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Tópico: Mundo
FMI nega ajuda à Venezuela
Editor — 19 Março 2020
O governo venezuelano pediu um empréstimo ao FMI de 5 mil milhões de dólares para fazer frente à epidemia do coronavírus. O pedido foi recusado com o pretexto de que existe um outro “presidente” autoproclamado na Venezuela (o protegido de Washington, Juan Guaidó) e que por isso não há unanimidade entre os países membros do FMI sobre a legitimidade do governo de Nicolás Maduro.
O vírus do capitalismo
António Louçã — 10 Fevereiro 2020
Será preciso assentar a poeira para se entender quais, na discussão sobre a pandemia do coronavírus, são afirmações cientificamente comprováveis e quais são apenas instrumentais para manter o business as usual do capitalismo. Uma coisa é certa: as enérgicas medidas de emergência que qualquer autoridade de saúde pública teria tomado imediatamente para travar a contaminação foram inibidas pela ponderação dos danos que causariam aos lucros dos accionistas de companhias aéreas, de multinacionais da área do turismo e entretanto já de quase todas as outras.
Não é o poder militar do Irão que assusta os EUA
Manuel Raposo — 27 Janeiro 2020
A crise que os EUA abriram com o Irão, levada pela quadrilha de Trump à beira da guerra, não tem nada a ver com o apregoado “perigo” de os iranianos fabricarem uma bomba atómica. Não é que eles não desejassem tê-la — ou que não merecessem tê-la (dizemos nós) para mais eficaz defesa da sua independência, como o caso da Coreia do Norte parece provar. A sanha dos EUA tem outras razões. O que está em causa é o facto de o Irão, nos 40 anos de independência que leva já desde a revolução de 1979, se ter tornado um país livre da tutela imperialista, quer de norte-americanos quer de europeus. Esse é que é o óbice.
Zeloso ministro, zeloso governo
Manuel Raposo — 18 Janeiro 2020
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva (e, com ele, o Governo), não se atreveu a abrir a boca quando os EUA, num acto de terrorismo de Estado, em violação de todas as normas internacionais, assassinaram em 3 de Janeiro o general iraniano Qassim Suleimani — que ia negociar um acordo de paz com a Arábia Saudita.
O ministro (e, com ele, o Governo) deixou assim de lado todos os preceitos das relações internacionais que, noutras circunstâncias, jura defender, como seja a Carta das Nações Unidas, que Portugal está obrigado a respeitar e fazer respeitar.
Santos Silva, sem vergonha, atreveu-se a abrir a boca dias mais tarde, a 8 e 10 de Janeiro, para condenar a retaliação do Irão contra bases dos EUA no Iraque. O acto de guerra criminoso dos EUA foi, portanto, coisa pacífica para o ministro. Mas a resposta, legítima, esperada, previamente anunciada e sem efeitos letais do Irão foi inaceitável.
EUA ameaçam guerra generalizada
Sara Flounders (*) — 9 Janeiro 2020
Esta nova década inicia-se com ameaças abertas de barbárie por parte dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, os sinais que vêm do Médio Oriente (e de outras partes do mundo) dão conta de uma ampla resistência de milhões de pessoas, fartas de tiranias e de más condições de vida. Resistência essa que não parece já episódica e de propósitos limitados, mas que sugere o germinar de novas ondas de lutas de massas de maior alcance. Não sendo, na maioria, expressamente anti-imperialistas e anticapitalistas, têm contudo como alvo objectivo a dominação das grandes potências (nomeadamente os EUA) e o descalabro a que o capitalismo conduziu o mundo. São por isso potencialmente revolucionárias.
Quem se lembrou de banir a imprensa portuguesa na visita de Netanyahu?
António Louçã — 5 Dezembro 2019
À primeira vista, dir-se-ia que se trata de mais um gesto de prepotência imperial ianque-israelita e mais um agachamento de subserviência portuguesa: Netanyahu e Pompeo pedem um país emprestado para se encontrarem, aterram com as suas próprias comitivas de jornalistas amigos, e proíbem os jornalistas indígenas de estarem presentes. Sem podermos prová-lo, diremos que esta aparência engana. A única explicação com alguma lógica para a imprensa portuguesa ser banida é que a ideia tenha vindo do próprio António Costa.
Libertar Lula: um passo para derrubar Bolsonaro
António Louçã — 8 Novembro 2019
Sejam quais forem as sequelas da decisão anunciada pelo Supremo Tribunal brasileiro, uma certeza se impõe: a questão de libertar Lula tem sido única e exclusivamente uma questão política, como o foi também a questão de condená-lo e prendê-lo.
Com a condenação de Lula em ritmo turbo e em tempo recorde garantiu-se que ele não pudesse disputar uma eleição em que todas as sondagens o apontavam como folgado vencedor. Lula tinha de ser condenado para Bolsonaro ser eleito. Agora, era preciso que Lula fosse libertado para o poder da quadrilha Bolsonaro começar a ser seriamente posto em causa.
O Brexit, para além do circo
Manuel Raposo — 23 Outubro 2019
O circo em que se transformou o Brexit é certamente fruto, também, dos conflitos partidários no Reino Unido, das disputas de poder entre Reino Unido e União Europeia e ainda da pressão exercida a partir de fora pelos EUA para romper e enfraquecer a UE. Mas ficar por aí seria ver só a superfície do assunto e trocar as causas com as consequências.
Existe uma real dificuldade em fazer o divórcio entre RU e UE sem grandes perdas para ambos os lados. Porquê? Porque o capital europeu fundiu-se de tal modo nos últimos 50-60 anos que separar a economia do RU da do resto da UE implica provocar rombos enormes no funcionamento dos negócios do conjunto do capital europeu. A “globalização” na Europa deu-se efectivamente, e fazê-la recuar é uma tarefa impossível. É este o nó do problema que tem bloqueado o Brexit.
Barbárie sob bandeira democrática IV
A gaffe nuclear da NATO
Manlio Dinucci (*) — 19 Outubro 2019
É um segredo de Polichinelo. Mas é também um dos desmentidos mais formidáveis da Aliança Atlântica: bombas nucleares estão armazenadas, violando o Direito Internacional, em Itália, na Alemanha, na Bélgica, na Holanda e na Turquia. Por lapso, um membro da Assembleia Parlamentar da NATO reproduziu-o num relatório, prontamente retirado.
Que os EUA mantêm bombas nucleares naqueles cinco países da NATO está há muito comprovado, em especial pela Federação dos Cientistas Americanos (1). No entanto, a NATO nunca o admitiu oficialmente. Mas algo deu para o torto.
Barbárie sob bandeira democrática III
Rand Corporation: como abater a Rússia
Manlio Dinucci (*) — 9 Outubro 2019
As conclusões de um relatório confidencial da Rand Corporation foram tornadas publicas recentemente, num brief [realizado em Maio de 2019]. O documento revela como gerir a nova Guerra Fria contra a Rússia. Algumas recomendações já estão a ser concretizadas, mas esta apresentação sistemática ajuda a compreender o seu verdadeiro objectivo.