Cavaco: sempre, sempre com o patronato

19 Junho 2012

Quando se trata de ataque aos direitos dos trabalhadores, Cavaco Silva não tem dúvidas e também não se engana. Agora, sem hesitações de natureza constitucional ou política, promulgou as alterações ao Código do Trabalho, de agrado dos patrões, e exortou a que se “assegure” a estabilidade legislativa “com vista” à “recuperação” do investimento, criação de emprego e relançamento “sustentado” da economia. Com o beneplácito do presidente da República, os trabalhadores portugueses vão ter menos férias e feriados, será alargado o banco de horas e o trabalho extraordinário pago pela metade. O despedimento vai ser mais fácil e o valor das indemnizações reduzido.


Eles condecoram-se uns aos outros

13 Junho 2012

Todos os anos, no dia 10 de Junho, o Presidente da República, como representante das classes dominantes, condecora um conjunto de figuras que, de uma ou outra forma, tenham ou possam contribuir para a coesão e glória do regime. Este ano, entre as dezenas de condecorados, salientam-se os nomes de Lobo Xavier e António Barreto, dois destacados homens de mão do capital, José Hermano Saraiva, historiador e ministro salazarento, vários ex-chefes militares e alguma outra gente do sistema. Pena é que tenham ficado esquecidas duas figuras gradas da pátria e de grande confiança de Cavaco Silva: Dias Loureiro e Oliveira e Costa.


Para que servem os Serviços de Informações?

Pedro Goulart — 8 Junho 2012

Segundo Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), ouvido em 1 de Junho na Comissão de Assuntos Constitucionais da Assembleia da República, os relatórios sobre figuras públicas (Pinto Balsemão ou Ricardo Costa, director do Expresso), que foram encontrados na posse de Jorge Silva Carvalho, não terão sido feitos pelos serviços que tutela. E no meio das grandes trapalhadas e da promiscuidade agora vindas a público, também surge um ministro – Miguel Relvas – mentiroso e manipulador, que procura apresentar-se como vítima!


Desemprego e altos salários

4 Junho 2012

Segundo afirmação da troika que veio inspeccionar Portugal, assim como de alguns membros das classes dominantes, a elevada taxa de desemprego verificada entre nós dever-se-ia a uma falta de flexibilidade na formação de salários e no mercado de trabalho, a que corresponderiam salários elevados. A realidade é que estamos num país de baixos salários médios – entre 700 e 800 euros mensais – com mais de 35% dos trabalhadores a receberem salários líquidos inferiores a 600 euros, e onde a percentagem dos que auferem o salário mínimo (485 euros) tem vindo a aumentar. Afirmar que o elevado desemprego em Portugal se deve a altos salários merece resposta contundente.


Pela subida dos salários, sim. Mas com que armas?

Urbano de Campos — 4 Junho 2012

No discurso do 1.º de Maio, em Lisboa, e uma semana mais tarde, após uma reunião com o ministro a Economia, o secretário-geral da CGTP defendeu a subida dos salários, tanto do salário mínimo como dos demais. Tirando o patronato, ninguém se atreverá a contestar tal reclamação. Inteiramente de acordo, portanto, quanto ao objectivo. Mas o mesmo não podemos dizer quanto à argumentação que Arménio Carlos usa em defesa da proposta. E porque essa argumentação denuncia a fraqueza política da reivindicação, nos termos em que é feita pelo líder da CGTP, importa determo-nos um pouco sobre os argumentos usados.


Sobre que plataformas se combate na Grécia?

José Borralho — 30 Maio 2012

A propósito da catadupa de manifestos lançados nos últimos dias em apoio de uma solução governamental patrocinada pela Syriza – movimento mais ou menos radical que passou de 4,5% de votos obtidos em 2009, para 16,78% dos votos nas últimas eleições gregas – uns inócuos, outros alimentando claramente a esperança de que seja possível uma grande viragem nos rumos da Grécia com repercussões inevitáveis no resto da Europa, ocorre colocar algumas questões.


O 11 de Setembro de Sarkozy foi curto

ZAV / MV — 29 Maio 2012

A morte, às mãos da polícia francesa, em 21 de Março, do jovem de origem argelina Moamed Merah levanta enormes suspeitas. Assassinato de Estado para obter dividendos políticos? Todo o caso em volta dos sete homicídios de Toulouse, de que Merah foi acusado, só teve como fonte de informação as autoridades francesas, designadamente a presidência e a polícia. As suspeitas lançadas sobre Merah, não são provas provadas.


Milhões de oportunidades

27 Maio 2012

Nas teorias de Passos Coelho e da sua gente há milhões de oportunidades à espera dos portugueses: as dos mais de um milhão de desempregados, bem como de alguns milhões de pobres. Assim queiram eles aproveitar essas oportunidades, mudando de trajectória, alterando o rumo das suas vidas. De facto, nalguma coisa Passos Coelho tem razão: os portugueses podem mudar seriamente as suas vidas, mas a primeira coisa que têm a fazer é correr com a corja que nas últimas décadas tem governado o País. Dando-lhe, assim, a oportunidade de emigrar, de vigiar fogos e fazer a limpeza das florestas, de viver com o salário ou a pensão mínima ou, até, com o rendimento social de inserção.


Juízes europeus querem indulto para Garzón

26 Maio 2012

António Cluny, presidente da Associação de Magistrados Europeus para a Democracia e as Liberdades (MEDEL), afirmou que esta organização, que conta com 15000 membros, pede indulto para o ex-juíz Baltasar Garzón, condenado a 11 anos de inabilitação profissional, por ter ordenado escutas ilegais no caso Gurkel (escândalo de corrupção política ligado ao Partido Popular). Só se lamenta-se que o Supremo Tribunal espanhol e estes senhores magistrados tenham tido diferente atitude (calando-se) aquando dos atropelos aos direitos do povo basco e às autênticas torturas infligidas aos seus presos políticos, ordenadas ou validadas pelo então juiz Baltasar Garzón.


Luta de classes no estado espanhol

Carlos Completo — 24 Maio 2012

Como afirmou a conhecida escritora e jornalista Rosa Montero, a propósito da “crise” que se aprofunda no estado Espanhol, as pessoas estão desesperadas, desoladas e angustiadas com a avalanche de desgraças que lhe estão caindo em cima. Não admira, pois, que as pessoas muito justamente reajam e que, no 1.º aniversário do 15 M (o movimento dos Indignados), várias manifestações tenham sido levadas a cabo no estado vizinho, com eco em oitenta cidades, das quais destacamos os exemplos de Barcelona e Madrid.


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