Reinventar… um regresso ao passado

Pedro Goulart

SantanaPassosRioNa sua recente mensagem de Ano Novo, o Presidente da República apelava à “reinvenção” do futuro. O tema da reinvenção, tenha a palavra ou não um significado subliminar, resultou rapidamente como mote para várias intervenções, designadamente no programa de candidatura de Santana Lopes à presidência do PSD, assim como nas palavras e nos escritos de vários analistas nos média do sistema. Ler o resto do artigo »



2017: “banqueiros anarquistas”?

António Louçã

deslizamento-terras_cropHá meia dúzia de anos era uso troçar do regime parlamentar belga, que levou quase um ano e meio (2010-2011) sem conseguir produzir governo algum. Em 2016, a necessidade de repetir as eleições espanholas ainda suscitou uma ou outra graçola, depois de seis meses de tentativas para criar um governo baseado nos resultados eleitorais do ano anterior. Em 2018, a grande Alemanha vai a caminho do quarto mês de negociações infrutíferas, ainda sem governo, e correndo o risco de ter de repetir também as eleições. Mas da Alemanha já ninguém troça. Ler o resto do artigo »



Adeus, “nação valente”

Sinais de uma visita da CIP a Bruxelas

Manuel Raposo

SaraivaCipQuando em Novembro passado se ultimava o Orçamento do Estado para 2018, falou-se pouco de uma deslocação dos dirigentes da CIP a Bruxelas onde foram “queixar-se” das medidas propostas no documento. Naturalmente, o sr. Saraiva e consortes dizem ter ido “apresentar os seus pontos de vista”. Porém, não é nas exigências da CIP, já conhecidas e sempre as mesmas, que reside o interesse do caso, mas sim no posicionamento político, que a visita revela, do capital industrial no quadro da “Europa Unida”. Ler o resto do artigo »



Jovens israelitas recusam alistamento na tropa

Manuel Raposo

IsraelDesde que, em início de dezembro, Donald Trump reconheceu a ocupação de Jerusalém Leste por Israel — pagando o apoio dos sionistas à sua eleição — protestos de várias origens fizeram-se ouvir, nomeadamente da parte da Assembleia Geral da ONU, que condenou a decisão norte-americana. É de crer, porém, que a eficácia destes protestos seja a mesma que temos visto nos últimos quase 70 anos. Basta ver o efeito prático da decisão da ONU, anulada pelo veto dos EUA. Fosse outro o alvo da decisão e não faltariam sanções a doer; mas tratando-se dos EUA e de Israel tudo vai ficando pela condenação moral, quando muito.
O que mantém viva a resistência é a luta tenaz dos palestinos no seu próprio solo. Mais de uma dezena foram mortos em confrontos com forças israelitas, perto de dois mil foram feridos e centenas presos desde a declaração de Trump. Mas vale também a oposição que se vai gerando entre os próprios israelitas. Há dias, dezenas de jovens em idade de ingressarem na tropa recusaram-se a ser alistados, condenando a política racista de Israel. A notícia, divulgada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina, foi publicada em órgãos da imprensa israelita. Ler o resto do artigo »



Verbos-de-encher

O ministro da Cultura e o subsídio que Fernando Relvas não recebeu

Carlos Completo

FernandoRelvasHá indivíduos que passam pela política, nomeadamente ministros, que ficam embevecidos com os cargos, as honras e as benesses que lhes atribuem, mas não são capazes de assumir minimamente as responsabilidades que daí lhes advêm. Vem isto a propósito de um caso concreto passado com o actual Ministro da Cultura. Certamente que há muitos casos análogos, e não menos importantes, não apenas na Cultura, como noutros campos de actividade. Este será mais um caso exemplar do tipo de comportamento habitual de alguns dos nossos políticos burgueses.
Em Novembro último, faleceu em Lisboa, aos 63 anos, o conhecido autor de banda desenhada Fernando Relvas, considerado um dos criadores mais importantes e um dos inovadores da BD portuguesa contemporânea. Fernando Relvas, a quem fora diagnosticada há algum tempo a doença de Parkinson, tinha sofrido duas quedas, fora operado à coluna e estava internado no Hospital Amadora-Sintra, onde viria a falecer, numa situação de carência económica extrema e antes de chegar a receber o subsídio, que esperava há dois anos. Isto é, parafraseando Brecht, os decisores não compreendem estas coisas: eles já comeram. Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

No limiar de uma crise histórica

Fred Goldstein (*)

tatlinA discussão de Lenine sobre o efeito do imperialismo na classe operária dos países imperialistas deve ser vista hoje à luz das mudanças entretanto operadas.
O processo da super-exploração imperialista libertou-se de todos os limites geográficos pela revolução científica-tecnológica e pode agora ser praticada onde quer que haja mão de obra disponível. O efeito deste processo na consciência dos trabalhadores é profundo. A exportação de capital era antes usada para forjar um estrato superior na classe operária dos países imperialistas, para amaciar a luta de classes e promover estabilidade social. Com a nova divisão mundial do trabalho, a exportação de capital serve para rebaixar os níveis de vida da classe operária dos países imperialistas, dizimar as camadas superiores dos trabalhadores e de sectores das classes médias, e destruir a garantia de trabalho e os benefícios sociais. Ler o resto do artigo »



A “cambalhota triste” do PS e a agonia da geringonça

António Louçã

BE_PSNo que aos factos se refere, a história está bem contada pelo BE. No que diz respeito às soluções, elas nunca poderiam ser encontradas no ambiente viciado e claustrofóbico das negociações parlamentares.
Os factos resumem-se em poucas palavras. Entre tantos cortes que a troika mandou fazer, contra salários e pensões, havia só dois que vinham refrear, timidamente, as negociatas dos “interesses instalados”. Um, era o que apontava aos contratos de associação com colégios privados, em nome de uma cruzada contra o “monopólio” estatal do ensino (assim se vilipendiava o serviço público de educação). Outro, era o que punha em causa as rendas da EDP Renováveis (ela sim, a abusar de uma posição monopolista ou quase). Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

Uma mudança de época

Tom Thomas (*)

RodchenkoO fracasso dos processos revolucionários na ex-URSS e na China, seguido de um rápido retorno ao capitalismo “clássico”, levou alguns ideólogos a proclamar que o capitalismo planetário era o fim da história. A análise da crise actual mostra que é antes a sua história que se aproxima do fim. O capitalismo só pode subsistir, degradando-se, por meios que são catastróficos para as condições de vida dos povos, sem sequer falar da destruição maciça de todas as espécies.
Ao mesmo tempo, as condições materiais para a abolição do capitalismo — portanto, da condição proletária — estão hoje infinitamente mais maduras do que estavam para essas revoluções, inclusive na componente internacional. Senilidade do capitalismo, necessidade vital e possibilidade do comunismo são as características gerais da época presente: uma nova época. Ler o resto do artigo »



Editorial

O anjo da guarda

Não há muito tempo, os meios da direita falavam com insistência de que “o país” precisava de um líder com carisma para “pôr ordem nisto”. E o facto é que a ideia toca muita gente do povo, farta de compadrio, de corrupção, de enriquecimentos desbragados, descrente de uma democracia que só serve ricos e poderosos. É uma ilusão que se paga cara, como se viu entre 1926 e 1974.

As cinzas de Pedrógão e de Oliveira do Hospital adubaram este terreno. Marcelo Rebelo de Sousa viu aí a sua oportunidade, apresentando-se como anjo da guarda do povo desvalido. Não só distribuiu abraços lacrimosos — fez-se porta-voz dos que “não têm voz”, numa versão adoçada dos apelos à “maioria silenciosa”. Ler o resto do artigo »



No limite, não houve nada

Urbano de Campos

Azeredo-Lopes_reduzRaúl Solnado teria uma boa ocasião de actualizar o seu tema A Guerra de 1908 com os episódios do roubo-não-roubo de Tancos.
Como foi noticiado, o material de guerra furtado apareceu há dias no mato, a 20 km da base, tal como tinha desaparecido: sem que ninguém desse por nada, apesar das buscas que a Polícia Judiciária disse andar a fazer nas redondezas de Tancos.
Visivelmente aliviado, o Chefe do Estado Maior do Exército deu conta do êxito numa alegre conferência de imprensa. Apesar do palavreado sobre “filosofia”, “racionalização”, “erros sistémicos”, etc. etc., não conseguiu elevar o nível da conversa. Com ar de riso, confirmou até que os ladrões terão devolvido a mais uma caixa de petardos! Pequena, disse ele. Ler o resto do artigo »



A linguagem politicamente correcta e a Tese XI sobre Feuerbach

António Louçã

politcorrecto_flipA mania obsessiva da linguagem politicamente correcta encobre geralmente uma negação da dialéctica e daquele preceito do “Manifesto” que recomendava assumir o interesse de conjunto da massa assalariada, e não apenas o interesse corporativo de uma das suas fracções.
Assim, os nacionalistas latino-americanos costumam enfurecer-se quando alguém fala de cidadãos dos Estados Unidos da América como “americanos”. Têm, claro, alguma razão, porque “americanos” são todos — também os sul- e os centro-americanos. Mas a alternativa que propõem (chamar aos cidadãos dos EUA “norte-americanos”) também tem inconvenientes: quando falamos de crimes de guerra norte-americanos, com razão podem sentir-se ofendidos os canadianos ou os mexicanos. Ler o resto do artigo »



Uma imagem da Justiça

Como vai o inquérito ao juiz Neto de Moura?

Pedro Goulart

nao-se-cale1Sabemos que a justiça que se pratica num país capitalista é uma justiça de classe. Mas as decisões dos tribunais muitas vezes aparecem embrulhadas num discurso moralista, usando leis e termos de difícil compreensão. Contudo, no já célebre acórdão do desembargador Neto de Moura, também assinado pela desembargadora Maria Luísa Abrantes (Tribunal da Relação do Porto), chega-se ao ponto de fazer censura moral a uma mulher de Felgueiras, vítima de violência doméstica, minimizando este crime pelo facto de ela ter cometido adultério. Aqui as coisas ficam bem claras. Ler o resto do artigo »



O sinal dado pelas autárquicas

Manuel Raposo

CostaJeronimoO grande ganhador das autárquicas foi obviamente o PS, tanto face à direita, como face aos seus parceiros de coligação. A vitória sobre a direita não precisa de explicação: a massa popular reconhece a diferença entre ser violentamente espoliada e recuperar, mesmo a conta-gotas, algum do poder de compra e das condições de vida que PSD e CDS arrasaram em quatro anos. Já o ganho do PS sobre a sua esquerda requer mais atenção. Por isto: se se afirma que é a parte esquerda da coligação que força o PS a fazer o que faz, por que razão não é essa esquerda a beneficiar dos votos?
De facto, no panorama político geral do país, de pouco serve (a não ser como incentivo militante) a subida do BE; e de nada serve ao PCP vaticinar que os eleitores vão arrepender-se das 10 câmaras perdidas pela CDU. Falta perceber as razões políticas disto. Ler o resto do artigo »



Bem feita!

António Louçã

PanteãoCaem agora o Carmo e a Trindade por causa da jantarada macabra que a rapaziada modernaça do Websummit foi fazer à beira de cadáveres proeminentes da história pátria. O clamor de virgens ofendidas vem tarde e fede a hipocrisia. Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

Olhar para a frente

Manuel Raposo

lissitzky_el_2“O principal erro que os revolucionários podem cometer é o de olhar para trás, para as revoluções do passado, quando a vida traz tantos elementos novos que é necessário incorporar na cadeia geral dos acontecimentos.” (Lenine, Abril de 1917)

As abordagens diversas dos 100 anos da revolução soviética (bem como a maioria das evocações desde sempre) falam sobretudo dos feitos de 1917, procurando ver a sua “actualidade” e transpondo-os quanto possível para o presente. É de certo modo uma abordagem cerimonial, que glorifica os acontecimentos e as figuras de então, mas que diz pouco sobre o que seria uma revolução “soviética” no mundo de hoje. Em muitos casos, subentende mesmo a miragem de uma repetição dos acontecimentos, quando as realidades desmentem essa possibilidade a cada passo. Ler o resto do artigo »



Governantes catalães sequestrados em Madrid

Pedro Goulart

llibertatOito membros do governo que declarou a independência da Catalunha responderam em Madrid perante a Audiência Nacional, tendo a juíza Carmen Lamela ordenado a sua prisão preventiva, visto considerar existirem indícios de “crime de rebelião”, que pode ser punido com uma pena até 30 anos de prisão.
Os detidos Oriol Junqueras, Meritxell Borrás, Jordi Turull, Raul Romeva, Josep Rull, Carles Mundó, Joaquim Forn e Dolors Bassa foram encerrados em cinco estabelecimentos prisionais de Madrid estando também aí já detidos, desde 16 de Outubro, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presidentes das duas maiores associações independentistas da Catalunha. Ler o resto do artigo »



Homenagem à Catalunha

António Louçã

referendo-catalunha-6Com este título, George Orwell evocou em páginas cintilantes a sua participação na milícia do POUM durante a guerra civil espanhola. A Catalunha de que falava era diferente da que vemos hoje: a Catalunha proletária, que em 18 de Julho de 1936 cercou as tropas golpistas, fuzilou os generais conjurados, ocupou e colocou em autogestão as fábricas abandonadas pelos patrões. E era também a Barcelona que, nas jornadas de Maio de 1937, se encheu de barricadas, contra a tentativa policial de retomar o controlo da central telefónica.
Hoje, a Catalunha volta a ser um exemplo, não tanto por um independentismo burguês que em todo o século XX conduziu a becos sem saída, mas pela luta de massas que bateu o pé à prepotência madrilena. Além de exemplo, a Catalunha é um catalisador de soluções potenciais para alguns dos mais intrincados problemas do nosso tempo. Ler o resto do artigo »



A Catalunha e a “democracia” espanhola

Pedro Goulart

catalunha_manifO comportamento do governo de Madrid, dirigido por Mariano Rajoy, e com a cumplicidade dos outros partidos espanholistas assim como dos média do sistema, face à vontade dos catalães decidirem em referendo sobre a sua independência, é mais uma demonstração de como os dirigentes da democracia burguesa são capazes de recorrer a todos os meios, mesmo ilegais ou ilegítimos, quando são postos em causa os seus interesses de classe.
Sob a capa da legalidade, a 12 dias do referendo para a independência da Catalunha, e servindo-se do aparelho jurídico burguês do estado espanhol (o mesmo aparelho que foi usado para a repressão dos militantes independentistas bascos e suas famílias) o governo de Madrid desencadeou uma vasta operação repressiva sobre a região, que nos faz lembrar velhas acções autoritárias do estado centralista sediado em Madrid. Ler o resto do artigo »



AutoEuropa: a luta muda de figura

Qual o rumo quando o patronato rasgar o pacto social?

Manuel Raposo

AENos últimos 20 anos, a acção sindical levada a cabo pela Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa pautou-se pela procura de resultados práticos. O que se pode chamar um sindicalismo de resultados. Tal foi possível por duas razões relacionadas: uma prosperidade da empresa que lhe permitiu dar benefícios regulares aos trabalhadores (manutenção do emprego e ganhos salariais, por exemplo); e o estabelecimento, nessa base, de um pacto social entre trabalhadores e patronato. Foi a imagem (tardia, embora) do pacto social que vigorou na Europa após a segunda guerra.
A tentativa recente da administração da AE de impor o trabalho ao sábado pagando-o como se não fosse dia de descanso é uma nuvem negra sobre o dito pacto. E obriga os trabalhadores a pensarem que tipo de resposta deve ser dada e, mais geralmente, que tipo de sindicalismo é hoje necessário. É para essa reflexão que as linhas seguintes procuram contribuir. Ler o resto do artigo »



Tropas portuguesas para o Afeganistão

"Disponibilidade total", diz o ministro Azeredo Lopes

Pedro Goulart

afeganistãoSegundo a agência Lusa (com fonte no Ministério da Defesa), o governo português estaria a “negociar” com a NATO o envio, em 2018, de uma força militar para o Afeganistão. A força portuguesa a enviar seria composta maioritariamente por militares do Exército e teria dimensão equivalente ao contingente que Portugal retirou do Kosovo em Maio passado. Logo no mês seguinte, o ministro Azeredo Lopes, solícito, apressava-se a afirmar em Bruxelas, na sede da NATO, que há da parte de Portugal “uma disponibilidade total”, admitindo a possibilidade de juntar a “força de reacção rápida e a formação e o treino, em torno dos 170 homens”, a enviar para onde a NATO considerasse necessário. Ler o resto do artigo »





Liberdade para Ahed Tamimi e todas as crianças palestinianas presas

AhedTamimi
Vigília, sábado 13 janeiro, 15h00, Largo Camões, Lisboa

Uma menina desarmada de 16 anos faz tremer o “poderoso” Estado de Israel.
Chamam-lhe “agressora” porque, juntamente com a sua prima Nour, esbofeteou dois soldados no pátio da sua casa, em frente de uma câmara de vídeo. O exército invadiu-lhe a casa pela calada da noite e levou-a presa, a ela, à mãe e à prima.
No tribunal militar, juntaram várias acusações sobre os últimos cinco anos. Dizem que ela uma vez alvejou soldados com uma fisga e noutra mordeu a mão de um que queria levar preso o seu irmão mais novo. Apontam-lhe “crimes” cometidos desde os 11 anos de idade. Ler mais »

Termina a edição em papel do MV

O colectivo do Mudar de Vida decidiu acabar com a edição do jornal em papel, iniciada há 10 anos. O n.º 59, correspondente a Setembro-Outubro do ano findo, foi, portanto, o último a ser publicado — tendo ficado assegurado que todos os assinantes receberam os exemplares correspondentes.
Esta decisão vem na sequência do balanço que fizemos e divulgámos em Outubro passado, quando o MV completou uma década. O custo e o esforço que a edição em papel implicava, e a noção de uma certa inutilidade (uma vez que toda a gente hoje usa a internet) levou-nos a optar por concentrar forças no meio que é mais eficaz: a página electrónica. Ler mais »

Dito

Na realidade, é a parte mais pequena e estritamente indispensável do produto que é destinada ao operário; apenas o que é necessário, não para que ele exista como homem, mas para que ele exista enquanto operário; não para que perpetue a humanidade, mas para que perpetue a classe escrava dos operários.
Karl Marx, Manuscritos de 1844

Derrubando mitos

O historiador Fernando Rosas apresenta na RTP2, aos domingos, um excelente programa sobre o colonialismo português em África. Desde as guerras ditas de “pacificação” do final do século XIX, até à criação do mito salazarista da pátria multicontinental e multi-racial, são escrutinados os processos de implantação do domínio colonial, através dos seus momentos mais significativos. A expropriação das populações rurais autóctones, o trabalho forçado, a criação dos empórios dos diamantes, do café, do cacau, as violências diárias, as prisões para os “recalcitrantes”, as execuções sumárias, mas também a resistência das populações africanas e o nascimento do nacionalismo independentista — são passados em revista, dando uma perspectiva que subverte a história dominante sobre a suposta brandura do império luso. Ler mais »

Mudar de Vida, 10 anos

Completaram-se em Outubro dez anos desde que o jornal Mudar de Vida começou a ser publicado, nos suportes internet e papel. Os seus propósitos, expressos no estatuto editorial, eram ambiciosos. Mas eram os que se impunham a uma publicação que pretende romper com a informação dominante, mesmo considerando a colossal desproporção de forças.
Essa ambição assentava numa base de apoio que permitia acalentar esperança de sucesso, mesmo elementar. Algumas dezenas de activistas vindos de diversas origens discutiram e aprovaram a sua constituição. Vários núcleos de apoio e de distribuição prometiam uma difusão militante com alguma dimensão. Algumas ligações a empresas e a grupos de trabalhadores activos davam possibilidade de contacto com os problemas do trabalho e as lutas concretas.
Dez anos volvidos, muito pouco resta desta estrutura embrionária. A maioria dos colaboradores iniciais afastou-se, os núcleos locais deixaram de existir, as fontes directas de informação secaram. Ler mais »

Falta de vergonha

É habitual surgirem muitas promessas e grande demagogia nas campanhas eleitorais como aquela que neste momento acontece em Portugal. É apenas mais um exemplo de uma absoluta falta de vergonha o que agora se passa com o PSD em Almada. Maria Luis Albuquerque, ex-ministra das finanças do governo PSD/CDS em tempos da troika, é candidata a presidente da Assembleia Municipal de Almada e vem defender uma baixa de impostos, precisamente o contrário do enorme aumento de impostos que ela e o seu colega Vítor Gaspar aplicaram aos portugueses, particularmente às classes trabalhadoras.

Terror “branco”

As autoridades do Reino Unido anunciaram a detenção, em princípio de Setembro, de quatro membros de um grupo neonazi entre os quais estão militares no activo. São suspeitos de estarem a preparar atentados terroristas no país, diz a polícia. Se os indivíduos fossem árabes ou muçulmanos, não faltariam vozes a falar num “confronto de civilizações” visando destruir a “nossa democracia” e o “nosso modo de vida”.

Aproveitadores

O PSD, que, há coisa de um ano, juntamente com o CDS, bramava contra a paralisia dos sindicatos, acusando-os (visando sobretudo a CGTP) de estarem feitos com o governo, parece ter passado das palavras aos actos. Dizem as más línguas que o protesto dos enfermeiros tem a mão do PSD. Na verdade, a acção conta com o apoio da UGT, liderada por esse exemplo de lutador sindical que em 2015 pugnou pela reedição de um governo PSD-CDS, em vez da aliança do PS à esquerda. E conta, claro, com a movimentação incansável da actual bastonária da Ordem, Ana Rita Cavaco, membro do conselho nacional do PSD. O propósito seria entalar o governo nas vésperas das eleições autárquicas.
Verdade ou não, o certo é que a direita vê nisso o sinal Ler mais »

Maravilhas do privado

No dia 4 de Setembro, o Colégio Ramalhete (privado), no Porto, fez saber que não reabriria neste ano lectivo. Noventa crianças do pré-escolar e do ensino básico ficaram assim sem escola a poucos dias do começo das aulas. Os porta-vozes do colégio deram como razão para o encerramento um “imprevisto inesperado” (sic), e pronto. Deixar dezenas de crianças à porta da escola e pais sem saberem o que fazer à vida: eis uma das liberdades do capitalismo que os defensores da “iniciativa privada” evitam comentar.

O centurião exemplar

Donald Trump enviou a Espanha as condolências da praxe pelo atentado de Barcelona e prometeu ajudar naquilo que pudesse. A “ajuda” seguiu na forma de outro tweet em que convidava os espanhóis a estudarem o exemplo do general norte-americano John Pershing. Pershing participou na guerra entre os EUA e a Espanha, em finais do século XIX, na qual os norte-americanos roubaram Cuba e as Filipinas ao império espanhol.
Conta-se que este ídolo de Trump mandou executar guerrilheiros filipinos muçulmanos (“terroristas”, claro, que resistiam à ocupação militar norte-americana) com balas tingidas com sangue de porco. Diz Trump exultante: “Não houve mais terror radical islâmico durante 35 anos!”. Verdade ou não, Ler mais »

Jornalismo isento… de vergonha

O Congresso dos EUA aprovou novas sanções contra a Rússia, em mais um capítulo da novela sobre a suposta interferência dos serviços secretos russos nas eleições presidenciais norte-americanas. Donald Trump, que teria sido o beneficiário da marosca, e apesar das suas promessas de boas relações com a Rússia, disse-se disposto a aprovar a medida. Em resposta, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a expulsão de 750 funcionários diplomáticos norte-americanos. Comentando esta decisão russa, o correspondente da RTP em Moscovo, Evgueni Muravich, desvalorizou a razão invocada por Putin e sentenciou que a expulsão se deve ao facto de Putin precisar de um “inimigo externo” para manter os níveis de popularidade e agregar os russos em torno da sua política. Ora aqui está Ler mais »

Camarilha

Hermínio Loureiro, vice presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ex-presidente da CM de Oliveira de Azeméis, mais o actual presidente da Câmara, mais um empresário que foi presidente do conselho de administração da Assembleia da República e presidente da CCDR Norte, mais um adjunto de Loureiro, mais outros três empresários foram detidos pela PJ por corrupção, num esquema de adjudicação de obras de favor. Nas 31 buscas realizadas, que incluíram 5 câmaras municipais e 5 clubes de futebol, foram apreendidos 15 imóveis, 6 milhões de euros em dinheiro e 6 carros de luxo, entre eles um Bentley de Hermínio Loureiro (valendo de 200 a 300 mil euros). Tudo, diz a polícia, fruto de crimes de corrupção e tráfico de influências.

Reinserção social

Isaltino Morais e Narciso Miranda são de novo candidatos às câmaras de Oeiras e Matosinhos. Isaltino, ex-ministro e ex-autarca, foi condenado em 2009 a 7 anos de cadeia por corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder. Narciso foi condenado a 2 anos e 10 meses de prisão, com pena suspensa, em 2015 por abuso de confiança e falsificação de documentos.

Gestores de topo

António Mexia, à frente da EDP há 12 anos e ex-ministro, está a ser investigado por suspeitas de corrupção. O mesmo com o presidente da EDP Renováveis, Manso Neto, e com Manuel Pinho, o ex-ministro de Sócrates que tutelava a EDP. Também um ex-responsável pela Direcção-Geral de Energia foi recentemente constituído arguido. Em causa está a suspeita de que as rendas pagas pelo Estado à EDP, no âmbito de um acordo estabelecido quando Pinho foi ministro, foram empoladas, tendo Mexia e Manso beneficiado do negócio. Só entre 2007 e 2011, diz a Comissão Europeia, a EDP recebeu do Estado 1500 milhões de euros. Os consumidores portugueses pagam a energia mais cara da União Europeia.

Dito

Todas as vezes que a terrível justiça humana estendeu o seu gládio sobre o pescoço de um homem, eu disse para mim próprio: ‘As leis penais foram feitas por pessoas que não conhecem a desgraça’.
Balzac, O Lírio no Vale, 1835