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Nós, iconoclastas
António Louçã — 19 Junho 2020
Com uma pomposa indignação mais própria do conselheiro Acácio, clamaram vários políticos da nossa praça contra a vandalização de uma estátua do Padre António Vieira. O clamor pretendia desviar as atenções do racismo, o verdadeiro problema que mobiliza centenas de milhares de manifestantes em todo o mundo.
No coro acaciano fez-se ouvir o habitual argumento de Portugal não ser “um país racista”. Mas em que país não se ouve o mesmo argumento, aplicado ao caso respectivo? A burguesia portuguesa criou um império colonial e esse império combinou sempre instrumentos diversos de dominação: por um lado, as contrapartidas económicas e a corrupção de elites locais, por outro o proselitismo religioso e, enfim, o instrumento decisivo da coação militar.
EUA: tropas contra manifestantes?
John Catalinotto (*) — 8 Junho 2020
Há quatro dias, a Casa Branca chamou as Forças Armadas a intervirem nas cidades dos EUA para “dominar” as ruas. Nos três dias seguintes, dois ex-chefes do Estado-Maior Conjunto manifestaram-se contra esse destacamento. O mesmo aconteceu com o antigo e o actual secretários da Defesa de Trump, este último sabendo que arriscava a demissão. Reagindo à ameaça de Trump, pelo menos três organizações de veteranos antiguerra pediram aos militares das Forças Armadas e da Guarda Nacional que se recusem a intervir contra os manifestantes que se opõem ao racismo.
EUA: Não é motim, é rebelião!
Manuel Raposo — 5 Junho 2020
Este título é tirado de um artigo publicado pelo semanário comunista norte-americano Workers World que relata com detalhe os protestos desencadeados nos EUA, de costa a costa, em resposta ao assassinato de George Floyd pela polícia de Minneapolis. Onze dias passados, as manifestações continuam por todo o país, apesar das ameaças brutais de Trump e da violência policial. Mais de dez mil pessoas foram detidas. Vários protestos de solidariedade ocorreram, entretanto, em diversas partes do mundo. Razões sérias levam tanta gente a vir para a rua, enfrentado polícia e pandemia.
Nova crise, nova troika
Manuel Raposo — 2 Junho 2020
Juntemos factos.
Perante as medidas de excepção tomadas em Março, Rui Rio declarou completa concordância com o Governo e anunciou a necessidade de um “governo de salvação nacional”. Foi moderado a ponto de negar a ambição do PSD de integrar um tal governo, mas suficientemente explícito para significar que as tarefas futuras da governação não prescindem do concurso do seu partido.
O banqueiro autocrata
António Louçã — 23 Maio 2020
Mesmo neste maio de 2020 a transbordar de fraseologia, se tivéssemos de escolher a frase do mês, sem dúvida ganharia a palma a de Mário Centeno sobre o Novo Banco: “Não permitirei que uma instituição bancária com as portas abertas possa ser prejudicada por um debate parlamentar”. Centeno tem bom remédio: acabe com o parlamento. Será nisso que está a pensar?
Chamem-lhe austeridade ou não
Manuel Raposo — 12 Maio 2020
Em duas entrevistas dadas à televisão e à rádio, o ministro da Finanças fez questão de vincar repetidamente que a crise económica em que o país e o mundo caíram é um produto da pandemia e não da própria lógica económica. Disse mesmo que, no seu entender, a curva da economia acompanhará a curva da pandemia, isto é, recuperará em paralelo com a retoma das condições de saúde.
Neste discurso, a crise actual passa por ser um mero hiato (“que ninguém previa” e para o qual “ninguém estava preparado”) no fluxo normal dos negócios — e que, mais logo, tudo retomará o andamento a partir do ponto em que se estava, mais coisa menos coisa.
Crónica da pandemia
Duas espinhas na garganta, ainda assim
Manuel Raposo — 2 Maio 2020
Com argumentos de defesa da saúde pública, a direita (mas não só a direita) atirou-se às comemorações do 25 de Abril e do Primeiro de Maio, classificando os promotores de irresponsáveis e de “darem um sinal errado” à população quando se pede a todos que fiquem em casa.
Pouco interessou aos críticos que as regras de afastamento físico fossem respeitadas em qualquer dos casos. Tal como não lhes interessa o facto de, todos os dias, milhares de trabalhadores que permanecem em actividade se acumulem em transportes públicos escassos e em locais de trabalho sem condições de segurança sanitária.
NATO em armas para ‘combater o coronavírus’
Manlio Dinucci (*) — 27 Abril 2020
Os 30 ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO [no caso de Portugal, Augusto Santos Silva], que se reuniram em 2 de abril por videoconferência, encarregaram o general norte-americano Tod Wolters, Comandante Supremo Aliado na Europa, de “coordenar o apoio militar necessário para combater a crise do coronavírus”. Trata-se do mesmo general que, no Senado dos Estados Unidos em 25 de fevereiro, declarou que “as forças nucleares apoiam todas as operações militares dos EUA na Europa”, o mesmo que se declara “um defensor de uma política flexível de primeiro uso” de armas nucleares, ou seja, ataque nuclear de surpresa (1).
Interesses imperialistas acima da pandemia
Crescem as ameaças militares dos EUA e da NATO
Manuel Raposo — 21 Abril 2020
As vozes que, acreditando nas ameaças de Trump, davam conta do fim próximo da NATO, revelam-se precipitadas. O mesmo para as que acreditaram na retirada do imperialismo norte-americano dos cenários de conflito militar. O mesmo ainda para quem pensou que a crise sanitária global traria alguma trégua ao mundo.
Pelo contrário, está a tornar-se claro que para os dirigentes norte-americanos a preocupação dos povos com a pandemia é a ocasião óptima para incrementarem as ameaças militares e quiçá tentarem “resolver” alguns dos impasses dos últimos anos.
Europa: 30 mil soldados dos EUA em manobras
O maior destacamento desde o fim da Guerra Fria
Manlio Dinucci (*) — 19 Abril 2020
Os ministros da Defesa dos 27 países da União Europeia, 22 dos quais são membros da NATO, reuniram-se nos dias 4 e 5 de Março em Zagreb, Croácia. O tema central da reunião [na qual participou, por Portugal, o ministro João Gomes Cravinho] não foi como lidar com a crise do coronavírus que bloqueia a mobilidade civil, mas como aumentar a “mobilidade militar”.
O teste decisivo é o exercício Defender Europe 20 [Defensor da Europa 2020], em Abril e Maio. O secretário-geral da NATO, Stoltenberg, que participou da reunião da UE, chama a isto “o maior destacamento de forças norte-americanas na Europa desde o fim da Guerra Fria”.