Guerra contra a liberdade

4 Julho 2008

Segundo o New York Times, a UE e os EUA, a pretexto da guerra contra o terrorismo, ultimam um acordo que permitirá aos governos e às companhias privadas da Europa enviarem informações pessoais dos cidadãos – transacções dos cartões de crédito, viagens ou hábitos na net – para os EUA e vice versa. Tentando calar o alarme provocado em advogados defensores dos direitos dos cidadãos, o acordo estabelece que “informações sobre raça, religião, opiniões políticas, saúde ou vida sexual não podem ser usadas por um governo a menos que a legislação nacional garanta a apropriada protecção dos dados”. Não dizendo o que é considerado “apropriada protecção dos dados”, sugere que cada Governo decida por si.


Longo caminho para a liberdade

3 Julho 2008

Dias antes de completar 90 anos, Nelson Mandela recebeu um belo presente vindo dos EUA. O senado norte-americano aprovou no passado dia 27 uma lei que retira Mandela da “lista nacional de terroristas”. Foi nos anos 80 que Reagan determinou que o dirigente sul-africano e outros membros do ANC eram criminosos. A partir de hoje, 18 anos após a sua libertação, 15 anos depois de ter recebido o Nobel da Paz e 14 anos após ser eleito presidente da África do Sul, Nelson Mandela pode finalmente visitar os EUA sem ter que certificar que não é terrorista.


Um caminho ainda mais longo

3 Julho 2008

Em Maio, o senado da Califórnia aprovou uma lei que permite funcionários públicos serem membros do Partido Comunista. Até ao mês passado, o maior e mais populoso estado norte-americano reservava-se o direito de despedir trabalhadores por serem comunistas. Agora, já podem pertencer ao PC, desde que assinem o compromisso de que não se envolverão em acções contra o governo. A democracia norte-americana não pára de nos surpreender!


Os bancos ganham mais

3 Julho 2008

Segundo um estudo do economista Eugénio Rosa, em apenas quatro anos (de 2004 a 2007) a banca arrecadou em Portugal 13.537 milhões de euros de lucros, tendo pago apenas uma taxa efectiva de imposto de 15,6%, muito inferior à das restantes empresas, que é de 26,5% (incluindo IRC e derrama). Se a banca tivesse pago a taxa legal, as finanças arrecadariam só nestes quatro anos mais 1.536 milhões de euros de receita fiscal.


E os trabalhadores ganham menos

3 Julho 2008

Ainda segundo o mesmo estudo, as remunerações dos trabalhadores bancários representam uma percentagem cada vez menor da riqueza apropriada pela banca em Portugal. Em 2004, os chamados custos com pessoal representavam 55,6% do VAB (valor acrescentado bruto) da banca e, em 2007, eram apenas 36,5% do referido VAB. De referir que nas despesas com pessoal estão incluídas as despesas com o conselho de administração, assim como despesas de transportes e ajudas de custo, etc. Enquanto isto, no mesmo período, os lucros da banca subiam 155,4%!


Vender a vida

2 Julho 2008

“Homem vende a vida por 243 mil euros” é o título de uma notícia que conta que um inglês de 44 anos, residente na Austrália, vendeu hoje toda a sua vida (casa, carro, mota, emprego e amigos) num leilão, por 243 mil euros. Fazendo as contas, é por quanto vendem a vida milhões de pessoas que ganham 500 euros por mês: 6 mil por ano vezes 40 anos de trabalho. E muitos milhões vendem por muito menos. Para não falar dos que a perdem (como tantos imigrantes) por menos que isso. Diz o homem que o seu objectivo foi mudar de vida. Ao contrário dele, há quem pense em mudar de vida para não ter de a vender.


Aguenta, aguenta!

2 Julho 2008

Nas manifestações regionais da CGTP do passado sábado, puxado por megafones sindicais, de novo apareceu o slogan “O custo de vida aumenta – O povo não aguenta”. Imaginamos, lá em casa, os patrões e Sócrates a rirem-se e a comentar: “Ai aguenta, aguenta! A prova é que andam há muitos anos a gritar o mesmo…”. Não é por acaso que, nos dois noticiários radiofónicos mais ouvidos (Antena 1 e TSF), foi precisamente esse slogan o fundo sonoro escolhido para a notícia dos protestos.


Dirigente sindical turca encarcerada há seis meses

LabourStart / Francisco Raposo / MV — 1 Julho 2008

meryem72dpi.jpgMeryem Özsogüt, dirigente do sindicato turco da Função Pública SES (dos funcionários da saúde e dos serviços sociais) foi presa na manhã do dia 8 de Janeiro deste ano por ter participado numa conferência de imprensa, em 14 de Dezembro anterior, onde foi denunciada a morte, pela polícia, do activista Kevser Mizrak. Meryem participou nessa conferência de imprensa depois de o seu sindicato ter recebido um fax convidando-a para estar presente. A federação internacional dos sindicatos da Função Pública, PSI, considera que a polícia e as outras autoridades não emitiram qualquer aviso de que essa reunião ou actividade fosse considerada ‘ilegal’. Várias outras pessoas presas na mesma ocasião, ostensivamente pelas mesmas razões, foram entretanto libertadas. No entanto, Meryem Özsogüt continua presa e o seu julgamento tem sido sucessivamente adiado.


Uma técnica que vem de longe

Rui Pereira — 1 Julho 2008

moniteuruniversel.jpgSem prejuízo de, em breve, aqui se dar uma visão desta técnica tal como é utilizada hoje pela comunicação social, eis um exemplo de como o discurso – neste caso, os títulos – de um jornal da época vai acompanhando, dia a dia, a evolução da relação de forças na política francesa.
Primeiro, os factos. Em 1815, no curto período de 12 dias, Napoleão Bonaparte, então forçado ao exílio na ilha de Elba, evade-se, regressa a França, reagrupa as forças que lhe são fiéis e avança rapidamente para Paris. Aí, nas Tulherias, retomará o poder para o que ficou conhecido como os “Cem Dias” (após os quais seria de novo destituído e desterrado para a ilha de Santa Helena, onde acabaria por morrer).


Manifestações em todo o país contra o governo e as leis laborais

1 Julho 2008

manifporto28junho.jpgEm mais de 20 cidades em todo o país os trabalhadores saíram à rua em protesto contra a reforma das leis laborais, promovida pelo patronato e pelo governo do PS e apoiada pela direcção da UGT.
Dezenas de milhares de trabalhadores manifestaram o seu repúdio por umas leis crescentemente favoráveis aos capitalistas (que já falam na necessidade de se ir ainda mais longe nesta legislação) e expressaram a vontade de prosseguir a luta contra o patronato e o governo de José Sócrates.


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