Porque é que o Estado “falha”?

Urbano de Campos — 1 Janeiro 2019

De há um ano para cá, a direita — com o concurso do presidente da República — tem vindo a cavalgar as tragédias nacionais com lamúrias de mau gosto e com a acusação de que o Estado “falhou”. Motivos, de facto, não faltam, desde os incêndios de 2017 até ao recente desabamento da pedreira de Borba ou à queda do helicóptero do INEM. Chegou mesmo a evocar-se o colapso da ponte de Entre-os-Rios (há quase 20 anos!) e houve mesmo quem, para apimentar o assunto, levantasse alarme acerca da ponte 25 de Abril.


França: a luta de classes sai à rua

Manuel Raposo — 12 Dezembro 2018

O recuo do presidente Macron, depois de quatro semanas de clima insurreccional em toda a França, pode amortecer, ou mesmo esvaziar, o movimento de protesto dos Coletes Amarelos. O acolhimento dado pelo poder aos sindicatos para efeito de “negociações” — a fim de ter “interlocutores” — pode significar que os protestos acabem numas quantas concessões quanto a salários e impostos. Mas resta sempre a lição acerca daquilo que está na origem do protesto, de como ele conquistou tanto apoio popular, de como se espalhou por todo o país (e se ramificou episodicamente à Bélgica e à Holanda) e de como atingiu o grau de violência que se viu sem perder apoios.


Pedro Goulart

7 Dezembro 2018

Faleceu em 20 de Novembro, com 78 anos, o nosso camarada Pedro Goulart, vítima de ataque cardíaco.
Foi um dos fundadores e mentores do Mudar de Vida, primeiro nas reuniões preparatórias que deram origem ao projecto editorial, em 2006-2007, depois como membro da redacção e colaborador regular.
Tinha a fibra de um combatente — discreto, cordato, mas persistente. Manteve sempre viva a ideia da luta de classes como alavanca da transformação do mundo. De que só uma revolução socialista poderá pôr termo à barbárie capitalista. De que a libertação dos trabalhadores e dos povos terá de ser obra dos trabalhadores e dos povos. De que a organização e o internacionalismo são indispensáveis à acção revolucionária.


Eleições nos EUA: o colapso do centro político

António Louçã — 12 Novembro 2018

Sem entrar na análise dos resultados das intercalares norte-americanas, podemos resumi-los nesta conclusão fundamental — o centro político está em crise ou, mais do que isso, a sofrer um verdadeiro colapso. Quem esperava que o velho conservadorismo republicano controlasse a fúria iconoclástica do presidente, pôde agora desenganar-se. Trump, por uma vez, falou verdade quando disse que perderam eleições os republicanos mais reticentes sobre a sua administração e que as ganharam os mais seguidistas em relação a ele.


Até a direita às vezes acerta

9 Novembro 2018

A direita, satisfeita com a vitória de Bolsonaro, quer provar à força que, se há mal nisso, então “a culpa é da esquerda”. Não fala da conspiração para destituir Dilma, esquece que Lula estava à frente nas sondagens e por isso tinha de ser eliminado, omite o papel directo do imperialismo ianque na viragem produzida no Brasil.
Um cronista do Público, J. M. Tavares, que também debita umas larachas na TVI (“Governo Sombra”), escreveu, que “o tema da ‘culpa da esquerda’ é absolutamente essencial para explicar a ascensão de figuras como Jair Bolsonaro”. Como demonstração da tese diz, sem se achar ridículo, que “a esquerda chamou os fascistas, os fascistas vieram”. Mas, linhas adiante, contrariando a própria tese, numa coisa o homem acerta.


A prioridade das prioridades

7 Novembro 2018

Luís Nobre Guedes (CDS, ex-ministro do Ambiente em 2004-2005, envolvido então no processo Portucale, suspeito de favorecimento ao BES) tem lugar cativo como comentador na RTP3. Foi bem explícito na satisfação que teve pela eleição de Bolsonaro. Disse ele que, nesta eleições, “a prioridade das prioridades era derrotar o PT”. E para que ninguém duvidasse, sublinhou: “não retiro uma palavra”. Mais. Grandes investimentos estão já na calha: a Toyota, uma empresa israelita de tratamento de águas, etc. prometem investir milhões — e isso, diz Guedes, “é bom para o Brasil”. É “bom”, agora, quando grande parte da mão de obra regressa à miséria, não antes. Para quem assim fala, qualquer Bolsonaro é bem-vindo.


Democracia a mais

5 Novembro 2018

As posições de Assunção Cristas, pelo CDS, e de Rui Rio, pelo PSD, de se “distanciarem” tanto de Bolsonaro como de Haddad, não podem iludir ninguém. Tratou-se de um deixa-andar para que o ex-capitão fascista fosse eleito. O democratismo destes figurões fica à vista de todos: preferem um fascista no poder do que terem de aceitar um partido, como o PT, que tentou aplicar uma política, mesmo moderada, que tirasse os mais pobres da miséria. Uma simples social-democracia de esquerda, como foi o PT de Lula, é para eles o diabo. A coisa tem uma explicação: a precariedade do poder político actual, associada à crise de tem-te-não-caias do capitalismo mundial leva-os a procurar amparo nas soluções de poder mais extremistas. Para esta gente há democracia a mais.


O efeito Bolsonaro

Urbano de Campos — 5 Novembro 2018

Pode-se chamar-lhe efeito Bolsonaro. A direita portuguesa, que até agora procurou afectar um comportamento “democrático” e “tolerante” — na medida em que a democracia lhe tem permitido manter-se no topo do poder e fazer singrar os negócios — solta agora a língua e vai cuspindo o fel que acumulou contra a esquerda, o socialismo, o comunismo e tudo o mais que lhe cheire a povo.


Caso de polícia convertido em caso político

Pedro Goulart — 30 Outubro 2018

Em Junho de 2017 é surripiado, sem oposição, abundante material de guerra dos Paióis de Tancos. Os militares portugueses, “heróis” em missões internacionais, parecem revelar-se negligentes cá dentro. Isto acontece, apesar dos gastos crescentes com as Forças Armadas: entre 2017 e 2018 os gastos aumentaram 330 milhões de euros e, para 2024, estão previstos gastos anuais de 4 mil milhões.


Os fãs do fascista Bolsonaro

23 Outubro 2018

Também estão entre nós e assumem-se. E não são apenas alguns seguidores da IURD. Estão no Sindicato Vertical de Carreiras da Polícia, que não gostou que o ministro da Administração Interna tivesse ordenado um inquérito às circunstâncias da fuga de três arguidos do Tribunal de Instrução Criminal do Porto (suspeitos de roubos a idosos) e à divulgação das fotografias dos mesmos após as detenções em Gondomar. Em resposta, o Sindicato fez uma montagem vergonhosa e mentirosa no Facebook, associando Eduardo Cabrita à não preocupação com o espancamento de idosos, dando como exemplo as fotografias de dois idosos espancados em Londres e no Brasil. Também se encontram


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