Tópico: Mundo

Uma mudança de época

Tom Thomas (*) — 4 Dezembro 2017

RodchenkoO fracasso dos processos revolucionários na ex-URSS e na China, seguido de um rápido retorno ao capitalismo “clássico”, levou alguns ideólogos a proclamar que o capitalismo planetário era o fim da história. A análise da crise actual mostra que é antes a sua história que se aproxima do fim. O capitalismo só pode subsistir, degradando-se, por meios que são catastróficos para as condições de vida dos povos, sem sequer falar da destruição maciça de todas as espécies.
Ao mesmo tempo, as condições materiais para a abolição do capitalismo — portanto, da condição proletária — estão hoje infinitamente mais maduras do que estavam para essas revoluções, inclusive na componente internacional. Senilidade do capitalismo, necessidade vital e possibilidade do comunismo são as características gerais da época presente: uma nova época.


Derrubando mitos

29 Novembro 2017

O historiador Fernando Rosas apresenta na RTP2, aos domingos, um excelente programa sobre o colonialismo português em África. Desde as guerras ditas de “pacificação” do final do século XIX, até à criação do mito salazarista da pátria multicontinental e multi-racial, são escrutinados os processos de implantação do domínio colonial, através dos seus momentos mais significativos. A expropriação das populações rurais autóctones, o trabalho forçado, a criação dos empórios dos diamantes, do café, do cacau, as violências diárias, as prisões para os “recalcitrantes”, as execuções sumárias, mas também a resistência das populações africanas e o nascimento do nacionalismo independentista — são passados em revista, dando uma perspectiva que subverte a história dominante sobre a suposta brandura do império luso.


Olhar para a frente

Manuel Raposo — 7 Novembro 2017

lissitzky_el_2“O principal erro que os revolucionários podem cometer é o de olhar para trás, para as revoluções do passado, quando a vida traz tantos elementos novos que é necessário incorporar na cadeia geral dos acontecimentos.” (Lenine, Abril de 1917)

As abordagens diversas dos 100 anos da revolução soviética (bem como a maioria das evocações desde sempre) falam sobretudo dos feitos de 1917, procurando ver a sua “actualidade” e transpondo-os quanto possível para o presente. É de certo modo uma abordagem cerimonial, que glorifica os acontecimentos e as figuras de então, mas que diz pouco sobre o que seria uma revolução “soviética” no mundo de hoje. Em muitos casos, subentende mesmo a miragem de uma repetição dos acontecimentos, quando as realidades desmentem essa possibilidade a cada passo.


Governantes catalães sequestrados em Madrid

Pedro Goulart — 6 Novembro 2017

llibertatOito membros do governo que declarou a independência da Catalunha responderam em Madrid perante a Audiência Nacional, tendo a juíza Carmen Lamela ordenado a sua prisão preventiva, visto considerar existirem indícios de “crime de rebelião”, que pode ser punido com uma pena até 30 anos de prisão.
Os detidos Oriol Junqueras, Meritxell Borrás, Jordi Turull, Raul Romeva, Josep Rull, Carles Mundó, Joaquim Forn e Dolors Bassa foram encerrados em cinco estabelecimentos prisionais de Madrid estando também aí já detidos, desde 16 de Outubro, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presidentes das duas maiores associações independentistas da Catalunha.


Homenagem à Catalunha

António Louçã — 21 Outubro 2017

referendo-catalunha-6Com este título, George Orwell evocou em páginas cintilantes a sua participação na milícia do POUM durante a guerra civil espanhola. A Catalunha de que falava era diferente da que vemos hoje: a Catalunha proletária, que em 18 de Julho de 1936 cercou as tropas golpistas, fuzilou os generais conjurados, ocupou e colocou em autogestão as fábricas abandonadas pelos patrões. E era também a Barcelona que, nas jornadas de Maio de 1937, se encheu de barricadas, contra a tentativa policial de retomar o controlo da central telefónica.
Hoje, a Catalunha volta a ser um exemplo, não tanto por um independentismo burguês que em todo o século XX conduziu a becos sem saída, mas pela luta de massas que bateu o pé à prepotência madrilena. Além de exemplo, a Catalunha é um catalisador de soluções potenciais para alguns dos mais intrincados problemas do nosso tempo.


A Catalunha e a “democracia” espanhola

Pedro Goulart — 23 Setembro 2017

catalunha_manifO comportamento do governo de Madrid, dirigido por Mariano Rajoy, e com a cumplicidade dos outros partidos espanholistas assim como dos média do sistema, face à vontade dos catalães decidirem em referendo sobre a sua independência, é mais uma demonstração de como os dirigentes da democracia burguesa são capazes de recorrer a todos os meios, mesmo ilegais ou ilegítimos, quando são postos em causa os seus interesses de classe.
Sob a capa da legalidade, a 12 dias do referendo para a independência da Catalunha, e servindo-se do aparelho jurídico burguês do estado espanhol (o mesmo aparelho que foi usado para a repressão dos militantes independentistas bascos e suas famílias) o governo de Madrid desencadeou uma vasta operação repressiva sobre a região, que nos faz lembrar velhas acções autoritárias do estado centralista sediado em Madrid.


Terror “branco”

13 Setembro 2017

As autoridades do Reino Unido anunciaram a detenção, em princípio de Setembro, de quatro membros de um grupo neonazi entre os quais estão militares no activo. São suspeitos de estarem a preparar atentados terroristas no país, diz a polícia. Se os indivíduos fossem árabes ou muçulmanos, não faltariam vozes a falar num “confronto de civilizações” visando destruir a “nossa democracia” e o “nosso modo de vida”.


Tropas portuguesas para o Afeganistão

Pedro Goulart — 10 Setembro 2017

afeganistãoSegundo a agência Lusa (com fonte no Ministério da Defesa), o governo português estaria a “negociar” com a NATO o envio, em 2018, de uma força militar para o Afeganistão. A força portuguesa a enviar seria composta maioritariamente por militares do Exército e teria dimensão equivalente ao contingente que Portugal retirou do Kosovo em Maio passado. Logo no mês seguinte, o ministro Azeredo Lopes, solícito, apressava-se a afirmar em Bruxelas, na sede da NATO, que há da parte de Portugal “uma disponibilidade total”, admitindo a possibilidade de juntar a “força de reacção rápida e a formação e o treino, em torno dos 170 homens”, a enviar para onde a NATO considerasse necessário.


Uma chacina mantida sob silêncio

Urbano de Campos — 29 Agosto 2017

Mossul_reduxQuando a Rússia e a Síria mataram civis ao expulsar as forças da Al Qaeda de Aleppo, políticos e meios de comunicação dos Estados Unidos gritaram “crimes de guerra”. Mas o bombardeio liderado pelos Estados Unidos contra Mossul, no Iraque, recebeu uma resposta diferente, salienta Nicolas Davies (*), jornalista e activista norte-americano. No artigo de que publicamos largos extractos (**), o autor alerta para a campanha de mistificação conduzida pelo poder e pela comunicação social no sentido de esconder do público as dimensões da chacina que está a ser cometida. Uma campanha que começa nos EUA mas se prolonga pelos média servis de quase todo o mundo ocidental. Portugueses incluídos, claro.


O centurião exemplar

22 Agosto 2017

Donald Trump enviou a Espanha as condolências da praxe pelo atentado de Barcelona e prometeu ajudar naquilo que pudesse. A “ajuda” seguiu na forma de outro tweet em que convidava os espanhóis a estudarem o exemplo do general norte-americano John Pershing. Pershing participou na guerra entre os EUA e a Espanha, em finais do século XIX, na qual os norte-americanos roubaram Cuba e as Filipinas ao império espanhol.
Conta-se que este ídolo de Trump mandou executar guerrilheiros filipinos muçulmanos (“terroristas”, claro, que resistiam à ocupação militar norte-americana) com balas tingidas com sangue de porco. Diz Trump exultante: “Não houve mais terror radical islâmico durante 35 anos!”. Verdade ou não,


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