Arquivo de Junho 2008

Teviz, Textil de Vizela

Quase 300 trabalhadores em risco de desemprego

Pedro Goulart

teviz72dpi.jpgMais uma fábrica falida a juntar à já longa lista de empresas que nos últimos tempos têm passado por idêntica situação. E é o emprego de 270 trabalhadores que está em causa.
Este é mais um caso de uma administração ruinosa (ou os empresários terão outros planos?) pois, apesar de a empresa estar a trabalhar em pleno, com os trabalhadores a fazer horas extraordinárias e de haver encomendas ainda para vários meses, chegou-se a esta situação. E os trabalhadores têm estado a receber os salários “a prestações”, tendo várias vezes, no decurso dos últimos meses, recorrido à greve em defesa dos seus direitos. Ler o resto do artigo »



Astúcias do dispositivo mediático

Algumas técnicas de fabricação de noticiários

Pedro Sanches Duarte

O indivíduo contemporâneo encontra no dispositivo mediático um sistema de referências orientador da sua prática quotidiana, sendo precisamente aí que germinam as suas representações do mundo. Apesar desse dispositivo lhe revelar uma microscópica parcela do mundo em que vive – na medida em que os médias têm por missão dissimular o que não convém mostrar do real: as hierarquias, a miséria, a desumanidade –, o espectador julga sempre aceder à totalidade desse mundo. Por outro lado, a informação a que tem acesso inibe-o de confrontar o modelo de sociedade em curso. Ler o resto do artigo »



Comida é o que não falta. Dossiê sobre a crise alimentar (II)

100 milhões à morte

Manuel Raposo

africa3_72dpi.jpgEm poucos meses a subida dos preços dos bens alimentares colocou milhões de pessoas em todo o mundo na condição de famintos. Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) 100 milhões de pessoas podem morrer sobretudo na América Latina, em África e na Ásia.
Os preços de bens alimentares vêm a subir desde 2000 mas desde 2006 foi a escalada, coincidindo com o início da crise do crédito imobiliário nos EUA. O arroz mais que triplicou; o trigo, o milho e a soja mais que duplicaram.
As consequências são incomparavelmente mais graves para os pobres. Enquanto as populações mais ricas gastam de 10 a 30% dos seus rendimentos na alimentação, os pobres gastam de 60 a 90%. A carestia é catastrófica para os quase 3 mil milhões de pessoas (perto de metade da população mundial) que subsiste com menos de 1,50 € por dia. Ler o resto do artigo »



Comida é o que não falta. Dossiê sobre a crise alimentar (I)

Falta de alimentos ou falta de dinheiro para os comprar?

João Bernardo

fome3_72dpi.jpgEm termos globais, não há hoje no mundo escassez de alimentos. A primeira grande revolução económica do capitalismo operou-se na agricultura e não na indústria. Há seis séculos atrás, na zona mais densamente urbanizada da Europa só cerca de 5% da população vivia nas cidades e os restantes 95% viviam nos campos. Isto significa que eram necessários 95% da população para prover à subsistência da totalidade da população. O capitalismo inverteu esta proporção. Hoje, nos países mais desenvolvidos bastam menos de 5% da população para produzir alimentos que não só chegam para satisfazer todos os habitantes destes países mas que ainda são exportados em enormes quantidades. Nos primeiros tempos do capitalismo, foi este colossal crescimento da produtividade agrícola que libertou força de trabalho para a indústria e para os serviços. Depois estes ramos de actividade começaram a acelerar-se uns aos outros e os progressos das indústrias mecânica e química permitiram melhorar ainda a produtividade agrícola. Ler o resto do artigo »



Greve feita por mulheres, na Chapelaria, em 76

“Trabalho igual, salário igual”

Liliana Guimarães / Jornal LABOR

chapeleiras72dpi.jpgNo terceiro aniversário do museu [o Museu da Chapelaria, em S. João da Madeira] celebram-se também os 32 anos de uma greve muito especial. “Trabalho igual, salário igual” foi o mote que levou as mulheres a fecharem a Empresa Industrial de Chapelaria durante dois dias.
A história foi contada ao LABOR por Deolinda Silva, 54 anos, antiga chapeleira. Tinha 22 anos quando, grávida de oito meses, liderou a revolta das mulheres mais jovens da fábrica. A Pequena, como era conhecida na altura, por empregados e patrões conta a história das mulheres que queriam ganhar tanto como os homens. Ler o resto do artigo »



Zimbabwe

As falsas escolhas do costume

José Mário Branco

zimbabwe72dpireduz.jpgO circo internacional, ONU incluída, em torno das eleições presidenciais no Zimbabwe é mais um momento esclarecedor da hipocrisia e do desplante das grandes potências, dos dois pesos-duas medidas que sistematicamente aplica na política internacional conforme os seus interesses de domínio. Ler o resto do artigo »



Suicídios no Japão

O Japão é um dos países do mundo com mais altas taxas de suicídio. Só em 2007, puseram termo à vida mais de 30 mil pessoas. E foi, sobretudo, entre as pessoas com mais de 60 anos de idade que cresceu a onda de suicídios, tendo atingido apenas num ano cerca de 12 mil indivíduos. Isto acontece porque actualmente é enorme a incerteza quanto às reformas, o custo dos seguros de saúde está a aumentar e o apoio familiar a diminuir. O capitalismo explorou impiedosamente estas pessoas enquanto as considerou úteis para o trabalho e, agora, procura descartar-se delas, gerando depressões que, segundo investigações recentes, constituem a principal causa dos suicídios entre idosos.



Editorial

União a golpe

O Tratado Constitucional europeu é um passo na unificação política do capitalismo do Velho Continente. Três pontos são chave: criar o cargo de presidente da União; designar um ministro dos Negócios Estrangeiros; e revogar as regras de decisão a favor dos centros capitalistas mais poderosos.
A Europa dos patrões precisa desta couraça institucional para enfrentar os seus competidores mundiais; e para disciplinar as centenas de milhões de trabalhadores que o esbater de fronteiras vai colocando lado a lado. Ler o resto do artigo »



Plenário do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa

Trabalhadores exigem melhoria das condições de trabalho

Manuel Monteiro

plenariostml72dpi.jpgRealizou-se hoje, dia 25, um plenário do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa. A reunião decorreu em plena Praça do Município e teve a presença de um número significativo de trabalhadores, na sua maioria ligados ao sector da limpeza.
A finalidade do plenário era discutir os antigos problemas de segurança, higiene, e saúde com que os trabalhadores se debatem, assim como a falta de material para executar as tarefas de limpeza e recolha do lixo: luvas, botas e fatos.
Foram aprovadas duas moções. A primeira exigindo às chefias que resolvam os problemas acima referidos. A segunda apelando aos trabalhadores para que participem na jornada de luta convocada pela CGTP para o próximo dia 28. Ler o resto do artigo »



Apertar o cinto…de boa marca

No artigo “Crise é um acessório que não se usa aqui” de Mariana Correia de Barros, publicado no Diário de Notícias, lê-se: “Mesmo caro, muito caro, na hora de comprar um produto de marca famoso, a emoção vence sempre a razão. O mercado do luxo, ao contrário de outros, está a viver dias de crescimento. Comprar uns sapatos que ultrapassam, por exemplo, a barreira dos mil euros é comprar uma emoção”. E se os 600 mil desempregados, os 2 milhões de pobres que não têm dinheiro que chegue para o pão e para o leite, e a quem é pedido um “esforço nacional para suportar a crise”, um dia destes deixarem que “a emoção vença a razão” e começarem a assaltar os supermercados?



Suíça

O capital que nos espreita

Néstle contratou Securitas para espiar actividades da ATTAC

António Louçã

nestlemonster.jpgEra um punhado de jovens, activistas da associação ATTAC em Lausanne, que tinha decidido investigar as actividades de uma das grandes multinacionais suíças: a Nestlé. O tema não era inocente, porque não se tratava de ver como eram feitas papinhas para criar bebés sorridentes, rosados e gordinhos. Da investigação não iria resultar um cliché de publicidade sobre a empresa que mata a fome às crianças do mundo.
Pelo contrário: tudo levava a crer que a Nestlé ficaria mal na fotografia, que a sua voracidade pelos lucros poderia ser relacionada com a destruição de recursos naturais, com a perseguição de sindicalistas latino-americanos, e em especial com a política de privatização da água. Ler o resto do artigo »



Resposta à Directiva de Retorno

Vários governos da América Latina (Equador, Paraguai, Uruguai, Bolívia, Argentina, Brasil) estão a insurgir-se contra a Directiva de Retorno. Hugo Chávez ameaçou expulsar da Venezuela as empresas dos países que a aplicarem. Qualificou como «ofensiva» a iniciativa e advertiu que o petróleo venezuelano «não irá» para países que apliquem a directiva da União Europeia.



A directiva da vergonha

União Europeia aprovou medidas para expulsão de imigrantes indocumentados. Detenções podem durar ano e meio

M. Gouveia

imigrantes72dpi.jpgDepois de ter sido aprovada por unanimidade pelos ministros dos Assuntos Internos europeus, foi agora aprovada pelo Parlamento Europeu a chamada Directiva do Retorno, que pretende harmonizar, a nível comunitário, as regras para o repatriamento de imigrantes ilegais. Com 369 votos a favor, entre os quais 34 “socialistas”, um deles português (Sérgio Sousa Pinto). Das 109 abstenções, 49 também foram de “socialistas”.
Basta um olhar por alguns artigos para ficarem claros a hipocrisia e o cinismo desta directiva e a razão por que é chamada a “directiva da vergonha”. Ler o resto do artigo »



Paralisações na TAP

O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) anunciou paralisações diárias de uma hora a realizar de 7 a 13 e de 21 a 27 de Julho próximo. A decisão foi tomada no decorrer de uma paralisação efectuada pelos trabalhadores de terra da TAP em 18 de Junho e prende-se com a recusa da administração da empresa em actualizar os salários este ano, a pretexto de que a companhia atravessa uma crise e de que o governo impôs como meta lucros de 64 milhões de euros para 2008. Também para Julho está prevista uma greve dos trabalhadores de handling, visto que o pessoal da Groundforce, empresa detida em cerca de 50% pela TAP, está em protesto contra o não cumprimento do acordo de empresa por parte da administração.



Quem somos nós para contrariar?

“Não estamos em democracia em nenhum país. Nem sequer é um ideal porque todos os objectivos estão voltados para o mercado, que é o único valor. Precipitámo-nos para actividades económicas que nos encaminham para becos sem saída.” (Vitorino Magalhães Godinho, historiador, Jornal de Letras 18/06/08)



Argumento falso

Nos ataques do patronato e dos seus governantes ao papel social do Estado, estamos sempre a ouvir falar do “excessivo peso” dos funcionários públicos na economia. Esse argumento cai por terra se compararmos o caso português com o de outros países capitalistas mais desenvolvidos. Veja-se, para 10 países da Europa, a percentagem de funcionários públicos em relação ao emprego total:
- Suécia: 31,5%
- França: 28,9%
- Finlândia: 22,9%
- Reino Unido: 20,4%
- Irlanda: 17,9%
- Suíça: 15,4%
- Itália: 14,1%
- PORTUGAL: 13,4%
- Alemanha: 12,9%
- Espanha: 11,9%
A percentagem para Portugal foi feita com base em 700 mil trabalhadores da Administração Pública, polícias e forças armadas incluídas.
Fonte: Estudo comparado do regime de emprego dos países europeus, DGAEP.



A democracia deles

Com a vitória do Não na Irlanda, os defensores do Tratado de Lisboa, políticos e jornalistas de serviço, mostraram mais uma vez o seu conceito de democracia e aquilo de que são capazes para atingir os seus objectivos de classe. O Público de 15 de Junho assume-se inteiramente como porta-voz desta gente ao afirmar que “a Irlanda vai ter de decidir rapidamente se quer sair da União Europeia (…) ou se prefere voltar a submeter o texto aos eleitores mediante certos ajustamentos”. Esta é a posição expressa por dirigentes burgueses europeus como Sarkosy, Angela Merkel, Durão Barroso ou Cavaco Silva. Não passa pela cabeça da direcção do Público entender a legitimidade dos irlandeses dizerem Não.



Flexi-exploração

Os ministros europeus do Trabalho aprovaram em 10 de Maio o aumento da semana de trabalho de 48 para até 65 horas, “se assim o entenderem o funcionário e a empresa”. Cinicamente, acham os ministros que o trabalhador e o seu patrão estão em posição de igualdade nessa “negociação”! Na prática, o vale-tudo nos horários de trabalho já está instalado, trata-se agora de o legalizar. É um gigantesco passo atrás, se lembrarmos que o 1.º de Maio foi instituído, precisamente, para lembrar a luta dos trabalhadores pelas oito horas de trabalho diário. Em Portugal vigora o regime das 40 horas, mas a lei permite alargá-lo até às 65 horas. O novo regime terá agora de ser votado pelo Parlamento Europeu.



O “percalço referendário”

Abençoada Irlanda!

Ou: Se os povos tivessem voz…

José Mário Branco

irlandanao_72dpi.jpgAntónio Esteves Martins, em reportagem na RTP, exprimiu, como é seu papel, o ponto de vista das classes dominantes europeias. Sabemos que o “não” irlandês ao tratado europeu é o resultado dos votos conjugados da direita nacionalista e da esquerda independente contra uma versão maquilhada da “constituição” europeia chumbada há 3 anos na França e na Holanda. Mas Esteves Martins diz tratar-se de um mero “percalço referendário” que urge ultrapassar “com inteligência, habilidade e determinação”. Ler o resto do artigo »



Falir está a dar

A empresa cerâmica Secla, das Caldas da Rainha, vai encerrar no final do mês despedindo 260 trabalhadores. Os patrões declaram sem rebuço que só pagarão metade do que é devido – meio salário por cada ano de serviço. E dão o facto como consumado dispondo-se a não cumprir a lei com o argumento de que a empresa “não tem condições”. A Secla, que pertence aos proprietários da Cerâmica Valadares, tinha três fábricas e empregava mil trabalhadores. Duas foram vendidas à banca por 11 milhões de euros já este ano para, diziam, “evitar a falência”. Os terrenos e edifícios estão implantados numa zona de expansão da cidade, envolvidos por empreendimentos imobiliários. Mais uma falência rendosa.



Patriota polaco

Perante o penálti que permitiu à Áustria empatar com a Polónia no último minuto do jogo, o primeiro-ministro da Polónia confessou publicamente que teve vontade de matar o árbitro. “Como primeiro-ministro tenho de ser ponderado e moderado mas ontem à noite eu queria matar”. Donald Tusk, homem da direita pura e dura a quem chamam o “Donald Rumsfeld polaco”, incondicional aliado de Bush, veio assim dar novo interesse, agora bélico, ao omnipresente Campeonato Europeu de Futebol. Com uma caução destas, o árbitro inglês não pára de receber ameaças de morte, mesmo sabendo-se, pelas imagens, que o penálti foi indiscutível. Estará Tusk a pensar nalguma guerra preventiva contra a Áustria, a Inglaterra ou mesmo a Suíça?



Carne para canhão

Às 2 horas da noite de 12 de Junho, foi anunciado com grande destaque o fim da paralisação das pequenas empresas de camionagem. A SIC-Notícias emitiu uma longa entrevista do ministro Mário Lino onde este repetiu os argumentos do governo. Um dirigente da Comissão de paralisação justificou o fim do movimento com “a boa vontade do governo” e a intenção de provar que “somos pessoas civilizadas, e não bandidos que estão a bloquear o país”. Mas os transportadores de terra e inertes discordam e, em muitos piquetes, está a haver forte resistência à desmobilização. Num deles, um motorista assalariado dizia à reportagem TV: “Isto afinal é só para os patrões. Nós somos apenas carne para canhão”.



«O ministro não sabe pescar»

Pequenos armadores de Quarteira em luta

M. Costa / F. Cabral

Fomos a Quarteira, em pleno lockout dos armadores (a que a comunicação social chamou «greve dos pescadores»). Pescadores, empregados e patrões, juntavam-se indistintamente no largo entre a lota e a Praça do Peixe, de atalaia, com o objectivo de impedir que aí fosse descarregado peixe encomendado pelos comerciantes para tentarem boicotar a sua luta. Pedimos para falar com pescadores: das duas primeiras vezes, dirigiram-se a nós pequenos armadores. Para conseguirmos entrevistar um pescador operário, tivemos que explicitar que gostaríamos de falar com pescadores «que só fossem empregados». Ler o resto do artigo »



O defensor da ordem

Perante as perturbações causadas pelos protestos dos camionistas e dos pescadores (falta de combustíveis, supermercados sem abastecimentos, etc.), António José Teixeira, novo director de política da SIC, fala de grave ameaça à “autoridade do Estado”, de “violação do Estado de direito” e, num tom severo que lhe era pouco habitual, critica a inexistência de “serviços mínimos” e invectiva a inércia do governo, do presidente da República e do Ministério Público. Nos telejornais seguintes, a tecla foi repetidamente batida – claramente com o propósito de criar ambiente para uma acção repressiva.



O que está em jogo no protesto dos pescadores e dos camionistas?

camionistas3_72dpi.jpgNa luta dos pescadores e agora dos camionistas misturam-se interesses distintos de patrões, de trabalhadores por conta própria e de assalariados. De resto, os termos gerais usados pela comunicação social para designar os intervenientes – “pescadores” e “camionistas” – mascara as diferenças sociais presentes no protesto. E o termo “greve” mascara também o facto de se tratar sim de um lockout dos patrões da pesca e dos transportes rodoviários com o apoio dos trabalhadores propriamente ditos. Ler o resto do artigo »



Praça Skoda-in-Lisbon

Repete-se a cena do Rock in Rio. Vereadores do PS e do BE da Câmara de Lisboa cedem espaço público a privados

pracadasflores_72dpi.jpgA primeira denúncia sobre o que a seguir se comenta chegou-nos de José Neves (“eleitor e apoiante do Sá Fernandes”) e resume-se assim:
A Câmara Municipal de Lisboa e os seus vereadores Marco Perestrello (vice-presidente, PS) e José Sá Fernandes (Bloco de Esquerda) acharam por bem alugar a Praça das Flores, em Lisboa, a uma marca de automóveis. Durante 17 dias de Junho, no âmbito do seu Convénio Mundial de Vendedores 2008, a Skoda realiza várias festas nocturnas (só para convidados) de lançamento internacional de um novo modelo automóvel, ocupando ininterruptamente o local. Transeuntes, moradores, turistas não têm acesso à praça entre as 17h e a 01h, enquanto decorre a festa privada da Skoda. Ler o resto do artigo »



Banditismo no mar alto

As novas prisões secretas dos EUA

Guardian / VoltaireNet / MV

guantanamo1.jpgOs Estados Unidos da América preparam-se afanosamente para esvaziar a prisão de Guantánamo com vistas ao seu próximo encerramento. Nesse sentido, o Pentágono e a CIA já organizaram um vasto sistema de centros de tortura e de prisões secretas, em condições ainda piores.
Este facto é revelado pela associação de juristas britânicos Reprieve, a mesma a quem se deve a recente denúncia pormenorizada acerca dos voos secretos da CIA. Ler o resto do artigo »



As antenas da democracia (4)

Da repressão individualizada à vigilância de massas

João Bernardo

vigilancia_72dpi.jpgEm edições anteriores do Mudar de Vida (*) divulguei as informações mais significativas de um artigo sobre vigilância electrónica publicado em The Economist de 29 de Setembro de 2007. Concluo agora com alguns comentários.

Um dos aspectos que distingue a espionagem levada a cabo pelas velhas ditaduras da colossal operação de recolha de informações prosseguida pelas actuais democracias é a aceitação popular. Ler o resto do artigo »



A repressão policial no 25 de Abril do ano passado

Ministério Público iliba polícia de choque acusado de violência excessiva

Com argumentos dignos do tempo da PIDE

JN / MV

porrada25deabril2_72dpi.jpgSegundo noticiou o Jornal de Notícias de 2 de Junho, o Ministério Público (a acusação por parte do Estado) resolveu ilibar um agente da polícia de choque (Corpo de Intervenção) da PSP que estava acusado pela própria Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) de “ter usado violência excessiva contra manifestantes no dia 25 de Abril do ano passado”. Lembre-se que, nesse dia, nas ruas adjacentes ao Rossio onde terminara a ordeira manifestação tradicional do 25 de Abril, um grupo de jovens manifestantes libertários foi violentamente agredido por polícias de choque, sobretudo na Rua do Carmo, agressão que não poupou os simples passantes que tiveram o azar de estar por ali naquele momento. Ler o resto do artigo »



Cartelização é só em Espanha

Em Outubro de 2007, a Comissão Europeia condenou cinco empresas, entre as
quais a Galp Energia, a BP e a Repsol, a uma multa de 183,7 milhões
de euros por concertação de preços no mercado de betume, em Espanha. Durante
quase12 anos, entre 1991 e 2002, os membros do cartel estabeleceram
anualmente a partilha do mercado. Além de acordos sobre a variação
dos preços e da sua aplicação, comprometiam-se ao pagamento de indemnizações
mútuas caso houvesse desvios em relação ao acordado. Mas, por cá, a
Autoridade da Concorrência afirma não haver indícios de cartelização no
mercado dos combustíveis. Em Portugal, a visível sincronia dos preços entre
as referidas empresas, dizem, é mera coincidência.



200 mil trabalhadores na rua contra o novo código laboral e as políticas anti-sociais do governo Sócrates

Manuel Monteiro

manif5junho_72dpi.jpgConvocada pela CGTP, realizou-se no dia 5 deste mês uma grande manifestação em Lisboa. Com palavras de ordem contra o novo Código de Trabalho e contra as políticas sociais do governo Sócrates, a manifestação arrancou do Marquês de Pombal com os trabalhadores nela integrados a gritar contra o desemprego, contra as reformas de miséria, contra a precariedade no trabalho. Ler o resto do artigo »



Não pode ser o capital a ditar como se organizam os sindicatos

Comentário ao artigo “De boas intenções…” (MV, 25 de Maio)

Francisco Raposo

Concordo em absoluto com o artigo do José Mário Branco. Mas creio que há um aspecto da referida entrevista [feita pelo Público a Bruto da Costa] – que o artigo não aborda – que merece ainda um comentário.
A certa altura, Bruto da Costa despe a máscara de técnico e investigador – já agora, equiparado a ministro – para assumir a parcialidade necessária aos dias que correm. Diz ele que a CGTP não tem credibilidade porque integra na sua direcção dirigentes do PCP. Espanto e novidade? Claro que não. Ler o resto do artigo »



A aprovação do Plano México pelo Congresso dos EUA

Centro de Mídia Independente (Brasil) / MV

O Plano México (oficialmente conhecido como Iniciativa Mérida) foi aprovado em Maio pelo congresso dos EUA. Proposto pelo presidente Bush em Outubro de 2007, o Plano destina 1400 milhões de dólares durante 3 anos para apoiar o governo mexicano na “guerra contra as drogas, luta antiterrorismo e segurança fronteiriça”. Neste ano, o plano prevê gastos de 550 milhões de dólares, dos quais 50 milhões destinados à América Central. Ler o resto do artigo »



Denúncia

CGA tem filhos e enteados

Teresa Monteiro

Se entrarem no site da Caixa Geral de Aposentações (CGA), em “perguntas frequentes”, encontrarão um aviso a informar que “em consequência de um acréscimo extraordinário do número de requerimentos de contagens de tempo e de pensões de aposentação e de sobrevivência, etc. etc.” os processos estão atrasados. E como solução é-nos pedido que nos limitemos a “aguardar a conclusão do processo” como forma de “evitar maiores constrangimentos à actividade” dos serviços. Ler o resto do artigo »



De quem foge o ministro?

No domingo 1 de Junho, em plena greve dos pescadores, o ministro da Agricultura deslocou-se ao concelho de Loulé para, a convite da Federação de Caçadores do Algarve, participar na limpeza de florestas e visitar reservas de caça. Sabendo disto, os pescadores de Quarteira dirigiram-se à serra para tentarem apresentar ao ministro as suas reivindicações. Mas não conseguiram: numa manobra evasiva, Jaime Silva mandou os carros da comitiva passar pelo meio dos pescadores, enquanto ele era transportado por um jipe a corta-mato. Deve-lhe ter ficado dos gabinetes em que trabalhou na União Europeia: enquanto os pescadores desesperam, o ministro prefere andar aos papéis, de mão dada com os caçadores.



Suicídios

O exército dos Estados Unidos registou o suicídio de 67 soldados em 2004, 85 em 2005, 102 em 2006 e 108 em 2007, de acordo com dados do Pentágono citados na comunicação social. Em meados de Março deste ano, o exército distribuiu em todas as suas bases e unidades um folheto de prevenção contra o suicídio, no qual indicava que, desde o começo da guerra global contra o terrorismo, o exército perdeu 580 soldados por suicídio, o equivalente a um batalhão de Infantaria.



Como a empresa estatal Parpública se livrou de responsabilidades

Comentário ao artigo “A liquidação da Cerâmica da Portela” (MV, 25 de Fevereiro)

Alice Marques

Falta acrescentar no relato apresentado, uma questão importante: a Comissão de Trabalhadores de Fábricas Mendes Godinho questionou diversas vezes a Administração sobre este duvidoso negócio [a venda da empresa à Certomar-Cerâmicas] tendo em conta os prejuízos sérios que traria aos trabalhadores afectos à actividade de cerâmica, pois seriam “absorvidos” pela nova empresa, sem serem indemnizados por FMG, ou garantidos os seus direitos de antiguidade. Ler o resto do artigo »



Quem sai aos seus…

João Bernardo

prescottbush.jpgHá alguns dias publicámos uma curta notícia relativamente aos negócios que Prescott Bush, avô do actual presidente dos Estados Unidos e pai do penúltimo presidente, manteve com o regime nazi. Estas relações prosseguiram mesmo depois de os Estados Unidos terem entrado na 2ª guerra mundial e só terminaram no final de 1942, quando o governo norte-americano interveio em empresas ligadas à família Bush. Ler o resto do artigo »



Negócios em família

Como o SIRESP foi adjudicado por cinco vezes mais do que vale

Carlos Completo

siresp.jpgO SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal) é um sistema de comunicações que permite uma ligação permanente entre os Serviços de Informação, as várias polícias, a emergência médica e a protecção civil.
O presidente do grupo de trabalho que preparou o primeiro relatório sobre este assunto, Almiro de Almeida (e que nunca foi ouvido no inquérito aberto pelo Ministério Público à muito questionada adjudicação do sistema), veio agora dizer publicamente que se gastou cinco vezes mais do que o negócio valia. Ler o resto do artigo »



Energia positiva

Até agora, as televisões referiam os aumentos dos combustíveis com lacónicos dados sobre os respectivos valores e uma ou outra reportagem de utentes resignados, ou de raianos a encher o depósito em Espanha. Com a greve dos armadores e pescadores e os milhares de apelos na Internet para o boicote às gasolineiras, começaram a falar do que interessa: a estrutura do preço, os ganhos astronómicos da Galp, da BP e da Repsol, a subida do imposto. Mas falam discretamente, pela voz dos comentadores serviçais do costume. Pudera! Para as privadas, clientes destes mandam. E para a RTP, o governo é patrão.



Melhorar o incumprimento

O relatório da entidade reguladora dos médias (ERC), relativo a 2007, diz que a RTP, embora com melhoria face a 2006, não cumpriu as obrigações do contrato de concessão de serviço público. Santos Silva, responsável pela pasta da Comunicação Social, acha que o relatório “assinalou um progresso” e que, portanto, “seria um absurdo” que o Estado – que não sancionou a RTP nos anos anteriores – a sancionasse agora. O ministro acha, portanto, que se alguém cometer uma fraude de 1 milhão e não tiver sido punido no ano anterior por fraude de 3 milhões, deve continuar impune. Será este critério também válido, por exemplo, para as avaliações de desempenho dos funcionários?



O arcebispo Tutu pronuncia-se acerca da situação em Gaza

The Independent / MV

O arcebispo Desmond Tutu, que foi uma das vozes significativas na luta contra o apartheid na África do Sul, sabia do que falava quando, em 29 de Maio, denunciou «o silêncio e a cumplicidade» da comunidade internacional relativamente ao bloqueio «abominável» imposto por Israel em Gaza. Ler o resto do artigo »



Mudam os cargos, mudam as preocupações

Cavaco está muito preocupado com o problema das desigualdades sociais. Ora, quando foi primeiro-ministro, as desigualdades aumentaram e muito. No estudo Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza: Portugal nos Anos Noventa, do economista Carlos Farinha Rodrigues, professor do ISEG, publicado recentemente, lê-se na página 307: “ao longo da primeira metade da década de noventa assistiu-se a um modelo de crescimento que beneficiou os indivíduos e as famílias de maiores rendimentos, penalizou os indivíduos dos escalões inferiores da distribuição, acentuou fortemente as desigualdades sociais e manteve os níveis de pobreza extremamente elevados”.



Com abrigo

Após denúncia do dono de uma casa no Japão, que começou a reparar que a comida lhe desaparecia do frigorífico, a polícia revistou a casa e encontrou uma mulher dentro de um armário, para onde já tinha levado um colchão. Detida pelas autoridades, a mulher, de 58 anos, respondeu que não tinha lugar para onde ir e que vivia ali há cerca de um ano.



Denúncia

O Estado faz a lei, o Estado foge da lei

M. Costa

Um amigo contou-me, a medo, esta história: uma delegação algarvia, com sede em Faro, duma instituição estatal nacional de apoio social, está alegadamente impedida de fazer contratações, mas precisa, como de pão para a boca, de técnicos especializados que não existem nos seus quadros. Faz, então, protocolos com associações e/ou fundações e, ao abrigo desses protocolos, paga a essas associações/fundações verbas que servem para essas associações/fundações «pagarem» a técnicos altamente qualificados que passam a executar funções nessa tal delegação, sob a chefia dos quadros superiores dessa instituição.
Confuso? Não. Ler o resto do artigo »



Greve na Fiação Oliveira Ferreira

Mais de 200 trabalhadores da Fiação Oliveira Ferreira, em Riba d’Ave, estiveram em greve no dia 2 de Junho, reivindicando o pagamento dos salários referentes a Abril e Maio, assim como parte do subsídio de Natal. É a peste dos salários em atraso que continua a atormentar quem trabalha. A empresa, em processo de falência, prometeu pagar no próprio dia da greve, mas os trabalhadores (já várias vezes enganados) dizem só acreditar quando virem o dinheiro na conta.



Mais um dos tais

Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como deputado, Luís Marques Mendes, até há poucos meses presidente do PSD, acaba de requerer a pensão de reforma pela sua actividade parlamentar, no valor vitalício de 2.905 euros mensais. É altura de lembrar que um trabalhador tem de trabalhar até aos 65 anos de idade e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma correspondente a 80% da remuneração média da sua carreira profissional.



Dois partidos, dois sonhos

Depois de uns dias de silêncio, a direcção do PS decidiu-se pela ameaça contra os socialistas que alinham com o Bloco de Esquerda no comício de “protesto” previsto para amanhã, 3 de Junho. Está em causa a natureza da maioria parlamentar a sair das próximas eleições. A direcção do PS sonha com uma maioria absoluta renovada; a direcção do BE sonha estender ao governo o acordo-teste PS-BE assinado para a Câmara de Lisboa. Os próximos tempos mostrarão os efeitos desta disputa no interior de cada um dos partidos. No PS, entre a maioria neoliberal de Sócrates, a oposição residual de Soares e Alegre e os adeptos populares. E no Bloco, entre a linha “neo-reformista” que o dirige e a aspiração anticapitalista de muitas das suas bases.



O que é uma esquerda que não seja anticapitalista?

João Bernardo

Lembro-me de que há uns vinte ou trinta anos encontrei numa revista norte-americana dedicada a chefes de empresa uma publicidade constituída por uma série de fotografias da mesma pessoa, que iam progressivamente ficando menos nítidas. Debaixo de cada imagem estava uma temperatura, de modo que o rosto mais nítido correspondia, creio eu, a 21 graus e a última imagem, uma espécie de rectângulo de nevoeiro, correspondia a 42 graus. A toda a largura da página estava a frase: “Acima de 35 graus os seus trabalhadores evaporam-se”. Ler o resto do artigo »



Na aldeia árabe de Bil’in, perto de Ramallah

Aldeões palestinianos resistem à expansão colonial sionista

JewishPeaceNews.net / MV

bilin1_72dpi.jpgNa aldeia palestiniana de Bil’in, o exército israelita é o braço armado do movimento dos colonos, que tem mais poder do que quaisquer instituições do Estado, incluindo o Supremo Tribunal, como se verá adiante.
Situada perto de Ramallah na margem ocidental do Jordão, Bil’in tornou-se conhecida ao longo dos últimos anos pelos protestos semanais contra a construção do “muro da vergonha” – a muralha de 6 metros de altura com que o Estado sionista quer separar Israel da Palestina, roubando pelo caminho as melhores terras aráveis às aldeias árabes. Neste caso, o muro separou a aldeia de 60% das suas terras cultivadas (na sua maior parte, olivais e pastagens). Os protestos foram sempre pacíficos, mas os militares israelitas responderam com violência. Ler o resto do artigo »