Venezuela entre o golpe e a invasão

António Louçã — 24 Janeiro 2019

Parece claro que até domingo, dia 27 de janeiro, se optará nos Estados Unidos entre a receita golpista e a receita da invasão para liquidar o que resta do chavismo. É sempre arriscado fazer “prognósticos antes do jogo”, mas o risco reduz-se drasticamente se há, como é o caso, uma lógica de ferro no comportamento do imperialismo norte-americano.


Sair ou não sair da Síria

24 Janeiro 2019

Depois de ter anunciado a retirada das tropas dos EUA da Síria, o presidente Trump vai adiando a medida, em parte sob pressão dos meios militares. As hesitações sobre a Síria têm um nome: os EUA (e a UE) foram derrotados nos seus propósitos de tomar conta do país. A guerra que ambas as potências promoveram e financiaram procurava colocar no poder um fantoche que lhes fosse obediente, e isso falhou. Obama passou pelo dilema de Trump, mas ao contrário: entrar ou não entrar em força na guerra era a sua questão. O desenlace mostra, primeiro, que a oposição aos planos imperialistas reúne forças consideráveis (e não são apenas os russo e os chineses), e, segundo, que a hegemonia militar


A cultura e as pistolas

António Louçã — 17 Janeiro 2019

Os anfitriões de Marcelo em Brasília não perdem uma ocasião para mostrar o que querem fazer da cultura.
A última foi a ministra Damares Alves, ao criticar a sua própria seita evangélica por ter capitulado perante a ciência. Diz a ministra que a igreja nunca devia ter deixado a teoria da evolução substituir nas escolas a lenda bíblica dos sete dias da Criação.


Os actos traem as palavras

Manuel Raposo — 10 Janeiro 2019

O presidente da República deixou gravada uma mensagem de Ano Novo, para português ouvir, com muitos e sisudos conselhos. Entre eles, um alerta para os perigos do “populismo” a que Portugal não estará imune. Partiu de seguida para o Brasil onde representou “o país” na posse de Bolsonaro, o “populista” mais recentemente eleito, com a agenda fascista mais explícita de todos eles. Meio mundo recusou-se a aparecer em Brasília, mas a lusa democracia não — e viu-se acompanhada de Orbán e Netanyahu, esses dois lídimos representantes da liberdade, da igualdade e da fraternidade.


Ele Não!

6 Janeiro 2019

O presidente da República teve o despudor de convidar Bolsonaro a visitar Portugal, coisa que o país não lhe encomendou e que vai contra tudo o que seria razoável fazer perante um personagem como aquele. O que vem cá fazer o fulano? Melhor: o que pretendem Marcelo e a diplomacia portuguesa que venha ele cá fazer? Agradecer pessoal e presencialmente a vitória que lhe deu a comunidade brasileira em Portugal? Apresentar de viva voz os seus métodos para “reforçar a democracia” e tirar o capital da crise? Explicar o processo de criminalizar como terroristas os movimentos sociais? Dar alento aos seus apaniguados lusitanos? Glorificar a Pide como fez aos torturadores brasileiros?
Se o convite se concretizar, será caso para organizar, massivamente, a recepção que um energúmeno desta estirpe merece. Começando, desde já, por dizer como milhões de brasileiros: Ele Não!


Não instaura o fascismo quem quer

António Louçã — 6 Janeiro 2019

Quem nasceu para lagartixa nunca chega a jacaré. Bolsonaro foi durante 30 anos um deputado medíocre e vai tornar-se em poucos meses um ditador falhado.
As comparações com Hitler e Mussolini são completamente deslocadas. Ambos deram corpo a projectos imperiais, de grandes potências que tinham saído mal da Primeira Grande Guerra — a Alemanha derrotada e enxovalhada em Versalhes, a Itália vencedora mas frustrada com o seu escasso quinhão na partilha dos despojos.


Porque é que o Estado “falha”?

Urbano de Campos — 1 Janeiro 2019

De há um ano para cá, a direita — com o concurso do presidente da República — tem vindo a cavalgar as tragédias nacionais com lamúrias de mau gosto e com a acusação de que o Estado “falhou”. Motivos, de facto, não faltam, desde os incêndios de 2017 até ao recente desabamento da pedreira de Borba ou à queda do helicóptero do INEM. Chegou mesmo a evocar-se o colapso da ponte de Entre-os-Rios (há quase 20 anos!) e houve mesmo quem, para apimentar o assunto, levantasse alarme acerca da ponte 25 de Abril.


França: a luta de classes sai à rua

Manuel Raposo — 12 Dezembro 2018

O recuo do presidente Macron, depois de quatro semanas de clima insurreccional em toda a França, pode amortecer, ou mesmo esvaziar, o movimento de protesto dos Coletes Amarelos. O acolhimento dado pelo poder aos sindicatos para efeito de “negociações” — a fim de ter “interlocutores” — pode significar que os protestos acabem numas quantas concessões quanto a salários e impostos. Mas resta sempre a lição acerca daquilo que está na origem do protesto, de como ele conquistou tanto apoio popular, de como se espalhou por todo o país (e se ramificou episodicamente à Bélgica e à Holanda) e de como atingiu o grau de violência que se viu sem perder apoios.


Pedro Goulart

7 Dezembro 2018

Faleceu em 20 de Novembro, com 78 anos, o nosso camarada Pedro Goulart, vítima de ataque cardíaco.
Foi um dos fundadores e mentores do Mudar de Vida, primeiro nas reuniões preparatórias que deram origem ao projecto editorial, em 2006-2007, depois como membro da redacção e colaborador regular.
Tinha a fibra de um combatente — discreto, cordato, mas persistente. Manteve sempre viva a ideia da luta de classes como alavanca da transformação do mundo. De que só uma revolução socialista poderá pôr termo à barbárie capitalista. De que a libertação dos trabalhadores e dos povos terá de ser obra dos trabalhadores e dos povos. De que a organização e o internacionalismo são indispensáveis à acção revolucionária.


Eleições nos EUA: o colapso do centro político

António Louçã — 12 Novembro 2018

Sem entrar na análise dos resultados das intercalares norte-americanas, podemos resumi-los nesta conclusão fundamental — o centro político está em crise ou, mais do que isso, a sofrer um verdadeiro colapso. Quem esperava que o velho conservadorismo republicano controlasse a fúria iconoclástica do presidente, pôde agora desenganar-se. Trump, por uma vez, falou verdade quando disse que perderam eleições os republicanos mais reticentes sobre a sua administração e que as ganharam os mais seguidistas em relação a ele.


< Mais recentes Página 33 de 247 Mais antigos >