Joe Berardo: um alvo fácil

Manuel Raposo

O clamor que se levantou, da esquerda à direita, contra Joe Berardo tem tudo de moralista. Por isso mesmo, não toca sequer no fundo (social, político, económico, de classe) em que um tal fulano se move. O que alarma os defensores das instituições é o facto de a boçalidade do homem espelhar a podridão em que vivemos, e poder suscitar por isso uma indignação que atinja toda a estrutura social e desacredite o regime aos olhos da massa popular. Ler o resto do artigo »



Um encadeado de oportunismos de soma zero

Urbano de Campos

A luta partidária travada em torno das reivindicações do professores é um exemplo vivo de oportunismo político e de cretinismo parlamentar como há muito não se via. É por isso uma lição sobre a política nacional e sobre o alcance da “democracia representativa” que a burguesia vende como o supra-sumo da nossa organização social. Uma lição, sobretudo, para os trabalhadores acerca de como os seus interesses são usados na arena partidária e o que significa delegar no jogo de forças parlamentares a defesa das suas exigências de classe. Ler o resto do artigo »



A gravação perdida e achada do 11 de Março de 1975

Uma assembleia que a história dos vencedores chamou “selvagem”

António Louçã

Um livro de Almada Contreiras, Jacinto Godinho e Vasco Lourenço veio colocar ao alcance do público a transcrição, praticamente integral, das discussões havidas na famosa assembleia de 11 para 12 de março de 1975. A assembleia realizou-se poucas horas após o putsch spinolista, em que o RAL 1 foi bombardeado por aviões da Força Aérea e cercado por tropas pára-quedistas, com um saldo de um morto e quinze feridos. As bobines com o registo áudio da assembleia, dadas como perdidas durante muitos anos, são uma fonte fundamental para compreender o que se passou. E isso já bastaria para a publicação ser aplaudida e os seus promotores felicitados pela iniciativa. Ler o resto do artigo »



Notas sobre a greve dos motoristas

Urbano de Campos

A greve dos motoristas de Matérias Perigosas, conduzida por um sindicato de recente criação (o SNMMP) teve, antes de tudo o mais, o mérito de trazer para a praça pública a discussão sobre muita coisa que se perde no vulgar noticiário, quase sempre desvalorizado e distorcido, acerca das lutas dos trabalhadores. São esses assuntos que as seguintes notas procuram destacar. Ler o resto do artigo »



Faltou dizer: “Je suis Macron”

Manuel Raposo

O incêndio da catedral de Notre Dame deu campo a um exercício exaltado e enjoativo de nacionalismo francês e europeu. O “símbolo da cristandade” medieval serviu para glorificar, de modo sub-reptício, o sentido imperial da Europa do século XXI, de que a burguesia francesa não abdica. E como esse símbolo não se pode perder, Macron declarou logo — no seu tom caricato de imperador menor — que dentro de cinco anos teremos uma catedral “ainda mais bela”! Ler o resto do artigo »



Ainda a NATO, 70 anos

De Salazar a Marcelo

Urbano de Campos

No ambiente de incerteza que agita a NATO, não admira que os europeus menores, como Portugal, sejam por vezes os mais pressurosos defensores da continuidade e mesmo do reforço da Aliança, num reflexo próprio de quem não se quer ver na pele de um órfão. A nova justificação para a continuidade da NATO — as “modernas ameaças” que assombram o Ocidente, nomeadamente o “perigo russo” e o “terrorismo” — propagou-se por todos os cabeçalhos e todos os discursos. Ler o resto do artigo »



NATO, 70 anos

Muita discórdia, são os nossos votos

Urbano de Campos

Os 70 anos da NATO foram comemorados em ambiente de azedume: os EUA de Trump a desvalorizarem a data e os europeus a darem a entender que não será por eles que a aliança se irá desfazer. Trump disse aos europeus que não tinha lugar na agenda para a festa de anos e o secretário-geral da aliança, o dinamarquês Stoltenberg, foi ao Congresso norte-americano fazer uma discursata sobre os méritos e as vantagens da “amizade” transatlântica. Ler o resto do artigo »



Conan Osíris ao serviço do apartheid

António Louçã

Roger Waters escreveu ao cantor português uma carta tocante e fraterna, convidando-o a boicotar o Festival da Eurovisão. Só tinha um erro: considerar Osíris “talentoso”. Na verdade, Osíris é um artista medíocre e cabotino, que irá a Tel Aviv prestar um serviço ao colonialismo israelita e cairá no esquecimento imediatamente a seguir. Ler o resto do artigo »



EUA em busca de “nova ordem” imperialista

Manuel Raposo

A caminho dos três anos de mandato, já não se pode dizer que Donald Trump seja um simples aventureiro guindado à presidência da maior potência imperialista do mundo por um desvario dos eleitores ou um golpe nas urnas. O seu percurso, espalhafatos à parte, tem mostrado o propósito firme das classes dominantes norte-americanas (pelo menos uma parte determinante delas) de se imporem ao resto do mundo de um modo diferente do que tinham feito até aqui, na tentativa de recuperarem a hegemonia em perda. Ler o resto do artigo »



O fascismo sob protecção democrática

Manuel Raposo

O atentado que matou 50 muçulmanos na Nova Zelândia parece ter deixado desconcertada a maioria das autoridades internacionais e dos comentadores de serviço, que sempre vêm a terreiro para nos dizer como devemos entender as coisas. Habituados a apontar o dedo ao “radicalismo islâmico” ou à “extrema esquerda”, viram-se na posição incómoda de ter de explicar o acto de um declarado fascista, admirador de Donald Trump. Ler o resto do artigo »



Extremosos democratas

Urbano de Campos

O Parlamento Europeu enviou à Colômbia uma delegação, que pretendia entrar na Venezuela a 23 de Fevereiro, para apoiar Guaidó e dar cobertura à manobra montada pelos EUA a pretexto da “ajuda humanitária”. Como se sabe, ficaram na fronteira, juntamente com os camiões. Da delegação fazia parte Paulo Rangel (PSD), que se tem destacado no ataque ao regime venezuelano, invocando sempre, claro está, os interesses “do povo”. Ora, o fulano traz consigo uma história que, nesta ocasião, vale a pena relembrar. Ler o resto do artigo »



Chamar os bois pelos nomes

António Louçã

Nas discussões sobre a violência doméstica, não há dúvidas sobre quem é quem. À direita, aparece-nos um partido – o Vox espanhol – a reclamar o desagravamento das penas previstas para a violência de género. Da esquerda vêm as propostas mais incisivas para combater esse tipo de violência. Mas há surpresas.
Surpreende, por exemplo, que na acesa polémica sobre o juiz Neto de Moura, o PCP recuse criticar o juiz, a pretexto de não querer “individualizar”. Ler o resto do artigo »



Venezuela

EUA e UE perdem primeiro assalto

Manuel Raposo

Se a manobra montada pelos EUA em 23 de Fevereiro, na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, pretendia ser o golpe final contra o regime venezuelano, a coisa fracassou. Contrariamente à dramatização que os meios de propaganda fizeram do caso, entre eles a “nossa” RTP, nem os militares venezuelanos desertaram, nem os confrontos chegaram para justificar no imediato uma acção militar externa. O cavalo de Tróia não atravessou a fronteira. Ler o resto do artigo »



Sobre as greves dos últimos meses

Manuel Raposo

A agitação que desde há meses tem levado à greve as classes médias assalariadas — enfermeiros, professores, médicos, polícias, guardas prisionais, juízes, outros funcionários públicos — todas elas de algum modo dependentes do Estado, contrasta com a quietude quase geral da massa operária e proletária. Ler o resto do artigo »



Venezuela

Fazer da revolução uma caricatura

António Louçã

Porque é que uma grosseira campanha demagógica contra a Venezuela é tão difícil de desmascarar?
Sim, é sem dúvida a superpotência norte-americana a mandar no seu “pátio traseiro” latino-americano com todos os decibéis dos seus altifalantes, da imprensa escrita e audiovisual.
Sim, é também o consenso alargado dos protofascistas trumpianos como Mike Pompeo e John Bolton até aos neoliberais como Richard Branson, que mostra o imperialismo unido em questões decisivas, como é o petróleo. Ler o resto do artigo »



Casta de juízes precisa de limpeza geral

António Louçã

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) entende que um juiz indulgente para com a violência doméstica é um dos seus e não deve ser expulso. Entende bem: não é o juiz que deve ser expulso, é o CSM que deve ser dissolvido para dar lugar a um órgão capaz de varrer de alto a baixo a casta dos juízes. Ler o resto do artigo »



As escolhas de Marcelo sobre o SNS

Urbano de Campos

Muito se tem falado do contraste entre “o estilo” de Marcelo e o de Cavaco. Mas este mote fácil, que a comunicação usa até à náusea, pega as coisas pela aparência, fixa-se nos gestos do ilusionista e deixar escapar a chave do truque. Aceita que o palavreado e a encenação mediática montada à volta do histriónico Marcelo esconda o sentido político dos seus actos. A intervenção do presidente da República na discussão pública sobre a Lei de Bases da Saúde, ameaçando vetá-la quando ainda está em debate na Assembleia da República, desmente esse contraste e destapa a mesma ideologia de direita disfarçada de “busca de consensos”. Ler o resto do artigo »



Venezuela

Portugal com a UE na segunda linha do golpe

Manuel Raposo

Percebe-se agora melhor o sentido da recusa do presidente da República e do Governo em estarem presentes na Venezuela, no passado dia 10, na tomada de posse de Nicolás Maduro: sabiam do golpe que estava em marcha, orquestrado pelos EUA e acolitado pela União Europeia. E percebe-se também melhor o alcance de Marcelo (e o Governo através dele) ter prestado apoio sem reservas, dias antes, ao inqualificável Bolsonaro: o novo regime brasileiro é peça-chave do golpe contra a Venezuela. Ler o resto do artigo »



Venezuela entre o golpe e a invasão

António Louçã

Parece claro que até domingo, dia 27 de janeiro, se optará nos Estados Unidos entre a receita golpista e a receita da invasão para liquidar o que resta do chavismo. É sempre arriscado fazer “prognósticos antes do jogo”, mas o risco reduz-se drasticamente se há, como é o caso, uma lógica de ferro no comportamento do imperialismo norte-americano. Ler o resto do artigo »



A cultura e as pistolas

António Louçã

Os anfitriões de Marcelo em Brasília não perdem uma ocasião para mostrar o que querem fazer da cultura.
A última foi a ministra Damares Alves, ao criticar a sua própria seita evangélica por ter capitulado perante a ciência. Diz a ministra que a igreja nunca devia ter deixado a teoria da evolução substituir nas escolas a lenda bíblica dos sete dias da Criação. Ler o resto do artigo »





Liberdade para os presos políticos palestinos

No passado dia 17 comemorou-se o Dia Internacional de Solidariedade com os Presos Palestinos. Várias organizações portuguesas subscreveram um manifesto reclamando a sua libertação, protestando contra as torturas e arbitrariedades a que são submetidos e denunciando a política criminosa do Estado de Israel.
Como é vincado pelo manifesto, promovido pelo MPPM, passaram pelo sistema penal israelita 10 mil presos de 2015 para cá, 850 mil desde 1967 e um milhão desde 1948. Em Fevereiro de 2019, havia nas cadeias israelitas 5440 presos políticos palestinos, incluindo 493 a cumprir sentenças de mais de 20 anos de prisão e 540 condenados a prisão perpétua. Os menores não são poupados: desde 2000, pelo menos 8 mil menores palestinos foram detidos, interrogados e acusados pela justiça militar israelita.
Ver aqui texto completo e lista de subscritores.

Contra o apartheid israelita

O jornalista, escritor e activista britânico Ben White, especializado na questão palestiniana, foi convidado pelo Comité de Solidariedade com a Palestina e a Fundação Saramago para uma conferência, seguida de debate, intitulada “O apartheid israelita: o que importa saber”. Terá lugar a 19 de Março, às 18h30, na Fundação José Saramago, em Lisboa.
A sessão insere-se na iniciativa mundial Semana do Apartheid Israelita 2019 que, em Lisboa, conta com mais as seguintes iniciativas co-organizadas pelo CSP:
21 de Março, 18h00 — Mesa redonda com Tiago Rodrigues, Miguel Vale de Almeida e Shahd Wadi, no ISCTE, Av. das Forças Armadas.
25 de Março, 19h00 — Exposição sobre o apartheid e filme sobre Gaza, na Sirigaita, Rua dos Anjos 12F.

Não se enxergam…

Nuno Severiano Teixeira foi ministro da Administração Interna e da Defesa em governos do PS. É professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e Visiting Professor na Georgetown University, Washington. Escreve para a imprensa na qualidade de fazedor de opinião. Um destes dias, escreveu no Público 103 linhas de texto em que repete as maiores vacuidades de qualquer banal notícia acerca da cimeira de Hanói entre Trump e Kim. Destas 103 linhas usa, a abrir, 42 para nos dar a saber que frequenta “o barbeiro mais famoso de Washington” o qual “corta o cabelo a embaixadores e generais, senadores e Presidentes”. E explica: “Como o preço é módico, é lá que costumo cortar o cabelo”.
Exemplares destes, Ler mais »

Marcelo abre caminho

Os pareceres da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Administrativo a favor da requisição civil dos enfermeiros, decidida pelo Governo, deu pretexto ao presidente da República para lançar um aviso aos trabalhadores, especialmente da função pública, sobre as greves. Disse ele que, de futuro, os sindicatos terão de ter uma “preocupação acrescida” quando decidirem fazer greve, brandindo a arma da requisição civil. De facto, os pareceres da PGR e do STA, não tendo analisado os fundamentos da requisição (se houve ou não cumprimento dos serviços mínimos pelos grevistas) deram ao Governo uma espécie de carta branca, que Marcelo pelos vistos quer transformar em regra. Com o ar de paladino Ler mais »

Sair ou não sair da Síria

Depois de ter anunciado a retirada das tropas dos EUA da Síria, o presidente Trump vai adiando a medida, em parte sob pressão dos meios militares. As hesitações sobre a Síria têm um nome: os EUA (e a UE) foram derrotados nos seus propósitos de tomar conta do país. A guerra que ambas as potências promoveram e financiaram procurava colocar no poder um fantoche que lhes fosse obediente, e isso falhou. Obama passou pelo dilema de Trump, mas ao contrário: entrar ou não entrar em força na guerra era a sua questão. O desenlace mostra, primeiro, que a oposição aos planos imperialistas reúne forças consideráveis (e não são apenas os russo e os chineses), e, segundo, que a hegemonia militar Ler mais »

Ele Não!

O presidente da República teve o despudor de convidar Bolsonaro a visitar Portugal, coisa que o país não lhe encomendou e que vai contra tudo o que seria razoável fazer perante um personagem como aquele. O que vem cá fazer o fulano? Melhor: o que pretendem Marcelo e a diplomacia portuguesa que venha ele cá fazer? Agradecer pessoal e presencialmente a vitória que lhe deu a comunidade brasileira em Portugal? Apresentar de viva voz os seus métodos para “reforçar a democracia” e tirar o capital da crise? Explicar o processo de criminalizar como terroristas os movimentos sociais? Dar alento aos seus apaniguados lusitanos? Glorificar a Pide como fez aos torturadores brasileiros?
Se o convite se concretizar, será caso para organizar, massivamente, a recepção que um energúmeno desta estirpe merece. Começando, desde já, por dizer como milhões de brasileiros: Ele Não!

Até a direita às vezes acerta

A direita, satisfeita com a vitória de Bolsonaro, quer provar à força que, se há mal nisso, então “a culpa é da esquerda”. Não fala da conspiração para destituir Dilma, esquece que Lula estava à frente nas sondagens e por isso tinha de ser eliminado, omite o papel directo do imperialismo ianque na viragem produzida no Brasil.
Um cronista do Público, J. M. Tavares, que também debita umas larachas na TVI (“Governo Sombra”), escreveu, que “o tema da ‘culpa da esquerda’ é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro”. Como demonstração da tese diz, sem se achar ridículo, que “a esquerda chamou os fascistas, os fascistas vieram”. Mas, linhas adiante, contrariando a própria tese, numa coisa o homem acerta. Ler mais »

A prioridade das prioridades

Luís Nobre Guedes (CDS, ex-ministro do Ambiente em 2004-2005, envolvido então no processo Portucale, suspeito de favorecimento ao BES) tem lugar cativo como comentador na RTP3. Foi bem explícito na satisfação que teve pela eleição de Bolsonaro. Disse ele que, nesta eleições, “a prioridade das prioridades era derrotar o PT”. E para que ninguém duvidasse, sublinhou: “não retiro uma palavra”. Mais. Grandes investimentos estão já na calha: a Toyota, uma empresa israelita de tratamento de águas, etc. prometem investir milhões — e isso, diz Guedes, “é bom para o Brasil”. É “bom”, agora, quando grande parte da mão de obra regressa à miséria, não antes. Para quem assim fala, qualquer Bolsonaro é bem-vindo.

Democracia a mais

As posições de Assunção Cristas, pelo CDS, e de Rui Rio, pelo PSD, de se “distanciarem” tanto de Bolsonaro como de Haddad, não podem iludir ninguém. Tratou-se de um deixa-andar para que o ex-capitão fascista fosse eleito. O democratismo destes figurões fica à vista de todos: preferem um fascista no poder do que terem de aceitar um partido, como o PT, que tentou aplicar uma política, mesmo moderada, que tirasse os mais pobres da miséria. Uma simples social-democracia de esquerda, como foi o PT de Lula, é para eles o diabo. A coisa tem uma explicação: a precariedade do poder político actual, associada à crise de tem-te-não-caias do capitalismo mundial leva-os a procurar amparo nas soluções de poder mais extremistas. Para esta gente há democracia a mais.

Os fãs do fascista Bolsonaro

Também estão entre nós e assumem-se. E não são apenas alguns seguidores da IURD. Estão no Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia, que não gostou que o ministro da Administração Interna tivesse ordenado um inquérito às circunstâncias da fuga de três arguidos do Tribunal de Instrução Criminal do Porto (suspeitos de roubos a idosos) e à divulgação das fotografias dos mesmos após as detenções em Gondomar. Em resposta, o Sindicato fez uma montagem vergonhosa e mentirosa no Facebook, associando Eduardo Cabrita à não preocupação com o espancamento de idosos, dando como exemplo as fotografias de dois idosos espancados em Londres e no Brasil. Também se encontram Ler mais »

Um prémio à resistência


O 25.º Prémio Bayeux-Calvados dos correspondentes de guerra (em foto) foi atribuído ao fotógrafo palestino Mahmud Hams (AFP). Já premiado em 2007 em Bayeux (prémio de foto e prémio do público), Mahmud Hams, de 38 anos, viu de novo ser-lhe atribuído o prémio para “Confrontos na fronteira de Gaza”, uma foto realizada numa zona “de acesso muito difícil e muito perigosa”, que faz parte desses “lugares a cobrir sem sítio para se proteger”, sublinhou Thomas Coex, chefe da cobertura fotográfica de Israel e dos territórios palestinos da AFP. Ler mais »

O nervo da questão

Em debate com o governo, a 26 de Setembro, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, defendendo o aumento do salário mínimo, afirmou que “Os baixos salários continuam a ser uma das principais causas de pobreza”. É uma forma nebulosa de pôr a questão. Os baixos salários são apenas o espelho da pobreza; são uma outra forma de dizer que os trabalhadores são pobres. A causa da pobreza é outra: é a exploração do trabalho pelo capital. Esta diferença tem consequências políticas. Se os baixos salários forem tidos como causa da pobreza, então basta lutar (interminavelmente) para que eles subam, basta a acção sindical-reivindicativa — que, na melhor das hipóteses, conseguirá apenas reduzir temporariamente o grau de exploração e atenuar a pobreza. Se, pelo contrário, os baixos salários Ler mais »

Momento clarificador

Sobre a posição dos EUA acerca dos direitos da Palestina, diz a jornalista Dalia Hatuqa (Foreign Policy, 13 Setembro): “As políticas da administração Trump não representam uma mudança radical. A Casa Branca simplesmente abandonou a fachada de neutralidade e carimbou a agenda do governo israelita. Durante décadas, os dirigentes palestinos empenharam-se num processo de paz viciado, procurando levar a comunidade internacional a aceitar um estado palestino para a população da Cisjordânia e Gaza. Os EUA, por seu lado, foram mantendo a ficção de que eram um árbitro honesto e um mediador neutral. Ler mais »

De fininho

Marcelo Rebelo de Sousa, o cidadão e o PR, publicou um texto evocando a (sua) memória de Vera Franco Nogueira, falecida em finais de Agosto. A senhora, mulher do último ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar, Franco Nogueira, foi uma fiel acompanhante das missões diplomáticas do marido na procura de apoios para a política colonial do ditador. Marcelo passa ao lado da questão e destaca o papel da senhora… na fundação da Academia de Música de Santa Cecília. Mas aproveita para tirar do esquecimento outros nomes do círculo salazarista a que a sua família pertencia: Paulo Cunha, Antunes Varela, Veiga de Macedo, entre outros. É, evidentemente, um tributo de Marcelo a uma época Ler mais »

Barcelona: 100 mil pela libertação dos presos políticos

No Sábado, 14 de Julho, muitas dezenas de milhares de pessoas percorreram as principais ruas de Barcelona, exigindo a libertação dos presos independentistas e o regresso dos políticos exilados no estrangeiro. A “democracia” e a “justiça” espanhola continuam postas em xeque.
A manifestação foi convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), Omium Cultural e Associação Catalã de Direitos Civis (ACDC). O presidente do Governo Regional, Quim Torra, denunciou “o relato fictício com que o Estado construiu uma rebelião que não existiu” e defendeu que “o processo de autodeterminação da Catalunha não seja criminalizado”. A Quim Torra juntou-se a mulher de Carles Puigdemont, presidente do Governo da Catalunha deposto, e a presidente do parlamento catalão, Marcela Topor.