Editorial

Mais além

As previsões pessimistas da Comissão Europeia sobre a economia portuguesa; as organizações patronais em coro a apontarem o ‘irrealismo’ das metas do governo; finalmente a quinta coluna PSD/CDS a fazer eco dos ‘avisos’ vindos da União Europeia e da Alemanha — tudo isto se conjugou nas últimas semanas para apertar o cerco ao governo de Costa. O sentido disto é claro.
Não se trata, obviamente, de combater qualquer extremismo de que o PS ou os seus aliados sejam mentores. O capital nacional e europeu, pura e simplesmente, não admite nenhuma veleidade fora da regra absoluta que é degradar o trabalho e valorizar o capital. É esse o núcleo da ‘austeridade’ de que a burguesia não abdica. Ler o resto do artigo »



Viseu/Lisboa

Urbano de Campos

ACarlos_ACMendesCarlos Silva, secretário-geral da UGT — que depois das últimas eleições se declarou por um apoio do PS (de que é militante) a um governo da direita; e que há dias se confessou cansado e arrependido de chefiar a central sindical — apelou ao governo, neste 1.º de Maio, para que “saiba aliar o respeito pelos compromissos internacionais com a sensibilidade social que nos tem faltado”. Ler o resto do artigo »



Dois vigaristas sem vergonha (e um “ingénuo”)

Pedro Goulart

CimeiraLajesPassos Coelho e Durão Barroso são dois dos mais significativos exemplos de dirigentes burgueses, mentirosos e vigaristas, que nos últimos anos governaram o País. Para além dos cínicos e dos tolos, quem ainda leva esta gente a sério?
Passos Coelho, como se não bastassem as mentiras e vigarices de quatro anos de governo, veio agora, a propósito da sua ausência na inauguração do túnel do Marão, afirmar que se fosse primeiro-ministro, “não estaria” na inauguração: “Nunca estive em nenhuma obra de inauguração, nem de estradas, nem de auto-estradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma.” Contudo, os factos contradizem as afirmações de Passos Coelho. Ler o resto do artigo »



Brasil

EUA atentos e activos

Manuel Raposo

dilma-e-obamaA Administração Obama está seguramente atenta aos acontecimentos no Brasil e não longe deles. Motivos não faltam ao imperialismo norte-americano para desejar ardentemente uma viragem política no Brasil.
Desde logo porque, dado o peso político e económico do país, isso significaria o começo de uma viragem no curso seguido pela América Latina nas últimas décadas (Venezuela, Bolívia, Equador, mas também Chile, Argentina, Uruguai), nada favorável aos interesses norte-americanos. Ler o resto do artigo »



Brasil: um golpe à paisana

Qual vai ser a resposta dos trabalhadores e dos pobres?

Manuel Raposo

BrasilpobrezaO carnaval montado na Câmara dos Deputados brasileira, a que todo o mundo pôde assistir em directo na noite de 17 de Abril, não pode ter outro nome que não seja o de um golpe de Estado — palaciano, no caso. A corte de deputados e de juízes sustentada pelo erário publico e pela corrupção descarada confabulou-se para impugnar a presidente e para afastar o Partido dos Trabalhadores do poder. Isto, a ninguém escapa por mais voltas que se dê ao assunto. A pergunta que resta à esquerda é saber por que razão Dilma, Lula e o PT chegaram ao ponto de serem corridos por um bando de malfeitores, aparentemente com a maior das facilidades. E qual vai ser a resposta dos trabalhadores e dos pobres. Ler o resto do artigo »



Draghi e Marcelo

Pedro Goulart

Draghi Mario Draghi, actual presidente do Banco Central Europeu (BCE) e antigo funcionário da Goldman Sachs, veio à primeira reunião do Conselho de Estado, onde defendeu as políticas do anterior governo de Passos Coelho, salientando que “os esforços desenvolvidos por Portugal foram notáveis e necessários” e que há “sinais claros” de que estão a “dar fruto”. Lançou também dúvidas sobre a política orçamental do governo de António Costa e sublinhou que “não se justifica anular reformas anteriores”. Draghi referiu ainda a necessidade de Portugal alterar as leis eleitorais e de levar a cabo uma revisão constitucional. O que poderia dizer um dos responsáveis da troika, que infernizou a vida dos portugueses? Mas por estas afirmações se pode ver o despudor com que os responsáveis europeus tratam os pequenos países, assumindo posições de diktat e de grande arrogância. Ler o resto do artigo »



13 anos depois

EUA “comemoram” aniversário da invasão do Iraque com ataque aéreo à Universidade de Mossul

Comunicado do Tribunal-Iraque

UniMossul_antesEntre 19 e 22 de Março, a força aérea dos EUA bombardeou a Universidade iraquiana de Mossul, causando dezenas de mortos e feridos civis. O ataque, desencadeado sob o pretexto de que o Estado Islâmico procedia ao fabrico de bombas nas instalações da Universidade, foi iniciado três dias antes dos atentados de Bruxelas e não mereceu qualquer destaque na comunicação social ocidental. Pode mesmo dizer-se que foi simplesmente ignorado — a melhor forma de tornar “inexistentes” para a opinião pública os actos de terror maciço praticado pelas exemplares democracias europeias e norte-americana.
O mesmo não se passa com as vítimas e em geral no mundo árabe. A iraquiana Souad Al-Azzawi, professora e investigadora em engenharia geológica e ambiental, difundiu nas redes sociais os seguintes testemunhos sobre o ataque, dando conta da barbaridade dos EUA e da revolta das populações atingidas. Ler o resto do artigo »



O folhetim do Panamá

Pedro Goulart

papeis-do-panama-ali-baba_cropAs revelações diariamente vindas a público a partir dos chamados Papéis do Panamá são claramente orientadas e ocupam grande parte do espaço informativo e de debate. Até agora não nos têm surpreendido: limitam-se a revelar alguma coisa do que já sabíamos ou pressentíamos sobre as múltiplas e habituais operações financeiras de muita gente das classes dominantes. Só os distraídos podem estar seriamente indignados. Ler o resto do artigo »



Agora a Bélgica

A guerra chegou à Europa

Carlos Completo

BombMosul2Claro que os recentes actos de terror praticados em Bruxelas, espalhando a morte e o horror entre a população, e levados a cabo por elementos afectos ao chamado Estado Islâmico, do mesmo modo que os anteriormente verificados em Paris, Madrid, Londres, Nova Iorque e outros locais, são altamente condenáveis. Como também o são (não o esqueçamos) as agressões militares efectuadas no Iraque, Palestina, Afeganistão, Jugoslávia, Líbia, Síria (e não só) pelos EUA, pela NATO e por vários países cúmplices desta política imperialista. Política que, sob o pretexto de levar a “democracia ocidental” a outros países e continentes, o que pretende é, de facto, apropriar-se das matérias primas, nomeadamente do petróleo, abrir mercados para os seus produtos e subjugar os povos. Ler o resto do artigo »



Contas ‘sãs’

Manuel Raposo

alemanhaSuperavitA Alemanha teve em 2015 um excedente orçamental de 19.400 milhões de euros, o valor mais alto desde 1990, quando o país foi reunificado. Também em 2014 conseguiu um excedente de 8.900 milhões. Estes resultados, em geral apresentados como uma façanha da disciplina das contas germânicas, posta em contraste com o “despesismo” da maioria dos países da União Europeia, não são independentes do facto de a Alemanha ser o principal aspirador da riqueza produzida na União. Ler o resto do artigo »



À falta de melhor, chamemos-lhes aproveitadores

Manuel Raposo

MariaBelemDepois dos escandalosos aumentos de vencimentos de três administradores da Autoridade Nacional da Aviação Civil, decididos pelo governo PSD-CDS nas suas últimas semanas de depredação (caso referido por Pedro Goulart em texto de 2 de Fevereiro), vieram a público outros dois exemplos do mesmo tipo de aproveitamento, “legítimo”, das vantagens dadas pelo poder e pelos altos cargos públicos: o da candidata à presidência da República Maria de Belém e o da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. Será interessante perguntar por que razão a ilegalidade e a imoralidade invocadas por vários quadrantes estão destinadas a morrer sem efeitos práticos. Ler o resto do artigo »



Repensar a política da esquerda na Europa e no mundo

Prabhat Patnaik

grecia_portugal_pessoas_1O economista marxista indiano Prabhat Patnaik, num artigo publicado no semanário do Partido Comunista da Índia, Peoples Democracy, em Julho de 2015, poucos dias depois de o governo grego do Syriza ter aceite novo pacote de austeridade imposto pela União Europeia, fez uma lúcida apreciação das razões que conduziram à capitulação de Tsipras. Como o autor afirma no início de Europa: o momento da verdade (que publicamos na íntegra), não se trata de criticar superficialmente o Syriza, mas de avaliar as causas profundas da derrota e repensar o comportamento político da esquerda na Europa e no mundo. A principal lição que Patnaik aponta é que se revelou falsa a suposição de que o capital financeiro poderia reconhecer os argumentos da “razão” e ser domesticado pela pressão popular, de que a Europa poderia regressar à situação de há uns anos atrás, de que a democracia poderia triunfar sobre o capital financeiro — tudo isto preservando as instituições do capitalismo europeu. Ler o resto do artigo »



Trump, a lixeira a céu aberto

Manuel Raposo

Donald TrumpA linguagem desbragada e as posições abertamente reaccionárias de Donald Trump, o multimilionário republicano candidato à presidência dos EUA, valeram-lhe slogans como “Trump pró lixo” (Dump Trump). Os seus ataques racistas provocaram manifestações de repúdio de milhares de pessoas em diversas cidades dos EUA. Apesar disso, a sua campanha abeira-se da nomeação pelo partido Republicano. Ela representa o toque a reunir de uma vasta faixa da direita: classes médias temerosas do futuro, simples conservadores, racistas, fascistas. Ler o resto do artigo »



Editorial

O capital conspira

A direita e o patronato em coro não desistem de fazer a vida negra ao governo de Costa. Primeiro, foi a tentativa, com Cavaco, de não o empossar. Depois, a acusação de não ter legitimidade política. De seguida, a aposta de que a aliança parlamentar ia falhar. Mais tarde, a esperança no chumbo do Orçamento pelo Eurogrupo.
Este rogar de pragas prossegue agora na “previsão” de que a devolução de vencimentos, a subida do salário mínimo, etc. são o caminho do desastre económico — se não para já, lá mais para diante — e que paira no ar novo resgate.
Servem ao coro as críticas ao projecto do OE feitas pela UTAO e o CFP (entidades ditas independentes, mas que sempre apoiaram as medidas de austeridade), como servem os avisos em jeito de ameaça do senhor Schäuble. Ler o resto do artigo »



O arrastão de Colónia

Urbano de Campos

ColoniaEm Junho de 2005, toda a comunicação social portuguesa fez parangonas com o que chamou o “arrastão” de Carcavelos. A PSP de Lisboa acusou “cerca de 500 indivíduos negros” de atacarem, roubarem e agredirem banhistas. “Testemunhas” confirmaram os maiores desmandos, comerciantes da praia fecharam os estabelecimentos. O presidente da CM de Cascais, verberou os “delinquentes” e “marginais”. A polícia aconselhou “os políticos” a “saber ler os sinais”. Dirigentes partidários reclamaram medidas de segurança reforçadas. Tudo se revelou falso. Ler o resto do artigo »



Sobre os gastos com as Forças Armadas e a Segurança

Carlos Completo

gnrO Orçamento do Estado para 2016 reserva para aquilo que é designado por Defesa e Segurança quase 4.000 milhões de euros. O que é muito dinheiro num País em que as classes trabalhadoras e o povo têm um tão baixo nível de vida.
Segundo o projecto de OE, os gastos com a Defesa apontam para 2.143 milhões de euros, mais 7,4% que o ano passado, aparecendo a “gestão eficiente e optimizada dos recursos já disponíveis” como uma das apostas. Este aumento no orçamento da Defesa resulta de alguns dos objectivos do actual Governo para esta área, nomeadamente da dotação da Lei de Programação Militar. E, também, do reforço do financiamento para as forças nacionais destacadas em missões internacionais. No que diz respeito às forças de segurança, o OE tem um orçamento de cerca de 1.612,7 milhões de euros e a protecção civil e luta contra incêndios 208,1 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Agravam-se as desigualdades

No mundo e em Portugal

Pedro Goulart

Oxfam_cropA Oxfam, uma organização não-governamental de âmbito mundial empenhada na luta pelo desenvolvimento e contra a pobreza, acaba de publicar dados recentes sobre a desigualdade social no mundo. Dois factos ressaltam: a desigualdade na distribuição dos bens é enorme e tende a aumentar; e a crise mundial do capitalismo tem agravado a situação, crescendo o fosso que separa os ricos dos pobres.
Os números apresentados não deixam margem a dúvidas. Ler o resto do artigo »



Episódios de uma mudança política (III)

O “virar de página” de António Costa

Manuel Raposo

AntCostaA principal tecla martelada por António Costa é o “virar de página sobre a austeridade”. O propósito só pode ser bem acolhido por todos os que vivem do seu próprio trabalho — porque foram eles que pagaram a factura da crise e da austeridade. E é claro, portanto, que são muito bem vindas as medidas de reposição de vencimentos, de aumentos de pensões e do salário mínimo, de baixas de impostos (prometidas), etc — mesmo se tudo se resume, como de costume, a aumentos de miséria, dados a conta-gotas.
A questão que se põe é saber que condições tem o PS de inverter a situação que se viveu nos últimos seis anos, com o eclodir da crise capitalista mundial. Ler o resto do artigo »



O OE “possível” ou as migalhas do banquete

Urbano de Campos

OE2016A acesa discussão à volta do Orçamento do Estado — se a economia cresce ou não, se a carga fiscal sobe ou desce, se o limite do défice é cumprido ou ultrapassado, se as exigências da União Europeia são ou não acatadas, etc., etc. — tem o condão de deslocar o centro das atenções para a comparação com os quatro anos passados e com as imposições da troika. Nesse campo estrito, não é difícil reconhecer as vantagens deste orçamento, em vista das medidas de recuperação dos rendimentos do trabalho. Mas ficar por aqui é esconder a pequenez dos ganhos que ele traz aos trabalhadores assalariados — e enaltecer demasiado o “feito” do governo PS e dos seus apoiantes.

Na verdade, há um outro ângulo para ver a questão: aquele que mede a distância que vai entre aquilo de que os trabalhadores precisam e a que têm direito, e aquilo que lhes é dado, nesta circunstância, pelo poder. Ler o resto do artigo »



Operação Condor ainda voa

Manuel Raposo (*)

Pinochet_PBNuma entrevista conduzida pelos jornalistas Pedro Caldeira Rodrigues e José Manuel Rosendo (Lusa) o activista dos direitos humanos paraguaio Martín Almada revelou que a Operação Condor continua activa na América Latina e ameaça os regimes progressistas do continente.
O testemunho, prestado em 18 de Dezembro passado — e que assinalou o 40.º aniversário da assinatura do pacto de colaboração policial entre várias ditaduras latino-americanas — não teve eco na imprensa portuguesa, apesar da gravidade da denúncia feita por Martín Almada. Quando todos os regimes do nosso Ocidente democrático se mostram tão preocupados com os actos de terror que os atingem de vez em quando, é bom que se atente na escala industrial de mais este exemplo de terror de Estado de âmbito não já nacional, mas multinacional. Ler o resto do artigo »





Um nojo

No âmbito da iniciativa “Prémios EDP solidária 2016″, que ocorreu no Museu da Electricidade, António Costa foi abordado por Eduardo Catroga, chairman da EDP e ex-ministro das Finanças do PSD, que atacou: “Os acionistas da EDP precisam de conversar consigo”. Costa, incomodado, respondeu apenas: “Muito bem, muito bem”. Por momentos, o primeiro-ministro conseguiu “iludir” Catroga, mas este voltou à carga mais à frente, agarrando Costa pelo braço. “Se você precisar de mim para dar aí alguns entendimentos eu disponho-me a isso”, garantiu Catroga. E insistiu:”Porque eu tenho essa visão da política, que não é partidária”. A imagem que ficou deste chairman na televisão foi a de um Catroga (já bem conhecido) sabujo e mercenário – um nojo.

Coimbra: luta contra salários em atraso

Cerca de 200 operários têxteis da Santix e da Insieme, na sua maioria mulheres, estão em luta, reclamando o pagamento do salário do mês de Março, assim como dos subsídios em atraso. A Insieme, que trabalha nas instalações da Santix, mas tem sede em Ceira, afixou um papel a informar que as trabalhadoras estavam de férias até 2 de Maio, mas não pagou aos trabalhadores parte dos salários. As trabalhadoras da Santix também ainda não receberam o mês de Março e a empresa deve-lhes o subsídio de férias de 2014. O acordo de pagamento mensal de 50 euros para abater a dívida de cerca de 3 mil euros para com cada trabalhador também deixou de ser cumprido.

Portway: contra o despedimento colectivo

Uma ameaça de despedimento colectivo, no conjunto dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, paira sobre 257 trabalhadores da Portway. Contra a ameaça desta empresa de assistência aos passageiros e aviões (handling), os trabalhadores têm vindo a realizar diversas acções de protesto. No dia 18 de Abril, levaram a cabo uma greve nos três aeroportos e, nos plenários então realizados, foram denunciadas as manobras das várias empresas e entidades oficiais que intervêm nos aeroportos portugueses. A Ryanair, empresa de voos low-cost, no termo dos contratos que tinha com a Portway, rescindiu-os, acusando esta de querer aumentar muito os preços de assistência. E a Portway procura compensar o dinheiro que perde: despedindo trabalhadores efectivos e com melhores salários, ao mesmo tempo que efectiva outros em piores condições, ou contrata trabalhadores eventuais a tempo parcial.

Soares da Costa: despedimento colectivo

A Soares da Costa pretende avançar até ao final de Abril com um processo de despedimento colectivo de 519 trabalhadores. Este despedimento, justificado pela empresa por “causas internas”, assim como pela crise na construção em Portugal e Angola, corresponde a cerca de 20% do universo dos seus 4500 efectivos e abrange, fora de Portugal, designadamente o Brasil, Angola e Moçambique. Nesta fase, o Sindicato da Construção aconselha os trabalhadores da Soares da Costa com vencimentos em atraso a suspenderem os contratos, para “pelo menos receberem 70% do salário”. O presidente do sindicato adianta que os cerca de 300 trabalhadores da construtora que estão em situação de inactividade têm dois meses de salários em atraso, enquanto os que estão em Angola contam já com cinco vencimentos por liquidar.

Estivadores de Lisboa em greve

O Sindicato dos Estivadores, que já travou duras lutas contra o patronato e os seus governos, iniciou, no dia 20 de Abril, um novo período de greve no porto de Lisboa, abrangendo também os trabalhadores dos portos de Setúbal e da Figueira da Foz. Depois de mais uma ronda negocial e de os estivadores terem aceite grande parte das propostas da mediação, os patrões pretendem continuar a tentar trocar estivadores profissionais por trabalhadores precários e sem formação adequada, protelando também o Contrato Colectivo de Trabalho, por quererem travar a progressão na carreira. De acordo com o pré-aviso de greve, os estivadores vão fazer greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, vão recusar trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriado. E prevê-se que a greve se prolongue até 12 de Maio

Greve na CaetanoBus

Por aumentos salariais para todos, sem discriminações, os trabalhadores da CaetanoBus fizeram greve no dia 18, durante uma hora, e realizaram uma concentração frente à sede da empresa, em Vila Nova de Gaia, onde também está sediado o Grupo Salvador Caetano. A empresa, em clara violação da lei e do princípio da igualdade, atribuiu aumentos salariais aos trabalhadores dos escritórios e às chefias, e, em evidente represália, não atribuiu qualquer aumento de salário aos trabalhadores da produção, por estes fazerem greve e reclamarem a aplicação dos seus direitos. Contra esta acção persecutória, os trabalhadores prometem continuar a luta, até que a CaetanoBus dê provimento às suas reivindicações. Um plenário de trabalhadores deverá ter lugar no dia 3 de Maio.

Trabalhadores do Pingo Doce em luta

Trabalhadores e delegados sindicais dos supermercados Pingo Doce, concentrados junto à sede da empresa, acusaram esta de “repressão”, “assédio moral” e de desrespeito pelos horários de trabalho. Em declarações aos jornalistas, Flora Osório afirmou que não há actualização salarial desde 2010, referindo ainda que “O trabalho nocturno é praticado como se fosse horário de trabalho normal e as férias não podem ser marcadas para épocas festivas e balneares”. Também Isabel Camarinha, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal afirmava que foi entregue à Administração, em Fevereiro, um caderno reivindicativo dos trabalhadores e um pedido de reunião, acrescentando: “Os trabalhadores têm salários baixíssimos e condições de trabalho que numa empresa desta dimensão são injustificáveis, no que se refere, por exemplo, à segurança e higiene”.

Degradação

Falando numa conferência em Lisboa o ex-comissário europeu António Vitorino alertou para os perigos da “degradação da função política” nos tempos que correm e da correspondente “crise da democracia representativa”. Constatou a “delapidação das classes médias” que são “o esteio das democracias”. Reconheceu que “o centro de afunda” e que “as referências democrata-cristã e social-democrata se esvaziam” conduzindo a uma “estigmatização das elites”. Este é o caldo, alerta Vitorino, em que cresce “o ressentimento como força de transformação social”.
A esse “ressentimento” com capacidade de “transformação social” chamamos nós luta de classes.

Porquê a dois?

O presidente do sindicato da construção civil e o presidente duma associação patronal do norte deram uma conferência de imprensa conjunta em que apontaram a quebra de actividade no sector e o risco de desemprego para 35 mil trabalhadores. Mas porquê uma conferência a dois? São comuns os problemas dos patrões e dos trabalhadores? O que impedia o presidente do sindicato de apresentar as preocupações e reivindicações dos trabalhadores de forma independente?

Tolerância a mais

O senhor Ulrich do BPI tem um estofo especial. Quando a austeridade estava no auge e se dizia que o povo já não a aguentava mais, tratou de dar um incentivo a Passos Coelho com o célebre “Ai aguenta, aguenta!”. Agora, em aparente contradição, exclama que “Existe uma tolerância excessiva da sociedade portuguesa em relação ao problema do desemprego”. Na verdade, uma ideia não contradiz a outra: é precisamente a excessiva tolerância do povo que tem permitido ao capital português impor medidas ditas de austeridade e despedir a belprazer sem ter de se confrontar, até à data, com uma séria reacção de quem trabalha.

Santa unidade

Uma Catarina Martins esfuziante (cada vez a aproximar-se mais do PS) e coadjuvada por José M. Pureza, após um encontro na AR com António Guterres, acompanhou o candidato a secretário-geral da ONU até à saída do parlamento. A coordenadora do BE declarou aos jornalistas que considera a candidatura de Guterres “muito forte”, salientando como muito positivo o seu mandato como alto comissário das Nações Unidas para os refugiados. Ora, a dirigente do BE “esquece” todo o papel de Guterres quando foi dirigente do PS e primeiro-ministro, juntando-se ao centro-direita portuguesa (incluindo a Durão Barroso) no apoio a Guterres. E descura, também, qual tem sido o habitual papel secretário-geral da ONU, como lacaio do capitalismo, particularmente do imperialismo norte-americano.

Operação Condor: “Na história do mundo”

Manuel Contreras e muitos outros agentes das ditaduras sul-americanas foram formados na Escola das Américas, dirigida por militares e pelos serviços secretos norte-americanos. Foi uma academia de instrução militar onde os EUA treinavam militares aliados da América Latina durante a Guerra Fria. O insuspeito congressista Joseph Kennedy II chamou-lhe em 1994 (em todo o caso já depois do fim da ditadura chilena…) “escola de ditadores“, dizendo que “produziu mais ditadores e assassinos que nenhuma outra na história do mundo”.

Operação Condor: “500 anos por pagar”

A Operação Condor (ver artigo ao lado) foi da responsabilidade de Manuel Contreras, general chileno, braço direito de Pinochet. Chefe da polícia política criada pela ditadura militar em 1974, a DINA, concebeu e montou em 1975 a Operação Condor, reunindo Chile, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Terão sido eliminados 100 mil opositores dos regimes em menos de duas décadas. Com o fim da ditadura chilena, Contreras, acusado de implicação directa em milhares de assassinatos, foi julgado e condenado a 529 anos de cadeia dos quais cumpriu perto de 20. Morreu em 8 de Agosto de 2015. Quando se soube que Contreras estava à beira da morte, houve manifestações nas redes sociais chilenas “rezando” para que ele não morresse, dizendo “Ainda faltam 500 anos por pagar”; ao mesmo tempo, muitos outros chilenos saiam à rua festejando o fim do torcionário.

Herr Schäuble preocupado com Portugal

O ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, que poucos dias antes garantira não estar preocupado com o Deutsche Bank – o sistema financeiro alemão atravessa uma grave crise – afirmou depois, no entanto, estar muito preocupado com Portugal.  Schäuble manifestou “preocupação” e “tristeza”, pela subida das taxas de juro de Portugal: “Como era evidente, Portugal estava no bom caminho. Mas ainda não está suficientemente bem para resistir. A questão é esta”, afirmou, avisando ainda para uma ideia manifestada na reunião de Eurogrupo, sobre a possibilidade de novos problemas em relação às taxas de juro de Portugal.
O bom caminho a que se refere o canalha Schäuble (que detesta o governo de António Costa, apoiado pelo PC e pelo BE) era o caminho prosseguido pelo governo do lacaio alemão Passos Coelho que, durante 4 anos, arrastou as classes trabalhadoras e o povo português para uma ainda maior exploração e miséria.

Benesses para os patrões

A pretexto da entrada em vigor do novo salário mínimo nacional (SMN), o governo de António Costa aproveitou para anunciar, como contrapartida, não apenas a intenção de manter uma medida do Governo do PSD-CDS, de redução de 0,75% na Taxa Social Única dos patrões para os trabalhadores com o SMN, como ainda decide promover o seu alargamento a todos os assalariados que em 31 de Dezembro de 2015 auferiam uma retribuição base não superior a 530€. Segundo a CGTP-IN, esta é uma medida injusta e incorrecta — pois irá provocar uma redução superior a 30 milhões de euros na receita da Segurança Social e abrirá portas a outras propostas do Governo, visando reduções da TSU para os trabalhadores com salários inferiores a 600€, assim como atribuindo créditos fiscais (ou complementos salariais) aos assalariados com contratos de trabalho a tempo parcial (suportadas pelos impostos pagos pelos trabalhadores e pensionistas).