A falência do centro
Manuel Raposo — 28 Setembro 2026

As duas vitórias inequívocas da AfD nas recentes eleições regionais na Alemanha, dão sinal de uma mudança na paisagem partidária, não só na Alemanha, mas também na Europa. A possibilidade de Marine Le Pen ganhar as presidenciais em França no ano que vem e de Nigel Farrage suplantar os Trabalhistas e os Conservadores no Reino Unido reforçam esta tendência. Se assim for, a novidade estará apenas no facto de se tratar das três maiores potências europeias, uma vez que os sinais da ascensão da extrema-direita já ficaram patentes na Itália, na Áustria, na Holanda, na Suécia, ou na Finlândia – sem esquecer o nosso caso nacional.
As forças partidárias que durante décadas constituíram um centro hegemónico, tipicamente formado por dois partidos que alternavam no Governo com políticas gémeas, estão em risco de ser arredadas do poder, e não mostram capacidade de resistir à ofensiva ou de recuperar os apoios que antes as tornavam dominantes. O que sucede não é um mero acidente eleitoral; é o desmantelamento de uma ordem política – ainda que os acontecimentos não sigam uma linha recta ou não apresentem o mesmo exacto rumo em cada país.
A mudança está a quebrar a parelha CDU-SPD na Alemanha; ameaça a dupla Trabalhistas-Conservadores no Reino Unido; desfez a alternância Socialistas-Direita (gaulista ou outra) em França; entre nós, baralhou o jogo a dois entre PS e PSD. Nos EUA, só formalmente o tandem Republicanos-Democratas se mantém como era: o partido Republicano, tomado por dentro, é hoje o bastião da extrema-direita e faz de farol do novo fascismo internacional. Mesmo em países que não têm peso político determinante (Holanda, Áustria, Bélgica, por exemplo), a fragmentação partidária e a dificuldade em formar governos estáveis é nota dominante.
Pelo menos na Europa, o que explica a falência desses partidos centristas é o facto de a base “sociológica” em que assentaram as suas políticas – o bloco das classes médias – se estar a desfazer. Concretamente, parcelas consideráveis das camadas sociais médio e pequeno burguesas e das classes trabalhadoras já não se veem representadas por tais partidos e deixam-se cativar pelas propostas “de mudança” da extrema-direita. Por que razão isto acontece é questão chave para entender a actualidade política e o que reserva o futuro próximo.
As condições de existência do centro
A forma como se constituiu esse centro e em que condições se manteve por décadas dá-nos pistas para entender por que razão agora se desagrega.
O caso é característico dos países de capitalismo desenvolvido, imperialistas ou da órbita do imperialismo. Só nestes casos, com efeito, uma relativa, mas contínua, prosperidade económica conferia à vida daquelas camadas sociais um horizonte estável. E permitia aos partidos do centro, gestores incontestados dos negócios capitalistas, apresentarem-se como os garantes dessa estabilidade.
Desde o termo da segunda guerra mundial e até final dos anos 1960 foi possível ao capitalismo desses países manter um pacto social, formal ou tácito, que proporcionava melhorias salariais regulares, sistemas de apoio às populações, serviços públicos sem paralelo no resto do mundo dito “subdesenvolvido” – do qual aliás provinha o rendimento extra que permitia o grosso desses benefícios. O capitalismo desenvolvido comprou por estes meios o sossego e o apoio político das classes médias e de grande parte das classes trabalhadoras.
O declínio das economias do capitalismo imperialista, assinalável desde os anos 1970, foi o sinal de partida para uma reversão do dito pacto social. Tal declínio – marcado, na política e na política económica, pelo chamado neoliberalismo, que iniciou a sua experiência pioneira no Chile de Pinochet em 1973 e assentou arraiais no Reino Unido e nos EUA com Thatcher e Reagan – foi atenuado pela expansão capitalista dos anos 1980 e 1990, em resultado da abertura da China ao capital ocidental, e da queda da URSS e da Europa de Leste.
A novidade, contudo, teve vida curta: a crise económica-financeira de 2008-2009 foi o toque de finados da globalização do capital imperialista e da via neoliberal que a acompanhou.
O fim de uma época
“Não podemos viver acima das nossas posses” foi a afirmação que marcou a nova época e o que viria a seguir. O capitalismo triunfante confessava o fracasso de todo um sistema económico, social e institucional.
Vista nos seus aspectos de fundo, a crise desencadeada há quase vinte anos fornece-nos uma radiografia do estado terminal a que chegou a civilização burguesa. O mundo está a viver a falência do sistema produtivo capitalista, que entrou numa estagnação permanente sem perspectiva de recuperação. Com isso, está em causa todo o edifício que nele assenta.
A crescente dificuldade de reprodução do capital traduz-se, com efeito, numa igual dificuldade de reprodução das relações sociais. Daí a decomposição das instituições, o esvaziamento da democracia, o abandono do estandarte do progresso, o apagamento das grandes crenças burguesas (nação, pátria, família, a que a extrema-direita deita mão).
A ideologia do progresso contínuo, da prosperidade – que foi desde sempre a chancela do positivismo burguês, da afirmação da superioridade do capitalismo sobre as formações sociais atrasadas – transfigurou-se num discurso de justificação do retrocesso: não mais emprego garantido, não mais melhoria de vida de geração para geração, não mais consumo livre, não mais lazer, não mais saúde e instrução para todos, não mais protecção social.
Este novo discurso denuncia a incapacidade das classes dominantes para convencerem as classes dominadas da superioridade do seu sistema de organização social, denuncia a incapacidade de uma civilização para mobilizar o todo social em torno dos seus objectivos de classe. Uma sociedade que já só assegura (agora pela própria voz dos seus mentores) um amanhã pior que o dia de hoje, e que afirma só poder subsistir nessa condição, é uma sociedade que caminha para o fim.
A deserção
A queda contínua nas condições de vida e a crescente desorganização social vinda por arrasto atingem em primeiro lugar as classes trabalhadoras e depois as classes médias baixas, e vai gradualmente subindo pelas camadas médias. É neste caldo que prolifera a nova extrema-direita.
A massa populacional em que assentou a paz social do tempo das vacas gordas tem vindo a ser penalizada, há praticamente cinquenta anos, naquilo que mais lhe dói: o dia a dia e o futuro dos filhos. Por isso mesmo, essa massa pergunta que razões lhe restam para continuar a acreditar nos bons ofícios dos partidos do centro, quando eles se mostram incapazes de dar resposta à pobreza crescente, à queda geral das condições de vida e ao caos social decorrente.
À liquidação do pacto social, abertamente decretada pelas burguesias dominantes a partir de 2008, as classes médio e pequeno burguesas e os sectores superiores das classes trabalhadoras que sustentavam o centro responderam com a deserção: as deslocações eleitorais são a prova prática disso mesmo.
Uma mudança no pessoal dirigente
Cresce, assim, a probabilidade de se operar uma mudança de pessoal dirigente nos principais países europeus, como já se deu nos EUA.
A disputa é particularmente aguda na UE. A elite política instalada em Bruxelas, em Estrasburgo ou em Frankfurt, mais a teia militar da NATO, resistem por todos os meios às forças que lhes disputam os lugares ou que simplesmente lhes levantam obstáculos políticos.
Exemplos não faltam: A anulação em 2024 das eleições na Roménia ganhas por Calin Georegescu, que condenava o apoio europeu à Ucrânia. A campanha para derrotar Viktor Orbán, na Hungria, pelas mesmas razões. A tentativa de assassinato do primeiro-ministro eslovaco Robert Fico, ainda pelos mesmos motivos. As acusações de financiamento e de apoio russo às forças de extrema-direita (quando o gangue fascista de Trump o faz às claras e impunemente). As ameaças recentes do poder alemão de declarar inconstitucional a AfD. A insinuação de “traição” a quem ouse opor-se à linha guerreira da UE e à sua política de corte com a Rússia, de efeitos económicos desastrosos.
Mas o grande capital, fundamentalmente o capital financeiro monopolista dominante, não enjeita a extrema-direita. Pelo contrário, acolhe a sua ascensão, na medida em que ela possa traduzir-se num reforço da mão-de-ferro sobre as diversas camadas sociais em desalinho. Apenas parece querer depurar a extrema-direita dos arrivistas instáveis (por isso, perigosos), e sobretudo testar a capacidade dos líderes recém-chegados para assumirem as rédeas da governação sem sobressaltos, sem rupturas que afectem a estabilidade do poder e a continuidade dos negócios.
Contra o que ela mesma apregoa, a extrema-direita vem em socorro dos regimes instalados, procurando agregar sob novas bandeiras as massas que fogem ao controlo dos esgotados partidos do centro. Não o poderia fazer senão apontando, de maneira calibrada e conveniente, os males palpáveis do regime. É essa a condição para atrair a atenção das massas descontentes. Mas a sua função última, como foi a do fascismo clássico, é reconduzir as camadas sociais tresmalhadas ao velho redil capitalista-burguês. A imagem de um “novo” pessoal dirigente e de “novos” partidos ilude a permanência do regime de base.
Êxito fácil, porque facilitado
As principais forças da extrema-direita chamam a si toda a escumalha fascista-nazi e as mais diversas camadas reaccionárias. Mas os seus êxitos eleitorais não podem ser atribuídos a estes sectores ou ao arsenal ideológico bafiento que carregam. Isso vale para a estreita faixa eleitoral que essas camadas formam, mas não para o facto evidente de tais organizações se terem tornado rapidamente partidos de massas.
A propaganda da extrema-direita atrai o apoio e o voto de camadas populares, nomeadamente trabalhadores e pobres – chamando mesmo à liça política camadas normalmente abstencionistas, como se viu entre nós e também agora na Alemanha. Consegue-o porque toca nas questões imediatamente sensíveis para a massa: condições de vida, futuro sombrio, compadrio e corrupção no sistema político, concorrência entre trabalhadores agravada pela imigração.
Mas as razões do fácil crescimento, até agora, da extrema-direita não se resumem à falência do centro burguês pelas causas acima apontadas. Uma outra razão, bem determinante aliás, está na ausência de uma esquerda radical, com peso crítico, que faça o papel que lhe cabe: abordar pela raiz os problemas imediatos das massas populares vinculando-os à decadência do regime económico-social-político. Em última análise, portanto, a extrema-direita tem crescido à vontade também por ter o terreno livre – porque a esquerda socialista-comunista ainda não veio a terreiro com uma voz abertamente anticapitalista.
O crescimento das forças fascistas não é imparável. Nos casos, ainda raros, em que se manifesta um chamamento à resistência de massas, a extrema-direita e a direita têm sido travadas ou sofrido reveses. Sucedeu recentemente com a vitória eleitoral do Die Linke em Berlim; acontece com a LFI em França na mobilização contra a direita fascista; deu-se na eleição para mayor de Nova Iorque de Zohran Mamdani, muçulmano e “socialista”, derrotando a velha nomenclatura republicana e democrata.
Mais significativo foi o facto de as duas greves gerais realizadas no nosso país, em dezembro e em junho, terem mostrado igualmente que podem ser obtidas vitórias, mesmo parciais, quando o sentido de classe marca o propósito da luta. A resposta dos trabalhadores, em que a rua teve o papel principal, foi determinante para que a direita, a extrema-direita, o Governo e o patronato – identificados por junto como o mesmo alvo – acabassem por não conseguir aprovar as alterações, de feição terrorista, à legislação laboral.
Uma via política por afirmar
As acusações de “populismo” com que as forças políticas dominantes tentam caracterizar a extrema-direita são uma diversão: por um lado, mascaram a natureza fascista destas correntes, deixando porta aberta para entendimentos com elas quando necessário (“somos todos democratas igualmente eleitos”); por outro lado, descartam como demagogia os reais problemas das massas que a extrema-direita aflora na procura de apoios.
A demagogia fascista está noutro lado. Está na sua pretensão de responder aos problemas críticos das sociedades actuais iludindo a sua origem: primeiro, a falência senil do capitalismo imperialista, a que a extrema-direita está umbilicalmente ligada, cuja crise tem uma natureza estrutural, permanente e universal, e não já cíclica ou regional; segundo, a decadência dos respectivos regimes sociais, dos quais a extrema-direita faz parte e dos quais é o sub-produto, o rebotalho extremo. Não serão, pois, os paliativos “nacionalistas”, nem a verborreia crítica, exibidos pela extrema-direita que poderão responder à catástrofe.
As soluções efectivas só poderão vir de fora: de uma oposição de massas anticapitalista, que a extrema-direita por natureza não pode fazer; e de uma via política socialista-comunista, que a direita e a extrema-direita evidentemente abominam. Só este contraste, demarcando campos com a extrema-direita e com a direita, poderá dar a ver às classes trabalhadoras a linha de separação entre um futuro determinado pela sua própria iniciativa e o lamaçal em que são mantidas.
Conhecendo-se a dificuldade da situação presente, será este o caminho para que os trabalhadores passem gradualmente da defensiva, em que têm esgotado forças aparando golpes atrás de golpes, para uma atitude ofensiva que lhes abra horizontes próprios, à altura das mudanças sociais e políticas que se estão a operar.
Comentários dos leitores
•António Castela 30/9/2026, 12:32
O artigo não aborda o desenvolvimento tecnológico iniciado a meados dos anos 70 do século passado e a possibilidade de externalizacao que permitiu, a par de um aumento incomensurável da capacidade produtiva também a ele associado.
Essa externalização, a informatização, a robotização e o desemprego e precarização do emprego e dos serviços sociais que lhes esteve associada, e uma superprodução sem possibilidade de escoamento face à diminuição substancial do rendimento dos trabalhadores, são factores reais e económicos que suportam o descontentamento e a reacção dos trabalhadores, que em face da inexistência de opção de esquerda de classe e combativa, acabam por ser arrastados para o discurso radical e de ódio da direita e extrema-direita, em Portugal protagonizada pelo Universo Passos Coelho - PSD, CDS, IL, Família Ventura e sucedâneos e Ascenso Simões e Sérgio Pinto e similares.
•leonel l. clérigo 1/10/2026, 9:29
OS 3F de SALAZAR
Os tempos de SALAZAR foram, na altura, alcunhados por "Tempos dos 3F". E designavam os 3F, Fátima, Futebol e Fado.
Deste modo, ao usar estes 3F pretendia o Regime Salazarista difundir de forma maciça os pontos chave da PROPAGANDA com que o SNI procurava ANESTIZIAR a POPULAÇÃO e desviar-lhe as atenções dos PROBLEMAS GRAVES com que se deparava.
Hoje, tal como ontem, há na vida dos Portugueses coisas bem mais IMPORTANTES a resolver que o FUTEBOL que não é nenhuma delas. E o sr. Cristiano Ronaldo - apesar de ter sido convidado da "CASA BRANCA" - já tem idade suficiente para poder enxergar bem as coisas...
Deixe lá o Sr. MONTENEGRO resolver as coisas... o que há muito acredito não ser capaz.
•António 3/10/2026, 16:48
Uma pergunta um pouco fora do assunto, mas também mesmo lá dentro:
O que faz um militar, sozinho, vestido com um uniforme militar, tocando com um trompete, o hino nacional dinamarquês, antes do início do jogo de futebol das Nations League, entre a Dinamarca e Portugal? Deixo o resto ao leitor para refletir,,,
•leonel l. clérigo 4/10/2026, 11:03
ANTÓNIO
Em primeiro lugar, julgo que todas as "perguntas" acabam sempre por ficar "DENTRO do ASSUNTO". Como essa...Com o espartilhar das coisas perde-se alguma graça e sobretudo certa espontaneidade que considero necessária.
Mas indo ao tema: será que esse incidente do Hino DINAMARQUÊS tem algo a ver, por exemplo, com a ameaça do Presidente TRUMP em "CONQUISTAR" a Gronelândia e a necessidade de "coesionar" as hostes na retaguarda dinamarquesa...
"Mais vale prevenir que remediar", dizem...e depois do Cris - como dizem - ter ido à CASA BRANCA.
E esta outra: que foi fazer o CRIS à CASA BRANCA? Dar "colorido" futebolística à refeição?...
Silêncio dos ilustres comentadores...Ao futebol, só o que é do futebol.
Nota:
Espero não ter feito aqui "erros graves de ortografia" para não ser "chamado à pedra" pela Sra. Jornalista Carla Trafaria. Para isso, já pedi a alguém que me colocasse no computador uma versão "séria" do CORRETOR ORTOGRÁFICO.
•António 4/10/2026, 16:34
A Dinamarca envia armas para a Ucrânia. Ajudou também os Estados Unidos na guerra no Iraque, Afeganistão, Líbia.
•António 4/10/2026, 16:50
A Dinamarca enviou e continua enviando material bélico para a Ucrânia. E não é uma exceção. Portgal não fica atrás. Quanto à quantidade, possivelmente a Dinamarca está à frente. Esta malta está mesmo em uma cruzada para enfraquecer e dividir a Rússia. Conseguirão? Armam-se em heróis, mas é o povo que vai morrer lá à frente, isto é, jovens, homens, mulheres, sacrificando-se para os interesses das elites.
•leonel l. clérigo 5/10/2026, 9:57
ANTÓNIO
1 - De facto parece-me certo como dizes: o nosso Portugal "DEMOCRÁTICO" está desde o começo no barco "estratégico" EUROPEU da UCRÂNIA, uma "aventura" cada vez mais perigosa da CLASSE DECADENTE CAPITALISTA EUROPEIA e já desadequada no Tempo com a chegada de outros PROTAGONISTAS de PESO à cena INTERNACIONAL.
E são os famigerados FUNDOS EUROPEUS que prendem o PAÍS pelo pescoço e o obrigam precisamente a isso: a ser "PAU-MANDADO".
Um País como PORTUGAL - depois de perder o IMPÉRIO do qual vivia há séculos - só tem duas alternativas: ou "arregaça as mangas" e DESENVOLVE a sua MÁQUINA PRODUTIVA - criando mais-valor que lhe permita uma vida MELHOR - ou passa a viver de acordo com "Expedientes e Subsídios" como vem fazendo há SÉCULOS a CLASSE DOMINANTE PORTUGUESA CAPITALISTA, versão PATRIMONIALISTA-RENTISTA e DEPENDENTE pós-25 de Abril.
2 - Mas julgo que há que clarificar uma confusão que por aí anda: PORTUGAL é uma coisa e outra muito diferente é a minoria de CLASSE (hoje BURGUESA) que o Governa, o que pode ser facilmente entendido quando se ouve dizer por aí que o "ESTADO (ou seja quem detém o PODER do ESTADO) "ANDA-NOS a ROUBAR".
Ora o ESTADO "não come nem bebo nem passa férias luxuosas", nem "rouba" ou "não rouba", nem conduz o PAÍS BEM ou MAL. Ele depende inteiramente de quem o GOVERNA. Ou seja: o Estado não é NINGUÉM em especial é, no concreto, o Sr. MONTENEGRO e sua "equipa PPD", como já foi MÁRIO SOARES, SÁ CARNEIRO, PASSOS COELHO...
3 - E quanto a isso, os GOVERNADOS têm que se esforçar por entender BEM e na altura própria, quem são os que querem GOVERNA-LOS e escolher os mais adequados para não irem pela habitual "CONVERSA FIADA" dos malandrecos aldrabões que nunca cumprem o que prometem.
E não colhe depois de os "escolherem", virem para a rua em "manifs", esbracejar de descontentamento. Costuma-se dizer a isso: "É SOPA DEPOIS do JANTAR"
•leonel l. clérigo 6/10/2026, 18:24
UM DESABAFO
Sem qualquer dúvida:
OS FRANCESES - sobretudo a sua JUVENTUDE - CONTINUAM SENDO A CONSCIÊNCIA SOCIAL da EUROPA.
O resto são hoje uns TOTÓS: engolem toda a porcaria política que lhes servem sem soltar um pio.
•leonel l. clérigo 10/10/2026, 17:45
TAL COMO no BRASIL...
Se o Economista Brasileiro MARCOS LISBOA viesse a PORTUGAL e lhe oferecessem para ler um exemplar de ORÇAMENTO agora em aprovação, diria o mesmo que disse para o Brasil:
A POLÍTICA ECONÓMICA PÚBLICA (portuguesa) é de BAIXA QUALIDADE...
•leonel l. clérigo 11/10/2026, 7:39
Como VAI o PATRIMONIALISMO (dos PRIVILÉGIOS) em PORTUGAL...
Atenção à SOLUÇÃO do caso "CRIS": vai ser um belo espelho...
•leonel l. clérigo 12/10/2026, 14:00
A ECONOMIA e o "DEBATE DESENVOLVIMENTISTA" em PORTUGAL
1 - O ESTUDO da ECONOMIA - que para A. SMITH era "uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações" - julgo que deveria dirigir-se, prioritariamente, para a SOLUÇÃO das NECESSIDADES REAIS da POPULAÇÃO de um qualquer PAÍS ou, dito de outra forma: fazer crescer a RIQUEZA através do DESENVOLVIMENTO da sua Máquina PRODUTIVA.
Mas não é isso que vem acontecendo entre nós, portugueses. Os nossos ESTUDIOSOS da ECONOMIA ficam-se apenas e invariavelmente "preocupados" com o PIB e se ele "cresce" ou "não" - o IDH já é outra coisa... -, se a TAXA de JUROS "é alta ou baixa", se o DÉFICE é uma das vestes do "diabo" a necessitar AJUSTE FISCAL (para um "aperto do cinto")... ou seja: "pequenos" IMPREVISTOS que parecem "cair do céu", forçados pela inevitabilidade do CICLO ECONÓMICO do CAPITALISMO. E nada há a fazer.
Tudo então parece indicar não se dispor de SABER e PODER... para alterar este "estado de coisas". E tudo vai passar ao lado daquelas NECESSIDADES REAIS da POPULAÇÃO de um PAÍS. É o caso do SUBDESENVOLVIDO PORTUGAL.
Um exemplo: não há hoje "cão nem gato" que não se tenha encontrado com uma qualquer "definição" do PIB (abreviatura de Produto Interno Bruto): "PIB é um dos principais indicadores para medir o tamanho da economia de cada estado" (diz-nos Paulo Baptista Vieira director Regional de Estatística da ilha da Madeira). Mas isto do PIB não nos diz grande coisa, é curto, fazendo lembrar aquela "anedota estatística": Se tu comes 2 frangos e eu nenhum, estatisticamente comemos um frango cada um". Mas, de facto, o que REALMENTE é necessário é que cada um possa comer um frango.
2 - Só é possível, com a organização capitalista do mundo em que vivemos, um PAÍS DISTRIBUIR RIQUEZA pela sua POPULAÇÃO se primeiro - e à custa das suas "próprias forças" já que ninguém dá nada a ninguém - CRIAR essa RIQUEZA (como a entendia A. SMITH) pelo trabalho da sua POPULAÇÃO. E PORTUGAL tem tido larga DIFICULDADE em criar RIQUEZA para a poder DISTRIBUIR pela sua POPULAÇÃO: a pouca que se produz é, na sua GRANDE PARTE, canalizada para uma PEQUENA MINORIA que adora ir para a COMPORTA. Daí a maioria viver a APERTAR o CINTO.
3 - COMO RESOLVER ISTO?
Há quem diga que só se resolve o PROBLEMA produzindo MAIS e cada vez MELHOR, seguindo de perto os ENSINAMENTOS da designada REVOLUÇÃO INDUSTRIAL - que AINDA NÂO A FIZEMOS. Só assim a RIQUEZA de um PAÍS pode CRESCER e ele DESENVOLVER-SE. Foi isso que fizeram os PAÍSES MAIS RICOS - o G7 - denominados como "OS MAIS INDUSTRIALIZADOS do MUNDO".
4 - Mas como INDUSTRIALIZAR o velho PORTUGAL SUBDESENVOLVIDO - que muitos parecem acreditar ser IMPOSSÍVEL, tal como pensa o "derrotado" PS Victor CONSTÂNCIO? Este o nosso principal PROBLEMA.
Mas terá o Economista CONSTÂNCIO RAZÃO? ..."Já perdemos a oportunidade de INDUSTRIALIZAR o PAÍS" como ele diz?
E que dizem os nossos ECONOMISTAS e os PARTIDOS POLÍTICOS a isto?
Até agora, NADA! Até hoje pode-se dizer: o SILÊNCIO tem sido de OURO...e o PROBLEMA continua debaixo do tapete.
Mas será só por isso que o SUBDESENVOLVIMENTO mais sua POBREZA não nos larga?...
Ou anda também aí muita IGNORÂNCIA à MISTURA? É uma hipótese e é bem possível...
Contudo e em minha fraca opinião o problema é outro: a nossa Burguesia é de "BAIXA QUALIDADE". NÃO PRESTA...Precisa ir para a REFORMA.
PORTUGAL teve azar...
•leonel l. clérigo 13/10/2026, 11:40
A ESTRATÉGIA...na retrete.
Pós-25 de Abril, os ORÇAMENTOS do Estado Português eram precedidos por um texto que se denominavam as GRANDES OPÇÕES do PLANO. E com isso pretendia-se mostrar - preto no branco - o que é que cada GOVERNO pretendia fazer para melhorar a VIDA dos PORTUGUESES.
Essa "coisa" perdeu-se: foi lançada na retrete por ser "ANTI-DEMOCRÁTICA" ou seja: não era coisa que interessava à "dinâmica e desenvolvimentista" burguesia patrimonialista TUGA.
1 - Por exemplo (e com dados da IA): no ano de 1977 - já lá vão 40 anos e muito da nossa juventude não era ainda nascida - o Dr. Mário Soares apresentou umas Grandes Opções do Plano - também designado curiosamente por Plano de Investimentos da Administração Pública - onde se referia além das habituais:
"Redução do défice da balança de pagamentos
Contenção do défice orçamental
Controlo da inflação..."
Mas também surgiam OUTRAS como:
Melhoria da satisfação das necessidades sociais: com especial foco nos setores da saúde, educação, habitação e saneamento básico
Correcção de desigualdades: focado na melhoria do teor de vida, numa repartição mais justa do rendimento e no desenvolvimento regional corrigindo...
e ainda - coisa curiosa dos tempos passados:
RELANÇAMENTO da ACTIVIDADE ECONÓMICA: Estímulo à produção nacional conciliando os sectores público, cooperativo e privado.
2 - Este "hábito" salutar que o ORÇAMENTO continha - para MOSTRAR o que o GOVERNANTE de SERVIÇO ao ESTADO iria FAZER para poder ser depois "CHAMADO À PEDRA" por INCOMPETÊNCIA e MÁ FIGURA ...ou não - acabou por ser lançado na "retrete" por ser "ANTI-DEMOCRÁTICO". E por isso - e outras semelhantes - os PORTUGUESES estão cada vez mais ceguinhos. E sem piu...
NOTA:
Saúdo a vanguarda da juventude do PORTO. É excepção...ou quase.