Tópico: Mundo

EUA atentos e activos

Manuel Raposo — 6 Maio 2016

dilma-e-obamaA Administração Obama está seguramente atenta aos acontecimentos no Brasil e não longe deles. Motivos não faltam ao imperialismo norte-americano para desejar ardentemente uma viragem política no Brasil.
Desde logo porque, dado o peso político e económico do país, isso significaria o começo de uma viragem no curso seguido pela América Latina nas últimas décadas (Venezuela, Bolívia, Equador, mas também Chile, Argentina, Uruguai), nada favorável aos interesses norte-americanos.


Brasil: um golpe à paisana

Manuel Raposo — 26 Abril 2016

BrasilpobrezaO carnaval montado na Câmara dos Deputados brasileira, a que todo o mundo pôde assistir em directo na noite de 17 de Abril, não pode ter outro nome que não seja o de um golpe de Estado — palaciano, no caso. A corte de deputados e de juízes sustentada pelo erário publico e pela corrupção descarada confabulou-se para impugnar a presidente e para afastar o Partido dos Trabalhadores do poder. Isto, a ninguém escapa por mais voltas que se dê ao assunto. A pergunta que resta à esquerda é saber por que razão Dilma, Lula e o PT chegaram ao ponto de serem corridos por um bando de malfeitores, aparentemente com a maior das facilidades. E qual vai ser a resposta dos trabalhadores e dos pobres.


EUA “comemoram” aniversário da invasão do Iraque com ataque aéreo à Universidade de Mossul

17 Abril 2016

UniMossul_antesEntre 19 e 22 de Março, a força aérea dos EUA bombardeou a Universidade iraquiana de Mossul, causando dezenas de mortos e feridos civis. O ataque, desencadeado sob o pretexto de que o Estado Islâmico procedia ao fabrico de bombas nas instalações da Universidade, foi iniciado três dias antes dos atentados de Bruxelas e não mereceu qualquer destaque na comunicação social ocidental. Pode mesmo dizer-se que foi simplesmente ignorado — a melhor forma de tornar “inexistentes” para a opinião pública os actos de terror maciço praticado pelas exemplares democracias europeias e norte-americana.
O mesmo não se passa com as vítimas e em geral no mundo árabe. A iraquiana Souad Al-Azzawi, professora e investigadora em engenharia geológica e ambiental, difundiu nas redes sociais os seguintes testemunhos sobre o ataque, dando conta da barbaridade dos EUA e da revolta das populações atingidas.


O folhetim do Panamá

Pedro Goulart — 14 Abril 2016

papeis-do-panama-ali-baba_cropAs revelações diariamente vindas a público a partir dos chamados Papéis do Panamá são claramente orientadas e ocupam grande parte do espaço informativo e de debate. Até agora não nos têm surpreendido: limitam-se a revelar alguma coisa do que já sabíamos ou pressentíamos sobre as múltiplas e habituais operações financeiras de muita gente das classes dominantes. Só os distraídos podem estar seriamente indignados.


A guerra chegou à Europa

Carlos Completo — 9 Abril 2016

BombMosul2Claro que os recentes actos de terror praticados em Bruxelas, espalhando a morte e o horror entre a população, e levados a cabo por elementos afectos ao chamado Estado Islâmico, do mesmo modo que os anteriormente verificados em Paris, Madrid, Londres, Nova Iorque e outros locais, são altamente condenáveis. Como também o são (não o esqueçamos) as agressões militares efectuadas no Iraque, Palestina, Afeganistão, Jugoslávia, Líbia, Síria (e não só) pelos EUA, pela NATO e por vários países cúmplices desta política imperialista. Política que, sob o pretexto de levar a “democracia ocidental” a outros países e continentes, o que pretende é, de facto, apropriar-se das matérias primas, nomeadamente do petróleo, abrir mercados para os seus produtos e subjugar os povos.


Contas ‘sãs’

Manuel Raposo — 6 Abril 2016

alemanhaSuperavitA Alemanha teve em 2015 um excedente orçamental de 19.400 milhões de euros, o valor mais alto desde 1990, quando o país foi reunificado. Também em 2014 conseguiu um excedente de 8.900 milhões. Estes resultados, em geral apresentados como uma façanha da disciplina das contas germânicas, posta em contraste com o “despesismo” da maioria dos países da União Europeia, não são independentes do facto de a Alemanha ser o principal aspirador da riqueza produzida na União.


Repensar a política da esquerda na Europa e no mundo

Prabhat Patnaik — 27 Março 2016

grecia_portugal_pessoas_1O economista marxista indiano Prabhat Patnaik, num artigo publicado no semanário do Partido Comunista da Índia, Peoples Democracy, em Julho de 2015, poucos dias depois de o governo grego do Syriza ter aceite novo pacote de austeridade imposto pela União Europeia, fez uma lúcida apreciação das razões que conduziram à capitulação de Tsipras. Como o autor afirma no início de Europa: o momento da verdade (que publicamos na íntegra), não se trata de criticar superficialmente o Syriza, mas de avaliar as causas profundas da derrota e repensar o comportamento político da esquerda na Europa e no mundo. A principal lição que Patnaik aponta é que se revelou falsa a suposição de que o capital financeiro poderia reconhecer os argumentos da “razão” e ser domesticado pela pressão popular, de que a Europa poderia regressar à situação de há uns anos atrás, de que a democracia poderia triunfar sobre o capital financeiro — tudo isto preservando as instituições do capitalismo europeu.


Trump, a lixeira a céu aberto

Manuel Raposo — 21 Março 2016

Donald TrumpA linguagem desbragada e as posições abertamente reaccionárias de Donald Trump, o multimilionário republicano candidato à presidência dos EUA, valeram-lhe slogans como “Trump pró lixo” (Dump Trump). Os seus ataques racistas provocaram manifestações de repúdio de milhares de pessoas em diversas cidades dos EUA. Apesar disso, a sua campanha abeira-se da nomeação pelo partido Republicano. Ela representa o toque a reunir de uma vasta faixa da direita: classes médias temerosas do futuro, simples conservadores, racistas, fascistas.


Degradação

19 Março 2016

Falando numa conferência em Lisboa o ex-comissário europeu António Vitorino alertou para os perigos da “degradação da função política” nos tempos que correm e da correspondente “crise da democracia representativa”. Constatou a “delapidação das classes médias” que são “o esteio das democracias”. Reconheceu que “o centro de afunda” e que “as referências democrata-cristã e social-democrata se esvaziam” conduzindo a uma “estigmatização das elites”. Este é o caldo, alerta Vitorino, em que cresce “o ressentimento como força de transformação social”.
A esse “ressentimento” com capacidade de “transformação social” chamamos nós luta de classes.


O arrastão de Colónia

Urbano de Campos — 15 Março 2016

ColoniaEm Junho de 2005, toda a comunicação social portuguesa fez parangonas com o que chamou o “arrastão” de Carcavelos. A PSP de Lisboa acusou “cerca de 500 indivíduos negros” de atacarem, roubarem e agredirem banhistas. “Testemunhas” confirmaram os maiores desmandos, comerciantes da praia fecharam os estabelecimentos. O presidente da CM de Cascais, verberou os “delinquentes” e “marginais”. A polícia aconselhou “os políticos” a “saber ler os sinais”. Dirigentes partidários reclamaram medidas de segurança reforçadas. Tudo se revelou falso.


< Mais recentes Página 32 de 92 Mais antigos >