Arquivo de Setembro 2011

Crise e decadência da burguesia

António Louçã

g20-protests.jpgUma das características deste túnel é a de não se lhe ver luz alguma no fundo. Os muito crédulos consolam-se ainda com a ideia de que tantos crânios reunidos em cimeiras – G-7, G-20, FMI, BCE, eurocratas – alguma solução devem ter na manga. Mas também os muito crédulos precisam de acreditar em algo que ninguém vê – nem eles. Para nós, muito descrentes nos sábios burgueses, as soluções não se vêem porque não existem: é sempre difícil encontrar um gato numa sala às escuras, principalmente quando nenhum gato lá está. Ler o resto do artigo »



MANIFESTAÇÃO 1 OUTUBRO

Contra o empobrecimento e as injustiças.
Lisboa 15h, do Saldanha aos Restauradores.
Porto 15h, da Pç dos Leões à Pç da Batalha

cartaz_manif1out2011.jpg



Nada de conflitos

Disse João Proença, líder da UGT, que “Portugal só ficará melhor se conseguir evitar conflitos sociais” (Diário Económico, 29 de Agosto). Pelos vistos, o ataque aos assalariados por parte do capital e dos seus governos – reduções salariais, corte de pensões e de subsídio de desemprego, despedimentos, precariedade, piores condições de trabalho, revogação das protecções legais do trabalho – não são para João Proença marcas de um conflito social. Só há conflito social se forem os trabalhadores a reagir ao nível que a situação exige. Isto mostra bem como Proença e a UGT encaram a luta sindical.



Transparência

Sobre a transparência do Estado… porque é que o governo não revela o valor da dívida soberana, quando e quem a contraiu e o nome detalhado dos credores? FB



A operação líbia e a crise do imperialismo

Manuel Raposo

sarkozy-mustafaabdeljalil-cameron.jpgSarkozy e Cameron foram há dias a Bengazi festejar a vitória da operação militar contra a Líbia. Repetiram a vanglória de Bush quando, no convés de um porta-aviões, deu por finda a guerra no Iraque, corria Maio de 2003. Repetiram também a promessa de ajudar a caçar Muamar Khadafi, tal como Bush fizera a respeito de Saddam Hussein. Afinal, no Iraque, as coisas apenas tinham começado; e o assassinato de Saddam nada resolveu. Também na Líbia, seja qual for a evolução imediata dos acontecimentos, as coisas não vão ficar como parecem estar agora. Ler o resto do artigo »



E não é da área…

“Não sou da área política do Governo, mas a situação do País é de tal modo grave que devemos ser cuidadosos na apreciação do papel dos governantes e, portanto, dar-lhes algum tempo”. Afirmações do psiquiatra Daniel Sampaio ao Diário de Notícias, em 1 de Agosto. Não passa pela cabeça de Daniel Sampaio que, aqueles a quem ele pede que se dê tempo, são os mesmos, e representam os mesmos interesses, que levaram o país ao estado em que está. O doutor Sampaio pode não ser da “área” do PSD/CDS, mas é da área um pouco mais ampla do PS/PSD/CDS. Daí o seu “cuidado”.



Cães de fila

“Estava muito mal impressionada com Passos Coelho, achava que ele era chocho; que não tinha carisma nem o killer instinct que um político precisa. Mas estou muito surpreendida, no sentido positivo, com ele e com o governo”. Afirmações de Maria Filomena Mónica, jornalista, escritora, historiadora e socióloga, ao Diário de Notícias, em 5 de Agosto.



Afastar a ideia perigosa

“Os ricos já perderam grande parte das suas fortunas na crise da Bolsa. (…) Dificilmente haverá consenso técnico e ainda menos coragem política [para as alterações fiscais incidirem em todas as outras fontes de riqueza, incluindo o património]. O que se espera, por isso, é apenas uma alteração do IRS que, se não der grandes contributos ao combate ao défice, ao menos servirá para afastar a ideia perigosa de que a crise está a ser paga pelos suspeitos do costume”. Editorial do Público de 26 de Agosto.



NATO Não

Concentrações em Lisboa, hoje, contra a presença de Rasmunssen

rasmunssen_72.jpgVão realizar-se hoje, dia 8, às 12 e às 14 horas, concentrações frente à residência oficial do primeiro-ministro, em S. Bento. Convocadas pelas duas plataformas que protestaram contra a cimeira da NATO realizada em Portugal em Novembro passado (a Pagan e a Paz Sim! Nato Não!), a acção visa condenar a presença em Lisboa do secretário-geral da NATO Anders Rasmussen. Ler o resto do artigo »



Tumultos

Passos Coelho alertou que não se deve confundir o direito à manifestação e à greve com “aqueles que pensam que podem incendiar as ruas” e trazer “o tumulto” para o país. O primeiro-ministro falava então em Campo Maior, durante a sessão de encerramento das Festas do Povo. Com este aviso, talvez Passos Coelho esteja a seguir os conselhos do seu mentor Ângelo Correia, ex-ministro da Administração Interna que, na altura, ficou conhecido pela sua famosa “Insurreição dos pregos”. Falando assim, o primeiro-ministro pretende intimidar os trabalhadores e os militantes políticos, ameaçando-os com as forças repressivas, praticando, de facto, terrorismo de estado contra os opositores do governo.



Cães de fila

“Os ricos já pagam a crise. Quando as taxas progressivas de impostos são aplicadas a quem ganha mais, eles estão a pagar muito mais. Toda a tributação que existe em Portugal já penaliza mais os ricos que os pobres”. Afirmações feitas em 31 de Agosto por Ângelo Correia, PSD, ex-ministro e empresário, contra a criação de um imposto especial sobre as grandes fortunas. Ângelo Correia é presidente dos Conselhos de Administração do Grupo Fomentinvest e da Lusitaniagás, vogal do Conselho de Administração da Fundação Ilídio Pinho, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa e cônsul honorário do Reino da Jordânia em Portugal.



Demasiado tolerantes

Cerca de mil pequenos agricultores do Douro manifestaram-se na Régua, a 31 de Agosto, diante do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto em protesto pela redução do volume de vinho que o instituto compra aos produtores, facto que ameaça arruiná-los. Apesar da presença da GNR, e dos apelos à calma de uma dirigente da associação dos vitivinicultores, os agricultores, homens e mulheres, atacaram as instalações, partiram vidros e despejaram uvas em frente ao edifício. Uma mulher, referindo-se à GNR, dizia: “Estes vagabundos de G3 deviam era ir trabalhar”. E um outro manifestante, contrariando uma jornalista que questionava os actos menos pacíficos, respondeu: “Nós temos sido é muito tolerantes”.