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Notas soltas a pretexto do Brexit (II)
Bandeiras em farrapos, ‘bárbaros’ à porta
Manuel Raposo — 4 Agosto 2016
Paz, democratização, prosperidade — eis os slogans, tão enaltecidos desde o referendo no Reino Unido, que promovem o “projecto europeu”. A indignação evidenciada pelos europeístas pretende mostrar que os eleitores britânicos deram uma facada nas costas ao melhor dos mundos. Mas o que a realidade mostra é o exacto contrário desse melhor dos mundos.
Notas soltas a pretexto do Brexit (I)
O “projecto europeu” realmente existente
Manuel Raposo — 1 Agosto 2016
Só a evolução próxima (e não tão próxima) dos acontecimentos pode dizer exactamente quais os efeitos do referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas o certo é que um abalo está já em curso, quer no plano político e partidário, quer no plano económico. No entanto, mais do que causa da agitação que se propaga à Europa e ao mundo, a viragem na Grã-Bretanha é sintoma da instabilidade que atinge o planeta, e da incapacidade das burguesias dominantes para debelarem a crise em que o capitalismo se vê atascado desde 2008.
A Turquia e o síndroma de Salomé
António Louçã — 25 Julho 2016
Num mundo em que os direitos humanos continuam a impregnar o discurso politicamente correcto, o contragolpe de Erdogan vem recordar-nos como é precário o direito de asilo, como ele se joga cinicamente à mesa do póquer geoestratégico e como as cabeças oferecidas em bandeja continuam a ser contrapartida de vantagens obtidas nesse póquer.
No momento de escrever estas linhas, o Departamento de Estado norte-americano continua a deixar em aberto a possibilidade de oferecer a Erdogan a muito reclamada cabeça do exilado Fetullah Güllen. A este, de pouco serve ter repudiado o falhado putsch militar. O seu destino depende de outras negociações que algum dia um novo Wikileaks exporá aos olhos do mundo.
Algumas citações do novo capelão-mor do Exército israelita
António Louçã — 17 Julho 2016
O rabino Eyal Karim tem-se distinguido pela crueza do discurso. A imprensa liberal israelita, embaraçada com a sua nomeação, diz agora que se trata de um erro de casting, facilmente evitável se o Estado-Maior que o nomeou tivesse feito uma rápida pesquisa no Google. Não houve tal erro: Karim é o condensado mais fiel do pensamento e da prática do Exército de ocupação.
Um livro
Comunismo: Situação e perspectivas
O declínio das bases materiais do reformismo
5 Julho 2016
Na continuidade do texto aqui divulgado em 1 de Junho (e no número 52 do MV, edição em papel), publicamos agora uma adaptação do segundo capítulo do livro 2015 Situação e Perspectivas, do marxista francês Tom Thomas. Depois de ter analisado as razões do predomínio do reformismo na maioria dos movimentos proletários até à data, o autor mostra como a actual crise mundial do capitalismo dá o sinal do declínio e do desaparecimento das bases materiais do reformismo. Vivemos uma novidade histórica, afirma, em que a senilidade do capital faz desaparecer as condições do reformismo e, ao mesmo tempo, amadurece as do comunismo.
Editorial
Que saída?
29 Junho 2016
O referendo no Reino Unido (tal como antes várias eleições europeias) confirmam um fenómeno de fundo que se vem repetindo na Europa: boa parte das classes médias tendem a virar costas aos tradicionais partidos do centro e enjeitam as suas propostas políticas. No caso do referendo, uma maioria de britânicos abandonou Conservadores e Trabalhistas e apoiou, em última análise, as posições da extrema-direita.
Os votos podem ter destinos diferentes. Mas as causas do desarranjo são as mesmas: a crise capitalista atinge, depois do proletariado, as próprias classes pequeno e médio burguesas, aproximando parte delas da condição precária dos proletários. E é isso que elas recusam. Por isso, as respostas políticas que esperam se confinam aos limites do sistema social capitalista, procurando apenas reformá-lo — nuns casos pela direita, noutros pela “esquerda”.
Papéis do Panamá: que é feito do assunto?
22 Junho 2016
Jornalistas ditos impolutos, média ditos de referência, entre nós particularmente o Expresso e a TVI, gente dita muito determinada a investigar a corrupção, fizeram da divulgação inicial dos chamados Papéis do Panamá um folhetim que quase todos dias nos entrava pela casa dentro. Mas recordemos que estes Papéis foram entregues ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação(ICIJ), sediado em Washington (EUA) e financiado,entre outras, por fundações ligadas aos Rockefellers, Soros, Ford, Jewish Community Federation e Microsoft.
Porque o jornalismo está em crise e a tabloidização prossegue
É o capitalismo e a sua lógica
Portas, Albuquerque... uma longa lista na corrida aos tachos
Pedro Goulart — 20 Junho 2016
Quando o ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas aceitou ser contratado pela Mota-Engil pouco tempo após deixar o governo, tal como já antes acontecera com a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, no momento em que esta anunciou que acumularia o cargo de deputada com o de administradora não executiva da gestora financeira Arrow Global, levantou-se uma grande indignação na sociedade portuguesa, particularmente a nível da esquerda parlamentar e de alguns articulistas desta área.
Contratos de associação: um cimento aglutinador da maioria?
António Louçã — 15 Junho 2016
O significado da polarização política em torno dos contratos de associação dos colégios privados com o Estado não pode ser subestimado. Em 29 de Maio veio para a rua a “onda amarela” com umas dezenas de milhares de pessoas diante do parlamento, a defenderem os interesses dos colégios privados. Em 18 de Junho será, pelo contrário, a manifestação convocada pelos sindicatos em defesa do ensino público.
Mercenários do capital que nos governam
A partir de Bruxelas, Frankfurt e Washington
Pedro Goulart — 9 Junho 2016
Nos últimos meses prosseguiu forte o assédio a Portugal e ao governo de António Costa por parte da gente da CE, do BCE e do FMI, os mesmos que, nos últimos anos, em conjugação com o governo PSD/CDS, muito contribuíram para tornar mais difícil a vida dos trabalhadores e do povo português. Porque os média ao serviço do patronato fazem de megafone permanente da propaganda das classes dominantes, e nunca é demais denunciar estas situações, destacamos, para memória presente e futura, algumas dessas entidades e personagens.