Arquivo de Março 2011

A crise política do regime

Sem varrer PS, PSD e CDS da área do poder não há melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras

Pedro Goulart

manif12marcoporto.jpgDepois de numerosas cenas de colaboração (no Orçamento, nos PECs, etc), chantagem, zanga e disputa dos dois maiores partidos do regime – PS e PSD – a crise política estalou. Com a recusa na AR (embora por motivos diferentes) do PEC 4 de Sócrates/UE/FMI, o primeiro-ministro demitiu-se, conduzindo, provavelmente, à realização de eleições legislativas antecipadas. E Passos Coelho parece ter encontrado agora o momento oportuno para “ir ao pote” (ou à gamela?). Perante a situação criada, disse Sócrates: “Às vezes penso como foi possível fazerem isto ao país?” Que farsante! Destes dois actores, infelizmente, os trabalhadores e o País ainda podem ter muito a esperar, no domínio da farsa e da tragédia, em que ambos parecem peritos neste domínio. Ler o resto do artigo »



EUA: a tortura de Manning

O soldado Bradley Manning, de 23 anos, está detido desde Julho de 2010 na base militar de Quântico, por suspeita de ter fornecido ao WikiLeaks um vídeo militar que mostra um ataque contra homens desarmados no Iraque, documentos das guerras do Iraque e do Afeganistão e mais de 250 mil telegramas do Departamento de Estado. Tem sido mantido em isolamento, privado de sono, de exercício e de leituras. Por vezes, obrigado a manter-se de pé e nu perante guardas e agentes, com o objectivo de o humilhar. Em mais uma evidente violação dos direitos humanos. Acusado de “colaborar com o inimigo”, corre o risco de ser condenado a prisão perpétua. Solidariedade com Bradley Manning!



Solidariedade com o povo líbio

Não à agressão imperialista

Concentrações em Lisboa e Porto, hoje, dia 23, às 18 horas

libiasolidariedade.jpgEm aliança com os EUA, a UE (com o pleno apoio do governo português) assumiu desde início um papel destacado na agressão militar à Líbia. É a primeira guerra a ser desencadeada depois da renovação do pacto imperialista firmado em Lisboa na cimeira da NATO.
De novo, as “razões humanitárias” são o pretexto para bombardear a Líbia. As verdadeiras razões são outras, como nos mostrou o caso do Iraque, faz agora oito anos.

A duplicidade das potências imperialistas é evidente: Israel prossegue impunemente o massacre do povo palestino; os tiranos amigos da Arábia Saudita, do Barém ou do Iémen podem prosseguir os massacres de manifestantes desarmados sem que Obama, Cameron ou Sarkozy levantem um dedo em apoio da população que os quer derrubar.

A intervenção militar na Líbia não se limitará a submeter a Líbia. Para além de pretender o controlo dos seus recursos energéticos, é um aviso para todos os povos árabes em revolta e um apoio a todos os regimes amigos das potências imperialistas. O fito é debelar ou reduzir ao mínimo as mudanças que as populações reclamam nas ruas. É portanto uma contra-revolução o que as potências imperialistas levam a cabo por meio do seu braço armado, a NATO.

Apoiamos as concentrações de hoje, quarta-feira, 23 de Março, às 18 horas, em protesto contra a intervenção militar na Líbia.
Lisboa: Embaixada dos EUA, Av. das Forças Armadas, junto a Sete-Rios.
Porto: Praceta da Palestina (Rua Fernandes Tomás à Rua Sá da Bandeira).



A luta continua nas empresas

estamosemgreve.jpgDepois das grandes e significativas manifestações dos dias 12 e 19 de Março, em que centenas de milhares de trabalhadores, desempregados e jovens exprimiram publicamente o seu descontentamento e apresentaram as suas reivindicações, nos próximos dias a luta continua nas empresas. Ler o resto do artigo »



Cavaco revela-se

Do seu discurso proferido em 15 de Março de 2011, na cerimónia de Homenagem aos Combatentes das Guerras de África, salientamos estas duas pérolas: “Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do País com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar”. “Saudamos com especial apreço, pelo muito que lhes devemos, os militares de etnia africana que, de forma valorosa, lutaram ao nosso lado. Todos, combatentes por Portugal”! Bem haja aquela minoria de portugueses valorosos que tal filho da nação elegeram para Presidente da República!



Um embaixador diligente e um governo sabujo

Ainda os telegramas de Lisboa da WikiLeaks

Pedro Goulart

xadrez.jpgDocumentos da WikiLeaks sobre o Ministério da Defesa e o governo português, recentemente divulgados pelo jornal Expresso, apesar da sua utilidade, devem ser encarados com um olhar crítico. Na correspondência dos embaixadores dos EUA há que distinguir aquilo que tem algum fundo de verdade daquilo que é ditado pelos interesses próprios dos embaixadores ou pela defesa dos negócios daquela potência imperialista.
Thomas Stephenson, embaixador dos EUA em Lisboa, entre Novembro de 2007 e Junho de 2009, critica o Ministério da Defesa não por fazer gastos com o militarismo e a guerra mas, essencialmente, por estar a preterir as compras militares aos EUA em favor das compras europeias. Ler o resto do artigo »



UE, EUA e NATO preparam intervenção militar na Líbia

Há que denunciá-la como uma agressão contra todos os povos árabes em revolta

Manuel Raposo

sarkozy.jpgNão restam dúvidas de que está em preparação uma intervenção militar das potências ocidentais na Líbia. As declarações dos governantes franceses e britânicos, que conduzem a União Europeia para o conflito, a decisão já anunciada da NATO de colocar vasos de guerra nas costas líbias, a procura insistente de um aval da parte da ONU para criar uma zona de exclusão aérea (pressionando a Rússia e a China a deixar passar uma resolução nesse sentido) – são demonstrações de sobra do que está em curso. Importa denunciar esta agressão das forças imperialistas europeias e norte-americana e opormo-nos a esta nova guerra que visa os alvos de sempre e mais um: ocupar um país soberano e tomar conta dos seus recursos; e criar uma testa de ponte para desarticular as revoltas populares no mundo árabe. É isso que está em causa. Ler o resto do artigo »



Obama: cai a máscara

Obama que, aquando da sua eleição para presidente dos EUA, foi objecto de grandes expectativas (ainda que infundadas) e de elogios, tem vindo a mostrar aquilo que de facto é. Emitiu agora uma ordem executiva para retomar as comissões militares (que ele próprio tinha suspendido) destinadas a julgar alguns detidos de Guantânamo. Assim falta a uma das promessas que fizera: encerrar aquele campo de concentração, onde o criminoso Bush colocara vários suspeitos de terrorismo. Para além das guerras do Iraque e do Afeganistão, que Obama mantém, de destacar ainda os dois pesos e duas medidas por ele usadas nas actuais lutas do Médio Oriente.



Editorial

Sem meias palavras

O governo cantou vitória por ter reduzido, segundo contas de Janeiro, cerca de metade do défice respeitante aos gastos do Estado. Mas, sabidas as medidas previstas no Orçamento e nos PEC, outra coisa não seria de esperar. O governo apenas prova que é um executante esforçado do acordo feito com o PSD (a mando da banca e do patronato); e um bom aluno perante a União Europeia e a finança mundial.
A façanha resume-se, pois, a isto: espremer os trabalhadores assalariados e os pobres. Não é má gestão: é o capital no seu melhor. Ler o resto do artigo »



Líbia: o imperialismo manobra

Aproveitando o descontentamento popular e a rebelião que se verificam na Líbia, os dirigentes dos imperialismos europeu e norte-americano, que nos últimos anos colaboraram estreitamente com Khadafi, manobram com o objectivo de não perderem o controlo das riquezas petrolíferas deste país. Os média de serviço lançam campanhas à medida dos interesses dos seus patrões, falam da possibilidade do líder líbio deter armas de destruição maciça (lembram-se do que eles afirmavam sobre o Iraque?). Uma esquadra da NATO (incluindo navios portugueses) prepara um “exercício” no Mediterrâneo. Mais uma criminosa guerra imperialista em perspectiva?