Tópico: Mundo

O mundo liderado pelos EUA chegou ao fim

Editor / Larry Holmes — 14 Fevereiro 2026

Greve dos trabalhadores do sector automóvel dos EUA, 2023

O declínio dos EUA, hoje aceite como evidente, corre a par do crescimento de potências com capacidade para lhe disputar a hegemonia em todos os domínios: económico, militar, político, científico, tecnológico, cultural. Este facto inédito abre brechas no sistema mundial montado nos oitenta anos decorridos desde o final da segunda grande guerra. É uma época que finda. Criam-se assim condições materiais para uma recomposição dos equilíbrios mundiais em que a batalha pelo socialismo terá um papel decisivo a desempenhar.


Uma greve operária reivindicativa, política e internacional

Editor / The Cradle — 11 Fevereiro 2026

Os estivadores não trabalham par a guerra

Enquanto a Europa oficial se debate entre a obediência às imposições vindas do outro lado do Atlântico, as tentativas frustres de “autonomia estratégica” e as dissidências nacionalistas (algumas de extrema-direita) por parte dos poderes instalados, uma inesperada greve operária dos portuários do Mediterrâneo veio refrescar o ambiente político.


Fórum de Davos, um espelho da crise do imperialismo

Manuel Raposo — 24 Janeiro 2026

A força para uma mudança global está noutro lado: nos países que compõem a periferia e a semiperiferia do capitalismo mundial

A intervenção do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, foi o acontecimento mais marcante do fórum de Davos deste ano. Embora atirado para plano secundário, como seria de esperar, pelo teatro montado por Donald Trump – que a imprensa e os comentadores seguem como galinhas hipnotizadas por um círculo de giz – o discurso de Carney traçou um retrato cru da realidade internacional de hoje. Não estamos em transição para nada de novo, disse ele, estamos a assistir a “uma ruptura” daquilo que foi chamado até agora a “ordem mundial baseada em regras”. Por outras palavras, a ordem imposta pelo poder dos EUA.


Venezuela: afinal, o que inquieta a Europa?

Manuel Raposo — 7 Janeiro 2026

Milhares de manifestantes em Caracas pela libertação de Nicolás Maduro e Cilia Flores. 6 de janeiro

Nas declarações feitas logo após o ataque militar a Caracas e o rapto do presidente Nicolás Maduro (que o eufemismo servil de jornalistas, políticos e comentadores designavam por “extração”), Donald Trump definiu perfeitamente o que faz correr os EUA.  Disse ele que finalmente “o nosso” petróleo estava à disposição das empresas norte-americanas, lançando ao lixo, de uma assentada, as acusações de narcotráfico e terrorismo que serviram de cortina para o assalto, e que, nas semanas antecedentes, justificaram o assassinato a frio de mais de cem pessoas no mar das Caraíbas.


Nova Iorque, terreno para uma luta séria

Editor / John Catalinotto — 11 Novembro 2025

CONGELA AS RENDAS, exige um apoiante de Zohran Mamdani

A ascensão de Zohran Mamdani a presidente da câmara de Nova Iorque abalou não apenas o meio partidário norte-americano, mas também muitas das convicções que parecem dominar (e na verdade dominam grandemente) a realidade política dos EUA. Por exemplo, o racismo, o peso das oligarquias, o colete de forças que prende o eleitorado no bipartidarismo Republicanos/Democratas, aparentemente sem alternativa. A questão agora é esta: O que vai ser o mandato de Mamdani? Como vai ele cumprir promessas como casas baratas, transportes gratuitos, saúde para os trabalhadores, proteção dos imigrantes?


Piratas das Caraíbas, versão D. J. Trump

Urbano de Campos — 4 Novembro 2025

Manifestação em apoio da Venezuela. Buenos Aires, Argentina, 2019

Recuemos um mês. O Comité Nobel não ficou assim tão longe como se diz de laurear Donald Trump quando, em outubro, deu a palma da Paz a uma agente do imperialismo norte-americano. A venezuelana Corina Machado tem sido desde os tempos do carniceiro do Iraque Bush-filho, há mais de vinte anos, uma fiel mandatária dos EUA na sua fúria para derrubar o regime venezuelano, desde que Hugo Chávez assumiu o governo do país em 1999. Qualquer cheiro de poder popular, por muito elementar que seja, como é na Venezuela, tem garantido o ódio dos EUA – com Bush, Obama, Biden ou Trump.


Sobre a hipocrisia do ocidente democrático

Manuel Raposo — 11 Setembro 2025

Guerra civil de Espanha, 1936-39. Brigadas Internacionais

As comemorações pelo fim da segunda guerra mundial, em 9 de maio em Moscovo e em 3 de setembro em Pequim, permitem – pela ausência deliberada das potências ocidentais, que boicotaram ambos os eventos – separar águas, oitenta anos depois, acerca do papel de cada um dos principais intervenientes no conflito. Alguns dos mitos persistentes alimentados pelo ocidente imperialista podem hoje ser desfeitos, não apenas pelas circunstâncias que rodearam aquelas comemorações, mas sobretudo pelo curso que os acontecimentos mundiais tomaram nos anos recentes.


Única maneira: deter os assassinos israelitas pela força

Editor / Tarik Cyril Amar — 22 Agosto 2025

Gaza, um genocídio cometido por todos os meios, incluindo a fome

Apesar de todas as condenações que correm mundo e das promessas de reconhecimento do estado palestiniano, Israel continua a sua obra de aniquilação em Gaza e na Cisjordânia. Porquê? Porque não teve, até agora, de enfrentar uma força militar capaz de travar os assassinos instalados em Telavive. Porque continua a ter o pleno apoio do imperialismo norte-americano. Porque a recente indignação dos dirigentes europeus não anula a colaboração que prestaram e continuam a prestar aos genocidas com o argumento do “direito de defesa” e com a criminalização dos manifestantes que apoiam a causa palestiniana.


O novo despertar da esquerda árabe

Editor / Hamzah Rifaat — 8 Agosto 2025

O despertar da esquerda árabe na era do genocídio, a nível regional e mundial. Manifestação no Iémen de apoio ao Ansar Alá

As brutais campanhas militares dos EUA e de Israel no Médio Oriente nos últimos dois anos conseguiram enfraquecer a resistência na Palestina, no Líbano e na Síria. Mas até que ponto podem imperialistas e sionistas falar de vitória? Uma avaliação completa da situação actual tem de levar em conta a reacção política de fundo que tais campanhas estão a gerar no mundo em geral, no mundo árabe e muçulmano em particular e na própria sociedade israelita – e que efeitos próximos isso vai ter em toda a região.


Israel: dos mitos à realidade

Editor / Shlomo Sand — 26 Julho 2025

Shlomo Sand: “Quero deixar de me considerar um judeu” (entrevista ao The Guardian, 10 outubro 2014)

O texto que reproduzimos, do historiador israelita Shlomo Sand, foi publicado originalmente em 2009 no jornal francês Le Monde Diplomatique, e resumia os argumentos de um seu livro recém-publicado intitulado “Como foi inventado o povo judeu”. Só por si, o título desmente uma das fábulas contemporâneas mais persistentes à sombra da qual as barbaridades mais inumanas têm sido cometidas. Na verdade, sendo o judaísmo uma questão de fé religiosa, faz tanto sentido falar de um “povo judeu” como faria falar de um “povo cristão” ou de um “povo budista”. No entanto, é na base desta invenção que o Estado de Israel, suportado por todo o Ocidente imperialista, justifica a sua existência.


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