Conversa para enganar tolos

17 Novembro 2013

Os média do regime propagandeiam acriticamente, como lhes ordena o patronato, as encenações, as palhaçadas, e as muitas conversas para enganar tolos provindas do governo, assim como dos dirigentes dos partidos da actual maioria parlamentar. É o caso recente da propalada ideia de que os deputados do PSD pretenderiam taxar extraordinariamente as chamadas parcerias público-privadas, as telecomunicações e a grande distribuição no OE 2014, de modo a aliviar as pesadas cargas tributárias que irão incidir sobre os trabalhadores. E que só não o fariam por resistência dos ministros das Finanças e da Economia. Alguém acredita nisto?


Trabalhadores da Casa da Moeda em luta

14 Novembro 2013

Hoje, dia 14, os trabalhadores da Imprensa Nacional – Casa da Moeda (INCM) estão concentrados das 8 às 24h, à porta da empresa, em Lisboa. Protestam contra uma decisão da Administração, acusando-a de procurar roubar-lhes direitos no campo social, nomeadamente na saúde, e em relação aos seus filhos. Referem-se a uma decisão arbitrária desta Administração (ao serviço do governo e da troika), tomada sem os trabalhadores terem sido consultados. Assim, a Comissão de Trabalhadores considera nula a deliberação da Administração alterando o regulamento dos Serviços Sociais e, caso esta não retroceda nas suas intenções, dispõe-se a prosseguir a luta.


A espionagem e o bom aluno

António Louçã — 12 Novembro 2013

espionagemUSSucedem-se as revelações sobre a espionagem da NSA. Os alvos não foram apenas governos considerados hostis, mas também amigos tão estimados como os governos da Alemanha, da Itália, da França, de Espanha. Não se procurava, portanto, informações úteis na chamada luta antiterrorista, mas também aquelas que fossem úteis às multinacionais norte-americanas, para torná-las mais “competitivas” contra as concorrentes europeias. Não espiavam apenas a CIA e a NSA, mas também os serviços alemães, que entregavam aos colegas ianques informações sobre os concidadãos alemães, os serviços franceses, os italianos e os espanhóis que faziam exactamente o mesmo sobre os seus concidadãos.


Traços da guerra diplomática Lisboa-Luanda

Manuel Raposo — 5 Novembro 2013

lisboaluandaA burguesia que governa Angola é, em essência, igual à portuguesa: exploradora e corrupta. Com a diferença de ter menos tempo de prática.
Acontece, porém, que a burguesia angolana se libertou da tutela colonial da burguesia portuguesa e agora está por cima à custa do petróleo, dos diamantes, dos imensos recursos do país e do crescimento económico impetuoso dos últimos anos — conseguido, aliás, com o fim de uma longa guerra civil grandemente promovida pela burguesia portuguesa. Em contrapartida, a burguesia portuguesa está por baixo. Penhorada ao capital europeu e com os negócios nacionais estagnados, precisa de investir em Angola, precisa dos investimentos angolanos em Portugal, precisa que os novos-ricos angolanos venham fazer compras de luxo a Lisboa. É esta a moldura dos negócios entre Portugal e Angola.


Os filhos ideológicos de Franco e Salazar manifestam-se

Carlos Completo — 1 Novembro 2013

InesRioEm Madrid, milhares de pessoas protestaram contra a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem de mandar libertar a antiga militante da ETA Inés del Rio Prada, detida há 26 anos. Esta decisão do Tribunal evidencia que “o que está suspenso no Estado espanhol são os direitos fundamentais, os direitos humanos, e isso foi dito pelo Tribunal de Estrasburgo de forma clara”, declararam fontes afectas aos presos políticos bascos.


Porto resistente

Pedro Goulart — 29 Outubro 2013

elescomemtudoEm 19 Outubro, dezenas de milhares de trabalhadores atravessaram a Ponte do Infante a pé, desfilaram pelas ruas do Porto e concentraram-se na Avenida dos Aliados. Durante o protesto organizado pela CGTP os manifestantes condenaram veementemente o Orçamento para 2014 e as políticas do governo, exigindo demissão deste. Aqui, ao contrário de Lisboa, não foi colocado qualquer obstáculo à passagem dos manifestantes a pé em cima de uma ponte.

Apesar da deslocação de milhares de trabalhadores dos distritos de Braga, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real e Aveiro, o forte dos manifestantes provinha do concelho do Porto, assim como dos concelhos vizinhos. Além dos manifestantes da CGTP, estavam presentes trabalhadores de sindicatos independentes e outros não sindicalizados. Assim como vários militantes políticos de esquerda.


Portugal desigual, causas e ilações necessárias

Pedro Goulart — 8 Outubro 2013

Portugal passa fomeUm recente inquérito realizado junto de instituições de solidariedade social evidencia bem o aumento da pobreza verificado em Portugal nos últimos dois anos. Nesse estudo, promovido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares contra a Fome em parceria com a Universidade Católica, mostra-se que “os mais pobres vivem cada vez pior e que a crise os atinge na satisfação das suas mais básicas necessidades”. De referir que 52% dos agregados familiares inquiridos recebem, por mês, menos do que um salário mínimo nacional e que perto de 25% dos agregados recebem menos do que 250 euros. De salientar, ainda, que estes valores, em 32% dos casos, dizem respeito a rendimentos de trabalho, isto é, referem-se a famílias que, apesar da crise, conseguem estar empregadas. Mais, 39% dos inquiridos afirmou ter passado um dia por semana sem comer, por “falta de dinheiro”.


Faleceu o general Giap, herói da guerra do Vietname

6 Outubro 2013

Estratega militar e herói da resistência, comunista, o general Vo Nguyen Giap faleceu agora, com 102 anos. Giap ficou célebre não só pela sua arte na direcção da guerra revolucionária, como ainda pela famosa obra “Guerra do Povo, Exército do Povo”. Em 1954, conduzia o povo vietnamita a uma grande vitória sobre os colonialistas franceses em Dien Bien Phu. E, posteriormente, orientava uma longa, desproporcionada e heróica luta contra centenas de milhares de soldados do general Westmoreland e dos seus enormes meios bélicos, derrotando-os. Em 1973, finalmente, os agressores imperialistas americanos viam-se obrigados a abandonar o Vietname.


As autárquicas em análise

José Borralho — 3 Outubro 2013

1. Sem sombra de dúvida, a direita no poder, revanchista e austeritária, sofreu uma derrota nas recentes eleições autárquicas que reflecte o repúdio pela política do governo e da troika. Ponto assente.
O voto maioritário no PS reflecte a rejeição da austeridade e a esperança numa política menos agressiva do que aquela que a direita aplica brutalmente. Os que se deslocaram para o PS vêem em Seguro e no PS um mal menor.

2. A CDU aumentou o número de votos, de câmaras e de autarcas. Foi recompensada pela sua luta de resistência à política reaccionária do governo e da troika imperialista. A sua insistência na derrota da actual política, embora sempre dentro dos parâmetros de soluções moderadas, como a luta pelo crescimento da economia capitalista e pela reestruturação da dívida do capital, retirou dividendos por aparecer aos olhos de muitas pessoas de esquerda como a força que dirige a resistência à política de austeridade.


O poder é surdo à voz dos eleitores

Colectivo Mudar de Vida — 27 Setembro 2013

A uma semana das eleições autárquicas, uma estação de rádio divulgou uma sondagem em que 55% dos inquiridos achavam que a campanha eleitoral em nada os esclarecia e 45% não tinham opinião; nem um achou que a campanha valesse a pena. Independentemente dos números, é esta a imagem da relação dos eleitores com os eleitos.

De facto, de ano para ano, não apenas as autárquicas, mas também todas as demais eleições, motivam crescente desinteresse, abstenção e até mesmo repulsa da parte dos eleitores. Que outra atitude seria de esperar quando os candidatos das forças do poder prometem o que não vão cumprir, mentem abertamente para ganhar votos e, uma vez eleitos, se gabam mesmo de levar a cabo medidas antipopulares como sinal de pulso forte? Que seria de esperar quando a experiência prática de quase cinco anos de austeridade mostra às classes trabalhadoras que a função do poder é forçar os de baixo a pagar os custo da crise dum sistema capitalista em ruptura?


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