Arquivo da Categoria 'Política'

A Catalunha e o cárcere europeu

Pedro Goulart

Nos últimos dias, vimos nos média que as procuradorias espanhola e alemã estão a colaborar estreitamente na negociação de uma eventual extradição de Carles Puigdemont para Espanha. Recordamos que Puigdemont foi detido pela polícia alemã, em colaboração com a polícia espanhola, quando o dirigente político independentista catalão regressava à Bélgica, vindo da Dinamarca. Ler o resto do artigo »



Criminosos e cúmplices no ataque à Síria

Manuel Raposo

O bombardeamento da Síria por parte dos EUA, Reino Unido e França, na noite de 13 para 14, não espanta ninguém. Ele foi o segundo acto da fantochada iniciada pelo governo britânico com o caso Skripal. De facto, a representante dos EUA na ONU (o robô Nikki Haley), quando falou sobre o suposto envenenamento do ex-espião, enunciou logo os alvos em toda a sua extensão: Síria, Rússia, Irão. Ler o resto do artigo »



Exército israelita mata a sangue frio

Nesta sexta-feira 30, uma manifestação pacífica de mulheres, homens e crianças palestinianos reclamava, dentro das fronteiras de Gaza, o direito de retorno às casas de onde foram expulsas em 1948 as suas famílias. O espírito que levou a população de Gaza a aproximar-se da fronteira imposta por Israel é bem ilustrado por esta afirmação de um dos manifestantes, reproduzida pelo enviado especial do Le Monde: “Queremos enviar uma mensagem ao ocupante. Estamos de pé, existimos”. Ler o resto do artigo »



O síndrome das Lajes

Urbano de Campos

A forma empenhada e mesmo entusiástica como a comunicação social alinhou pelos EUA e Reino Unido no caso Skripal mostra que as críticas às “loucuras” de Trump (ou do seu émulo britânico Boris Johnson, ministro dos Negócios Estrangeiros) não são para levar a sério. Toda a direita, mas não só, repetiu à letra os argumentos da imprensa e dos fazedores de opinião norte-americanos e britânicos. Como Barroso e Portas que, na cimeira das Lajes em 2003, “viram” todas as provas de que Saddam Hussein era um perigo para o Planeta. Ler o resto do artigo »



“Um teatro cuidadosamente montado”

O jornalista australiano John Pilger, um dos poucos com coragem para denunciar os crimes do imperialismo, como fez a respeito da invasão do Iraque em 2003, definiu o caso Skripal (ver entrevista à RT) como “um teatro cuidadosamente montado” pelo governo e pela imprensa do Reino Unido com o apoio do parlamento. Destaca ele que “é extraordinário que haja uma tentativa de homicídio e um local de crime e não haja provas nenhumas”. Ler o resto do artigo »



As “armas de destruição massiva” ainda rendem

Urbano de Campos

A campanha contra a Rússia, com a expulsão de dezenas de funcionários diplomáticos — a pretexto do envenenamento de um ex-espião russo ocorrido em Inglaterra — tem todos os traços e mais algum de uma montagem combinada dos EUA e do Reino Unido. E enquanto não houver, como certamente não haverá, provas provadas das acusações feitas pelo governo britânico, é como uma montagem que o caso deve ser tratado. Tal como as armas de destruição massiva o foram para a invasão do Iraque. A questão reside, pois, nos fins políticos da operação. Ler o resto do artigo »



Uma mão lava a outra

Manuel Raposo

RioCristasDá vontade de rir a súbita preocupação que, nos tempos mais recentes, perpassa nas fileiras do PSD e do CDS a respeito da “matriz ideológica” de cada um deles. No PSD, os apoiantes de Rio reclamam o regresso aos “valores” da “social-democracia”, contra o que terá sido uma “deriva liberal” da época Passos Coelho. No CDS, vincam-se os “princípios” da “democracia cristã”. Ler o resto do artigo »



Eles protegem-se

O vergonhoso convite a Passos Coelho para professor catedrático numa universidade pública portuguesa (o ISCSP) mostra bem como o poder protege o poder. Bem se esforçam os apaniguados por enaltecer os “conhecimentos” de Passos Coelho e valorizar a “experiência” do homem como primeiro-ministro, mas não se safam do que é evidente: compadrio, nepotismo. O tacho entregue de mão beijada a Passos Coelho, para além do mais, fê-lo passar à frente de professores que esperavam a sua ocasião, razão suplementar para os abaixo-assinados que circulam contra a nomeação.
Nada disto demoveu o deputado e dirigente do PS Sérgio Sousa Pinto de vir em socorro de Passos Coelho, achando muito bem o convite. Ler o resto do artigo »



A América de Trump na senda da guerra

Pedro Goulart

trump-supportersDonald Trump demitiu no Twitter Rex Tillerson do Departamento de Estado — responsável pela diplomacia dos EUA — e anunciou a sua substituição pelo até agora director da CIA, Mike Pompeo, que havia sido nomeado em 2017 pelo próprio Trump. Tillerson, apesar de ser um homem de direita, nem sempre afinava pelo mesmo diapasão: as divergências com o actual presidente dos EUA eram várias. Ler o resto do artigo »



Mulheres espanholas mostram o caminho

8 de Março: cinco milhões em greve de 24 horas

Urbano de Campos

8MarçoEspanhaCentenas de protestos e manifestações por toda a Espanha assinalaram o Dia Internacional da Mulher, 8 de Março. Numa iniciativa praticamente inédita (antes, só em 1975 as mulheres islandesas fizeram o mesmo), foi lançada a ideia de uma greve das mulheres em protesto contra a desigualdade de salários e de acesso ao trabalho, contra a violência de que são alvo, por iguais direitos. A adesão foi maciça. Mais de 5 milhões de pessoas paralisaram o trabalho por 24 horas. Ler o resto do artigo »



Acusado por denunciar violação de direitos humanos

Carlos Completo

PrisõesAntónio Pedro Dores foi mais uma vez acusado pelo Ministério Público devido às várias denúncias e queixas apresentadas pela ACED a várias instituições nacionais e internacionais sobre a situação existente em prisões portuguesas. ACED é a Associação contra a Exclusão pelo Desenvolvimento, de que este investigador e professor do ISCTE foi fundador. Ler o resto do artigo »



Heitor da Silva, militante anticapitalista

HeitorFaleceu aos 79 anos, em 21 de Agosto de 2017, no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, vítima de cancro, o companheiro Carlos Alberto Heitor da Silva.
No 25 de Abril de 1974, então empregado do Hotel Ritz, em Lisboa, participou empenhadamente na fundação da Comissão de Trabalhadores e nas reivindicações dos empregados da indústria hoteleira. Como já havia sido, em Santo António dos Cavaleiros, um dos grandes dinamizadores da Associação de Moradores local.
Posteriormente, aderiu ao Partido Revolucionário do Proletariado (PRP), estando envolvido nas diversas lutas então acompanhadas e desenvolvidas por este partido. Foi, e manteve-se sempre ao longo dos anos, um grande defensor do Poder Popular. Mais tarde, havia de participar nos Grupos Dinamizadores de Unidade Popular(GDUP´S). Mostrou sempre ser um militante empenhado, generoso e solidário. Ler o resto do artigo »



A chave do “crescimento”

Manuel Raposo

Vigília de trabalhadores da Gramax (ex-Triumph)Os aleluias que o PS e apoiantes cantam ao crescimento da economia (2,7% em 2017 e 2,2% previstos para este ano) e à “convergência com a Europa” que esses números parecem apontar não conseguem esconder as enormes fraquezas, de condições de vida e de trabalho, em que permanece a população assalariada. Na verdade, o “êxito” assenta sobretudo no tremendo rebaixamento social que as classes trabalhadoras sofreram, não apenas nos anos da troika-PSD-CDS, mas nas últimas décadas — rebaixamento que persiste no essencial. Ler o resto do artigo »



Um combatente que parte

Faleceu, com 93 anos, o coronel Varela Gomes

VarelaG2João Varela Gomes começou por se destacar no combate à ditadura ainda no tempo de Salazar. Nos anos de chumbo em que se inicia a guerra colonial, participa na revolta de Beja, na madrugada de 1 de Janeiro de 1962. O assalto ao Regimento de Infantaria 3 pretendia ser rastilho para que mais unidades militares se rebelassem; e, nesse aspecto, segue a linha de outras tentativas de subversão do regime que fazem do “acto exemplar” e do golpe militar a via para o derrube do fascismo. Isolada, a revolta fracassa, mas deixa o sinal de que a ditadura podia e devia ser enfrentada também à mão armada. Ler o resto do artigo »



Espanha: repressão e censura

Pedro Goulart

ArcoEm 22 de Fevereiro, em Madrid, os reis de Espanha inauguraram a conhecida feira de arte ARCO, envolvida este ano em grande polémica. A exposição de fotografias “Presos Políticos na Espanha Contemporânea” foi retirada por exigência dos responsáveis pela organização da feira, sob o pífio pretexto de que a peça iria prejudicar a visibilidade do conjunto dos conteúdos que reúne a Arco Madrid 2018. Ler o resto do artigo »



AutoEuropa

Saúda-se o regresso da luta de classes

Manuel Raposo

AEgrevePaz social, pôr água na fervura, não ampliar o conflito — todos estes apelos têm servido para tentar acabar com a resistência dos trabalhadores da AutoEuropa à prepotência da administração da empresa. Somaram-se os agoiros de que a Volkswagen se iria embora e deixaria toda a gente no desemprego. Lançou-se o alarme de que o PIB do país viria por aí abaixo. Lamentou-se a falta de um dirigente “com carisma” como António Chora, que conseguiu a proeza de manter sossegados, durante 20 anos, milhares de trabalhadores, à custa de acordos com os patrões da VW sempre acertados à mesa. Ler o resto do artigo »



Morreu Francisco Ribeiro, lutador antifascista

FranciscoRibeiro_crop
Com 101 anos de idade, morreu Francisco José Rebelo Ribeiro. Foi um lutador antifascista, residente durante muitos anos e até ao final na cidade de Aveiro, várias vezes detido e torturado pela PIDE. Depois do 25 de Abril, empenhou-se no apoio às candidaturas presidenciais de Otelo (1976 e 1980) e foi um activo organizador local da revista “Versus” (1983-1988).
Um dos filhos de Francisco Ribeiro, o capitão da Força Aérea Júlio Ribeiro, fora dos poucos que não abandonaram os paraquedistas da Base de Tancos aquando da deserção de 123 oficiais em vésperas do 25 de Novembro de 1975. Apareceu depois morto, em circunstâncias mal esclarecidas, que o pai sempre tentou investigar. Ler o resto do artigo »



Justiça de classe e justiça de clã

Carlos Completo

Justiça obesaComo já temos afirmado (nunca é demais repeti-lo), a justiça que se pratica num estado capitalista, como Portugal, é uma justiça de classe. Nela, os trabalhadores e os pobres não podem confiar. Segundo as leis das classes dominantes, os patrões podem continuar “legalmente” a explorar os trabalhadores e os explorados acabam geralmente a perder nos pleitos judiciais com o patronato.
Mas também há a justiça de uma ou mais fracções das classes dominantes contra outras, como actualmente acontece no Brasil. Ali, as classes trabalhadoras e os mais pobres ficam nitidamente a perder, além de, se confiarem nessa justiça, estarem, também, a alimentar o movimento fascizante a ela acoplada. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores em luta

General Electric despede em Setúbal

400 postos de trabalho em risco

Pedro Goulart

GEA General Electric (GE) prepara-se para encerrar a fábrica de Setúbal, acabando com 200 postos de trabalho, a pretexto de uma reestruturação do seu negócio de energia na Europa, afirmando que tal é motivado pelos desafios que o mercado energético mundial enfrenta. No total, a GE vai despedir 12 mil trabalhadores, 18% da sua força de trabalho a nível mundial. Saliente-se que, no caso português, à semelhança do que acontece em muitos outros casos, houve apoio financeiro do anterior governo e do AICEP à empresa para investimentos e criação de mais postos de trabalho. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores em luta

Cofaco ameaça despedir 180 operárias conserveiras

Greve de solidariedade em perspectiva

Pedro Goulart

greve-cofaco-picoA empresa conserveira Cofaco abriu uma fábrica na ilha do Pico em 1963. Dona das conservas Bom Petisco, a Cofaco pretende actualmente construir uma nova unidade fabril na Madalena, mas anunciou que vai despedir cerca de 180 trabalhadores da actual fábrica durante o período em que a infraestrutura estiver a ser edificada. Apesar de a administração se ter comprometido aos trabalhadores — na maioria mulheres — reintegrar, dentro de cerca de dois anos, grande parte dos funcionários, as dúvidas são muitas. Ler o resto do artigo »



Trabalhadores em luta

Greves e protestos revelam maior descontentamento

Pedro Goulart

Triumph_cropApesar da travagem à subida de impostos e da reposição de alguns rendimentos às classes trabalhadoras nos últimos dois anos, aumenta a precariedade no emprego e continuam baixos os salários de quem trabalha. Em alta continua a insaciabilidade do patronato, secundada pelos seus capatazes e “analistas” de serviço. E das instâncias cimeiras, a nível nacional e internacional, prosseguem as pressões e chantagens do capital visando desmobilizar a luta dos trabalhadores e diminuir os seus rendimentos. Ler o resto do artigo »



Opressão sexista e poder imperial

António Louçã

timesup2Já antes a opressão sexista tinha estado no centro de polémicas a propósito de figuras como Bill Clinton ou Dominique Strauss-Kahn. Agora, a denúncia do caso Harvey Weinstein, além de reacender o debate sobre a opressão sexista, traz à luz do dia alguns traços psicológicos da oligarquia que domina o mundo. Ler o resto do artigo »



Reinventar… um regresso ao passado

Pedro Goulart

SantanaPassosRioNa sua recente mensagem de Ano Novo, o Presidente da República apelava à “reinvenção” do futuro. O tema da reinvenção, tenha a palavra ou não um significado subliminar, resultou rapidamente como mote para várias intervenções, designadamente no programa de candidatura de Santana Lopes à presidência do PSD, assim como nas palavras e nos escritos de vários analistas nos média do sistema. Ler o resto do artigo »



Liberdade para Ahed Tamimi e todas as crianças palestinianas presas

AhedTamimi
Vigília, sábado 13 janeiro, 15h00, Largo Camões, Lisboa

Uma menina desarmada de 16 anos faz tremer o “poderoso” Estado de Israel.
Chamam-lhe “agressora” porque, juntamente com a sua prima Nour, esbofeteou dois soldados no pátio da sua casa, em frente de uma câmara de vídeo. O exército invadiu-lhe a casa pela calada da noite e levou-a presa, a ela, à mãe e à prima.
No tribunal militar, juntaram várias acusações sobre os últimos cinco anos. Dizem que ela uma vez alvejou soldados com uma fisga e noutra mordeu a mão de um que queria levar preso o seu irmão mais novo. Apontam-lhe “crimes” cometidos desde os 11 anos de idade. Ler o resto do artigo »



2017: “banqueiros anarquistas”?

António Louçã

deslizamento-terras_cropHá meia dúzia de anos era uso troçar do regime parlamentar belga, que levou quase um ano e meio (2010-2011) sem conseguir produzir governo algum. Em 2016, a necessidade de repetir as eleições espanholas ainda suscitou uma ou outra graçola, depois de seis meses de tentativas para criar um governo baseado nos resultados eleitorais do ano anterior. Em 2018, a grande Alemanha vai a caminho do quarto mês de negociações infrutíferas, ainda sem governo, e correndo o risco de ter de repetir também as eleições. Mas da Alemanha já ninguém troça. Ler o resto do artigo »



Adeus, “nação valente”

Sinais de uma visita da CIP a Bruxelas

Manuel Raposo

SaraivaCipQuando em Novembro passado se ultimava o Orçamento do Estado para 2018, falou-se pouco de uma deslocação dos dirigentes da CIP a Bruxelas onde foram “queixar-se” das medidas propostas no documento. Naturalmente, o sr. Saraiva e consortes dizem ter ido “apresentar os seus pontos de vista”. Porém, não é nas exigências da CIP, já conhecidas e sempre as mesmas, que reside o interesse do caso, mas sim no posicionamento político, que a visita revela, do capital industrial no quadro da “Europa Unida”. Ler o resto do artigo »



Jovens israelitas recusam alistamento na tropa

Manuel Raposo

IsraelDesde que, em início de dezembro, Donald Trump reconheceu a ocupação de Jerusalém Leste por Israel — pagando o apoio dos sionistas à sua eleição — protestos de várias origens fizeram-se ouvir, nomeadamente da parte da Assembleia Geral da ONU, que condenou a decisão norte-americana. É de crer, porém, que a eficácia destes protestos seja a mesma que temos visto nos últimos quase 70 anos. Basta ver o efeito prático da decisão da ONU, anulada pelo veto dos EUA. Fosse outro o alvo da decisão e não faltariam sanções a doer; mas tratando-se dos EUA e de Israel tudo vai ficando pela condenação moral, quando muito.
O que mantém viva a resistência é a luta tenaz dos palestinos no seu próprio solo. Mais de uma dezena foram mortos em confrontos com forças israelitas, perto de dois mil foram feridos e centenas presos desde a declaração de Trump. Mas vale também a oposição que se vai gerando entre os próprios israelitas. Há dias, dezenas de jovens em idade de ingressarem na tropa recusaram-se a ser alistados, condenando a política racista de Israel. A notícia, divulgada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina, foi publicada em órgãos da imprensa israelita. Ler o resto do artigo »



Dito

Na realidade, é a parte mais pequena e estritamente indispensável do produto que é destinada ao operário; apenas o que é necessário, não para que ele exista como homem, mas para que ele exista enquanto operário; não para que perpetue a humanidade, mas para que perpetue a classe escrava dos operários.
Karl Marx, Manuscritos de 1844



Verbos-de-encher

O ministro da Cultura e o subsídio que Fernando Relvas não recebeu

Carlos Completo

FernandoRelvasHá indivíduos que passam pela política, nomeadamente ministros, que ficam embevecidos com os cargos, as honras e as benesses que lhes atribuem, mas não são capazes de assumir minimamente as responsabilidades que daí lhes advêm. Vem isto a propósito de um caso concreto passado com o actual Ministro da Cultura. Certamente que há muitos casos análogos, e não menos importantes, não apenas na Cultura, como noutros campos de actividade. Este será mais um caso exemplar do tipo de comportamento habitual de alguns dos nossos políticos burgueses.
Em Novembro último, faleceu em Lisboa, aos 63 anos, o conhecido autor de banda desenhada Fernando Relvas, considerado um dos criadores mais importantes e um dos inovadores da BD portuguesa contemporânea. Fernando Relvas, a quem fora diagnosticada há algum tempo a doença de Parkinson, tinha sofrido duas quedas, fora operado à coluna e estava internado no Hospital Amadora-Sintra, onde viria a falecer, numa situação de carência económica extrema e antes de chegar a receber o subsídio, que esperava há dois anos. Isto é, parafraseando Brecht, os decisores não compreendem estas coisas: eles já comeram. Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

No limiar de uma crise histórica

Fred Goldstein (*)

tatlinA discussão de Lenine sobre o efeito do imperialismo na classe operária dos países imperialistas deve ser vista hoje à luz das mudanças entretanto operadas.
O processo da super-exploração imperialista libertou-se de todos os limites geográficos pela revolução científica-tecnológica e pode agora ser praticada onde quer que haja mão de obra disponível. O efeito deste processo na consciência dos trabalhadores é profundo. A exportação de capital era antes usada para forjar um estrato superior na classe operária dos países imperialistas, para amaciar a luta de classes e promover estabilidade social. Com a nova divisão mundial do trabalho, a exportação de capital serve para rebaixar os níveis de vida da classe operária dos países imperialistas, dizimar as camadas superiores dos trabalhadores e de sectores das classes médias, e destruir a garantia de trabalho e os benefícios sociais. Ler o resto do artigo »



A “cambalhota triste” do PS e a agonia da geringonça

António Louçã

BE_PSNo que aos factos se refere, a história está bem contada pelo BE. No que diz respeito às soluções, elas nunca poderiam ser encontradas no ambiente viciado e claustrofóbico das negociações parlamentares.
Os factos resumem-se em poucas palavras. Entre tantos cortes que a troika mandou fazer, contra salários e pensões, havia só dois que vinham refrear, timidamente, as negociatas dos “interesses instalados”. Um, era o que apontava aos contratos de associação com colégios privados, em nome de uma cruzada contra o “monopólio” estatal do ensino (assim se vilipendiava o serviço público de educação). Outro, era o que punha em causa as rendas da EDP Renováveis (ela sim, a abusar de uma posição monopolista ou quase). Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

Uma mudança de época

Tom Thomas (*)

RodchenkoO fracasso dos processos revolucionários na ex-URSS e na China, seguido de um rápido retorno ao capitalismo “clássico”, levou alguns ideólogos a proclamar que o capitalismo planetário era o fim da história. A análise da crise actual mostra que é antes a sua história que se aproxima do fim. O capitalismo só pode subsistir, degradando-se, por meios que são catastróficos para as condições de vida dos povos, sem sequer falar da destruição maciça de todas as espécies.
Ao mesmo tempo, as condições materiais para a abolição do capitalismo — portanto, da condição proletária — estão hoje infinitamente mais maduras do que estavam para essas revoluções, inclusive na componente internacional. Senilidade do capitalismo, necessidade vital e possibilidade do comunismo são as características gerais da época presente: uma nova época. Ler o resto do artigo »



Derrubando mitos

O historiador Fernando Rosas apresenta na RTP2, aos domingos, um excelente programa sobre o colonialismo português em África. Desde as guerras ditas de “pacificação” do final do século XIX, até à criação do mito salazarista da pátria multicontinental e multi-racial, são escrutinados os processos de implantação do domínio colonial, através dos seus momentos mais significativos. A expropriação das populações rurais autóctones, o trabalho forçado, a criação dos empórios dos diamantes, do café, do cacau, as violências diárias, as prisões para os “recalcitrantes”, as execuções sumárias, mas também a resistência das populações africanas e o nascimento do nacionalismo independentista — são passados em revista, dando uma perspectiva que subverte a história dominante sobre a suposta brandura do império luso. Ler o resto do artigo »



Editorial

O anjo da guarda

Não há muito tempo, os meios da direita falavam com insistência de que “o país” precisava de um líder com carisma para “pôr ordem nisto”. E o facto é que a ideia toca muita gente do povo, farta de compadrio, de corrupção, de enriquecimentos desbragados, descrente de uma democracia que só serve ricos e poderosos. É uma ilusão que se paga cara, como se viu entre 1926 e 1974.

As cinzas de Pedrógão e de Oliveira do Hospital adubaram este terreno. Marcelo Rebelo de Sousa viu aí a sua oportunidade, apresentando-se como anjo da guarda do povo desvalido. Não só distribuiu abraços lacrimosos — fez-se porta-voz dos que “não têm voz”, numa versão adoçada dos apelos à “maioria silenciosa”. Ler o resto do artigo »



No limite, não houve nada

Urbano de Campos

Azeredo-Lopes_reduzRaúl Solnado teria uma boa ocasião de actualizar o seu tema A Guerra de 1908 com os episódios do roubo-não-roubo de Tancos.
Como foi noticiado, o material de guerra furtado apareceu há dias no mato, a 20 km da base, tal como tinha desaparecido: sem que ninguém desse por nada, apesar das buscas que a Polícia Judiciária disse andar a fazer nas redondezas de Tancos.
Visivelmente aliviado, o Chefe do Estado Maior do Exército deu conta do êxito numa alegre conferência de imprensa. Apesar do palavreado sobre “filosofia”, “racionalização”, “erros sistémicos”, etc. etc., não conseguiu elevar o nível da conversa. Com ar de riso, confirmou até que os ladrões terão devolvido a mais uma caixa de petardos! Pequena, disse ele. Ler o resto do artigo »



A linguagem politicamente correcta e a Tese XI sobre Feuerbach

António Louçã

politcorrecto_flipA mania obsessiva da linguagem politicamente correcta encobre geralmente uma negação da dialéctica e daquele preceito do “Manifesto” que recomendava assumir o interesse de conjunto da massa assalariada, e não apenas o interesse corporativo de uma das suas fracções.
Assim, os nacionalistas latino-americanos costumam enfurecer-se quando alguém fala de cidadãos dos Estados Unidos da América como “americanos”. Têm, claro, alguma razão, porque “americanos” são todos — também os sul- e os centro-americanos. Mas a alternativa que propõem (chamar aos cidadãos dos EUA “norte-americanos”) também tem inconvenientes: quando falamos de crimes de guerra norte-americanos, com razão podem sentir-se ofendidos os canadianos ou os mexicanos. Ler o resto do artigo »



Uma imagem da Justiça

Como vai o inquérito ao juiz Neto de Moura?

Pedro Goulart

nao-se-cale1Sabemos que a justiça que se pratica num país capitalista é uma justiça de classe. Mas as decisões dos tribunais muitas vezes aparecem embrulhadas num discurso moralista, usando leis e termos de difícil compreensão. Contudo, no já célebre acórdão do desembargador Neto de Moura, também assinado pela desembargadora Maria Luísa Abrantes (Tribunal da Relação do Porto), chega-se ao ponto de fazer censura moral a uma mulher de Felgueiras, vítima de violência doméstica, minimizando este crime pelo facto de ela ter cometido adultério. Aqui as coisas ficam bem claras. Ler o resto do artigo »



O sinal dado pelas autárquicas

Manuel Raposo

CostaJeronimoO grande ganhador das autárquicas foi obviamente o PS, tanto face à direita, como face aos seus parceiros de coligação. A vitória sobre a direita não precisa de explicação: a massa popular reconhece a diferença entre ser violentamente espoliada e recuperar, mesmo a conta-gotas, algum do poder de compra e das condições de vida que PSD e CDS arrasaram em quatro anos. Já o ganho do PS sobre a sua esquerda requer mais atenção. Por isto: se se afirma que é a parte esquerda da coligação que força o PS a fazer o que faz, por que razão não é essa esquerda a beneficiar dos votos?
De facto, no panorama político geral do país, de pouco serve (a não ser como incentivo militante) a subida do BE; e de nada serve ao PCP vaticinar que os eleitores vão arrepender-se das 10 câmaras perdidas pela CDU. Falta perceber as razões políticas disto. Ler o resto do artigo »



Mudar de Vida, 10 anos

Completaram-se em Outubro dez anos desde que o jornal Mudar de Vida começou a ser publicado, nos suportes internet e papel. Os seus propósitos, expressos no estatuto editorial, eram ambiciosos. Mas eram os que se impunham a uma publicação que pretende romper com a informação dominante, mesmo considerando a colossal desproporção de forças.
Essa ambição assentava numa base de apoio que permitia acalentar esperança de sucesso, mesmo elementar. Algumas dezenas de activistas vindos de diversas origens discutiram e aprovaram a sua constituição. Vários núcleos de apoio e de distribuição prometiam uma difusão militante com alguma dimensão. Algumas ligações a empresas e a grupos de trabalhadores activos davam possibilidade de contacto com os problemas do trabalho e as lutas concretas.
Dez anos volvidos, muito pouco resta desta estrutura embrionária. A maioria dos colaboradores iniciais afastou-se, os núcleos locais deixaram de existir, as fontes directas de informação secaram. Ler o resto do artigo »



Bem feita!

António Louçã

PanteãoCaem agora o Carmo e a Trindade por causa da jantarada macabra que a rapaziada modernaça do Websummit foi fazer à beira de cadáveres proeminentes da história pátria. O clamor de virgens ofendidas vem tarde e fede a hipocrisia. Ler o resto do artigo »



Revolução Soviética . 100 anos depois

Olhar para a frente

Manuel Raposo

lissitzky_el_2“O principal erro que os revolucionários podem cometer é o de olhar para trás, para as revoluções do passado, quando a vida traz tantos elementos novos que é necessário incorporar na cadeia geral dos acontecimentos.” (Lenine, Abril de 1917)

As abordagens diversas dos 100 anos da revolução soviética (bem como a maioria das evocações desde sempre) falam sobretudo dos feitos de 1917, procurando ver a sua “actualidade” e transpondo-os quanto possível para o presente. É de certo modo uma abordagem cerimonial, que glorifica os acontecimentos e as figuras de então, mas que diz pouco sobre o que seria uma revolução “soviética” no mundo de hoje. Em muitos casos, subentende mesmo a miragem de uma repetição dos acontecimentos, quando as realidades desmentem essa possibilidade a cada passo. Ler o resto do artigo »



Governantes catalães sequestrados em Madrid

Pedro Goulart

llibertatOito membros do governo que declarou a independência da Catalunha responderam em Madrid perante a Audiência Nacional, tendo a juíza Carmen Lamela ordenado a sua prisão preventiva, visto considerar existirem indícios de “crime de rebelião”, que pode ser punido com uma pena até 30 anos de prisão.
Os detidos Oriol Junqueras, Meritxell Borrás, Jordi Turull, Raul Romeva, Josep Rull, Carles Mundó, Joaquim Forn e Dolors Bassa foram encerrados em cinco estabelecimentos prisionais de Madrid estando também aí já detidos, desde 16 de Outubro, Jordi Sànchez e Jordi Cuixart, presidentes das duas maiores associações independentistas da Catalunha. Ler o resto do artigo »



Homenagem à Catalunha

António Louçã

referendo-catalunha-6Com este título, George Orwell evocou em páginas cintilantes a sua participação na milícia do POUM durante a guerra civil espanhola. A Catalunha de que falava era diferente da que vemos hoje: a Catalunha proletária, que em 18 de Julho de 1936 cercou as tropas golpistas, fuzilou os generais conjurados, ocupou e colocou em autogestão as fábricas abandonadas pelos patrões. E era também a Barcelona que, nas jornadas de Maio de 1937, se encheu de barricadas, contra a tentativa policial de retomar o controlo da central telefónica.
Hoje, a Catalunha volta a ser um exemplo, não tanto por um independentismo burguês que em todo o século XX conduziu a becos sem saída, mas pela luta de massas que bateu o pé à prepotência madrilena. Além de exemplo, a Catalunha é um catalisador de soluções potenciais para alguns dos mais intrincados problemas do nosso tempo. Ler o resto do artigo »



Falta de vergonha

É habitual surgirem muitas promessas e grande demagogia nas campanhas eleitorais como aquela que neste momento acontece em Portugal. É apenas mais um exemplo de uma absoluta falta de vergonha o que agora se passa com o PSD em Almada. Maria Luis Albuquerque, ex-ministra das finanças do governo PSD/CDS em tempos da troika, é candidata a presidente da Assembleia Municipal de Almada e vem defender uma baixa de impostos, precisamente o contrário do enorme aumento de impostos que ela e o seu colega Vítor Gaspar aplicaram aos portugueses, particularmente às classes trabalhadoras.



A Catalunha e a “democracia” espanhola

Pedro Goulart

catalunha_manifO comportamento do governo de Madrid, dirigido por Mariano Rajoy, e com a cumplicidade dos outros partidos espanholistas assim como dos média do sistema, face à vontade dos catalães decidirem em referendo sobre a sua independência, é mais uma demonstração de como os dirigentes da democracia burguesa são capazes de recorrer a todos os meios, mesmo ilegais ou ilegítimos, quando são postos em causa os seus interesses de classe.
Sob a capa da legalidade, a 12 dias do referendo para a independência da Catalunha, e servindo-se do aparelho jurídico burguês do estado espanhol (o mesmo aparelho que foi usado para a repressão dos militantes independentistas bascos e suas famílias) o governo de Madrid desencadeou uma vasta operação repressiva sobre a região, que nos faz lembrar velhas acções autoritárias do estado centralista sediado em Madrid. Ler o resto do artigo »



AutoEuropa: a luta muda de figura

Qual o rumo quando o patronato rasgar o pacto social?

Manuel Raposo

AENos últimos 20 anos, a acção sindical levada a cabo pela Comissão de Trabalhadores da AutoEuropa pautou-se pela procura de resultados práticos. O que se pode chamar um sindicalismo de resultados. Tal foi possível por duas razões relacionadas: uma prosperidade da empresa que lhe permitiu dar benefícios regulares aos trabalhadores (manutenção do emprego e ganhos salariais, por exemplo); e o estabelecimento, nessa base, de um pacto social entre trabalhadores e patronato. Foi a imagem (tardia, embora) do pacto social que vigorou na Europa após a segunda guerra.
A tentativa recente da administração da AE de impor o trabalho ao sábado pagando-o como se não fosse dia de descanso é uma nuvem negra sobre o dito pacto. E obriga os trabalhadores a pensarem que tipo de resposta deve ser dada e, mais geralmente, que tipo de sindicalismo é hoje necessário. É para essa reflexão que as linhas seguintes procuram contribuir. Ler o resto do artigo »



Terror “branco”

As autoridades do Reino Unido anunciaram a detenção, em princípio de Setembro, de quatro membros de um grupo neonazi entre os quais estão militares no activo. São suspeitos de estarem a preparar atentados terroristas no país, diz a polícia. Se os indivíduos fossem árabes ou muçulmanos, não faltariam vozes a falar num “confronto de civilizações” visando destruir a “nossa democracia” e o “nosso modo de vida”.



Aproveitadores

O PSD, que, há coisa de um ano, juntamente com o CDS, bramava contra a paralisia dos sindicatos, acusando-os (visando sobretudo a CGTP) de estarem feitos com o governo, parece ter passado das palavras aos actos. Dizem as más línguas que o protesto dos enfermeiros tem a mão do PSD. Na verdade, a acção conta com o apoio da UGT, liderada por esse exemplo de lutador sindical que em 2015 pugnou pela reedição de um governo PSD-CDS, em vez da aliança do PS à esquerda. E conta, claro, com a movimentação incansável da actual bastonária da Ordem, Ana Rita Cavaco, membro do conselho nacional do PSD. O propósito seria entalar o governo nas vésperas das eleições autárquicas.
Verdade ou não, o certo é que a direita vê nisso o sinal Ler o resto do artigo »



Maravilhas do privado

No dia 4 de Setembro, o Colégio Ramalhete (privado), no Porto, fez saber que não reabriria neste ano lectivo. Noventa crianças do pré-escolar e do ensino básico ficaram assim sem escola a poucos dias do começo das aulas. Os porta-vozes do colégio deram como razão para o encerramento um “imprevisto inesperado” (sic), e pronto. Deixar dezenas de crianças à porta da escola e pais sem saberem o que fazer à vida: eis uma das liberdades do capitalismo que os defensores da “iniciativa privada” evitam comentar.



Tropas portuguesas para o Afeganistão

"Disponibilidade total", diz o ministro Azeredo Lopes

Pedro Goulart

afeganistãoSegundo a agência Lusa (com fonte no Ministério da Defesa), o governo português estaria a “negociar” com a NATO o envio, em 2018, de uma força militar para o Afeganistão. A força portuguesa a enviar seria composta maioritariamente por militares do Exército e teria dimensão equivalente ao contingente que Portugal retirou do Kosovo em Maio passado. Logo no mês seguinte, o ministro Azeredo Lopes, solícito, apressava-se a afirmar em Bruxelas, na sede da NATO, que há da parte de Portugal “uma disponibilidade total”, admitindo a possibilidade de juntar a “força de reacção rápida e a formação e o treino, em torno dos 170 homens”, a enviar para onde a NATO considerasse necessário. Ler o resto do artigo »



Reaccionário como de costume

Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD

Pedro Goulart

CavacoS_flipNa Universidade de Verão do PSD, perante o tema “Os jovens e a política: quando a realidade tira o tapete à ideologia”, Cavaco Silva, agarrando-o, disse que na zona euro “os governos podem começar com alguns devaneios revolucionários mas acabam sempre por se conformar com as regras da disciplina orçamental”. O ex-Presidente da República afirmou que “a realidade ao tirar o tapete à ideologia projecta-a com uma tal força contra a retórica daqueles que no Governo querem realizar a revolução socialista, que acabam por perder o pio ou fingem que piam, mas são pios sem qualquer credibilidade porque não são mais do que jogadas partidárias”. Cavaco, grande defensor da austeridade para os trabalhadores e o povo e de bons lucros para os patrões, aproveitou para bater forte e feio nos partidos da “geringonça”, solução que nunca engoliu bem. Mas (ignorância ou demagogia?) onde foi ele buscar a informação que todos ou alguns partidos da coligação das esquerdas do regime pretendem fazer a revolução socialista? Ler o resto do artigo »



Uma chacina mantida sob silêncio

40 mil mortos civis terá custado a “libertação” de Mossul

Urbano de Campos

Mossul_reduxQuando a Rússia e a Síria mataram civis ao expulsar as forças da Al Qaeda de Aleppo, políticos e meios de comunicação dos Estados Unidos gritaram “crimes de guerra”. Mas o bombardeio liderado pelos Estados Unidos contra Mossul, no Iraque, recebeu uma resposta diferente, salienta Nicolas Davies (*), jornalista e activista norte-americano. No artigo de que publicamos largos extractos (**), o autor alerta para a campanha de mistificação conduzida pelo poder e pela comunicação social no sentido de esconder do público as dimensões da chacina que está a ser cometida. Uma campanha que começa nos EUA mas se prolonga pelos média servis de quase todo o mundo ocidental. Portugueses incluídos, claro. Ler o resto do artigo »



O centurião exemplar

Donald Trump enviou a Espanha as condolências da praxe pelo atentado de Barcelona e prometeu ajudar naquilo que pudesse. A “ajuda” seguiu na forma de outro tweet em que convidava os espanhóis a estudarem o exemplo do general norte-americano John Pershing. Pershing participou na guerra entre os EUA e a Espanha, em finais do século XIX, na qual os norte-americanos roubaram Cuba e as Filipinas ao império espanhol.
Conta-se que este ídolo de Trump mandou executar guerrilheiros filipinos muçulmanos (“terroristas”, claro, que resistiam à ocupação militar norte-americana) com balas tingidas com sangue de porco. Diz Trump exultante: “Não houve mais terror radical islâmico durante 35 anos!”. Verdade ou não, Ler o resto do artigo »



Povos europeus vão pagando

“Erradicar o terrorismo” é mote para erradicar as liberdades

Manuel Raposo

camarasvigilanciaComo seria de esperar, o atentado de Barcelona deu azo a mais uma frenética campanha dos estados europeus em prol da aplicação de mais medidas securitárias e de limitação das liberdades cívicas. No meio da arenga habitual, foram insistentemente focados por comentadores e “especialistas”, em concerto, dois tópicos: um, a acusação (repetida por Marcelo e Costa) de que os atentados terroristas visam “destruir o nosso modo de vida democrático”, renovando assim a tese imperialista do “choque de civilizações”; e, outro, que é preciso ir mais longe na “integração” das comunidades islâmicas na Europa. Ler o resto do artigo »



Coreia-EUA

A loucura está num sistema fautor de guerras

António Louçã

trumpO presidente norte-americano respondeu ao desenvolvimento de um míssil balístico pela Coreia do Norte prometendo-lhe, em caso de novas ameaças, “fogo e fúria como o mundo nunca viu”. É uma tentação ver no alucinado inquilino da Casa Branca um perigo de Armagedão nuclear “como o mundo nunca viu”. Mas o problema tem raízes mais fundas.
Quando Donald Trump ameaça com uma hecatombe de proporções inéditas, ele está a dizer concretamente que está disposto a causar uma devastação muito superior à de Hiroshima e Nagasaki. Se não for mais uma fanfarronada trumpiana, é uma declaração de intenções genocidas, colocando na mira do Pentágono milhões de civis inocentes da Coreia do Norte, que não têm culpa de quem os governa ou deixa de governar. Ler o resto do artigo »



Violência sem máscara

Os casos instrutivos dos Comandos e da esquadra de Alfragide

Urbano de Campos

racismomataEm duas recentes investigações levadas a cabo pelo Ministério Público sobre actos de violência praticados por autoridades, foram deduzidas acusações, num caso, contra 19 militares dos Comandos, noutro caso, contra 18 polícias da esquadra de Alfragide. Tratados sempre separadamente pela comunicação social, atenuados pelos comentadores de serviço e finalmente votados ao esquecimento, os dois casos merecem ser postos lado a lado porque mostram aquilo que sempre se procura esconder: os abusos de poder, as arbitrariedades, a violência física, o racismo fazem parte do modus operandi das autoridades. Ler o resto do artigo »



Jornalismo isento… de vergonha

O Congresso dos EUA aprovou novas sanções contra a Rússia, em mais um capítulo da novela sobre a suposta interferência dos serviços secretos russos nas eleições presidenciais norte-americanas. Donald Trump, que teria sido o beneficiário da marosca, e apesar das suas promessas de boas relações com a Rússia, disse-se disposto a aprovar a medida. Em resposta, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a expulsão de 750 funcionários diplomáticos norte-americanos. Comentando esta decisão russa, o correspondente da RTP em Moscovo, Evgueni Muravich, desvalorizou a razão invocada por Putin e sentenciou que a expulsão se deve ao facto de Putin precisar de um “inimigo externo” para manter os níveis de popularidade e agregar os russos em torno da sua política. Ora aqui está Ler o resto do artigo »



Jornalismo livre?

Carlos Completo

caesO tipo de tratamento que alguns órgãos da comunicação social deram aos dolorosos acontecimentos recentes em Pedrógão Grande foi pretexto para a vinda a lume de fortes críticas a parte do jornalismo que hoje se pratica em Portugal. Ecos de falsos suicídios e manchetes sobre listas ampliadas de mortos tiveram grande repercussão na comunicação social, causando grande indignação mesmo até entre muitos dos que ainda acreditavam na independência e seriedade de órgãos da comunicação social como o Expresso do dr. Balsemão. Já não falamos sequer de notícias veiculadas por pasquins como o CM, SOL ou i. Ler o resto do artigo »



As mentiras sobre o Afeganistão

Manuel Raposo

SYRIA-CONFLICTA NATO “estuda” o envio mais “alguns milhares” de tropas para o Afeganistão, disse o seu secretário-geral. Trata-se de mais uma pressão dos EUA no sentido de envolver os comparsas da Aliança numa guerra sem fim — já lá vão 16 anos — e que tem evoluído negativamente para as potências imperialistas, com ganhos territoriais para os Talibã e crescentes baixas entre as forças ocidentais. Antes do ataque ordenado por Bush em 2001, já James Carter tinha iniciado a intervenção norte-americana a pretexto da “invasão soviética”. Vale a pena conhecer a verdadeira história desta guerra que resumimos a partir de um artigo publicado pelo jornal comunista norte-americano Workers World. Ler o resto do artigo »



Reinserção social

Isaltino Morais e Narciso Miranda são de novo candidatos às câmaras de Oeiras e Matosinhos. Isaltino, ex-ministro e ex-autarca, foi condenado em 2009 a 7 anos de cadeia por corrupção, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder. Narciso foi condenado a 2 anos e 10 meses de prisão, com pena suspensa, em 2015 por abuso de confiança e falsificação de documentos.



Editorial

O tabu

O PCP e o BE, que tanto defendem um Portugal livre de tutelas exteriores, teriam no caso de Tancos, se não o tratassem como facto isolado, uma boa ocasião de mostrar como a subordinação militar à NATO e às aventuras militares do imperialismo prejudicam o país. Bastaria estender os exemplos à fraude nas messes da Força Aérea, ao roubo de armas da PSP, aos submarinos, aos blindados Pandur e por aí fora. Lembrando não só os gastos em missões externas ou material militar, mas também o foco de corrupção que tal subordinação origina.

Mas não. Jerónimo de Sousa culpou os governos que “reduziram ao osso a condição militar” praticando “cortes e mais cortes” que “colocam em causa a missão das Forças Armadas”. Catarina Martins ficou “perplexa” com “este falhanço em tarefas fundamentais do Estado”. Ler o resto do artigo »



Tancos e muito mais

Manuel Raposo

Medalha SDA pergunta que tem faltado na discussão sobre o caso de Tancos é esta: pode um roubo de tal dimensão ser praticado sem colaboração interna? Tudo aponta que não. A incúria, a vedação furada, a falta de vídeo-vigilância e de rondas, e tudo o mais que se descubra, são, quando muito, como é bom de ver, incidentes que podem ter facilitado a operação, mas que não explicam a limpeza como pôde ser levada a cabo. De resto, como poderiam os gatunos saber destas facilidades se, mais uma vez, não tivessem informação de dentro?

Depois do foguetório inicial da comunicação social e das forças políticas, a discussão está agora a ser reduzida a um problema de “falha de segurança” e é dentro desse âmbito fechado que se procuram “responsáveis”. Percebe-se porquê: a resposta à pergunta que levantamos implica não com “incúrias” mas com corrupção e redes de tráfico de armas. E para o poder, é claro, importa ilibar as forças armadas, e as instituições em geral, desse tipo de crime. Ler o resto do artigo »



Londres e Pedrógão Grande

Urbano de Campos

PedrogaoNo incêndio em Londres que fez arder como uma tocha um prédio de apartamentos com 24 andares, morreram quase 80 pessoas. Em Pedrógão Grande, num dos maiores fogos florestais de que há registo, morreram mais de 60 pessoas. Em Londres, os 600 habitantes atingidos eram quase todos imigrantes e descendentes de imigrantes e ficaram sem nada. Em Pedrógão, as centenas de pessoas das aldeias isoladas, onde os bombeiros mal podem chegar, não eram ricas e muitas perderam tudo.
Num caso como noutro as causas dos fogos terão sido naturais: um curto-circuito num frigorífico, e um raio que incendiou uma árvore. Não há portanto a desculpa útil da “mão criminosa”. Ler o resto do artigo »



Repressão e xenofobia avançam na Europa

Por cá, o tema é a delação premiada

Carlos Completo

RepressaoA grave crise económica que atinge o capitalismo a nível mundial, os problemas criados pelas muitas centenas de milhares de imigrantes que aportaram e aportam ao continente europeu (em grande parte fugidos das guerras desencadeadas e alimentadas pelo imperialismo ocidental), assim como as acções terroristas do chamado Estado Islâmico, são factores poderosos que servem de pretexto aos governos europeus para a adopção de medidas securitárias que afectam grave e diariamente o campo dos direitos sociais e humanos dos cidadãos. Ler o resto do artigo »



O PCP reflecte sobre o socialismo

António Louçã

SeminarioPCPNum seminário realizado em Lisboa, no fim de semana de 17 e 18 de Junho, o PCP debruça-se sobre a actualidade de um projecto socialista, a cem anos da Revolução de Outubro. Em entrevista ao “Público”, o “ideólogo comunista” Albano Nunes produz uma afirmação de aparência inovadora sobre a visão que o partido tem do regime socialista: “Nós não defendemos o regime de partido único”.
Mas a explicação que antecede esta frase dá-nos uma ideia mais precisa sobre o pluripartidarismo admitido pelo PCP para o regime socialista: “O Partido Comunista tem de ter um papel dirigente, naturalmente ao lado de outras forças políticas, como o nosso programa estabelece”. Ler o resto do artigo »



A “preocupação” da União Europeia com a Venezuela

Manuel Raposo

ChavezFidelA União Europeia aprovou em 15 de Maio, numa reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros, uma declaração sobre a situação na Venezuela em que, com falas mansas, procura uma espécie de “internacionalização” da luta política que se trava no país. O argumento, bem explicitado pelo seráfico ministro português Santos Silva, é este: como vivem na Venezuela muitos cidadãos oriundos de países europeus, a crise “também diz directamente respeito à União Europeia”.
Mesmo apelando a “ambas as partes” para evitarem a violência, a UE não deixa de apoiar a principal exigência política da oposição de antecipação de eleições — quando no próximo ano terão lugar eleições presidenciais, como estabelece a constituição do país. Ler o resto do artigo »



Mais dinheiro para a NATO?

Da conversa de Trump à de Azeredo Lopes

Pedro Goulart

NatoBruxelasNa cimeira da NATO, recentemente realizada em Bruxelas, Donald Trump acusou “23 dos 28” países membros desta Organização de não cumprirem as suas “obrigações financeiras”, avisando que 2% do Produto Interno Bruto “é o mínimo” exigível para reforçar a defesa colectiva. E afirmou que tal “não é justo para as pessoas e contribuintes dos Estados Unidos”, salientando que algumas destas nações “devem massivas quantidades de dinheiro dos últimos anos”. Trump referia-se ao compromisso, assumido na cimeira desta organização imperialista, em 2014, de, no espaço de uma década, todos os aliados destinarem 2% do respectivo PIB a despesas militares. Ler o resto do artigo »



Guterres com Trump ao lado de Israel

Manuel Raposo

GuterresCMJ_100Dias depois da proeza de censurar a denúncia do apartheid israelita contra a população palestina (ver texto “Gueterres ajoelhado”, aqui publicado em 2 de Abril), o secretário-geral da ONU António Guterres, discursando a 23 de Abril no Congresso Mundial Judaico, em Nova Iorque, fez uma verdadeira profissão de fé na defesa de Israel.
Quando milhares de prisioneiros palestinos estão em greve de fome, declarou-se “na primeira linha contra o antissemitismo”. Ignorando o desrespeito sistemático de Israel pelas resoluções da ONU, afirmou que Israel deve ser tratado “como qualquer outro” estado. Desprezando a sabotagem israelita à formação de um estado palestino, defendeu “o direito inegável” à existência de Israel. Condenou o “discurso de ódio” antissemita, escondendo o discurso de ódio dos sionistas contra os palestinos. Fugindo de tratar os temas quentes, não disse palavra sobre o recente ataque militar de Israel ao aeroporto de Damasco nem sobre as ameaças ao Irão. Ler o resto do artigo »



Continua a luta dos trabalhadores gregos

Ontem, 17 de Maio, foi levada a cabo a primeira greve geral de 2017 na Grécia. A paragem generalizada verificou-se no dia em que o parlamento grego iniciou a discussão de um pacote de leis para fechar a segunda revisão do programa de resgate, que inclui um corte nas pensões a partir de 2019 e subidas de impostos a partir de 2020.
Os sindicatos baptizaram esta medida de “quarto memorando” por se tratar de ajustes adicionais, não previstos no terceiro resgate, que se aplicarão quando terminar o programa actual.
A greve foi apoiada pelos controladores aéreos e por trabalhadores do metro, autocarros, eléctricos e do transporte ferroviário.
Os hospitais apenas disponibilizaram serviços mínimos, já que os médicos e pessoal hospitalar estão em greve de 48 horas, que se prolonga até hoje, quinta-feira.
Também os reformados e sectores autónomos, como médicos do privado, engenheiros e advogados se uniram à mobilização.
Igualmente, os sindicatos convocaram manifestações para Atenas e outras cidades de maior dimensão no país, exigindo o fim da austeridade e a devolução dos direitos roubados. Houve vários confrontos entre a polícia e os manifestantes.



Mais de 1500 presos palestinos em greve de fome

Greve geral em 27 de Abril na Cisjordânia e Jerusalém Leste

Urbano de Campos

BargutiEntre 1500 e 2000 palestinos detidos nas prisões israelitas entraram em greve de fome a 17 de Abril, exigindo o fim dos maus tratos a que são sujeitos e reclamando condições de detenção dignas, de acordo com as regras do direito internacional. Liberdade e Dignidade é a bandeira do movimento.
O protesto responde a um apelo lançado inicialmente por Maruan Barguti, um dos líderes da Fatah da Cisjordânia, preso desde 2002 e condenado por Israel a cinco penas de prisão perpétua por ter organizado e conduzido as Intifadas de 1987 e 2000. Negociações feitas nas próprias prisões entre militantes da Fatah e do Hamas estabeleceram um acordo para esta greve de fome conjunta, depois aprovada pelos dirigentes políticos da Cisjordânia e de Gaza. Ler o resto do artigo »



PDE é nome de arma política

“Reformar” até que o capital não tenha freio

Manuel Raposo

LagardeDraghiJá com as contas públicas de 2016 encerradas, um coro de vozes a vários tons — FMI, Banco Central Europeu, Ecofin, Comissão Europeia — veio lembrar as fragilidades da economia portuguesa, as incertezas futuras, a “insustentabilidade” dos valores conseguidos. Tudo apontando numa mesma direcção: a necessidade de “reformas”. Teve, obviamente, os esperados ecos internos vindos do Conselho das Finanças Públicas, das organizações patronais e, claro, da direita troiko-dependente. E em cima de tudo isto, as agências de rating re-confirmaram o “lixo” para que remetem a economia lusa.
Arrasta-se assim, sine die, o prazo para o esperado levantamento do chamado “procedimento por défice excessivo”, contrariando o optimismo de Marcelo e de Costa. Ler o resto do artigo »



O sangue da manada

Os manejos da União Europeia sobre o défice e a dívida pública não se destinam só a Portugal. Pela mesma altura que o holandês Dijsselbloem lançava a suas atoardas contra os países do sul (como bom colonialista que vê nos índios e nos negros apenas preguiçosos), o alemão Schauble punha a hipótese de colocar a Grécia fora do euro (como se a expulsasse do Espaço Vital alemão). Ou isso ou, mais “reformas”, disse ele.
Tais “reformas”, depois de tudo o que já foi “reformado” na Grécia, só poderiam significar destroçar a sociedade grega e reduzir os gregos a escravos.
Talvez porque comece a ver que esta via das “reformas” está esgotada, Schauble já admite a possibilidade de afastar a Grécia do euro. Porquê? Ler o resto do artigo »



Editorial

Liberdade a sério

Tirando as manifestações populares, as comemorações do 25 de Abril são de há muito uma exibição das forças do poder. Discursos sobre os seus planos para o país, condecorações aos seus servidores ou aos seus personagens emblemáticos, às vezes ocasião para guerrilhas partidárias.

Mesmo as manifestações de rua se mostram cada vez mais saudosistas, sem real capacidade de intervenção política. Fala-se, claro, do que “ainda falta fazer” (Catarina Martins, BE) ou garante-se, num suplemento de ânimo, que o 25 de Abril “está carregado de futuro” (Jerónimo de Sousa, PCP). Mas a verdade é que tudo não passa de uma evocação momentânea, em que as massas, quando muito, soltam os seus gritos de alma, deixando depois “aos políticos” e ao Estado a tarefa de fazerem no resto do ano o que o povo está impedido de fazer: transformar a vida pelas sua próprias mãos, dar outro caminho ao país. E, no entanto, se houver memória, foi isto que aconteceu no breve ano e meio de Abril a Novembro. Ler o resto do artigo »



25 de Abril e unidades balofas

António Louçã

25A_1“É preciso mudar alguma coisa para tudo continuar na mesma” era um lema fundamental do velho reformismo. Havia também quem o traduzisse popularmente numa outra fórmula: “Vamos dar-lhe [ao proletariado] os anéis, para conservarmos os dedos”.
Hoje, tudo isto mudou. Quando ouvimos um governo social-democrata falar em “reformas”, devemos traduzir o calão críptico para a linguagem mais chã que falamos todos os dias: esse governo está, na realidade, a falar em contra-reformas.

O “reformismo” dos nossos tempos é um frenesi de invenções neo-liberais como o restabelecimento das jornadas de 10, 12 e mais horas diárias, o aumento da idade da reforma, o aumento de propinas e taxas moderadoras, o pagamento de cada vez mais TSU dos patrões pelos trabalhadores e outras “novidades” que no limite deveriam levar-nos de volta ao tempo da escravatura. Ler o resto do artigo »



Bónus ao partido com mais votos?

Truques eleitorais na democracia burguesa

Pedro Goulart

MontenegroO líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, numa intervenção como convidado de um almoço do International Club of Portugal, em Lisboa, advogou que, apesar de nas legislativas em Portugal se votar para eleger deputados, “escolher em eleições legislativas significa escolher um caminho”, privilegiar a escolha que o povo fez num líder ou numa liderança, e afirmou não estar “a olhar para trás”, para as eleições de 2015, mas a apresentar ideias para futuros actos eleitorais.
Por isso, desafiou os partidos de esquerda a ponderarem um sistema eleitoral como o da Grécia, sistema preparado pela burguesia deste país, em que o partido vencedor obtém um ‘bónus’ de 50 deputados, permitindo mais facilmente obter maiorias absolutas. Ler o resto do artigo »



Guterres ajoelhado

EUA e Israel apagam denúncia de apartheid

Manuel Raposo

RimaKhalafDurou menos do que seria de esperar a anunciada “nova era” da ONU, com o recém-eleito secretário-geral António Guterres à frente. Dois meses depois de ter tomado posse, Guterres viu-se confrontado com um relatório publicado sob responsabilidade da Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental, um organismo da ONU liderado pela jordana Rima Khalaf, de que fazem parte 18 países árabes, que acusava Israel de praticar apartheid contra a população palestina. “Israel estabeleceu um regime de ‘apartheid’ que domina o povo palestino como um todo”, dizia o texto.
Cedendo, sem apelo e sem resistência, às pressões dos EUA e de Israel — que não se fizeram esperar — Guterres mandou retirar o relatório do site da ONU. Recusando-se a aceitar a decisão, Rima Khalaf demitiu-se em protesto. Ler o resto do artigo »



A chantagem prossegue

E Dijsselbloem é apenas um cão de Schauble que não quer perder o tacho

Pedro Goulart

DijsSchaubleQuem já se esqueceu dos avisos, das pressões e das ameaças da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu que pairaram sobre Portugal durante a elaboração e a execução do OE 2016? E a propósito do OE 2017? As cúpulas da troika nunca digeriram bem a actual solução governativa portuguesa, apesar desta não extravasar o quadro do sistema capitalista. Mesmo agora, depois de conhecido o défice do OE 2016 (2,1% do PIB, abaixo das exigências da UE) e de Portugal ir, consequentemente, sair em breve do “procedimento por défice excessivo”, significativa e ameaçadoramente Wolfgang Schauble acena-nos com eventuais novos resgates e o BCE, de Mário Draghi, defende a aplicação de multas ao nosso país, por “desequilíbrios macroeconómicos”. Ler o resto do artigo »



Derrotar o ninho de víboras

EUA aumentam gastos militares à custa das verbas sociais

Fred Goldstein (*)

TrumpO governo Trump prossegue a sua política de ataque às massas trabalhadoras e imigradas. O chefe do Departamento de Segurança Interna, general John Kelly, assinou diversos memorandos que alargam amplamente a definição de imigrantes indocumentados, imediatamente sujeitos a deportação.
Têm sido realizadas detenções aleatórias em todo o país. O medo instala-se nos bairros, desde Long Island a Los Angeles a Chicago e às áreas de fronteira. Os imigrantes têm medo de andar de carro ou de ir até uma loja com receio de serem apanhados pelos agentes da Imigração e da Alfândega. Atravessar a fronteira é agora considerado um crime sujeito a deportação. Isto aplica-se a 11 milhões de pessoas. Além das deportações, há uma escalada de assédio arbitrário que se multiplica por todo o país. Ler o resto do artigo »



Teodora, sob a capa da “ciência económica”

Pedro Goulart

TeodoraAs declarações de Teodora Cardoso à Rádio Renascença e ao Público sobre o défice orçamental de 2016 (que ficou em 2,1% do PIB), geraram forte polémica. Anteriormente, a economista considerava que atingir a meta proposta pelo governo era uma questão de fé. “Houve milagre?”, perguntaram-lhe agora os jornalistas. “Até certo ponto, houve”, respondeu ela.
Desde Janeiro de 2012 à frente do Conselho de Finanças Públicas, nomeada pelo governo Coelho-Portas, Teodora Cardoso defendeu a linha dos chamados cortes “estruturais”, afirmando que o programa do PSD-CDS era “prudente, credível e fundado na melhor e mais sofisticada ciência económica” e que, por isso, a sua “racionalidade” a levava a saudar essas medidas “científicas”. Nas suas análises e previsões, esteve geralmente com a troika, em companhia da Comissão Europeia, do FMI, da OCDE e do ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble. Ler o resto do artigo »



Para reeducação

Uma agente da CIA, a luso-americana Sabrina de Sousa, foi condenada em 2007 por um tribunal italiano a quatro anos de cadeia por cumplicidade no rapto do imã de Milão Abu Omar. A operação foi planeada e executada pela CIA e pelos Serviços Secretos Militares italianos em Fevereiro de 2003 no âmbito das operações “extraordinárias” ditas de luta contra o terrorismo desencadeadas pela administração Bush. Omar foi enviado para o Egipto e aí torturado a cargo do ditador Hosni Mubarak, a quem os EUA encomendavam tais serviços. Apesar de inocente de quaisquer acusações, Omar só foi libertado em 2007.
Nesse ano, a justiça italiana julgou o caso e condenou os implicados no crime, incluindo os agentes da CIA, mas todos acabaram por ser perdoados, por intervenção das autoridades dos EUA. Restava Sabrina. Ler o resto do artigo »



Pivot

Depois de ter sido posto fora do governo do seu amigo Passos Coelho por indecência e má figura, Miguel Relvas adoptou um perfil discreto: dedica-se na mesma a negócios chorudos mas sem estardalhaço. Recentemente, reforçou para 32% a sua carteira de acções da empresa Pivot, a qual é detida nos restantes dois terços por uma tal Aethel. A Pivot comprou em 2015, por 38 milhões de euros, a Efisa (um dos ramos do falido BPN) em que o Estado enterrou 77,5 milhões. Quem se movimenta também pela Pivot é o amigo Dias Loureiro, responsável pelo desfalque no BPN.
Acontece que a Aethel fez uma proposta para aquisição do Novo Banco, pelo que Relvas e Loureiro, esses dois modelos de seriedade, podem em princípio deitar a mão, com papel de relevo, a uma fatia importante da finança lusa.
O caminho, porém, parece estar difícil. Ler o resto do artigo »



Editorial

Capital a salto

Do que já foi revelado sobre os 10 mil milhões de euros que saíram do país a salto, é possível perceber umas quantas coisas.
Uma, tratou-se de um encobrimento e não de um lapso. Duas, a decisão envolve o governo de cima a baixo. Três, o propósito foi esconder uma fuga programada e regular de capitais. Quatro, essa fuga atingiu em média mais de 4 mil milhões por ano entre 2010 e 2014 e saltou para 9 mil milhões em 2015, quando em 2009 ficara pelos 800 mil. Cinco, a concentração de riqueza que isto revela dá-se justamente nos anos mais duros da chamada “austeridade”. Seis, a “disciplina orçamental” destinava-se a produzir uma acumulação de capital em poucas mãos. Sete, para que o processo funcionasse, era preciso facilitar não só a acumulação mas também a fuga dos capitais para zonas seguras ou de mais rendimento. Oito, não convinha, pois, que se ficasse a saber que uma tal concentração de riqueza em poucas mãos era o directo reverso da penúria a que a maioria do povo foi forçado. Ler o resto do artigo »



O caminho para o impeachment de Trump

António Louçã

NoTrumpAo longo do último século, a história das presidências norte-americanas foi uma ininterrupta passerelle de vilões, cínicos, perversos, tarados, sanguinários, gananciosos ou mentecaptos. Houve entre os inquilinos da Casa Branca quem tivesse alguns destes atributos e houve quem os tivesse todos. Mas é verdade que Donald Trump está para além destas características comuns ou recorrentes das várias presidências.
O novo presidente dos EUA já foi comparado com Nixon pela sua paranóia obsessiva, com Reagan pela sua estupidez ortorrômbica, com Bush filho pela sua ignorância esparvoada. Também se esboçaram comparações com Truman, no que respeita à apetência pelo gatilho nuclear, com Kennedy ou Clinton no que respeita à indiscreta voracidade sexual e, no seu caso, a um exibicionismo verdadeiramente fanfarrão. Ler o resto do artigo »



Enquanto os trabalhadores apertavam o cinto

Fuga de milhares de milhões de euros a coberto do governo PSD/CDS

Carlos Completo

VGasparMLAlbuqEntre 2011 e 2014 saíram de Portugal para vários offshores mais 10 mil milhões de euros do que tinha sido inicialmente apurado, num total de 17 mil milhões, que terão escapado a qualquer controlo da Autoridade Tributária (AT). E, de acordo com um requerimento do PS, visando um esclarecimento da situação, “durante os mandatos dos ex-ministros das Finanças Vítor Gaspar e Maria Luís Albuquerque e do ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, ficaram por tratar cerca de 20 declarações de instituições financeiras”, envolvendo diversas empresas e pessoas, que representavam mais de 9800 milhões de euros. Com um significativo pico das transferências financeiras efectuadas para offshores na proximidade das eleições legislativas de 2015, que previsivelmente iriam derrubar o odioso governo do PSD/CDS. Ler o resto do artigo »



Terror contra ciganos no Alentejo

SOS Racismo denuncia ataques racistas em Santo Aleixo da Restauração

KKKimage12Em comunicado divulgado em 24 de fevereiro, o SOS Racismo dá conta de uma série de ataques recentes cometidos contra os ciganos residentes na povoação de Santo Aleixo da Restauração, Moura, que surgem na sequência de outros ataques e ameaças cometidos entre setembro e novembro do ano passado. Nos últimos dias houve ameaças de morte pintadas por toda a povoação, bombas foram lançadas para os quintais das casas. Antes disso, tinham sido colocados caixões junto das portas, um cavalo foi envenenado, e foram incendiados carros, casas e uma igreja. Como refere o SOS Racismo, apesar da gravidade destes actos e das denúncias feitas, as autoridades nada fizeram, encorajando deste modo os criminosos, que continuam impunes. É este o texto divulgado. Ler o resto do artigo »



Carlos Silva

Líder sindical ou serviçal do patronato?

Pedro Goulart

carlossilva_ugt_passosEm 2015, em entrevista à Antena 1 e ao Diário Económico, e a propósito da formação do novo governo, Carlos Silva afirmava que as forças à esquerda do partido socialista não davam garantias de estabilidade para o futuro e que a central sindical UGT preferia que o PS fizesse um acordo com a coligação PSD-CDS/PP. “Quem ganhou as eleições, sem maioria absoluta mas ganhou, foi a coligação PSD/CDS”, afirmava Carlos Silva. Assim, o Presidente da República deveria, na opinião do dirigente da UGT, “convidar o dr. Passos Coelho, para encontrar soluções que garantam um governo a quatro anos”. Assim, para Carlos Silva, ele e a UGT preferiam uma solução abertamente ao serviço do capitalismo. Ler o resto do artigo »



Xutos & Pontapés na política

A cançoneta “Alepo” que os X&P lançaram recentemente aproveita a comoção forjada sobre a guerra na Síria quando se adivinhava a derrota dos rebeldes. Compuseram a letra, dizem, com as frases de uma menina síria (Bana Alabebe, celebrizada pelos média ocidentais) que teria usado o twitter para contar as ocorrências da guerra na zona leste de Alepo ocupada pelos rebeldes e sitiada pelo exército sírio. Há sérias dúvidas de que a menina fizesse o que se diz, pelo simples facto, denunciado por jornalistas não sujeitos à bitola ocidental (mas que por cá não se fazem ouvir), de que não havia internet na zona leste de Alepo… (Esses mesmos jornalistas contavam que tinham de se deslocar aos hotéis onde se alojavam para poder transmitir as suas reportagens). Ler o resto do artigo »



A vitória da Síria

Notas sobre a viragem militar e política na guerra

Manuel Raposo

AlepoA conferência de Astana, Cazaquistão, realizada em 23 e 24 de Janeiro, que juntou os dirigentes sírios e representantes da oposição (basicamente o chamado Exército Livre da Síria), marcou uma importante viragem política na situação vivida na Síria nos últimos seis anos, depois da viragem militar que representou a reconquista de Alepo em final de Dezembro.
Mesmo não podendo para já considerar-se uma vitória definitiva, a mudança que agora se pode observar — traduzida no cessar-fogo, no reconhecimento da legitimidade do regime sírio, na abertura de negociações, no isolamento dos rebeldes — representa uma derrota dos planos dos imperialistas norte-americanos e europeus de fazerem da Síria o que fizeram do Iraque e da Líbia. Ler o resto do artigo »



Resistir contra o genocídio de um povo

Israel lança mais colonatos contando com apoio de Trump

Comité de Solidariedade com a Palestina

muro_israelNakba é a palavra árabe para designar a catástrofe que foi a fundação do Estado de Israel no território da Palestina. A “catástrofe” deveu-se ao facto de existir um povo de carne e osso nessas terras supostamente desabitadas que iriam abrigar a invenção de um “povo judeu”. A catástrofe foram os massacres de 1947-48 pelas milícias sionistas, a destruição de aldeias palestinianas e a expulsão dos seus habitantes.
A grande tragédia desta catástrofe é a voracidade insaciável do Estado de Israel, que até hoje omite desenhar as suas fronteiras nacionais em qualquer atlas geográfico, na certeza de que elas serão sempre e sempre alargadas. Ler o resto do artigo »



Temos programa

Insurgindo-se contra a “falta de sentido” de metade da riqueza mundial estar nas mãos de 1% da população, o director do Diário de Notícias, Paulo Baldaia, alerta que essa “injustiça” torna os eleitores “permeáveis ao populismo”, e leva-os a elegerem “maus governos”. Indignado, Baldaia clama que “não podemos ficar reféns de megacapitalistas que querem tudo para eles”. Tentando ir mais fundo, Baldaia analisa: “o maior erro da globalização” foi o de “não ter precavido” os direitos sociais dos trabalhadores “em zonas do globo mais pobres”. E propõe: “maior justiça social, assente numa economia de mercado com uma melhor distribuição da riqueza criada”. É todo um programa em poucas linhas.
Mas como queria PB que a globalização respeitasse Ler o resto do artigo »



O seu a seu dono

Na morte de Mário Soares

Manuel Raposo

Portugal's former President and PM Soares is seen during an interview with Reuters in LisbonDo enorme esforço de propaganda desenvolvido, até à náusea, nos dias seguintes à morte de Mário Soares ressalta o propósito de criar a imagem de um Soares coerente em todo o seu percurso de vida política — antes e depois de 74 —, sempre do mesmo lado da barricada. É um expediente que convém à direita e ao poder instalado, que por isso o crismam sem problemas de “pai da democracia” e o apresentam como lutador indefectível pela “liberdade”. Soares é de facto um dos pais desta esvaziada democracia e da liberdade sem freio de que desfruta a burguesia pós-abrilista. Mas não mais do que isso. Ler o resto do artigo »



Editorial

A prédica

Bastou que o presidente da República, pelo Ano Novo, em oito minutos de generalidades, invocasse pela enésima vez uma “estratégia de crescimento económico sustentado” para o país “crescer muito mais” — bastou isso para que um coro de comentadores prestimosos visse aí a grande aposta para 2017 e a chave para tirar o país da fossa.

Nenhum deles se interessou em perguntar porque estamos estagnados há 20 anos; porque não crescem a Europa, os EUA ou o Japão; porque sofrem os “tigres” de ontem (da China a Angola) quebras tremendas dos seus PIB, com desemprego e pobreza a rodos. Ninguém quer encarar o facto de todo o sistema capitalista estar empanado, sem esperança de arrancar de novo — de ter chegado a um beco sem saída. Ler o resto do artigo »



Justiça de classe

Christine Lagarde culpada mas sem punição

Pedro Goulart

Sarkozy-and-ChrisA Justiça francesa considerou agora a diretora-geral do FMI culpada por “negligência” num processo de pagamento estatal ao empresário Bernard Tapie, quando Christine Lagarde era ministra das Finanças do então presidente Nicolas Sarkozy. Os juízes responsáveis por este processo alegaram que o falhanço da ex-ministra das Finanças em contestar a indemnização de cerca de 404 milhões de euros atribuída ao empresário tinha sido negligente e levado à utilização indevida de fundos públicos. Mas, sem vergonha, o mesmo Tribunal de Justiça da República de França não aplicou qualquer punição a Christine Lagarde nem, tão-pouco, ficou registada qualquer condenação no seu cadastro criminal. Ler o resto do artigo »



Seis milhões de crianças morrem por ano de causas evitáveis

Relatório da Unicef não aponta as causas fundamentais

Pedro Goulart

UnicefSegundo dados da UNICEF, seis milhões de crianças continuam a morrer no mundo todos os anos devido a causas que são evitáveis. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas — há 15 anos havia quase o dobro das crianças hoje nesta situação — a UNICEF recorda que as crianças dos agregados familiares mais pobres têm duas vezes mais probabilidades de morrer antes dos cinco anos do que as crianças dos meios mais ricos. E a verdade é que doenças infecciosas, diarreia, desidratação mortal e subnutrição crónica, causas de morte da maior parte destas crianças, seriam tratáveis a custos relativamente baixos. Ler o resto do artigo »



Tribuna parlamentar ou pântano parlamentar?

António Louçã

BEO folhetim de faca e alguidar sobre as declarações de rendimentos do administradores da Caixa concluiu-se da forma mais inglória e burlesca, com a demissão de António Domingues. É caso para dizer: não havia necessidade de toda esta ópera bufa, de semanas a fio, entrega-não-entrega, para acabar assim em tão triste pio.

Mais uma vez, não foi mérito do PS, que até ao último instante tentou amparar as pretensões secretistas dos administradores, e com isso ofereceu à direita um flanco vulnerável, de que ela anda bem precisada. Quando o PSD propôs uma votação parlamentar que reafirmasse a obrigação de entrega das declarações de rendimentos, logo a bancada do PS anunciou o voto contra, com o argumento sofístico de que essa obrigação já está na lei e, portanto, não vale a pena andar a repetir o que já lá está. Ler o resto do artigo »



Até à vitória, sempre!

Manuel Raposo

FidelNum exercício de jornalismo cínico, a comunicação social (nacional e estrangeira) está a fazer da morte de Fidel Castro um espectáculo de audiência garantida — temperando, claro, a imagem de ídolo popular e de revolucionário (a que não podem fugir) com a de “ditador”. Neste jogo, valem mais os festejos boçais dos imigrados cubanos nos EUA e os comentários rançosos dos “dissidentes” pró-americanos do que o apreço da maioria da população cubana pelo papel de Fidel na revolução de 1959 e na transformação de Cuba desde então. É mais uma tentativa de enterrar a ideia de revolução social com um dos últimos revolucionários do século XX. Ler o resto do artigo »



CDS – patrões, polícias e Coca-Cola

Carlos Completo

MoraSoaresCocacolaApós a queda do governo PSD/CDS e com a separação destes dois partidos da direita portuguesa, o CDS tem andado numa azáfama, indo a todas, numa enorme demagogia (quem já não tem presente o que o CDS fez no anterior executivo do patronato?), procurando ganhar espaço e apoios para futuras eleições e alianças. Diferentemente do seu ex-colega de coligação — o PSD, com Passos Coelho à frente, tem mantido posições mais rígidas e obsessivas — o CDS, nesse afã agitatório, por vezes desmiolado, em que se desdobram os dirigentes do partido (incluindo Assunção Cristas), produziu algumas das recentes propostas de alteração ao Orçamento de Estado para 2017. Ler o resto do artigo »



Chef Avillez colabora

A fachada do restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, foi pintada de vermelho por causa da participação do chef José Avillez num festival gastronómico em Israel. Na fachada podia ler-se: “Liberdade para a Palestina”, “Avillez colabora com a ocupação sionista” e “Entrada: uma dose de fósforo branco”.
O chef José Avillez participou no festival gastronómico Round Tables, em Israel. Trata-se de um festival que decorre até final de Novembro e que conta com a participação de vários chefs internacionais de renome. Mas a visita de Avillez a Tel Aviv gerou críticas, nomeadamente por parte do movimento pró-palestiniano Boicote, Desinvestimento e Sanções, ou BDS — um movimento criado em 2005 para exigir a imediata descolonização israelita e o derrube do muro da Cisjordânia.
O blogue Palestina Vence informa que vários activistas contra o regime israelita de ocupação e apartheid lançaram Ler o resto do artigo »



Militares portugueses saem do Kosovo

Ainda e sempre a questão da NATO

Pedro Goulart

kosovoApós 18 anos na missão militar da NATO, termina em meados de 2017 a presença portuguesa no Kosovo. Entrevistado pela Lusa, o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, justificou a decisão afirmando que as “condições estratégicas e operacionais que ditaram o envio da força portuguesa se alteraram, nomeadamente as condições de segurança e estabilidade no território, hoje francamente mais favoráveis ao normal desenvolvimento do Kosovo”.
Actualmente, estão 189 militares portugueses no Kosovo, mas o contingente já chegou a exceder os 300, como aconteceu de 1999 a 2001, ano em que parte dos militares regressou a Portugal. Ler o resto do artigo »



Marrocos: de novo a revolta árabe

Manuel Raposo

MarrocosÀ vista das manifestações de rua realizadas em Marrocos há dias, no final de Outubro, as declarações sucessivas de que a Primavera Árabe de 2011 estaria morta mostram-se prematuras. Uma onda de revolta abalou as principais cidades marroquinas depois de um vendedor de peixe de 30 anos, Mouhcine Fikri, ter morrido de forma bárbara, em Al-Hoceima, no norte do país. Abordado pela polícia, Fikri teve a mercadoria apreendida e acabou por morrer esmagado dentro do camião de lixo chamado para recolher o peixe confiscado. Milhares de pessoas saíram às ruas logo no dia 28, dia da morte, e até 30, altura do funeral — não apenas em Al-Hoceima, mas também em Tetuão, Casablanca, Marraquexe e na capital Rabat. Ler o resto do artigo »



A teta das PPP

A empresa Auto-Estradas do Atlântico exige ao Estado uma indemnização de perto de 30 milhões de euros que um tribunal arbitral lhe concedeu depois de ter reclamado 530 milhões de “reequilíbrio financeiro” ao abrigo da PPP que tem com o Estado. Isto porque, com a instalação, em 2013, de portagens em Scut que levavam tráfego à A8, a AEA perdeu clientes. Ou seja, o cidadão paga por dois lados: nas novas portagens das Scut e nas indemnizações aos mamutes das PPP.
E como a coisa rende também na Saúde, o Grupo CUF investe em novos hospitais e clínicas: só em 2016 perto de 250 milhões de euros. No total, tem 15 unidades, duas delas ao abrigo de PPP.
É claro que tais investimentos não se justificariam se a Saúde pública fosse plenamente eficaz, como também é evidente que o capital privado tudo fará para impedir que o seja.
No ano passado as quatro PPP na área da Saúde custaram ao Estado 430 milhões de euros.



Espertezas

Cidadãos cipriotas recorreram ao Tribunal de Justiça da UE para que a troika fosse condenada por os ter obrigado a pagar os buracos dos bancos. O tribunal não lhes deu razão, embora admitisse que os cidadãos têm o direito de processar a troika. Tanto bastou para que Rui Tavares (Livre) exultasse com a possibilidade, que só ele vê, de “ser feita justiça”, por iniciativa dos “milhões” de cidadãos “directamente prejudicados” pela troika. Tavares lá concede, num assomo de senso, que “não será fácil” ganhar a causa, mas “com um caso bem preparado”…
Tavares parece não ter notado que o tribunal agiu como alguém preconizava sobre as eleições: dê-se ao povo o voto mas não o poder.
A ânsia de Rui Tavares em fazer da UE o melhor dos mundos (só que mal orientado) leva-o à beira do ridículo. E leva quem o toma a sério a embarcar em mais umas ilusões sobre a “reforma” das instituições — como se o poder da UE se deixasse abalar com espertezas.



De encomenda

A jornalista Sofia Lorena, falando da guerra na Síria, opinou no Público (21 Setembro) contra o presidente Assad como quem satisfaz uma encomenda. Quando a própria ONU manifestava dúvidas sobre quem teria bombardeado um comboio humanitário perto de Alepo, causando 20 mortos (facto noticiado na página ao lado do texto de Lorena), a jornalista acusa Assad sem rebuço porque ele “sabe que ninguém lhe toca”. Já o ataque dos EUA às tropas sírias, dias antes, causando 90 mortos, foi para ela obviamente um engano, porque os EUA assim o disseram. O dislate vai ao ponto de acusar Assad de se “preparar para reconquistar toda a Síria” — o país de que ele é presidente legítimo! Sabe Lorena o que é o Direito Internacional? Sabe que as acções militares dos EUA na Síria são ilegais face à Carta das Nações Unidas?



Sondagem

Um espelho da situação política

Urbano de Campos

acordo_PBDizem as últimas sondagens que o PS e os partidos que apoiam o governo (BE e CDU) sobem nas intenções de voto, deixando para trás PSD e CDS. Como esta tendência de subida se tem registado de forma consistente nos inquéritos mais recentes, é possível que, de forma geral, a evolução traduza uma maior satisfação do eleitorado com a acção do governo e com o papel dos seus parceiros. Mas, olhados ao pormenor, os números dizem algo mais. Ler o resto do artigo »



PS (m-l)

Alfredo Barros, um militante de longa data do PS de Matosinhos, envolveu-se numa disputa azeda com o líder da distrital do Porto, Manuel Pizarro. O pano de fundo são as eleições autárquicas do ano que vem e o motivo foi a decisão de retirar Barros da candidatura à câmara de Matosinhos. Barros acusa Pizarro de tomar decisões “nas costas dos militantes”, de forma “cobarde”. Humilhado, Barros aponta a raiz do comportamento de Pizarro: o seu perfil “marxista-leninista” e a sua condição de “infiltrado” no PS. Calma Alfredo Barros, escusa de fazer crer que o mal vem de fora. O PS tem, juntamente com a direita, um historial imbatível de facadas nas costas e corrida aos tachos.



As pressões do capital sobre o governo de António Costa e a luta de classes

Pedro Goulart

patroesDesde o início da actual solução governamental do PS (com o apoio do PCP, do BE e do PEV) e, sobretudo, a propósito do OE 2016 e do OE 2017, surgiram continuamente nos média mensagens e pressões várias provenientes de diversas instituições nacionais e internacionais do capitalismo, empenhadas na continuação de uma política de total submissão do País aos ditames do patronato e do imperialismo. Isto porque, com a actual solução governamental, que não agrada à direita, se tem vindo a verificar a reversão de algumas das nefandas medidas do anterior governo do PSD/CDS, nomeadamente das transferências efectuadas para o capital de rendimentos extorquidos às classes trabalhadoras e aos pobres. Ler o resto do artigo »



Quando os trabalhadores se contentam com pouco

O equilibrismo político no OE 2017

Urbano de Campos

migalhasQuando em final de Agosto se começou a falar no Orçamento do Estado para 2017, o presidente do PS Carlos César preparou as mentes com uma declaração de intenções muito simples: “consolidar os avanços” de 2016 e “menos espectacularidade”. Deu com isto dois sinais: um à União Europeia, de que podia ficar sossegada; outro aos parceiros de apoio parlamentar para que não esticassem muito a corda. E foi isso que rigorosamente se deu até à entrega do OE na Assembleia da República a meio de Outubro. Ler o resto do artigo »



A pacífica estatização da CGD

Manuel Raposo

CGDNão é estranho que o debate político em torno da Caixa Geral de Depósitos tenha sido tão brando? Depois de o governo Coelho-Portas ter feito tudo para a enfraquecer e preparar o terreno para a sua privatização, seria de esperar que a opção do governo de António Costa de capitalizar o único banco do Estado e de reforçar a sua natureza pública tivesse a mais encarniçada oposição por parte do PSD e do CDS, para não falar do resto da banca. Mas não — a discussão resumiu-se a questões laterais sobre a forma como o processo foi conduzido e sobre as trapalhadas que o acompanharam. Este desviar de atenções da direita mostra que, para o capital nacional, o caminho não podia ser outro. Ler o resto do artigo »



No primeiro aniversário da “geringonça”

Faz falta uma alternativa de luta?

António Louçã

manif12março6No Portugal de 2016, a pergunta não é meramente retórica. A “geringonça” sobreviveu ao seu primeiro ano e a esquerda institucional pode reclamar para si alguns sucessos da fórmula encontrada. Para quê procurar outro caminho?
Há, sem dúvida, uma mudança sensível no ambiente político do país. Onde, há dois anos, nos perguntávamos todos os dias o que mais iria o Governo Passos-Portas inventar amanhã para roubar o povo, e o que mais iria inventar amanhã para engordar as grandes fortunas, hoje passou-se a discutir, ao menos, prazos e ritmos da reposição do poder de compra. Ler o resto do artigo »



Pagar serviços, cobrar dividendos

Durão Barroso e o Goldman Sachs, uma história antiga

Urbano de Campos

DENMARK-EU-SPAIN-BARROSODos muitos que se indignaram com a ida de Durão Barroso para o Goldman Sachs International, nenhum se interrogou porque é que ele, doze anos antes, em 2004, foi parar a presidente da Comissão Europeia, logo a seguir à cimeira dos Açores e à invasão do Iraque. Aí estará uma chave para perceber a ascensão à liderança europeia deste tipo medíocre e maleável, numa altura em que a França e a Alemanha e muitos outros países da União Europeia se opunham à pressão belicista dos EUA e de Bush.
A política da União Europeia sobre o Médio Oriente, o Leste europeu, e mesmo a África do Norte e Central, etc. mudou desde 2004, no sentido de uma muito maior afinidade com os interesses norte-americanos. Não foi Durão Barroso que operou tal mudança. Mas, para os EUA, ter um agente amigo encastoado num dos organismos de topo da UE foi certamente uma boa ajuda. Ler o resto do artigo »



Governo afasta PJ de formação israelita para interrogatórios

Pedro Goulart

PoliciaIsraelUma decisão do anterior governo PSD/CDS levou a Polícia Judiciária (PJ) a participar, desde Junho de 2015, no Law Train, um projecto de desenvolvimento de tecnologias e métodos para interrogatórios policiais coordenado pela Universidade Bar-Ilan, e que incluía a Polícia Nacional de Israel. Em Agosto último, segundo o Jornal de Negócios, o Ministério da Justiça, com Francisca Van Dunem, decidiu pôr fim a esta parceria, supostamente devido à escassez de meios e redefinição de prioridades. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VIII)

Direita, esquerda regimental, esquerda

Manuel Raposo

TerrenoExpropriadoPor mais que as forças nacionalistas da direita exaltem as virtudes nacionais, e advoguem o regresso à “soberania” e às tradições, não podem fazer voltar atrás a fusão capitalista que esteve e está no âmago da União Europeia, e que lhe forma hoje a ossatura. O resultado objectivo da campanha dessas forças será, então, colocar num outro patamar, atrás do biombo das fronteiras nacionais, a mesma caminhada inexorável para a concentração de capital — simplesmente pondo de lado, cada vez mais, preconceitos democráticos e de justiça social, tornados empecilhos ao poder das classes dominantes. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VII)

O papel das classes médias

Manuel Raposo

bandeiranacional_reduzO que está no centro dos nacionalismos, de direita ou “de esquerda”? — a mobilização das classes médias. A concentração do capital na Europa, sobretudo desde que passou a fazer-se num ambiente de crise mundial, alienou as classes médias, afastando parte delas da sua aliança natural com a burguesia capitalista. Isso está bem sinalizado na perda de apoio dos tradicionais partidos do centro. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (VI)

Crise em cima da crise

Manuel Raposo

A street vendor sits in front a wall that reads "That the crisis pay the rich", in downtown SantiagoO rebentar de uma segunda crise financeira, em cima da de 2007-2008, que praticamente ninguém já descarta, parece ser apenas uma questão de tempo. Os remédios aplicados por toda a parte (EUA, UE, Japão) mostraram-se ineficazes para o objectivo pretendido: relançar o crescimento económico, ou seja a acumulação de capital. A estagnação é geral, vai para uma década. De novo, é a partir dos grandes potentados, como a banca alemã, que o abalo ameaça propagar-se. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (V)

A imagem do desconcerto

Manuel Raposo

Conservative Party Autumn Conference 2015 - Day 3Praticamente no dia a seguir ao desenlace do referendo, as convicções britânicas tremeram. A demissão em série de praticamente todo corpo de dirigentes políticos — sem surpresa do lado dos derrotados, com surpresa do lado dos vencedores — mostra que ninguém parece querer assumir a tarefa de negociar os termos da saída e de arcar depois com as consequências. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (IV)

Mais EUA nas ilhas britânicas

Manuel Raposo

ObamaCameronA “recuperação da independência” de que a direita britânica se vangloria (e de que boa parte da pequena burguesia fez sua bandeira) é uma farsa que rapidamente se vai desfazer. A dependência face à UE que a maioria dos eleitores britânicos quiseram recusar, vão tê-la em dose dupla no que respeita aos laços com os EUA.

Pela economia e pela política, o Reino Unido sempre teve relações especiais com os EUA. A sua entrada para a UE em 1974 serviu não apenas os interesses do capital britânico mas também o interesse norte-americano em ter um agente especial no seio do bloco europeu em formação. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (III)

Mais Alemanha na Europa

Manuel Raposo

MerkelHollandeNo imediato, a saída do Reino Unido é um percalço para a UE. Sobretudo para a Alemanha, na medida em que ela é o centro, o líder e o beneficiário principal do “projecto europeu”. Mas não estamos necessariamente perante uma derrota do grande capital europeu, que se fundiu de modo irremediável — e que por isso mesmo tentou evitar o abalo previsível defendendo de forma activa a permanência, como se viu na campanha do grande capital britânico, nomeadamente do capital financeiro da City. O verdadeiro problema na agenda da grande burguesia europeia parece ser como contornar os efeitos da votação da pequena burguesia britânica. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (II)

Bandeiras em farrapos, ‘bárbaros’ à porta

Manuel Raposo

RefugiadosPaz, democratização, prosperidade — eis os slogans, tão enaltecidos desde o referendo no Reino Unido, que promovem o “projecto europeu”. A indignação evidenciada pelos europeístas pretende mostrar que os eleitores britânicos deram uma facada nas costas ao melhor dos mundos. Mas o que a realidade mostra é o exacto contrário desse melhor dos mundos. Ler o resto do artigo »



Notas soltas a pretexto do Brexit (I)

O “projecto europeu” realmente existente

Manuel Raposo

Cameron-BrexitSó a evolução próxima (e não tão próxima) dos acontecimentos pode dizer exactamente quais os efeitos do referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas o certo é que um abalo está já em curso, quer no plano político e partidário, quer no plano económico. No entanto, mais do que causa da agitação que se propaga à Europa e ao mundo, a viragem na Grã-Bretanha é sintoma da instabilidade que atinge o planeta, e da incapacidade das burguesias dominantes para debelarem a crise em que o capitalismo se vê atascado desde 2008. Ler o resto do artigo »



A Turquia e o síndroma de Salomé

António Louçã

ErdoganNum mundo em que os direitos humanos continuam a impregnar o discurso politicamente correcto, o contragolpe de Erdogan vem recordar-nos como é precário o direito de asilo, como ele se joga cinicamente à mesa do póquer geoestratégico e como as cabeças oferecidas em bandeja continuam a ser contrapartida de vantagens obtidas nesse póquer.

No momento de escrever estas linhas, o Departamento de Estado norte-americano continua a deixar em aberto a possibilidade de oferecer a Erdogan a muito reclamada cabeça do exilado Fetullah Güllen. A este, de pouco serve ter repudiado o falhado putsch militar. O seu destino depende de outras negociações que algum dia um novo Wikileaks exporá aos olhos do mundo. Ler o resto do artigo »



Algumas citações do novo capelão-mor do Exército israelita

António Louçã

RabinoEKO rabino Eyal Karim tem-se distinguido pela crueza do discurso. A imprensa liberal israelita, embaraçada com a sua nomeação, diz agora que se trata de um erro de casting, facilmente evitável se o Estado-Maior que o nomeou tivesse feito uma rápida pesquisa no Google. Não houve tal erro: Karim é o condensado mais fiel do pensamento e da prática do Exército de ocupação. Ler o resto do artigo »



Um livro

Comunismo: Situação e perspectivas

O declínio das bases materiais do reformismo

SacrificesNa continuidade do texto aqui divulgado em 1 de Junho (e no número 52 do MV, edição em papel), publicamos agora uma adaptação do segundo capítulo do livro 2015 Situação e Perspectivas, do marxista francês Tom Thomas. Depois de ter analisado as razões do predomínio do reformismo na maioria dos movimentos proletários até à data, o autor mostra como a actual crise mundial do capitalismo dá o sinal do declínio e do desaparecimento das bases materiais do reformismo. Vivemos uma novidade histórica, afirma, em que a senilidade do capital faz desaparecer as condições do reformismo e, ao mesmo tempo, amadurece as do comunismo. Ler o resto do artigo »



Editorial

Que saída?

O referendo no Reino Unido (tal como antes várias eleições europeias) confirmam um fenómeno de fundo que se vem repetindo na Europa: boa parte das classes médias tendem a virar costas aos tradicionais partidos do centro e enjeitam as suas propostas políticas. No caso do referendo, uma maioria de britânicos abandonou Conservadores e Trabalhistas e apoiou, em última análise, as posições da extrema-direita.

Os votos podem ter destinos diferentes. Mas as causas do desarranjo são as mesmas: a crise capitalista atinge, depois do proletariado, as próprias classes pequeno e médio burguesas, aproximando parte delas da condição precária dos proletários. E é isso que elas recusam. Por isso, as respostas políticas que esperam se confinam aos limites do sistema social capitalista, procurando apenas reformá-lo — nuns casos pela direita, noutros pela “esquerda”. Ler o resto do artigo »



Papéis do Panamá: que é feito do assunto?

Jornalistas ditos impolutos, média ditos de referência, entre nós particularmente o Expresso e a TVI, gente dita muito determinada a investigar a corrupção, fizeram da divulgação inicial dos chamados Papéis do Panamá um folhetim que quase todos dias nos entrava pela casa dentro. Mas recordemos que estes Papéis foram entregues ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação(ICIJ), sediado em Washington (EUA) e financiado,entre outras, por fundações ligadas aos Rockefellers, Soros, Ford, Jewish Community Federation e Microsoft.
Porque o jornalismo está em crise e a tabloidização prossegue Ler o resto do artigo »



É o capitalismo e a sua lógica

Portas, Albuquerque... uma longa lista na corrida aos tachos

Pedro Goulart

PortasMota_72Quando o ex-vice-primeiro-ministro Paulo Portas aceitou ser contratado pela Mota-Engil pouco tempo após deixar o governo, tal como já antes acontecera com a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, no momento em que esta anunciou que acumularia o cargo de deputada com o de administradora não executiva da gestora financeira Arrow Global, levantou-se uma grande indignação na sociedade portuguesa, particularmente a nível da esquerda parlamentar e de alguns articulistas desta área. Ler o resto do artigo »



Contratos de associação: um cimento aglutinador da maioria?

António Louçã

OndaAmarelaO significado da polarização política em torno dos contratos de associação dos colégios privados com o Estado não pode ser subestimado. Em 29 de Maio veio para a rua a “onda amarela” com umas dezenas de milhares de pessoas diante do parlamento, a defenderem os interesses dos colégios privados. Em 18 de Junho será, pelo contrário, a manifestação convocada pelos sindicatos em defesa do ensino público. Ler o resto do artigo »



Mercenários do capital que nos governam

A partir de Bruxelas, Frankfurt e Washington

Pedro Goulart

Eurogrupo_lagarde Nos últimos meses prosseguiu forte o assédio a Portugal e ao governo de António Costa por parte da gente da CE, do BCE e do FMI, os mesmos que, nos últimos anos, em conjugação com o governo PSD/CDS, muito contribuíram para tornar mais difícil a vida dos trabalhadores e do povo português. Porque os média ao serviço do patronato fazem de megafone permanente da propaganda das classes dominantes, e nunca é demais denunciar estas situações, destacamos, para memória presente e futura, algumas dessas entidades e personagens. Ler o resto do artigo »



Debate

Um grande movimento social é… “milagre”?

Manuel Raposo

25AcasassimO último Editorial do MV, intitulado “Mais além”, mereceu as críticas, não exactamente iguais mas convergentes, de dois leitores (ver comentários publicados). Apesar de, a nosso ver, os reparos feitos estarem deslocados do centro das questões abordadas no texto, os assuntos que levantam cremos merecerem um debate — não só porque se referem à actualidade política que estamos a viver no país, e ao modo de a esquerda a encarar, mas também porque remetem, de forma mais geral, para o papel de uma esquerda revolucionária nas actuais condições. Aqui vai pois um comentário, esperando que a discussão não se fique por aqui. Ler o resto do artigo »



Um livro

Comunismo: situação e perspectivas

CapitnotWorkQue dados novos traz a actual crise do capitalismo em relação à história recente? Que possibilidades abre a uma transformação radical da sociedade? Pode o movimento comunista ser renovado a partir das condições que estão criadas no mundo de hoje?
Tom Thomas, um marxista francês, responde (num pequeno livro com o título 2015, Situação & Perspectivas) que estão reunidas duas condições necessárias ao sucesso de um processo revolucionário comunista. Por um lado, o esgotamento histórico do crescimento capitalista, evidenciado na crise, que corrói as bases da ideologia burguesa reformista que domina os movimentos sociais. Por outro lado, o imenso desenvolvimento material proporcionado pelo capitalismo nas últimas décadas, facto que permite à humanidade desfrutar de abundância de bens e libertar-se do trabalho escravo.
Nesta situação histórica nova, diz Tom Thomas, falta construir a força necessária para pôr em marcha este processo, ou seja, erguer um novo movimento comunista. Ler o resto do artigo »



Editorial

Mais além

As previsões pessimistas da Comissão Europeia sobre a economia portuguesa; as organizações patronais em coro a apontarem o ‘irrealismo’ das metas do governo; finalmente a quinta coluna PSD/CDS a fazer eco dos ‘avisos’ vindos da União Europeia e da Alemanha — tudo isto se conjugou nas últimas semanas para apertar o cerco ao governo de Costa. O sentido disto é claro.
Não se trata, obviamente, de combater qualquer extremismo de que o PS ou os seus aliados sejam mentores. O capital nacional e europeu, pura e simplesmente, não admite nenhuma veleidade fora da regra absoluta que é degradar o trabalho e valorizar o capital. É esse o núcleo da ‘austeridade’ de que a burguesia não abdica. Ler o resto do artigo »



Viseu/Lisboa

Urbano de Campos

ACarlos_ACMendesCarlos Silva, secretário-geral da UGT — que depois das últimas eleições se declarou por um apoio do PS (de que é militante) a um governo da direita; e que há dias se confessou cansado e arrependido de chefiar a central sindical — apelou ao governo, neste 1.º de Maio, para que “saiba aliar o respeito pelos compromissos internacionais com a sensibilidade social que nos tem faltado”. Ler o resto do artigo »



Dois vigaristas sem vergonha (e um “ingénuo”)

Pedro Goulart

CimeiraLajesPassos Coelho e Durão Barroso são dois dos mais significativos exemplos de dirigentes burgueses, mentirosos e vigaristas, que nos últimos anos governaram o País. Para além dos cínicos e dos tolos, quem ainda leva esta gente a sério?
Passos Coelho, como se não bastassem as mentiras e vigarices de quatro anos de governo, veio agora, a propósito da sua ausência na inauguração do túnel do Marão, afirmar que se fosse primeiro-ministro, “não estaria” na inauguração: “Nunca estive em nenhuma obra de inauguração, nem de estradas, nem de auto-estradas, nem de pontes, nem de coisa nenhuma.” Contudo, os factos contradizem as afirmações de Passos Coelho. Ler o resto do artigo »



Brasil

EUA atentos e activos

Manuel Raposo

dilma-e-obamaA Administração Obama está seguramente atenta aos acontecimentos no Brasil e não longe deles. Motivos não faltam ao imperialismo norte-americano para desejar ardentemente uma viragem política no Brasil.
Desde logo porque, dado o peso político e económico do país, isso significaria o começo de uma viragem no curso seguido pela América Latina nas últimas décadas (Venezuela, Bolívia, Equador, mas também Chile, Argentina, Uruguai), nada favorável aos interesses norte-americanos. Ler o resto do artigo »



Um nojo

No âmbito da iniciativa “Prémios EDP solidária 2016”, que ocorreu no Museu da Electricidade, António Costa foi abordado por Eduardo Catroga, chairman da EDP e ex-ministro das Finanças do PSD, que atacou: “Os acionistas da EDP precisam de conversar consigo”. Costa, incomodado, respondeu apenas: “Muito bem, muito bem”. Por momentos, o primeiro-ministro conseguiu “iludir” Catroga, mas este voltou à carga mais à frente, agarrando Costa pelo braço. “Se você precisar de mim para dar aí alguns entendimentos eu disponho-me a isso”, garantiu Catroga. E insistiu:”Porque eu tenho essa visão da política, que não é partidária”. A imagem que ficou deste chairman na televisão foi a de um Catroga (já bem conhecido) sabujo e mercenário – um nojo.



Brasil: um golpe à paisana

Qual vai ser a resposta dos trabalhadores e dos pobres?

Manuel Raposo

BrasilpobrezaO carnaval montado na Câmara dos Deputados brasileira, a que todo o mundo pôde assistir em directo na noite de 17 de Abril, não pode ter outro nome que não seja o de um golpe de Estado — palaciano, no caso. A corte de deputados e de juízes sustentada pelo erário publico e pela corrupção descarada confabulou-se para impugnar a presidente e para afastar o Partido dos Trabalhadores do poder. Isto, a ninguém escapa por mais voltas que se dê ao assunto. A pergunta que resta à esquerda é saber por que razão Dilma, Lula e o PT chegaram ao ponto de serem corridos por um bando de malfeitores, aparentemente com a maior das facilidades. E qual vai ser a resposta dos trabalhadores e dos pobres. Ler o resto do artigo »



Draghi e Marcelo

Pedro Goulart

Draghi Mario Draghi, actual presidente do Banco Central Europeu (BCE) e antigo funcionário da Goldman Sachs, veio à primeira reunião do Conselho de Estado, onde defendeu as políticas do anterior governo de Passos Coelho, salientando que “os esforços desenvolvidos por Portugal foram notáveis e necessários” e que há “sinais claros” de que estão a “dar fruto”. Lançou também dúvidas sobre a política orçamental do governo de António Costa e sublinhou que “não se justifica anular reformas anteriores”. Draghi referiu ainda a necessidade de Portugal alterar as leis eleitorais e de levar a cabo uma revisão constitucional. O que poderia dizer um dos responsáveis da troika, que infernizou a vida dos portugueses? Mas por estas afirmações se pode ver o despudor com que os responsáveis europeus tratam os pequenos países, assumindo posições de diktat e de grande arrogância. Ler o resto do artigo »



13 anos depois

EUA “comemoram” aniversário da invasão do Iraque com ataque aéreo à Universidade de Mossul

Comunicado do Tribunal-Iraque

UniMossul_antesEntre 19 e 22 de Março, a força aérea dos EUA bombardeou a Universidade iraquiana de Mossul, causando dezenas de mortos e feridos civis. O ataque, desencadeado sob o pretexto de que o Estado Islâmico procedia ao fabrico de bombas nas instalações da Universidade, foi iniciado três dias antes dos atentados de Bruxelas e não mereceu qualquer destaque na comunicação social ocidental. Pode mesmo dizer-se que foi simplesmente ignorado — a melhor forma de tornar “inexistentes” para a opinião pública os actos de terror maciço praticado pelas exemplares democracias europeias e norte-americana.
O mesmo não se passa com as vítimas e em geral no mundo árabe. A iraquiana Souad Al-Azzawi, professora e investigadora em engenharia geológica e ambiental, difundiu nas redes sociais os seguintes testemunhos sobre o ataque, dando conta da barbaridade dos EUA e da revolta das populações atingidas. Ler o resto do artigo »



O folhetim do Panamá

Pedro Goulart

papeis-do-panama-ali-baba_cropAs revelações diariamente vindas a público a partir dos chamados Papéis do Panamá são claramente orientadas e ocupam grande parte do espaço informativo e de debate. Até agora não nos têm surpreendido: limitam-se a revelar alguma coisa do que já sabíamos ou pressentíamos sobre as múltiplas e habituais operações financeiras de muita gente das classes dominantes. Só os distraídos podem estar seriamente indignados. Ler o resto do artigo »



Agora a Bélgica

A guerra chegou à Europa

Carlos Completo

BombMosul2Claro que os recentes actos de terror praticados em Bruxelas, espalhando a morte e o horror entre a população, e levados a cabo por elementos afectos ao chamado Estado Islâmico, do mesmo modo que os anteriormente verificados em Paris, Madrid, Londres, Nova Iorque e outros locais, são altamente condenáveis. Como também o são (não o esqueçamos) as agressões militares efectuadas no Iraque, Palestina, Afeganistão, Jugoslávia, Líbia, Síria (e não só) pelos EUA, pela NATO e por vários países cúmplices desta política imperialista. Política que, sob o pretexto de levar a “democracia ocidental” a outros países e continentes, o que pretende é, de facto, apropriar-se das matérias primas, nomeadamente do petróleo, abrir mercados para os seus produtos e subjugar os povos. Ler o resto do artigo »



Contas ‘sãs’

Manuel Raposo

alemanhaSuperavitA Alemanha teve em 2015 um excedente orçamental de 19.400 milhões de euros, o valor mais alto desde 1990, quando o país foi reunificado. Também em 2014 conseguiu um excedente de 8.900 milhões. Estes resultados, em geral apresentados como uma façanha da disciplina das contas germânicas, posta em contraste com o “despesismo” da maioria dos países da União Europeia, não são independentes do facto de a Alemanha ser o principal aspirador da riqueza produzida na União. Ler o resto do artigo »



À falta de melhor, chamemos-lhes aproveitadores

Manuel Raposo

MariaBelemDepois dos escandalosos aumentos de vencimentos de três administradores da Autoridade Nacional da Aviação Civil, decididos pelo governo PSD-CDS nas suas últimas semanas de depredação (caso referido por Pedro Goulart em texto de 2 de Fevereiro), vieram a público outros dois exemplos do mesmo tipo de aproveitamento, “legítimo”, das vantagens dadas pelo poder e pelos altos cargos públicos: o da candidata à presidência da República Maria de Belém e o da ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. Será interessante perguntar por que razão a ilegalidade e a imoralidade invocadas por vários quadrantes estão destinadas a morrer sem efeitos práticos. Ler o resto do artigo »



Repensar a política da esquerda na Europa e no mundo

Prabhat Patnaik

grecia_portugal_pessoas_1O economista marxista indiano Prabhat Patnaik, num artigo publicado no semanário do Partido Comunista da Índia, Peoples Democracy, em Julho de 2015, poucos dias depois de o governo grego do Syriza ter aceite novo pacote de austeridade imposto pela União Europeia, fez uma lúcida apreciação das razões que conduziram à capitulação de Tsipras. Como o autor afirma no início de Europa: o momento da verdade (que publicamos na íntegra), não se trata de criticar superficialmente o Syriza, mas de avaliar as causas profundas da derrota e repensar o comportamento político da esquerda na Europa e no mundo. A principal lição que Patnaik aponta é que se revelou falsa a suposição de que o capital financeiro poderia reconhecer os argumentos da “razão” e ser domesticado pela pressão popular, de que a Europa poderia regressar à situação de há uns anos atrás, de que a democracia poderia triunfar sobre o capital financeiro — tudo isto preservando as instituições do capitalismo europeu. Ler o resto do artigo »



Trump, a lixeira a céu aberto

Manuel Raposo

Donald TrumpA linguagem desbragada e as posições abertamente reaccionárias de Donald Trump, o multimilionário republicano candidato à presidência dos EUA, valeram-lhe slogans como “Trump pró lixo” (Dump Trump). Os seus ataques racistas provocaram manifestações de repúdio de milhares de pessoas em diversas cidades dos EUA. Apesar disso, a sua campanha abeira-se da nomeação pelo partido Republicano. Ela representa o toque a reunir de uma vasta faixa da direita: classes médias temerosas do futuro, simples conservadores, racistas, fascistas. Ler o resto do artigo »



Degradação

Falando numa conferência em Lisboa o ex-comissário europeu António Vitorino alertou para os perigos da “degradação da função política” nos tempos que correm e da correspondente “crise da democracia representativa”. Constatou a “delapidação das classes médias” que são “o esteio das democracias”. Reconheceu que “o centro de afunda” e que “as referências democrata-cristã e social-democrata se esvaziam” conduzindo a uma “estigmatização das elites”. Este é o caldo, alerta Vitorino, em que cresce “o ressentimento como força de transformação social”.
A esse “ressentimento” com capacidade de “transformação social” chamamos nós luta de classes.



Porquê a dois?

O presidente do sindicato da construção civil e o presidente duma associação patronal do norte deram uma conferência de imprensa conjunta em que apontaram a quebra de actividade no sector e o risco de desemprego para 35 mil trabalhadores. Mas porquê uma conferência a dois? São comuns os problemas dos patrões e dos trabalhadores? O que impedia o presidente do sindicato de apresentar as preocupações e reivindicações dos trabalhadores de forma independente?



Tolerância a mais

O senhor Ulrich do BPI tem um estofo especial. Quando a austeridade estava no auge e se dizia que o povo já não a aguentava mais, tratou de dar um incentivo a Passos Coelho com o célebre “Ai aguenta, aguenta!”. Agora, em aparente contradição, exclama que “Existe uma tolerância excessiva da sociedade portuguesa em relação ao problema do desemprego”. Na verdade, uma ideia não contradiz a outra: é precisamente a excessiva tolerância do povo que tem permitido ao capital português impor medidas ditas de austeridade e despedir a belprazer sem ter de se confrontar, até à data, com uma séria reacção de quem trabalha.



Editorial

O capital conspira

A direita e o patronato em coro não desistem de fazer a vida negra ao governo de Costa. Primeiro, foi a tentativa, com Cavaco, de não o empossar. Depois, a acusação de não ter legitimidade política. De seguida, a aposta de que a aliança parlamentar ia falhar. Mais tarde, a esperança no chumbo do Orçamento pelo Eurogrupo.
Este rogar de pragas prossegue agora na “previsão” de que a devolução de vencimentos, a subida do salário mínimo, etc. são o caminho do desastre económico — se não para já, lá mais para diante — e que paira no ar novo resgate.
Servem ao coro as críticas ao projecto do OE feitas pela UTAO e o CFP (entidades ditas independentes, mas que sempre apoiaram as medidas de austeridade), como servem os avisos em jeito de ameaça do senhor Schäuble. Ler o resto do artigo »



O arrastão de Colónia

Urbano de Campos

ColoniaEm Junho de 2005, toda a comunicação social portuguesa fez parangonas com o que chamou o “arrastão” de Carcavelos. A PSP de Lisboa acusou “cerca de 500 indivíduos negros” de atacarem, roubarem e agredirem banhistas. “Testemunhas” confirmaram os maiores desmandos, comerciantes da praia fecharam os estabelecimentos. O presidente da CM de Cascais, verberou os “delinquentes” e “marginais”. A polícia aconselhou “os políticos” a “saber ler os sinais”. Dirigentes partidários reclamaram medidas de segurança reforçadas. Tudo se revelou falso. Ler o resto do artigo »



Sobre os gastos com as Forças Armadas e a Segurança

Carlos Completo

gnrO Orçamento do Estado para 2016 reserva para aquilo que é designado por Defesa e Segurança quase 4.000 milhões de euros. O que é muito dinheiro num País em que as classes trabalhadoras e o povo têm um tão baixo nível de vida.
Segundo o projecto de OE, os gastos com a Defesa apontam para 2.143 milhões de euros, mais 7,4% que o ano passado, aparecendo a “gestão eficiente e optimizada dos recursos já disponíveis” como uma das apostas. Este aumento no orçamento da Defesa resulta de alguns dos objectivos do actual Governo para esta área, nomeadamente da dotação da Lei de Programação Militar. E, também, do reforço do financiamento para as forças nacionais destacadas em missões internacionais. No que diz respeito às forças de segurança, o OE tem um orçamento de cerca de 1.612,7 milhões de euros e a protecção civil e luta contra incêndios 208,1 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Agravam-se as desigualdades

No mundo e em Portugal

Pedro Goulart

Oxfam_cropA Oxfam, uma organização não-governamental de âmbito mundial empenhada na luta pelo desenvolvimento e contra a pobreza, acaba de publicar dados recentes sobre a desigualdade social no mundo. Dois factos ressaltam: a desigualdade na distribuição dos bens é enorme e tende a aumentar; e a crise mundial do capitalismo tem agravado a situação, crescendo o fosso que separa os ricos dos pobres.
Os números apresentados não deixam margem a dúvidas. Ler o resto do artigo »



Episódios de uma mudança política (III)

O “virar de página” de António Costa

Manuel Raposo

AntCostaA principal tecla martelada por António Costa é o “virar de página sobre a austeridade”. O propósito só pode ser bem acolhido por todos os que vivem do seu próprio trabalho — porque foram eles que pagaram a factura da crise e da austeridade. E é claro, portanto, que são muito bem vindas as medidas de reposição de vencimentos, de aumentos de pensões e do salário mínimo, de baixas de impostos (prometidas), etc — mesmo se tudo se resume, como de costume, a aumentos de miséria, dados a conta-gotas.
A questão que se põe é saber que condições tem o PS de inverter a situação que se viveu nos últimos seis anos, com o eclodir da crise capitalista mundial. Ler o resto do artigo »



Santa unidade

Uma Catarina Martins esfuziante (cada vez a aproximar-se mais do PS) e coadjuvada por José M. Pureza, após um encontro na AR com António Guterres, acompanhou o candidato a secretário-geral da ONU até à saída do parlamento. A coordenadora do BE declarou aos jornalistas que considera a candidatura de Guterres “muito forte”, salientando como muito positivo o seu mandato como alto comissário das Nações Unidas para os refugiados. Ora, a dirigente do BE “esquece” todo o papel de Guterres quando foi dirigente do PS e primeiro-ministro, juntando-se ao centro-direita portuguesa (incluindo a Durão Barroso) no apoio a Guterres. E descura, também, qual tem sido o habitual papel secretário-geral da ONU, como lacaio do capitalismo, particularmente do imperialismo norte-americano.



O OE “possível” ou as migalhas do banquete

Urbano de Campos

OE2016A acesa discussão à volta do Orçamento do Estado — se a economia cresce ou não, se a carga fiscal sobe ou desce, se o limite do défice é cumprido ou ultrapassado, se as exigências da União Europeia são ou não acatadas, etc., etc. — tem o condão de deslocar o centro das atenções para a comparação com os quatro anos passados e com as imposições da troika. Nesse campo estrito, não é difícil reconhecer as vantagens deste orçamento, em vista das medidas de recuperação dos rendimentos do trabalho. Mas ficar por aqui é esconder a pequenez dos ganhos que ele traz aos trabalhadores assalariados — e enaltecer demasiado o “feito” do governo PS e dos seus apoiantes.

Na verdade, há um outro ângulo para ver a questão: aquele que mede a distância que vai entre aquilo de que os trabalhadores precisam e a que têm direito, e aquilo que lhes é dado, nesta circunstância, pelo poder. Ler o resto do artigo »



Herr Schäuble preocupado com Portugal

O ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble, que poucos dias antes garantira não estar preocupado com o Deutsche Bank – o sistema financeiro alemão atravessa uma grave crise – afirmou depois, no entanto, estar muito preocupado com Portugal.  Schäuble manifestou “preocupação” e “tristeza”, pela subida das taxas de juro de Portugal: “Como era evidente, Portugal estava no bom caminho. Mas ainda não está suficientemente bem para resistir. A questão é esta”, afirmou, avisando ainda para uma ideia manifestada na reunião de Eurogrupo, sobre a possibilidade de novos problemas em relação às taxas de juro de Portugal.
O bom caminho a que se refere o canalha Schäuble (que detesta o governo de António Costa, apoiado pelo PC e pelo BE) era o caminho prosseguido pelo governo do lacaio alemão Passos Coelho que, durante 4 anos, arrastou as classes trabalhadoras e o povo português para uma ainda maior exploração e miséria.



Episódios de uma mudança política (II)

O significado do ‘Que se lixem as eleições’

Manuel Raposo

ManifMarço2013Quando Passos Coelho, numa bravata própria de feirante, a três anos de distância, disse que se estava a lixar para as eleições (“o que interessa é Portugal”…), percebeu-se que, com o tempo, o discurso iria mudar. Mas poucos talvez adivinhassem o sentido preciso que a frase iria tomar depois do 4 de Outubro de 2015.
A forma assanhada como a Coligação se quis manter no poder, mesmo sem maioria para o conseguir, os argumentos trogloditas usados por todos os seus apaniguados, o apoio descarado do patronato a Cavaco para não empossar o governo de Costa, o clima de golpe de Estado que a direita criou — tudo isto mostrou, da parte da burguesia, um outro sentido, útil e concreto, para a frase de Coelho, e esse sentido é: que se lixe a democracia, que se lixe o parlamento, que se lixe a vontade dos eleitores, tudo vale para manter o poder. Ler o resto do artigo »



Como eles roubam “legalmente” o povo

Governo PSD/CDS aumentou gestores públicos em mais de 150%

Pedro Goulart

Lima_albuquerqueTrês membros do Conselho de Administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) viram o seu salário aumentado em 150% em Outubro de 2015. Luís Ribeiro, Carlos Seruca Salgado e Lígia Fonseca, respectivamente presidente do Conselho de Administração da ANAC, vice-presidente e vogal, ficaram com salários milionários e com retroactivos a Julho, devido a uma alteração feita em Outubro, nos últimos dias do governo do PSD/CDS. Ler o resto do artigo »



Refugiados: a hipocrisia da União Europeia

Urbano de Campos

sirios-refugiadosA anunciada política da União Europeia de “portas abertas” para os refugiados durou poucas semanas. Muitas fronteiras se fecharam entretanto. O acolhimento faz-se agora sob estreita vigilância e com reservas crescentes da parte das autoridades nacionais. Dezenas de milhares são ameaçados de expulsão em massa pelos países aonde conseguiram chegar, casos da Suécia e da Finlândia. Os que insistem, vêem os seus bens pessoais confiscados a pretexto de “financiar” os custos de “integração”, como sucede na Suíça, na Dinamarca e em vários estados alemães. A par desta viragem, há uma outra realidade que ganha peso: a hostilidade e os ataques aos refugiados por parte das populações residentes. Ler o resto do artigo »



Episódios de uma mudança política (I)

A operação de salvamento do governo PSD-CDS

Manuel Raposo

cavacopassosRecuemos uns meses para ter perspectiva sobre os acontecimentos que redundaram na mudança política de Outubro-Novembro.

Em meados de 2013, o governo PSD-CDS passou pela sua pior crise. A política de austeridade sacrificava brutalmente os assalariados, mas mesmo assim “os números” mostravam que os negócios capitalistas cá de casa não tiravam o pé do lodo. A onda popular de descontentamento e de protestos de rua crescia desde finais de 2012 e afrontava cada vez mais directamente o governo e a sua política de austeridade. Tinha passado a letargia inicial que o governo incutira sob a ideia de que “era preciso fazer sacrifícios”. Os sacrifícios atingiam visivelmente as classes trabalhadoras, percebia-se que a austeridade se destinava só a elas, as garantias de recuperação económica e de melhores dias goravam-se mês após mês. A massa trabalhadora apercebeu-se, por experiência amarga, que aos sacrifícios sofridos seguiam-se apenas mais sacrifícios. Terminara o período de graça do governo. Ler o resto do artigo »



A “frente socialista” de Costa e Sánchez

Manuel Raposo

Costa&Sanchez“Ingovernabilidade!”, bramou a direita em Espanha com o resultados das eleições de 20 de Dezembro, tal como havia feito em Portugal após 4 de Outubro. O dado objectivo está no facto de nenhum dos partidos da governança habitual ter obtido maioria absoluta. O PP, no governo, que se encarregou das medidas de austeridade (mesmo sem troika), perdeu um terço dos votos e dos deputados; e o PSOE, na oposição, fez o seu pior resultado de sempre. Cresceram as novas forças à direita (Ciudadanos) e sobretudo à esquerda do PSOE (Podemos). Ler o resto do artigo »



Editorial

Um regime esgotado

Nunca umas presidenciais foram tão concorridas. A direita, a direita com capa de esquerda, o centro equilibrista, a esquerda respeitadora das instituições e mais uns franco-atiradores para paladares diversos — todos vão às urnas dia 24. Podia dizer-se que o arco-íris da nação está completo. No entanto, toda a gente sabe que daí não virá a mínima mudança do regime; e que, contados os votos, a presidência pode ser ocupada por um oportunista sem escrúpulos de seriedade. Como um bobo que se senta no trono diante da passividade geral.

Derrotar o principal candidato da direita, claro — pois que outro objectivo se pode colocar à esquerda diante do quadro que está criado? Mas este objectivo, de curtíssimo alcance diante das necessidades dos trabalhadores portugueses, só se coloca, é preciso lembrá-lo, porque não há forças para conseguir transformação verdadeira do regime político e do sistema social em que o povo vegeta como espectador. Não será de admirar que a abstenção atinja assim níveis históricos. Ler o resto do artigo »



Benesses para os patrões

A pretexto da entrada em vigor do novo salário mínimo nacional (SMN), o governo de António Costa aproveitou para anunciar, como contrapartida, não apenas a intenção de manter uma medida do Governo do PSD-CDS, de redução de 0,75% na Taxa Social Única dos patrões para os trabalhadores com o SMN, como ainda decide promover o seu alargamento a todos os assalariados que em 31 de Dezembro de 2015 auferiam uma retribuição base não superior a 530€. Segundo a CGTP-IN, esta é uma medida injusta e incorrecta — pois irá provocar uma redução superior a 30 milhões de euros na receita da Segurança Social e abrirá portas a outras propostas do Governo, visando reduções da TSU para os trabalhadores com salários inferiores a 600€, assim como atribuindo créditos fiscais (ou complementos salariais) aos assalariados com contratos de trabalho a tempo parcial (suportadas pelos impostos pagos pelos trabalhadores e pensionistas).



Banif: melhor solução, para quem?

Pedro Goulart

banifSegundo o Tribunal de Contas, “entre 2008 e 2014 foram concedidos apoios públicos ao sector financeiro, cujos fluxos líquidos atingiram no final deste período 11.822 milhões de euros negativos” (6,8% do PIB de 2014). Juntando a este total os mais de 3.000 milhões euros, agora reservados para a “resolução” do Banif, é de prever que, no período posterior a 2008, os gastos do estado português para salvar bancos venham a ultrapassar um montante de 15.000 milhões de euros. Ler o resto do artigo »



Activistas pró-Palestina interrompem concerto do Jerusalem Quartet na Gulbenkian

Comunicado de imprensa do Comité de Solidariedade com a Palestina


IsraelPalestina_100Activistas dos direitos humanos interromperam esta noite [16 de Dezembro] o concerto de música clássica do Jerusalem Quartet na Fundação Gulbenkian em protesto contra a associação do grupo israelita com o exército de Israel.
O concerto decorria quando da plateia se levantou um grupo de pessoas gritando palavras de ordem contra os crimes de guerra israelitas. Quando eram levadas para fora da sala pelos seguranças, ainda lançaram para o ar panfletos explicando a razão do seu acto. Passados uns minutos, a cena repetiu-se com um segundo grupo que conseguiu fazer parar os músicos quando gritava “boicote Israel, Palestina vencerá”. Ler o resto do artigo »



Os conselhos de Luís Amado

Luís Amado, presidente do Conselho de Administração do Banif e auferindo de um chorudo salário, tem sido pródigo em declarações e conselhos sobre a melhor forma de governar Portugal. Veio agora, mais uma vez, insurgir-se contra aqueles que defendem a ruptura com a chamada austeridade, que tem infernizado a vida dos trabalhadores e do povo. Contra o fim da austeridade, certamente para poupar dinheiro e entregá-lo aos Bancos a fim de lhes tapar os buracos. Ora, o Banif deve muito dinheiro ao estado português e, como é do conhecimento público, provavelmente será mais um caso (a somar ao BPN e ao BES) que os portugueses vão ter de pagar. Como são repugnantes os conselhos de Luís Amado e de outros conselheiros do mesmo jaez que por aí pululam!



Porque quer António Costa cumprir com os 3 por cento?

António Louçã

PPP_PPC_MLAQue o PS assinou o memorando de entendimento e quer continuar a representar a rábula do bom aluno, já se sabia. Que Centeno vai a Bruxelas demonstrar a sua capacidade para continuar a fazer todos os trabalhinhos de casa, também não é novidade.
O que é novo — e não havia necessidade — é fazer os seus próprios trabalhinhos de marrão e sentir-se também obrigado a fazer os deveres do cábula apanhado em falso. Ora, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque foram apanhados pela UTAO — em falso, a cabular. Depois de tanta conversa sobre “cofres cheios” e “almofadas protectoras”, depois de tantas promessas eleitoralistas sobre devolução da sobretaxa, descobre-se que afinal as contas estão armadilhadas e “muito dificilmente” se cumprirá os tais 3 por cento do défice. Ler o resto do artigo »



Otelo – “arrependimento” e delírios

Paulo Guilherme

RalisJuramentoO artigo de António Louçã no MV, referente à recente e degradante entrevista concedida por Otelo (como é possível alguém descer tão baixo?) a António Nabo e a António Louçã, a propósito do 25 de Novembro, radica num erro — o de que é hoje possível atribuir qualquer credibilidade ao que afirma aquele capitão de Abril.

Para quem acompanhou de perto e com espírito critico o percurso de Otelo nestas décadas pós 25 de Abril de 1974, com envolvimento político activo e comum, assim como na participação no nefando processo judicial de perseguição política (o chamado caso FUP/FP-25) e que assistiu à construção das histórias e aos delírios de Otelo — só pode aceitar que, hoje, como em grande parte do passado, o valor das suas declarações (particularmente as que envolvem as suas responsabilidades) valem zero.
Há muitos anos, para muita gente de esquerda, Otelo é um caso perdido. Ler o resto do artigo »



25 de Novembro, há 40 anos

Quando Otelo mandou fazer fogo sobre operários que pediam armas

António Louçã

Otelo_NevesSe alguém tivesse dúvidas sobre o que Otelo foi fazer para Belém em 25 de Novembro de 1975, depois de acordar estremunhado e de passar de fugida pelo Copcon, a resposta aí está, neste aniversário redondo, dada pelo próprio: mais ainda do que entregar-se para ficar preso, foi colaborar activamente na contra-revolução. Ler o resto do artigo »



Uma questão de bandeiras

Amantes das suas liberdades, os europeus comoveram-se, compreensivelmente, com os ataques terroristas em Paris. Temerosos, acolhem por inteiro a propaganda do poder, que fez do caso o centro de todas as discussões. Submissos, apoiam a política guerreira dos seus governos que, alegremente, a levam a cabo há anos, sem problemas. Resignados, aceitam que lhes cortem as liberdades a troco de uma segurança inexistente. Centrados em si, agitam bandeirinhas francesas e cantam a Marselhesa, mas esquecem os recentes atentados na Turquia, no Líbano, no Sinai, ou na Nigéria (400 mortos) por serem lá fora. Alguém se lembrou de fazer um minuto de silêncio por esses 400 mortos ou colocar nas redes sociais as bandeiras da Turquia, da Rússia, do Líbano ou da Nigéria?



Há terror e terror

Em 2013, dez e doze anos depois das invasões do Iraque e do Afeganistão, calculava-se que os mortos iraquianos e afegãos eram 434 vezes mais que os mortos norte-americanos no 11 de Setembro de 2001, e 186 vezes mais que as vítimas de todos os ataques terroristas verificados no mundo entre 1993 e 2004 (dados do Tribunal-Iraque). Esta desproporção agravou-se enormemente se somarmos os mortos na Síria, na Líbia, na Palestina, no Líbano, no Iémen, no Egipto, na África Central e em todas as regiões do mundo em que os imperialismos norte-americano e europeu têm aberto teatros de guerra e promovido golpes de estado — dando curso às suas ambições económicas e políticas sob a capa do combate ao terrorismo.



A dúvida do filósofo

O filósofo José Gil, entrevistado pela TSF, mostrou-se indignado com a carnificina de Paris em que vê um ataque à democracia e às liberdades na Europa. Declarou por isso o seu apoio aos bombardeamentos que a França decidiu intensificar na Síria contra as forças do Estado Islâmico. Mas logo de seguida, cartesianamente, surgiu-lhe a dúvida: se a França sabia onde se situavam as bases e os campos de treino do EI porque não os atacou antes? Ora aí está um bom tema de reflexão para o ilustre filósofo. Se não leva a mal, talvez o presidente sírio, que não consta ter grande formação filosófica, lhe possa dar uma ajuda prática. Disse Bachar al-Assad depois do 13 de Novembro, lembrando o apoio da França aos grupos terroristas que actuam na Síria: Nós, sírios, sabemos o que é o terrorismo, sofremos os seus efeitos há mais de cinco anos; não é com mais bombardeamentos que a França resolve a questão, é com uma mudança da sua política.



Talvez perguntar “porquê?”

Franceses pagam pela política do seu governo

Manuel Raposo

Mideast SyriaTal como os norte-americanos em 2001, os espanhóis em 2004 e os britânicos em 2005, os franceses pagaram amargamente, em 13 de Novembro passado, a política de terror militar praticada pelo seu próprio governo. É esta a realidade crua que ninguém parece querer reconhecer.
Afirmar, como fez o presidente francês, com ar compungido, que o alvo dos terroristas do Estado Islâmico são a Liberdade e a Democracia na Europa é uma mistificação destinada a manter a população francesa e europeia silenciosa e inoperante diante das agressões e do terror de estado levados a cabo pelas potências ocidentais contra o mundo árabe e muçulmano. A boa questão a colocar, neste caso, é justamente a inversa: saber se as intervenções militares francesas dos últimos anos contribuíram para levar a democracia e a liberdade à Síria, à Líbia, ao Mali e por aí fora. Ler o resto do artigo »



4 de Outubro – algumas clarificações

Carlos Completo

mascara-que-caiUm dos aspectos positivos decorrentes dos resultados eleitorais de 4 de Outubro último, para além da inexistência de maiorias absolutas e do há muito desejado derrube do governo PSD/CDS, foi a aliança efectuada pelo PS com os partidos à sua esquerda. E que, apesar de se tratar de uma aliança entre partidos do regime, deu origem a fortes ataques verbais e a sujas manobras da direita que muito contribuíram para a clarificação do posicionamento individual e de grupo na sociedade portuguesa, assim como para um melhor conhecimento do estádio actual da luta de classes. Ler o resto do artigo »



Editorial

O pânico

A direita portuguesa anda de cabeça perdida. Porquê? Habituou-se, em 40 anos e sobretudo nos últimos quatro, a fazer o que queria sem réplica à altura: distribuir lugares entre si, roubar à vontade, impor todos os sacrifícios à massa trabalhadora. Em 4 de outubro a autoridade formal para o fazer sofreu um abalo inesperado. Tanto bastou para que se seguisse o pânico.

O pânico da direita tem a ver com a fragilidade que, como toda a burguesia bem sabe, afecta o seu próprio poder, debilitado por uma crise interminável que lhe estreita a capacidade de comprar o sossego das classes assalariadas — e ao mesmo tempo a obriga a espoliá-las cada vez mais. Ler o resto do artigo »



Derrotar na rua o governo da direita!

gatunogatuno_cropUm grupo de activistas da Margem Sul divulgou um comunicado, distribuido em várias empresas da zona, no qual toma posição sobre o momento político. Denunciando a tentativa de Cavaco Silva de calar a voz dos milhões de trabalhadores que votaram contra o governo da austeridade, o texto (assinado Por uma Plataforma Comunista – Núcleo da Margem Sul) afirma:
“Os trabalhadores não aceitam que o Presidente da República faça tábua rasa da sua existência e dos seus interesses de classe, e rejeitam ser meros espectadores de “tradições” pretensamente democráticas. Não aceitam que da própria Assembleia da República – maioritariamente contrária às políticas de austeridade pró-capitalistas – saia um governo de direita para impor aquilo que os trabalhadores rejeitaram inequivocamente ao longo de 4 anos de luta contra a troika e o governo PSD-CDS.” Ler o resto do artigo »



A ética alemã e o espírito do capitalismo

António Louçã

VWNa melhor tradição weberiana, Merkel e Schäuble têm abundado desde há vários anos em exortações ao trabalho honrado, à frugalidade e à poupança. Essas exortações, dizem ela e ele, são especialmente relevantes para os povos meridionais, levianos e despesistas.
E, como a leviandade e o despesismo não criam riqueza nem enchem a barriga a ninguém, também deve parecer natural que os PIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha) se tenham tornado um alfobre de vícios morais: corrupção, fraude fiscal, desvio de fundos e um largo etcoetera.
Bem prega Frei Tomás. Nas últimas semanas, assistimos a duas monumentais fraudes, muito alemãs e bem à escala do capitalismo alemão. Ler o resto do artigo »



Portugal fora da Nato!

Entre final de Setembro e 6 de Novembro decorre um exercício da Nato (o maior desde o fim da Guerra Fria) que envolve Portugal, Espanha e Itália e 35 mil homens de 33 países (28 da Nato e cinco “aliados”). Sabe-se que a Nato é um instrumento de guerra imperialista responsável por numerosos actos de agressão, destruição de países, morte e deslocação forçada de milhões de pessoas, como é patente no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Mas além disso, o exercício em curso é, pela sua magnitude e pelo momento em que decorre, uma demonstração de força conjunta da UE e dos EUA em face da evolução dos acontecimentos no Mediterrâneo — especialmente na Síria, em que a intervenção da Rússia travou as intenções de europeus e norte-americanos de derrubarem o regime sírio como fizeram na Líbia, com as consequências que se conhecem. Ler o resto do artigo »



Situação e perspectivas

Os dados eleitorais e a disputa pela formação do governo

governo-rua1.
Os resultados eleitorais de 4 de outubro e sobretudo a disputa pela formação do governo que lhe sucedeu dão sinal de uma alteração do quadro político dos últimos anos.

Os factos mostram o seguinte:

– a coligação de direita (ou seja, o governo PSD-CDS) perdeu a maioria que lhe permitira em 2011 governar quatro anos como quis;
– o PS não foi encarado como a alternativa à direita e à política de austeridade;
– as forças do poder (o conjunto PSD-PS-CDS, com 40 anos de provas dadas) tiveram em conjunto a mais baixa votação de sempre: menos de 71% (contra 78% em 2011), abaixo mesmo dos 72% de 1975, e longe dos picos de 87% de 1995 e 2002);
– o crescimento verificado no somatório do BE com a CDU, mais as pequenas formações à esquerda, revela uma (embora tímida) deslocação do eleitorado para a esquerda, isto é, contra a política de austeridade;
– a enorme abstenção, a maior de sempre nas legislativas, acentua o desprezo ou a desesperança de quase metade dos eleitores pelo resultado e pela eficácia do voto. Ler o resto do artigo »



Ferreira Leite e o golpe de Estado

António Louçã

CONGRESSO PSDHá muitas razões e boas para olharmos com desconfiança o que eventualmente possa ser-nos apresentado, nos próximos dias, como acordo para uma “maioria de esquerda”. O PS já se encarregou de dizer que esse acordo iria basear-se na sensata viragem de comunistas e bloquistas para aceitarem o limite de 3 por cento ao défice orçamental, e na sensata abdicação das exigências de renegociação da dívidas por parte do BE. Nem o PCP nem o BE confirmaram isto, que António Costa dizia em nome de ambos.
Mas, à direita, há poucas razões, e cada uma mais esfarrapada, para objectar a esse acordo.
Não deveria surpreender-nos que uma delas tenha surgido na boca de Manuela Ferreira Leite, precisamente aquela ex-ministra da direita que ultimamente cultivava a imagem de dissidente e ia ganhando uma aura de personagem frequentável para certa esquerda propensa a buscar na direita os seus salvadores ou salvadoras. Ler o resto do artigo »



Assis, um socialista de fancaria

A hipótese de o PS fazer uma coligação de governo com partidos à sua esquerda fez saltar de indignação numerosos “democratas” e até “socialistas”, habituados que estão à rotina do ora governas tu, ora governo eu, ora governas tu mais eu. Francisco Assis (assim como João Proença, Álvaro Beleza e outros) acha que uma coligação de esquerda é “completamente impensável” e que um governo da coligação “é o melhor para o país e para o PS”. Discorda, assim, das diligências levadas a cabo por António Costa com o BE e o PCP com vista à formação de um governo e considera que quem devia ser nomeado era Pedro Passos Coelho e não António Costa, ficando o PS na oposição a negociar com o PSD/CDS. Isto é, o PS servindo de bengala à coligação PSD/CDS e introduzindo aqui e ali algumas melhorias na prossecução da nefasta política da coligação de direita.



Sintonia

Nuno Melo, vice-presidente do CDS e deputado europeu, agitou o fantasma de um novo PREC na sequência dos resultados eleitorais de dia 4 e diante da possibilidade de o PS formar governo à esquerda. Esta baboseira para consumo de débeis mentais, que já usara aquando da eleição de António Costa para a direcção do PS, coincide com a “análise” feita pelos fascistóides do PNR, que vêem as coisas assim: “Das duas, uma: ou vamos ter um governo minoritário (…), ou vamos ver a Esquerda a dar as mãos e assistir-se [sic] ao ressurgir de um novo PREC, adoçado pela esquerda chique, acossado pela União Europeia e aplaudido pelos lóbis abortista, gay e da droga”. O PNR não elegeu nenhum deputado, mas tem um bom porta-voz nas mais altas instâncias.



A opinião do sr. Silva

Com o argumento estafado de tratar-se de uma “opinião pessoal”, os órgãos dirigentes da UGT tiveram de vir a terreiro desautorizar o seu secretário-geral. Carlos Silva, defendeu sem rebuço a formação de um governo PSD-CDS com o apoio do PS, por achar ser essa a fórmula que dá “garantia de estabilidade”. Pessoal ou não, a opinião mostra que a “estabilidade” que agrada a Carlos Silva é a dos últimos 4 anos, em que o governo PSD-CDS fez o que quis em boa parte porque a UGT o consentiu na Concertação Social. Foi com esse consentimento que o governo se pôde gabar diante dos parceiros europeus de ter levado a cabo a política de austeridade com o “acordo” dos trabalhadores portugueses. Percebe-se assim que a UGT queira apenas distanciar-se das afirmações do sr. Silva, mas evite tratar da questão política que elas levantam — e que é: de que lado está a UGT.



Construir uma alternativa de classe e de massas

No rescaldo e na continuação de algumas ilusões

Pedro Goulart

VotoMaio68Em 4 de Outubro votaram menos de 5 milhões e 400 mil dos mais de 9 milhões e 400 mil eleitores inscritos, isto é, votaram apenas cerca de 57% do total dos inscritos. Mais uma vez aumentou a abstenção. E, daqueles que votaram, à volta de 200 mil optaram pelo voto branco ou nulo. De referir ainda que os partidos de Coelho e Portas, que concorreram como PAF, obtiveram apenas pouco mais de 21% dos eleitores inscritos. É neste contexto que, sem consulta a quaisquer outros partidos, Passos Coelho foi encarregado pelo PR de encontrar uma solução governativa “estável”, certamente a pensar num governo do PSD/CDS, com o apoio do PS. Esta ideia de Cavaco Silva é, aliás, característica de um pensamento autoritário e arrogante, assim como um bom indicador do tipo de representatividade exigível aos governantes em democracia burguesa. Ler o resto do artigo »



A direita deve ser afastada!

Mas o futuro dos trabalhadores não depende de arranjos parlamentares

José Borralho

ppc-cerveja1. A questão política central em Portugal e em toda a Europa é o afastamento das políticas de austeridade e a sua derrota, precisamente porque é dessas políticas que sobrevive o capital europeu. Esta questão ficou bem clara pela luta travada por todos os dirigentes da União Europeia que se levantaram ferozmente contra as pretensões da Grécia de sair do garrote da austeridade conseguindo impor-lhe um novo resgate e mais austeridade.
Não foi por acaso que Cavaco Silva, numa atitude de atropelo à própria Constituição, fingiu não perceber que a maioria dos votos de 4 de Outubro se dirigiu precisamente contra as políticas de austeridade, e pôs de lado sequer a hipótese de chamar todos os partidos que elegeram deputados ao parlamento, revelando o seu pendor reaccionário. Ler o resto do artigo »



Não votes nos partidos de quem te explora!

Notas sobre as eleições de amanhã

Manuel Raposo

BastaCom o pretexto da informação em cima da hora, as sondagens diárias sobre as eleições do próximo dia 4 tornaram-se não um modo de avaliar tendências de voto mas uma forma de canalizar o voto — explorando a ideia de que uma dinâmica de vitória gera um vencedor. Nesta manobra propagandística, em que as sondagens fazem parte da campanha, foi a direita coligada que ganhou a parada.

Estamos, se ainda fosse preciso prová-lo, nos antípodas do apregoado voto “livre”, centrado numa “escolha política”, de acordo com o que seria “melhor para cada cidadão” ou “para o país”. A ideia mestra é simples: “Tens de escolher, gostes ou não”. Para a reforçar, são inclusive omitidas as percentagens previstas dos abstencionistas, marginalmente citados como “indecisos” e pragmaticamente rateados pelos partidos concorrentes — inflacionando, claro, os do poder. Ler o resto do artigo »



Votar para derrotar a direita

Sete pontos de ruptura com a política de direita

José Borralho

gov-rua1. Que pare de imediato a austeridade e seja restituído tudo o que foi cortado e roubado ao povo, incluindo os impostos.
2. Que o problema do desemprego seja considerado calamidade nacional e sejam tomadas as seguintes medidas:
a) Reduzir o horário de trabalho até às 30 horas semanais sem perda de vencimentos, na perspectiva de existir trabalho para todos;
b) Atribuir a cada desempregado o apoio correspondente aos salário mínimo nacional, até obter um emprego.
3. A dívida deverá ser paga pelos lucros, fortunas e impostos sobre o capital.
4. Confiscação das fortunas dos banqueiros e capitalistas envolvidos em processos de corrupção e a sua prisão.
5. Todo o apoio às lutas sindicais e populares por aumentos salariais e de pensões. Combater a burocracia conservadora que reduz as lutas a actos simbólicos.
6. Denúncia do tratado orçamental imposto pela União Europeia.
7. Saída imediata da Nato. Ler o resto do artigo »



À política o que é da política, à justiça o que é da justiça – dizem eles

Pedro Goulart

JustiçaSomos bombardeados quase diariamente com afirmações que pretendem inculcar-nos a ideia de que existe uma efectiva separação de poderes entre o político e o judicial. Ora, a ordem jurídica vigente visa manter a actual sociedade de classes, em que domina o capital e em que prevalece a exploração das classes trabalhadoras. Logo, é uma ordem jurídica ao serviço do patronato (e não ao serviço de” todo o povo”), verificando-se que a elite dirigente desta ordem jurídica é uma das beneficiárias dos interesses económicos que advêm desta sociedade. Para as classes burguesas dominantes, é de fundamental interesse manter a prevalência de tal mistificação – a da separação do poder político e judicial. E tal desiderato é assumido particularmente pelos partidos seus representantes – por PSD, CDS e PS – mas também é sustentada por partidos da esquerda do regime, como o PCP e o BE. Veja-se, em plena campanha de caça ao voto, a conversa de todos estes partidos a propósito da recente passagem de José Sócrates à situação de prisão domiciliária. Ler o resto do artigo »



Crise, soberania nacional e luta de classes (II)

Luta anticapitalista e soberania da “nação”, como colocar a questão em termos de classe?

Por uma Plataforma Comunista

25A6Como ficou prometido em anterior publicação neste site (e reproduzindo a edição em papel do MV 49, de Maio-Junho), prosseguimos a divulgação de mais um dos temas debatidos em torno da plataforma Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo — Uma perspectiva comunista.
Depois de termos abordado questões levantadas pela natureza da crise actual do capitalismo (no texto intitulado Uma crise passageira, ou o sinal da falência do capitalismo?), procuramos agora, na continuidade deste mesmo texto, responder a uma outra interrogação: O domínio do capital financeiro e das potências imperialistas faz da defesa da soberania nacional e das instituições democráticas o centro da luta política? como colocar a questão em termos de luta de classes? Ler o resto do artigo »



Como vamos de saúde

Pedro Goulart

hospitalfaroNa primeira quinzena de Agosto, a directora clínica do Centro Hospitalar do Algarve pediu aos colegas dos centros de saúde para suspenderem o envio de grávidas para o hospital de Faro, durante os meses de Agosto e Setembro, pois a maternidade encontra-se-ia em situação de “limite extremo”, sem condições para assegurar o normal funcionamento do serviço de obstetrícia. Claro que, tornado público este escandaloso caso e com a campanha eleitoral em andamento, o Ministério da Saúde resolvia rapidamente o assunto, numa política de tapa buracos, recorrendo à medicina privada.
Este é mais um episódio do vasto rol de angústias e dificuldades – longa espera por consultas e cirurgias, taxas moderadoras elevadas, diminuição da comparticipação na aquisição dos medicamentos – a que têm estado sujeitos os utentes do Serviço Nacional de Saúde. Ler o resto do artigo »



Crise, soberania nacional e luta de classes (I)

Uma crise passageira, ou o sinal da falência do capitalismo?

Por uma Plataforma Comunista

barcoencalhadoProsseguindo a divulgação de temas debatidos em torno do manifesto Enfrentar a crise, lutar pelo socialismo — Uma perspectiva comunista, publicamos o resultado de discussões tidas a respeito da natureza da crise actual do capitalismo e das questões políticas que ela coloca aos comunistas.
A questão que o texto seguinte procura tratar é esta: A crise é passageira? pode comparar-se às crise cíclicas passadas do capitalismo? se não, que desafios políticos se levantam para responder à situação?
Proximamente abordaremos uma outra questão: O domínio do capital financeiro e das potências imperialistas faz da defesa da soberania nacional e das instituições democráticas o centro da luta política? como colocar a questão em termos de luta de classes? Ler o resto do artigo »



Leis e salsichas

A Inquisição contra a lei da IVG

Manuel Raposo

AutodeFe1682Numa sessão maratona que praticamente culminou a legislatura (a 4 de Outubro haverá eleições), a Assembleia da República aviou no dia 22 de Julho, numas quantas horas, a discussão e votação de dezenas de diplomas, antes de ir para férias.
Poderia pensar-se que, por respeito pelos cidadãos, a Assembleia guardaria para este final de etapa apenas os diplomas de menor importância ou de menor controvérsia. Mas não. Entre a catadupa de leis e alterações de leis guardadas para a última hora figurou uma proposta de modificação da lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, aprovada por referendo em 2007.
Avançada por uma Iniciativa Legislativa de Cidadãos, que alberga os mais reaccionários e os mais inquisitoriais opositores da IVG, a proposta foi acolhida de modo discreto, mas de braços abertos, pelo governo e pela maioria PSD/CDS. E acabou por ser aprovada contra a vontade de toda a oposição. Ler o resto do artigo »



Estava tudo a correr tão bem

António Louçã

TitanicEntre as incontáveis aberrações que a imprensa-voz do dono tem inventado para explicar o estoiro da Grécia, está a de afirmar que se tinha iniciado uma recuperação económica — “tímida”, admite-se com ar grave — e que logo aí veio um partido de esquerda estragar tudo.

Este filme é muito visto e precedeu quase todas as explosões maiores da história universal. Ler o resto do artigo »



Um presidente às vezes bem informado

Cavaco Silva afirmou, corroborando Passos Coelho, que as declarações de Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia — segundo o qual o primeiro-ministro português, juntamente com a Espanha e a Irlanda, se teria oposto à discussão, antes das eleições legislativas, sobre a insustentabilidade da dívida grega e o seu eventual corte — não correspondiam nada às informações de que o presidente português dispunha.
Juncker não é flor que se cheire, mas o que disse tem sentido. Fica-se assim na dúvida sobre a qualidade das informações de que Cavaco dispõe. Serão do mesmo tipo daquelas que há pouco tempo dizia ter sobre a solidez do BES e a confiança que nele se poderia depositar — conhecido como é hoje o fundamento da sua convicção? Ler o resto do artigo »



A pobreza como futuro

Pedro Goulart

pobreza2Apesar de muita demagogia, em particular daquelas promessas que habitualmente preenchem os períodos eleitorais, a coligação PSD/CDS não esconde que, caso vença as próximas eleições, a dita austeridade (para as classes trabalhadoras e o povo) não nos abandonará. O já anunciado corte de 600 milhões nas pensões, os cortes verificados nos apoios sociais (Rendimento Social de Inserção, Complemento Solidário para Idosos, Complemento por Dependência), na Saúde e na Educação, assim como os salários baixos, a elevada taxa efectiva de desemprego, a continuação de uma alta carga fiscal, são elementos preponderantes de uma situação que está para durar. Ler o resto do artigo »



A irmandade

Urbano de Campos

schulz&ciaA campanha contra o Não dos gregos, antes e depois da votação, só pode ser classificada como miserável. Entre os mais destacados participantes contam-se, como se sabe, os “socialistas” alemães do SPD. Martin Schulz, presidente do parlamento europeu e Sigmar Gabriel, vice-chanceler, ministro da economia e líder do partido primaram pela chantagem.

Dizendo, na manhã do referendo, que os gregos iriam ficar sem dinheiro se votassem Não, Schulz pintou o seguinte cenário: “os salários não serão pagos, o sistema de saúde deixará de funcionar, a rede eléctrica e os transportes públicos irão abaixo, e eles [os gregos] não serão capazes de importar bens vitais porque não os poderão pagar”. Na esperança de que o Sim ganhasse, revelou o jogo alemão ao propor a demissão do governo do Syriza e a nomeação de um governo de tecnocratas, o qual — antes de novas eleições! — assinaria o acordo que os credores da Grécia pretendiam. Ler o resto do artigo »



Strangelove Schäuble

António Louçã

Schauble1Wolfgang Schäuble, antes de ser ministro das Finanças, foi duas vezes ministro do Interior. Entretanto, foi apanhado a aceitar contribuições para o seu partido da parte do traficante de armas Karl-Heinz Schreiber, condenado por fuga ao fisco. A verdadeira vocação de Schäuble era para chefiar as polícias e não para dirigir as finanças públicas. Por algum motivo foi parar às Finanças, quando começou a ser procurado para o cargo um perfil de polícia.

Mais alma de polícia do que Schäuble era difícil. Quando ministro do Interior. distinguiu-se por uma constante paranóia securitária. Em Outubro de 2009 recebeu o prémio negativo “Big Brother”, pela sua concepção autoritária do Estado. Ler o resto do artigo »



Editorial

Apoiemos o povo grego

1. O voto esmagador do povo grego no passado dia 5 foi dirigido contra a austeridade e contra a ditadura das potências europeias. Significa uma movimentação para a esquerda de uma larga parte das massas populares gregas, maior ainda do que nas eleições de Janeiro que deram a vitória ao Syriza.

Esta situação é inédita na União Europeia. Apesar de ser um pequeno passo se tivermos em conta as reais necessidades das massas trabalhadoras e a enorme força do capital, é um importante passo em frente para devolver a confiança ao movimento popular e para reerguer a luta anticapitalista.

2. O sonoro “Não à austeridade, não à submissão, não à chantagem, não ao medo” do povo grego veio recolocar as coisas no devido pé: o que está em curso é uma luta política e não uma disputa financeira à volta de números. De um lado estão os trabalhadores gregos que rejeitam ser esmagados a pretexto de dívida; do outro estão a maiores potências capitalistas da UE que fazem da dívida um meio de exploração e submissão dos trabalhadores. Ler o resto do artigo »



O que faz falta

Manuel Raposo

votosecretoAs recentes sondagens de opinião que dão um empate entre PS e PSD/CDS para as eleições legislativas de Setembro/Outubro desenham uma imagem clara do que vai pelo país.

Primeiro, o PS não é alternativa à política de austeridade levada a cabo, há já 4 anos, pela coligação no governo. O facto revela que os portugueses têm memória do que foi a governação do PS, que iniciou a política de austeridade com os PECs, abrindo assim caminho à austeridade pura e dura do governo actual. E que se lembram também que, sob a batuta de Seguro, o PS deu a Passos e Portas, e ao presidente da República, o oxigénio de que precisaram para ultrapassar a crise governativa do verão de 2013 e assim poderem completar a obra que está à vista. E, claro está, fica também à vista de todos como o novo líder António Costa e os seus apaniguados gaguejam sempre que se trata de responder à necessidade de pôr termo à política de austeridade. Ler o resto do artigo »



Uma lição para muitos canalhas

Hoje, dia 5, o povo grego, vivendo uma situação económica e social extremamente difícil e apesar de cercado e chantageado por toda uma corja de gestores do capital (Merkel, Schauble, Schulz, Lagarde, etc — a corja portuguesa nem merece referência, dada a sua irrelevância), coadjuvada por bandos de analistas e de jornalistas de serviço, que apelavam à submissão de todo um povo e à vitória do Sim, mostrou uma enorme dignidade e deu uma grande lição a muitos canalhas. É caso, para os que puderem, afirmarem: “todos somos gregos”.



Grécia: não à austeridade

Quando a democracia burguesa torna claro que não passa de uma ditadura do capital

José Borralho

OxiPor toda a Europa imperam as políticas austeritárias e a Grécia é a maior vítima dessas políticas. Os números não enganam sobre a devastação capitalista do FMI, da UE e do BCE, que os provocou: quebra do PIB em 25%, dívida igual a 180% do PIB, desemprego generalizado (60% entre os jovens), pobreza, destruição dos serviços sociais.

Nunca é demais repetir as causas que levaram o actual governo grego ao poder:
– A resistência dos trabalhadores à austeridade, imposta pelos governos da direita a mando da UE/BCE/FMI, através de dezenas de greves gerais, de ocupações e de combativas manifestações, que tornaram insustentável o poder burguês. Ler o resto do artigo »



O golpe de Estado dos “adultos”

António Louçã

Lagarde_Moscovici_SchaeubelAo declarar que seria preciso discutir uma solução para a Grécia, mas “com adultos dentro da sala”, a directora-geral do FMI, Christine Lagarde, estava a revelar a atitude genocida do capital internacional sempre que alguém se lhe atravessa no caminho.
Logo surgiram tentativas para minimizar o significado da frase de Lagarde, como se ela se tivesse limitado a lançar uma graçola de gosto duvidoso, ao estalar-lhe o verniz de grande dama perante a relutância de um Governo em capitular. A essa luz tratar-se-ia talvez de uma grosseria ou mesmo de uma manifestação de carácter digna de Strauss-Kahn. Só com a diferença de Lagarde não violar empregadas de limpeza e sim povos inteiros, com os seus direitos sociais e direitos humanos. Ler o resto do artigo »