Tópico: Mundo

Não perdem tempo

7 Março 2013

Poucas horas depois da morte de Hugo Chávez, importantes empresas espanholas, com fortes interesses na Venezuela, fizeram saber (jornal La Vanguardia, por exemplo) da sua esperança de que a era pós-Chávez abra campo a sectores industriais e bancários menos regulados do que até agora. Mesmo impossibilitadas de repatriar dividendos, sujeitas a controlo de preços e a desvalorizações da moeda, gigantes como a Telefónica (comunicações), o BBVA (banca), a Repsol (petróleos) ou a Inditex (confecções) têm sido fortemente ajudadas pelos negócios que têm na Venezuela, já que em Espanha e na Europa a crise lhes limita o crescimento.


Regimes em desgaste

13 Fevereiro 2013

O escândalo de corrupção que atingiu o PP espanhol provocou uma queda de popularidade do partido e do governo, segundo sondagem recente. Apesar disso, o PSOE, na oposição, não ganha adeptos. Também por cá o PS não recupera eleitores na proporção do descrédito que atinge o governo de Coelho. Tudo indica que, sob pressão da crise, um número crescente de cidadãos vê nas principais forças do poder duas faces da mesma moeda. A sucessão de governos PS/PSD ou PSOE/PP, que até há pouco parecia inquestionável, começa a ser posta em causa. Na verdade, é a base social das forças do poder que vai sendo desgastada. Por enquanto, apenas por um virar de costas – amanhã certamente por uma rejeição activa.


Os fundamentos do capitalismo entram em decadência

Fred Goldstein / MV — 7 Fevereiro 2013

Conforme sublinham vários autores marxistas, a presente crise capitalista tem por origem uma queda da taxa de lucro dos capitais, em consequência do enorme progresso tecnológico verificado, digamos, no último meio século e no consequente aumento da produtividade do trabalho.
Com efeito, e como Karl Marx fez notar, o crescente peso das inovações tecnológicas no sistema produtivo capitalista aumenta a composição orgânica do capital, isto é, a proporção entre o capital constante (maquinaria, instalações, matérias primas, etc.) e o capital variável (salários). Por outras palavras, a proporção entre trabalho morto e trabalho vivo. Esta alteração orgânica está na origem da queda da taxa de lucro dos capitais, uma vez que, para um dado capital total, diminui a proporção de força de trabalho, o único factor responsável pela criação de valor novo.


Crimes na Saúde

O resultado de um inquérito ao Hospital de Stafford foi de tal modo grave que obrigou a um pedido de perdão público do primeiro-ministro britânico, David Cameron, na Câmara dos Comuns, com palavras que caracterizam razoavelmente a situação: “Centenas de pessoas sofreram uma terrível negligência e maus-tratos… A muitos foi-lhes administrada a medicação errada. Muitos permaneceram deitados em cima da própria urina, por falta de ajuda. Os familiares eram ignorados ou repreendidos quando chamavam a atenção para a falta de cuidados mais elementares, quando tentavam salvar os seus entes queridos de um sofrimento terrível e mesmo da morte”. E em vários outros hospitais britânicos terão acontecido casos idênticos, que vão agora ser averiguados.


Grassa a corrupção no Estado espanhol

Pedro Goulart — 4 Fevereiro 2013

Os últimos dados sobre a corrupção nas cúpulas do Partido Popular (PP), no poder, assim como sobre a monarquia espanhola, são bem significativos do grau de apodrecimento a que chegou o Estado espanhol. A corrupção é um facto inerente ao capitalismo, mas não podemos deixar de denunciá-la, por uma questão ética e como combate político.
Um jornal do regime espanhol, “El País”, divulgou agora documentos de Luis Bárcenas (ex-tesoureiro do PP), que mostram pagamentos regulares aos principais dirigentes do partido entre 1990 e 2009 e referem doações de alguns dos principais empresários espanhóis, fundamentalmente do sector da construção.


Somos mesmo 99%?

Fred Goldstein / MV — 28 Janeiro 2013

Uma das palavras de ordem mais marcantes das manifestações realizadas nos EUA com a designação Occupy Wall Street (OWS) foi sem dúvida a que dizia “Nós somos os 99%” – querendo significar com isso que uma larga maioria da população se opõe ao domínio da grande finança. A frase, pela sua eficácia, propagou-se a outros protestos mesmo fora dos EUA, nomeadamente Portugal. No entanto, ela encerra uma mistificação sobre as divisões de classes: nem a força de trabalho, nem, muito menos, as posições anticapitalistas correspondem a 99% da população, em qualquer parte do mundo. As desigualdades e o domínio dos meios de produção, que as manifestações combatiam, não são na realidade entre 99% de um lado e 1% do outro. O real conteúdo da frase não é anticapitalista, mas antimonopolista. É o que diz Fred Goldstein (*) no seguinte comentário acerca do assunto.


Israel, um estado mercenário

Manuel Raposo — 15 Janeiro 2013

Nos primeiros dias de Dezembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou por grande maioria – 174 votos, com 6 contra (incluindo EUA e Israel) e 6 abstenções – uma resolução em que é exigido a Israel que abra o seu programa nuclear à inspecção da Agência Internacional para a Energia Atómica. Israel recusa confirmar ou negar que tem armas nucleares, mas toda a gente sabe que as tem e que elas lhe foram fornecidas, em primeira mão, pelos EUA.


Potências da NATO não olham a meios para anexar a Síria

Il manifesto / MV — 13 Janeiro 2013

Dizendo-se “profundamente preocupados com a escalada de violência” que ameaça transformar o conflito sírio numa guerra regional, há quem reclame “o fim de todas as formas de violência armada”. Quem são estes pacifistas? Os membros do Grupo de Acção para a Síria, que reuniu em Genebra a 30 de Junho e emitiu um comunicado de encerramento com tais declarações.
Liderando o coro pacifista estão os Estados Unidos. Na realidade, são eles o maestro da operação de guerra em curso, que, depois de destruir o Estado líbio no ano passado, está agora a tentar desmantelar a Síria. Agentes da CIA, escreve o New York Times, que operam clandestinamente no sul da Turquia, estão a recrutar e a armar grupos que combatem o governo sírio.


Quais são afinal os “estados-pária”?

Manuel Raposo — 7 Janeiro 2013

Em final de Novembro passado, a Assembleia Geral da ONU aprovou por esmagadora maioria dos seus 193 estados membros o reconhecimento da Autoridade Palestina como estado observador, o que equivale a reconhecer de facto a existência de um estado palestino soberano. A proposta teve evidentemente a furiosa, mas inútil, oposição dos EUA e de Israel e mereceu da parte do estado sionista represálias contra os palestinos.
A votação da proposta mostrou o isolamento a que estão neste momento remetidos tanto Israel como os EUA. Com efeito, 138 estados votaram a favor, 9 contra e 41 abstiveram-se. Quem foram os do contra? Israel e os EUA, claro, a que se juntaram o Canadá, a República Checa (o único da Europa), o Panamá e quatro pequenos estados do Pacífico (Ilhas Marshall, Nauru, Palau e Micronésia).


Em 2013

PCR — 31 Dezembro 2012

Em 2013 não sei se Obama continua a tolerar o aliado israelita e quantos palestinianos vão morrer, se o Irão anuncia a bomba nuclear, se a guerra termina na Síria, se o Líbano vai sobreviver, se os atentados prosseguem no Iraque, se mais tropas estrangeiras retiram do Afeganistão, se Guantánamo vai encerrar.

Em 2013 não sei se a Coreia do Norte prescinde de lançar mísseis, se as tiranias vão soçobrar, se novas bases militares serão instaladas no Pacífico, se mais países serão invadidos e destruídos, se mercenários serão recrutados e empréstimos financeiros para a reconstrução concedidos.


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