo é possível — mas, em concreto, nenhum sinal aponta nesse sentido. Pelo contrário, os testemunhos vindos de quem avalia a situação no próprio terreno, sem ter propósitos de servir a agenda ideológica do Ocidente, mostram mesmo surpresa por tamanha mudança se passar em tão boa ordem.


O irresistível avanço taliban, ou a intrigante popularidade do terror

António Louçã — 14 Agosto 2021

Após 20 anos de ocupação imperialista, a ditadura dos taliban faz figura de mal menor

Os taliban são uma corrente político-religiosa obscurantista, reaccionária e misógina. Após décadas a fio de guerras, ocupações e ditaduras, o povo afegão irá entrar agora em mais um capítulo sombrio da sua história. Com a experiência acumulada, a grande maioria sabe certamente o que a espera. Como podem então os taliban gozar de um apoio popular tão forte que lhes permitiu vencer as maiores potências do mundo?


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