Zeloso ministro, zeloso governo

Manuel Raposo

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva (e, com ele, o Governo), não se atreveu a abrir a boca quando os EUA, num acto de terrorismo de Estado, em violação de todas as normas internacionais, assassinaram em 3 de Janeiro o general iraniano Qassim Suleimani — que ia negociar um acordo de paz com a Arábia Saudita.

O ministro (e, com ele, o Governo) deixou assim de lado todos os preceitos das relações internacionais que, noutras circunstâncias, jura defender, como seja a Carta das Nações Unidas, que Portugal está obrigado a respeitar e fazer respeitar.

Santos Silva, sem vergonha, atreveu-se a abrir a boca dias mais tarde, a 8 e 10 de Janeiro, para condenar a retaliação do Irão contra bases dos EUA no Iraque. O acto de guerra criminoso dos EUA foi, portanto, coisa pacífica para o ministro. Mas a resposta, legítima, esperada, previamente anunciada e sem efeitos letais do Irão foi inaceitável. Ler o resto do artigo »



EUA ameaçam guerra generalizada

Fraquezas do tigre de papel

Sara Flounders (*)

Esta nova década inicia-se com ameaças abertas de barbárie por parte dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, os sinais que vêm do Médio Oriente (e de outras partes do mundo) dão conta de uma ampla resistência de milhões de pessoas, fartas de tiranias e de más condições de vida. Resistência essa que não parece já episódica e de propósitos limitados, mas que sugere o germinar de novas ondas de lutas de massas de maior alcance. Não sendo, na maioria, expressamente anti-imperialistas e anticapitalistas, têm contudo como alvo objectivo a dominação das grandes potências (nomeadamente os EUA) e o descalabro a que o capitalismo conduziu o mundo. São por isso potencialmente revolucionárias. Ler o resto do artigo »



Primeiro orçamento pós-geringonça

E não se pode chumbá-lo?

António Louçã

A chantagem de António Costa para impor um orçamento anti-popular é, mais uma vez, o papão da direita, que voltaria ao poder se a esquerda votasse contra. Voltaria mesmo? Seria precisa muita ingenuidade e cobardia política para acreditar nesse automatismo e capitular perante a chantagem. A alternativa é a luta, que pode perder-se, mas que se perde sempre quando não se tenta. Ler o resto do artigo »



Superavit: a mistificação do ‘bem comum’

Urbano de Campos

Já foi dito quase tudo sobre o superavit que o Governo prevê no Orçamento do Estado para 2020: que é dinheiro dos contribuintes e devia ser investido em apoios sociais, que (como propõe o Governo) deverá abater a dívida chamada pública para aliviar encargos do Estado, que deveria ser aplicado de forma produtiva, etc. Mas este debate “político-económico” corre o risco de esconder a opção mais funda que determina tanto a decisão do Governo como a concordância do patronato — e o porquê da convergência de uma e outra. Ler o resto do artigo »



A ‘racionalidade económica’, segundo Saraiva

Manuel Raposo

O mandatário dos patrões da Indústria, António Saraiva, presidente da CIP, condenou a decisão do Governo de subir o salário mínimo como sendo uma medida meramente “política”, com o único resultado de o Estado arrecadar mais uns milhões em impostos. Mas, sobretudo, criticou aquilo que ele, Saraiva, diz ser uma decisão “sem racionalidade económica”. O homem da CIP não explicou o seu conceito de “racionalidade económica”, mas não é difícil adivinhá-lo. Ler o resto do artigo »



Quem se lembrou de banir a imprensa portuguesa na visita de Netanyahu?

António Louçã

À primeira vista, dir-se-ia que se trata de mais um gesto de prepotência imperial ianque-israelita e mais um agachamento de subserviência portuguesa: Netanyahu e Pompeo pedem um país emprestado para se encontrarem, aterram com as suas próprias comitivas de jornalistas amigos, e proíbem os jornalistas indígenas de estarem presentes. Sem podermos prová-lo, diremos que esta aparência engana. A única explicação com alguma lógica para a imprensa portuguesa ser banida é que a ideia tenha vindo do próprio António Costa. Ler o resto do artigo »



Sindicalismo, sindicalismo policial, omertà

Urbano de Campos

A manifestação dos agentes da PSP e da GNR de 21 de Novembro trouxe as chamadas forças de segurança para as primeiras páginas. Na sombra ficou a escandalosa absolvição, pouco tempo antes, de onze agentes da PSP que, há cinco anos, em Guimarães, espancaram colectivamente e cegaram um adepto de futebol. Num caso, os sindicatos organizaram o protesto por melhores remunerações e condições “de trabalho” dos agentes; noutro caso, um dirigente de um desses sindicatos fazia parte dos onze inculpados. De que direitos laborais falamos então quando se trata de forças policiais? Ler o resto do artigo »



25, o deles e o nosso

Manuel Raposo

Sobre o 25 de Novembro, 44 anos depois, está tudo dito e (quase) tudo provado. Foi um golpe militar conduzido pela ala direitista do MFA, teve o apoio das secretas e dos governos europeus e norte-americano, Mário Soares foi o seu testa de ferro, pôs fim ao movimento popular mais radical da história portuguesa recente, criou condições para a reconstituição do grande capital, destruiu as organizações populares e fez retroceder as conquistas de 19 meses de acção directa de um povo farto de mordaças — festiva, solidária, empenhada, como todas as movimentações que constroem coisas novas.

Uma democracia cinzenta, engravatada, dita representativa, moderna, europeia, tomou o lugar do que fora um simples, tímido, esboço de democracia popular. Não foi preciso esperar 44 anos para ver os frutos: primazia absoluta aos negócios, corrupção, fortunas fulgurantes, diferenças colossais entre riqueza e pobreza, degradação dos serviços sociais, afastamento da massa do povo de qualquer decisão política (depois queixam-se da abstenção…), os pobres de novo empurrados para baixo. Eis o monopólio político da burguesia. Ler o resto do artigo »



Parlamento Europeu destila anticomunismo

Manuel Raposo

A proposta de condenação “do totalitarismo” trazida à Assembleia da República, a 15 de Novembro, pela mão da Iniciativa Liberal deu eco à resolução aprovada em Setembro no Parlamento Europeu que condena e põe no mesmo pé nazismo e comunismo. Lá como cá, foi um sinal da convergência política entre a direita e a extrema direita, com a particularidade de, no PE, essa colaboração ter contado com o voto dos socialistas. Entre nós, coube ao CDS o encargo de justificar o mérito da iniciativa, assumindo-a como sua e congregando os votos da direita à extrema-direita. Ler o resto do artigo »



José Mário Branco

Da via artística de José Mário Branco falam sobretudo as canções, os concertos, as obras editadas, as produções feitas com outros artistas. E ainda a sua vasta colaboração em acções políticas e em actos de solidariedade, desde os anos de emigrado aos agitados tempos do Portugal libertado da ditadura. Esse é o legado que vai ficar, em registo físico e em testemunhos.

Mas cumpre realçar também o que tende a ser esquecido, ou deixado num plano de sombra. Apesar de ter dito de si próprio que nunca foi um político, José Mário Branco foi sempre, à sua maneira, um militante político. Desde cedo terá visto que é a acção política (mesmo através de canções e concertos) a alavanca da transformação social. Intervir foi, por isso, o seu impulso permanente. Ler o resto do artigo »



Libertar Lula: um passo para derrubar Bolsonaro

António Louçã

Sejam quais forem as sequelas da decisão anunciada pelo Supremo Tribunal brasileiro, uma certeza se impõe: a questão de libertar Lula tem sido única e exclusivamente uma questão política, como o foi também a questão de condená-lo e prendê-lo.
Com a condenação de Lula em ritmo turbo e em tempo recorde garantiu-se que ele não pudesse disputar uma eleição em que todas as sondagens o apontavam como folgado vencedor. Lula tinha de ser condenado para Bolsonaro ser eleito. Agora, era preciso que Lula fosse libertado para o poder da quadrilha Bolsonaro começar a ser seriamente posto em causa. Ler o resto do artigo »



O “governar à esquerda” do PS

Manuel Raposo

Mais do que o discurso formal de António Costa no debate sobre o programa do Governo, foi a intervenção da líder parlamentar do PS que melhor deu a perceber o sentido da governação para os próximos quatro anos. Disse Ana Catarina Mendes que será a “classe média” o foco das preocupações do Governo. E explicou: “democracias fortes exigem classes médias fortes”. Ler o resto do artigo »



O Brexit, para além do circo

Manuel Raposo

O circo em que se transformou o Brexit é certamente fruto, também, dos conflitos partidários no Reino Unido, das disputas de poder entre Reino Unido e União Europeia e ainda da pressão exercida a partir de fora pelos EUA para romper e enfraquecer a UE. Mas ficar por aí seria ver só a superfície do assunto e trocar as causas com as consequências.

Existe uma real dificuldade em fazer o divórcio entre RU e UE sem grandes perdas para ambos os lados. Porquê? Porque o capital europeu fundiu-se de tal modo nos últimos 50-60 anos que separar a economia do RU da do resto da UE implica provocar rombos enormes no funcionamento dos negócios do conjunto do capital europeu. A “globalização” na Europa deu-se efectivamente, e fazê-la recuar é uma tarefa impossível. É este o nó do problema que tem bloqueado o Brexit. Ler o resto do artigo »



Barbárie sob bandeira democrática IV

A gaffe nuclear da NATO

Manlio Dinucci (*)

É um segredo de Polichinelo. Mas é também um dos desmentidos mais formidáveis da Aliança Atlântica: bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia. Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório, prontamente retirado.
Que os EUA mantêm bombas nucleares naqueles cinco países da NATO está há muito comprovado, em especial pela Federação dos Cientistas Americanos (1). No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. Mas algo deu para o torto. Ler o resto do artigo »



Derrota “histórica” da direita. Sim, e agora?

Manuel Raposo

Olhando aos factos, a derrota eleitoral da direita começou em 2015. Contra todas as arengas da altura, a coligação PSD-CDS foi despedida por uma maioria de eleitores. Argumentar, como ainda hoje se ouve, que o PSD ficou então à frente do PS ilude o essencial: a rejeição do bloco que foi braço direito da troika. A derrota de agora apenas confirma, com valores mais claros, a de há quatro anos. (*) Ler o resto do artigo »



Barbárie sob bandeira democrática III

Rand Corporation: como abater a Rússia

Manlio Dinucci (*)

As conclusões de um relatório confidencial da Rand Corporation foram tornadas publicas recentemente, num brief [realizado em Maio de 2019]. O documento revela como gerir a nova Guerra Fria contra a Rússia. Algumas recomendações já estão a ser concretizadas, mas esta apresentação sistemática ajuda a compreender o seu verdadeiro objectivo. Ler o resto do artigo »



Autoritarismo de Costa não tira férias

António Louçã

A cena em que o primeiro-ministro se exalta contra um idoso e cresce para ele é, talvez, uma derrapagem que em retrospectiva o próprio Costa preferia ter evitado. Mas é daquelas derrapagens que nos revelam, até pela sua espontaneidade, o que poderia tornar-se um PS descontrolado, a reinar sobre o país com maioria absoluta. Ler o resto do artigo »



O internacionalismo deles

António Louçã

Donald Trump é um chauvinista furioso, que sonha em voz alta com fossos cheios de crocodilos para deter os migrantes latino-americanos na fronteira dos Estados Unidos, que arranca as crianças migrantes dos braços das suas mães e que manda abrir fogo para as pernas de quem pede para entrar. Tudo isto não é apenas retórica: o chauvinismo de Trump mata. Ler o resto do artigo »



Barbárie sob bandeira democrática II

EUA: 20 a 30 milhões de mortes desde 1945

Manlio Dinucci (*)

Não é uma análise, nem mesmo uma opinião: é um facto. A “ordem internacional livre e aberta”, promovida desde 1945 pelos Estados Unidos, custou a vida de 20 a 30 milhões de pessoas em todo o mundo. Nenhum presidente, fosse ele qual fosse, conseguiu mudar o ritmo desta máquina da morte.
No resumo de seu último documento estratégico — Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, 2018 (cujo texto completo permanece em segredo) — o Pentágono afirma que “depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e os seus aliados instauraram uma ordem internacional livre e aberta para salvaguardar a liberdade e os povos da agressão e da coerção”, mas que “agora esta ordem está a ser minada pela Rússia e pela China, que violam os princípios e as regras das relações internacionais”. Eis uma alteração completa da realidade histórica. Ler o resto do artigo »



Barbárie sob bandeira democrática I

As sanções matam

Workers World (*)

A generalidade das populações dos países Ocidentais vê com indiferença, quando não apoia, as intervenções do imperialismo, norte-americano ou europeu, em qualquer outra parte do mundo. Sejam elas acções militares, sanções económicas, ameaças diplomáticas ou conspirações políticas, directas ou por procuração. Tornam-se assim cúmplices de crimes, de dimensão muitas vezes desconhecida, cometidos contra milhões de pessoas. Ler o resto do artigo »





Donde menos se esperava

Não admira que os patrões, não apenas os dos transportes, tenham tomado como alvo o porta-voz dos camionistas, o advogado Pardal Henriques. À boca pequena e na forma de intriga, tanto lhe são apontadas “ambições políticas” escondidas, como supostos comportamentos “pouco recomendáveis” — como disseram esse outro advogado que representa a Antram (que terá também as suas ambições políticas) e o presidente da Confederação do Comércio (ele mesmo politicamente pouco recomendável).
O que admira é ver Francisco Louçã (SIC, 9 Agosto), e com ele o BE; e também o PCP, seja através do Avante, pela pena de Manuel Gouveia (8 Agosto), ou em notas de imprensa (8 e 12 Agosto), fazerem o mesmo. Ler mais »

Pinochet no Egipto

A “reforma económica” feita no Egipto, em 2016, pela ditadura do general Sisi, com a “ajuda” do FMI, foi glorificada por comentadores financeiros como o mais atractivo caso de reforma do Médio Oriente, da África e da Europa de Leste, e o país declarado como o mercado emergente mais fogoso do mundo. O afluxo de capitais externos em busca de juros fáceis (garantidos manu militari, como no Chile de Pinochet) tomou conta de boa parte da dívida do país: em 2018 a parcela dessa dívida nas mãos de estrangeiros subiu 20% em relação ao ano anterior e a tendência mantém-se em 2019. O reverso desta realidade, Ler mais »

Conselheira presidencial

Desde Novembro passado, os EUA cortaram 700 milhões de dólares de ajudas que se destinavam a combater a epidemia de Ébola na África Central e a apoiar a desminagem de países do sudeste da Ásia, nomeadamente os que foram vítimas das agressões norte-americanas das décadas de 60-70. O corte seguiu-se à publicação no Washigton Post de um artigo louvando a acção do governo de Trump contra o tráfico de seres humanos e condenando os países que, na óptica dos EUA, “não fazem o suficiente” para o combater. O artigo era assinado por Ivanka Trump, filha do presidente e conselheira superior da Casa Branca. Ler mais »

Problema “tecnológico”

“Por cada sete empregos destruídos pelas novas tecnologias, apenas se cria um novo”. A afirmação é do economista espanhol Santiago Niño Becerra, numa entrevista à televisão de Espanha, Maio 2019. Este dado desmente a afirmação, repetida pelos apóstolos do capitalismo, de que “a tecnologia destrói emprego, mas cria outros que agora não existem”. Cria outros, de facto, mas a um ritmo, pelos vistos, sete vezes inferior ao da destruição. Esta evolução, que para a sociedade capitalista é uma dor de cabeça no plano social (que fazer com tanta gente afastada do processo produtivo e do consumo?), é todavia um sinal positivo na perspectiva de uma sociedade futura livre do capitalismo. Ler mais »

Guerra de extermínio

No primeiro trimestre deste ano, a polícia do Rio de Janeiro matou perto de 450 pessoas, uma média de cinco por dia. É um recorde de 20 anos, desde que o Instituto de Segurança Pública regista estes números. A investigadora Daniela Fichino, da organização Justiça Global, afirma que isto se deve à legitimação que é dada à polícia para matar, quer pelo governador do Estado, Wilson Witzel (do Partido Cristão Social), quer pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Witzel prometeu durante a campanha eleitoral fazer uso de snipers contra supostos traficantes. Vários dos casos mortais foram efeito de disparos por snipers. Daniela Fichino diz que a maioria das vítimas são negros, no que ela classifica como uma guerra de extermínio dirigida contra a juventude negra.

Liberdade para os presos políticos palestinos

No passado dia 17 comemorou-se o Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinos. Várias organizações portuguesas subscreveram um manifesto reclamando a sua libertação, protestando contra as torturas e arbitrariedades a que são submetidos e denunciando a política criminosa do Estado de Israel.
Como é vincado pelo manifesto, promovido pelo MPPM, passaram pelo sistema penal israelita 10 mil presos de 2015 para cá, 850 mil desde 1967 e um milhão desde 1948. Em Fevereiro de 2019, havia nas cadeias israelitas 5440 presos políticos palestinos, incluindo 493 a cumprir sentenças de mais de 20 anos de prisão e 540 condenados a prisão perpétua. Os menores não são poupados: desde 2000, pelo menos 8 mil menores palestinos foram detidos, interrogados e acusados pela justiça militar israelita.
Ver aqui texto completo e lista de subscritores.

Contra o apartheid israelita

O jornalista, escritor e activista britânico Ben White, especializado na questão palestiniana, foi convidado pelo Comité de Solidariedade com a Palestina e a Fundação Saramago para uma conferência, seguida de debate, intitulada “O apartheid israelita: o que importa saber”. Terá lugar a 19 de Março, às 18h30, na Fundação José Saramago, em Lisboa.
A sessão insere-se na iniciativa mundial Semana do Apartheid Israelita 2019 que, em Lisboa, conta com mais as seguintes iniciativas co-organizadas pelo CSP:
21 de Março, 18h00 — Mesa redonda com Tiago Rodrigues, Miguel Vale de Almeida e Shahd Wadi, no ISCTE, Av. das Forças Armadas.
25 de Março, 19h00 — Exposição sobre o apartheid e filme sobre Gaza, na Sirigaita, Rua dos Anjos 12F.

Não se enxergam…

Nuno Severiano Teixeira foi ministro da Administração Interna e da Defesa em governos do PS. É professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e Visiting Professor na Georgetown University, Washington. Escreve para a imprensa na qualidade de fazedor de opinião. Um destes dias, escreveu no Público 103 linhas de texto em que repete as maiores vacuidades de qualquer banal notícia acerca da cimeira de Hanói entre Trump e Kim. Destas 103 linhas usa, a abrir, 42 para nos dar a saber que frequenta “o barbeiro mais famoso de Washington” o qual “corta o cabelo a embaixadores e generais, senadores e Presidentes”. E explica: “Como o preço é módico, é lá que costumo cortar o cabelo”.
Exemplares destes, Ler mais »

Marcelo abre caminho

Os pareceres da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Administrativo a favor da requisição civil dos enfermeiros, decidida pelo Governo, deu pretexto ao presidente da República para lançar um aviso aos trabalhadores, especialmente da função pública, sobre as greves. Disse ele que, de futuro, os sindicatos terão de ter uma “preocupação acrescida” quando decidirem fazer greve, brandindo a arma da requisição civil. De facto, os pareceres da PGR e do STA, não tendo analisado os fundamentos da requisição (se houve ou não cumprimento dos serviços mínimos pelos grevistas) deram ao Governo uma espécie de carta branca, que Marcelo pelos vistos quer transformar em regra. Com o ar de paladino Ler mais »

Sair ou não sair da Síria

Depois de ter anunciado a retirada das tropas dos EUA da Síria, o presidente Trump vai adiando a medida, em parte sob pressão dos meios militares. As hesitações sobre a Síria têm um nome: os EUA (e a UE) foram derrotados nos seus propósitos de tomar conta do país. A guerra que ambas as potências promoveram e financiaram procurava colocar no poder um fantoche que lhes fosse obediente, e isso falhou. Obama passou pelo dilema de Trump, mas ao contrário: entrar ou não entrar em força na guerra era a sua questão. O desenlace mostra, primeiro, que a oposição aos planos imperialistas reúne forças consideráveis (e não são apenas os russo e os chineses), e, segundo, que a hegemonia militar Ler mais »

Ele Não!

O presidente da República teve o despudor de convidar Bolsonaro a visitar Portugal, coisa que o país não lhe encomendou e que vai contra tudo o que seria razoável fazer perante um personagem como aquele. O que vem cá fazer o fulano? Melhor: o que pretendem Marcelo e a diplomacia portuguesa que venha ele cá fazer? Agradecer pessoal e presencialmente a vitória que lhe deu a comunidade brasileira em Portugal? Apresentar de viva voz os seus métodos para “reforçar a democracia” e tirar o capital da crise? Explicar o processo de criminalizar como terroristas os movimentos sociais? Dar alento aos seus apaniguados lusitanos? Glorificar a Pide como fez aos torturadores brasileiros?
Se o convite se concretizar, será caso para organizar, massivamente, a recepção que um energúmeno desta estirpe merece. Começando, desde já, por dizer como milhões de brasileiros: Ele Não!

Até a direita às vezes acerta

A direita, satisfeita com a vitória de Bolsonaro, quer provar à força que, se há mal nisso, então “a culpa é da esquerda”. Não fala da conspiração para destituir Dilma, esquece que Lula estava à frente nas sondagens e por isso tinha de ser eliminado, omite o papel directo do imperialismo ianque na viragem produzida no Brasil.
Um cronista do Público, J. M. Tavares, que também debita umas larachas na TVI (“Governo Sombra”), escreveu, que “o tema da ‘culpa da esquerda’ é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro”. Como demonstração da tese diz, sem se achar ridículo, que “a esquerda chamou os fascistas, os fascistas vieram”. Mas, linhas adiante, contrariando a própria tese, numa coisa o homem acerta. Ler mais »

A prioridade das prioridades

Luís Nobre Guedes (CDS, ex-ministro do Ambiente em 2004-2005, envolvido então no processo Portucale, suspeito de favorecimento ao BES) tem lugar cativo como comentador na RTP3. Foi bem explícito na satisfação que teve pela eleição de Bolsonaro. Disse ele que, nesta eleições, “a prioridade das prioridades era derrotar o PT”. E para que ninguém duvidasse, sublinhou: “não retiro uma palavra”. Mais. Grandes investimentos estão já na calha: a Toyota, uma empresa israelita de tratamento de águas, etc. prometem investir milhões — e isso, diz Guedes, “é bom para o Brasil”. É “bom”, agora, quando grande parte da mão de obra regressa à miséria, não antes. Para quem assim fala, qualquer Bolsonaro é bem-vindo.

Democracia a mais

As posições de Assunção Cristas, pelo CDS, e de Rui Rio, pelo PSD, de se “distanciarem” tanto de Bolsonaro como de Haddad, não podem iludir ninguém. Tratou-se de um deixa-andar para que o ex-capitão fascista fosse eleito. O democratismo destes figurões fica à vista de todos: preferem um fascista no poder do que terem de aceitar um partido, como o PT, que tentou aplicar uma política, mesmo moderada, que tirasse os mais pobres da miséria. Uma simples social-democracia de esquerda, como foi o PT de Lula, é para eles o diabo. A coisa tem uma explicação: a precariedade do poder político actual, associada à crise de tem-te-não-caias do capitalismo mundial leva-os a procurar amparo nas soluções de poder mais extremistas. Para esta gente há democracia a mais.

Os fãs do fascista Bolsonaro

Também estão entre nós e assumem-se. E não são apenas alguns seguidores da IURD. Estão no Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia, que não gostou que o ministro da Administração Interna tivesse ordenado um inquérito às circunstâncias da fuga de três arguidos do Tribunal de Instrução Criminal do Porto (suspeitos de roubos a idosos) e à divulgação das fotografias dos mesmos após as detenções em Gondomar. Em resposta, o Sindicato fez uma montagem vergonhosa e mentirosa no Facebook, associando Eduardo Cabrita à não preocupação com o espancamento de idosos, dando como exemplo as fotografias de dois idosos espancados em Londres e no Brasil. Também se encontram Ler mais »