Tópico: Breves

Energia positiva

4 Junho 2008

Até agora, as televisões referiam os aumentos dos combustíveis com lacónicos dados sobre os respectivos valores e uma ou outra reportagem de utentes resignados, ou de raianos a encher o depósito em Espanha. Com a greve dos armadores e pescadores e os milhares de apelos na Internet para o boicote às gasolineiras, começaram a falar do que interessa: a estrutura do preço, os ganhos astronómicos da Galp, da BP e da Repsol, a subida do imposto. Mas falam discretamente, pela voz dos comentadores serviçais do costume. Pudera! Para as privadas, clientes destes mandam. E para a RTP, o governo é patrão.


Melhorar o incumprimento

O relatório da entidade reguladora dos médias (ERC), relativo a 2007, diz que a RTP, embora com melhoria face a 2006, não cumpriu as obrigações do contrato de concessão de serviço público. Santos Silva, responsável pela pasta da Comunicação Social, acha que o relatório “assinalou um progresso” e que, portanto, “seria um absurdo” que o Estado – que não sancionou a RTP nos anos anteriores – a sancionasse agora. O ministro acha, portanto, que se alguém cometer uma fraude de 1 milhão e não tiver sido punido no ano anterior por fraude de 3 milhões, deve continuar impune. Será este critério também válido, por exemplo, para as avaliações de desempenho dos funcionários?


Mudam os cargos, mudam as preocupações

Cavaco está muito preocupado com o problema das desigualdades sociais. Ora, quando foi primeiro-ministro, as desigualdades aumentaram e muito. No estudo Distribuição do Rendimento, Desigualdade e Pobreza: Portugal nos Anos Noventa, do economista Carlos Farinha Rodrigues, professor do ISEG, publicado recentemente, lê-se na página 307: “ao longo da primeira metade da década de noventa assistiu-se a um modelo de crescimento que beneficiou os indivíduos e as famílias de maiores rendimentos, penalizou os indivíduos dos escalões inferiores da distribuição, acentuou fortemente as desigualdades sociais e manteve os níveis de pobreza extremamente elevados”.


Com abrigo

Após denúncia do dono de uma casa no Japão, que começou a reparar que a comida lhe desaparecia do frigorífico, a polícia revistou a casa e encontrou uma mulher dentro de um armário, para onde já tinha levado um colchão. Detida pelas autoridades, a mulher, de 58 anos, respondeu que não tinha lugar para onde ir e que vivia ali há cerca de um ano.


Greve na Fiação Oliveira Ferreira

3 Junho 2008

Mais de 200 trabalhadores da Fiação Oliveira Ferreira, em Riba d’Ave, estiveram em greve no dia 2 de Junho, reivindicando o pagamento dos salários referentes a Abril e Maio, assim como parte do subsídio de Natal. É a peste dos salários em atraso que continua a atormentar quem trabalha. A empresa, em processo de falência, prometeu pagar no próprio dia da greve, mas os trabalhadores (já várias vezes enganados) dizem só acreditar quando virem o dinheiro na conta.


Mais um dos tais

Aos 50 anos de idade e com 20 anos de descontos como deputado, Luís Marques Mendes, até há poucos meses presidente do PSD, acaba de requerer a pensão de reforma pela sua actividade parlamentar, no valor vitalício de 2.905 euros mensais. É altura de lembrar que um trabalhador tem de trabalhar até aos 65 anos de idade e ter uma carreira contributiva completa durante 40 anos para obter uma reforma correspondente a 80% da remuneração média da sua carreira profissional.


Dois partidos, dois sonhos

2 Junho 2008

Depois de uns dias de silêncio, a direcção do PS decidiu-se pela ameaça contra os socialistas que alinham com o Bloco de Esquerda no comício de “protesto” previsto para amanhã, 3 de Junho. Está em causa a natureza da maioria parlamentar a sair das próximas eleições. A direcção do PS sonha com uma maioria absoluta renovada; a direcção do BE sonha estender ao governo o acordo-teste PS-BE assinado para a Câmara de Lisboa. Os próximos tempos mostrarão os efeitos desta disputa no interior de cada um dos partidos. No PS, entre a maioria neoliberal de Sócrates, a oposição residual de Soares e Alegre e os adeptos populares. E no Bloco, entre a linha “neo-reformista” que o dirige e a aspiração anticapitalista de muitas das suas bases.


Inflação recorde na Europa

31 Maio 2008

Segundo o Eurostat, em Março e em Maio a inflação na Europa igualou o valor máximo (3,6%) desde que esse instituto foi criado, em 1999. A inflação é uma subida dos preços que afecta o custo de vida, diminuindo o poder de compra dos salários. Recentemente o Governo negociou os aumentos dos funcionários públicos na base de uma inflação de 2,3% para este ano e de 2,1% para 2009, tendo o ministro das Finanças afirmado que “a previsão da inflação para 2008 está perfeitamente em linha com a evolução verificada mesmo a nível europeu”. No entanto, recusa-se a rever os aumentos acordados em função dos novos valores da inflação. Qualquer comerciante que aldrabasse um cliente desta forma poderia ser preso e julgado por burla.


Estabilizar a instabilidade

Os jornais anunciam que o desemprego na União Europeia se mantém “estável” nos 6,7%. Em Portugal, verifica-se a taxa de 7,4% pelo terceiro mês consecutivo. E os títulos repetem: “desemprego estável”. Mas qual é a estabilidade da vida de um desempregado? Para quem vive do trabalho, é um cinismo associar a palavra estabilidade à palavra desemprego. Isso é feito para que achemos normal um fenómeno que só é normal (e benéfico) para os detentores e gestores do capital. O desemprego é a chantagem do capital sobre a mão-de-obra.


Contradições?

28 Maio 2008

João Proença é secretário-geral da UGT, organização que diz defender os trabalhadores, mas é também membro da comissão política do PS, partido cujo governo tem dirigido uma forte ofensiva contra quem trabalha, da qual sobressai a legislação laboral (Código do Trabalho) que agora pretende impor na Assembleia da República. Pois bem, João Proença esteve recentemente na reunião da comissão política do PS onde foi dada orientação para votar favoravelmente a referida legislação. E, pasme-se, esteve calado. Será que não é o mesmo João Proença?


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