Para que não se percam os frutos da civilização

Manuel Raposo — 12 Julho 2012

Se, como vimos nos capítulos anteriores, se verifica um bloqueio da acumulação capitalista e se a sociedade burguesa entrou numa fase senil, como se explica que não cresça, neste mundo em crise, o movimento revolucionário? As enormes mutações sociais no proletariado mundial; a dissolução ideológica do marxismo revolucionário no século XX, acompanhando o longo estertor da revolução soviética; e a ausência de um claro ataque político às bases do sistema capitalista – não sendo todas, serão seguramente algumas das razões desse impasse.


Sabedoria e estupidez

12 Julho 2012

A propósito da greve dos médicos de 11 e 12 de Julho, um utente do SNS, da aldeia de Bessa, serra do Barroso (António Linhares, 82 anos) declarava: “Concordo em absoluto com esta greve, pois os médicos estão também a defender os utentes. O ministro tratou esta greve com os pés … pois eles têm razão, não se pode mandar tratar dos doentes um qualquer que faça mais barato”. Entretanto, um jovem videirinho da Comissão Política Nacional do PSD, Rodrigo Moita de Deus, escrevia num conhecido blogue de direita: “Vi na televisão centenas de médicos a celebrarem o feito de terem deixado milhares de portugueses sem cuidados de saúde”. Mais palavras, para quê?


Avançar às arrecuas!

José Borralho — 10 Julho 2012

“A democracia burguesa, constituindo um grande progresso histórico em relação à Idade Média, continua a ser – e não pode deixar de o ser no regime capitalista – uma democracia estreita, mutilada, falsa, hipócrita, um paraíso para os ricos, uma armadilha e um logro para os explorados, para os pobres” (Lenine).
Com o dedo em cima da ferida, não podiam ser mais actuais as palavras proferidas por Lenine que carregam em si toda a crueza da luta de classes e o ponto de vista de uma delas – o proletariado – as massas pobres, que hoje como então, são as grandes vítimas do sistema, os primeiros sobre quem recaem as medidas de austeridade, a pobreza extrema, o desemprego, enfim a exclusão.


“Se os nossos filhos passarem fome…”

Urbano de Campos — 6 Julho 2012

Mais de 200 mineiros de vários pontos do norte de Espanha caminham desde dia 22 de Junho em direcção a Madrid, onde contam chegar no dia 11, numa Marcha Negra em que reclamam a reposição dos apoios estatais à exploração de carvão. Os cerca de 8 mil mineiros espanhóis (das Astúrias e Leão, mas também de Castela e de Aragão) entraram em greve por tempo indeterminado em final de Maio, quando o governo de Rajoy anunciou um corte drástico nos subsídios que ameaça pura e simplesmente fazer encerrar as minas de carvão. A determinação dos mineiros asturianos ficou bem patente nos confrontos com a polícia. E o seu sentido de classe ficou também bem expresso nas sucessivas manifestações já realizadas. Numa delas, uma faixa dizia: “Se os nossos filhos passarem fome, os vossos verterão sangue”.


Para que não se percam os frutos da civilização

Manuel Raposo — 5 Julho 2012

Nesta segunda parte da intervenção feita no congresso Marx em Maio realça-se a posição das correntes marxistas que mostram as raízes da actual crise mundial. Em vez de culparem o “neoliberalismo”, ou a financeirização do capital, como se a crise tivesse origem numa qualquer deriva ideológica das classes dominantes ou num entorse do capitalismo – aquelas correntes mostram a crise como resultado do próprio crescimento capitalista. É esse crescimento que, contraditoriamente, provoca a queda da taxa de lucro do capital e o declínio de todo o sistema.


Palavras mágicas

António Louçã — 3 Julho 2012

À falta de resolverem problemas, os governos do capital criam cortinas de fumo: palavras, palavras, mais palavras. E como as peneiras não tapam o Sol, e as palavras tão-pouco, todas se desacreditam rapidamente e são substituídas a um ritmo estonteante. Assim, a palavrinha-chave era, há uns tempos, o défice. A obsessão era tal que alguém se sentiu na necessidade de enunciar essa lapalissada, de que “há vida para além do défice” – uma verdade verdadeira desde o tempo dos primeiros protozoários, mas nem por isso muito relevante para lidarmos com problemas dos seres humanos no século XXI.


Dia 30, manifestações pelo Direito ao Trabalho

26 Junho 2012

O agudizar da crise do capitalismo, na sua fase senil, faz alastrar uma calamidade entre as classes proletárias, com milhões de desempregados, precários e pobres. Em Portugal, os governos do patronato projectam em vão uma saída, procurando que sejam os trabalhadores a pagar a crise. Mas é papel dos explorados e oprimidos lutar pelos seus direitos, ao mesmo tempo que dificultam a vida aos capitalistas. No dia 30 de Junho, pelas 15h, promovidas pelo Movimento Sem Emprego (MSE), realizam-se diversas manifestações pelo Direito ao Trabalho: Lisboa, Largo Camões; Porto, Praça da Batalha; Braga, Avenida da Liberdade; Coimbra, Praça da República.


Para que não se percam os frutos da civilização

Manuel Raposo — 24 Junho 2012

Realizou-se de 3 a 5 de Maio deste ano, na Faculdade de Letras de Lisboa, um congresso designado Marx em Maio – Perspectivas para o século XXI, por iniciativa do Grupo de Estudos Marxistas daquela Faculdade. Foi uma importante ocasião para trazer o pensamento marxista a debate, sobretudo considerando a crise mundial que o capitalismo atravessa e a necessidade de reerguer a luta anticapitalista.
A intervenção que tive oportunidade de fazer será publicada por partes. Nesta primeira parte lembra-se como Karl Marx encarava o combate às contradições do capitalismo e defende-se a ideia de que a actual crise é uma radiografia do estado terminal a que chegou a civilização burguesa. Limitá-la às suas manifestações económicas é um dos vícios que bloqueia o crescimento de um movimento revolucionário.


Amadora: luta pela habitação

22 Junho 2012

Os moradores do Bairro de Santa Filomena (Amadora), ameaçados de despejo das suas casas (pois estas vão ser arrasadas), dirigiram-se pacificamente à Câmara Municipal da Amadora para entregar uma carta ao Presidente, onde expunham as suas razões quanto ao direito à habitação, que lhes querem negar. Trabalhadores com salário mínimo, pobres, desempregados, doentes, não estão em condições de arcar com rendas mais pesadas. A alternativa é ficarem na rua. E como lhes respondeu a Câmara? Com a brutalidade da intervenção da polícia municipal a uma manifestação pacífica. Mas a luta continua. Atentos ao desenrolar dos acontecimentos, manifestamos a nossa solidariedade.


Foi a luta de massas o factor determinante que dominou as eleições na Grécia

José Borralho — 20 Junho 2012

A vitória tangencial da direita, (que fez a burguesia europeia suspirar de alívio) a deslocação de uma enorme massa anti-austeridade para a esquerda moderada, a derrota brutal do KKE, a minimização do PASOK relegado para um plano insignificante e o aumento da extrema-direita, revelam-nos com crueza uma Grécia fragmentada e dominada pela agudização da luta de classes.
A nova governação à direita terá de contar com a oposição de um movimento de massas que claramente rejeita a política de austeridade e de empobrecimento que são a emanação das políticas da troika para toda a Europa.


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