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As autárquicas em análise
Depois da derrota da direita, todo o apoio às manifestações de Outubro
José Borralho — 3 Outubro 2013
1. Sem sombra de dúvida, a direita no poder, revanchista e austeritária, sofreu uma derrota nas recentes eleições autárquicas que reflecte o repúdio pela política do governo e da troika. Ponto assente.
O voto maioritário no PS reflecte a rejeição da austeridade e a esperança numa política menos agressiva do que aquela que a direita aplica brutalmente. Os que se deslocaram para o PS vêem em Seguro e no PS um mal menor.
2. A CDU aumentou o número de votos, de câmaras e de autarcas. Foi recompensada pela sua luta de resistência à política reaccionária do governo e da troika imperialista. A sua insistência na derrota da actual política, embora sempre dentro dos parâmetros de soluções moderadas, como a luta pelo crescimento da economia capitalista e pela reestruturação da dívida do capital, retirou dividendos por aparecer aos olhos de muitas pessoas de esquerda como a força que dirige a resistência à política de austeridade.
O poder é surdo à voz dos eleitores
Colectivo Mudar de Vida — 27 Setembro 2013
A uma semana das eleições autárquicas, uma estação de rádio divulgou uma sondagem em que 55% dos inquiridos achavam que a campanha eleitoral em nada os esclarecia e 45% não tinham opinião; nem um achou que a campanha valesse a pena. Independentemente dos números, é esta a imagem da relação dos eleitores com os eleitos.
De facto, de ano para ano, não apenas as autárquicas, mas também todas as demais eleições, motivam crescente desinteresse, abstenção e até mesmo repulsa da parte dos eleitores. Que outra atitude seria de esperar quando os candidatos das forças do poder prometem o que não vão cumprir, mentem abertamente para ganhar votos e, uma vez eleitos, se gabam mesmo de levar a cabo medidas antipopulares como sinal de pulso forte? Que seria de esperar quando a experiência prática de quase cinco anos de austeridade mostra às classes trabalhadoras que a função do poder é forçar os de baixo a pagar os custo da crise dum sistema capitalista em ruptura?
Executivos e cumplicidades
18 Setembro 2013
Nas próximas eleições autárquicas, para além dos cidadãos seriamente interessados na resolução dos problemas locais que afectam as populações, há toda uma corja de executivos do capital que a este procuram servir e, também, servir-se. Aqueles que ao longo das últimas décadas têm representado os patrões e os partidos do chamado arco governativo — PSD, PS e CDS — e muitas vezes estiveram envolvidos nas teias de corrupção existentes, não poderão servir os verdadeiros interesses dos trabalhadores e do povo. Mesmo a nível local, votar nesta gente, que até por vezes aparece camuflada de independente, é assumir uma cumplicidade criminosa com o actual estado de coisas.
Um cheque-ensino venenoso
9 Setembro 2013
O ministro Nuno Crato revela com bastante nitidez a política canalha do seu governo em relação à Escola Pública: retirar-lhe recursos, empobrecê-la, desarticulá-la, visando abrir maior espaço ao negócio do ensino privado. É totalmente falsa a “liberdade de escolha das famílias” de que fala o ministro, até porque o cheque-ensino não irá cobrir toda a despesa das escolas privadas: estas, agora com maior ajuda do Estado, escolherão os alunos que melhor entenderem (aqueles com maiores posses poderão continuar a optar pelas escolas privadas), deixando de fora os alunos com necessidades educativas especiais ou pertencentes a famílias mais pobres.
Outra vez em nosso nome, não!
Tribunal-Iraque — 1 Setembro 2013
A vez da Síria
Com o mesmo argumento “humanitário” de defesa das populações e com falsificações tiradas a papel químico, foram desencadeados os ataques à Jugoslávia (1999), ao Afeganistão (2001), ao Iraque (1991 e 2003), à Líbia (2011).
Assad, o presidente sírio, será, assim, o segundo Kadafi, o terceiro Saddam, o quarto Bin Laden e o quinto Milosevic.
EUA, França e Reino Unido preparam ataque à Síria
Mais um crime à sombra das “armas de destruição massiva”
Declaração do Tribunal-Iraque — 31 Agosto 2013
As ameaças proferidas nos últimos dias pelos dirigentes norte-americanos, britânicos e franceses não deixam dúvidas de que está em marcha um ataque militar à Síria por parte destas potências. De novo se invoca a vontade da “comunidade internacional”, ou seja, a cobertura legal da ONU para levar a cabo o crime. Mas ao mesmo tempo vão-se ouvindo vozes de que a intervenção tem de ir por diante, com ou sem apoio das Nações Unidas. Antes mesmo de os inspectores da ONU chegarem a qualquer conclusão acerca das acusações sobre o uso de armas químicas, os EUA, seguidos pelos seus cães de fila em França e no Reino Unido, dão como culpado o regime de Damasco. Ou seja, a decisão está tomada, haja ou não provas. Lembram-se do Iraque?
Guerra suja!
José Borralho — 30 Agosto 2013
Sim, todos sabemos que o mundo actual se divide em interesses antagónicos que são provocados pela existência de classes que lutam entre si. Esta verdade geral contraria a tese de que a harmonia das classes vigoraria no mundo moderno, e aí está o recurso à guerra, uma vez mais, para nos lembrar que vivemos na época do imperialismo em crise, disposto a tudo para manter a sua hegemonia sobre os povos.
Dizia Clausewitz que “A guerra é pois um acto de violência destinado a forçar o adversário a submeter-se à nossa vontade.”
Uma cerimónia de abutres
28 Agosto 2013
No funeral de António Borges e em declarações aos média do regime, algumas dezenas de conhecidos abutres — capitalistas, gestores e porta-vozes do capital — teceram rasgados elogios ao homem do Goldman Sachs e do FMI. Ao conselheiro governamental para as privatizações, a um homem com rendimentos mensais escandalosos, mas que defendia o empobrecimento das classes trabalhadoras, ainda há pouco afirmando: “Reduzir salários não é uma política, é uma urgência”. Belmiro de Azevedo, Soares dos Santos, Passos Coelho, Pires de Lima, Rui Machete, Eduardo Catroga, Miguel e Leonor Beleza, Manuela Ferreira Leite, Ramalho Eanes, Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Camilo Lourenço, tais alguns dos autores dos encómios, o que é bem significativo daquilo que António Borges representava – os interesses das classes que exploram e oprimem os trabalhadores e o povo português.
Zeca Afonso, concerto no Porto 20 Outubro, 21h, Casa da Música, sala Suggia
21 Agosto 2013
No seu 26.º aniversário, a Associação José Afonso promove uma evocação da vida e da obra dessa figura-chave da música popular portuguesa que foi José Afonso. No concerto juntam-se alguns dos seus companheiros e uma nova geração que cresceu com o “poeta, andarilho e cantor”: António Capelo, Coro Vox Populi, Grupo AL-DUFFeiras, Francisco Fanhais, Grupo Vocal Canto Décimo, Grupo Vozes Ao Alto, João Afonso + Rogério Pires, João Lóio + Regina Castro, Manuel Freire, Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova, Rui Pato, Uxia (Galiza) + Sérgio Tannus, Guilhermino Monteiro (Direcção Musical). Entrada 10€, bilhetes à venda na Casa da Música.
Um alerta terrorista
Carlos Completo — 16 Agosto 2013
O alerta contra o perigo de uma ofensiva terrorista lançado pelos EUA de Obama (à semelhança da “descoberta” das armas de destruição maciça no Iraque, nos tempos de Bush), e logo repetido por vários países satélites da potência imperialista, foi, além do mais, uma cortina de fumo criada para justificar o tenebroso programa de vigilância levado a cabo pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA — o PRISM.
O PRISM é um programa secreto que permite entrar em todo o tipo de comunicações (dentro e fora dos EUA) e que gerou forte polémica quando foi denunciado (e bem) por Edward Snowden, actualmente asilado na Rússia.