Tópico: Mundo

Subitamente, o nazismo ucraniano deixou de existir…

Urbano de Campos — 6 Janeiro 2023

Nato, Azov, Suástica. Membros do batalhão Azov exibem as suas bandeiras

A desvalorização que o mundo ocidental, empenhado até às orelhas no apoio à Ucrânia, faz do nazismo ucraniano é, simultaneamente, um sinal da debilidade das suas convicções democráticas e uma demonstração de falta de princípios na guerra que conduz contra a Rússia. Quando recentemente o ministro russo Lavrov lembrou de novo que um dos objectivos da ofensiva russa iniciada em 24 de fevereiro era a desnazificação da Ucrânia, choveram os costumeiros argumentos da troika EUA-UE-Nato de que tudo não passava de um pretexto da Rússia para desencadear a operação militar.


Lições da instabilidade política na América Latina

Editor / John Catalinotto — 14 Dezembro 2022

Opositores ao golpe contra o presidente Pedro Castillo bloqueiam o trânsito, exigem a sua libertação e novas eleições, 11 de dezembro

A guerra na Ucrânia concita todas as atenções políticas do momento. Especialmente para as populações europeias, as razões são fáceis de entender: um conflito militar ao pé da porta, escassez de bens, carestia, aumento da pobreza, ataque ao Estado Social. Mas as atenções do imperialismo, concretamente dos EUA, não se ficam pela Ucrânia ou a Europa. Recentes ataques aos regimes políticos do Peru, da Argentina e do México mostram que os EUA não desistem facilmente da ideia prepotente de que o Continente é um seu quintal.


A guerra num ponto de viragem?

Manuel Raposo — 21 Novembro 2022

Lloyd Austin, Mark Milley: a Ucrânia não pode pretender uma vitória militar

As informações divulgadas nos últimos dias sobre a guerra na Ucrânia, apesar de fragmentárias e mesmo contraditórias, parecem apontar num sentido: os EUA estarão a pressionar os dirigentes ucranianos para aceitarem negociações com a Rússia. A confirmar-se, será uma viragem significativa da posição dos EUA e do Ocidente em relação ao curso do conflito — aparentemente dando razão às posições de países como a Turquia ou a China, que sempre advogaram uma solução negociada, mas também a Hungria ou a Sérvia que resistiram à política europeia e norte-americana de sanções contra a Rússia e de lançar achas na fogueira.


Przewodów. Ridículos, se não fossem criminosos

Urbano de Campos — 17 Novembro 2022

Vista geral do alvo polaco do “terror russo”, segundo Zelensky

O incidente com o míssil que, anteontem, 15 de novembro, atingiu a Polónia é um espelho. Espelho da paranóia dos dirigentes ucranianos e dos seus mais fiéis comparsas, espelho dos níveis de perversão atingidos pela comunicação social. Mas talvez, em final de contas, alguns dos estilhaços do míssil de Przewodów caiam na cabeça de Zelensky, dos seus colegas de governo e dos seus adeptos, dentro e fora da Ucrânia.


Bilionários altamente poluentes

Editor / Jessica Corbet — 10 Novembro 2022

Cheias no Paquistão 2022: 1200 mortos, 6000 feridos, 300.000 casas destruídas

É sentimento comum que as discussões e as resoluções que visam travar as alterações climáticas resultantes da acção humana não produzem efeitos práticos. As diversas cimeiras do clima assim o mostram de ano para ano, por mais apelos que sejam feitos aos poderes públicos, por mais metas que sejam estabelecidas, por mais dramáticos que sejam os discursos, como o que o secretário-geral da ONU, António Guterres, voltou a fazer, desta vez no Egipto. Não é de esperar que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que decorre em Sharm El-Sheikh, dê resultados diferentes. 


Pôr fim à guerra: uma voz solitária no Parlamento Europeu

Editor / Clare Daly — 30 Outubro 2022

“A Nato nunca trouxe paz em nenhuma parte do mundo”

Apesar de a UE não ter um quadro legal que lhe permita acusar um país terceiro de patrocinar o terrorismo de Estado, o Parlamento Europeu levou a cabo em 18 de outubro um debate acerca do assunto sob pressão das autoridades ucranianas. Dias antes, o Conselho da Europa fizera o mesmo, com direito a discurso de Zelensky, pois claro. Em ambas as sessões, o alvo, evidentemente, foi a Federação Russa, e o propósito declarado foi o de forjar, pelo menos no plano moral e da propaganda, uma condenação das autoridades russas para lá do quadro específico da guerra. 


Ucrânia, Palestina: os duplos padrões do Ocidente

Editor / Jonathan Cook — 22 Outubro 2022

A resistência ucraniana é heróica, a resistência palestina é terrorismo.

As contradições gritantes do Ocidente no tratamento da guerra da Ucrânia e da ocupação da Palestina deviam servir para despertar a opinião pública da hipnose em que é mantida acerca da guerra, tanto num como noutro caso. É o que defende Jonathan Cook ao pôr em evidência os duplos padrões do Ocidente quando compara estes e outros conflitos da actualidade. O monopólio da informação que é levada ao grande público por todos os meios ao dispor dos estados ocidentais confere-lhes, sem dúvida, uma vantagem esmagadora no condicionamento das mentalidades. Mas não lhes dá razão. 


Uma dívida que não é nossa, uma guerra que não queremos

Editor — 13 Outubro 2022

Quer o Orçamento do Estado quer o “acordo de rendimentos” firmado há dias na Concertação Social consagram a perda de poder de compra dos trabalhadores diante da inflação. Nem os salários são aumentados ao nível da carestia, nem a especulação com os preços é travada. Esta espoliação marca a linha política do Governo e mostra — para lá de todas as “ajudas” e de todo o palavreado — quais as classes sociais que o Governo sacrifica no altar da crise económica.


Afinal, quem promove o fascismo?

Manuel Raposo — 30 Setembro 2022

Dilacerada por enormes tensões internas mal disfarçadas, a União Europeia abeira-se da desagregação

Cem anos depois de Mussolini ter chegado ao poder, o fascismo volta a governar a Itália. A vitória anunciada de Giorgia Meloni não mereceu, ao longo de semanas, quaisquer comentários da parte dos líderes europeus, parecendo que todos eles encaravam o caso, não só como inevitável, mas também como normal e aceitável. Apenas nas vésperas do dia da votação a porta-voz dos eurocratas, Ursula von der Leyen, resolveu lançar um aviso, tão inútil como estúpido, brandindo a ameaça de sanções se os novos governantes de Itália não se comportassem pelas regras de Bruxelas. 


O significado de “reconstruir” a Ucrânia

Editor / Michael Roberts — 23 Setembro 2022

Gigantes transnacionais do agronegócio — Monsanto, Cargill, DuPont —tomam conta de todo o sistema agrícola da Ucrânia

As notícias e discussões sobre a guerra na Ucrânia, essencialmente centradas sobre os confrontos militares e políticos, têm deixado na sombra operações de outra ordem, decorridas nos bastidores internacionais do poder, que são cuidadosamente furtadas à opinião e ao julgamento públicos. Estão neste caso as repetidas reuniões à volta da “recuperação” ou da “reconstrução” da Ucrânia. Estas iniciativas, apresentadas como gestos de solidariedade e de apoio, mal mascaram as ambições económicas do capital ocidental a respeito dos recursos naturais da Ucrânia, entre eles a sua imensa riqueza agrícola.


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