Arquivo de Outubro 2010

Democracias e direitos humanos

Os crimes praticados pela coligação ocidental, particularmente pelos exércitos norte-americano e britânico no Iraque e no Afeganistão, embora em grande parte conhecidos do público, estão hoje bem mais às escâncaras com os documentos secretos recentemente divulgados pelo site Wikileaks e pelo jornal Guardian. Só não vê quem não quer ver. Os factos (torturas, assassinatos, etc.) deviam fazer corar de vergonha e gritar de indignação qualquer ser humano. Mas estes são sentimentos que os acérrimos defensores da superioridade moral das (suas) “democracias ocidentais” não têm. E, hipocritamente, continuam a dar a sua cobertura cúmplice aos nefandos crimes do imperialismo.



Prossegue o combate

Acesa luta de classes em França

Pedro Goulart

manifestation_jeunes_france.jpgNos meses de Setembro e Outubro, milhões de trabalhadores e estudantes têm participado em numerosas greves e manifestações nas ruas de França. Foram várias as jornadas de luta, algumas envolvendo mais de três milhões de pessoas. Em alguns casos, com confrontos entre os manifestantes e a polícia. E com mais de 2000 detidos desde o início da luta. Há muito que a França não via manifestações de tal dimensão.
Operários, funcionários públicos, professores, estudantes liceais e do ensino superior têm vindo a protestar contra a nova lei das reformas do governo de Sarkozy, que decidiu elevar de 60 para 62 anos a idade mínima de acesso à reforma e de 65 para 67 anos o direito a aceder a uma pensão completa. Trata-se de fazer face a um forte ataque do governo a direitos fundamentais dos trabalhadores. Ler o resto do artigo »



O lado explosivo da questão

Em jeito de saudação aos 33 mineiros chilenos

Manuel Raposo

mineros-chilenos.jpgTodos quiseram tirar proveito do drama dos mineiros chilenos. O presidente Piñera, com a fanfarra da “unidade nacional” (em torno dele, claro), forma de deixar na sombra a bandalheira permitida aos patrões da mina que foi o factor responsável pela situação. A agência espacial norte-americana, a NASA, porque forneceu a “tecnologia espacial”, ganhando com isso uma face de “utilidade pública”. O Papa, arvorando o “milagre” sem o qual o salvamento ficaria sem explicação, esquecendo por que motivo a acção divina não impediu a derrocada nem obrigou os patrões chilenos a cumprir regras de segurança. Ler o resto do artigo »



Solidariedade com militantes saharauis

A Amnistia Internacional apelou às autoridades marroquinas a que procedam à libertação imediata e sem condições de três militantes saharauis que estão presos há mais de um ano e começaram agora a ser julgados com outros quatro companheiros (estes em liberdade provisória), todos acusados de “atentado à segurança interna e à integridade nacional”. “É verdadeiramente inaceitável que as autoridades marroquinas inculpem estas sete pessoas por terem visitado livremente e sem segredos um acampamento de refugiados e se terem encontrado e reunido com membros da Frente Polisário”, declarou Malcolm Smart, da Amnistia Internacional.



António Barreto e os “direitos não compatíveis”

Pedro Goulart

antoniobarreto_web.jpgEm recentes declarações à Lusa, António Barreto fez um conjunto de afirmações que geraram bastante polémica, particularmente a nível da blogosfera.
“Vamos à Constituição e vemos que o cidadão português tem todos os direitos e mais alguns. Tem direito à saúde e educação de graça, à habitação”. “É necessário distinguir entre os direitos que devem ser absolutamente invioláveis – direito à privacidade, à integridade humana individual, direito à boa reputação, de voto, de expressão, de circulação – e os outros, que são interessantes, importantes, mas não são do mesmo nível de inviolabilidade como são os outros”. “Os direitos à saúde e educação de graça, assim como à habitação, não são compatíveis com o estado actual das finanças públicas”. Ler o resto do artigo »



NATO em debate

O novo conceito estratégico da NATO vai estar em debate numa conversa com Reiner Braun, organizada pela Plataforma Anti Guerra Anti Nato (Porto, 14 de Outubro, 21h30, Livraria Gato Vadio, Rua do Rosário, 281).
Em Novembro deste ano, a NATO realiza uma cimeira em Lisboa para definir a nova estratégia. Um grupo de “peritos” onde pontificava Madeleine Albright fez sair um texto de recomendações, no qual a palavra “desarmamento” não aparece. Reiner Braun, co-presidente do Comité de Coordenação Internacional da Coligação No to War No to Nato, vem ao Porto desmontar o significado das palavras de Madeleine Albright: “A Aliança deve ser versátil e flexível neste período de incertezas no século XXI”.



Palestina

Negociações só interessam aos EUA e a Israel

FPLP manifesta-se contra as negociações e pela reforma da OLP

FPLP/MV

palestina_mulheres.jpgA Frente Popular de Libertação da Palestina decidiu suspender a sua participação nas reuniões do comité executivo da OLP em protesto pela forma como foi decidido, pela direcção da Autoridade Palestiniana, retomar negociações com o governo de Israel, e em aberta discordância com o próprio processo negocial. A FPLP denuncia os condicionamentos impostos por israelitas e norte-americanos, dizendo que estas negociações servem os propósitos de uns e outros, mas não os interesses do povo palestino. Em vez disso, defende a FPLP, deve ser convocada uma conferência internacional no quadro da ONU que comece por obrigar Israel a cumprir as resoluções das Nações Unidas. Ler o resto do artigo »



Manifestação a 20 de Novembro

Contra a guerra e contra a NATO

Pedro Goulart

natolegalterror.jpgA organização político-militar NATO, que há quase nove anos leva a cabo a criminosa guerra no Afeganistão em parceria com os EUA, vai realizar este ano uma cimeira em Portugal, nos dias 19 e 20 de Novembro. Aqui será discutido e votado o novo conceito estratégico da aliança belicista. O país, especialmente Lisboa, vai estar vigiado e cercado por terra, mar e ar, por militares e polícias. E, apesar da “crise”, para estes gastos não falta dinheiro!
Um eventual silêncio ou inacção da nossa parte face aos actuais crimes desta organização militar imperialista podem ser comparados aos silêncios e às inacções cúmplices do passado, de que foram responsáveis muitos portugueses quando confrontados com os crimes do fascismo salazarista e das guerras coloniais. Ou será que todos aqueles que hoje apoiam ou votam nos partidos da guerra são inimputáveis?
Logo que foi conhecida a concretização desta cimeira de Lisboa, começaram a desenhar-se e desenvolver-se algumas iniciativas e movimentos contra tal realização. De entre as iniciativas previstas, é de salientar a manifestação do dia 20 de Novembro, em Lisboa, pelas 15h, do Marquês de Pombal aos Restauradores. Ler o resto do artigo »



Denúncia

As “alternativas” do Instituto do Emprego

Exército faz recrutamento em sessões do IEFP de presença obrigatória

Miguel Ferreira

tropa.jpgHá quem diga que a tropa é um emprego como outro qualquer e que, na situação actual, mais vale isso do que nada. Mas as coisas não são tão simples. Basta ver que o orçamento da Defesa para este ano aumentou quando os apoios sociais baixaram drasticamente; que o governo não teve dúvidas em gastar mil milhões de euros em submarinos; que há dias foram dados às forças armadas perto de 50 milhões para aumentos de vencimentos; que foram desbloqueadas as promoções nas polícias; e que os militares em missões no Iraque ou no Afeganistão são pagos a peso de ouro. Isto mostra como as despesas militares se fazem à custa das condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres.
Por isso é importante a denúncia, feita na primeira pessoa, que aqui publicamos. Ler o resto do artigo »



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Extorsão financeira

Apesar da “crise”, os bancos a operar em Portugal continuam a fazer bons negócios. Vejamos apenas um deles. Há uma regra que impede que o Banco Central Europeu (BCE) empreste dinheiro directamente aos Estados. Assim, e enquanto os investidores estrangeiros se afastam de Portugal, a banca financia-se junto do BCE a taxas de juro de 1% e empresta depois ao Estado (investindo em dívida pública), assim como às empresas e famílias, a taxas bastante mais altas. Só ao Estado português já emprestou mais de 10 mil milhões de euros a taxas que variam entre os 4 e os 6%, arrecadando no negócio cerca 500 milhões de euros.



Iraque, Afeganistão, NATO

Manuel Raposo

iraquecrianca.jpgA recente retirada do grosso das tropas norte-americanas do Iraque deve ser vista por dois lados: a situação do Iraque e a situação no Afeganistão. De facto as duas guerras estão estreitamente relacionadas, tanto por serem ambas made in USA, como pelo facto (é bom não esquecer) de Obama ter feito do Afeganistão a sua “guerra justa”.

A questão do Iraque não fica resolvida com esta retirada. Desde logo, porque continuam no território 50 mil tropas, com funções de garantir a permanência do governo fantoche e servir de força de recurso se as coisas descambarem. Depois, porque o rasto de destruição e de crimes cometidos nos mais de sete anos de guerra não se apaga – e as indemnizações que são devidas pelos EUA não podem passar à história. Depois ainda, porque o Iraque não voltou a ser um país independente e soberano. E finalmente porque, enquanto os EUA teimarem em excluir as forças da Resistência Iraquiana de uma solução política, o país não terá sossego. Ler o resto do artigo »