Não se enxergam…

4 Março 2019

Nuno Severiano Teixeira foi ministro da Administração Interna e da Defesa em governos do PS. É professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa e Visiting Professor na Georgetown University, Washington. Escreve para a imprensa na qualidade de fazedor de opinião. Um destes dias, escreveu no Público 103 linhas de texto em que repete as maiores vacuidades de qualquer banal notícia acerca da cimeira de Hanói entre Trump e Kim. Destas 103 linhas usa, a abrir, 42 para nos dar a saber que frequenta “o barbeiro mais famoso de Washington” o qual “corta o cabelo a embaixadores e generais, senadores e Presidentes”. E explica: “Como o preço é módico, é lá que costumo cortar o cabelo”.
Exemplares destes,


EUA e UE perdem primeiro assalto

Manuel Raposo — 1 Março 2019

Se a manobra montada pelos EUA em 23 de Fevereiro, na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, pretendia ser o golpe final contra o regime venezuelano, a coisa fracassou. Contrariamente à dramatização que os meios de propaganda fizeram do caso, entre eles a “nossa” RTP, nem os militares venezuelanos desertaram, nem os confrontos chegaram para justificar no imediato uma acção militar externa. O cavalo de Tróia não atravessou a fronteira.


Marcelo abre caminho

27 Fevereiro 2019

Os pareceres da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Administrativo a favor da requisição civil dos enfermeiros, decidida pelo Governo, deu pretexto ao presidente da República para lançar um aviso aos trabalhadores, especialmente da função pública, sobre as greves. Disse ele que, de futuro, os sindicatos terão de ter uma “preocupação acrescida” quando decidirem fazer greve, brandindo a arma da requisição civil. De facto, os pareceres da PGR e do STA, não tendo analisado os fundamentos da requisição (se houve ou não cumprimento dos serviços mínimos pelos grevistas) deram ao Governo uma espécie de carta branca, que Marcelo pelos vistos quer transformar em regra. Com o ar de paladino


Sobre as greves dos últimos meses

Manuel Raposo — 25 Fevereiro 2019

A agitação que desde há meses tem levado à greve as classes médias assalariadas — enfermeiros, professores, médicos, polícias, guardas prisionais, juízes, outros funcionários públicos — todas elas de algum modo dependentes do Estado, contrasta com a quietude quase geral da massa operária e proletária.


Fazer da revolução uma caricatura

António Louçã — 24 Fevereiro 2019

Porque é que uma grosseira campanha demagógica contra a Venezuela é tão difícil de desmascarar?
Sim, é sem dúvida a superpotência norte-americana a mandar no seu “pátio traseiro” latino-americano com todos os decibéis dos seus altifalantes, da imprensa escrita e audiovisual.
Sim, é também o consenso alargado dos protofascistas trumpianos como Mike Pompeo e John Bolton até aos neoliberais como Richard Branson, que mostra o imperialismo unido em questões decisivas, como é o petróleo.


Casta de juízes precisa de limpeza geral

António Louçã — 11 Fevereiro 2019

O Conselho Superior da Magistratura (CSM) entende que um juiz indulgente para com a violência doméstica é um dos seus e não deve ser expulso. Entende bem: não é o juiz que deve ser expulso, é o CSM que deve ser dissolvido para dar lugar a um órgão capaz de varrer de alto a baixo a casta dos juízes.


As escolhas de Marcelo sobre o SNS

Urbano de Campos — 2 Fevereiro 2019

Muito se tem falado do contraste entre “o estilo” de Marcelo e o de Cavaco. Mas este mote fácil, que a comunicação usa até à náusea, pega as coisas pela aparência, fixa-se nos gestos do ilusionista e deixar escapar a chave do truque. Aceita que o palavreado e a encenação mediática montada à volta do histriónico Marcelo esconda o sentido político dos seus actos. A intervenção do presidente da República na discussão pública sobre a Lei de Bases da Saúde, ameaçando vetá-la quando ainda está em debate na Assembleia da República, desmente esse contraste e destapa a mesma ideologia de direita disfarçada de “busca de consensos”.


Portugal com a UE na segunda linha do golpe

Manuel Raposo — 28 Janeiro 2019

Percebe-se agora melhor o sentido da recusa do presidente da República e do Governo em estarem presentes na Venezuela, no passado dia 10, na tomada de posse de Nicolás Maduro: sabiam do golpe que estava em marcha, orquestrado pelos EUA e acolitado pela União Europeia. E percebe-se também melhor o alcance de Marcelo (e o Governo através dele) ter prestado apoio sem reservas, dias antes, ao inqualificável Bolsonaro: o novo regime brasileiro é peça-chave do golpe contra a Venezuela.


Venezuela entre o golpe e a invasão

António Louçã — 24 Janeiro 2019

Parece claro que até domingo, dia 27 de janeiro, se optará nos Estados Unidos entre a receita golpista e a receita da invasão para liquidar o que resta do chavismo. É sempre arriscado fazer “prognósticos antes do jogo”, mas o risco reduz-se drasticamente se há, como é o caso, uma lógica de ferro no comportamento do imperialismo norte-americano.


Sair ou não sair da Síria

24 Janeiro 2019

Depois de ter anunciado a retirada das tropas dos EUA da Síria, o presidente Trump vai adiando a medida, em parte sob pressão dos meios militares. As hesitações sobre a Síria têm um nome: os EUA (e a UE) foram derrotados nos seus propósitos de tomar conta do país. A guerra que ambas as potências promoveram e financiaram procurava colocar no poder um fantoche que lhes fosse obediente, e isso falhou. Obama passou pelo dilema de Trump, mas ao contrário: entrar ou não entrar em força na guerra era a sua questão. O desenlace mostra, primeiro, que a oposição aos planos imperialistas reúne forças consideráveis (e não são apenas os russo e os chineses), e, segundo, que a hegemonia militar


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