Seis milhões de crianças morrem por ano de causas evitáveis

Relatório da Unicef não aponta as causas fundamentais

Pedro Goulart

UnicefSegundo dados da UNICEF, seis milhões de crianças continuam a morrer no mundo todos os anos devido a causas que são evitáveis. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas — há 15 anos havia quase o dobro das crianças hoje nesta situação — a UNICEF recorda que as crianças dos agregados familiares mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que as crianças dos meios mais ricos. E a verdade é que doenças infecciosas, diarreia, desidratação mortal e subnutrição crónica, causas de morte da maior parte destas crianças, seriam tratáveis a custos relativamente baixos. Ler o resto do artigo »



Tribuna parlamentar ou pântano parlamentar?

António Louçã

BEO folhetim de faca e alguidar sobre as declarações de rendimentos do administradores da Caixa concluiu-se da forma mais inglória e burlesca, com a demissão de António Domingues. É caso para dizer: não havia necessidade de toda esta ópera bufa, de semanas a fio, entrega-não-entrega, para acabar assim em tão triste pio.

Mais uma vez, não foi mérito do PS, que até ao último instante tentou amparar as pretensões secretistas dos administradores, e com isso ofereceu à direita um flanco vulnerável, de que ela anda bem precisada. Quando o PSD propôs uma votação parlamentar que reafirmasse a obrigação de entrega das declarações de rendimentos, logo a bancada do PS anunciou o voto contra, com o argumento sofístico de que essa obrigação já está na lei e, portanto, não vale a pena andar a repetir o que já lá está. Ler o resto do artigo »



Até à vitória, sempre!

Manuel Raposo

FidelNum exercício de jornalismo cínico, a comunicação social (nacional e estrangeira) está a fazer da morte de Fidel Castro um espectáculo de audiência garantida — temperando, claro, a imagem de ídolo popular e de revolucionário (a que não podem fugir) com a de “ditador”. Neste jogo, valem mais os festejos boçais dos imigrados cubanos nos EUA e os comentários rançosos dos “dissidentes” pró-americanos do que o apreço da maioria da população cubana pelo papel de Fidel na revolução de 1959 e na transformação de Cuba desde então. É mais uma tentativa de enterrar a ideia de revolução social com um dos últimos revolucionários do século XX. Ler o resto do artigo »



CDS – patrões, polícias e Coca-Cola

Carlos Completo

MoraSoaresCocacolaApós a queda do governo PSD/CDS e com a separação destes dois partidos da direita portuguesa, o CDS tem andado numa azáfama, indo a todas, numa enorme demagogia (quem já não tem presente o que o CDS fez no anterior executivo do patronato?), procurando ganhar espaço e apoios para futuras eleições e alianças. Diferentemente do seu ex-colega de coligação — o PSD, com Passos Coelho à frente, tem mantido posições mais rígidas e obsessivas — o CDS, nesse afã agitatório, por vezes desmiolado, em que se desdobram os dirigentes do partido (incluindo Assunção Cristas), produziu algumas das recentes propostas de alteração ao Orçamento de Estado para 2017. Ler o resto do artigo »



Militares portugueses saem do Kosovo

Ainda e sempre a questão da NATO

Pedro Goulart

kosovoApós 18 anos na missão militar da NATO, termina em meados de 2017 a presença portuguesa no Kosovo. Entrevistado pela Lusa, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, justificou a decisão afirmando que as “condições estratégicas e operacionais que ditaram o envio da força portuguesa se alteraram, nomeadamente as condições de segurança e estabilidade no território, hoje francamente mais favoráveis ao normal desenvolvimento do Kosovo”.
Actualmente, estão 189 militares portugueses no Kosovo, mas o contingente já chegou a exceder os 300, como aconteceu de 1999 a 2001, ano em que parte dos militares regressou a Portugal. Ler o resto do artigo »



Marrocos: de novo a revolta árabe

Manuel Raposo

MarrocosÀ vista das manifestações de rua realizadas em Marrocos há dias, no final de Outubro, as declarações sucessivas de que a Primavera Árabe de 2011 estaria morta mostram-se prematuras. Uma onda de revolta abalou as principais cidades marroquinas depois de um vendedor de peixe de 30 anos, Mouhcine Fikri, ter morrido de forma bárbara, em Al-Hoceima, no norte do país. Abordado pela polícia, Fikri teve a mercadoria apreendida e acabou por morrer esmagado dentro do camião de lixo chamado para recolher o peixe confiscado. Milhares de pessoas saíram às ruas logo no dia 28, dia da morte, e até 30, altura do funeral — não apenas em Al-Hoceima, mas também em Tetuão, Casablanca, Marraquexe e na capital Rabat. Ler o resto do artigo »



Editorial

Para que conste

O caso, de tão tenebroso que é, fala por tudo o que se possa dizer sobre relações de trabalho.
Em Setembro de 2011, Anderson Delgado, 18 anos, trabalhador da fabrica Dayna, em Alhos Vedros, morreu carbonizado pelo incêndio de produtos inflamáveis que estava a manusear. Apesar dos testemunhos dos colegas da vítima e da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), o Ministério Público da Moita arquivou o caso um ano depois, por não ver provas de negligência ou violação de normas de segurança por parte do patrão, Licínio Oliveira.

A fábrica, porém, não tinha licença para manusear produtos inflamáveis e o local do acidente era um anexo clandestino. Trabalhadores contaram à ACT que quando se queixavam de falta de segurança ouviam do patrão “Se não estão bem mudem-se, o que não falta são trabalhadores”.
O mesmo patrão tivera já dois outros incêndios com a mesma origem em outras fábricas que detinha na Margem Sul e fora multado mais de uma vez por abandonar produtos tóxicos ao ar livre. Ler o resto do artigo »



Sondagem

Um espelho da situação política

Urbano de Campos

acordo_PBDizem as últimas sondagens que o PS e os partidos que apoiam o governo (BE e CDU) sobem nas intenções de voto, deixando para trás PSD e CDS. Como esta tendência de subida se tem registado de forma consistente nos inquéritos mais recentes, é possível que, de forma geral, a evolução traduza uma maior satisfação do eleitorado com a acção do governo e com o papel dos seus parceiros. Mas, olhados ao pormenor, os números dizem algo mais. Ler o resto do artigo »



As pressões do capital sobre o governo de António Costa e a luta de classes

Pedro Goulart

patroesDesde o início da actual solução governamental do PS (com o apoio do PCP, do BE e do PEV) e, sobretudo, a propósito do OE 2016 e do OE 2017, surgiram continuamente nos média mensagens e pressões várias provenientes de diversas instituições nacionais e internacionais do capitalismo, empenhadas na continuação de uma política de total submissão do País aos ditames do patronato e do imperialismo. Isto porque, com a actual solução governamental, que não agrada à direita, se tem vindo a verificar a reversão de algumas das nefandas medidas do anterior governo do PSD/CDS, nomeadamente das transferências efectuadas para o capital de rendimentos extorquidos às classes trabalhadoras e aos pobres. Ler o resto do artigo »



Quando os trabalhadores se contentam com pouco

O equilibrismo político no OE 2017

Urbano de Campos

migalhasQuando em final de Agosto se começou a falar no Orçamento do Estado para 2017, o presidente do PS Carlos César preparou as mentes com uma declaração de intenções muito simples: “consolidar os avanços” de 2016 e “menos espectacularidade”. Deu com isto dois sinais: um à União Europeia, de que podia ficar sossegada; outro aos parceiros de apoio parlamentar para que não esticassem muito a corda. E foi isso que rigorosamente se deu até à entrega do OE na Assembleia da República a meio de Outubro. Ler o resto do artigo »



A pacífica estatização da CGD

Manuel Raposo

CGDNão é estranho que o debate político em torno da Caixa Geral de Depósitos tenha sido tão brando? Depois de o governo Coelho-Portas ter feito tudo para a enfraquecer e preparar o terreno para a sua privatização, seria de esperar que a opção do governo de António Costa de capitalizar o único banco do Estado e de reforçar a sua natureza pública tivesse a mais encarniçada oposição por parte do PSD e do CDS, para não falar do resto da banca. Mas não — a discussão resumiu-se a questões laterais sobre a forma como o processo foi conduzido e sobre as trapalhadas que o acompanharam. Este desviar de atenções da direita mostra que, para o capital nacional, o caminho não podia ser outro. Ler o resto do artigo »



No primeiro aniversário da “geringonça”

Faz falta uma alternativa de luta?

António Louçã

manif12março6No Portugal de 2016, a pergunta não é meramente retórica. A “geringonça” sobreviveu ao seu primeiro ano e a esquerda institucional pode reclamar para si alguns sucessos da fórmula encontrada. Para quê procurar outro caminho?
Há, sem dúvida, uma mudança sensível no ambiente político do país. Onde, há dois anos, nos perguntávamos todos os dias o que mais iria o Governo Passos-Portas inventar amanhã para roubar o povo, e o que mais iria inventar amanhã para engordar as grandes fortunas, hoje passou-se a discutir, ao menos, prazos e ritmos da reposição do poder de compra. Ler o resto do artigo »



Pagar serviços, cobrar dividendos

Durão Barroso e o Goldman Sachs, uma história antiga

Urbano de Campos

DENMARK-EU-SPAIN-BARROSODos muitos que se indignaram com a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs International, nenhum se interrogou porque é que ele, doze anos antes, em 2004, foi parar a presidente da Comissão Europeia, logo a seguir à cimeira dos Açores e à invasão do Iraque. Aí estará uma chave para perceber a ascensão à liderança europeia deste tipo medíocre e maleável, numa altura em que a França e a Alemanha e muitos outros países da União Europeia se opunham à pressão belicista dos EUA e de Bush.
A política da União Europeia sobre o Médio Oriente, o Leste europeu, e mesmo a África do Norte e Central, etc. mudou desde 2004, no sentido de uma muito maior afinidade com os interesses norte-americanos. Não foi Durão Barroso que operou tal mudança. Mas, para os EUA, ter um agente amigo encastoado num dos organismos de topo da UE foi certamente uma boa ajuda. Ler o resto do artigo »



Super lixo na escrita e no audio-visual

Carlos Completo

LixaoPara além da habitual intoxicação e lixo que circulam na generalidade dos media, incluindo pseudo-notícias e “análises” promovidas pelos donos do capital, pelo FMI, pela Comissão Europeia, etc. (e executadas aqui pelos seus lacaios), há aqueles veículos de comunicação e programas que conseguem ultrapassar tudo e todos pela quantidade e qualidade do lixo que acumulam e divulgam. E em muitos dos livros presentes no mercado livreiro também se verifica problema semelhante. Ler o resto do artigo »



Governo afasta PJ de formação israelita para interrogatórios

Pedro Goulart

PoliciaIsraelUma decisão do anterior governo PSD/CDS levou a Polícia Judiciária (PJ) a participar, desde Junho de 2015, no Law Train, um projecto de desenvolvimento de tecnologias e métodos para interrogatórios policiais coordenado pela Universidade Bar-Ilan, e que incluía a Polícia Nacional de Israel. Em Agosto último, segundo o Jornal de Negócios, o Ministério da Justiça, com Francisca Van Dunem, decidiu pôr fim a esta parceria, supostamente devido à escassez de meios e redefinição de prioridades. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VIII)

Direita, esquerda regimental, esquerda

Manuel Raposo

TerrenoExpropriadoPor mais que as forças nacionalistas da direita exaltem as virtudes nacionais, e advoguem o regresso à “soberania” e às tradições, não podem fazer voltar atrás a fusão capitalista que esteve e está no âmago da União Europeia, e que lhe forma hoje a ossatura. O resultado objectivo da campanha dessas forças será, então, colocar num outro patamar, atrás do biombo das fronteiras nacionais, a mesma caminhada inexorável para a concentração de capital — simplesmente pondo de lado, cada vez mais, preconceitos democráticos e de justiça social, tornados empecilhos ao poder das classes dominantes. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VII)

O papel das classes médias

Manuel Raposo

bandeiranacional_reduzO que está no centro dos nacionalismos, de direita ou “de esquerda”? — a mobilização das classes médias. A concentração do capital na Europa, sobretudo desde que passou a fazer-se num ambiente de crise mundial, alienou as classes médias, afastando parte delas da sua aliança natural com a burguesia capitalista. Isso está bem sinalizado na perda de apoio dos tradicionais partidos do centro. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VI)

Crise em cima da crise

Manuel Raposo

A street vendor sits in front a wall that reads "That the crisis pay the rich", in downtown SantiagoO rebentar de uma segunda crise financeira, em cima da de 2007-2008, que praticamente ninguém já descarta, parece ser apenas uma questão de tempo. Os remédios aplicados por toda a parte (EUA, UE, Japão) mostraram-se ineficazes para o objectivo pretendido: relançar o crescimento económico, ou seja a acumulação de capital. A estagnação é geral, vai para uma década. De novo, é a partir dos grandes potentados, como a banca alemã, que o abalo ameaça propagar-se. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (V)

A imagem do desconcerto

Manuel Raposo

Conservative Party Autumn Conference 2015 - Day 3Praticamente no dia a seguir ao desenlace do referendo, as convicções britânicas tremeram. A demissão em série de praticamente todo corpo de dirigentes políticos — sem surpresa do lado dos derrotados, com surpresa do lado dos vencedores — mostra que ninguém parece querer assumir a tarefa de negociar os termos da saída e de arcar depois com as consequências. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (IV)

Mais EUA nas ilhas britânicas

Manuel Raposo

ObamaCameronA “recuperação da independência” de que a direita britânica se vangloria (e de que boa parte da pequena burguesia fez sua bandeira) é uma farsa que rapidamente se vai desfazer. A dependência face à UE que a maioria dos eleitores britânicos quiseram recusar, vão tê-la em dose dupla no que respeita aos laços com os EUA.

Pela economia e pela política, o Reino Unido sempre teve relações especiais com os EUA. A sua entrada para a UE em 1974 serviu não apenas os interesses do capital britânico mas também o interesse norte-americano em ter um agente especial no seio do bloco europeu em formação. Ler o resto do artigo »





Chef Avillez colabora

A fachada do restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, foi pintada de vermelho por causa da participação do chef José Avillez num festival gastronómico em Israel. Na fachada podia ler-se: “Liberdade para a Palestina”, “Avillez colabora com a ocupação sionista” e “Entrada: uma dose de fósforo branco”.
O chef José Avillez participou no festival gastronómico Round Tables, em Israel. Trata-se de um festival que decorre até final de Novembro e que conta com a participação de vários chefs internacionais de renome. Mas a visita de Avillez a Tel Aviv gerou críticas, nomeadamente por parte do movimento pró-palestiniano Boicote, Desinvestimento e Sanções, ou BDS — um movimento criado em 2005 para exigir a imediata descolonização israelita e o derrube do muro da Cisjordânia.
O blogue Palestina Vence informa que vários activistas contra o regime israelita de ocupação e apartheid lançaram Ler mais »

A teta das PPP

A empresa Auto-Estradas do Atlântico exige ao Estado uma indemnização de perto de 30 milhões de euros que um tribunal arbitral lhe concedeu depois de ter reclamado 530 milhões de “reequilíbrio financeiro” ao abrigo da PPP que tem com o Estado. Isto porque, com a instalação, em 2013, de portagens em Scut que levavam tráfego à A8, a AEA perdeu clientes. Ou seja, o cidadão paga por dois lados: nas novas portagens das Scut e nas indemnizações aos mamutes das PPP.
E como a coisa rende também na Saúde, o Grupo CUF investe em novos hospitais e clínicas: só em 2016 perto de 250 milhões de euros. No total, tem 15 unidades, duas delas ao abrigo de PPP.
É claro que tais investimentos não se justificariam se a Saúde pública fosse plenamente eficaz, como também é evidente que o capital privado tudo fará para impedir que o seja.
No ano passado as quatro PPP na área da Saúde custaram ao Estado 430 milhões de euros.

Espertezas

Cidadãos cipriotas recorreram ao Tribunal de Justiça da UE para que a troika fosse condenada por os ter obrigado a pagar os buracos dos bancos. O tribunal não lhes deu razão, embora admitisse que os cidadãos têm o direito de processar a troika. Tanto bastou para que Rui Tavares (Livre) exultasse com a possibilidade, que só ele vê, de “ser feita justiça”, por iniciativa dos “milhões” de cidadãos “directamente prejudicados” pela troika. Tavares lá concede, num assomo de senso, que “não será fácil” ganhar a causa, mas “com um caso bem preparado”…
Tavares parece não ter notado que o tribunal agiu como alguém preconizava sobre as eleições: dê-se ao povo o voto mas não o poder.
A ânsia de Rui Tavares em fazer da UE o melhor dos mundos (só que mal orientado) leva-o à beira do ridículo. E leva quem o toma a sério a embarcar em mais umas ilusões sobre a “reforma” das instituições — como se o poder da UE se deixasse abalar com espertezas.

De encomenda

A jornalista Sofia Lorena, falando da guerra na Síria, opinou no Público (21 Setembro) contra o presidente Assad como quem satisfaz uma encomenda. Quando a própria ONU manifestava dúvidas sobre quem teria bombardeado um comboio humanitário perto de Alepo, causando 20 mortos (facto noticiado na página ao lado do texto de Lorena), a jornalista acusa Assad sem rebuço porque ele “sabe que ninguém lhe toca”. Já o ataque dos EUA às tropas sírias, dias antes, causando 90 mortos, foi para ela obviamente um engano, porque os EUA assim o disseram. O dislate vai ao ponto de acusar Assad de se “preparar para reconquistar toda a Síria” — o país de que ele é presidente legítimo! Sabe Lorena o que é o Direito Internacional? Sabe que as acções militares dos EUA na Síria são ilegais face à Carta das Nações Unidas?

PS (m-l)

Alfredo Barros, um militante de longa data do PS de Matosinhos, envolveu-se numa disputa azeda com o líder da distrital do Porto, Manuel Pizarro. O pano de fundo são as eleições autárquicas do ano que vem e o motivo foi a decisão de retirar Barros da candidatura à câmara de Matosinhos. Barros acusa Pizarro de tomar decisões “nas costas dos militantes”, de forma “cobarde”. Humilhado, Barros aponta a raiz do comportamento de Pizarro: o seu perfil “marxista-leninista” e a sua condição de “infiltrado” no PS. Calma Alfredo Barros, escusa de fazer crer que o mal vem de fora. O PS tem, juntamente com a direita, um historial imbatível de facadas nas costas e corrida aos tachos.

Papéis do Panamá: que é feito do assunto?

Jornalistas ditos impolutos, média ditos de referência, entre nós particularmente o Expresso e a TVI, gente dita muito determinada a investigar a corrupção, fizeram da divulgação inicial dos chamados Papéis do Panamá um folhetim que quase todos dias nos entrava pela casa dentro. Mas recordemos que estes Papéis foram entregues ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação(ICIJ), sediado em Washington (EUA) e financiado,entre outras, por fundações ligadas aos Rockefellers, Soros, Ford, Jewish Community Federation e Microsoft.
Porque o jornalismo está em crise e a tabloidização prossegue Ler mais »

Um nojo

No âmbito da iniciativa “Prémios EDP solidária 2016″, que ocorreu no Museu da Electricidade, António Costa foi abordado por Eduardo Catroga, chairman da EDP e ex-ministro das Finanças do PSD, que atacou: “Os acionistas da EDP precisam de conversar consigo”. Costa, incomodado, respondeu apenas: “Muito bem, muito bem”. Por momentos, o primeiro-ministro conseguiu “iludir” Catroga, mas este voltou à carga mais à frente, agarrando Costa pelo braço. “Se você precisar de mim para dar aí alguns entendimentos eu disponho-me a isso”, garantiu Catroga. E insistiu:”Porque eu tenho essa visão da política, que não é partidária”. A imagem que ficou deste chairman na televisão foi a de um Catroga (já bem conhecido) sabujo e mercenário – um nojo.

Coimbra: luta contra salários em atraso

Cerca de 200 operários têxteis da Santix e da Insieme, na sua maioria mulheres, estão em luta, reclamando o pagamento do salário do mês de Março, assim como dos subsídios em atraso. A Insieme, que trabalha nas instalações da Santix, mas tem sede em Ceira, afixou um papel a informar que as trabalhadoras estavam de férias até 2 de Maio, mas não pagou aos trabalhadores parte dos salários. As trabalhadoras da Santix também ainda não receberam o mês de Março e a empresa deve-lhes o subsídio de férias de 2014. O acordo de pagamento mensal de 50 euros para abater a dívida de cerca de 3 mil euros para com cada trabalhador também deixou de ser cumprido.

Portway: contra o despedimento colectivo

Uma ameaça de despedimento colectivo, no conjunto dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, paira sobre 257 trabalhadores da Portway. Contra a ameaça desta empresa de assistência aos passageiros e aviões (handling), os trabalhadores têm vindo a realizar diversas acções de protesto. No dia 18 de Abril, levaram a cabo uma greve nos três aeroportos e, nos plenários então realizados, foram denunciadas as manobras das várias empresas e entidades oficiais que intervêm nos aeroportos portugueses. A Ryanair, empresa de voos low-cost, no termo dos contratos que tinha com a Portway, rescindiu-os, acusando esta de querer aumentar muito os preços de assistência. E a Portway procura compensar o dinheiro que perde: despedindo trabalhadores efectivos e com melhores salários, ao mesmo tempo que efectiva outros em piores condições, ou contrata trabalhadores eventuais a tempo parcial.

Soares da Costa: despedimento colectivo

A Soares da Costa pretende avançar até ao final de Abril com um processo de despedimento colectivo de 519 trabalhadores. Este despedimento, justificado pela empresa por “causas internas”, assim como pela crise na construção em Portugal e Angola, corresponde a cerca de 20% do universo dos seus 4500 efectivos e abrange, fora de Portugal, designadamente o Brasil, Angola e Moçambique. Nesta fase, o Sindicato da Construção aconselha os trabalhadores da Soares da Costa com vencimentos em atraso a suspenderem os contratos, para “pelo menos receberem 70% do salário”. O presidente do sindicato adianta que os cerca de 300 trabalhadores da construtora que estão em situação de inactividade têm dois meses de salários em atraso, enquanto os que estão em Angola contam já com cinco vencimentos por liquidar.

Estivadores de Lisboa em greve

O Sindicato dos Estivadores, que já travou duras lutas contra o patronato e os seus governos, iniciou, no dia 20 de Abril, um novo período de greve no porto de Lisboa, abrangendo também os trabalhadores dos portos de Setúbal e da Figueira da Foz. Depois de mais uma ronda negocial e de os estivadores terem aceite grande parte das propostas da mediação, os patrões pretendem continuar a tentar trocar estivadores profissionais por trabalhadores precários e sem formação adequada, protelando também o Contrato Colectivo de Trabalho, por quererem travar a progressão na carreira. De acordo com o pré-aviso de greve, os estivadores vão fazer greve a todo o trabalho suplementar em qualquer navio ou terminal, isto é, vão recusar trabalhar além do turno, aos fins de semana e dias feriado. E prevê-se que a greve se prolongue até 12 de Maio

Greve na CaetanoBus

Por aumentos salariais para todos, sem discriminações, os trabalhadores da CaetanoBus fizeram greve no dia 18, durante uma hora, e realizaram uma concentração frente à sede da empresa, em Vila Nova de Gaia, onde também está sediado o Grupo Salvador Caetano. A empresa, em clara violação da lei e do princípio da igualdade, atribuiu aumentos salariais aos trabalhadores dos escritórios e às chefias, e, em evidente represália, não atribuiu qualquer aumento de salário aos trabalhadores da produção, por estes fazerem greve e reclamarem a aplicação dos seus direitos. Contra esta acção persecutória, os trabalhadores prometem continuar a luta, até que a CaetanoBus dê provimento às suas reivindicações. Um plenário de trabalhadores deverá ter lugar no dia 3 de Maio.

Trabalhadores do Pingo Doce em luta

Trabalhadores e delegados sindicais dos supermercados Pingo Doce, concentrados junto à sede da empresa, acusaram esta de “repressão”, “assédio moral” e de desrespeito pelos horários de trabalho. Em declarações aos jornalistas, Flora Osório afirmou que não há actualização salarial desde 2010, referindo ainda que “O trabalho nocturno é praticado como se fosse horário de trabalho normal e as férias não podem ser marcadas para épocas festivas e balneares”. Também Isabel Camarinha, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal afirmava que foi entregue à Administração, em Fevereiro, um caderno reivindicativo dos trabalhadores e um pedido de reunião, acrescentando: “Os trabalhadores têm salários baixíssimos e condições de trabalho que numa empresa desta dimensão são injustificáveis, no que se refere, por exemplo, à segurança e higiene”.

Degradação

Falando numa conferência em Lisboa o ex-comissário europeu António Vitorino alertou para os perigos da “degradação da função política” nos tempos que correm e da correspondente “crise da democracia representativa”. Constatou a “delapidação das classes médias” que são “o esteio das democracias”. Reconheceu que “o centro de afunda” e que “as referências democrata-cristã e social-democrata se esvaziam” conduzindo a uma “estigmatização das elites”. Este é o caldo, alerta Vitorino, em que cresce “o ressentimento como força de transformação social”.
A esse “ressentimento” com capacidade de “transformação social” chamamos nós luta de classes.

Porquê a dois?

O presidente do sindicato da construção civil e o presidente duma associação patronal do norte deram uma conferência de imprensa conjunta em que apontaram a quebra de actividade no sector e o risco de desemprego para 35 mil trabalhadores. Mas porquê uma conferência a dois? São comuns os problemas dos patrões e dos trabalhadores? O que impedia o presidente do sindicato de apresentar as preocupações e reivindicações dos trabalhadores de forma independente?