Tópicos
- Aos Leitores (20)
- Breves (968)
- Cartas (44)
- Cultura (42)
- Economia (157)
- Editorial (76)
- Efeméride (51)
- Liberdades (519)
- Mundo (893)
- País (1371)
- Política (1377)
- Sociedade (260)
- Trabalho (449)
- Tribuna (15)
- Ver-Ouvir-Ler (37)
Links
Número de consultas:
(desde 7 Outubro 2007)
Última actualização do site:
18 Novembro 2025
Editorial
O pânico
5 Novembro 2015
A direita portuguesa anda de cabeça perdida. Porquê? Habituou-se, em 40 anos e sobretudo nos últimos quatro, a fazer o que queria sem réplica à altura: distribuir lugares entre si, roubar à vontade, impor todos os sacrifícios à massa trabalhadora. Em 4 de outubro a autoridade formal para o fazer sofreu um abalo inesperado. Tanto bastou para que se seguisse o pânico.
O pânico da direita tem a ver com a fragilidade que, como toda a burguesia bem sabe, afecta o seu próprio poder, debilitado por uma crise interminável que lhe estreita a capacidade de comprar o sossego das classes assalariadas — e ao mesmo tempo a obriga a espoliá-las cada vez mais.
Derrotar na rua o governo da direita!
4 Novembro 2015
Um grupo de activistas da Margem Sul divulgou um comunicado, distribuido em várias empresas da zona, no qual toma posição sobre o momento político. Denunciando a tentativa de Cavaco Silva de calar a voz dos milhões de trabalhadores que votaram contra o governo da austeridade, o texto (assinado Por uma Plataforma Comunista – Núcleo da Margem Sul) afirma:
“Os trabalhadores não aceitam que o Presidente da República faça tábua rasa da sua existência e dos seus interesses de classe, e rejeitam ser meros espectadores de “tradições” pretensamente democráticas. Não aceitam que da própria Assembleia da República – maioritariamente contrária às políticas de austeridade pró-capitalistas – saia um governo de direita para impor aquilo que os trabalhadores rejeitaram inequivocamente ao longo de 4 anos de luta contra a troika e o governo PSD-CDS.”
Aumento da dívida pública
29 Outubro 2015
Portugal tem hoje a terceira maior dívida pública (em percentagem do PIB) da União Europeia, ultrapassado apenas pela Grécia e pela Itália — cerca de 130% do PIB de acordo com o cálculo do Eurostat.
Vejamos a evolução da dívida pública (líquida), com dados do Banco de Portugal e em milhões de euros, desde a chegada da troika, em 2011:
Dezembro de 2010 : 158.736
Dezembro de 2011 : 170.904
Dezembro de 2012 : 187.900
Dezembro de 2013 : 196.304
Dezembro de 2014 : 208.128
Agosto de 2015 : 212.684
Depois da criação de centenas de milhares de desempregados, da emigração forçada de mais de 350 mil portugueses, do agravamento da exploração dos trabalhadores e das condições económicas e sociais da maioria da população, é esta a dívida (para além da dívida privada), que nos deixa a troika e o governo PSD/CDS. E o mais que ainda não se sabe!
A ética alemã e o espírito do capitalismo
António Louçã — 28 Outubro 2015
Na melhor tradição weberiana, Merkel e Schäuble têm abundado desde há vários anos em exortações ao trabalho honrado, à frugalidade e à poupança. Essas exortações, dizem ela e ele, são especialmente relevantes para os povos meridionais, levianos e despesistas.
E, como a leviandade e o despesismo não criam riqueza nem enchem a barriga a ninguém, também deve parecer natural que os PIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha) se tenham tornado um alfobre de vícios morais: corrupção, fraude fiscal, desvio de fundos e um largo etcoetera.
Bem prega Frei Tomás. Nas últimas semanas, assistimos a duas monumentais fraudes, muito alemãs e bem à escala do capitalismo alemão.
Portugal fora da Nato!
22 Outubro 2015
Entre final de Setembro e 6 de Novembro decorre um exercício da Nato (o maior desde o fim da Guerra Fria) que envolve Portugal, Espanha e Itália e 35 mil homens de 33 países (28 da Nato e cinco “aliados”). Sabe-se que a Nato é um instrumento de guerra imperialista responsável por numerosos actos de agressão, destruição de países, morte e deslocação forçada de milhões de pessoas, como é patente no Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria. Mas além disso, o exercício em curso é, pela sua magnitude e pelo momento em que decorre, uma demonstração de força conjunta da UE e dos EUA em face da evolução dos acontecimentos no Mediterrâneo — especialmente na Síria, em que a intervenção da Rússia travou as intenções de europeus e norte-americanos de derrubarem o regime sírio como fizeram na Líbia, com as consequências que se conhecem.
Situação e perspectivas
Os dados eleitorais e a disputa pela formação do governo
21 Outubro 2015
1.
Os resultados eleitorais de 4 de outubro e sobretudo a disputa pela formação do governo que lhe sucedeu dão sinal de uma alteração do quadro político dos últimos anos.
Os factos mostram o seguinte:
– a coligação de direita (ou seja, o governo PSD-CDS) perdeu a maioria que lhe permitira em 2011 governar quatro anos como quis;
– o PS não foi encarado como a alternativa à direita e à política de austeridade;
– as forças do poder (o conjunto PSD-PS-CDS, com 40 anos de provas dadas) tiveram em conjunto a mais baixa votação de sempre: menos de 71% (contra 78% em 2011), abaixo mesmo dos 72% de 1975, e longe dos picos de 87% de 1995 e 2002);
– o crescimento verificado no somatório do BE com a CDU, mais as pequenas formações à esquerda, revela uma (embora tímida) deslocação do eleitorado para a esquerda, isto é, contra a política de austeridade;
– a enorme abstenção, a maior de sempre nas legislativas, acentua o desprezo ou a desesperança de quase metade dos eleitores pelo resultado e pela eficácia do voto.
Ferreira Leite e o golpe de Estado
António Louçã — 20 Outubro 2015
Há muitas razões e boas para olharmos com desconfiança o que eventualmente possa ser-nos apresentado, nos próximos dias, como acordo para uma “maioria de esquerda”. O PS já se encarregou de dizer que esse acordo iria basear-se na sensata viragem de comunistas e bloquistas para aceitarem o limite de 3 por cento ao défice orçamental, e na sensata abdicação das exigências de renegociação da dívidas por parte do BE. Nem o PCP nem o BE confirmaram isto, que António Costa dizia em nome de ambos.
Mas, à direita, há poucas razões, e cada uma mais esfarrapada, para objectar a esse acordo.
Não deveria surpreender-nos que uma delas tenha surgido na boca de Manuela Ferreira Leite, precisamente aquela ex-ministra da direita que ultimamente cultivava a imagem de dissidente e ia ganhando uma aura de personagem frequentável para certa esquerda propensa a buscar na direita os seus salvadores ou salvadoras.
Assis, um socialista de fancaria
17 Outubro 2015
A hipótese de o PS fazer uma coligação de governo com partidos à sua esquerda fez saltar de indignação numerosos “democratas” e até “socialistas”, habituados que estão à rotina do ora governas tu, ora governo eu, ora governas tu mais eu. Francisco Assis (assim como João Proença, Álvaro Beleza e outros) acha que uma coligação de esquerda é “completamente impensável” e que um governo da coligação “é o melhor para o país e para o PS”. Discorda, assim, das diligências levadas a cabo por António Costa com o BE e o PCP com vista à formação de um governo e considera que quem devia ser nomeado era Pedro Passos Coelho e não António Costa, ficando o PS na oposição a negociar com o PSD/CDS. Isto é, o PS servindo de bengala à coligação PSD/CDS e introduzindo aqui e ali algumas melhorias na prossecução da nefasta política da coligação de direita.
Sintonia
14 Outubro 2015
Nuno Melo, vice-presidente do CDS e deputado europeu, agitou o fantasma de um novo PREC na sequência dos resultados eleitorais de dia 4 e diante da possibilidade de o PS formar governo à esquerda. Esta baboseira para consumo de débeis mentais, que já usara aquando da eleição de António Costa para a direcção do PS, coincide com a “análise” feita pelos fascistóides do PNR, que vêem as coisas assim: “Das duas, uma: ou vamos ter um governo minoritário (…), ou vamos ver a Esquerda a dar as mãos e assistir-se [sic] ao ressurgir de um novo PREC, adoçado pela esquerda chique, acossado pela União Europeia e aplaudido pelos lóbis abortista, gay e da droga”. O PNR não elegeu nenhum deputado, mas tem um bom porta-voz nas mais altas instâncias.
A opinião do sr. Silva
13 Outubro 2015
Com o argumento estafado de tratar-se de uma “opinião pessoal”, os órgãos dirigentes da UGT tiveram de vir a terreiro desautorizar o seu secretário-geral. Carlos Silva, defendeu sem rebuço a formação de um governo PSD-CDS com o apoio do PS, por achar ser essa a fórmula que dá “garantia de estabilidade”. Pessoal ou não, a opinião mostra que a “estabilidade” que agrada a Carlos Silva é a dos últimos 4 anos, em que o governo PSD-CDS fez o que quis em boa parte porque a UGT o consentiu na Concertação Social. Foi com esse consentimento que o governo se pôde gabar diante dos parceiros europeus de ter levado a cabo a política de austeridade com o “acordo” dos trabalhadores portugueses. Percebe-se assim que a UGT queira apenas distanciar-se das afirmações do sr. Silva, mas evite tratar da questão política que elas levantam — e que é: de que lado está a UGT.