Arquivo de Dezembro 2009

Caminha: mais 174 no desemprego

A têxtil Regency, empresa multinacional há duas décadas instalada em Caminha e a maior empregadora do concelho, produzia e exportava fatos de homem. Decidiu, recentemente, pedir a insolvência e terminar a produção já no dia 31 de Dezembro. Com esta decisão, são mais 174 trabalhadores (na sua maioria mulheres) muito provavelmente atirados para o desemprego. A administração da fábrica alega a concorrência da Ásia e do Leste, a falta de encomendas e as dificuldades económico-financeiras. As justificações do costume.



Nada a comemorar

Muro de Berlim acabou há 20 anos

Manuel Raposo

muroberlim_web.jpgComo Afonso Gonçalves assinala no artigo Berlim em 2009 (publicado em baixo), foi triste a festa com que a burguesia de todo o mundo pretendeu comemorar os vinte anos do derrube do muro. Retomo o tema reforçando a ideia de que a crise do capitalismo esvaziou a festa de qualquer sentido; e dizendo que, em toda esta história, o muro foi uma mera medida defensiva de um regime decadente, sujeito a uma ofensiva sistemática das potências capitalistas. Ler o resto do artigo »



Berlim em 2009

Afonso Gonçalves

muroberlim2_web.jpgFoi com festejos e alguma pompa que a burguesia de todo o mundo ocidental, acompanhada pela Rússia e restantes países da ex-URSS, comemoraram os vinte anos do derrube do Muro de Berlim. Em contrapartida os saudosistas da URSS viram nisso um lamentável acto de propaganda do imperialismo.
A festa, no seu balanço final, foi triste e um retumbante fiasco porque, entretanto, decorreram vinte anos cujas expectativas de melhores condições de vida trazidas pela conquista da democracia se transformaram numa enorme desilusão para os cidadãos dos países do leste europeu. Ler o resto do artigo »



EDP saca mais dinheiro

Segundo o Eurostat, o preço médio da electricidade na União Europeia (a 27 países) é 2,2% inferior ao preço praticado em Portugal. Entretanto, a EDP, só nos primeiros 9 meses de 2009, já embolsou 800 milhões de euros de lucros líquidos! E, como sabemos que o poder de compra dos portugueses é bastante inferior ao da média comunitária, mais uma boa razão para protestarmos, agora que esta empresa se prepara para aumentar ainda mais o preço da electricidade (na ordem dos 2,9%), logo no início de 2010.



Cofaco e Corretora despedem 200 nos Açores

A Cofaco, empresa de conservas de atum, com sede em Ponta Delgada e fábricas em São Miguel, Pico e Faial, enviou agora mais de 100 trabalhadoras para o desemprego. A Corretora, outra empresa de conservas, também despediu várias dezenas de operárias. São as mulheres que aceitam estes trabalhos, geralmente com salários mínimos. Com contratos de seis meses e um ano, são habitualmente despedidas ao fim de três anos de serviço, para não integrarem os quadros da empresa. Por outro lado, há dados que indicam que a Cofaco terá recebido cerca de um milhão de euros de apoio do Governo, para manter os postos de trabalho. O que diz e faz agora o Governo?



Campanha contra a Guerra e contra a NATO

Pedro Goulart

nato_big_web.jpgNos dias 11 e 12 de Dezembro realizou-se em Lisboa, no Ateneu Libertário, um encontro do Comité Internacional de Coordenação (ICC) da campanha contra a Guerra e contra a NATO – No to War, no to NATO. Tratou-se de um encontro de particular importância, pois esta agressiva aliança militar imperialista pretende realizar a sua cimeira em Portugal, nos finais de 2010. Esta data representará, inevitavelmente, um momento alto de mobilização internacional contra a aliança militar reaccionária. Ler o resto do artigo »



EPAL faz contrato com firma israelita especializada no roubo da água palestiniana

Entrevista com Ziyaad Lunat

Manuel Raposo

ziyaad1.jpgEm princípio de Novembro, soube-se que a EPAL firmou um contrato com uma empresa israelita, a Mekorot. Entre a matéria do contrato destaca-se a prestação de serviços por parte da Mekorot no respeitante a “questões de segurança da água”. A empresa israelita é, na verdade, especialista no roubo de água dos territórios palestinianos e árabes da região e, por esta via, é, desde 1937, uma arma privilegiada da colonização que o estado sionista ali exerce. Que o assunto é melindroso, prova-o o despedimento pela EPAL, em tempo recorde, de uma estagiária que – tendo visitado recentemente a Palestina – resolveu dar a conhecer aos colegas de serviço o que é a política de gestão da água feita pelos israelitas. Ler o resto do artigo »



Mais 30 mil

Manuel Baptista

obamaafghanistan_web.jpgPerante um eleitorado democrata que pensa, por dois terços, que a guerra não merece a pena ser combatida, Obama envia o segundo reforço de tropas para o Afeganistão, menos de um ano após tomar posse, isto apesar da situação do emprego e do défice catastrófico.
Não se trata de «mau aconselhamento técnico» do seu gabinete. Trata-se sim de uma clara fuga para a frente, sem outro fim que não seja evitar um colapso completo e uma retirada sem glória. Ler o resto do artigo »



Louco?

O italiano Massimo Tartaglia agrediu Silvio Berlusconi na cara com uma miniatura da catedral de Milão, cortando-lhe um lábio e partindo-lhe alguns dentes. Os jornais e a televisão arrumam o caso dizendo que Massimo é louco. Mas resta saber a ligação do acto com as constantes malfeitorias de Berlusconi (repressão de trabalhadores, perseguição a imigrantes, atentados às liberdades) ou com o desespero gerado pela frouxa e “civilizada” oposição institucional em Itália. Louco ou não, Tartaglia fez o que muitos italianos (e outros pelo mundo fora) gostariam de fazer. Pelo menos, teve o mérito de quebrar a imagem de impunidade e de intocabilidade que o mafioso até agora ostentava.



Solidariedade com Aminetu Haidar

Manuel Raposo

aminetuhaidar_72.jpgAminetu Haidar, uma mulher sarauí impedida pelas autoridades marroquinas de entrar no seu país, está desde 15 de Novembro em greve de fome no aeroporto de Lanzarote, Espanha, para onde foi recambiada depois de detida, interrogada e privada do passaporte. O seu protesto é contra a arbitrariedade a que foi sujeita mas também contra a ocupação do Sara Ocidental por Marrocos e pela Mauritânia desde 1975. Ler o resto do artigo »



Editorial

Vale tudo

Dois temas marcam a actualidade: a onda contínua de despedimentos e de encerramento de empresas, sem que os poderes do Estado esbocem qualquer intervenção para a travar; e a revelação sucessiva, quase diária, de actos de corrupção mostrando a ligação familiar entre poder político e negócios.

A falta de qualquer intervenção séria do Estado para travar os despedimentos, ao mesmo tempo que presta generosa ajuda, com os dinheiros públicos, às empresas arruinadas por colapso dos negócios ou por simples fraude, tem o condão de mostrar a real face do Estado. A crise acentua a dependência do capital face ao Estado e exige dele mais intervenção; cada vez mais o Estado tem de ter papel activo na manutenção e na reprodução do sistema capitalista. Progressivamente, torna-se claro que o Estado é um instrumento das classes proprietárias para manter na linha os assalariados e lhes extorquir tudo o que puder. Ler o resto do artigo »



O que Obama não disse: há apenas 100 combatentes da Al Caida no Afeganistão

ABCNews/Manuel Raposo

karzai_72.jpgBarack Obama decidiu enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão, a um custo de 30 mil milhões de dólares por ano, justificando a medida com o que chamou o “cancro” da Al Caida. De acordo com um artigo publicado em 2 de Dezembro pela ABCNews, Obama omitiu um facto importante: os serviços secretos norte-americanos reconhecem que há apenas cerca de 100 membros da Al Caida no país inteiro. Ler o resto do artigo »



80 anos do Zeca

Prosseguindo as homenagens a Zeca Afonso, grande músico e destacado resistente anticapitalista, são levadas a cabo mais duas iniciativas, uma no Porto e outra em Lisboa, ainda em Dezembro. Hoje, dia 11, pelas 21h30m, no Centro Cultural e Desportivo dos Trabalhadores da Câmara Municipal do Porto, na rua Alves Redol, promovida pela AJA Norte, com várias intervenções e entrada livre. No dia 18, pelas 20h, na Colectividade Adicense, em Alfama, realiza-se um jantar/tertúlia, promovido pela Associação Abril.



O boicote a Israel tomou balanço há um ano e cresce rapidamente

Três perguntas a Robert Bibeau

Manuel Vaz

bibeau_web.jpgRobert Bibeau, funcionário aposentado do Ministério da Educação do Quebeque, é um especialista em questões de educação e projectos educativos através da rede Internet. Dirige, desde Abril 2009, o grupo Samidoun (Resistência) que no Quebeque tem vindo a apoiar o movimento de boicote contra Israel, denominado BDS. Com efeito, em 2005, 170 organizações da sociedade civil palestiniana decidiram lançar um apelo mundial de boicote, que designaram BDS (Boicote, Desinvestimento, Sanções). Em véspera do dia 27 Dezembro 2009, data do primeiro aniversário do massacre de Gaza que fez 1 300 mortos e mais de 5 mil feridos numa vintena de dias, procuramos, com Robert Bibeau e em 3 perguntas, delinear os objectivos do movimento de boicote e estabelecer um primeiro balanço geral. Ler o resto do artigo »



Grécia rebelde

Assinalando o primeiro aniversário do assassinato do jovem Alexandros Grigoropoulos pela polícia, milhares de estudantes, professores e outros trabalhadores vieram para as ruas de Atenas e de outras cidades gregas manifestar-se (como há um ano) contra a repressão e as más condições sociais vividas neste país, nomeadamente o desemprego. Dos confrontos violentos entre manifestantes e polícias já resultaram numerosos feridos de um e outro lado e quase mil manifestantes presos. Solidariedade com a luta (que continua) dos trabalhadores e estudantes gregos.



Segurança interna

No debate promovido, em 2 de Dezembro, pela revista “Segurança e Defesa”, o Chefe de Estado-Maior do Exército, Pinto Ramalho, manifestou-se contra a “ambiguidade constitucional” que impede as Forças Armadas de qualquer intervenção no domínio da segurança interna. Compreende-se que, no actual contexto de crise económica e social (e de eventual contestação forte das classes oprimidas e exploradas), surja nas mentes da burguesia dominante a ideia de reforçar a repressão, mesmo recorrendo às Forças Armadas. Isso corresponde à defesa dos seus interesses de classe. Cabe-nos, a nós, combater tais propósitos.



A escravatura não acabou

Francisco Colaço Pedro

escravatura.jpgA “crise” mundial está a fazer crescer o apetite pelo trabalho escravo: a cada dia que passa, milhares de pessoas são vendidas e forçadas a trabalhar ou a prostituir-se. O tráfico de seres humanos, escravatura dos tempos modernos, está a aumentar por todo o Mundo. A maior parte das histórias não são tão espectaculares – e não têm final feliz. Ler o resto do artigo »



Leoni despede e encerra

A Leoni, fábrica de cablagens para indústria automóvel, em Viana do Castelo, vai encerrar em Dezembro de 2010. Os 600 trabalhadores remanescentes na empresa irão saindo ao longo do próximo ano. Justificação da administração: “a quebra total”de encomendas do único cliente – o grupo PSA (Peugeot-Citroen), que terá encontrado trabalhadores mais baratos noutras paragens. Os trabalhadores já esperavam este desfecho, pois têm sido confrontados nos últimos tempos com a aplicação de lay-off e com um despedimento colectivo de 120 operários. As deslocalizações e as reestruturações empresariais, continuam a fazer o seu caminho.



Dubai: o capitalismo em sobressalto

Pedro Goulart

dubaitowers.jpgBastou que o grupo Dubai World, sob controlo do governo do Dubai, pusesse em causa a amortização atempada das suas emissões obrigacionistas (no valor de 40 mil milhões de euros), para que as praças financeiras mundiais entrassem em depressão. Os estragos causados pela recente “crise financeira” mundial estão ainda bem presentes e os investidores permanecem nervosos.

O Emirado do Dubai é um dos sete que constituem os Emirados Árabes Unidos, cuja federação mantém relações fortes com os países capitalistas ocidentais, particularmente com o Reino Unido e os EUA. Ler o resto do artigo »



PS e PSD recusam reforma

Estes partidos uniram-se na Assembleia da República contra as propostas do BE e do PCP relativas ao direito à reforma completa, para todos aqueles que tivessem trabalhado e descontado durante 40 anos. E fizeram-no a pretexto da “crise” e de que tal iria conduzir à “ruptura da Segurança Social”. Para quem tem os ordenados, as pensões e as regalias que têm os deputados portugueses, é preciso grande falta de vergonha quando se recusa um direito tão elementar aos trabalhadores. Mas a coisa tem lógica: é deste modo que tais senhores mantêm as diferenças de classe, asseguram os seus privilégios e arranjam dinheiro para gastar em casos como o do BPN ou em missões guerreiras como a do Afeganistão.