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Tópico: Breves
Propaganda enganosa (II)
6 Agosto 2008
A “Cinemateca do Porto” − anúncio do ministro da Cultura largamente noticiado e muito aplaudido porque corresponde ao desejo dos portuenses expresso numa petição que andou a circular − é pura ficção. Há apenas umas salas na Casa das Artes a precisarem de restauro total. E uma cinemateca é muito mais do que isso: instalações técnicas de manutenção e recuperação de filmes, equipamentos caríssimos de laboratório e projecção, programadores e projeccionistas, centro de documentação, etc. Num ministério onde não há dinheiro sequer para pagar aos vigilantes dos museus, com que dinheiro (e com que competências) vai o ministro cumprir a promessa?
Propaganda enganosa (I)
Anunciar “medidas” muito mediatizadas é uma das técnicas do governo para deixar vestígios “positivos” nas mentes dos eleitores. Algumas delas são negócios bem duvidosos. Um dos exemplos mais recentes são os 500 mil notebooks a que chamam “computadores”: o “Magalhães” para crianças do ensino secundário que já existia com o nome “Classmate” na Intel e está, aliás, tecnicamente ultrapassado. Só difere no nome e em alguns pormenores de aspecto. Os grandes beneficiados são os fabricantes: a multinacional Intel, a JP Sá Couto e a Prológica. E, claro, os fornecedores de acesso à internet, que ganham novos clientes, como já tinha acontecido com os computadores das “novas oportunidades”.
EUA: execução de hipotecas aumenta
4 Agosto 2008
Nos EUA, e num momento em que 740 mil propriedades se encontram em fase de execução da sua hipoteca, os pedidos de novas execuções mais que duplicaram. Isto, no segundo trimestre de 2008, em comparação com o período homólogo do ano anterior. Entretanto, também nos EUA, e como uma das consequências desta crise, verifica-se uma queda forte e generalizada do preço das casas. Só no mês de Maio a queda foi de cerca de 15% em relação a igual período do ano anterior. Quando sabemos que um carro e uma casa faziam parte do sonho americano…
Golfe e deficiência intelectual
No site duma agência privada de informação lê-se que a segunda edição do Torneio de Golf Special Olympics se saldou “por um êxito assinalável”. Além da participação de cerca de uma centena de amantes da modalidade, “foi angariado um donativo, especialmente destinado a deficientes intelectuais, de 2.500 euros para o movimento Special Olympics”, os Jogos Olímpicos para deficientes, este ano em Xangai. O Axis Golfe, um campo de luxo em Ponte de Lima, “acolhe assim mais um evento com elevada responsabilidade social demonstrando que é possível aliar o desporto a causas nobres”. Caridade para as necessidades sociais, apoio estatal para os grandes negócios. Deficiência intelectual de quem?
“Pouco significativos” para quem?
1 Agosto 2008
Num ano em que os funcionários públicos e os trabalhadores das empresas privadas voltaram a perder poder de compra e em que semanalmente se assiste à falência de pequenas e médias empresas, o banqueiro Ricardo Salgado veio anunciar que, até final de 2008, o BES terá de emagrecer as despesas com pessoal, através de despedimentos, rescisões e reformas antecipadas “pouco significativos”, para combater a grave crise interna. Não se julgue, contudo, que se trata de qualquer medida para diminuir prejuízos, não! A razão para esse anúncio está na perda de 28% de lucros: no primeiro semestre de 2008, o BES só conseguiu 264,1 milhões de euros de ganhos!
Meio milhão por ano
31 Julho 2008
Assinalando o Dia Internacional do Migrante, o presidente mexicano anunciou o lançamento do programa “Repatriação Humana” que se destina a dar “tratamento humanitário digno” aos mexicanos deportados dos EUA. Vítimas de “ódio, hostilidade e intolerância”, os emigrantes são repatriados em condições degradantes, facto que é indiciado pelos cuidados preconizados por Felipe Calderón, que consistem em “alimentação, hospedagem e atenção médica”. Todos os anos, 500 mil mexicanos são expulsos dos EUA.
David e Golias
Gabriel Almeida, de 11 anos, residente na periferia de Belo Horizonte, Brasil, partiu um dente quando mordia o pescoço do cão, da raça pitbull, que o atacava enquanto brincava no quintal do tio. «Agarrei-o pelo pescoço e mordi-o», contou a criança. «Não é nada demais. É preferível perder um dente a perder a vida». No final da peça A Mãe, de Brecht, a personagem principal, depois de perder o filho na luta, diz: “Dizem que acabaremos sempre derrotados, que aquilo que nós queremos não virá nunca. Aquele que está vivo não diga nunca ‘nunca'”.
Aborto, um ano depois
30 Julho 2008
Um ano depois da entrada em vigor da lei do aborto no nosso país, o balanço feito pela Direcção Geral da Saúde é positivo, desmentindo todos os agoiros dos sectores mais retrógrados contra a lei. As infecções e perfurações do útero baixaram para menos de metade, indiciando uma forte diminuição dos abortos clandestinos. Foram realizados 14.247 abortos e apenas 700 mulheres optaram por prosseguir a gravidez depois de aconselhadas – o que denota segurança na opção tomada. Mas o fito do negócio prossegue: enquanto quase todos os serviços públicos utilizam o método medicamentoso, que custa 341 euros, mais de 90 por cento das clínicas privadas optam pelo método cirúrgico, que custa 444 euros.
Salário é curto
Cerca de 71% dos portugueses dizem ter dificuldade em fazer face às suas despesas porque os salários não chegam ao fim do mês. Este número resulta de um inquérito do Eurobarómetro da Comissão Europeia, e contrasta com os 47% da média europeia. As famílias que admitem dificuldades, diz ainda o estudo, não são apenas das camadas habitualmente dadas como mais vulneráveis, atingindo também a faixa dos trabalhadores urbanos, nomeadamente dos serviços.
Preços de monopólio
Um estudo da Associação Portuguesa dos Direitos dos Consumidores (Deco) revela que os preços dos medicamentos de venda livre (sem receita médica) aumentaram 5,2% desde 2005, desmentindo o Governo sobre uma baixa dos preços ditada pela livre concorrência. O facto é que, para aquele tipo de medicamentos, os supermercados, interessados em ganhar clientes, baixaram os preços em média 3%; mas as farmácias, que continuam a deter o grosso das vendas, subiram os preços em 11%. Como não é fácil andar a correr prateleiras de supermercados quando se precisa de um medicamento, o resultado geral é pagar-se mais caro.