Tópico: Mundo

A imagem do desconcerto

Manuel Raposo — 17 Agosto 2016

Conservative Party Autumn Conference 2015 - Day 3Praticamente no dia a seguir ao desenlace do referendo, as convicções britânicas tremeram. A demissão em série de praticamente todo corpo de dirigentes políticos — sem surpresa do lado dos derrotados, com surpresa do lado dos vencedores — mostra que ninguém parece querer assumir a tarefa de negociar os termos da saída e de arcar depois com as consequências.


Mais EUA nas ilhas britânicas

Manuel Raposo — 12 Agosto 2016

ObamaCameronA “recuperação da independência” de que a direita britânica se vangloria (e de que boa parte da pequena burguesia fez sua bandeira) é uma farsa que rapidamente se vai desfazer. A dependência face à UE que a maioria dos eleitores britânicos quiseram recusar, vão tê-la em dose dupla no que respeita aos laços com os EUA.

Pela economia e pela política, o Reino Unido sempre teve relações especiais com os EUA. A sua entrada para a UE em 1974 serviu não apenas os interesses do capital britânico mas também o interesse norte-americano em ter um agente especial no seio do bloco europeu em formação.


Mais Alemanha na Europa

Manuel Raposo — 9 Agosto 2016

MerkelHollandeNo imediato, a saída do Reino Unido é um percalço para a UE. Sobretudo para a Alemanha, na medida em que ela é o centro, o líder e o beneficiário principal do “projecto europeu”. Mas não estamos necessariamente perante uma derrota do grande capital europeu, que se fundiu de modo irremediável — e que por isso mesmo tentou evitar o abalo previsível defendendo de forma activa a permanência, como se viu na campanha do grande capital britânico, nomeadamente do capital financeiro da City. O verdadeiro problema na agenda da grande burguesia europeia parece ser como contornar os efeitos da votação da pequena burguesia britânica.


Bandeiras em farrapos, ‘bárbaros’ à porta

Manuel Raposo — 4 Agosto 2016

RefugiadosPaz, democratização, prosperidade — eis os slogans, tão enaltecidos desde o referendo no Reino Unido, que promovem o “projecto europeu”. A indignação evidenciada pelos europeístas pretende mostrar que os eleitores britânicos deram uma facada nas costas ao melhor dos mundos. Mas o que a realidade mostra é o exacto contrário desse melhor dos mundos.


O “projecto europeu” realmente existente

Manuel Raposo — 1 Agosto 2016

Cameron-BrexitSó a evolução próxima (e não tão próxima) dos acontecimentos pode dizer exactamente quais os efeitos do referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas o certo é que um abalo está já em curso, quer no plano político e partidário, quer no plano económico. No entanto, mais do que causa da agitação que se propaga à Europa e ao mundo, a viragem na Grã-Bretanha é sintoma da instabilidade que atinge o planeta, e da incapacidade das burguesias dominantes para debelarem a crise em que o capitalismo se vê atascado desde 2008.


A Turquia e o síndroma de Salomé

António Louçã — 25 Julho 2016

ErdoganNum mundo em que os direitos humanos continuam a impregnar o discurso politicamente correcto, o contragolpe de Erdogan vem recordar-nos como é precário o direito de asilo, como ele se joga cinicamente à mesa do póquer geoestratégico e como as cabeças oferecidas em bandeja continuam a ser contrapartida de vantagens obtidas nesse póquer.

No momento de escrever estas linhas, o Departamento de Estado norte-americano continua a deixar em aberto a possibilidade de oferecer a Erdogan a muito reclamada cabeça do exilado Fetullah Güllen. A este, de pouco serve ter repudiado o falhado putsch militar. O seu destino depende de outras negociações que algum dia um novo Wikileaks exporá aos olhos do mundo.


Algumas citações do novo capelão-mor do Exército israelita

António Louçã — 17 Julho 2016

RabinoEKO rabino Eyal Karim tem-se distinguido pela crueza do discurso. A imprensa liberal israelita, embaraçada com a sua nomeação, diz agora que se trata de um erro de casting, facilmente evitável se o Estado-Maior que o nomeou tivesse feito uma rápida pesquisa no Google. Não houve tal erro: Karim é o condensado mais fiel do pensamento e da prática do Exército de ocupação.


Que saída?

29 Junho 2016

O referendo no Reino Unido (tal como antes várias eleições europeias) confirmam um fenómeno de fundo que se vem repetindo na Europa: boa parte das classes médias tendem a virar costas aos tradicionais partidos do centro e enjeitam as suas propostas políticas. No caso do referendo, uma maioria de britânicos abandonou Conservadores e Trabalhistas e apoiou, em última análise, as posições da extrema-direita.

Os votos podem ter destinos diferentes. Mas as causas do desarranjo são as mesmas: a crise capitalista atinge, depois do proletariado, as próprias classes pequeno e médio burguesas, aproximando parte delas da condição precária dos proletários. E é isso que elas recusam. Por isso, as respostas políticas que esperam se confinam aos limites do sistema social capitalista, procurando apenas reformá-lo — nuns casos pela direita, noutros pela “esquerda”.


Papéis do Panamá: que é feito do assunto?

22 Junho 2016

Jornalistas ditos impolutos, média ditos de referência, entre nós particularmente o Expresso e a TVI, gente dita muito determinada a investigar a corrupção, fizeram da divulgação inicial dos chamados Papéis do Panamá um folhetim que quase todos dias nos entrava pela casa dentro. Mas recordemos que estes Papéis foram entregues ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação(ICIJ), sediado em Washington (EUA) e financiado,entre outras, por fundações ligadas aos Rockefellers, Soros, Ford, Jewish Community Federation e Microsoft.
Porque o jornalismo está em crise e a tabloidização prossegue


Mercenários do capital que nos governam

Pedro Goulart — 9 Junho 2016

Eurogrupo_lagarde Nos últimos meses prosseguiu forte o assédio a Portugal e ao governo de António Costa por parte da gente da CE, do BCE e do FMI, os mesmos que, nos últimos anos, em conjugação com o governo PSD/CDS, muito contribuíram para tornar mais difícil a vida dos trabalhadores e do povo português. Porque os média ao serviço do patronato fazem de megafone permanente da propaganda das classes dominantes, e nunca é demais denunciar estas situações, destacamos, para memória presente e futura, algumas dessas entidades e personagens.


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