Arquivo de Abril 2008

Greve na British Petroleum: um «dia triste»?

A primeira paralisação de uma refinaria britânica em mais de 70 anos

João Bernardo

Em protesto contra as alterações introduzidas no sistema de reformas, cerca de 1.200 trabalhadores da única refinaria de petróleo da Escócia iniciaram a 27 de Abril uma greve de 48 horas, que obrigou a British Petroleum (BP) a fechar o oleoduto por onde passa 30% da produção diária de petróleo no Mar do Norte. Tratou-se da primeira paralisação de uma refinaria britânica em mais de 70 anos. Ler o resto do artigo »



FERVE e Precários-Inflexíveis calados no “Prós e Contras”

A precariedade é uma bomba-relógio social que acabará por rebentar nas mãos dos que dela se aproveitam

João Pacheco, jornalista, membro dos Precários-Inflexíveis

precarios_72dpi.jpgFoi divertido ir ao programa “Prós e Contras” de segunda-feira. Passo a explicar: fui convidado a ir ao dito programa, para falar em nome dos Precários-Inflexíveis. Quando cheguei ao local (Casa do Artista, na Pontinha) conduziram-me aos camarins e disseram-me, numa escada de acesso, que afinal não iria falar. Havia muita gente para intervir e a apresentadora teria decidido que falaria apenas um dos representantes de um dos movimentos anti-precariedade, no caso o movimento FERVE (Fartos/as d’Estes Recibos Verdes). Ler o resto do artigo »



Não foi no Tibete

Foi ali no País Basco. Dia 26 de Abril, quando a esquerda independentista basca pretendia comemorar o 30.º aniversário do Herri Batasuna, as autoridades autonómicas (antecipando-se mesmo às de Madrid) proibiram a manifestação. A polícia basca carregou repetidamente sobre os manifestantes que gritavam contra o PNV (Partido Nacionalista Basco) e o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, no governo) e a favor da independência do País Basco. Desta repressão policial, num estado europeu, resultaram mais alguns militantes presos e outros feridos.



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VIII)

Democracia de alterne ou a caixa negra do regime

Rui Pereira

elecciones_municipales_72dpi.jpgCom alguma nostalgia, por ocasião dos 30 anos do 25 de Abril de 1974, apareceu nas ruas de várias cidades, pintada, a frase: “Em Novembro, é de Abril e Maio que me lembro”. Desconheço se esta poesia anónima do século XXI terá porventura um autor identificável. Mas conheço a natureza da sua origem. E esta é o sentido de uma possibilidade, não direi perdida, mas deixada por realizar, por conhecer. Como poderia ter sido Portugal, se em vez do rumo de Novembro, tivesse trilhado o de Abril e Maio?… Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VII)

As lutas das mulheres e do proletariado rural

Milhares de trabalhadores participaram na ocupação e na gestão de empresas, de terras abandonadas ou de latifúndios

Pedro Goulart

reformaagrariacouco_72dpipbcrop.jpgAquilo que, em Portugal, ficou conhecido como Reforma Agrária foi, fundamentalmente, o produto de duras lutas levadas a cabo pelos assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo. E foi, inquestionavelmente, uma das grandes conquistas alcançadas pelos trabalhadores portugueses após o 25 de Abril de 1974. Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (VI)

“Exército de azul e capacetes”

Cândido Guedes

operarioscapacetes_72dpi.jpgA geração do 25 de Abril de 1974 viveu os tempos em que o grande referencial das lutas de massas eram as “fortalezas operárias”, concentrações de grandes empresas fabris com milhares de proletários, onde se situava o núcleo da luta de classes e de onde iam saindo militantes e quadros revolucionários. Essa imagem de força, de organização e de determinação caracterizou muitas greves e manifestações imponentes. Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (V)

Manifesto dos trabalhadores do República a todos os trabalhadores pobres e explorados de Portugal

republica_72dpi.jpg«[...] Nós, trabalhadores do “República”, somos conscientes de que estamos numa sociedade a que falta ciência e educação, a que falta, portanto, uma política de informação que em vez de mutilar as classes trabalhadoras exploradas e pobres, lhes dê o poder da inteligência e da economia. [...]
É esta a ocasião propícia de proceder a uma remodelação completa da nossa política de informação, criando uma informação nas mãos das classes trabalhadoras, independente de todos os compromissos e de todas as solidariedades partidárias, inaugurando uma informação de desforra e de reabilitação, nas mãos dos explorados e dos pobres. [...] Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (IV)

Imprensa operária e de bairros

João Bernardo

Tanto quanto sei, não foi ainda realizada nenhuma pesquisa sistemática acerca da imprensa operária em 1974-1975. Folheando um jornal em que colaborei naquela época, e que se dedicava exclusivamente a noticiar as lutas dos trabalhadores, encontrei logo em Junho de 1974 menções a A Nossa Voz (quinzenário dos trabalhadores da Timex), O Novo Portuário (boletim dos trabalhadores do porto de Lisboa), A Força Operária (jornal de operários de lanifícios e têxteis), O Trabalhador de Tróia e o Jornal da Sogantal, uma pequena empresa que se notabilizou por ter sido a primeira a entrar em autogestão. Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (III)

Liberdade de expressão

João Bernardo

25abril2_72dpi.jpgA liberdade de expressão define-se hoje como o direito de comprar o jornal e de ligar a televisão. Curioso uso das palavras, porque este não é o direito de nos exprimirmos, mas de lermos ou vermos o que outros exprimem. Os jornalistas debitam as suas sentenças, entrevistam, seleccionam e cortam as declarações dos entrevistados, e de vez em quando alguns figurões são convidados para espaços de «opinião» acerca dos quais Rui Pereira já disse o que há a dizer no site do Mudar de Vida (www.jornalmudardevida.net/?p=606). Ler o resto do artigo »



Despedimentos na Lusosider

Mais de 50 operários da Lusosider – empresa metalúrgica de Paio Pires, Seixal – são alvo de um processo de despedimento colectivo até ao fim do mês. A Lusosider vai assim despedir 20% dos seus trabalhadores, invocando como motivo o encerramento da unidade de laminados a frio. Em 2007 despedira já cerca de 100, apesar de anteriormente ter manifestado a vontade de investir no sector, o que não fez. Os trabalhadores, com idades entre 25 e 53 anos, manifestam grande preocupação quanto ao seu futuro.



Artes mágicas

Pensando bem, o sistema democrático em que hoje vivemos baseia-se numa operação mágica. Dizem-nos que a soberania reside no povo, mas o povo só pode usar a soberania para a entregar periodicamente aos deputados e outros governantes, que fazem com ela o que querem. E se um de nós, ou nós todos juntos, decidirmos usar realmente a tal soberania que parece que temos, então somos rebeldes, revoltosos ou perigosos subversivos. Estranha coisa, a soberania do povo, que só pode ser usada pelos outros e não pelos próprios! (JB)



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (II)

O que falhou no movimento popular?

Manuel Monteiro

25abril1_200dpi_72dpi.jpgMuitas pessoas, ao abordarem o resultado final do processo revolucionário de 74/75, chegam à conclusão, um tanto fatalista, que outro resultado não seria de esperar. Partem da ideia de que o que se passou foi um golpe militar, apoiado pela burguesia – ou com a sua concordância –, que visava tentar sair do atoleiro da guerra colonial, instalando, ao mesmo tempo, a democracia formal, que lhe permitisse integrar Portugal na União Europeia. Ler o resto do artigo »



Dossiê 25 de Abril, 1974/75 (I)

Alguém traiu o 25 de Abril?

Manuel Raposo

25abrilretratosalazar_72dpi.jpgSobretudo entre a esquerda, criou-se a ideia de que em dado momento o 25 de Abril terá sido “traído”. A evolução da sociedade portuguesa desde 74-75 até hoje (e visto o ponto a que chegámos!) mostra efectivamente a distância que separa as esperanças populares de então das dramáticas realidades do presente.
A viragem deu-se no Verão Quente de 75 e consolidou-se com o golpe militar de 25 de Novembro desse mesmo ano. A partir de então as classes dominantes, os patrões, a direita, recuperaram continuamente o poder que fora abalado pela entrada em cena das massas populares desde Abril de 74. Mas falar de traição só serve para confundir o processo que levou a este desenlace. Ler o resto do artigo »



EDITORIAL

Ontem e hoje

O número 7 da edição em papel do Mudar de Vida sai um ano após o primeiro exemplar, experimental, do jornal. Iniciada a publicação regular em Outubro, temos mantido uma informação de ritmo diário na versão electrónica; e trouxemos para a rua sete edições mensais em papel.
Pelas reacções dos leitores, a aposta tem sido bem sucedida. Mas seria ingénuo pensar que o MV está consolidado. Ler o resto do artigo »



Francisco Martins Rodrigues

franciscomartinsrodrigues.jpgFrancisco Martins Rodrigues faleceu na madrugada do dia 22, em consequência de doença incurável. Muitas dezenas de pessoas estiveram presentes, no dia seguinte, no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, onde o corpo foi cremado, prestando homenagem ao comunista, ao combatente, ao amigo.

Francisco Martins Rodrigues iniciou a sua militância política no Partido Comunista Português na década de 1940. Rompeu com a direcção de Álvaro Cunhal em 1963, quando era membro do comité central, depois de uma progressiva e irreconciliável divergência com a estratégia de unidade antifascista. Ler o resto do artigo »



60 anos da catástrofe palestiniana

António Louçã

palestina7_72dpi.jpgO Estado de Israel está agora a comemorar 60 anos de existência. Para o povo palestiniano, são 60 anos da “catástrofe” – a “Nakba”. Desde então ficou dividido em três categorias: a discriminada, a ocupada e a expulsa. Ler o resto do artigo »



Lei laboral: para pior não

Manifestantes provenientes dos vários distritos do país, do sector público e do sector privado, desfilaram dia 16 no Porto e dia 17 em Lisboa protestando contra as propostas legislativas do governo para agravar o Código de Trabalho. Mas os protestos abrangiam muitos outros problemas que afectam a vida diária dos trabalhadores e do povo. Como, por exemplo, o que constava do cartaz: ”Estamos a ser roubados nos salários e nos preços”. As manifestações, promovidas pela CGTP, mobilizaram dezenas de milhares de trabalhadores.



Aumento dos preços dos cereais gera mais pobreza em todo o mundo

Conflitos violentos rebentam nos países mais atingidos. Preços subiram 45% em nove meses

Pedro Goulart

haiti_72dpi.jpgTem-se assistido nos últimos tempos a uma escalada do preço dos cereais – arroz, trigo, milho – atingindo sobretudo as populações urbanas dos países mais pobres. Só nos últimos nove meses os preços dos cereais subiram 45%. Tais aumentos devem-se, essencialmente, ao efeito conjugado de três ordens de factores: tectos impostos na Europa à produção de cereais para que os preços não baixem; crescente utilização dos cereais para a produção de biocombustível (devido aos aumentos de preço do petróleo); e ainda o justo acesso de milhões de pessoas a um maior consumo de cereais, como acontece na China e na Índia em consequência dos elevados ritmos de crescimento económico verificados nestes países em desenvolvimento. Ler o resto do artigo »



A fingir que há lei

Uma imigrante brasileira está detida no aeroporto da Portela à espera de ser expulsa só porque tentou legalizar-se, obtendo contrato de trabalho, fazendo descontos para a Segurança Social, etc. A pessoa em causa nada tem a assinalar no registo criminal. Mas tem um “detalhe”: foi expulsa pela mesma razão de Itália. Durante os vários meses em que ela esteve a descontar, o governo português não se preocupou; mas alguns e algumas têm de ser expulsos para fingir que a lei serve e é igual para todos. (JF / MV)



Gigantesca rusga policial em Lisboa para amedrontar os imigrantes

José Falcão, SOS Racismo (adaptação de MV)

rusga_intendente_72dpi.jpgDecorreu com grande aparato e cobertura mediática mais uma rusga na zona do Martim Moniz, local de Lisboa frequentado por muitos imigrantes. Todos os que não eram brancos (independentemente da nacionalidade) foram incomodados pelas forças de segurança e pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Mais de 300 agentes foram mobilizados para a chamada “Operação Vasco da Gama”, que a polícia e a Câmara de Lisboa justificaram para “reabilitar” a zona. Para isto, perseguir trabalhadores e imigrantes (trabalhadores), o Estado Português é muito activo e corajoso. Para isto não há falta de meios. Ler o resto do artigo »



Desperdício de talentos

Segundo um estudo da OCDE, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, que reúne 30 dos países mais desenvolvidos, quase 1/4 das pessoas que imigram para estes países possui cursos universitários, enquanto menos de 1/5 dos nativos tem instrução equivalente. Mas para os imigrantes é mais difícil obter emprego compatível com o seu nível de qualificação, desempenhando com maior frequência funções inferiores. Na Grécia este desajuste é mais de 3 vezes superior entre os imigrantes do que entre os naturais do país. No Canadá, Estados Unidos, Irlanda e Polónia, é 1,2 vezes superior. Em Portugal está acima de 1,5. Só na Nova Zelândia esta relação é um pouco desfavorável aos nativos. A este desperdício de talentos chama-se “mercado mundial do trabalho”.



Apelo à solidariedade com os trabalhadores egípcios

Ditadura de Mubarak reprime duramente movimento grevista

(MV / Iraq Tribunal Turquia)

Em reacção a uma chamada à greve, em 6 de Abril, pelos trabalhadores do complexo têxtil de Mahalla (a maior fábrica do Egipto), o regime de Mubarak decidiu a ocupação de El-Mahalla pela polícia, mandou sequestrar os líderes grevistas Kamal El-Faiumy e Tarek Amin e prendeu activistas políticos das mais diversas tendências, tanto no Cairo como noutras cidades.
Impotente para calar os protestos, a polícia de Mubarak usou balas de borracha, gás lacrimogéneo e mesmo balas reais contra a população de Mahalla, que decidiu protestar nas ruas da cidade e em outras localidades. Resultado: pelo menos dois mortos, centenas de feridos e 800 presos. Ler o resto do artigo »



Brasil: massacre de camponeses na Rondónia

Na manhã de 9 de Abril mais de 100 jagunços (milícias dos agrários), fortemente armados e encapuzados, invadiram o acampamento dos sem-terra Conquista da União, situado no município de Campo Novo, no estado brasileiro de Rondónia. Os jagunços, acompanhados por polícias, cercaram o acampamento e dispararam contra quem ali se encontrava. Segundo informações passadas por um camponês que conseguiu escapar, cerca de 15 pessoas, incluindo uma mulher grávida, foram assassinadas e outras presas como reféns. Vinte motos e todos os pertences dos acampados foram queimados. Desde há várias semanas que a Liga dos Camponeses Pobres de Rondónia vinha denunciando a preparação de um massacre de sem-terra naquela região do estado. (MV / Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia)



As antenas da democracia (2)

Os bancos de dados electrónicos

João Bernardo

Na sequência do que fiz no número anterior do Mudar de Vida (MV5, edição papel), vou continuar a reprodução das principais informações contidas num artigo sobre vigilância electrónica publicado em The Economist de 29 de Setembro de 2007. Ler o resto do artigo »



Delphi e Yasaki

Quase mil operários despedidos em empresas de alta tecnologia

Afinal nem só a baixa qualificação é pretexto para despedir

Pedro Goulart

yazaki_aveiro_72dpi.jpgContinua a onda de encerramentos e deslocalizações. As multinacionais chegam, recebem facilidades e subsídios e exploram o que podem. Depois, abalam e vão explorar para outras paragens. Quase um milhar de trabalhadores para a rua é o que prometem a Delphi e a Yasaki. Ler o resto do artigo »



Censura na net

Site da Indymedia bloqueado na Turquia

MV / CMI (Brasil)

censuraturquia.jpgO site do Indymedia Istambul encontra-se bloqueado para quem acessar a internet através do operador Turkish Telecom. Este operador redirecionou o endereço http://istanbul.indymedia.org para uma página notificando que o acesso ao site fora impedido por um decreto de um tribunal criminal comum, sendo esta mensagem substituída posteriormente por outra que invoca uma decisão de um tribunal militar. Outros websites foram também vítimas do bloqueio. Ler o resto do artigo »



Quem fala assim…

Comentando na Rádio Renascença um relatório da OCDE sobre o ensino superior, o ministro Mariano Gago disse que “quase não há desemprego entre licenciados”. E acrescentou: “O número de profissionais que sai dos cursos superiores todos os anos para o mercado de trabalho não chega e são todos absorvidos pelo mercado”. Depois desta afirmação do ministro, a SIC deu o número de 2007: 65 mil. No Diário Económico lê-se: “A maior subida percentual no desemprego, este trimestre, surge entre os licenciados – mais 32% de portugueses com curso perderam o emprego ou não chegaram a ele”.



Pobreza e miséria

A propósito do filme de Chico Teixeira, A Casa de Alice

João Bernardo

Tive um amigo que distinguia a pobreza e a miséria. A pobreza, dizia ele, resolve-se com dinheiro. A miséria é outra coisa. Pobreza é não ter que comer, viver num barracão esburacado ou dormir no abrigo de uma caixa de multibanco, ter a roupa em farrapos, e com dinheiro compra-se comida, calças e camisa e aluga-se um quarto.
A miséria não se resolve com dinheiro. Miséria é não ser escutado por ninguém, não decidir a própria vida, chegar a casa, olhar para quem lá mora e já não ver neles aquilo que outrora se julgava, viver isolado numa teia de conhecimentos superficiais, amigos de café para discutir o futebol, colegas de trabalho que talvez sejam orelhas do patrão, a miséria é não confiar nos outros nem em si próprio, é viver uma vida sem sentido. Ler o resto do artigo »



Os comentadores da “nossa economia”

Como escondem o abismo entre a “criação de riqueza” e a distribuição da riqueza criada

José Mário Branco

mendigo_72dpi.jpgDe forma sistemática, os comentadores mediáticos usam e abusam de expressões mais ou menos abstractas como “a economia”, “os agentes económicos”, “os investidores” e “a confiança dos investidores”. Sejam políticos profissionais, sejam “especialistas” supostamente independentes, dão sempre a entender que existe uma espécie de entidade superior – “a economia” – que estaria acima do sistema político-social, e cuja condução, sendo um trabalho técnico complicado, caberia aos gestores e aos governos. Ler o resto do artigo »



OPA sobre Fernando Pessoa

Um ministro deste governo acaba de afirmar: «É possível que o Pessoa, enquanto produto de exportação, valha mais do que a PT. Tem um valor económico único». Se a afirmação fosse do ministro da Economia durante uma sessão de apresentação de um projecto de dinamização das exportações, ainda se poderia esperar que o ministro da Cultura se insurgisse (nem que fosse só lá entre eles). Acontece que esta afirmação foi feita pelo próprio ministro da Cultura, durante uma sessão de apresentação de um projecto de dinamização cultural. Parafraseando a poetisa Sophia de Mello Breyner “Transformam os poetas em moeda, como se fez com o trigo e com a terra”.



Brasil

Polícia Militar ataca os sem-tecto de Manaus

MV / MTST

Na noite de 27 de Março, cerca de 500 famílias de sem-tecto, organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Tecto (MTST), ocuparam um terreno de 403.000 m2 no Parque Rio Negro em Manaus, propriedade do governo do estado do Amazonas, que estava abandonado há décadas. Ler o resto do artigo »



Não se percebe

Os rasgados elogios de Jaime Gama a Alberto João Jardim, durante uma visita recente à Madeira, evidenciam, claro, a sem-vergonha dos barões do PS. Mas o que verdadeiramente espanta é a consternação que lavra nas hostes socialistas. Só por amnésia histórica se pode entender tal reacção. Soares aliou-se a Spínola para esconjurar o “perigo comunista”; Zenha juntou-se a Eanes para “recentrar” a democracia; Maldonado Gonelha e Torres Couto combinaram-se com PSD e CDS para “democratizar” o movimento sindical; Guterres deu o braço à reacção católica contra a despenalização do aborto; Sócrates cumpre o programa que a direita nunca conseguiu levar a cabo para “benefício de todos os portugueses”. Onde está a surpresa?



Cinco anos depois

As “provas”

Manuel Raposo

Confrontado, no programa da SIC A Quadratura do Círculo de 20 de Março, com a evidência de que as armas de destruição maciça foram uma mentira forjada para atacar o Iraque, Pacheco Pereira ainda procurou uma última escapatória dizendo que “em todo o caso não há provas de que tenha havido manipulação” dos documentos que davam conta da existência das ditas ADM. Quer Pacheco Pereira dizer que, quem, como ele, fez coro com a mentira não tinha razões para descrer das “provas”. Mas este argumento desesperado não resiste à mínima crítica. Que manipulação maior poderá haver que a apresentação de “provas” sobre coisas que não existem? Percebe-se que Pacheco queira no assunto passar por sério ou não ser tomado por idiota útil. Mas deste modo não se safa. Ler o resto do artigo »



Por subidas salariais e direitos iguais

Trabalhadores ferroviários manifestaram-se em Lisboa

Pedro Goulart

ferroviarios.jpgNa tarde do dia 1 Abril, realizou-se na Estação do Rossio, em Lisboa, uma manifestação dos trabalhadores do sector ferroviário, convocada pelas comissões de trabalhadores da CP (Caminhos de Ferro Portugueses), REFER (Rede Ferroviária Nacional) e EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário), assim como por vários sindicatos do sector. Os manifestantes dirigiram-se depois ao ministério das Obras Públicas onde apresentaram as suas reivindicações. Ler o resto do artigo »



Chiapas, México

Solidariedade urgente com os presos políticos

João Bernardo

chiapas_mapa.gifAté há pouco havia 31 presos políticos em greve de fome nas cadeias do estado mexicano de Chiapas. (Ver uma Breve publicada em Março no site do Mudar de Vida.) Num golpe publicitário, o governo de Chiapas libertou 20 daqueles presos, e juntamente libertou também membros de milícias patronais culpados de massacres. Ler o resto do artigo »



O tempo e o espaço das formas de luta

Governo brasileiro procura impedir lutas sociais em áreas chave

Alexander Hilsenbeck Filho

O governo brasileiro informou que deu início a um trabalho conjunto de logística e de inteligência [acção de serviços secretos], que irá contar com a participação de vários ministérios e que tem por objetivo impedir ações de movimentos sociais em áreas tidas como “prioritárias de infra-estrutura”, ou seja, que podem trazer prejuízos econômicos ao país, para além do espaço das empresas privadas. Barricadas em rodovias, bloqueios em ferrovias e ocupações a usinas hidrelétricas são alguns exemplos. Dentre as estratégias de ação do governo, se incluem o aumento da segurança nos locais, o deslocamento de tropas do Exército ou a criação de rotas alternativas de uma rodovia bloqueada. Ler o resto do artigo »



FAP processa quem refila

A Força Aérea Portuguesa (FAP) instaurou um processo disciplinar contra um coronel reformado, há muito fora do serviço efectivo, que no seu blogue responsabilizou as chefias da FAP pelas “longas filas” de militares reformados que querem marcar consultas no Hospital da Força Aérea. O advogado do militar sublinhou estar-se perante “um problema de liberdade de expressão”, referindo que a nota de culpa e o processo disciplinar levantado contra o militar é “ofensiva dos mais elementares direitos constitucionais dos cidadãos e até do regime democrático”.