As “alternativas” do Instituto do Emprego

Miguel Ferreira — 6 Outubro 2010

tropa.jpgHá quem diga que a tropa é um emprego como outro qualquer e que, na situação actual, mais vale isso do que nada. Mas as coisas não são tão simples. Basta ver que o orçamento da Defesa para este ano aumentou quando os apoios sociais baixaram drasticamente; que o governo não teve dúvidas em gastar mil milhões de euros em submarinos; que há dias foram dados às forças armadas perto de 50 milhões para aumentos de vencimentos; que foram desbloqueadas as promoções nas polícias; e que os militares em missões no Iraque ou no Afeganistão são pagos a peso de ouro. Isto mostra como as despesas militares se fazem à custa das condições de vida dos trabalhadores e dos mais pobres.
Por isso é importante a denúncia, feita na primeira pessoa, que aqui publicamos.

“Fui convocado por carta, a estar presente numa sessão de esclarecimento promovida pelo IEFP (Instituto do Emprego e Formação Profissional) de Barcelos, que teve lugar hoje [28 de Setembro] pelas 11 horas no auditório do Círculo Católico de Operários de Barcelos.

Esta conferência/sessão de esclarecimento, dirigida a desempregados e dedicada ao tema “Alternativas de Empregabilidade”, era de presença obrigatória, sob pena de se ser excluído da base de dados do plano pessoal de procura de emprego do IEFP, e interdito de fazer nova inscrição no centro de emprego num período de 60 dias após o dia da referida sessão.

Qual não é o meu espanto, quando chego à dita sessão e encontro três militares e um enorme placard onde se lia “RECRUTAMENTO PARA O EXÉRCITO”!
Pelos vistos estão a efectuar várias sessões deste género e esta em particular era exclusivamente dirigida a licenciados.

Para além do “despesismo” que é o investimento no Ministério Defesa e nos extravagantes submarinos, da estupidez que é termos um exército ao serviço da NATO, parece-me que esta é uma medida de desespero para encobrir os números do desemprego (tanto através da exclusão de inscritos, como pelo “aliciamento” para se juntarem ao Exército).
Nos EUA fazem coisas do género: recrutamento militar em zonas pobres e/ou de grande percentagem de desemprego…”


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