O golpe

Manuel Raposo — 22 Maio 2012

A bravata de Paulo Portas em enviar meios militares portugueses para as proximidades da Guiné-Bissau, acabou num retorno a casa quase em silêncio. Talvez para disfarçar o caso dos submarinos, encomendados quando ele foi ministro da Defesa e que continua por esclarecer, talvez para dar uso aos militares e anular contestações, Paulo Portas viu no golpe militar na Guiné-Bissau uma oportunidade para se evidenciar. A pretexto de “proteger os cidadãos portugueses” colocou de prontidão uns tantos destacamentos das forças armadas e mandou-os zarpar para “ficarem mais perto” – dois aviões, quatro navios e perto de 700 militares, que despenderam quase 6 milhões de euros. É claro que estava a pôr-se em bicos de pés para o caso de ser formada uma força militar a mando da ONU para intervir na Guiné.


Especialistas/assessores com 25 anos

22 Maio 2012

O governo de Passos Coelho, dito tão amigo da austeridade e da transparência, tem vindo a nomear numerosos familiares, filhos de amigos e afilhados para cargos de especialistas/assessores nos seus vários ministérios. Estes “especialistas” (há listas
onde se podem ver os nomes dos contemplados) têm menos de 30 anos e em vários casos apenas 24/25 anos! E recebem, em geral, cerca de 3000 euros mensais, incluindo os subsídios de Férias e Natal, que tomam, por vezes, o nome de abonos suplementares.


“Porque apoiamos o boicote a Israel”

info-palestine.net / CSP — 20 Maio 2012

As condições em que o Estado de Israel tem actuado como ferro de lança do imperialismo, sobretudo norte-americano, estão a sofrer mudanças que favorecem os direitos dos palestinos e dos povos árabes em geral. A resistência palestina em primeiro lugar, depois o forte movimento popular no Egipto que minou a base da mais importante aliança de Israel, finalmente a solidariedade internacional para com os palestinos e o crescente boicote ao apartheid israelita – são factores que complicam a vida à política sionista. Um outro movimento, este interno a Israel, conflui com os demais: o dos refuseniks, militares que se recusam a colaborar na ocupação dos territórios palestinos e a reprimir a população árabe. A declaração que publicamos é o testemunho de dois desses militares.


Importante vitória da resistência palestina

CAPJPO-EuroPalestine / CSP — 18 Maio 2012

A direcção da luta dos presos palestinos em greve da fome desde 17 de Abril, alguns desde há mais de dois meses, chegou ontem a um acordo com o governo israelita, informa uma mensagem do Comité de Solidariedade com a Palestina. Esse acordo, que teve a mediação do Egipto, responde às reivindicações principais dos grevistas: o fim da detenção administrativa, a obrigação de os detidos serem julgados ou libertados e o fim das medidas de isolamento. O governo israelita foi obrigado a ceder diante da determinação dos presos e da onda internacional de solidariedade gerada em torno da luta que se saldou, assim, numa vitória importante para os grevistas e para o povo palestino.


Que mudanças houve na França e na Grécia?

Manuel Raposo — 14 Maio 2012

As eleições, por regra, não revolucionam os regimes que as promovem – quando muito, mostram os limites das mudanças comportadas por esses mesmos regimes. Mas há resultados que são sintoma de alterações que estão a operar-se, que espelham o movimento das classes nelas envolvidas. É o caso das eleições realizadas nos últimos dias em França (presidenciais) e na Grécia (legislativas). Todos os comentários têm dito o óbvio: que em ambos os casos “os eleitores” rejeitaram as políticas de “austeridade” e “penalizaram” as forças que as promoveram. Mas isso é ficar pela superfície da questão. Neste caso, importa mais ver de que modo e quem rejeitou a “austeridade”, e em que estado ficaram os regimes e as forças partidárias em resultado do voto.


Derrota dos EUA e da NATO

10 Maio 2012

A situação no Afeganistão complica-se para os EUA. Depois de um ataque dos talibã à capital Cabul, em Abril, ter tomado conta, durante horas, das zonas onde se situam as embaixadas, o parlamento e o quartel-general da NATO, o presidente Karzai acusou os serviços de informação da NATO de fracasso. Em 1 de Maio, poucas horas depois de uma visita relâmpago de Barack Obama a Cabul, para assinar um acordo de “cooperação” com… o regime imposto pelos EUA, explodiu um carro bomba perto de uma base da NATO. Somado a isto, o presidente francês eleito, François Hollande, declarou que as tropas francesas (3300 homens) sairão do Afeganistão até final de 2012. Cheira a derrota ao estilo do Vietname.


Católicos em queda

9 Maio 2012

Um estudo da Universidade Católica diz que menos de 80% de portugueses se declaram católicos, abaixo dos 86% de há 12 anos atrás. Cresceram os adeptos de outras crenças e cresceram também os crentes sem religião e os não crentes (14,2%), com destaque para os ateus. É sempre de saudar o advento da Razão, mas torna-se óbvio que o estudo não é inocente. A igreja católica tem todo o interesse em mostrar a sua hegemonia no ramo como argumento para justificar os privilégios de que goza junto do poder político. Sinal disso é o facto de o estudo insistir em que quase 50% dos portugueses (5 milhões!) vão à missa com regularidade, número que contraria todos os dados empíricos.


Economia dos EUA estagnada

8 Maio 2012

A anunciada retoma da economia dos EUA dá sinais de fraquezas. Os 3% de crescimento do último trimestre de 2011 desceram para 2%, no primeiro trimestre deste ano. Além disso, estão a ser criados menos empregos dos que os esperados pelos gurus da recuperação e a baixa da taxa de desemprego deve-se ao número crescente de pessoas que desistem de procurar trabalho, por ser inútil. O presidente do Banco Central norte-americano, que tinha lançado foguetes nos dois primeiros meses do ano, teve agora, diante dos dados de Março, de reconhecer que as coisas “permanecem longe do normal”. A estagnação prossegue, afinal; e o crescimento, quando há, é à custa do emprego.


Conspiração contra a Segurança Social

Pedro Goulart — 8 Maio 2012

De tempos a tempos, desencadeiam-se campanhas contra a Segurança Social e a sua alegada insustentabilidade, produzidas pelos governos do capital e ampliadas por alguns “cientistas sociais” e jornalistas ao serviço do patronato. Como a recente tentativa de relançar a discussão do tema, encetada pelo ministro Mota Soares, que defendeu a urgência de uma reforma, para que o Estado deixe de gerir “fortunas” e “poupanças”. Escondeu o ministro e “esquecem” os defensores desta política de privatizações, a que alguns chamam de neoliberal, que milhões de americanos perderam as suas poupanças e foram atirados para a pobreza, devido à falência de vários bancos e companhias de seguros no seu país.


Vós, não nós

30 Abril 2012

Em recente entrevista à revista brasileira Veja, Passos Coelho procurou justificar a sua política de austeridade. Declarou que “os desequilíbrios existentes em Portugal são resultado de más decisões tomadas por nós mesmos”. Acrescentou que “usámos mal o dinheiro, seleccionámos mal os projectos de obras públicas, aumentámos os impostos, não abrimos a economia”. E, venerador, sentenciou que “os líderes europeus não agravaram os nossos problemas, pelo contrário, ajudaram-nos”.


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