PSD: quando a ideologia não pesa muito

Manuel Raposo — 8 Dezembro 2020

Restos do Cessna caído em Camarate. Início do sebastianismo sá-carneirista

A evocação de Sá Carneiro, 40 anos após a sua morte em Camarate, é muito mais do que uma homenagem de calendário, ou do que uma tentativa de reanimar o PSD de hoje com o sopro do PPD de ontem. Também não se trata apenas de procurar efeitos imediatos, rebaixando Rui Rio diante do padroeiro. Será tudo isso, mas ainda mais: um esforço para congregar toda a direita, reabilitando, sob vestes democráticas, o que há de mais reaccionário tanto na génese do PPD como nos planos políticos alimentados por Sá Carneiro desde sempre.


Como Macron abre o caminho a Le Pen

António Louçã — 5 Dezembro 2020

Encobrimento e impunidade para as violências policiais

A lei concebida pelos apaniguados do presidente francês, para garantir a impunidade dos polícias mais enraivecidos, não vai arrancar uma bandeira das mãos da extrema-direita, como é suposto fazer. Vai, pelo contrário, colocar Marine Le Pen na posição de dirigente que tem ideias boas e originais, e Macron na posição do imitador que vem depois pôr em prática essas ideias.


Terror de Estado: uma ferramenta ‘normal’

Manuel Raposo — 28 Novembro 2020

Mandantes e beneficiários de mais um crime.

Em Janeiro passado, o general iraniano Qassim Suleimani foi assassinado às ordens de Trump, com o aplauso e a cooperação de Israel. Ontem, um cientista iraniano, Mohsen Fakhrizadeh, especialista em energia nuclear, foi morto numa emboscada na região de Teerão. A longa experiência da CIA e da secreta israelita em assassinatos selectivos, a estreita cooperação entre Trump e Netanyahu, a cumplicidade entre os EUA, Israel e a Arábia Saudita, as ameaças e provocações constantes de todos eles ao Irão, a natureza da actividade de Fakhrizadeh — não deixam dúvidas sobre quem são os mandantes e os beneficiários do crime.


O teletrabalho como panaceia

Editor — 25 Novembro 2020

O teletrabalho parece ter-se tornado uma panaceia. Patrões, Governo e meios de comunicação, não só o promovem invocando razões sanitárias, como se empenham em exaltar-lhe supostas virtudes inovadoras — como se estivéssemos diante de uma revolução no mundo do trabalho. Quase se agradece à pandemia por vir obrigar a tamanho “progresso”.


Entender o declínio do imperialismo EUA

Editor / Richard D. Wolff — 19 Novembro 2020

À medida que o centro político implode, os capitalistas dos EUA favorecem a direita

A vitória de Joe Biden nas presidenciais norte-americanas, desejada e festejada por quase toda a União Europeia, corre o risco de esconder um facto nada desprezável: Donald Trump conquistou em 2020 mais 10,5 milhões de votos do que 2016. Dos cerca de 24 milhões de votantes a mais que foram às urnas em 2020 (na que foi considerada a maior votação de sempre das presidenciais norte-americanas), pouco menos de metade optou por Trump. Isto mostra que a ascensão de Trump (e sobretudo do trumpismo) não foi fruto do acaso, e comprova — para lá da personagem e do seu desconcerto — que a política por ele preconizada e praticada nos últimos quatro anos tem uma larguíssima base de apoio entre a população norte-americana.


Moderadamente fascista?

António Louçã — 11 Novembro 2020

Presos políticos. Revolta da Marinha Grande, 18 Janeiro 1934

O acordo do PSD com o Chega nos Açores podia ter sido desautorizado pela direcção nacional do PSD, mas não foi. E podia ter sido logo aplaudido pelo chefe do Chega, mas também não foi. O PSD não via problemas nenhuns em ficar refém da extrema-direita, a extrema-direita é que punha condições para aceitar o PSD como refém. Quem se fez caro foi o Chega e quem se ofereceu pela primeira oferta foi o PSD. Logo aqui se entende quem está ao ataque e quem procura passar entre os pingos da chuva.


As eleições nos Açores como amostra

Editor — 6 Novembro 2020

As eleições regionais nos Açores mostraram, uma vez mais, a tendência para a diminuição do peso relativo das forças do chamado bloco central PS-PSD. Na verdade, a perda da maioria absoluta que mantivera o PS à frente do governo regional (menos 7 pontos) não foi compensada pelo fraco crescimento do PSD (mais 3 pontos). Neste caso, porém, a deslocação do eleitorado dirigiu-se, quase exclusivamente, para a direita. A quebra da CDU e a estagnação do BE, por um lado, e o crescimento do Chega, do PPM e da Iniciativa Liberal, por outro lado, assim o mostram.


EUA: Apoiar, consolidar a luta de classes

Editor / John Catalinotto, Workers World — 31 Outubro 2020

Construir a unidade dos trabalhadores para os tempos que aí vêm

As próximas eleições nos EUA colocam as classes trabalhadoras diante de um dilema: ou alhear-se do voto e deixar que Trump ganhe um segundo mandato, ou empenhar-se na derrota de Trump e entregar o poder a um outro representante das mesmas classes dominantes. Mas se este é o resultado inevitável em termos gerais, o caminho que leva a um ou outro dos desenlaces possíveis não é indiferente para a massa trabalhadora, nos EUA e no mundo.


Notas sobre a novela do Orçamento

Manuel Raposo — 24 Outubro 2020

Longe das necessidades dos trabalhadores e dos pobres

O que há de mais admirável na discussão sobre o Orçamento do Estado 2021 é o facto de toda a direita, do presidente da República ao Chega, fazer força para que o documento seja “aprovado à esquerda”.

Basta isto para duas coisas ficarem claras. Uma, é que a direita confia na capacidade do PS para travar os “excessos” do BE e do PCP, ou, como diz António Costa, impor “bom senso” aos aliados da legislatura passada. Outra, é que as exigências do BE e do PCP não irão ao ponto de provocar uma crise governativa e que, feitas as contas, serão encaixadas pelo patronato sem sobressaltos de maior.


Não será a campanha de Biden a derrotar Trump

António Louçã — 22 Outubro 2020

Tudo depende da mobilização popular

Perante Hillary Clinton, Trump ganhou o poder com três milhões de votos a menos. Perante Joe Biden, poderá conservar o poder com uma diferença ainda maior, se lhe deixarem as mãos livres para organizar o seu golpe de Estado. O desfecho da contenda não depende de mais um ou outro voto que entre nas urnas, depende sim da mobilização que haja nas ruas.


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