Arquivo de Fevereiro 2011

Um debate necessário

A propósito das posições diversas da esquerda revolucionária nas eleições presidenciais

ideias_debate.jpgAs recentes eleições presidenciais suscitaram posições desencontradas por parte dos grupos da esquerda revolucionária. Vale a pena debater o assunto porque ele contém algumas das questões que determinam a fraqueza crónica desses grupos, em que nos incluímos, e a sua sistemática incapacidade para abordar as massas populares com propostas políticas revolucionárias.
Estamos abertos a acolher nestas páginas todas as contribuições para o debate destas questões. Ler o resto do artigo »



Crimes de estado

A utilização de uma arma eléctrica (taser) pelo Grupo de Intervenção dos Serviços Prisionais contra o preso Carlos Gouveia, em greve de fome na prisão de Paços de Ferreira, apesar de alguns o apresentarem como um caso isolado, é um indicador significativo do tipo de sociedade repressiva em que vivemos. Foi um acto repugnante, particularmente no contexto em que se verificou. E que teve o apoio do Sindicato dos Guardas Prisionais. Provavelmente é para acções repressivas deste tipo (cá dentro e lá fora) que recentemente aumentaram os gastos dos Ministérios da Administração Interna, da Justiça e da Defesa.



O que faz falta">zeca-afonso.jpg O que faz falta

Em 23 de Fevereiro de 1987 morreu, com 57 anos, o grande Zeca Afonso. Nestes tempos tristes e difíceis das derrotas cinzentas de Outono, faz falta o Zeca para cantar as vitórias que hão-de vir com a Primavera alegre de todas as cores. FB



Revolta popular alastra a todo o mundo árabe

"Nada a ganhar", diz o embaixador Martins da Cruz

Manuel Raposo

tunisia1.jpg“A Europa não tem nada a ganhar com a instabilidade no Mediterrâneo”. Assim resumiu o embaixador Martins da Cruz (TSF, 17 Fevereiro) a posição do imperialismo europeu, e também norte-americano, sobre as revoltas que varrem o mundo árabe. Compreende-se: todos os regimes abalados, sem excepção, são “amigos”, de longa ou fresca data, da União Europeia e dos EUA. Razões da amizade: o gás natural, o petróleo e as vantagens estratégicas. Nada a ganhar, portanto. Ler o resto do artigo »



Os mixordeiros

Os mais recentes dados do INE sobre o desemprego desmentem as previsões do governo. O número de desempregados atingiu novo máximo, com 619 mil portugueses sem trabalho. A taxa de desemprego para o quarto trimestre de 2010 é estimada em 11,1%, agravando-se, assim, o valor face aos 10,9% verificados no trimestre anterior. Mas sabemos, que estes são dados oficiais, pois o desemprego efectivo já ultrapassa os 760 mil. Contudo, para lançar poeira para os olhos dos incautos, o governo costuma usar os habituais e torturados números do IEFP, que surgiram passadas umas horas sobre os dados do INE, salientando uma descida do desemprego em Janeiro relativamente ao mês homólogo de 2010!



Conselhos “amigos”

Abaixamento de salários, um deles

Pedro Goulart

cortar-salarios.jpgCarlos Zorrinho, secretário de estado da Energia e Inovação, disse recentemente num almoço -debate com jornalistas organizado pela Comissão Europeia que Bruxelas recomenda a Lisboa um “ajustamento dos preços e dos salários”, bem como a “flexibilização do mercado de trabalho”. Apesar de afirmar que o governo português não está “cem por cento de acordo” com todos os conselhos de Bruxelas, o secretário de estado lá foi dizendo: “Nós achamos que sim (pode haver ajustamento de salários e preços) mas, para ganhar competitividade, este é um dos componentes e não o único nem sequer o principal”. No que respeita à flexibilização do mercado de trabalho, Carlos Zorrinho manifestou a sua concordância com este objectivo de Bruxelas, mas “através de outros mecanismos”. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores da CP em greve

Após uma mobilizadora semana de luta (iniciada a 7 de Fevereiro) no sector dos transportes, os trabalhadores destas empresas decidiram continuar os protestos contra os cortes salariais, caso a sua situação não se altere. Assim, hoje (dia 15) os trabalhadores da CP levaram a cabo mais uma greve a nível nacional, que se saldou numa paralisação dos comboios a quase 100%. Amanhã estes trabalhadores prosseguem esta forma de luta.



As “ajudas” do FMI e da UE

Uma missão da UE, do BCE e do FMI, que monitoriza o empréstimo feito à Grécia, esteve em Atenas entre 27 de Janeiro e 11 de Fevereiro para uma terceira revisão do programa económico. Seguidamente, em conferência de imprensa, a missão afirmou que o programa de “ajustamento” orçamental estava a ser implementado com sucesso, mas que o país precisava de realizar mais reformas estruturais e de aumentar o nível de privatizações para uns 50 mil milhões de euros. O governo grego, apesar da submissão às instituições imperialistas, não gostou destas declarações no que diz respeito às privatizações e acusou a missão de se estar a intrometer nos “assuntos internos” do país.



Balanço

O balanço sobre a economia capitalista em 2010 mostra que vivemos a maior crise e recessão capitalista dos últimos 80 anos. A contradição trabalho/capital existe e agudiza-se. A dicotomia esquerda/direita também. A luta de classes e a revolução não morreram. A História não acabou… O marxismo nunca esteve tão vivo, dinâmico, actual e alternativo ao capitalismo como hoje. FB



O mundo a mudar

Finalmente, caiu o ditador Hosni Mubarak, apoiado pelos EUA e Israel! A África do Norte, o Médio Oriente e o mundo estão a mudar… FB



Mubarak caiu!

egiptotahrir.jpg

O vice-presidente egípcio acaba de anunciar que Hosni Mubarak resignou do cargo de presidente, entregando o poder ao Conselho Superior das Forças Armadas. Escassas 12 horas depois de ter dito que ficava, Mubarak cedeu ante a pressão dos manifestantes. A greve geral desencadeada nos últimos dias pela massa trabalhadora em todo o país, o alastramento da revolta, o cerco ao palácio presidencial, ao parlamento e à TV estatal, o assalto a esquadras de polícia mostraram a decisão de combate por parte dos manifestantes e empurraram Mubarak para a única saída que tinha.
Os festejos explodiram de imediato em todo o país. O regime, porém, ainda não caiu. De momento, nem sequer foi levantado o estado de excepção que vigora há 30 anos. As forças armadas, pagas a peso de ouro pelos EUA (1 500 milhões de dólares por ano), foram quem sempre deteve o poder. E o agora vice-presidente, Omar Suleiman, chefe da polícia política, é apontado como “o homem da CIA no Cairo” e como torturador, e tem sido o agente de contacto entre o regime egípcio e os governos israelitas.
O derrube de Mubarak é um começo de vitória. Vamos a ver qual vai ser a reacção nas ruas.



Mudança de tom

No início da revolta no Egipto, Hillary Clinton recomendou a Mubarak que “não tivesse pressa em aplicar medidas duras” contra os protestos, o que foi uma forma de apoiar Mubarak. Os acontecimentos forçaram os EUA a mudar de tom: há duas semanas repetem a ideia de uma “transição ordeira”, o que ainda não é desapoiar o regime egípcio. Interpretando a mensagem a seu jeito, Mubarak diz que não sai por se achar a peça-chave da “transição ordeira”. Apesar de não coincidirem nos termos, ambos convergem nisto: tudo menos deixar o poder cair na rua. Lembra a portuguesa “evolução na continuidade” tentada por Marcelo Caetano. A acção das massas mostra o terreno estreito em que se move o poder burguês.



“Não pagamos a crise deles”

Trabalhadores da INCM paralisam e apelam a uma greve geral do sector público

Urbano de Campos

casadamoeda.jpgOs 700 trabalhadores da Imprensa Nacional Casa da Moeda (cerca de 600 dos quais nas instalações de Lisboa) fazem greve hoje, dia 11, em reacção contra os cortes salariais, à semelhança de trabalhadores de outros sectores, nomeadamente os dos transportes.
Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores da INCM não apenas explica as razões da luta como lança um apelo para o endurecimento dos protestos, avançando a ideia de uma greve geral que una os trabalhadores do sector empresarial do Estado e da Administração Pública Central e Local. Ler o resto do artigo »



Egipto: a luta continua

Após duas semanas do começo do levantamento popular contra o regime de Mubarak, centenas de milhares de pessoas voltaram a sair ontem (dia 8 de Fevereiro) à rua em diversas cidades egípcias. E, apesar das dificuldades que o exército tentou impor àqueles que procuravam chegar à praça Tahrir, verificou-se uma das maiores manifestações realizadas até agora nesta praça. Conseguiram mesmo impedir que o actual primeiro-ministro, Ahmad Shafik, chegasse ao gabinete. Poucos acreditam que das “negociações” propostas pelo regime resulte alguma coisa positiva e, assim, estão marcadas três manifestações semanais até que o actual regime caia.



Semana de luta nos transportes

Pedro Goulart

grevemetro.jpgTrabalhadores dos transportes públicos e das transportadoras privadas iniciaram greves no dia 7 de Fevereiro, em protesto contra os cortes e os congelamentos salariais no sector. Mas, também, face à generalizada ofensiva levada a cabo pelo estado e pelo capital contra os seus direitos económicos e sociais. Ler o resto do artigo »



Auto-definição

Um voto de apoio ao povo egípcio, proposto pelo Bloco de Esquerda, foi chumbado hoje no parlamento com votos contra do PS e PSD e abstenção do CDS. Não admira, mas vale a pena ouvir as justificações. PS: “o voto do BE é oportunista” – mas o que fica à vista é o oportunismo do PS ao não tomar posição contra uma ditadura por ser aliada da UE e dos EUA. PSD: “ainda não se sabe o desenlace” – ou seja, é preciso ver se Mubarak cai mesmo, e não seremos nós a descalçá-lo. CDS: “há perigo de infiltrações islamistas” (antes diriam “comunistas”) – portanto, na incerteza, Mubarak dá mais garantias. Berlusconi foi mais claro: disse que Mubarak é homem avisado e merece continuar. Há momentos reveladores.



EUA: pelo fim da ajuda a Mubarak

No dia 5, uma marcha sobre a Casa Branca (Washington) vai exigir o fim da ajuda dos EUA ao regime de Mubarak. A acção responde a um pedido de solidariedade dos manifestantes egípcios. A convocatória da coligação ANSWER refere que os manifestantes da Praça Tahrir, brutalmente atacados por jagunços e polícias a mando de Mubarak, fizeram chegar aos EUA pedidos para que seja exigido a Obama o fim imediato do apoio que presta à ditadura. O Egipto é o segundo destinatário “de ajuda externa” dos EUA, 2 mil milhões de dólares por ano, logo a seguir a Israel. Esta “assistência” é usada para comprar as armas que matam os egípcios que se manifestam e para impor o cerco que mata os palestinos de Gaza.



Egipto: dois comentários

36 anos depois, o 25 de Abril chega ao Próximo Oriente, mas em força! Há muito a esperar, creio, sobretudo se a Argélia entrar na dança. MV
Estou solidário com a acção (de apoio à luta do povo egípcio). Parece-me que este vento revolucionário que varre o norte de África é um acontecimento bastante importante e que exige que se faça um colóquio em torno dele. ZM



Portucale & Companhia

Porque não são julgados os ex-ministros?

Carlos Completo

portucale.jpgAbel Pinheiro, ex-dirigente do CDS-PP e arguido no processo Portucale, falou aos jornalistas à saída da primeira sessão do julgamento do processo Portucale. Afirmou ter sido “apenas um mensageiro” de um pedido ao ex-ministro do Ambiente Nobre Guedes para assinar o despacho que permitia o abate de mais de dois mil sobreiros, em Benavente. Acrescentou, ainda, que essa função de mensageiro “era perfeitamente legítima” e que “estava a exercer funções públicas atribuídas pela comissão executiva do partido”, da qual fazia parte. Ler o resto do artigo »



“Hoje Battisti, amanhã tu”

É uma canção de apoio à não extradição de Cesare Battisti, da autoria de Manuela de Freitas e José Mário Branco, em que intervêm diversos cantores e músicos: Aldina Duarte, Amélia Muge, Camané, Duo Diana & Pedro, Duo Virgem Suta, Fernando Mota, João Gil, Jorge Moniz, Jorge Ribeiro, José Mário Branco, Luanda Cozetti, Norton Daiello, Paulo de Carvalho, Pedro Branco, Tim, José Peixoto e Paulo Curado. Pode ser vista e ouvida em http://passapalavra.info/?p=35123



AJA-Norte debate guerra colonial

No dia em que passam 50 anos sobre a revolta conduzida por patriotas angolanos do Movimento Popular de Libertação de Angola (em 4 de Fevereiro de 1961, em Luanda), com ataques a uma prisão, ao quartel da polícia e à Emissora Oficial de Angola – desencadeando-se, assim, a Guerra Colonial – a secção do Norte da Associação José Afonso inicia um ciclo de debates e análises sobre os factos e sobre uma época que marcaram a sociedade portuguesa. Contactos: ajanorte@gmail.com / Rua do Bonjardim 635, 1.º Trás, Porto.