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Tópico: Mundo
Assassínio de Khashoggi: sinal dos tempos
António Louçã — 15 Outubro 2018
Jamal Khashoggi, um jornalista saudita exilado nos EUA, foi no final de Setembro ao Consulado do seu país em Istambul, para requerer uma certidão de divórcio de que necessitava para voltar a casar-se. Disseram-lhe que lá voltasse na terça-feira, 2 de outubro. Voltou e deixou a noiva à porta, com instruções para alertar as autoridades turcas se notasse algo suspeito. Foi filmado a entrar, mas ninguém mais o viu sair.
O produto da colaboração com o capital
Manuel Raposo — 10 Outubro 2018
Fernando Haddad, candidato do PT à presidência do Brasil, afirmou que a burguesia brasileira abandonou a social-democracia e apoia o fascismo. Sem dúvida. Mas interessaria também saber porque é que largas massas da população trabalhadora brasileira viraram costas à política social-democrata levada a cabo pelo PT nos anos em que esteve no poder. O fenómeno, de resto, é praticamente mundial, o que pode permitir tirar do caso brasileiro lições mais gerais.
Momento clarificador
14 Setembro 2018
Sobre a posição dos EUA acerca dos direitos da Palestina, diz a jornalista Dalia Hatuqa (Foreign Policy, 13 Setembro): “As políticas da administração Trump não representam uma mudança radical. A Casa Branca simplesmente abandonou a fachada de neutralidade e carimbou a agenda do governo israelita. Durante décadas, os dirigentes palestinos empenharam-se num processo de paz viciado, procurando levar a comunidade internacional a aceitar um estado palestino para a população da Cisjordânia e Gaza. Os EUA, por seu lado, foram mantendo a ficção de que eram um árbitro honesto e um mediador neutral.
Um circo montado em volta de McCain
Urbano de Campos — 4 Setembro 2018
Os elogios rasgados ao senador norte-americano John McCain, falecido há dias, que se fizeram ouvir nos EUA como na Europa, e mesmo por cá, têm tanto de ridículo e de vazio como têm de revelador. O piloto de caça, o criminoso de guerra, o reaccionário foi silenciado para que melhor emergisse, neste momento útil, o adversário de Donald Trump.
As lamúrias anti-Trump
Pedro Goulart — 31 Julho 2018
Donald Trump, após reunião com Jean-Claude Juncker, em 25 de Julho, anunciou que norte-americanos e europeus “vão trabalhar em conjunto” visando estabelecer uma relação comercial livre de taxas alfandegárias, livre de barreiras e livre de subsídios para bens comerciais. Assim, aquilo que parecia um cenário de guerra comercial EUA-UE, acabou, momentaneamente, por não acontecer. Há uma trégua, foi criado “um grupo de trabalho”, mas a luta prossegue. E Trump já cantou vitória sobre a União Europeia.
Os “nossos homens” nos palcos internacionais
Urbano de Campos — 19 Julho 2018
A eleição, em final de Junho, de António Vitorino como director-geral da Organização Internacional das Migrações, um organismo da ONU, renovou por uns dias a vaidade nacional sobre papel desempenhado “lá fora” pelos “nossos homens”. A lista já vai longa, de facto, o que leva a saloiice dos meios de comunicação e dos dirigentes políticos a descobrir dotes especiais na alma lusa.
Barcelona: 100 mil pela libertação dos presos políticos
16 Julho 2018
No Sábado, 14 de Julho, muitas dezenas de milhares de pessoas percorreram as principais ruas de Barcelona, exigindo a libertação dos presos independentistas e o regresso dos políticos exilados no estrangeiro. A “democracia” e a “justiça” espanhola continuam postas em xeque.
A manifestação foi convocada pela Assembleia Nacional Catalã (ANC), Omium Cultural e Associação Catalã de Direitos Civis (ACDC). O presidente do Governo Regional, Quim Torra, denunciou “o relato fictício com que o Estado construiu uma rebelião que não existiu” e defendeu que “o processo de autodeterminação da Catalunha não seja criminalizado”. A Quim Torra juntou-se a mulher de Carles Puigdemont, presidente do Governo da Catalunha deposto, e a presidente do parlamento catalão, Marcela Topor.
Embaixador-patrão
11 Julho 2018
Com o desplante de um colonialista, o embaixador dos EUA em Portugal fez saber que o seu governo está muito atento aos investimentos chineses em Portugal. Argumentou que os capitais chineses não são bem privados, mas sim estatais, e que assim violam as regras da livre concorrência. Por isso, acrescentou, o que os chineses fazem não é actividade económica mas “intervenção política”. O homem, obviamente, não se enxerga: pela posição que ocupa e pelo aviso que deixou, fez precisamente o que critica nos chineses — intromissão política num país que não é o seu. Mas, por trás do desplante e da incongruência, pressente-se outra coisa: o proteccionismo de Trump não quer ficar-se pelas fronteiras dos EUA, antes pretende ter voz activa nas fronteiras de qualquer Estado, em qualquer parte.
Dissolução da NATO!
8 Julho 2018

Por iniciativa do CPPC e outras organizações, realizam-se em vários pontos do país protestos contra a cimeira da NATO que terá lugar em Bruxelas a 11 e 12 deste mês. Os protestos exigem nomeadamente a dissolução da NATO e o fim das guerras de agressão.
Actos públicos em Évora (7 Julho, 11h, Praça do Giraldo), Lisboa (9 Julho, 18h, Largo Camões), Coimbra (10 Julho, 15h, Praça 8 de Maio), Faro (10 Julho, 18h, Rua Santo António), Porto (12 Julho, 18h, Rua de Santa Catarina).
EUA defendem-se do seu próprio veneno
Manuel Raposo —
O objectivo declarado das medidas proteccionistas aprovadas por Trump, taxando fortemente produtos oriundos do Canadá, da Europa ou da China, é defender a economia norte-americana da concorrência. Mas então cabe perguntar: porque é que a (ainda) primeira economia do mundo se sente ameaçada pelas outras? Porque é que o livre comércio a prejudica depois de a ter ajudado a expandir-se e a dominar o mundo inteiro? Porque é que a “globalização” — até há bem pouco tempo arvorada como bandeira do capitalismo ianque — passou a ser um mal a combater da forma mais extremada?