|
|
Os efeitos políticos das presidenciais francesas não podem colocar-se a par do sismo grego
Manuel Raposo
As eleições, por regra, não revolucionam os regimes que as promovem – quando muito, mostram os limites das mudanças comportadas por esses mesmos regimes. Mas há resultados que são sintoma de alterações que estão a operar-se, que espelham o movimento das classes nelas envolvidas. É o caso das eleições realizadas nos últimos dias em França (presidenciais) e na Grécia (legislativas). Todos os comentários têm dito o óbvio: que em ambos os casos “os eleitores” rejeitaram as políticas de “austeridade” e “penalizaram” as forças que as promoveram. Mas isso é ficar pela superfície da questão. Neste caso, importa mais ver de que modo e quem rejeitou a “austeridade”, e em que estado ficaram os regimes e as forças partidárias em resultado do voto. Ler o resto do artigo »
Categorias: Mundo, Política | 1 Comentário »
Pedro Goulart
De tempos a tempos, desencadeiam-se campanhas contra a Segurança Social e a sua alegada insustentabilidade, produzidas pelos governos do capital e ampliadas por alguns “cientistas sociais” e jornalistas ao serviço do patronato. Como a recente tentativa de relançar a discussão do tema, encetada pelo ministro Mota Soares, que defendeu a urgência de uma reforma, para que o Estado deixe de gerir “fortunas” e “poupanças”. Escondeu o ministro e “esquecem” os defensores desta política de privatizações, a que alguns chamam de neoliberal, que milhões de americanos perderam as suas poupanças e foram atirados para a pobreza, devido à falência de vários bancos e companhias de seguros no seu país. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política, Sociedade, Trabalho | Comentar »
Em recente entrevista à revista brasileira Veja, Passos Coelho procurou justificar a sua política de austeridade. Declarou que “os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos”. Acrescentou que “usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projectos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia”. E, venerador, sentenciou que “os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos”. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política | Comentar »
Editorial
38 anos depois do 25 de Abril, o retrocesso na vida dos trabalhadores portugueses é evidente. Em 74-75, apesar do regresso maciço de militares e civis, o desemprego não passou dos 5%; hoje está nos 15%. O mesmo com os salários: a forte subida de 74-75, que chegou a atingir 7% e 15%, foi brutalmente contrariada nos anos seguintes com duas intervenções do FMI; e nos últimos anos caíram a pique, sob a acção devastadora dos PEC e da troika. A parte do trabalho na repartição da riqueza subiu em 74-75 a mais de dois terços; hoje é menos de metade.
Tudo obedeceu a uma regra simples: quando a luta de massas esteve em alta, os trabalhadores ganharam vantagem; quando enfraqueceu, ganhou o capital. Ler o resto do artigo »
Categorias: Editorial, Efeméride, País, Política | Comentar »
António Louçã
Até aqui, era da esquerda que mais vezes vinham exigências de cumprimento da Constituição. Para quem joga à defesa, justifica-se lançar mão de todos os recursos, mesmo daqueles que só por si não garantem especial eficácia. Além de se denunciar as constantes violações da Constituição, com inteira legitimidade, fazia-se da luta contra as revisões constitucionais um verdadeiro cavalo de batalha. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política | Comentar »
Quando os interesses de classe se sobrepõem aos dados
Pedro Goulart
Na ofensiva conduzida nos últimos anos pelo grande capital contra as classes trabalhadoras e o povo destaca-se o fortíssimo ataque ao sector da saúde, com cada um dos partidos do chamado arco governativo – PS, PSD e CDS – a procurar destacar-se como o mais eficiente na gestão desta política. Encerramento de urgências, aumento das taxas moderadoras, diminuição na comparticipação de medicamentos, tais algumas das malfeitorias postas em prática por sucessivos governos do capital. O actual governo, por vezes atabalhoadamente, onde a incompetência e a má fé andam de braço dado, tem procurado ir aqui bastante mais longe do que os seus antecessores. E o previsto encerramento, sob pretexto de racionalização, da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, poderá vir a traduzir-se em mais uma das malfeitorias deste governo. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política, Sociedade | Comentar »
Manuel Raposo
Por declarações contraditórias entre membros do governo, ficámos a saber que os cortes nos subsídios de férias e de Natal se prolongarão, pelo menos, por mais um ano, e que, se forem restituídos, será “gradualmente” – contra o que sempre tinha sido dito por todos eles. A justificação dada pelo ministro das Finanças, apenas depois de ter sido apertado com as suas próprias declarações anteriores, foi a de que se tratou de “um lapso”. O que resta desta história mal contada é que todos os “lapsos” serão postos a uso pelo governo para prolongar e para agravar as medidas que penalizam o trabalho. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política | Comentar »
O apelo do reformado grego que se suicidou frente ao parlamento
ALR / MR / PG
Um reformado grego de 77 anos, Dimitris Christoulas, antigo farmacêutico, suicidou-se no dia 4 de Abril com um tiro na cabeça, na Praça Sintagma, no centro de Atenas, frente ao parlamento, para onde habitualmente convergem as manifestações de protesto da população grega. Deixou um bilhete explicando porque punha fim à vida, no qual culpava o governo e as medidas de empobrecimento impostas ao povo grego. Ler o resto do artigo »
Categorias: Liberdades, Mundo, Sociedade | 1 Comentário »
Carlos Completo
Em 29 de Março, o Estado espanhol foi confrontado com uma greve geral que abrangeu perto de 10 milhões de trabalhadores. Além das paralisações houve ocupações. Foi ampla a participação de trabalhadores e de militantes anticapitalistas nos piquetes de greve. As principais centrais sindicais, CCOO e UGT, assim como a CNT, a CGT e a LAB, estiveram profundamente envolvidas nas lutas. As fábricas de automóveis, o sector dos transportes (incluindo os transportes aéreos), portos, centros de abastecimento na Andaluzia e Catalunha, sectores químico, mineiro, têxtil e postal, recolha de lixo e mesmo os média do sistema, foram os sectores mais afectados pelas paralisações. Num país com mais de 5 milhões de desempregados e com uma brutal reforma laboral agora imposta pelo patronato e pelo governo de Mariano Rajoy, é natural que cresça o descontentamento e a luta das classes trabalhadoras e do povo contra tais políticas. Ler o resto do artigo »
Categorias: Mundo, País, Política, Trabalho | 1 Comentário »
A propósito da repressão do dia 22 em Lisboa
Manuel Raposo
Foi preciso que dois jornalistas apanhassem umas valentes bordoadas da polícia, no dia da greve geral, para que a comunicação social viesse clamar contra a brutalidade e o “excesso” das forças repressivas. Bem vindos, senhores jornalistas, ao clube dos que apanham da polícia – não por prazer de vos ver sovados, mas porque essa é uma das realidades do país, e que não é de agora. Nestas ocasiões, com efeito, é bom lembrar às memórias selectivas que várias outras cargas policiais fizeram vítimas entre manifestantes, sindicalistas e pacíficos cidadãos nos últimos tempos sem que nenhuma onda de indignação se levantasse na comunicação social empresarial e sem que se considerasse que as liberdades estavam a ser espezinhadas. Ler o resto do artigo »
Categorias: Liberdades, País, Política | 2 Comentários »
Pedro Goulart
Recentemente, o governo PSD/CDS encarregou António Borges de acompanhar o processo das privatizações e das Parcerias Público Privadas. E escusado será referir que Borges está ideologicamente sintonizado com Passos Coelho, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira…
Para avaliarmos bem as tarefas que esperam António Borges, assim como o carácter do homem responsável pela supervisão destes processos e os objectivos da classe que representa, é importante conhecer algumas passagens do discurso por ele proferidas, em meados de Março, no encerramento de uma conferência do INSEAD (Instituto Europeu de Administração de Negócios). Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política | 3 Comentários »
Um milhão e 700 mil pessoas sem água, nem electricidade, nem combustível
Ziad Medoukh / MV
Quando todas as atenções noticiosas se viram para os três judeus franceses mortos nos atentados de Toulouse (das restantes vítimas quase nem se fala), importa lembrar que a matança diária de palestinianos prossegue às mãos do Estado israelita, quer através de ataques militares, como nas últimas semanas, quer estrangulando a vida das populações árabes, especialmente em Gaza, por meio de um bloqueio criminoso. É para isso que nos alerta o artigo seguinte sobre os efeitos da falta de energia eléctrica na faixa de Gaza, vai para quase dois meses. Ler o resto do artigo »
Categorias: Liberdades, Mundo, Política | 1 Comentário »
Editorial
Todo o apoio à greve geral
As confederações patronais parecem querer inaugurar um novo discurso: “Não falemos de crise, falemos do futuro”. Concordante, o ministro das Finanças procura animar a malta com prognósticos de recuperação económica para 2013.
Mas a realidade vai-se impondo: a Peugeot-Citroën de Mangualde encerrou um turno de laboração e mandou para a rua 350 trabalhadores de uma assentada; a Carris vai reduzir as carreiras e com isso despede 100 motoristas (além de aumentar os passes sociais); a construtora Soares da Costa foi autorizada pelo governo a despedir 940 trabalhadores (mesmo depois de ter ultrapassado o limite legal para o efeito); a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo põe em risco os seus 600 trabalhadores; no Arsenal do Alfeite, praticamente inactivo, teme-se igualmente pelos postos de trabalho; dezenas de milhares de empregados da indústria hoteleira e de operários da construção civil estão ameaçados de despedimento por falência das empresas.
Esta é a realidade que o discurso dos patrões e do governo não pode mudar, mas quer disfarçar. Ler o resto do artigo »
Categorias: Editorial, País, Política, Trabalho | 2 Comentários »
Bawsat / MV
A campanha dos EUA e da União Europeia contra a Síria está no auge. Cientes do que sucedeu no caso recente da Líbia com a aprovação de sanções pela ONU, a China e a Rússia decidiram desta vez não ir atrás de norte-americanos e europeus, impedindo assim uma intervenção militar com o aval das Nações Unidas. Mas as potências imperialistas não desistem e fazem tudo para impulsionar a acção armada contra o regime sírio, concretamente fornecendo material de guerra aos rebeldes. A par disso, levam a cabo a indispensável demonização do regime, tal como nos casos antecedentes do Iraque e da Líbia. O testemunho seguinte, uma carta enviada de Damasco e publicada no blogue Spectrum, lança alguma luz sobre o caso. Ler o resto do artigo »
Categorias: Mundo, Política | Comentar »
Despolarização, fim do crescimento global, rebeliões periféricas, crise ideológica
Jorge Beinstein / MV (*)
Pegando em dois factos aparentemente sem relação – a revolta árabe de 2011 e o desastre nuclear de Fukushima no Japão – o economista Jorge Beinstein mostra que ambos decorrem da corrida desenfreada do capitalismo industrial às fontes de energia. Num caso, condenou o Japão a atapetar o seu território, de alto risco sísmico, com uma multidão de centrais nucleares sem controlo eficaz; noutro caso, converteu o mundo árabe numa área subdesenvolvida consagrada à extracção intensiva e ao transporte de petróleo.
“O mundo burguês anterior aos colapsos económicos de 2007-2008”, diz o autor, “encaminhava-se eufórico e triunfalista para um variado leque de crises (energéticas, financeiras, sociais, ambientais, políticas, etc.) cuja convergência dava sinal da proximidade de um ponto de inflexão decisivo, de passagem rápida para uma época turbulenta”. É desta mudança que Beinstein procura captar o sentido. Ler o resto do artigo »
Categorias: Economia, Mundo, Política | Comentar »
Nove anos depois da invasão
Cristina Meneses
Por ocasião do 9.º aniversário da invasão do Iraque pela coligação liderada pelos EUA, o Tribunal-Iraque (Audiência Portuguesa) organiza, no próximo dia 17 de Março, uma sessão pública no Centro Arte e Recreio, em Guimarães – Capital Europeia da Cultura.
Dois resistentes iraquianos, Mundher Adhami e Haifa Zangana, apresentarão depoimentos sobre o assassinato de professores e cientistas iraquianos e sobre os efeitos do uso de armas proibidas pelos ocupantes. Eis alguns dados referentes aos crimes de guerra cometidos nos últimos nove anos que serão debatidos na sessão de Guimarães. Ler o resto do artigo »
Categorias: Liberdades, Mundo, País, Sociedade | Comentar »
Não foram apenas o frio e a gripe os responsáveis pelo elevado número de mortes em Fevereiro
Pedro Goulart
O aumento anormal da taxa de mortalidade em Fevereiro teve, certamente, outras razões para além da gripe e do intenso frio que se fez sentir neste mês. O Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) salientou que em duas semanas (na terceira e quarta de Fevereiro) houve mais de 6000 mortos, número muito superior (mais 1000 óbitos) à média verificada nesta altura do ano. E a Associação de Médicos de Saúde Pública afirmou recear que a subida das taxas moderadoras, o aumento das despesas com medicamentos e o agravamento da situação económica das famílias pudessem igualmente ser responsáveis pelo excesso de mortalidade. Ler o resto do artigo »
Categorias: Nenhuma | Comentar »
Manuel Raposo
No último dia de Fevereiro, realizaram-se manifestações em mais de 20 cidades espanholas em apoio aos estudantes de Valência e em protesto pelos cortes nos orçamentos das escolas e universidades.
Cerca de uma semana antes, uma manifestação de estudantes em Valência foi brutalmente reprimida pela polícia. As imagens das cargas policiais e as declarações do chefe da polícia tratando os manifestantes como “inimigos” indignaram a população valenciana e de todo o país. Ler o resto do artigo »
Categorias: Mundo, Política | Comentar »
Urbano de Campos
As grandes manifestações sindicais, a greve geral de Novembro passado e outras acções massivas de rua, como as dos jovens, expressam a indignação que vai nos trabalhadores e na população atingida pela austeridade. O mesmo se espera da greve geral marcada pela CGTP para 22 de Março. Mas a fraca e esporádica resistência que se pode observar nas empresas, ditada sobretudo pelo medo de represálias, cria um estado de divisão e de falta de confiança que debilita a resposta dos trabalhadores.
Este estado geral tem no entanto excepções que merecem ser divulgadas e evidenciadas. Dois casos de lutas recentes mostram que o caminho da resignação e da derrota não é obrigatório: a paralisação do pessoal da manutenção da TAP, em Lisboa; e a luta vitoriosa dos trabalhadores da Cerâmica Valadares, em Gaia. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Trabalho | Comentar »
Pedro Goulart
Podem os trabalhadores portugueses ficar tranquilos. Para se tornarem competitivos, não terão de baixar os salários até ao nível dos chineses: basta que nos próximos cinco anos lhos reduzam apenas 20 a 30% em relação aos salários dos trabalhadores alemães. Para, assim, poderem competir a nível europeu. Não deve haver outra saída. Os custos de contexto, a organização da produção, os lucros dos capitalistas, parecem aqui coisa menor. Ideia agora reafirmada, pesarosamente, pelo economista Paul Krugman, que procura ser “visto como amigo dos trabalhadores”. Ler o resto do artigo »
Categorias: País, Política | 1 Comentário »
|
Derrota dos EUA e da NATOA situação no Afeganistão complica-se para os EUA. Depois de um ataque dos talibã à capital Cabul, em Abril, ter tomado conta, durante horas, das zonas onde se situam as embaixadas, o parlamento e o quartel-general da NATO, o presidente Karzai acusou os serviços de informação da NATO de fracasso. Em 1 de Maio, poucas horas depois de uma visita relâmpago de Barack Obama a Cabul, para assinar um acordo de “cooperação” com… o regime imposto pelos EUA, explodiu um carro bomba perto de uma base da NATO. Somado a isto, o presidente francês eleito, François Hollande, declarou que as tropas francesas (3300 homens) sairão do Afeganistão até final de 2012. Cheira a derrota ao estilo do Vietname.
Católicos em quedaUm estudo da Universidade Católica diz que menos de 80% de portugueses se declaram católicos, abaixo dos 86% de há 12 anos atrás. Cresceram os adeptos de outras crenças e cresceram também os crentes sem religião e os não crentes (14,2%), com destaque para os ateus. É sempre de saudar o advento da Razão, mas torna-se óbvio que o estudo não é inocente. A igreja católica tem todo o interesse em mostrar a sua hegemonia no ramo como argumento para justificar os privilégios de que goza junto do poder político. Sinal disso é o facto de o estudo insistir em que quase 50% dos portugueses (5 milhões!) vão à missa com regularidade, número que contraria todos os dados empíricos.
Economia dos EUA estagnadaA anunciada retoma da economia dos EUA dá sinais de fraquezas. Os 3% de crescimento do último trimestre de 2011 desceram para 2%, no primeiro trimestre deste ano. Além disso, estão a ser criados menos empregos dos que os esperados pelos gurus da recuperação e a baixa da taxa de desemprego deve-se ao número crescente de pessoas que desistem de procurar trabalho, por ser inútil. O presidente do Banco Central norte-americano, que tinha lançado foguetes nos dois primeiros meses do ano, teve agora, diante dos dados de Março, de reconhecer que as coisas “permanecem longe do normal”. A estagnação prossegue, afinal; e o crescimento, quando há, é à custa do emprego.
Proença ameaçaJoão Proença descobriu agora que o governo faz gato-sapato do acordo assinado com a UGT na chamada Concertação Social e ameaça rasgar o papel. Claro que não o vai fazer. O governo vai dar-lhe mais umas palmadinhas nas costas e Proença voltará a dizer que obrigou o governo a recuar. Até à próxima.
O teu nome é caridadeA letra e o sentido do hino do Movimento Zero Desperdício, lançado “com o alto
patrocínio da Presidência da República” e que pretende “aproveitar os incontáveis
desperdícios de bens, produtos e recursos existentes, um pouco por todo o País”, são
deploráveis. Respeitando os sentimentos de quem sinceramente se empenha na luta
contra a fome, consideramos hipócrita o patrocínio de Cavaco Silva, alguém altamente responsável pela miséria do País. Alguns músicos alinham ingenuamente, outros praticam a caridadezinha. Contudo, em relação a vários, lamentamos que tenham dado cobertura a uma operação que escamoteia a verdadeira razão da pobreza e da fome – o capitalismo.
Ao serviço dos “mercados”Numa entrevista à RTP, em Maputo, Passos Coelho disse que a decisão de só repor parte dos subsídios de férias e Natal em 2015, se destina a dar boa imagem do país junto dos credores internacionais. Em 2013, sublinhou, “precisamos de uma preparação bem sucedida para regressar aos mercados”, pelo que repor os subsídios antes daquela data “poderia ser uma imagem precipitada que Portugal correria o risco de oferecer aos seus parceiros europeus e ao FMI”. Confirmou assim que o “regresso aos mercados” é sinónimo de arrasar os salários. As vigarices de Passos Coelho desmontam a sua fachada de “governante responsável” e revelam-no como mais um simples servidor do capital português e do imperialismo.
Polícias, como do antigamenteQuem viu as imagens da polícia a bater no Chiado, em Lisboa, no dia 22, não pode ficar com grandes ilusões sobre a polícia de choque que os “democratas” no poder estão dispostos a usar na repressão sobre quem questione as suas medidas, ou até, sobre simples jornalistas, que divulguem a actuação selvagem destes “agentes da ordem”. Quem “levou” da polícia de choque antes do 25 de Abril de 1974, sabe bem do que se está a falar. Porque o assunto mereceu destaque internacional, o governo de Passos Coelho e as suas polícias vão fazer uns inquéritos, dos quais não sairá grande coisa. E ainda continua a haver, à esquerda, quem bata palmas a estes “filhos do povo”!
Greve geral / Manifestação
No dia da greve geral (este 22 de Março) a CGTP promove em Lisboa uma manifestação que se inicia às 14h00, entre o Rossio e S. Bento.
Mais tarde, às 16h00, a Plataforma 15 de Outubro convoca um desfile, também entre o Rossio e S. Bento, seguido de uma assembleia popular.
O silêncio vale ouroNogueira Leite falava, falava – foi para a CGD, calou. Catroga, gritava, gritava – veio a EDP, silenciou. Por favor, arranjem um tacho ao beato reaccionário, neoliberal, João César das Neves. Já não suporto a suas evangélicas súplicas! FB
Lugares guardadosLuís Amado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Sócrates e defensor do “choque neoliberal” já foi recompensado com a nomeação para chairman do Banif…
Pedro Passos Coelho confessa estar a aprender com a troika, tal como a troika está a aprender com ele. Se o seu governo cair pela destruição do país, já tem emprego garantido, ao contrário do exército de desempregados, pobres e indigentes que irá deixar como rasto. FB
Solidariedade com Falcão MachadoJoão Falcão Machado, membro da Plataforma 15 de Outubro e que informou o Governo Civil da realização de uma das duas manifestações ocorridas em 24 de Novembro último, foi constituído arguido pela PSP, por “crime” de desobediência civil. Isto, a pretexto de que tal manifestação contrariou a lei vigente, que, aos dias de semana, só permite manifestações a partir das 19 horas e esta se terá iniciado às 15. Com tais medidas, as forças repressivas pretendem intimidar os militantes, visando desmobilizar as lutas do movimento de massas contra as medidas de austeridade impostas pela troika e pelo governo do patronato. Não nos deixemos intimidar!
O bispo manda-chuva“Noutros tempos já se teriam levantado súplicas ao céu a implorar a graça da chuva”, mas “parece que os crentes não se fazem ouvir e a maioria da população não acredita na providência divina, mas somente na previdência de Bruxelas”, disse António Vitalino Dantas, bispo de Beja, a respeito da seca. O bispo refere ainda que “as recomendações de Jesus no evangelho e de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, pedindo oração e sacrifícios pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo, não encontram eco nos nossos ouvidos”. Razão têm “os crentes”: apesar da fezada de Assunção Cristas e dos lamentos de Vitalino Dantas, percebem que a providência divina pode menos que o anticiclone dos Açores.
Estado espanhol: milhão e meio nas ruasMuitos milhares de trabalhadores (milhão e meio segundo os sindicatos) manifestaram-se dia 12 em dezenas de cidades do Estado espanhol, contra a brutal reforma das leis laborais que o patronato e o governo de Mariano Rajoy querem impor às classes trabalhadoras. As manifestações, convocadas pelas centrais sindicais Comisiones Obreras e UGT, foram fortemente participadas em Madrid, Barcelona, Valência, Bilbau, Sevilha e várias outras cidades. As mesmas centrais sindicais, que apelaram à mobilização dos trabalhadores para a greve geral marcada para o próximo dia 29, exigiram ainda que o governo se sente à mesa das negociações, condição sem a qual não se disporão desmarcar a projectada greve.
PrémioPassou despercebida à maioria dos cidadãos a nomeação, em meados de Janeiro, de Franquelim Alves (militante do PSD, ex-administrador da SLN que controlava o BPN!) para presidente da comissão directiva da Compete, um programa dotado de 5500 milhões de euros para apoiar empresas. O governo salva o BPN com os milhões que tira aos salários dos trabalhadores e premeia a gestão danosa dos seus super-boys com lugares à mesa do orçamento. FB
EntendidosDepois de umas pequenas escaramuças verbais acerca da política do governo, PS e PSD acertaram agulhas até no que respeita à linguagem. António José Seguro lançou a ideia brilhante de uma “austeridade inteligente” para, diz ele, evitar excessos a que o programa da troika não obriga; e o ministro das Finanças respondeu de imediato com a defesa de uma “austeridade controlada” para, argumenta, evitar uma austeridade descontrolada. O resultado da “inteligência” de Seguro e do “controlo” de Gaspar estão patentes nos últimos números divulgados sobre o desemprego em Janeiro – 14,8%, acima dos 14,6% de Dezembro – e nos valores da quebra económica, que se abeira dos 4% nas previsões para este ano.
|