Tópico: Mundo

Política migratória da Europa mais desumana que a dos EUA

António Louçã — 3 Julho 2019

A política de Donald Trump face aos migrantes que lhe batem à porta é uma vergonha e um crime contra a humanidade. Mas a política da União Europeia, pelas consequências que tem e pelas mortes que causa, é ainda pior.

Nos Estados Unidos, há famílias que atravessam o deserto e morrem de sede. Outras atravessam-no e são espancadas por bandos de rufias armados em “vigilantes”. Há também os migrantes que chegam à fronteira e são detidos em campos de concentração (como bem lhes chamou Aleksandria Ocasio-Cortez, para grande escândalo da opinião pública mais farisaica).


Conselheira presidencial

1 Julho 2019

Desde Novembro passado, os EUA cortaram 700 milhões de dólares de ajudas que se destinavam a combater a epidemia de Ébola na África Central e a apoiar a desminagem de países do sudeste da Ásia, nomeadamente os que foram vítimas das agressões norte-americanas das décadas de 60-70. O corte seguiu-se à publicação no Washigton Post de um artigo louvando a acção do governo de Trump contra o tráfico de seres humanos e condenando os países que, na óptica dos EUA, “não fazem o suficiente” para o combater. O artigo era assinado por Ivanka Trump, filha do presidente e conselheira superior da Casa Branca.


Retomar o projecto socialista

Rémy Herrera (*) — 29 Junho 2019

Na medida em que os actos eleitorais espelham o conflito de interesses das forças sociais, a observação dos resultados pode dar conta do estado da luta de classes num determinado momento e das vias políticas que se abrem a cada uma dessas forças. É o que faz Rémy Herrera ao analisar as recentes eleições europeias, em França e de um modo mais geral na Europa. Os claros avanços da extrema-direita levam-no a concluir pela necessidade de ruptura com o capitalismo e de radicalização das forças progressistas — por um projecto socialista. Resumimos as ideias principais do artigo.


A aposta fascista do grande capital

Manuel Raposo — 20 Junho 2019

Os estreitos contactos entre os partidos da extrema-direita europeia, a reunião realizada em Milão para formarem um bloco político, a concertação entre eles visando as eleições para o Parlamento Europeu — sem esquecer os “conselhos” do agente fascista norte-americano Stephen Bannon — são factos que revelam o propósito destas forças de criar uma estrutura internacional que as congregue. Isto coloca-as muito para lá dos programas nacionalistas que apregoam, bem como do anti-europeísmo que arvoram. Importa à esquerda, portanto, saber bem com o que está a lidar.


Espanha: criminalizar a solidariedade

Manuel Raposo — 15 Junho 2019

Ao mesmo tempo que o escandaloso julgamento político dos independentistas catalães decorre em Madrid, um outro julgamento — muito menos mediático, mas igualmente revelador dos propósitos políticos da Justiça herdada do franquismo — segue trâmites nos tribunais espanhóis. Três militantes de uma organização comunista (Red Roja) estão acusadas, nada menos, de “financiamento do terrorismo”. O acto concreto que, para a Justiça espanhola, justifica esta acusação foi a recolha e entrega de fundos em apoio dos palestinos, quando estavam debaixo de fogo da tropa israelita.


Problema “tecnológico”

“Por cada sete empregos destruídos pelas novas tecnologias, apenas se cria um novo”. A afirmação é do economista espanhol Santiago Niño Becerra, numa entrevista à televisão de Espanha, Maio 2019. Este dado desmente a afirmação, repetida pelos apóstolos do capitalismo, de que “a tecnologia destrói emprego, mas cria outros que agora não existem”. Cria outros, de facto, mas a um ritmo, pelos vistos, sete vezes inferior ao da destruição. Esta evolução, que para a sociedade capitalista é uma dor de cabeça no plano social (que fazer com tanta gente afastada do processo produtivo e do consumo?), é todavia um sinal positivo na perspectiva de uma sociedade futura livre do capitalismo.


A marcha sem retorno da desigualdade

Urbano de Campos — 29 Maio 2019

O assunto não constitui novidade, mas é uma confirmação que vale a pena trazer a lume. Um centro de pesquisa ligado à Escola de Economia de Paris publicou no ano passado um relatório sobre a desigualdade no mundo por país (1). As conclusões desmentem os axiomas do chamado liberalismo económico que faz carreira nos EUA e também na Europa, e que em Portugal parece querer singrar por via de formações partidárias de recente criação, como a Aliança de Santana Lopes ou a Iniciativa Liberal do economista Ricardo Arroja.


Guerra de extermínio

23 Maio 2019

No primeiro trimestre deste ano, a polícia do Rio de Janeiro matou perto de 450 pessoas, uma média de cinco por dia. É um recorde de 20 anos, desde que o Instituto de Segurança Pública regista estes números. A investigadora Daniela Fichino, da organização Justiça Global, afirma que isto se deve à legitimação que é dada à polícia para matar, quer pelo governador do Estado, Wilson Witzel (do Partido Cristão Social), quer pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Witzel prometeu durante a campanha eleitoral fazer uso de snipers contra supostos traficantes. Vários dos casos mortais foram efeito de disparos por snipers. Daniela Fichino diz que a maioria das vítimas são negros, no que ela classifica como uma guerra de extermínio dirigida contra a juventude negra.


Europeias, um fino verniz democrático

Manuel Raposo —

Logo a seguir ao número de votos que esperam obter, a maior preocupação dos partidos concorrentes às eleições europeias é o nível da abstenção. Na verdade, nem as esforçadas campanhas partidárias, nem a extensa cobertura mediática que lhes é dada alteram as previsões de que mais de metade dos eleitores não votará. Talvez tivesse interesse tentar ver qual a raiz deste desinteresse e não apenas apontá-lo como o “grande inimigo”, como disse a cabeça de lista do BE, expressando de resto uma ideia geral.


Faltou dizer: “Je suis Macron”

Manuel Raposo — 20 Abril 2019

O incêndio da catedral de Notre Dame deu campo a um exercício exaltado e enjoativo de nacionalismo francês e europeu. O “símbolo da cristandade” medieval serviu para glorificar, de modo sub-reptício, o sentido imperial da Europa do século XXI, de que a burguesia francesa não abdica. E como esse símbolo não se pode perder, Macron declarou logo — no seu tom caricato de imperador menor — que dentro de cinco anos teremos uma catedral “ainda mais bela”!


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