Guterres com Trump ao lado de Israel

Manuel Raposo

GuterresCMJ_100Dias depois da proeza de censurar a denúncia do apartheid israelita contra a população palestina (ver texto “Gueterres ajoelhado”, aqui publicado em 2 de Abril), o secretário-geral da ONU António Guterres, discursando a 23 de Abril no Congresso Mundial Judaico, em Nova Iorque, fez uma verdadeira profissão de fé na defesa de Israel.
Quando milhares de prisioneiros palestinos estão em greve de fome, declarou-se “na primeira linha contra o antissemitismo”. Ignorando o desrespeito sistemático de Israel pelas resoluções da ONU, afirmou que Israel deve ser tratado “como qualquer outro” estado. Desprezando a sabotagem israelita à formação de um estado palestino, defendeu “o direito inegável” à existência de Israel. Condenou o “discurso de ódio” antissemita, escondendo o discurso de ódio dos sionistas contra os palestinos. Fugindo de tratar os temas quentes, não disse palavra sobre o recente ataque militar de Israel ao aeroporto de Damasco nem sobre as ameaças ao Irão. Ler o resto do artigo »



Mais de 1500 presos palestinos em greve de fome

Greve geral em 27 de Abril na Cisjordânia e Jerusalém Leste

Urbano de Campos

BargutiEntre 1500 e 2000 palestinos detidos nas prisões israelitas entraram em greve de fome a 17 de Abril, exigindo o fim dos maus tratos a que são sujeitos e reclamando condições de detenção dignas, de acordo com as regras do direito internacional. Liberdade e Dignidade é a bandeira do movimento.
O protesto responde a um apelo lançado inicialmente por Maruan Barguti, um dos líderes da Fatah da Cisjordânia, preso desde 2002 e condenado por Israel a cinco penas de prisão perpétua por ter organizado e conduzido as Intifadas de 1987 e 2000. Negociações feitas nas próprias prisões entre militantes da Fatah e do Hamas estabeleceram um acordo para esta greve de fome conjunta, depois aprovada pelos dirigentes políticos da Cisjordânia e de Gaza. Ler o resto do artigo »



PDE é nome de arma política

“Reformar” até que o capital não tenha freio

Manuel Raposo

LagardeDraghiJá com as contas públicas de 2016 encerradas, um coro de vozes a vários tons — FMI, Banco Central Europeu, Ecofin, Comissão Europeia — veio lembrar as fragilidades da economia portuguesa, as incertezas futuras, a “insustentabilidade” dos valores conseguidos. Tudo apontando numa mesma direcção: a necessidade de “reformas”. Teve, obviamente, os esperados ecos internos vindos do Conselho das Finanças Públicas, das organizações patronais e, claro, da direita troiko-dependente. E em cima de tudo isto, as agências de rating re-confirmaram o “lixo” para que remetem a economia lusa.
Arrasta-se assim, sine die, o prazo para o esperado levantamento do chamado “procedimento por défice excessivo”, contrariando o optimismo de Marcelo e de Costa. Ler o resto do artigo »



Lutas em vários sectores laborais

Por melhores condições de vida e melhores contratos de trabalho

Pedro Goulart

greve17Trabalhadores do comércio e dos serviços, da hotelaria, dos transportes e da indústria puseram em marcha, nas últimas semanas, greves e protestos diversos por aumentos salariais e melhores contratos de trabalho. Contrariam assim a acalmia nas acções reivindicativas que se verificou com a formação do actual governo. Se esta movimentação se mantiver e se alargar a mais sectores, podem criar-se condições para uma mudança da situação vivida no último ano e meio.
A impossibilidade de o governo de António Costa dar satisfação, por um lado, às directrizes da União Europeia e às exigências do capital e, por outro lado, às justas reivindicações das classes exploradas, aponta nesse sentido. O jogo de cintura de que o governo tem dado provas, bem como a “flexibilidade” do BE e do PCP no apoio prestado ao governo, têm limites — esses limites são as necessidades dos trabalhadores em melhorarem a sua vida de forma palpável. A profunda crise do capitalismo não comporta, ao mesmo tempo, o aumento de lucro dos capitalistas e progressos significativos nas condições de vida dos trabalhadores e do povo. O caminho é a luta, sem a ilusão de que o capital e o trabalho possam sair ambos a ganhar. Ler o resto do artigo »



Editorial

Liberdade a sério

Tirando as manifestações populares, as comemorações do 25 de Abril são de há muito uma exibição das forças do poder. Discursos sobre os seus planos para o país, condecorações aos seus servidores ou aos seus personagens emblemáticos, às vezes ocasião para guerrilhas partidárias.

Mesmo as manifestações de rua se mostram cada vez mais saudosistas, sem real capacidade de intervenção política. Fala-se, claro, do que “ainda falta fazer” (Catarina Martins, BE) ou garante-se, num suplemento de ânimo, que o 25 de Abril “está carregado de futuro” (Jerónimo de Sousa, PCP). Mas a verdade é que tudo não passa de uma evocação momentânea, em que as massas, quando muito, soltam os seus gritos de alma, deixando depois “aos políticos” e ao Estado a tarefa de fazerem no resto do ano o que o povo está impedido de fazer: transformar a vida pelas sua próprias mãos, dar outro caminho ao país. E, no entanto, se houver memória, foi isto que aconteceu no breve ano e meio de Abril a Novembro. Ler o resto do artigo »



25 de Abril e unidades balofas

António Louçã

25A_1“É preciso mudar alguma coisa para tudo continuar na mesma” era um lema fundamental do velho reformismo. Havia também quem o traduzisse popularmente numa outra fórmula: “Vamos dar-lhe [ao proletariado] os anéis, para conservarmos os dedos”.
Hoje, tudo isto mudou. Quando ouvimos um governo social-democrata falar em “reformas”, devemos traduzir o calão críptico para a linguagem mais chã que falamos todos os dias: esse governo está, na realidade, a falar em contra-reformas.

O “reformismo” dos nossos tempos é um frenesi de invenções neo-liberais como o restabelecimento das jornadas de 10, 12 e mais horas diárias, o aumento da idade da reforma, o aumento de propinas e taxas moderadoras, o pagamento de cada vez mais TSU dos patrões pelos trabalhadores e outras “novidades” que no limite deveriam levar-nos de volta ao tempo da escravatura. Ler o resto do artigo »



Bónus ao partido com mais votos?

Truques eleitorais na democracia burguesa

Pedro Goulart

MontenegroO líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, numa intervenção como convidado de um almoço do International Club of Portugal, em Lisboa, advogou que, apesar de nas legislativas em Portugal se votar para eleger deputados, “escolher em eleições legislativas significa escolher um caminho”, privilegiar a escolha que o povo fez num líder ou numa liderança, e afirmou não estar “a olhar para trás”, para as eleições de 2015, mas a apresentar ideias para futuros actos eleitorais.
Por isso, desafiou os partidos de esquerda a ponderarem um sistema eleitoral como o da Grécia, sistema preparado pela burguesia deste país, em que o partido vencedor obtém um ‘bónus’ de 50 deputados, permitindo mais facilmente obter maiorias absolutas. Ler o resto do artigo »



Guterres ajoelhado

EUA e Israel apagam denúncia de apartheid

Manuel Raposo

RimaKhalafDurou menos do que seria de esperar a anunciada “nova era” da ONU, com o recém-eleito secretário-geral António Guterres à frente. Dois meses depois de ter tomado posse, Guterres viu-se confrontado com um relatório publicado sob responsabilidade da Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental, um organismo da ONU liderado pela jordana Rima Khalaf, de que fazem parte 18 países árabes, que acusava Israel de praticar apartheid contra a população palestina. “Israel estabeleceu um regime de ‘apartheid’ que domina o povo palestino como um todo”, dizia o texto.
Cedendo, sem apelo e sem resistência, às pressões dos EUA e de Israel — que não se fizeram esperar — Guterres mandou retirar o relatório do site da ONU. Recusando-se a aceitar a decisão, Rima Khalaf demitiu-se em protesto. Ler o resto do artigo »



A chantagem prossegue

E Dijsselbloem é apenas um cão de Schauble que não quer perder o tacho

Pedro Goulart

DijsSchaubleQuem já se esqueceu dos avisos, das pressões e das ameaças da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu que pairaram sobre Portugal durante a elaboração e a execução do OE 2016? E a propósito do OE 2017? As cúpulas da troika nunca digeriram bem a actual solução governativa portuguesa, apesar desta não extravasar o quadro do sistema capitalista. Mesmo agora, depois de conhecido o défice do OE 2016 (2,1% do PIB, abaixo das exigências da UE) e de Portugal ir, consequentemente, sair em breve do “procedimento por défice excessivo”, significativa e ameaçadoramente Wolfgang Schauble acena-nos com eventuais novos resgates e o BCE, de Mário Draghi, defende a aplicação de multas ao nosso país, por “desequilíbrios macroeconómicos”. Ler o resto do artigo »



Derrotar o ninho de víboras

EUA aumentam gastos militares à custa das verbas sociais

Fred Goldstein (*)

TrumpO governo Trump prossegue a sua política de ataque às massas trabalhadoras e imigradas. O chefe do Departamento de Segurança Interna, general John Kelly, assinou diversos memorandos que alargam amplamente a definição de imigrantes indocumentados, imediatamente sujeitos a deportação.
Têm sido realizadas detenções aleatórias em todo o país. O medo instala-se nos bairros, desde Long Island a Los Angeles a Chicago e às áreas de fronteira. Os imigrantes têm medo de andar de carro ou de ir até uma loja com receio de serem apanhados pelos agentes da Imigração e da Alfândega. Atravessar a fronteira é agora considerado um crime sujeito a deportação. Isto aplica-se a 11 milhões de pessoas. Além das deportações, há uma escalada de assédio arbitrário que se multiplica por todo o país. Ler o resto do artigo »



Teodora, sob a capa da “ciência económica”

Pedro Goulart

TeodoraAs declarações de Teodora Cardoso à Rádio Renascença e ao Público sobre o défice orçamental de 2016 (que ficou em 2,1% do PIB), geraram forte polémica. Anteriormente, a economista considerava que atingir a meta proposta pelo governo era uma questão de fé. “Houve milagre?”, perguntaram-lhe agora os jornalistas. “Até certo ponto, houve”, respondeu ela.
Desde Janeiro de 2012 à frente do Conselho de Finanças Públicas, nomeada pelo governo Coelho-Portas, Teodora Cardoso defendeu a linha dos chamados cortes “estruturais”, afirmando que o programa do PSD-CDS era “prudente, credível e fundado na melhor e mais sofisticada ciência económica” e que, por isso, a sua “racionalidade” a levava a saudar essas medidas “científicas”. Nas suas análises e previsões, esteve geralmente com a troika, em companhia da Comissão Europeia, do FMI, da OCDE e do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble. Ler o resto do artigo »



Editorial

Capital a salto

Do que já foi revelado sobre os 10 mil milhões de euros que saíram do país a salto, é possível perceber umas quantas coisas.
Uma, tratou-se de um encobrimento e não de um lapso. Duas, a decisão envolve o governo de cima a baixo. Três, o propósito foi esconder uma fuga programada e regular de capitais. Quatro, essa fuga atingiu em média mais de 4 mil milhões por ano entre 2010 e 2014 e saltou para 9 mil milhões em 2015, quando em 2009 ficara pelos 800 mil. Cinco, a concentração de riqueza que isto revela dá-se justamente nos anos mais duros da chamada “austeridade”. Seis, a “disciplina orçamental” destinava-se a produzir uma acumulação de capital em poucas mãos. Sete, para que o processo funcionasse, era preciso facilitar não só a acumulação mas também a fuga dos capitais para zonas seguras ou de mais rendimento. Oito, não convinha, pois, que se ficasse a saber que uma tal concentração de riqueza em poucas mãos era o directo reverso da penúria a que a maioria do povo foi forçado. Ler o resto do artigo »



O caminho para o impeachment de Trump

António Louçã

NoTrumpAo longo do último século, a história das presidências norte-americanas foi uma ininterrupta passerelle de vilões, cínicos, perversos, tarados, sanguinários, gananciosos ou mentecaptos. Houve entre os inquilinos da Casa Branca quem tivesse alguns destes atributos e houve quem os tivesse todos. Mas é verdade que Donald Trump está para além destas características comuns ou recorrentes das várias presidências.
O novo presidente dos EUA já foi comparado com Nixon pela sua paranóia obsessiva, com Reagan pela sua estupidez ortorrômbica, com Bush filho pela sua ignorância esparvoada. Também se esboçaram comparações com Truman, no que respeita à apetência pelo gatilho nuclear, com Kennedy ou Clinton no que respeita à indiscreta voracidade sexual e, no seu caso, a um exibicionismo verdadeiramente fanfarrão. Ler o resto do artigo »



Enquanto os trabalhadores apertavam o cinto

Fuga de milhares de milhões de euros a coberto do governo PSD/CDS

Carlos Completo

VGasparMLAlbuqEntre 2011 e 2014 saíram de Portugal para vários offshores mais 10 mil milhões de euros do que tinha sido inicialmente apurado, num total de 17 mil milhões, que terão escapado a qualquer controlo da Autoridade Tributária (AT). E, de acordo com um requerimento do PS, visando um esclarecimento da situação, “durante os mandatos dos ex-ministros das Finanças Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque e do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, ficaram por tratar cerca de 20 declarações de instituições financeiras”, envolvendo diversas empresas e pessoas, que representavam mais de 9800 milhões de euros. Com um significativo pico das transferências financeiras efectuadas para offshores na proximidade das eleições legislativas de 2015, que previsivelmente iriam derrubar o odioso governo do PSD/CDS. Ler o resto do artigo »



Terror contra ciganos no Alentejo

SOS Racismo denuncia ataques racistas em Santo Aleixo da Restauração

KKKimage12Em comunicado divulgado em 24 de fevereiro, o SOS Racismo dá conta de uma série de ataques recentes cometidos contra os ciganos residentes na povoação de Santo Aleixo da Restauração, Moura, que surgem na sequência de outros ataques e ameaças cometidos entre setembro e novembro do ano passado. Nos últimos dias houve ameaças de morte pintadas por toda a povoação, bombas foram lançadas para os quintais das casas. Antes disso, tinham sido colocados caixões junto das portas, um cavalo foi envenenado, e foram incendiados carros, casas e uma igreja. Como refere o SOS Racismo, apesar da gravidade destes actos e das denúncias feitas, as autoridades nada fizeram, encorajando deste modo os criminosos, que continuam impunes. É este o texto divulgado. Ler o resto do artigo »



A actualidade de José Afonso

AJA assinala 30 anos da morte do poeta com várias iniciativas

Pedro Goulart

zeca_afonsoJosé Afonso — poeta, compositor, intérprete, resistente antifascista, militante da esquerda revolucionária, homem corajoso e homem solidário — continua hoje, 30 anos após a sua morte, a 23 de Fevereiro, como um forte exemplo, pelo difícil combate político que travou durante décadas da sua vida. Esta figura-chave da música popular portuguesa contribuiu decisivamente, com Os Vampiros, para a fundação do canto político no nosso país. E a sua Grândola Vila Morena permanece como um símbolo do derrube do fascismo em Portugal. Ler o resto do artigo »



Carlos Silva

Líder sindical ou serviçal do patronato?

Pedro Goulart

carlossilva_ugt_passosEm 2015, em entrevista à Antena 1 e ao Diário Económico, e a propósito da formação do novo governo, Carlos Silva afirmava que as forças à esquerda do partido socialista não davam garantias de estabilidade para o futuro e que a central sindical UGT preferia que o PS fizesse um acordo com a coligação PSD-CDS/PP. “Quem ganhou as eleições, sem maioria absoluta mas ganhou, foi a coligação PSD/CDS”, afirmava Carlos Silva. Assim, o Presidente da República deveria, na opinião do dirigente da UGT, “convidar o dr. Passos Coelho, para encontrar soluções que garantam um governo a quatro anos”. Assim, para Carlos Silva, ele e a UGT preferiam uma solução abertamente ao serviço do capitalismo. Ler o resto do artigo »



A vitória da Síria

Notas sobre a viragem militar e política na guerra

Manuel Raposo

AlepoA conferência de Astana, Cazaquistão, realizada em 23 e 24 de Janeiro, que juntou os dirigentes sírios e representantes da oposição (basicamente o chamado Exército Livre da Síria), marcou uma importante viragem política na situação vivida na Síria nos últimos seis anos, depois da viragem militar que representou a reconquista de Alepo em final de Dezembro.
Mesmo não podendo para já considerar-se uma vitória definitiva, a mudança que agora se pode observar — traduzida no cessar-fogo, no reconhecimento da legitimidade do regime sírio, na abertura de negociações, no isolamento dos rebeldes — representa uma derrota dos planos dos imperialistas norte-americanos e europeus de fazerem da Síria o que fizeram do Iraque e da Líbia. Ler o resto do artigo »



Resistir contra o genocídio de um povo

Israel lança mais colonatos contando com apoio de Trump

Comité de Solidariedade com a Palestina

muro_israelNakba é a palavra árabe para designar a catástrofe que foi a fundação do Estado de Israel no território da Palestina. A “catástrofe” deveu-se ao facto de existir um povo de carne e osso nessas terras supostamente desabitadas que iriam abrigar a invenção de um “povo judeu”. A catástrofe foram os massacres de 1947-48 pelas milícias sionistas, a destruição de aldeias palestinianas e a expulsão dos seus habitantes.
A grande tragédia desta catástrofe é a voracidade insaciável do Estado de Israel, que até hoje omite desenhar as suas fronteiras nacionais em qualquer atlas geográfico, na certeza de que elas serão sempre e sempre alargadas. Ler o resto do artigo »



O seu a seu dono

Na morte de Mário Soares

Manuel Raposo

Portugal's former President and PM Soares is seen during an interview with Reuters in LisbonDo enorme esforço de propaganda desenvolvido, até à náusea, nos dias seguintes à morte de Mário Soares ressalta o propósito de criar a imagem de um Soares coerente em todo o seu percurso de vida política — antes e depois de 74 —, sempre do mesmo lado da barricada. É um expediente que convém à direita e ao poder instalado, que por isso o crismam sem problemas de “pai da democracia” e o apresentam como lutador indefectível pela “liberdade”. Soares é de facto um dos pais desta esvaziada democracia e da liberdade sem freio de que desfruta a burguesia pós-abrilista. Mas não mais do que isso. Ler o resto do artigo »





Continua a luta dos trabalhadores gregos

Ontem, 17 de Maio, foi levada a cabo a primeira greve geral de 2017 na Grécia. A paragem generalizada verificou-se no dia em que o parlamento grego iniciou a discussão de um pacote de leis para fechar a segunda revisão do programa de resgate, que inclui um corte nas pensões a partir de 2019 e subidas de impostos a partir de 2020.
Os sindicatos baptizaram esta medida de “quarto memorando” por se tratar de ajustes adicionais, não previstos no terceiro resgate, que se aplicarão quando terminar o programa actual.
A greve foi apoiada pelos controladores aéreos e por trabalhadores do metro, autocarros, eléctricos e do transporte ferroviário.
Os hospitais apenas disponibilizaram serviços mínimos, já que os médicos e pessoal hospitalar estão em greve de 48 horas, que se prolonga até hoje, quinta-feira.
Também os reformados e sectores autónomos, como médicos do privado, engenheiros e advogados se uniram à mobilização.
Igualmente, os sindicatos convocaram manifestações para Atenas e outras cidades de maior dimensão no país, exigindo o fim da austeridade e a devolução dos direitos roubados. Houve vários confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Democratas e antifascistas de quilate

O PCP e o BE propuseram à Assembleia da República, em 11 de Maio, um voto de apoio aos presos palestinos com três pontos: solidariedade com os presos, exigência de cumprimento por parte de Israel do direito internacional e reafirmação pelo Estado português da coexistência de dois estados, Palestina e Israel. Apesar da singeleza, quase inóqua, da moção — que apenas reafirma coisas que se julgariam assentes — só dois dos três pontos foram aprovados.
O resultado da votação é significativo da qualidade dos nossos democratas e aqui fica registado. O primeiro ponto foi aprovado com os votos contra do PSD e do CDS-PP e da deputada do PS Rosa Albernaz. O segundo ponto foi rejeitado com os votos contra dos mesmos e com a abstenção do PS. O terceiro ponto foi aprovado por todas as bancadas, mas com os votos contra de João Rebelo e João Almeida, ambos do CDS-PP.
De entre os deputados do PS apenas quatro (Isabel Santos, Wanda Guimarães, Paulo Pisco e Bacelar Vasconcelos) votaram a favor de todos os pontos.

O sangue da manada

Os manejos da União Europeia sobre o défice e a dívida pública não se destinam só a Portugal. Pela mesma altura que o holandês Dijsselbloem lançava a suas atoardas contra os países do sul (como bom colonialista que vê nos índios e nos negros apenas preguiçosos), o alemão Schauble punha a hipótese de colocar a Grécia fora do euro (como se a expulsasse do Espaço Vital alemão). Ou isso ou, mais “reformas”, disse ele.
Tais “reformas”, depois de tudo o que já foi “reformado” na Grécia, só poderiam significar destroçar a sociedade grega e reduzir os gregos a escravos.
Talvez porque comece a ver que esta via das “reformas” está esgotada, Schauble já admite a possibilidade de afastar a Grécia do euro. Porquê? Ler mais »

Dito

O banqueiro diferencia-se do velho usurário por emprestar ao rico e nunca ou raramente ao pobre. Ele empresta, portanto, com menos risco e pode permitir-se fazê-lo com melhores condições; e, por estas duas razões, escapa ao ódio que caracterizava os sentimentos do povo contra o usurário.
F.W. Newmann, 1851, citado por Karl Marx

Para reeducação

Uma agente da CIA, a luso-americana Sabrina de Sousa, foi condenada em 2007 por um tribunal italiano a quatro anos de cadeia por cumplicidade no rapto do imã de Milão Abu Omar. A operação foi planeada e executada pela CIA e pelos Serviços Secretos Militares italianos em Fevereiro de 2003 no âmbito das operações “extraordinárias” ditas de luta contra o terrorismo desencadeadas pela administração Bush. Omar foi enviado para o Egipto e aí torturado a cargo do ditador Hosni Mubarak, a quem os EUA encomendavam tais serviços. Apesar de inocente de quaisquer acusações, Omar só foi libertado em 2007.
Nesse ano, a justiça italiana julgou o caso e condenou os implicados no crime, incluindo os agentes da CIA, mas todos acabaram por ser perdoados, por intervenção das autoridades dos EUA. Restava Sabrina. Ler mais »

Pivot

Depois de ter sido posto fora do governo do seu amigo Passos Coelho por indecência e má figura, Miguel Relvas adoptou um perfil discreto: dedica-se na mesma a negócios chorudos mas sem estardalhaço. Recentemente, reforçou para 32% a sua carteira de acções da empresa Pivot, a qual é detida nos restantes dois terços por uma tal Aethel. A Pivot comprou em 2015, por 38 milhões de euros, a Efisa (um dos ramos do falido BPN) em que o Estado enterrou 77,5 milhões. Quem se movimenta também pela Pivot é o amigo Dias Loureiro, responsável pelo desfalque no BPN.
Acontece que a Aethel fez uma proposta para aquisição do Novo Banco, pelo que Relvas e Loureiro, esses dois modelos de seriedade, podem em princípio deitar a mão, com papel de relevo, a uma fatia importante da finança lusa.
O caminho, porém, parece estar difícil. Ler mais »

Xutos & Pontapés na política

A cançoneta “Alepo” que os X&P lançaram recentemente aproveita a comoção forjada sobre a guerra na Síria quando se adivinhava a derrota dos rebeldes. Compuseram a letra, dizem, com as frases de uma menina síria (Bana Alabebe, celebrizada pelos média ocidentais) que teria usado o twitter para contar as ocorrências da guerra na zona leste de Alepo ocupada pelos rebeldes e sitiada pelo exército sírio. Há sérias dúvidas de que a menina fizesse o que se diz, pelo simples facto, denunciado por jornalistas não sujeitos à bitola ocidental (mas que por cá não se fazem ouvir), de que não havia internet na zona leste de Alepo… (Esses mesmos jornalistas contavam que tinham de se deslocar aos hotéis onde se alojavam para poder transmitir as suas reportagens). Ler mais »

Temos programa

Insurgindo-se contra a “falta de sentido” de metade da riqueza mundial estar nas mãos de 1% da população, o director do Diário de Notícias, Paulo Baldaia, alerta que essa “injustiça” torna os eleitores “permeáveis ao populismo”, e leva-os a elegerem “maus governos”. Indignado, Baldaia clama que “não podemos ficar reféns de megacapitalistas que querem tudo para eles”. Tentando ir mais fundo, Baldaia analisa: “o maior erro da globalização” foi o de “não ter precavido” os direitos sociais dos trabalhadores “em zonas do globo mais pobres”. E propõe: “maior justiça social, assente numa economia de mercado com uma melhor distribuição da riqueza criada”. É todo um programa em poucas linhas.
Mas como queria PB que a globalização respeitasse Ler mais »

Chef Avillez colabora

A fachada do restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, foi pintada de vermelho por causa da participação do chef José Avillez num festival gastronómico em Israel. Na fachada podia ler-se: “Liberdade para a Palestina”, “Avillez colabora com a ocupação sionista” e “Entrada: uma dose de fósforo branco”.
O chef José Avillez participou no festival gastronómico Round Tables, em Israel. Trata-se de um festival que decorre até final de Novembro e que conta com a participação de vários chefs internacionais de renome. Mas a visita de Avillez a Tel Aviv gerou críticas, nomeadamente por parte do movimento pró-palestiniano Boicote, Desinvestimento e Sanções, ou BDS — um movimento criado em 2005 para exigir a imediata descolonização israelita e o derrube do muro da Cisjordânia.
O blogue Palestina Vence informa que vários activistas contra o regime israelita de ocupação e apartheid lançaram Ler mais »

A teta das PPP

A empresa Auto-Estradas do Atlântico exige ao Estado uma indemnização de perto de 30 milhões de euros que um tribunal arbitral lhe concedeu depois de ter reclamado 530 milhões de “reequilíbrio financeiro” ao abrigo da PPP que tem com o Estado. Isto porque, com a instalação, em 2013, de portagens em Scut que levavam tráfego à A8, a AEA perdeu clientes. Ou seja, o cidadão paga por dois lados: nas novas portagens das Scut e nas indemnizações aos mamutes das PPP.
E como a coisa rende também na Saúde, o Grupo CUF investe em novos hospitais e clínicas: só em 2016 perto de 250 milhões de euros. No total, tem 15 unidades, duas delas ao abrigo de PPP.
É claro que tais investimentos não se justificariam se a Saúde pública fosse plenamente eficaz, como também é evidente que o capital privado tudo fará para impedir que o seja.
No ano passado as quatro PPP na área da Saúde custaram ao Estado 430 milhões de euros.

Espertezas

Cidadãos cipriotas recorreram ao Tribunal de Justiça da UE para que a troika fosse condenada por os ter obrigado a pagar os buracos dos bancos. O tribunal não lhes deu razão, embora admitisse que os cidadãos têm o direito de processar a troika. Tanto bastou para que Rui Tavares (Livre) exultasse com a possibilidade, que só ele vê, de “ser feita justiça”, por iniciativa dos “milhões” de cidadãos “directamente prejudicados” pela troika. Tavares lá concede, num assomo de senso, que “não será fácil” ganhar a causa, mas “com um caso bem preparado”…
Tavares parece não ter notado que o tribunal agiu como alguém preconizava sobre as eleições: dê-se ao povo o voto mas não o poder.
A ânsia de Rui Tavares em fazer da UE o melhor dos mundos (só que mal orientado) leva-o à beira do ridículo. E leva quem o toma a sério a embarcar em mais umas ilusões sobre a “reforma” das instituições — como se o poder da UE se deixasse abalar com espertezas.

De encomenda

A jornalista Sofia Lorena, falando da guerra na Síria, opinou no Público (21 Setembro) contra o presidente Assad como quem satisfaz uma encomenda. Quando a própria ONU manifestava dúvidas sobre quem teria bombardeado um comboio humanitário perto de Alepo, causando 20 mortos (facto noticiado na página ao lado do texto de Lorena), a jornalista acusa Assad sem rebuço porque ele “sabe que ninguém lhe toca”. Já o ataque dos EUA às tropas sírias, dias antes, causando 90 mortos, foi para ela obviamente um engano, porque os EUA assim o disseram. O dislate vai ao ponto de acusar Assad de se “preparar para reconquistar toda a Síria” — o país de que ele é presidente legítimo! Sabe Lorena o que é o Direito Internacional? Sabe que as acções militares dos EUA na Síria são ilegais face à Carta das Nações Unidas?

PS (m-l)

Alfredo Barros, um militante de longa data do PS de Matosinhos, envolveu-se numa disputa azeda com o líder da distrital do Porto, Manuel Pizarro. O pano de fundo são as eleições autárquicas do ano que vem e o motivo foi a decisão de retirar Barros da candidatura à câmara de Matosinhos. Barros acusa Pizarro de tomar decisões “nas costas dos militantes”, de forma “cobarde”. Humilhado, Barros aponta a raiz do comportamento de Pizarro: o seu perfil “marxista-leninista” e a sua condição de “infiltrado” no PS. Calma Alfredo Barros, escusa de fazer crer que o mal vem de fora. O PS tem, juntamente com a direita, um historial imbatível de facadas nas costas e corrida aos tachos.

Papéis do Panamá: que é feito do assunto?

Jornalistas ditos impolutos, média ditos de referência, entre nós particularmente o Expresso e a TVI, gente dita muito determinada a investigar a corrupção, fizeram da divulgação inicial dos chamados Papéis do Panamá um folhetim que quase todos dias nos entrava pela casa dentro. Mas recordemos que estes Papéis foram entregues ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação(ICIJ), sediado em Washington (EUA) e financiado,entre outras, por fundações ligadas aos Rockefellers, Soros, Ford, Jewish Community Federation e Microsoft.
Porque o jornalismo está em crise e a tabloidização prossegue Ler mais »

Um nojo

No âmbito da iniciativa “Prémios EDP solidária 2016″, que ocorreu no Museu da Electricidade, António Costa foi abordado por Eduardo Catroga, chairman da EDP e ex-ministro das Finanças do PSD, que atacou: “Os acionistas da EDP precisam de conversar consigo”. Costa, incomodado, respondeu apenas: “Muito bem, muito bem”. Por momentos, o primeiro-ministro conseguiu “iludir” Catroga, mas este voltou à carga mais à frente, agarrando Costa pelo braço. “Se você precisar de mim para dar aí alguns entendimentos eu disponho-me a isso”, garantiu Catroga. E insistiu:”Porque eu tenho essa visão da política, que não é partidária”. A imagem que ficou deste chairman na televisão foi a de um Catroga (já bem conhecido) sabujo e mercenário – um nojo.