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Tópico: Economia
A “nacionalização” do BPN
Pedro Goulart — 7 Novembro 2008
O governo de José Sócrates anunciou no dia 2 de Novembro, após uma reunião extraordinária do conselho de ministros, a apresentação de uma proposta à Assembleia da República com o objectivo de nacionalizar o BPN (Banco Português de Negócios). A justificação para este acto do governo centra-se na situação de falência técnica em que se encontrava o banco, com perdas acumuladas de 700 milhões de euros, na necessidade de assegurar os depósitos de alguns milhares de portugueses (incluindo as centenas de milhões de euros da Segurança Social que lá se encontram), assim como em tentar evitar a contaminação de todo o sistema financeiro.
Salários chorudos
28 Outubro 2008
O economista Vítor Bento, ao falar no Fórum da Competitividade, manifestou-se contra os aumentos propostos pelo Governo para o salário mínimo nacional (assim como para a Função Pública), considerando que “nas presentes condições da crise isso é um tremendo erro macroeconómico”. O ex-dirigente da CIP, Pedro Ferraz da Costa, o actual dirigente desta mesma associação patronal, Francisco Van Zeller, a dirigente do PSD, Manuela Ferreira Leite, assim como vários outros economistas e empresários, também pensam do mesmo modo. Seria interessante verificar como esta gente era capaz de viver com um salário mensal de 450 euros!
A crise e as suas consequências
José Luís Félix — 24 Outubro 2008
Em meu entender nos dias de hoje o sistema capitalista esgotou as capacidades que lhe permitam dar uma resposta positiva aos problemas com que se depara e não consegue satisfazer as necessidades do conjunto das populações do globo. Isto tudo apesar das capacidades de produção terem atingido uma dimensão sem paralelo na história da humanidade, mas a distribuição é distorcida e a obtenção generalizada de bens e serviços só se encontra ao alcance daqueles que têm capacidade aquisitiva. Mesmo segundo os paradigmas do sistema, iníquos e destrutivos, a sede do lucro que é o principal móbil do sistema não encontra saídas que permitam satisfazer as necessidades básicas das populações.
Salário justo e desemprego ideal
Pedro Goulart — 21 Outubro 2008
São vários os economistas de serviço que se afadigam a demonstrar a bondade do sistema capitalista e a excelência das suas teorias económicas. Daniel Amaral tem sido um deles. E bastante persistente. Ao longo dos anos, em vários jornais e revistas, nomeadamente no Expresso, na Visão e no Diário Económico, tem-se esforçado na defesa da competitividade das empresas, sobretudo através do recurso à diminuição da parcela dos salários no PIB (Produto Interno Bruto). E, apesar das suas boas relações nos meios empresariais, tem procurado fazer-nos acreditar na independência das análises com que habitualmente nos presenteia.
A reputação do capitalismo
6 Outubro 2008
“Se entrarmos num período de grande recessão e de perda de empregos, mas os principais administradores continuarem a receber enormes quantias, isso será mau para a reputação do capitalismo” declarou Peter Montagnon, director de investimentos da Associação de Seguradoras Britânicas.
Boicote
5 Outubro 2008
Em resposta à decisão do governo em baixar 30 por cento o preço dos medicamentos genéricos, os farmacêuticos ameaçam com a “ruptura dos stocks”. A coberto de argumentos técnicos, a Ordem dos Farmacêuticos declarou, afinal, que assim o negócio não interessa às farmácias, que estão a deixar de encomendar genéricos.
208 anos de trabalho
2 Outubro 2008
Segundo dados que circulam na net, Ana Maria Fernandes, presidente da EDP Renováveis, tem uma remuneração anual fixa de 384 mil euros para 2008, mais uma contribuição para o plano de pensão e ainda um prémio anual e um prémio plurianual para períodos de três anos, cada um dos quais até uma verba máxima de 100% do salário base. Se todos os objectivos de desempenho forem cumpridos, Fernandes receberá mais de 1 milhão e 100 mil euros no seu primeiro ano de actividade, o que equivale a mais de 2.500 salários mínimos (426,5 euros por mês em 2008), ou seja, o trabalho de 208 anos pelo salário mínimo.
Tranquilidade
1 Outubro 2008
Diante da avalanche financeira, Sócrates tranquilizou as famílias portuguesas quanto à segurança das suas poupanças, elogiando “a boa resistência” do sistema financeiro português. Evitar o pânico é a evidente palavra de ordem dos homens do poder e do capital. Percebe-se: é que se as pessoas perderem a confiança nos bancos pode começar uma corrida aos levantamentos, e aí, como dizia um comentador económico, “seria a catástrofe”. Vivemos portanto num sistema em que, no limite, nenhuma garantia pode ser dada da parte das instituições financeiras aos seus depositantes, a não ser que estes tenham sempre total confiança naquelas. Como no caso Dona Branca.
EUA: nacionalização dos prejuízos
24 Setembro 2008
Na continuação das intervenções governamentais em relação à crise que varre os EUA, Bush apresentou um novo plano que visa investir 700 mil milhões de dólares (cerca de 475 mil milhões de euros) em empresas à beira da falência. Trata-se de uma efectiva nacionalização dos prejuízos, à custa dos contribuintes. Se tal plano se concretizar, cada norte-americano (homem, mulher ou criança) terá de contribuir com cerca de 1.500 euros para mais este remendo no sistema económico e social dos EUA. Já não referindo o que habitualmente paga para as guerras em que o seu país se envolve pelo mundo fora.
Casas em leilão
22 Setembro 2008
Com as taxas Euribor a atingirem valores altíssimos, é cada vez maior o número de portugueses que se vêem obrigados a devolver as casas aos bancos. Isto tem ficado patente nos mais recentes leilões de casas. Tal não é de admirar, quando, em Portugal, mais de 1 milhão e 800 mil famílias estão endividadas à banca e, em 2008, terão de lhe pagar cerca de 5800 milhões de euros. A crise do capitalismo à escala mundial é um motivo de agravamento das já precárias condições vividas pela generalidade dos portugueses nos domínios do emprego, do consumo e da habitação.