Uma procuradora à medida?

2 Setembro 2012

Falando numa conferência na Universidade de Verão do PSD, e muito aplaudida, a directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, afirmou: “O nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos”. Aliás, veja-se no que deram processos como o do Freeport e o dos Submarinos! Isto dá ânimo aos políticos do regime, particularmente aos do chamado arco governativo. Com as Universidades de Verão, a passagem por algumas sedes partidárias e várias benevolências a figuras gradas do sistema, talvez Cândida Almeida consiga o ambicionado cargo de Procuradora Geral.


A dança dos tachos

Pedro Goulart — 29 Agosto 2012

Raros são os dias em que não observamos uma dança especial, um certo tipo de movimento mercenário em direcção aos tachos no aparelho do Estado, nas chamadas empresas públicas ou até nas empresas que o actual governo vai privatizando (favores com favores se pagam!). Durante as últimas décadas, com governos do PS, PSD e CDS (isolados ou em sociedade partidária), este tipo de movimento foi particularmente visível nos períodos anteriores às eleições legislativas e à tomada de posse de novos governos. Ou, então, logo a seguir a estes tomarem posse, quando pertenciam a partidos políticos diferentes dos integrantes do governo anterior. E, ao longo do tempo, fomos assistindo a uma contínua movimentação (claramente promíscua) de gestores e governantes entre o aparelho de Estado e os negócios privados.


Homenagem a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira

24 Agosto 2012

Dia 2 de Setembro, no Porto, nos Jardins do Palácio de Cristal, às 18h, é prestada homenagem a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, num espectáculo gratuito. A CulturePrint promove o Concerto e  apresenta o livro “Provas de Contacto”, com testemunhos sobre os dois Amigos Maiores que o Pensamento, compilando textos de Manuel Alegre, Alípio de Freitas, Francisco Duarte Mangas, João Pedro Mésseder, José Duarte, Regina Guimarães, Júlio Cardoso e Manuel Freire. No concerto participam: Coro dos Amigos Maiores, Frei Fado del Rei, Maestro António Victorino de Almeida, Miguel Leite e Os Contracorrente.


O sr. Jonathan Winer e os donos do mundo

Carlos Completo — 17 Agosto 2012

Joana Lopes e Diana Andringa, indignadas com as declarações ao Expresso de um ex-vice-secretário de Estado adjunto do tempo de Bill Clinton, Jonathan Winer (*), a propósito da decisão judicial de não extradição por Portugal de George Wright, apresentaram no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa uma queixa-crime contra este ex-dirigente norte-americano.
As razões desta queixa estão na exposição ao Procurador Geral da República onde, entre outras coisas, se pode ler:


Passos Coelho, chefe de um governo burguês, rasca e autoritário

Pedro Goulart — 9 Agosto 2012

Não nos cabe escolher entre os diversos governos que a burguesia impõe aos trabalhadores. Mas a análise das debilidades desses governos e a denúncia paciente e sistemática das suas malfeitorias são úteis ao desenvolvimento das lutas de classe do proletariado. E é da natureza destes governos – mais ou menos “dialogantes”, mais inteligentes ou mais rascas – todos procurarem encontrar a cada momento uma forma eficaz dos capitalistas extorquirem a mais valia aos trabalhadores. Por isso, as trapalhadas, as afirmações ridículas, a ignorância e a boçalidade evidenciadas por vários ministros e secretários de estado de Passos Coelho não nos devem distrair dos objectivos centrais deste governo – a intensificação da exploração das classes trabalhadoras (recorrendo a todos os meios) para que sejam estas a pagar uma ultrapassagem provisória da crise capitalista.


EUA e UE sabotam planos de paz para a Síria

Manuel Raposo — 1 Agosto 2012

Tal como fizeram na Líbia, os EUA e a União Europeia pretendem derrubar o regime sírio de Bachar al-Assad e colocar no poder um governo a seu gosto. A grande dificuldade para pôr em prática este plano tem sido a oposição da Rússia e da China. Ambas recusam aprovar na ONU sanções e medidas militares contra a Síria, e percebe-se porquê. Primeiro, pelo que sucedeu na Líbia: o aval que deram, na ONU, à criação de uma zona de exclusão aérea foi transformada de imediato numa acção militar ofensiva pelas forças da NATO. Segundo, porque um avanço ocidental sobre a Síria, com consequências sobre o Líbano e o Irão, significaria uma consolidação da NATO no Médio Oriente e um passo mais em direcção às fronteiras da Rússia e da Ásia Oriental.


Para que não se percam os frutos da civilização

Manuel Raposo — 26 Julho 2012

A crise do mundo capitalista martiriza em primeiro lugar e acima de tudo o proletariado. Mas começou também a atingir os privilégios das chamadas classes médias, o principal sustentáculo do poder nos países mais desenvolvidos. Que significado tem esse facto para o declínio das sociedades capitalistas e que efeitos políticos traz para a luta de classes? A crise capitalista põe a nu o processo de exploração em que assenta toda a sociedade e revela a natureza de classe dos valores e das instituições burguesas – Estado, democracia, violência. Como pode, então, o comunismo marxista propor ao proletariado a saída do círculo de giz do capitalismo? São as questões colocadas nesta última parte da intervenção feita no congresso Marx em Maio.


Amadora: ameaça de despejo em massa

23 Julho 2012

Contra as demolições, pelo direito à habitação e extremamente preocupada com a situação dos moradores do Bairro de Santa Filomena (Amadora), a Habita – colectivo pelo Direito à Habitação e à Cidade – apresentou queixa contra as autoridades portuguesas a várias entidades internacionais. Este colectivo salienta que se trata de um bairro degradado construído por centenas de pessoas, maioritariamente famílias de trabalhadores/as imigrantes que ao longo de muitos anos trabalharam sobretudo na construção civil e nas limpezas, com salários extremamente baixos e sem estabilidade.


“No estamos indignados, estamos hasta los cojones!”

Santiago Cuervo Porras — 20 Julho 2012

Às 2h30 da madrugada dava entrada na Puerta del Sol a “marcha negra”, 19 dias e mais de 400 quilómetros de caminhada sob o sol da Meseta para exigir ao ministério da Indústria que não seja cortada a subvenção ao carvão e se cumpra o que está aprovado nos Orçamentos Gerais do Estado para 2012.
Se a despedida aos mineiros asturianos foi feita por uma multidão em Pola de Lena, antes de subir a Puerto de Pajares, fronteira natural com a meseta leonesa e castelhana, a recepção em Madrid não o foi menos: ao grito de “Esta é a nossa selecção”, milhares de madrilenos desfilaram com a colunas mineiras chegadas de Leão, Astúrias, Aragão, Castela-A Mancha e Andaluzia. Uma vez mais, o povo de Madrid fazia gala da sua afamada solidariedade demonstrada nos momentos mais duros e difíceis da nossa história. As filas de mineiros flanqueadas e protegidas pelos bombeiros da capital recebiam emocionados as demonstrações de afecto dos que ali se tinham congregado.


Sem pejo

17 Julho 2012

A Câmara de Comércio e Indústria Árabe-Portuguesa, presidida pelo cardeal Ângelo Correia, promoveu em 25 de Junho o Fórum Económico Portugal-Iraque. Objectivo: fazer negócio.
O ministro iraquiano da Construção e Habitação, Al-Derajy, acenou com 150 mil milhões de euros de investimentos e, bom comerciante, disse que quem chegar primeiro ganhará mais. Tanto bastou para que o secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, visse a ocasião de as empresas lusas fazerem no Iraque as obras que não fazem em Portugal por força da crise. E para que o ministro da Economia, Santos Pereira, destacasse a oportunidade de Portugal se tornar um “eixo geoeconómico estratégico” (sic) e quiçá sair da fossa.


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