As mentiras sobre o Afeganistão

Manuel Raposo

SYRIA-CONFLICTA NATO “estuda” o envio mais “alguns milhares” de tropas para o Afeganistão, disse o seu secretário-geral. Trata-se de mais uma pressão dos EUA no sentido de envolver os comparsas da Aliança numa guerra sem fim — já lá vão 16 anos — e que tem evoluído negativamente para as potências imperialistas, com ganhos territoriais para os Talibã e crescentes baixas entre as forças ocidentais. Antes do ataque ordenado por Bush em 2001, já James Carter tinha iniciado a intervenção norte-americana a pretexto da “invasão soviética”. Vale a pena conhecer a verdadeira história desta guerra que resumimos a partir de um artigo publicado pelo jornal comunista norte-americano Workers World. Ler o resto do artigo »



Greve geral dos trabalhadores da PT

Contra ameaças de desmembramento e despedimento

Pedro Goulart

GrevePTMais de 2000 trabalhadores da PT de todo o país estiveram no dia 21 em greve de 24 horas, contra a transferência de funcionários desta empresa para empresas parceiras ou outras empresas do grupo Altice, iniciando uma marcha de protesto da sede da empresa, em Picoas, Lisboa, até à residência oficial do primeiro-ministro. Os trabalhadores da PT estão a levar a cabo uma luta pela defesa dos postos de trabalho, pelos direitos laborais e sociais, assim como por uma boa prestação de serviços à população. Ler o resto do artigo »



Editorial

O tabu

O PCP e o BE, que tanto defendem um Portugal livre de tutelas exteriores, teriam no caso de Tancos, se não o tratassem como facto isolado, uma boa ocasião de mostrar como a subordinação militar à NATO e às aventuras militares do imperialismo prejudicam o país. Bastaria estender os exemplos à fraude nas messes da Força Aérea, ao roubo de armas da PSP, aos submarinos, aos blindados Pandur e por aí fora. Lembrando não só os gastos em missões externas ou material militar, mas também o foco de corrupção que tal subordinação origina.

Mas não. Jerónimo de Sousa culpou os governos que “reduziram ao osso a condição militar” praticando “cortes e mais cortes” que “colocam em causa a missão das Forças Armadas”. Catarina Martins ficou “perplexa” com “este falhanço em tarefas fundamentais do Estado”. Ler o resto do artigo »



Tancos e muito mais

Manuel Raposo

Medalha SDA pergunta que tem faltado na discussão sobre o caso de Tancos é esta: pode um roubo de tal dimensão ser praticado sem colaboração interna? Tudo aponta que não. A incúria, a vedação furada, a falta de vídeo-vigilância e de rondas, e tudo o mais que se descubra, são, quando muito, como é bom de ver, incidentes que podem ter facilitado a operação, mas que não explicam a limpeza como pôde ser levada a cabo. De resto, como poderiam os gatunos saber destas facilidades se, mais uma vez, não tivessem informação de dentro?

Depois do foguetório inicial da comunicação social e das forças políticas, a discussão está agora a ser reduzida a um problema de “falha de segurança” e é dentro desse âmbito fechado que se procuram “responsáveis”. Percebe-se porquê: a resposta à pergunta que levantamos implica não com “incúrias” mas com corrupção e redes de tráfico de armas. E para o poder, é claro, importa ilibar as forças armadas, e as instituições em geral, desse tipo de crime. Ler o resto do artigo »



Londres e Pedrógão Grande

Urbano de Campos

PedrogaoNo incêndio em Londres que fez arder como uma tocha um prédio de apartamentos com 24 andares, morreram quase 80 pessoas. Em Pedrógão Grande, num dos maiores fogos florestais de que há registo, morreram mais de 60 pessoas. Em Londres, os 600 habitantes atingidos eram quase todos imigrantes e descendentes de imigrantes e ficaram sem nada. Em Pedrógão, as centenas de pessoas das aldeias isoladas, onde os bombeiros mal podem chegar, não eram ricas e muitas perderam tudo.
Num caso como noutro as causas dos fogos terão sido naturais: um curto-circuito num frigorífico, e um raio que incendiou uma árvore. Não há portanto a desculpa útil da “mão criminosa”. Ler o resto do artigo »



Repressão e xenofobia avançam na Europa

Por cá, o tema é a delação premiada

Carlos Completo

RepressaoA grave crise económica que atinge o capitalismo a nível mundial, os problemas criados pelas muitas centenas de milhares de imigrantes que aportaram e aportam ao continente europeu (em grande parte fugidos das guerras desencadeadas e alimentadas pelo imperialismo ocidental), assim como as acções terroristas do chamado Estado Islâmico, são factores poderosos que servem de pretexto aos governos europeus para a adopção de medidas securitárias que afectam grave e diariamente o campo dos direitos sociais e humanos dos cidadãos. Ler o resto do artigo »



O PCP reflecte sobre o socialismo

António Louçã

SeminarioPCPNum seminário realizado em Lisboa, no fim de semana de 17 e 18 de Junho, o PCP debruça-se sobre a actualidade de um projecto socialista, a cem anos da Revolução de Outubro. Em entrevista ao “Público”, o “ideólogo comunista” Albano Nunes produz uma afirmação de aparência inovadora sobre a visão que o partido tem do regime socialista: “Nós não defendemos o regime de partido único”.
Mas a explicação que antecede esta frase dá-nos uma ideia mais precisa sobre o pluripartidarismo admitido pelo PCP para o regime socialista: “O Partido Comunista tem de ter um papel dirigente, naturalmente ao lado de outras forças políticas, como o nosso programa estabelece”. Ler o resto do artigo »



Em memória de Alípio de Freitas

Alipio_flipMorreu Alípio de Freitas. Nos seus 88 anos de vida podem contar-se várias vidas. Nascido em Trás-os-Montes, foi padre. Viajou para o Brasil e empenhou-se, ainda como sacerdote católico, na luta dos pobres. Passou pela URSS e por Cuba. Regressou ao Brasil depois de 1964, já não como padre, e integrou a luta amada contra a ditadura. Foi preso em 1970 e torturado. Após 9 anos de cadeia, foi libertado na condição de apátrida. Rumou a Moçambique para junto dos camponeses pobres. Regressado a Portugal em 1983, participou nas acções populares e nas lutas da esquerda. Integrou, desde 2004, a Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque.
No início deste ano, inúmeros amigos prestaram-lhe homenagem na forma de um livro — “Palavras de Amigos” (*) — com mais de uma centena de depoimentos. Como evocação do lutador incansável, deixamos aos leitores o texto em que Alípio de Freitas, nesse mesmo livro, conta em traços largos a sua própria vida. Ler o resto do artigo »



A “preocupação” da União Europeia com a Venezuela

Manuel Raposo

ChavezFidelA União Europeia aprovou em 15 de Maio, numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, uma declaração sobre a situação na Venezuela em que, com falas mansas, procura uma espécie de “internacionalização” da luta política que se trava no país. O argumento, bem explicitado pelo seráfico ministro português Santos Silva, é este: como vivem na Venezuela muitos cidadãos oriundos de países europeus, a crise “também diz directamente respeito à União Europeia”.
Mesmo apelando a “ambas as partes” para evitarem a violência, a UE não deixa de apoiar a principal exigência política da oposição de antecipação de eleições — quando no próximo ano terão lugar eleições presidenciais, como estabelece a constituição do país. Ler o resto do artigo »



Mais dinheiro para a NATO?

Da conversa de Trump à de Azeredo Lopes

Pedro Goulart

NatoBruxelasNa cimeira da NATO, recentemente realizada em Bruxelas, Donald Trump acusou “23 dos 28” países membros desta Organização de não cumprirem as suas “obrigações financeiras”, avisando que 2% do Produto Interno Bruto “é o mínimo” exigível para reforçar a defesa colectiva. E afirmou que tal “não é justo para as pessoas e contribuintes dos Estados Unidos”, salientando que algumas destas nações “devem massivas quantidades de dinheiro dos últimos anos”. Trump referia-se ao compromisso, assumido na cimeira desta organização imperialista, em 2014, de, no espaço de uma década, todos os aliados destinarem 2% do respectivo PIB a despesas militares. Ler o resto do artigo »



Guterres com Trump ao lado de Israel

Manuel Raposo

GuterresCMJ_100Dias depois da proeza de censurar a denúncia do apartheid israelita contra a população palestina (ver texto “Gueterres ajoelhado”, aqui publicado em 2 de Abril), o secretário-geral da ONU António Guterres, discursando a 23 de Abril no Congresso Mundial Judaico, em Nova Iorque, fez uma verdadeira profissão de fé na defesa de Israel.
Quando milhares de prisioneiros palestinos estão em greve de fome, declarou-se “na primeira linha contra o antissemitismo”. Ignorando o desrespeito sistemático de Israel pelas resoluções da ONU, afirmou que Israel deve ser tratado “como qualquer outro” estado. Desprezando a sabotagem israelita à formação de um estado palestino, defendeu “o direito inegável” à existência de Israel. Condenou o “discurso de ódio” antissemita, escondendo o discurso de ódio dos sionistas contra os palestinos. Fugindo de tratar os temas quentes, não disse palavra sobre o recente ataque militar de Israel ao aeroporto de Damasco nem sobre as ameaças ao Irão. Ler o resto do artigo »



Mais de 1500 presos palestinos em greve de fome

Greve geral em 27 de Abril na Cisjordânia e Jerusalém Leste

Urbano de Campos

BargutiEntre 1500 e 2000 palestinos detidos nas prisões israelitas entraram em greve de fome a 17 de Abril, exigindo o fim dos maus tratos a que são sujeitos e reclamando condições de detenção dignas, de acordo com as regras do direito internacional. Liberdade e Dignidade é a bandeira do movimento.
O protesto responde a um apelo lançado inicialmente por Maruan Barguti, um dos líderes da Fatah da Cisjordânia, preso desde 2002 e condenado por Israel a cinco penas de prisão perpétua por ter organizado e conduzido as Intifadas de 1987 e 2000. Negociações feitas nas próprias prisões entre militantes da Fatah e do Hamas estabeleceram um acordo para esta greve de fome conjunta, depois aprovada pelos dirigentes políticos da Cisjordânia e de Gaza. Ler o resto do artigo »



PDE é nome de arma política

“Reformar” até que o capital não tenha freio

Manuel Raposo

LagardeDraghiJá com as contas públicas de 2016 encerradas, um coro de vozes a vários tons — FMI, Banco Central Europeu, Ecofin, Comissão Europeia — veio lembrar as fragilidades da economia portuguesa, as incertezas futuras, a “insustentabilidade” dos valores conseguidos. Tudo apontando numa mesma direcção: a necessidade de “reformas”. Teve, obviamente, os esperados ecos internos vindos do Conselho das Finanças Públicas, das organizações patronais e, claro, da direita troiko-dependente. E em cima de tudo isto, as agências de rating re-confirmaram o “lixo” para que remetem a economia lusa.
Arrasta-se assim, sine die, o prazo para o esperado levantamento do chamado “procedimento por défice excessivo”, contrariando o optimismo de Marcelo e de Costa. Ler o resto do artigo »



Lutas em vários sectores laborais

Por melhores condições de vida e melhores contratos de trabalho

Pedro Goulart

greve17Trabalhadores do comércio e dos serviços, da hotelaria, dos transportes e da indústria puseram em marcha, nas últimas semanas, greves e protestos diversos por aumentos salariais e melhores contratos de trabalho. Contrariam assim a acalmia nas acções reivindicativas que se verificou com a formação do actual governo. Se esta movimentação se mantiver e se alargar a mais sectores, podem criar-se condições para uma mudança da situação vivida no último ano e meio.
A impossibilidade de o governo de António Costa dar satisfação, por um lado, às directrizes da União Europeia e às exigências do capital e, por outro lado, às justas reivindicações das classes exploradas, aponta nesse sentido. O jogo de cintura de que o governo tem dado provas, bem como a “flexibilidade” do BE e do PCP no apoio prestado ao governo, têm limites — esses limites são as necessidades dos trabalhadores em melhorarem a sua vida de forma palpável. A profunda crise do capitalismo não comporta, ao mesmo tempo, o aumento de lucro dos capitalistas e progressos significativos nas condições de vida dos trabalhadores e do povo. O caminho é a luta, sem a ilusão de que o capital e o trabalho possam sair ambos a ganhar. Ler o resto do artigo »



Editorial

Liberdade a sério

Tirando as manifestações populares, as comemorações do 25 de Abril são de há muito uma exibição das forças do poder. Discursos sobre os seus planos para o país, condecorações aos seus servidores ou aos seus personagens emblemáticos, às vezes ocasião para guerrilhas partidárias.

Mesmo as manifestações de rua se mostram cada vez mais saudosistas, sem real capacidade de intervenção política. Fala-se, claro, do que “ainda falta fazer” (Catarina Martins, BE) ou garante-se, num suplemento de ânimo, que o 25 de Abril “está carregado de futuro” (Jerónimo de Sousa, PCP). Mas a verdade é que tudo não passa de uma evocação momentânea, em que as massas, quando muito, soltam os seus gritos de alma, deixando depois “aos políticos” e ao Estado a tarefa de fazerem no resto do ano o que o povo está impedido de fazer: transformar a vida pelas sua próprias mãos, dar outro caminho ao país. E, no entanto, se houver memória, foi isto que aconteceu no breve ano e meio de Abril a Novembro. Ler o resto do artigo »



25 de Abril e unidades balofas

António Louçã

25A_1“É preciso mudar alguma coisa para tudo continuar na mesma” era um lema fundamental do velho reformismo. Havia também quem o traduzisse popularmente numa outra fórmula: “Vamos dar-lhe [ao proletariado] os anéis, para conservarmos os dedos”.
Hoje, tudo isto mudou. Quando ouvimos um governo social-democrata falar em “reformas”, devemos traduzir o calão críptico para a linguagem mais chã que falamos todos os dias: esse governo está, na realidade, a falar em contra-reformas.

O “reformismo” dos nossos tempos é um frenesi de invenções neo-liberais como o restabelecimento das jornadas de 10, 12 e mais horas diárias, o aumento da idade da reforma, o aumento de propinas e taxas moderadoras, o pagamento de cada vez mais TSU dos patrões pelos trabalhadores e outras “novidades” que no limite deveriam levar-nos de volta ao tempo da escravatura. Ler o resto do artigo »



Bónus ao partido com mais votos?

Truques eleitorais na democracia burguesa

Pedro Goulart

MontenegroO líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, numa intervenção como convidado de um almoço do International Club of Portugal, em Lisboa, advogou que, apesar de nas legislativas em Portugal se votar para eleger deputados, “escolher em eleições legislativas significa escolher um caminho”, privilegiar a escolha que o povo fez num líder ou numa liderança, e afirmou não estar “a olhar para trás”, para as eleições de 2015, mas a apresentar ideias para futuros actos eleitorais.
Por isso, desafiou os partidos de esquerda a ponderarem um sistema eleitoral como o da Grécia, sistema preparado pela burguesia deste país, em que o partido vencedor obtém um ‘bónus’ de 50 deputados, permitindo mais facilmente obter maiorias absolutas. Ler o resto do artigo »



Guterres ajoelhado

EUA e Israel apagam denúncia de apartheid

Manuel Raposo

RimaKhalafDurou menos do que seria de esperar a anunciada “nova era” da ONU, com o recém-eleito secretário-geral António Guterres à frente. Dois meses depois de ter tomado posse, Guterres viu-se confrontado com um relatório publicado sob responsabilidade da Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental, um organismo da ONU liderado pela jordana Rima Khalaf, de que fazem parte 18 países árabes, que acusava Israel de praticar apartheid contra a população palestina. “Israel estabeleceu um regime de ‘apartheid’ que domina o povo palestino como um todo”, dizia o texto.
Cedendo, sem apelo e sem resistência, às pressões dos EUA e de Israel — que não se fizeram esperar — Guterres mandou retirar o relatório do site da ONU. Recusando-se a aceitar a decisão, Rima Khalaf demitiu-se em protesto. Ler o resto do artigo »



A chantagem prossegue

E Dijsselbloem é apenas um cão de Schauble que não quer perder o tacho

Pedro Goulart

DijsSchaubleQuem já se esqueceu dos avisos, das pressões e das ameaças da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu que pairaram sobre Portugal durante a elaboração e a execução do OE 2016? E a propósito do OE 2017? As cúpulas da troika nunca digeriram bem a actual solução governativa portuguesa, apesar desta não extravasar o quadro do sistema capitalista. Mesmo agora, depois de conhecido o défice do OE 2016 (2,1% do PIB, abaixo das exigências da UE) e de Portugal ir, consequentemente, sair em breve do “procedimento por défice excessivo”, significativa e ameaçadoramente Wolfgang Schauble acena-nos com eventuais novos resgates e o BCE, de Mário Draghi, defende a aplicação de multas ao nosso país, por “desequilíbrios macroeconómicos”. Ler o resto do artigo »



Derrotar o ninho de víboras

EUA aumentam gastos militares à custa das verbas sociais

Fred Goldstein (*)

TrumpO governo Trump prossegue a sua política de ataque às massas trabalhadoras e imigradas. O chefe do Departamento de Segurança Interna, general John Kelly, assinou diversos memorandos que alargam amplamente a definição de imigrantes indocumentados, imediatamente sujeitos a deportação.
Têm sido realizadas detenções aleatórias em todo o país. O medo instala-se nos bairros, desde Long Island a Los Angeles a Chicago e às áreas de fronteira. Os imigrantes têm medo de andar de carro ou de ir até uma loja com receio de serem apanhados pelos agentes da Imigração e da Alfândega. Atravessar a fronteira é agora considerado um crime sujeito a deportação. Isto aplica-se a 11 milhões de pessoas. Além das deportações, há uma escalada de assédio arbitrário que se multiplica por todo o país. Ler o resto do artigo »





Camarilha

Hermínio Loureiro, vice presidente da Federação Portuguesa de Futebol e ex-presidente da CM de Oliveira de Azeméis, mais o actual presidente da Câmara, mais um empresário que foi presidente do conselho de administração da Assembleia da República e presidente da CCDR Norte, mais um adjunto de Loureiro, mais outros três empresários foram detidos pela PJ por corrupção, num esquema de adjudicação de obras de favor. Nas 31 buscas realizadas, que incluíram 5 câmaras municipais e 5 clubes de futebol, foram apreendidos 15 imóveis, 6 milhões de euros em dinheiro e 6 carros de luxo, entre eles um Bentley de Hermínio Loureiro (valendo de 200 a 300 mil euros). Tudo, diz a polícia, fruto de crimes de corrupção e tráfico de influências.

Reinserção social

Isaltino Morais e Narciso Miranda são de novo candidatos às câmaras de Oeiras e Matosinhos. Isaltino, ex-ministro e ex-autarca, foi condenado em 2009 a 7 anos de cadeia por corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder. Narciso foi condenado a 2 anos e 10 meses de prisão, com pena suspensa, em 2015 por abuso de confiança e falsificação de documentos.

Gestores de topo

António Mexia, à frente da EDP há 12 anos e ex-ministro, está a ser investigado por suspeitas de corrupção. O mesmo com o presidente da EDP Renováveis, Manso Neto, e com Manuel Pinho, o ex-ministro de Sócrates que tutelava a EDP. Também um ex-responsável pela Direcção-Geral de Energia foi recentemente constituído arguido. Em causa está a suspeita de que as rendas pagas pelo Estado à EDP, no âmbito de um acordo estabelecido quando Pinho foi ministro, foram empoladas, tendo Mexia e Manso beneficiado do negócio. Só entre 2007 e 2011, diz a Comissão Europeia, a EDP recebeu do Estado 1500 milhões de euros. Os consumidores portugueses pagam a energia mais cara da União Europeia.

Dito

Todas as vezes que a terrível justiça humana estendeu o seu gládio sobre o pescoço de um homem, eu disse para mim próprio: ‘As leis penais foram feitas por pessoas que não conhecem a desgraça’.
Balzac, O Lírio no Vale, 1835

Continua a luta dos trabalhadores gregos

Ontem, 17 de Maio, foi levada a cabo a primeira greve geral de 2017 na Grécia. A paragem generalizada verificou-se no dia em que o parlamento grego iniciou a discussão de um pacote de leis para fechar a segunda revisão do programa de resgate, que inclui um corte nas pensões a partir de 2019 e subidas de impostos a partir de 2020.
Os sindicatos baptizaram esta medida de “quarto memorando” por se tratar de ajustes adicionais, não previstos no terceiro resgate, que se aplicarão quando terminar o programa actual.
A greve foi apoiada pelos controladores aéreos e por trabalhadores do metro, autocarros, eléctricos e do transporte ferroviário.
Os hospitais apenas disponibilizaram serviços mínimos, já que os médicos e pessoal hospitalar estão em greve de 48 horas, que se prolonga até hoje, quinta-feira.
Também os reformados e sectores autónomos, como médicos do privado, engenheiros e advogados se uniram à mobilização.
Igualmente, os sindicatos convocaram manifestações para Atenas e outras cidades de maior dimensão no país, exigindo o fim da austeridade e a devolução dos direitos roubados. Houve vários confrontos entre a polícia e os manifestantes.

Democratas e antifascistas de quilate

O PCP e o BE propuseram à Assembleia da República, em 11 de Maio, um voto de apoio aos presos palestinos com três pontos: solidariedade com os presos, exigência de cumprimento por parte de Israel do direito internacional e reafirmação pelo Estado português da coexistência de dois estados, Palestina e Israel. Apesar da singeleza, quase inóqua, da moção — que apenas reafirma coisas que se julgariam assentes — só dois dos três pontos foram aprovados.
O resultado da votação é significativo da qualidade dos nossos democratas e aqui fica registado. O primeiro ponto foi aprovado com os votos contra do PSD e do CDS-PP e da deputada do PS Rosa Albernaz. O segundo ponto foi rejeitado com os votos contra dos mesmos e com a abstenção do PS. O terceiro ponto foi aprovado por todas as bancadas, mas com os votos contra de João Rebelo e João Almeida, ambos do CDS-PP.
De entre os deputados do PS apenas quatro (Isabel Santos, Wanda Guimarães, Paulo Pisco e Bacelar Vasconcelos) votaram a favor de todos os pontos.

O sangue da manada

Os manejos da União Europeia sobre o défice e a dívida pública não se destinam só a Portugal. Pela mesma altura que o holandês Dijsselbloem lançava a suas atoardas contra os países do sul (como bom colonialista que vê nos índios e nos negros apenas preguiçosos), o alemão Schauble punha a hipótese de colocar a Grécia fora do euro (como se a expulsasse do Espaço Vital alemão). Ou isso ou, mais “reformas”, disse ele.
Tais “reformas”, depois de tudo o que já foi “reformado” na Grécia, só poderiam significar destroçar a sociedade grega e reduzir os gregos a escravos.
Talvez porque comece a ver que esta via das “reformas” está esgotada, Schauble já admite a possibilidade de afastar a Grécia do euro. Porquê? Ler mais »

Dito

O banqueiro diferencia-se do velho usurário por emprestar ao rico e nunca ou raramente ao pobre. Ele empresta, portanto, com menos risco e pode permitir-se fazê-lo com melhores condições; e, por estas duas razões, escapa ao ódio que caracterizava os sentimentos do povo contra o usurário.
F.W. Newmann, 1851, citado por Karl Marx

Para reeducação

Uma agente da CIA, a luso-americana Sabrina de Sousa, foi condenada em 2007 por um tribunal italiano a quatro anos de cadeia por cumplicidade no rapto do imã de Milão Abu Omar. A operação foi planeada e executada pela CIA e pelos Serviços Secretos Militares italianos em Fevereiro de 2003 no âmbito das operações “extraordinárias” ditas de luta contra o terrorismo desencadeadas pela administração Bush. Omar foi enviado para o Egipto e aí torturado a cargo do ditador Hosni Mubarak, a quem os EUA encomendavam tais serviços. Apesar de inocente de quaisquer acusações, Omar só foi libertado em 2007.
Nesse ano, a justiça italiana julgou o caso e condenou os implicados no crime, incluindo os agentes da CIA, mas todos acabaram por ser perdoados, por intervenção das autoridades dos EUA. Restava Sabrina. Ler mais »

Pivot

Depois de ter sido posto fora do governo do seu amigo Passos Coelho por indecência e má figura, Miguel Relvas adoptou um perfil discreto: dedica-se na mesma a negócios chorudos mas sem estardalhaço. Recentemente, reforçou para 32% a sua carteira de acções da empresa Pivot, a qual é detida nos restantes dois terços por uma tal Aethel. A Pivot comprou em 2015, por 38 milhões de euros, a Efisa (um dos ramos do falido BPN) em que o Estado enterrou 77,5 milhões. Quem se movimenta também pela Pivot é o amigo Dias Loureiro, responsável pelo desfalque no BPN.
Acontece que a Aethel fez uma proposta para aquisição do Novo Banco, pelo que Relvas e Loureiro, esses dois modelos de seriedade, podem em princípio deitar a mão, com papel de relevo, a uma fatia importante da finança lusa.
O caminho, porém, parece estar difícil. Ler mais »

Xutos & Pontapés na política

A cançoneta “Alepo” que os X&P lançaram recentemente aproveita a comoção forjada sobre a guerra na Síria quando se adivinhava a derrota dos rebeldes. Compuseram a letra, dizem, com as frases de uma menina síria (Bana Alabebe, celebrizada pelos média ocidentais) que teria usado o twitter para contar as ocorrências da guerra na zona leste de Alepo ocupada pelos rebeldes e sitiada pelo exército sírio. Há sérias dúvidas de que a menina fizesse o que se diz, pelo simples facto, denunciado por jornalistas não sujeitos à bitola ocidental (mas que por cá não se fazem ouvir), de que não havia internet na zona leste de Alepo… (Esses mesmos jornalistas contavam que tinham de se deslocar aos hotéis onde se alojavam para poder transmitir as suas reportagens). Ler mais »

Temos programa

Insurgindo-se contra a “falta de sentido” de metade da riqueza mundial estar nas mãos de 1% da população, o director do Diário de Notícias, Paulo Baldaia, alerta que essa “injustiça” torna os eleitores “permeáveis ao populismo”, e leva-os a elegerem “maus governos”. Indignado, Baldaia clama que “não podemos ficar reféns de megacapitalistas que querem tudo para eles”. Tentando ir mais fundo, Baldaia analisa: “o maior erro da globalização” foi o de “não ter precavido” os direitos sociais dos trabalhadores “em zonas do globo mais pobres”. E propõe: “maior justiça social, assente numa economia de mercado com uma melhor distribuição da riqueza criada”. É todo um programa em poucas linhas.
Mas como queria PB que a globalização respeitasse Ler mais »

Chef Avillez colabora

A fachada do restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, foi pintada de vermelho por causa da participação do chef José Avillez num festival gastronómico em Israel. Na fachada podia ler-se: “Liberdade para a Palestina”, “Avillez colabora com a ocupação sionista” e “Entrada: uma dose de fósforo branco”.
O chef José Avillez participou no festival gastronómico Round Tables, em Israel. Trata-se de um festival que decorre até final de Novembro e que conta com a participação de vários chefs internacionais de renome. Mas a visita de Avillez a Tel Aviv gerou críticas, nomeadamente por parte do movimento pró-palestiniano Boicote, Desinvestimento e Sanções, ou BDS — um movimento criado em 2005 para exigir a imediata descolonização israelita e o derrube do muro da Cisjordânia.
O blogue Palestina Vence informa que vários activistas contra o regime israelita de ocupação e apartheid lançaram Ler mais »

A teta das PPP

A empresa Auto-Estradas do Atlântico exige ao Estado uma indemnização de perto de 30 milhões de euros que um tribunal arbitral lhe concedeu depois de ter reclamado 530 milhões de “reequilíbrio financeiro” ao abrigo da PPP que tem com o Estado. Isto porque, com a instalação, em 2013, de portagens em Scut que levavam tráfego à A8, a AEA perdeu clientes. Ou seja, o cidadão paga por dois lados: nas novas portagens das Scut e nas indemnizações aos mamutes das PPP.
E como a coisa rende também na Saúde, o Grupo CUF investe em novos hospitais e clínicas: só em 2016 perto de 250 milhões de euros. No total, tem 15 unidades, duas delas ao abrigo de PPP.
É claro que tais investimentos não se justificariam se a Saúde pública fosse plenamente eficaz, como também é evidente que o capital privado tudo fará para impedir que o seja.
No ano passado as quatro PPP na área da Saúde custaram ao Estado 430 milhões de euros.

Espertezas

Cidadãos cipriotas recorreram ao Tribunal de Justiça da UE para que a troika fosse condenada por os ter obrigado a pagar os buracos dos bancos. O tribunal não lhes deu razão, embora admitisse que os cidadãos têm o direito de processar a troika. Tanto bastou para que Rui Tavares (Livre) exultasse com a possibilidade, que só ele vê, de “ser feita justiça”, por iniciativa dos “milhões” de cidadãos “directamente prejudicados” pela troika. Tavares lá concede, num assomo de senso, que “não será fácil” ganhar a causa, mas “com um caso bem preparado”…
Tavares parece não ter notado que o tribunal agiu como alguém preconizava sobre as eleições: dê-se ao povo o voto mas não o poder.
A ânsia de Rui Tavares em fazer da UE o melhor dos mundos (só que mal orientado) leva-o à beira do ridículo. E leva quem o toma a sério a embarcar em mais umas ilusões sobre a “reforma” das instituições — como se o poder da UE se deixasse abalar com espertezas.