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Pedro Goulart
O governo PSD/CDS tem-se assumido desde o início do seu mandato como um bando extremamente perigoso, quer pelos brutais assaltos levados a cabo contra as classes trabalhadoras e a maioria do povo, quer pelas divisões — dividir para reinar — que tem procurado criar na sociedade portuguesa: novos contra velhos, trabalhadores do sector privado contra trabalhadores da função pública, desempregados contra pensionistas, etc. Nestas tarefas criminosas, o governo de Passos/Portas tem contado com a prestimosa colaboração e o apoio mercenário de um nutrido núcleo de jovens assessores governamentais, assim como de vários “analistas” de serviço à comunicação social do regime. E com a cobertura institucional de Cavaco Silva. Ler o resto do artigo »
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Editorial
A política de austeridade chegou a um limite a partir do qual não poderá prosseguir sem o concurso de outras forças além das que compõem o governo. A ideia do banqueiro Ulrich de que o povo aguenta mais (porque ainda não está todo ele de mão estendida pelas esquinas…) traduz a convicção íntima da burguesia dominante. Mas, para ir avante, tal linha precisa de uma União Nacional. É esse o sentido do apelo, de todos os sectores das classes dirigentes, para que o PS seja incluído no “esforço patriótico”. Ler o resto do artigo »
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António Louçã
A histeria do Governo em torno do chumbo de alguns pontos, nem por isso muitos, do OE no Tribunal Constitucional não parece vinda de quem paga, sem pestanejar, a factura do BPN, a dos swaps, a das PPP e tantas outras. É que o preço do chumbo andará por um quarto ou um quinto do buraco negro do BPN, que nunca mais acaba de revelar-se em toda a sua extensão, metade dos swaps, uma fracção ínfima das PPP.
Mas a Constituição só deve cumprir-se enquanto for de borla e os compromissos com os bancos já se sabe que têm um preço. E, para o preço do BPN, o Governo até tem um argumento que começa a faltar-lhe em tudo o mais: é que ele deve ser tão óbvio e inquestionável que até o PS, no seu tempo de Governo, se pôs também a pagá-lo sem discutir. Para o dos swaps, tem o de os negócios de casino virem do tempo da governação PS. Para o das PPP, o de ter sido essa governação socialista a fabricá-las em série. Ler o resto do artigo »
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Pedro Goulart
Uma greve de fome, que se prolonga há 60 dias, atinge actualmente mais de metade dos 166 prisioneiros de Guantánamo. E alguns deles já estão a ser alimentados à força. Os prisioneiros combatem pela defesa dos mais elementares direitos humanos, incluindo os religiosos. Um deles, preso há 11 anos sem acusação nem julgamento, é o árabe Shaker Aamer, um prisioneiro de origem britânica. Ele afirmou ao jornal Observer que já tinha perdido um quarto do seu peso desde o início da greve. Ler o resto do artigo »
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Uma situação de guerra latente que interessa aos EUA
Manuel Raposo
A dramatização acerca da situação na península coreana que desde há meses vem sendo feita pelos meios de propaganda ocidentais baixou de tom nos últimos dias. As intervenções diplomáticas da Rússia e da China apelando à moderação e uma declaração dos responsáveis norte-americanos e sul-coreanos de que pretendem encontrar uma solução negociada fizeram baixar a fervura do conflito. Entretanto, a opinião pública ocidental foi bombardeada de modo concertado com a ideia de que foi a Coreia do Norte (República Popular Democrática da Coreia) que iniciou a “provocação” e a escalada militar e que os 25 milhões de norte-coreanos são governados por um jovem louco que se quer afirmar como líder. Mas esta montagem não resiste a uma observação atenta dos factos recentes e passados. Ler o resto do artigo »
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Carlos Completo
Enquanto o sistema capitalista se vai afundando, surge em Portugal mais uma tentativa de melhorar um regime político apodrecido. Tentativa, em parte, não muito distante dos limitados e contraditórios objectivos da esquerda institucional – PCP e BE. O “Manifesto pela Democratização do Regime”, onde se misturam numa santa aliança alguns homens e mulheres provenientes de diversos sectores da esquerda e da direita, abrangendo economistas, gestores, professores universitários, escritores e empresários, manifesta a sua preocupação com o estado a que isto chegou. Os autores criticam a situação económica e política, pretendendo interpelar “a consciência dos portugueses no sentido de porem em causa os partidos políticos que, nos últimos vinte anos, criaram uma classe que governa o País sem grandeza, sem ética e sem sentido de Estado, dificultando a participação democrática dos cidadãos e impedindo que o sistema político permita o aparecimento de verdadeiras alternativas”. Como se mudando os actuais governos do capital por outros gestores do capital se melhorasse a vivência democrática dos portugueses! Ler o resto do artigo »
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Uma comunicação cínica, vigarista e revanchista
Pedro Goulart
O chumbo do Tribunal Constitucional (TC) a alguns dos mais penalizantes artigos do Orçamento de Estado para 2013 gerou reacções indignadas de dirigentes do PSD e do CDS, de vários abutres do capital, nomeadamente Eduardo Catroga e Vítor Bento, de alguns assalariados do patronato nos media, assim como uma “resposta” cínica, vigarista e revanchista de Passos Coelho na comunicação social. O primeiro-ministro, armando-se em vítima e transformando o TC em bode expiatório da sua nefasta política, aproveitou a oportunidade para ameaçar com mais e pesados cortes nas áreas que desde o início do seu mandato sempre pretendeu atacar: Saúde, Educação, Segurança Social e empresas públicas. Mas Passos Coelho não referiu a necessidade de cortes significativos noutras áreas como a Defesa, Segurança/polícias ou nos gastos com a Dívida. Porque será? Ler o resto do artigo »
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Com Sócrates mascarado de D. Sebastião
Manuel Raposo
Tudo se disse a propósito do regresso de José Sócrates à ribalta, agora como comentador político: que vinha disputar a liderança do PS, atacar o governo, vingar-se do presidente da República, desforrar-se dos críticos, candidatar-se a novos voos na política nacional, e o mais que a imaginação pode produzir. Tudo isto é ou pode ser verdade — mas que factor permitiu que esta nova aventura de José Sócrates se transformasse num vendaval político? A meu ver, o beco sem saída em que se encontra a burguesia portuguesa (e com ela todo o regime), sem capacidade de fazer frente à crise económica, confrontada com crescentes protestos populares e por isso mesmo progressivamente afundada numa crise política. Ler o resto do artigo »
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Pedro Goulart
Sobre a necessidade de aumento do salário mínimo nacional, defendida por trabalhadores e sindicatos (e até por algumas confederações patronais), um conjunto de indivíduos têm-se pronunciado de forma nojenta contra esse aumento, embora todos eles recebam valores mensais várias vezes superiores aos fixados 485 euros.
Passos Coelho afirmava recentemente na Assembleia da República que, para diminuir o desemprego, seria necessário reduzir o SMN e não aumentá-lo. Aliás, para António Borges, conselheiro do governo, “o ideal era até que os salários descessem como solução para resolver o problema do desemprego”. Também o economista Vítor Bento, conselheiro de Cavaco Silva, e o capitalista Belmiro de Azevedo, líder histórico da Sonae, afinam pelo mesmo diapasão, dando uma ajuda à orquestra que toca contra o salário mínimo. Belmiro de Azevedo, defende salários mais baixos, sob o pretexto de que sem mais mão-de-obra barata não há emprego para todos! Ler o resto do artigo »
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20 Março 2003 / 20 Março 2013. O Iraque foi ocupado há 10 anos
Comunicado da Comissão Coordenadora do Tribunal-Iraque
Os dez anos decorridos sobre a invasão do Iraque exigem uma evocação e um balanço.
Desde 20 de Março de 2003, um milhão e meio de iraquianos morreram em consequência da guerra. Cinco milhões de pessoas estão deslocadas no interior ou no exterior do país. Há um milhão de viúvas e cinco milhões de órfãos. Estes números foram divulgados em Fevereiro de 2012 pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU.
Não falando já do embargo que estrangulou o Iraque entre 1991 e 2003, nos últimos dez anos as forças militares dos EUA e dos seus aliados procederam a ataques deliberados contra a população civil, tanto em operações terrestres como aéreas. Fizeram uso de armas proibidas com consequências devastadoras, imediatas e a longo prazo, para as pessoas, os solos, as águas e o meio ambiente. Estes factos são testemunhados por estudos científicos independentes, designadamente os que se debruçaram sobre o caso da cidade de Faluja. Ler o resto do artigo »
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Documento
Uma perspectiva comunista
“O que se passa sob os nossos olhos é a falência do sistema produtivo capitalista. É uma civilização inteira que se decompõe. A presente crise tem pois um potencial revolucionário como não tiveram as crises do passado mais recente: ela é o sinal de que se fechou a época de expansão capitalista iniciada com o segundo pós-guerra e que se criam, com isso, condições para um novo ciclo revolucionário à escala mundial”.
Este é um dos pontos de vista expressos no manifesto Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo – Uma perspectiva comunista, divulgado no início deste ano, que publicamos de seguida na íntegra. Ler o resto do artigo »
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Também na Venezuela é o povo quem mais ordena
Manuel Raposo
Fortemente dependentes da figura de Hugo Chávez, as transformações realizadas na Venezuela irão sofrer certamente com o seu desaparecimento. Mas é de acreditar que o povo venezuelano, tendo ganho a percepção dos ganhos sociais resultantes da Revolução Bolivariana, não abdique nem da defesa dos seus interesses nem do caminho de independência face ao imperialismo.
Eleito pela primeira vez em 1998, Hugo Chávez pôs em prática uma política popular financiada nos enormes recursos naturais do país, especialmente o petróleo. Para isso, nacionalizou grande parte das empresas que exploravam tais recursos enfrentando os interesses estrangeiros e os capitalistas nacionais a eles agregados. Ler o resto do artigo »
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Editorial
As grandes manifestações de 2 de Março voltaram a trazer à rua, de norte a sul, centenas de milhares de vozes contra o rumo que o país segue, mostrando pelo menos quatro coisas.
Primeira, o movimento que se levantou em Setembro passado voltou a erguer-se. Não se esgotou, não definhou em números e reforçou os seus alvos político ao focar-se na austeridade, no governo e na troika.
Segunda, fica a nu a corrupção desta democracia feita à medida dos poderosos e dos ricos. O truque de dizer que as eleições conferem a um governo legitimidade por quatro anos, faça ele o que fizer, já não convence. Desprezando esta vigarice e reclamando que o governo se vá embora já, as pessoas afirmam que esta democracia formal não lhes serve. Ler o resto do artigo »
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Povo unido
Passos Coelho, Miguel Relvas, Vítor Gaspar, Santos Pereira, Miguel Macedo, Paulo Macedo, Nuno Crato,… os símbolos de um governo detestado, foram sucessivamente perseguidos e vaiados nas últimas semanas, em todo o lado, por manifestantes que não pouparam palavras para dizerem o que pensam deles.
A 2 de Março, por todo o país, centenas de milhares de pessoas, com destaque para inúmeros jovens e reformados, confirmaram o desprezo que têm por um governo que lhes lixa as vidas mandando lixar tanto o governo como a troika.
Gatunos, Estamos fartos de ladrões, Devolvam o que nos roubaram – foram protestos repetidamente ouvidos.
Em síntese de tudo isto, ressalta um propósito político claro: Não à austeridade! Governo para a rua, já! E reforça-se uma convicção: O povo unido jamais será vencido!
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António Louçã
O colectivo que convocou a manifestação de 2 março lançou, na campanha para preparar essa manifestação, a série de acções a interromper discursos de ministros, ao som da “Grândola, Vila Morena”. Foi uma forma, pacífica mas incisiva, de chamar a atenção para o ror de mentiras que encobre uma política devastadora. Com imaginação e criatividade, os e as organizadoras dos protestos granjearam simpatia em larguíssimas camadas da população.
Os ministros, como sempre fazem quando se sentem encurralados, como já tinham feito em 15 de setembro perante a manifestação que os tratava de “gatunos”, tentaram fingir que não era com eles, colar-se aos protestos e lisonjear os protestatários. Fê-lo, na forma alvar que lhe é própria, Miguel Relvas, que por alguma razão insondável tinha sido convidado para um “Clube de pensadores”. Fê-lo também Passos Coelho, ao homenagear a “forma simpática” como fora interrompido. Ler o resto do artigo »
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Pedro Goulart
Em recente entrevista a Judite de Sousa, na TVI24, com Medina Carreira de permeio, e a propósito do previsto corte de 4000 milhões de euros nos gastos permanentes do Estado (conforme combinação entre o governo e a troika) o general Loureiro dos Santos afirmou que os cortes previstos para as Forças Armadas (FFAA), se levados a cabo, podiam gerar indisciplina nos meios militares.
Da intervenção de Loureiro dos Santos, para além de uma crítica contundente ao relatório do FMI sobre os cortes no aparelho do Estado, ressaltou claramente um aviso/chantagem sobre o que poderia acontecer se o governo de Passos Coelho não cedesse às exigências dos chefes militares. Segundo o antigo vice-chefe do EMGFA, colocados os militares perante a incapacidade de cumprirem as suas missões, tornar-se-ia plausível uma insubordinação das FFAA. Ler o resto do artigo »
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Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena!
José Borralho
Estou de acordo com o propósito certeiro dos promotores da acção de que este governo deve cair e, por isso, apoio inteiramente as manifestações do dia 2 de Março, e apelo a que todos participem para levar adiante esse objectivo: Governo Rua!
É com este propósito que tenho também participado nas manifestações da CGTP.
Vivemos momentos qualitativamente novos no nosso país que derivam da crise profunda da sociedade burguesa; da decadência da sua economia, da decadência dos seus valores morais que se expressam na corrupção e no enriquecimento escandaloso de uma minoria. Ler o resto do artigo »
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Manuel Raposo
Vinhais, Fevereiro 2013: uma professora desempregada mata um filho de 12 anos e suicida-se depois. Porto, Janeiro 2013: uma imigrante com 25 anos, natural do Bangladesh, tenta atirar-se da ponte D. Luís com dois filhos de 1 ano e de 1 mês. Oeiras, Janeiro 2013: uma mãe divorciada mata os dois filhos, de 12 e 13 anos, e põe termo à vida. Alenquer, Dezembro 2012: uma imigrante brasileira de 32 anos pega fogo à casa e mata os dois filhos de 1 e 3 anos. Castro Marim, Agosto de 2012: uma dentista brasileira de 42 anos mata-se e aos dois filhos de 11 e 13 anos, regando a casa com gasolina e pegando-lhe fogo. Vila Pouca de Aguiar, Dezembro 2011: uma mulher de 34 anos suicida-se ao atirar-se de um viaduto com uma filha de 20 meses ao colo.
Em cada um dos casos foram assinalados: ou estados depressivos, ou dificuldades económicas, ou desemprego, ou desavenças familiares, ou violência conjugal, ou tudo junto. Ler o resto do artigo »
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Fred Goldstein / MV
Conforme sublinham vários autores marxistas, a presente crise capitalista tem por origem uma queda da taxa de lucro dos capitais, em consequência do enorme progresso tecnológico verificado, digamos, no último meio século e no consequente aumento da produtividade do trabalho.
Com efeito, e como Karl Marx fez notar, o crescente peso das inovações tecnológicas no sistema produtivo capitalista aumenta a composição orgânica do capital, isto é, a proporção entre o capital constante (maquinaria, instalações, matérias primas, etc.) e o capital variável (salários). Por outras palavras, a proporção entre trabalho morto e trabalho vivo. Esta alteração orgânica está na origem da queda da taxa de lucro dos capitais, uma vez que, para um dado capital total, diminui a proporção de força de trabalho, o único factor responsável pela criação de valor novo. Ler o resto do artigo »
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E em Portugal?
Pedro Goulart
Os últimos dados sobre a corrupção nas cúpulas do Partido Popular (PP), no poder, assim como sobre a monarquia espanhola, são bem significativos do grau de apodrecimento a que chegou o Estado espanhol. A corrupção é um facto inerente ao capitalismo, mas não podemos deixar de denunciá-la, por uma questão ética e como combate político.
Um jornal do regime espanhol, “El País”, divulgou agora documentos de Luis Bárcenas (ex-tesoureiro do PP), que mostram pagamentos regulares aos principais dirigentes do partido entre 1990 e 2009 e referem doações de alguns dos principais empresários espanhóis, fundamentalmente do sector da construção. Ler o resto do artigo »
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Inspiração de Fátima, diz Maria“Foi tomada uma decisão muito importante para o nosso futuro, que foi colocar atrás das costas, finalmente, a sétima avaliação. (…) E eu penso que foi uma inspiração – como já a minha mulher disse várias vezes – da nossa Senhora de Fátima, do 13 de Maio”, afirmou Cavaco Silva. Depois das famosas “inspirações” (consagradas nos seus relatórios) do FMI, da OCDE, da Troika e de Vítor Gaspar aplicadas a Portugal e que tanto têm massacrado as classes trabalhadoras e os pobres, só nos faltava mais este milagre anunciado pelo Presidente da República. Aonde isto já chegou!
Crise, crime e rapOs dados sobre a criminalidade de 2012 mostram uma subida dos crimes de furto em relação a 2011. Aumentaram os assaltos a bancos e estabelecimentos de crédito (38%) e a residências (36%). Aumentaram também os casos de extorsão (25%) e os homicídios (27%). Comentando estes números, o porta-voz do Observatório da Segurança Criminalidade Organizada e Terrorismo, dr. Filipe Pathé Duarte, sossegou os espíritos afirmando que “não se deve cair na tentação de associar a situação de crise com o potencial aumento da criminalidade”. Mas não se coibiu de estabelecer uma possível relação entre os furtos e as letras de canções de protesto que apelam ao roubo. Portanto: a crise não, mas esses rappers…
Legalidade e moralidadeO espião Silva Carvalho, colocado pelo governo na Presidência do Conselho de Ministros, tem às costas um processo por violação de segredo de Estado, tráfico de informações, corrupção, etc. Não obstante, Passos Coelho considerou-o digno de confiança e deu-lhe mesmo a possibilidade de receber vencimentos retroactivos desde 2010. Amigo de Relvas, Silva Carvalho tinha posto Passos Coelho e Vítor Gaspar em tribunal, em Fevereiro, para os obrigar a reintegrá-lo no Estado. Conseguiu e é natural que agora retire o processo. António Vitorino (PS) acha que a decisão do governo é “legal mas imoral”. Então, o que o episódio mostra é que, neste regime, legalidade e imoralidade andam de mãos dadas.
RespeitinhoQuando anunciou que iria apresentar uma moção de censura ao governo, o líder do PS apressou-se a dar explicações não só à troika como aos embaixadores da União Europeia e dos EUA (!) a dizer uma coisa e o seu contrário: que “honrará os compromissos assumidos pelo Estado português” (o acordo com a troika) e que não abdica de “defender os interesses dos portugueses” (numa sugestão de que pretende rever alguma coisa do acordo). As explicações de Seguro destinam-se, claro, a garantir que o essencial do plano da troika não será posto em causa. Pressionado pelas circunstâncias o PS tem de dar o ar de que muda alguma coisa para que não se perceba que, por sua iniciativa, tudo ficaria na mesma.
Desventuras de suas altezasCristina de Bourbon, filha do rei de Espanha, foi constituída arguida no desvio de milhões de euros de fundos públicos, que já levara a tribunal o marido Iñaki Urdangarín. Cristina será ouvida por decisão do juiz José de Castro, na qualidade de co-proprietária da empresa Aizóon e de dirigente da Fundação Nóos. Diego Torres, ex-sócio de Iñaki, já entregou a este juiz um conjunto de e-mails, cartas e outros documentos que envolvem a infanta Cristina e o pai (e quando será ouvido o próprio rei?). Esta “desventura” que atinge a família real espanhola é mais um dos escândalos que envolvem a monarquia, assim como o governo do Partido Popular (entre os quais actual presidente do partido e chefe do Governo, Mariano Rajoy). Ler mais »
Selassie “desapontado”O chefe da troika, e dirigente do FMI, Abebe Selassie, declarou-se “desapontado” com os preços altos da energia e das comunicações em Portugal. A coisa teria bom remédio: assim como o governo de Coelho e Gaspar decide roubar nos vencimentos e pensões e fazer subir os impostos, bastaria decidir baixar e tabelar os preços da electricidade e dos telefones. Mas como neste caso estão em causa os interesses milionários das operadoras (EDP, Iberdrola, Galp, PT, Optimus, Vodafone) Selassie limitou-se a lamentar o facto. O governo nem reagiu e as entidades reguladoras e as associações dos sectores, pelo sim pelo não, vieram dizer que é o mercado que manda nos preços. E ponto final.
Não perdem tempoPoucas horas depois da morte de Hugo Chávez, importantes empresas espanholas, com fortes interesses na Venezuela, fizeram saber (jornal La Vanguardia, por exemplo) da sua esperança de que a era pós-Chávez abra campo a sectores industriais e bancários menos regulados do que até agora. Mesmo impossibilitadas de repatriar dividendos, sujeitas a controlo de preços e a desvalorizações da moeda, gigantes como a Telefónica (comunicações), o BBVA (banca), a Repsol (petróleos) ou a Inditex (confecções) têm sido fortemente ajudadas pelos negócios que têm na Venezuela, já que em Espanha e na Europa a crise lhes limita o crescimento.
Greves e manifestação nos transportesDurante a semana iniciada dia 4, um conjunto de plenários, concentrações e greves afectará o sector dos transportes, particularmente na Grande Lisboa e Porto. No sábado, haverá manifestação, às 14h30, no Largo Camões, em Lisboa. Trata-se de uma iniciativa da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans). As paralisações parciais dos transportes envolverão, entre outras, as seguintes empresas: CP, Soflusa, Rodoviária do Tejo, Carris, Refer e STCP. Os trabalhadores protestam contra os cortes no pagamento das horas extraordinárias e do trabalho em dia feriado, as privatizações e a retirada de direitos. A luta continua.
Manifestações 2 de Março
Juntos na rua contra a miséria e a exploração! Demissão do governo!
Que se lixe a troika! O povo é quem mais ordena!
- 10:00
Horta Praça da República
- 14:00
Tomar Praça 5 de Outubro
- 14:30
Caldas da Rainha Pç 25 de Abril
- 15:00
Braga Avenida Central
Coimbra Praça da República
Covilhã Praça do Município
Londres Embaixada Portuguesa
Marinha Grande Pq da Cerca
Ponta Delgada Largo 2 de Março
Tomar Jardim frente Colégio
Viana do Castelo Pç República
- 16:00
Aveiro Estação CP
Beja Largo do Museu
Castelo Branco Pç Município
Chaves Largo das Freiras
Faro Largo do Carmo
Funchal Praça do Município
Leiria Fonte Luminosa
Lisboa Praça Marquês de Pombal
Loulé Pç da República (Mercado)
Portimão Pç M. Teixeira Gomes
Porto Praça da Batalha
Vila Real Frente à C. Municipal
Viseu Jardim de Santa Cristina
- 18:00
Boston Boston Public Library
Fichar, atemorizar, desmobilizarApós uma conferência de imprensa promovida pelo movimento Que se Lixe a Troika, à porta do Aeroporto de Lisboa (local de passagem da equipa da troika que regressava a Portugal), e onde foi publicitada a manifestação do próximo dia 2 de Março, uma agente da PSP mandou identificar um membro do Movimento, justificando-se com “ordens superiores”.Nuno Ramos de Almeida identificou-se. Não foi a primeira vez que um elemento do Que se Lixe a Troika foi identificado pela PSP. Também, Mariana Avelãs, após uma conferência de imprensa, a quando da manifestação de 15 de Setembro, foi identificada e, posteriormente, constituída arguida. Ler mais »
“Roubaram-nos a fábrica”A fábrica alemã Steiff (concelho de Oleiros, centro do país) encerrou a 5 de Fevereiro despedindo 102 trabalhadores, sendo 97 mulheres, e transferiu a produção para a Tunísia. Motivo: reduzir os custos de mão de obra, como abertamente disse a administração. “Os alemães roubaram-nos a fábrica; os alemães só viram dinheiro”, disseram as operárias à imprensa. De facto, além do lucro produzido em mais de 20 anos de laboração, a Steiff beneficiou em todo esse tempo de instalações (um pavilhão com 2 mil metros quadrados) cedidas gratuitamente pela Câmara Municipal de Oleiros, isto é, pagas pelos cidadãos do concelho.
Jornada de luta nacional Sábado 16 Fevereiro
Convocada pela CGTP, vai realizar-se a 16 de Fevereiro uma jornada de luta nacional sob o lema Saúde, Educação e Segurança Social para Todos.
Aveiro, Largo da Estação de Comboios 15:30h, Desfile
Beja, Junto à Casa da Cultura 10:30h, Concentração
Braga, Parque da Ponte 15:00h, Desfile
Bragança, Praça Cavaleiro Ferreira 15:00h, Concentração
Covilhã, Campo de Festas da Covilhã 15:30h, Manifestação
Castelo Branco, Câmara Municipal 15:30h, Manifestação
Coimbra, Praça da República 14:30h, Concentração Ler mais »
Regimes em desgasteO escândalo de corrupção que atingiu o PP espanhol provocou uma queda de popularidade do partido e do governo, segundo sondagem recente. Apesar disso, o PSOE, na oposição, não ganha adeptos. Também por cá o PS não recupera eleitores na proporção do descrédito que atinge o governo de Coelho. Tudo indica que, sob pressão da crise, um número crescente de cidadãos vê nas principais forças do poder duas faces da mesma moeda. A sucessão de governos PS/PSD ou PSOE/PP, que até há pouco parecia inquestionável, começa a ser posta em causa. Na verdade, é a base social das forças do poder que vai sendo desgastada. Por enquanto, apenas por um virar de costas – amanhã certamente por uma rejeição activa.
O nome diz tudoNo final de duas agitadas semanas em que a liderança de Seguro parecia ameaçada, o PS saiu aos abraços de uma reunião magna realizada em Coimbra. Seguro acolheu propostas de Costa, para que Costa não se candidatasse a líder; Costa deu-se por satisfeito com a buchas metidas na moção, e não se candidata (para já). O “ponto de viragem”, como lhe chamou Costa, na política de oposição conduzida pelo PS resume-se a vagas críticas ao modo como o PSD encara a crise, à distribuição de culpas por “todos os governos”, à aceitação da “reforma do Estado” (desde que não seja “nas costas dos portugueses”), e ao ajustamento das metas de pagamento da dívida. Nada que afronte a troika ou atrapalhe o propósito Ler mais »
Crimes na SaúdeO resultado de um inquérito ao Hospital de Stafford foi de tal modo grave que obrigou a um pedido de perdão público do primeiro-ministro britânico, David Cameron, na Câmara dos Comuns, com palavras que caracterizam razoavelmente a situação: “Centenas de pessoas sofreram uma terrível negligência e maus-tratos… A muitos foi-lhes administrada a medicação errada. Muitos permaneceram deitados em cima da própria urina, por falta de ajuda. Os familiares eram ignorados ou repreendidos quando chamavam a atenção para a falta de cuidados mais elementares, quando tentavam salvar os seus entes queridos de um sofrimento terrível e mesmo da morte”. E em vários outros hospitais britânicos terão acontecido casos idênticos, que vão agora ser averiguados. Ler mais »
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